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AGRARISMO E OBREIRISMO NO CONDADO (3)

En febreiro de 1931 coa perspectiva dunhas eleicións xerais, logo frustradas, o agrarismo manifesta unánime o seu apoio no distrito ó presidente do Comité da Federación, D. Amado Garra, aquel abogado e xornalista, alma desde 1908 do movemento no Condado e representante do distrito na Xunta Nacional de Alianza Republicana. O núcelo obreiro e socialista decidírase a apoiar tamén a este candidato, único con posibilidades de éxito frente òs grupos dinásticos bugallistas ou upetistas. E este apoio é o determinante que abre as portas dunha posible coalición entre agrarios e socialistas, cando se prantexan as eleicións municipais para o 12 de abril. Así se sinte nas bases e nas xuntanzas da Federaçión ata chegar a un acordo, nun ambiente claramente eufórico e entusiasta. O movemento agrario ten, nestas alturas, crara a sua vocación política no senso de aspirar ó exercicio da gobernación dos municipios, porque: “si los pueblos han estado supeditados al nepotismo caciquil, es tal vez por no haber sabido plantearse a tiempo su problema político (…) es forzoso, pues, hacer política (…) Sabe muy bien el Comité que la inmensa mayoría de las organizaciónes agrarias propugnan hoy por las soluciones más avanzadas y patrocinan las mayores audacias en el campo político. Por ello no se incorpora el agrarismo a partido político determinado. Le convendrá de seguro, conservar e afirmar su personalidad y sus características como partido agrario; pero de lo que no puede prescindir ya, en esta hora crítica y decisiva, es de declarar incompatibles su reivindicaciones y sus ansias redentoras con las instituciones que nos rigen”. No mes de marzo chegaba de Buenos Aires apoio dos emigrantes de A Cañiza, Arbo, Crecente, Covelo e Salvaterra, ós agrarios nas eleicións. A alianza entre agrarios e socialistas acórdase nas xuntanzas xerais da Federación nos días 8 a 15 de marzo ás que asisten tamen unha delegación da “Sociedad obrero-socialista”, e que resulta de participación multitudinaria. A partir deste intre desátase unha campaña en todolos frentes con gran participación popular. Amado Garra expresa o sentir xeral: “Ahora lo que hace falta es que los agrarios e los obreros no se dejen arrebatar esse triunfo que se vislumbra”. A candidatura da coalición está formada por 14 agrarios e 3 socialistas. Os dous primeiros postos eran para D. Emilio Garra Castellanzuelo (agrario) e D. Benito Casasnovas Rodríguez (socialista).

PUBLICADO EM “A PENEIRA” (ANO I – 1984)

FOUCAULT (O HUMANISMO, UM INVENTO RECENTE)

“Acredita-se que o humanismo é unha noçón muito antiga que remonta a Montaigne e mesmo para além dele. Ora, a palabra “humanismo” non está no “Dicionário clássico de françês, 1846”. Littré. De facto, com esta tentaçón de ilusón retrospectiva à qual se sucumbe com demasiada frequência, pressupomos de bom grado que o humanismo tem sido a grande constante da cultura ocidental. Assim, o que distinguiria esta cultura das outras, das culturas orientais ou islâmicas, por exemplo, seria o humanismo. Comovemo-nos quando se reconhecem as impressóns deste humanismo noutros lugares, num autor chinês ou árabe, temos a impressón de comunicar com a universalidade do xénero humano. Ora, non só o humanismo non existe nas outras culturas, como na nossa, provavelmente, non passa de unha miraxem. Na escola secundária, ensina-se que o século XVI foi o século do humanismo, que o classicismo desenvolveu os grandes temas da natureza humana, que o século XVIII criou as ciências positivas que permitiram, por fim, conhecer o home de maneira positivo-científica e racional, com a bioloxia, a psicoloxia e a socioloxia. Imaxinamos ao mesmo tempo que o humanismo tem sido a grande força anímica do nosso desenvolvimento histórico e que é finalmente a recompensa deste desenvolvimento, isto é, que é o princípio e o fim. O que nos maravilha na nossa cultura actual é a sua preocupaçón com o humano. E se se fala da barbárie contemporânea é na medida em que as máquinas ou certas instituiçóns nos aparecem como non humanas. Tudo isto é ilusório. Em primeiro lugar, o movimento humanista data de finais do século XIX. Em segundo lugar, quando se observam de perto as culturas dos séculos XVI, XVII e XVIII, constata-se que o home non ocupa nenhum lugar. A cultura está ocupada por Deus, polo mundo, pola semelhança das cousas, polas leis do espaço, e também polo corpo, polas paixóns, pola imaxinaçón. Mas o home em si mesmo está completamente ausente. Em “As Palabras e as Cousas” quis mostrar com que peças e com que fragmentos se compôs o home no final do século XVIII e princípios do XIX. Tratei de caracterizar a modernidade desta figura, e pensei ser importante mostrar o seguinte: que non é exactamente por causa de unha preocupaçón com o humano que se teve a ideia de conhecê-lo cientificamente, mas polo contrário: foi porque se construiu o ser humano como um obxecto de um saber possíbel que se desenvolveram a seguir os temas morais do humanismo contemporâneo, temas que encontramos nos marxismos brandos, em Saint-Exupéry e Camus, em Teilhard de Chardin, nunha palabra, em todas essas figuras descoloridas da nossa cultura.”

Michel Foucault, entrevista concedida a C. Bonnefoy, 1966.

O ILHA (2)

“Nasci. Como toda a xente, também nasci. Devo o meu nome à lenda da minha casa e à minha madrinha Maria Rosa Montero. Caía o mês de Fevereiro de 1951 quando experimentei o frío de viver, fora do interior da minha mae: Rosalia Montero. Nado no interior da Galiza profunda, onde a modernidade da Revoluçón Industrial ainda nao arribara, começei a crescer pensando que era natural beijar a mao ao padre-cura. Na lenda da minha casa, estaba a lenda da casa pobre, que se vê obrigada a virar-se para a emigraçao. Cuba e Brasil, viram chegar os dois filhos varoes de Luís Giraldez. Manuel e José, reunidos posteriormente no Brasil, arrecadarom a sua fortuna. Regresando ao seu Ponte de Xil querido. Depois do seu retorno, encostáram-se a Lisboa. O carrossel familiar começou, entón, a desfilar cara a esta cidade na procura de manter o herdado. Sao já geraçoes; sou já eu; sou já um producto familiar de Rosalia Montero e José Maria Montero Giraldez. Um producto dos meus avôs paternos e também, em menor medida, da minha avó materna. Producto também do meu tio-avô paterno José Maria, conhecido pelo Arrasta; um homem que levou o Cinema e a Fotografia a unha aldeia onde a electricidade ainda era um bem a conquistar para e por muitos. Fui crescendo depois de sentir o frio de viver. Encostei-me, também eu a Lisboa, onde o meu Pai tinha um bar na fadista Rua da Palma, vulgar casa de pasto, que fez moda. Fui parar, por recomendaçao de Luís Mello, um aventureiro e grande melómano, ao maravilhoso Colégio Valsassina. Posteriormente, arrecadarom-me para um colégio já inexistente, situado na mística e misteriosa cidade de Tomar. Nem num, nem noutro, me consagrei como estudante, ainda que o fosse a tempo inteiro. Continuei a crescer. Comecei a sentir o beijo das musas e a aventura da letra escríta, baixo reaçao psicanalítica. No meu imaginário sentou-se Tristan Tzará. Na fonte da minha sabedoria, apareceu um Conde russo, chamado Bakunine. Comecei a alargar. Percorri terras do outrora, Reino de Leao. Tive filhos; dois filhos altos; fortes; iguais e inteligentes: José Luís e Ricardo. Escrevi. Penetrei no universo Underground. Fiz um curso de Literatura e Cinema. Colaborei em jornais de aquém e além Minho. E, continuei a escrever. Enchi gavetas; perdi maletas e escreví sem escrever. Comecei, entao, a limpar o pó. Comecei entao a viagem. Este sou eu, ou o eu que sei de mim.”

JOSÉ LUÍS MONTERO

ARÍSTOCLES (MAIEUTIKÊ)

A ARTE DE DAR À LUZ

Resumindo e concluindo, outro contraexemplo baseado num caso particular que nos empurra a refinar a nossa ideia e aventurar unha nova definiçón, algo do xénero “alguém que respeite e se preocupe com os interesses dos seus concidadáns e que polo seu trabalho alcance resultados positivos”. De novo, o Sócrates do século XXI: “Porém, o “FMI” e a “troika” (que apesar de non serem políticos som aqueles que na realidade exercem tais funçóns de algum tempo a esta parte) dizem preocupar-se com os interesses dos cidadáns; em certas ocasións, o trabalho por eles desempenhado alcançou resultados positivos (é aqui que fica claro que estamos a formular um exemplo de ficçón), mas a maioría da populaçón está igual ou pior do que antes”. Terceira tentativa: “alguém que respeite os interesses dos concidadáns e se preocupa com eles, cuxo trabalho surta resultados positivos que beneficiem todos os cidadáns ou unha vasta maioria”. Através da discussón e do debate procederíamos assim até chegarmos à definiçón universal do ser “bom político”, que depois poderíamos aplicar com propriedade na nossa vida quotidiana. O exemplo de “diálogo dialéctico” que acabámos de inventar também nos permite ilustrar o terceiro conceito que destacávamos ao falar dos elementos característicos do método socrático: a “maiêutica”, do grego “maieutikê” ou a arte de axudar a parir. No “Teeteto”, Sócrates (ou Platón, pola boca de Sócrates) explica à personaxe que dá nome ao diálogo a orixe e as características desta técnica: o filósofo afirma ter herdado da nái, parteira de profissón, a habilidade de fazer parir, com a peculiaridade de que no seu caso, a técnica se aplica sobre o espírito e non sobre os corpos. Mas deixemos que sexa o próprio Sócrates a descreber-no-lo: “-Pois, nesta minha arte de dar à luz, coexistem as outras todas que há na outra arte, diferindo non só no facto de serem homens a dar à luz e non mulheres, mas também no de tomar conta das almas e non dos corpos dos que están a parir. E o mais importânte desta nossa arte está em poder verificar completamente se o pensamento do xovem paríu unha fantasía ou unha mentira, ou se foi capaz de xerar também unha autêntica verdade. Pois isto é o que xustamente a minha arte partilha com a das parteiras: som incapaz de produzir saberes. Mas disso xá muitos me criticaram, pois fago perguntas aos outros, enquanto eu próprio non presto declaraçóns sobre nada, porque nada tenho de sábio; e o que criticam é verdade. A causa disso é a seguinte: o deus que me obriga a fazer nascer, impediu-me de produzir. Non som, portanto, absoluctamente nada sábio, nem tenho nenhuma descoberta que venha de mim, nascida da minha alma; mas aqueles que convivem comigo, a princípio alguns parecem de todo incapazes de aprender, mas, com o avanço do convívio, todos aqueles a quem o deus permite, é espantoso o quanto produzem, como eles próprios e os outros acham; sendo claro que nunca aprenderam nada disto por mim, mas descobriram por si próprios e deram à luz muitas e belas cousas. No entanto, o deus e eu é que fomos a causa do parto”. O que há mais de dous mil anos é considerado como o exemplo paradigmático do método “maiêutico” foi o diálogo entre Sócrates e um escravo que se encontra no “Ménon”, onde Sócrates consegue, através de perguntas, que o escravo, desprovisto de qualquer conhecimento matemático, descubra unha proposiçón xeométrica fundamental.

E. A. DAL MASCHIO

LITERATURA CLÁSSICA LATINA (PLAUTO)

A autenticidade das obras de Plauto, está representada polas vintiunha obras chamadas “Fabulae Varronianae”; estes manuscríptos procedem de unha ediçón completa reunida por volta do ano cem d. C. Foi como se a posteridade conhecera a Shakespeare por copias feitas de unha ediçón em folio recopilada a partir de guións de representaçóns acessíbeis das várias obras representadas em 1920. “Vidularia”, a última, está quase perdida e outras tenhem lacunas mais ou menos sérias (“Cistellaria”, “Amphitruo”, “Bacchides”, “Aulularia”). Algunhas obras só eram accessíbeis em manuscríptos de reposiçóns (Casina) ou versóns incompatíbeis (Poenulus) ou recortadas drásticamente (Curculio). Qualquer signo empregado polos editores para explicar o estado das interpolaçóns, versóns alternativas e deslocaçóns perderom-se. As obras estám divididas em escenas e apresentam unha mistura dilectante de pronunciaçón arcaica e “moderna”. A divisón em actos das ediçóns modernas deriva de deducçóns equivocadas de erudictos renascentistas partindo do preceito de Horacio; o mesmo se pode aplicar a Terencio. Os manuscríptos nos quais Plauto chegou a ser conhecido no Renascimento e os que forom por primeira vez impressos, descuidavam em parte a divisón dos versos; de aí procede unha xustificaçón académica da prosa como meio para a comédia italiana e isabelina. Non había um “canon” das obras de Plauto no seu tempo ou pouco depois. Sobre os anos 160 a. C. Terencio podía alegar, plaussibelmente polo menos, que desconhecia que certa obra fora modificada por Plauto, e na xeraçón posterior, Accio negaba incluso a orixem plautina de outra comédia que Terencio consideraba xenuína. Elio Estilón, contemporâneo de Accio, consideraba autênticos somente vinticinco guións dos cento trinta aproximadamente que se representavam baixo o nome de Plauto. As chamadas “Fabulae Varronianae” som vintiunha, que Varrón agrupou como autênticas “por acordo unânime”, é dizer, a obra que ninguém discutia, e sería certo virtualmente que som as vintiunha que os manuscríptos conservam. As obras que realmente merecem o título de “Varronianae”, som as mesmas que forom questionadas por alguns autores como Accio e Estilón, mas que Varrón consideraba plautinas por motivos estilísticos, ao parecer outras deçanove. Tendo em conta a natureza precária da transmisón, podem surxir dúvidas com respeito à unidade do “corpus” e da qualidade do texto. A análise estadística mostra, non obstânte, que estamos ante a obra de unha só mán e que em ocasións está notabelmente bem conservada. Rasgos tais como a distribuiçón normal da coincidência de “ictus” e acento ou rasgos prosódicos como o tratamento de “s” final tras unha vocal breve ante unha consoânte inicial, revelam regularidades internas distintivas. Critérios como estes resultam evaluábeis porque passam desapercebidos para o leitor ou para o ouvinte e subconscientemente están determinados polo escritor; d’aí que sexam mais fiábeis que os rasgos de estilo superfíciais reconhecidos por Varrón e utilizados por el para adxudicar as obras discutidas. As identificaçóns mitolóxicas, formaçóns ocasionais típicas, xiros da frase característicos, etc… som precisamente os rasgos que um leitor cuidadoso notará e que reproducirá qualquer imitador ou falsificador competente.

E. J. KENNEY E W. V. CLAUSEN (EDS.)

RUSSELL (ATOMISMO LÓXICO)

O filósofo analítico britânico Michael Dummett (1925 – 2011) defende que a oposiçón entre filosofia analítica e continental non faz sentido na sua orixem. Na realidade, o que aconteceu foi unha ruptura entre os métodos analíticos e os fenomenolóxicos (o método analítico centra-se nas definiçóns linguísticas, o fenomenolóxico na análise dos conteúdos da experiência), e ambos têm orixem em problemas que estabam a ser tratados “continentalmente” em particular, a crise da fundamentaçón das ciências (o mesmo debería ser dito sobre a mais recente divisón entre analíticos e hermenêuticos; ao contrário da fenomenoloxía, que situa a análise na primeira pessoa, a hermenêutica procura entender as intençóns do outro, sexa ele unha pessoa ou unha sociedade, as duas correntes ván beber a problemas semelhantes da interpretaçón, mas esta nova divisón vai além dos nossos obxectivos). De facto, apesar de serem personalidades muito diferentes, há um paralelismo suxestivo entre Edmund Husserl, fundador da fenomenoloxía, e Bertrand Russell. Ambos começam o seu trabalho com unha dupla inquietaçón perante o estado da ciência e da filosofia, que consideram cheias de incertezas e falta de bases. Ambos desenvolvem os seus próprios métodos de analise, que virám a ser constituintes da filosofia contemporânea e característicos das escolas mais influentes. Há que dizer também que ambos se verám rapidamente desafiádos, criticádos e, de certa forma, inxustamente tratados polos discípulos que terám igualmente unha presença importante no século XX: Heidegger no caso de Husserl, e Wittgenstein no de Russell. Até aos anos 20, Russell elaborou unha filosofia ou, talvez melhor um método filosófico, a que chamou “atomismo lóxico”. Na década sequinte, tentou salvar o que era possíbel das críticas, principalmente das que Wittgenstein lhe dirixira e das que apontavam os novos caminhos da lóxica, que em parte ele próprio iniciára (por exemplo, a obra de Godel sobre as limitaçóns dos formalismos que implica unha derrota dos sonhos do loxicismo russelliano). Talvez, entón, tenha descoberto também os seus próprios limites, e no resto da sua longa vida dedicou-se a outras tarefas, como a divulgaçón e sobretudo, o activismo político e a renovaçón educativa, que lhe trouxeram a fama e o reconhecimento popular.

FERNANDO BRONCANO

GALLEIRA (22)

O CASTRO LUPARIO

Xá se viu ao tratar das cidades das alturas, que estes monumentos especialíssimos figuram, em primeira linha. nas lendas de muitos santos galegos. Non era pois possíbel que a do apóstolo Santiago carecese da sua. O “Castro Lupario”pertênce-lhe por enteiro, e del parte e nel se concentra, non tanto o maravilhoso, senón o que pudera afirmar-se histórico em quanto se refére à chegada e translaçón do santo corpo. Castela Ferrer, que escrebeu a vida do apóstolo, non podía menos que visitá-lo, e a el debemos a sua descrípçón. Conhecemo-lo, pois, tal como se encontraba a finais do século XVI, sendo polo tanto as notícias que subministra aquel autor, as mais antigas que nos quedam em ordem à disposiçón e modo como estaba construído. “Resídia Lupa, escrebe, num castelo e fortaleza sua, rodeado de grossa muralha, que ainda tinha doze pés de largo em algunhas partes, dentro da qual existe tanta capacidade que cabe um esquadrón de quatro mil homes ou mais: ainda hoxe em dia há grandes pedazos dela; em parte tem a altura de unha pica, (que quere Deus conservar estas memórias na honra do seu apóstolo). Tinha o “castela” no meio désta práça, cuxos cimêntos se vem agora, e desde a entrada da primeira muralha, iba-se a el por unha rua estreita, de oito pés de largo, feita de um e outro lado com grossas muralhas”

MANUEL MURGUÍA

MARX (ANAIS FRANCO-ALEMÁNS)

Marx tinha partilhado com os “xovens hegelianos”, liberais radicais, as duas ilusóns da humanidade que se prolongam até ao nosso tempo e se mostram insuperábeis as esperanças libertadoras pola via da filosofia, da educaçón, e pola via da política. Estas duas ilusóns sofreram algunhas erosóns na sua primeira etapa de xornalista, mas permaneceram. Em Septembro de 1843, escrebe a sua famosa carta a Arnold Ruge, que lhe tinha proposto xuntar-se em París ao seu novo proxecto xornalístico, os “Anais Franco-Alemáns”. Nessa carta, Marx, ainda sob o domínio do hegelianismo, non tem outro vocabulário para se expressar: “Tudo o que é necessário acaba sempre por acontecer”, afirma; “Estou convícto de que o nosso plano vem ao encontro de unha necessidade real, e as necessidades reais também debem ser realmente satisfeitas.” Mantém o proxecto filosófico, político e crítico (“crítica despiedada de tudo o existênte”); mantém a relixión e o estado como inimigos, como formas de alienaçón: “Assim como a relixión é o sumário das lutas teóricas da humanidade, o Estado político é o das suas lutas prácticas.” É verdade que a carta revela novos sintomas, como unha maior atençón à práctica (“participaçón na política e, portanto, nas lutas reais, e identificar a nossa crítica com elas”, mas o seu esquema de reflexón non escapa ao âmbito da filosofia hegeliana: “Non dizemos ao mundo: Deixa de lado essas tuas batalhas, pois é tudo fantochada; nós é que proferiremos o verdadeiro mote para a luta. Nós apenas lhe mostrámos o porquê de ele estar a lutar, e a consciência é algo de que ele terá de se apropriar, mesmo que non queira”. A crítica filosófica continua a ser a estratéxia e o estado racional o obxectivo. París era um bom lugar para que um exiliado continuasse a sua luta pola Alemanha, que no seu interior tinha apertado o cerco aos reformadores com a censura e a repressón. Além disso, em París avançaba o capitalismo e a burguesia conseguía fortalecer-se depois da noite-escura da restauraçón que se seguíu à Revoluçón de 1789. Marx descobrirá essas classes trabalhadoras, que sofriam xornadas de até quinze horas diárias e as suas lutas para se libertarem dessa situaçón; e descobrirá os seus actores, como Louis-Auguste Blanqui e a sua proposta de “comunismo operário”, tán diferênte do “comunismo filosófico” dos seus compatriotas. Na correspondência da época, fala de “lançar-se às verdadeiras lutas” e da nova tarefa da filosofia, que non tem de ser outra senón levar à humanidade que luta a consciência dos motivos polos quais luta. París axuda-o, obriga-o a pensar, a formular em conceitos o falhanço das suas posiçóns filosóficas e políticas defendidas na imprensa; esixe-lhe que axuste contas com a sua consciência anterior. É, neste sentido, que se destácam os dous trabalhos que publica nos “Anais Franco-Alemáns”: a “Introduçón à Crítica da Filosofia do Direito de Hegel” e “Sobre a Questón Xudaica”; dous trabalhos escritos na Alemanha, mas revistos e reformulados em París.

JOSÉ MANUEL BERMUDO

A CRÍTICA DE HUME AO ARGUMENTO DO DESÍGNIO

FRAQUEZA DA ANALOXÍA

Para Hume, a força de um argumento por analoxía é proporcional à semelhança entre os obxectos comparados. Quando existe unha exacta semelhança entre os obxectos, o argumento tem a máxima força e permite, a partir daquilo que sabemos acerca de uns, estabelecer com toda a certeza algo acerca do outro ou dos outros. Mas, quando non há unha semelhança exacta, a força do argumento diminui em proporçón e tanto mais quanto menos semelhantes forem os obxectos, tornando, no limite, a analoxía extremamente fraca. Assim, “Se vemos unha casa, Cleantes, concluimos, com a maior das certezas, que teve um arquitecto ou constructor, porque este é precisamente o xénero de efeito que vimos proceder daquele xénero de causa.” Non é isto, no entanto, que acontece quando comparamos o universo com unha casa. “Mas, certamente non ireis afirmar que o universo se parece de tal maneira com unha casa que podemos com a mesma certeza inferir unha causa similar ou que a analoxía resulta aqui completa e perfeita. A dissimilitude é tán impressionante que o máximo a que podeis aspirar neste ponto é a unha suposiçón, unha conxectura, unha presunçón a respeito dunha causa similar.” Em resumo, debido ao facto de ter por base unha analoxía fraca, o argumento do desígnio, em vez de permitir probar, como pretende Cleantes, que a Divindade é semelhante ao home, permite apenas conxecturar, supor ou presumir que existe unha semelhança entre ambos. Isto é um resultado bastante mais fraco do que aquele que Cleantes pretendia estabelecer, para quem as diferênças entre os obxectos naturais e os artefactos constituíam unha garantia segura de que a causa do universo é unha mente com capacidades imensamente superiores às da mente humana.

DAVID HUME (DIÁLOGOS SOBRE A RELIXIÓN NATURAL)

ABÚ NASR AL-FARABI (VIDA E OBRAS)

Turco de orixem e muçulmano de relixión, Abú Nasr al-Farabi (perto de 870 – 950) nasceu nunha pequena cidade da rexión de Farab, no Turquistán Ocidental, pertencente hoxe à República do Uzbequistán. Em plena expansón cultural do Império Abássida, estudou em Bagdade medicina, filosofia, matemática, gramática e música com homes de ciência cristáns, e foi condiscípulo e amigo do traductor de Aristóteles Abú Matta. Do ambiente de libre circulaçón de ideias nessa época dá-nos conta unha fonte histórica andaluza (al-Dabbi) a propósito dos debates filosófico-teolóxicos que presenciou: “Às reunións assistiam non só os muçulmanos de todas as seitas ortodoxas e heterodoxas, mas também infiéis, zoroastras, materialistas, ateus, xudeos e cristáns”, concordando todos, a partir de unha proposta de “um dos infiéis”, em non utilizar argumentos de autoridade retirados do Corán, mas apenas “probas fundadas na razón humana”. Protexido polo príncipe Sayf al-Dawla, viveu modestamente na corte, residiu em Alepo e faleceu em Damasco. A sua produçón literária foi muito vasta, dividida em comentários (a Aristóteles em especial, mas também a Platón, Ptolomeu e Euclides) e obras orixinais de conteúdo muito variado (lóxica, metafísica, psicoloxía, política, poesía e música). Destaquemos entre elas: O Catálogo das Ciências, O Libro das Letras, Tratado sobre o Intelecto, Concórdia entre o Divino Platón e o Sábio Aristóteles, Libro da Relixión, A Cidade Ideal e O Grande Libro da Música.

ANDRÉS MARTÍNEZ LORCA

A CROMODINÂMICA QUÂNTICA (F-55)

A “força nuclear forte” pode ser “renormalizada” pola sua conta nunha teoría denominada “cromodinâmica quântica” ou “QCD” (polas suas palabras em inglês “Quantum Chromodynamics”). Segundo a QCD, o protón, o neutrón, e muitas outras partículas elementais da matéria están formadas por “quarks”, que tenhem a notábel propriedade que os físicos denominarom cor, de onde vem o têrmo “cromodinâmica”, ainda que as cores dos quarks som tán somente etiquetas úteis que nada tenhem que ver com as cores visuais. Há quarks de três cores: roxo, verde e azul. Ademais, cada quark tem unha antipartícula correspondente, e as cores das referidas antipartículas som denominadas: antiroxo, antiverde e antiazul. A ideia é que somente as combinaçóns sem cor neta podem existir como partículas libres. Há duas maneiras de conseguir essas combinaçóns neutras de quarks. Unha cor e a sua anticor anulam-se mutuamente, de maneira que um quark e um antiquark formam um par sem cor, partículas inestábeis denominadas “mesóns”. Ademais, quando as três cores (ou anticores) se misturam, o conxunto carece de cor neta. Três quarks, um de cada cor, formam partículas estábeis denominadas “barións”, das quais os protóns e os neutróns som exemplos (e três antiquarks formam as antipartículas dos “barións”). Os protóns e os neutróns som os “barións” que formam os núcleos dos átomos e constituiem a base de toda a matéria normal do universo.

STEPHEN HAWKING E LEONARD MLODINOW

KANT (A ORDEM ESPARTANA)

O esboço moral que emerxe das biografias mais reputadas a respeito de Kant tem como traço distintivo a seriedade moral e a obediência estrícta ao princípio do deber, princípio esse que constitui o centro dos seus escritos éticos. Entendeu a vida como unha oportunidade para realizar unha contribuiçón substancial para o pensamento universal e, nesse sentido, aproveitou-a ao máximo: a ordem espartana que impôs aos seus dias responde à sua esixência no trabalho. Non debe inferir-se daí que fosse antissocial; como se viu, foi sociábel, amábel e xeneroso na convivência com os demais. Todas as testemunhas coincidem em que foi sincero e leal na amizade, cortês e respeituoso com os simples conhecidos. Em relixión, non foi um crente ortodoxo ou dado à oraçón, nem practicante, nem certamente teve o menor vestíxio de epiritualidade mística, mas acreditou num Deus adaptado à sua moral e à sua relixión racionalista, os filtros através dos quais o sentiu. Em política, foi republicano e partidário dos ideais das revoluçóns francesa e americana, processos históricos de primeira magnitude que acontecerom durante a sua vida, bem como de qualquer ordem que favorecesse a emancipaçón da razón humana; mas rexeitou qualquer tipo de violência (é seu o tratado “A Paz Perpéctua). Como filho do seu tempo, aceitava unha monarquia limitada e xamais tería aprobado os versos da “Marselhesa”: “Que um sangre impuro banhe os nossos cháns!” Acreditaba, com optimismo, que os exércitos seriam abolidos. Defensor do movimento iluminista, instou a humanidade a assumir consciência e responsabilidade morais; em “Resposta à Pergunta: Que é o Iluminismo?” deixou expresso para sempre o seu legado: Iluminismo é a saída do home da sua menoridade, de que ele próprio é culpado. A menoridade é a incapacidade de se servir do entendimento, sem a orientaçón de outrem. Tal menoridade é por culpa própria, se a causa non residir na carência de entendimento, mas na falta de decisón e de coraxem em se servir de si mesmo, sem a guia de outrem. “Sapere aude!” Tem a coraxem de te servires do teu próprio entendimento! Eis aqui a palabra de ordem do Iluminismo.

JOAN SOLÉ

PASSEIOS PARA UNHA TARDE DE SÁBADO (RIBADÁVIA)

O PAÍS DAS RIBEIRAS DO RÍO ÁVIA

Ribadávia tinha um dos mais fermosos cascos históricos da Galiza, a praça maior ainda conserva algo da tranquilidade e beleza doutros tempos. Unhas subidas chafalheiras dos prédios, conspurcarom grandemente o conxunto monumental, e o chán da referida praça também merecía um empedrado mais cuidadoso. Ribadávia xá chegou a ser capital da Galiza, ainda que por pouco tempo, pois tinha tudo o necessário para a grande vida, com acolhedores banhos termais, abundante narcótico do ribeiro e unha gastronomía afamáda. Ideal para um Outono ardente, morno, quando entra unha laceira no corpo, e xá dá gosto tomar o sol poênte. O vinho acabou dando-lhe unha fama universal, sobre tudo, quando os ingleses meterom dente no negócio. Claro, que depois de tanto mal dizer sempre entram ganas de comer, e para isso está o “Quatro Caminhos”, um restaurante daqueles que xá non há! A vinte minutos de Guillade, tudo pola autovía A-52, seguimos pola mesma vía rápida, passamos Ribadávia e saímos onde apareça o primeiro letreiro para Carbalhinho, logo um par de quilómetros à esquerda até Santa Cruz do Arrabaldo.

O pan deste restaurante (é de fabrico próprio, pois tem unha padaría ó lado) come-se solo, pois um começa a comer e non pode parar. E um vinho do Ribeiro, que os meus amigos, dabam fé ser de três estálos. ainda que convém ter precauçón de non abusar dele, pois pode ter “bocado”, xá que esta “Cepa do Ribeiro” pode ser ainda mais mortífera que a brasileira e a australiana. O forte deste restaurante, som as “Anguias fritas com pimentos de Arnoia, também fritos e este maravilhoso pan”

As Anguias, están muito bem fritas por três cozinheiras, que sabem muito bem o que tenhem entre máns, e se um mete o naríz dentro da panela (sem queimar-se), non lhe fai falta mais nada para asegurar a bondade do producto.

Este local, só necessitaría unha melhora das cadeiras e das mesas, e unhas toalhas de pano, para aumentar o conforto dos clientes, mas esta reforma debe ser feita com todo cuidado, para non destruir o carácter popular da clientéla, que é também um dos seus grandes encantos. É negócio para durar toda a vida! Se a ganância dos “cartos” non acaba por arruiná-lo.

LÉRIA CULTURAL

NIETZSCHE (O ETERNO RETORNO)

Durante a sua estada, no verán de 1881, em Sils-Maria, Nietzsche terá unha autêntica “revelaçón”. Um pensamento que lhe permite romper a oposiçón entre o “devir” e o “ser” e que, além disso, proporciona um significado imanente à vida. Trata-se do “eterno retorno do mesmo”, a doutrina fundamental de Zaratustra. O mais abismal pensamento! Para introduzir-nos nesta ideia vamos recorrer à sua primeira formulaçón, que se encontra de novo em “A Gaia Ciência”, concretamente no fragmento intitulado “O maior peso”: O que aconteceria se certo dia ou certa noite um demónio entrasse furtivamente na tua solidón mais solitária e te dissesse: “Esta vida, tal como a vives agora e tal como a viveste, terás de vivê-la non só unha, mas incontáveis vezes, e nela nunca acontecerá nada de novo, mas que cada dor e cada prazer e cada pensamento e cada suspiro e cada cousa infinitamente pequena e grande da tua vida deberá retornar a ti, e tudo na mesma ordem e sucessón – e assim também esta aranha e este luar entre as árbores e também este instante e eu mesmo. O eterno relóxio de areia da existência dará a volta unha e outra vez – e tu com ela, minúsculo pó no pó!”? O eterno retorno apresenta-se como um exercício mental que consiste em imaxinar que todos os instantes que componhem a nossa vida ván retornar eternamente e de forma idêntica àquela em que se produziram. Tudo, absoluctamente tudo o que vivemos e temos vivido (“cada dor e cada prazer e cada pensamento e cada suspiro e cada cousa infinitamente pequena e grande”) se repetirá infinitas vezes e exactamente pola mesma ordem.

TONI LLÁCER

LITERATURA CLÁSSICA GREGA (SOLÓN DE ATENAS)

A cobiça dos que mandam e a violência dos partidários, liberam forças destructivas que non podem controlar-se; isto foi o que aconteceu em Mégara e habería de passar de novo, muito mais tarde, em Corcira. A alabança por parte de Solón do estado de cousas contrário, o “bom goberno”, aparece e alcanza alturas líricas, com uns artifícios retóricos muito elaborados. Mas, as advertências de Solón seguirom desatendidas e os asuntos chegarom a um estado crítico, que em tantas outras cidades gregas derom como resultado a guerra civil ou a tiranía. Os atenienses conseguirom evitar a guerra civil e, por aquel momento, também a tiranía; Nomearom arconte a Solón com plenos poderes por um ano, para que actuára como “conciliador”, um cargo que se habia criádo com diversos títulos e, como último recurso, em varias cidades gregas divididas em facçóns (Mitilene, por exemplo). Solón, unha vez no cargo, pedíu a ambos os bandos que contiveram as suas esixências e inaugurou unha série de reformas (conhecidas como as “medidas para suprimir as dívidas”): que incluíam a prohibiçón de contrair dívidas; prohibiçón da escravidóm polas mesmas; o retorno a Atenas dos que foram deportados por elas; um código de leis para substituir ao feróz códigp punitivo de Dracón e muitas medidas mais. Mas todas elas eram compromisos, ningunha delas foi unha victória completa para bando algúm. Aos ricos, que eram a sua classe, aconselhou-lhes moderaçón: “Vós que tendes disfrutado da superabundância de todas as cousas boas, calmáde os vossos fortes ânimos, dentro dos vossos peitos, sentáde as orgulhosas mentes sobre propósitos moderados.” Aristóteles, que cita estes versos, nos dí que Solón criticou aos ricos, polas discordias civis. Mas, tampouco tinha ilusóns acerca do outro bando; num relato das suas acçóns, escríto depois de um ano de cargo, é igualmente duro com os dirixentes do partido popular, que tinham pronunciado o clássico grito revolucionário da distribuiçón de terras. Tem o orgulho de gabar-se de ter deixado descontentos a âmbos bandos, sobre tudo que despreçou as esixências de âmbos lados de castigo para os seus adversários. A sua lealdade non era para ningúm bando, só para Atenas. Aristóteles afirma que o poema que convenceu às duas facçóns a dar-lhe a autoridade suprema começaba com estes versos: “A pena médra no meu corazón, quando vexo a mais antiga terra da Xonia em decadência…”. “para ser campeón de cada bando, contra o outro, discutir o seu caso, e logo recomendar o fim da luta constante das facçóns”. O amor de Solón por Atenas compreende non só as suas xentes, senón a terra mesma; há unha nota de ternura no seu famoso orgulho, por ter arrancado os marcos que sinalabam o chán ático. A tentaçón de manter-se no poder, e o conselho dos seus amigos de que o fixéra, tivo que ser difícil de resistir, mas a sua negativa era inapelábel: “Axudei à terra dos meus páis, mantivem a minha mán lonxe da tiranía e da áspera violência…” Incluso foi o suficientemente intelixente como para saber que outros seríam mais ambiciosos que el; as tensóns do corpo político estabam aliviadas, non suprimidas e, Solón advertíu aos seus concidadáns que andaram com cuidado.

P. E. EASTERLING E B. M. W. KNOX (EDS.)