
Benedictus cedo se afastou dos estudos iniciais xudaicos ortodoxos preparados para ele e interessou-se por culturas diferentes. Adquiríu um sólido conhecimento dos filósofos clássicos: Platón, Aristóteles e os estoicos. Estudou os filósofos medievais e renascentistas, tanto pagáns como cristáns e xudeus. Estaba muito familiarizado com as ideias de algúns pensadores políticos, especialmente com as do inglês Thomas Hobbes, e com a ciência mais adiantada do seu tempo: Bacon, Galileu, Boyle. Estudou, sobretudo, o revolucionário daquela altura, René Descartes, ao qual o unia mais do que o facto de o francês ter vivido nos Países Baixos entre 1629 e 1649. Além disso, Espinosa aprendeu latim, que no século XVII continuava a ser a língua internacional na cultura europeia, a que se utilizava nas universidades e nos libros sérios; sabia que precisava dela se quisesse tirar um curso superior de filosofia. O seu acesso ao latim non foi só através de gramática e dicionário, pois leu os grandes clássicos, especialmente os dramaturgos. Espinosa non poderia ter reunido toda esta bagaxem de conhecimentos seculares nos estreitos limites da educaçón oficial. Obteve-a no círculo formado em redor de Franciscus van den Enden, um libreiro e reformista político que atraía para a sua casa em Amesterdam um grupo de humanistas e pensadores interessados na filosofia, na ciência e na política. Na sua casa, que funcionaba como unha escola, ensinava-se non só o latim que Espinosa aprendeu, como a filosofia cartesiana e, em xeral, os conhecimentos científicos mais avançados. Espinosa e Van den Enden deram-se bem; quando o pai do filósofo morreu, em 1654, o xovem instalou-se em casa do mestre que, em troca do aloxamento e do sustento, só lhe pediu que o axudasse na instruçón dos alunos. Segundo os biógrafos antigos e modernos, Espinosa concluíu o seu processo pessoal de secularizaçón bastante tempo, até mesmo anos, antes de o excomungarem. Tinha concebido ideias sobre a natureza de Deus, a alma humana, a imortalidade e as profecias que chocavam contra as teses da doutrina oficial. Embora non tivesse publicado, nem provavelmente escrito, nenhum tratado onde expusésse estas ideias, hoxe sabemos que no seu círculo mais ou menos próximo estas eram de domínio público. O xovem, que tinha crescido e estudado no seio da ortodoxia xudaica e depois se tinha aberto a concepçóns pagáns e xentís, defendia pareceres muito seculares: os dogmas relixiosos eram superstiçóns, non habia um Deus transcendente e pessoal, a alma non era imortal, o povo xudaico non tinha unha categoria privilexiada (non era o povo escolhido) e a ordem estabelecida da Sinagoga representava um obstáculo para o libre desenvolvimento do pensamento autónomo e rigoroso. Como é lóxico, todas estas ideias dissidentes surxiam do racionalismo e do naturalismo espinosistas. Unha das primeiras medidas que o filósofo excomungado tomou foi modificar o seu nome: renunciando ao hebraico Baruch e assumindo o latino Benedictus, ou Benedict.
JOAN SOLÉ