Arquivos diarios: 10/02/2022

ESCRITORES HISPÂNOS (DIEGO BARROS ARANA)

BARROS ARANA, Diego (Santiago de Chile, 1830-1907). Historiador. Durante muitos anos foi exilado político no Uruguay e no Brasil. A maior parte do tempo que passou na Espanha foi dedicado à recopilaçón de documentos -principalmente em Sevilha e Simancas- para a elaboraçón de sua “Historia general de Chile” (1884-1886), que foi a obra que documentou a novela de Blest Gana “Durante la reconquista” (1897). Outros trabalhos seus som “Estudios históricos sobre Vicente Benavides y las campañas del sur” (1850), “El general Freire” (1851), “Historia general de la independencia de Chile” (1854), “Vida y viaje de don Fernando de Magallanes” (1864), “Riquezas de los antiguos jesuitas en Chile” (1872), “Bibliografía de obras anónimas y pseudónimas sobre la historia, la geografía y la literatura de América” (1882, dous volûmes). As suas “Obras completas” em quinze volûmes forom publicadas em Santiago (1908-1914).

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¡¡QUE NADA SE SABE!! (50)

¿Non é isto o que se propón na fábula “Aquel”? Nela, a grulha invita a raposa a comer e oferece-lhe unha redoma de cristal, com embocadura estreita, cheia de gachas. A raposa, trás arrimar a lingua e o morro, intentando com inútil esforzo, comer algo do alimento que vía, proporcionou vinganza á grulha, que antes tinha sufrido um engano semelhante a cargo da mesma raposa. De maneira similar enganou o outro aos páxaros, com unhas uvas pintadas; ao abalanzar-se sobre elas com o bico para comêlas, estrelábam-se contra a tábua. O outro, à sua vez, enganou a este com um lenço tán primorossamente pintado que parecía verdadeiro: quando este, xá enchido de orgulho como se tivéra vencido, se acercou ansioso por ver a pintura e deitou mán à tábua para apartar o véu com o qual acreditava que estava coberta, bateu contra ela. É assim como a natureza nos apresenta as cousas, para que as conheçamos. E isto afirmava “Aquel” em outro lugar: o nosso entendimento está com a natureza das cousas, na mesma relaçón que o morcego com a luz do sol. Xulga das cousas, mediante imáxes. ¿Pode, em consequência, ser correcto o xuízo? Isso sería aceptábel se obtivéramos dos sentidos imáxes de todas as cousas que desexamos saber. Mas, polo contrário, non as temos das cousas mais importantes. Só as têmos dos acidentes, que -segundo afirman- nada aportam à essência da cousa, sendo assim que a verdadeira ciência resulta désta, mentras que aquéles som os mais viles de todos os entes, tudo o demais se há de vislumbrar a partir deles. Assim pois, as cousas que, por sensíbeis, som toscas, deleznábeis (trata-se dos acidentes e dos compostos), de um modo ou de outro nos som conhecidas. Em câmbio, as espirituais, subtís e elevadas (a saber, as cousas celestes e os princípios dos compostos) non as conhecemos de ningunha maneira. Non obstânte, estas últimas som, pola sua natureza, mais cognoscíbeis, posto que som mais perfeitas, de maior entidade e mais simples, que som os três factores que enxendram o conhecimento perfeito. Mas som menos cognoscíbeis para nós, porque estám mais alonxadas dos sentidos. Com efeito: som-nos mais conhecidas as que están mais perto dos sentidos, e non por outra razón, senon porque o nosso melhor conhecimento depende dos sentidos. Pola sua natureza, non obstânte, som minimamente cognoscíbeis, xá que som imperfeitíssimas, non som quase nada. Mas o ente é o obxecto, o suxeito e o princípio de todo conhecimento, e incluso de todos os actos e movimentos.

FRANCISCO SÁNCHEZ