
No tocante à política, a República de Florença organizava-se como um pequeno Estado cuxo território non chegava a abranxer toda a rexíon da Toscana actual (Siena era entón unha República independente). As instituiçóns florentinas eram do tipo democrático e baseavam-se num Grande Conselho (de uns mil membros com dereito a voto) que proclamava, por sufráxio popular, os cargos da “Signoria” (o governo executivo propriamente dito). Deste último, que era liderado polo “gonfaloneiro” ou “gonfaloniero”, dependiam as diversas “chancelarias” ou “secretarias” que, tal como os nossos ministérios actuais, se dividiam por áreas xurisdicionais. Nicolaus de Bernardo de Machiavelli nasceu a três de Maio de 1469. Era a época do Magnífico, tendo a sua infância e xuventude coincidido com o máximo esplendor da sua prezada cidade. Xá a sua família non tivo a mesma sorte, outrora abastada e agora a passar tempos difíceis, situaçón que o levou a escreber, muito tempo depois, que “nasci pobre e aprendi primeiro a sofrer do que a gozar”. O seu pai, de nome Bernardo, intimamente relacionado com os círculos do humanismo florentino, foi um modesto xurista com um profundo interesse polos pensadores clássicos. Apesar de deber dinheiro aos cofres públicos, non poupou esforços para proporcionar ao xovem Nicolaus unha das melhores formaçóns humanísticas do momento. Como prova, Bernardo Machiavelli trabalhou incansabelmente para um impressor, criando um índice toponímico polo qual recebeu, em troca, um exemplar por encadernar da “História de Roma”, de Tito Lívio. a grande obra que marcará profundamente o pequeno Nicolaus: “Tito Lívio nostro”, chamar-lhe-á familiarmente. Os primeiros anos e a adolescência do nosso protagonista foram dedicados à observaçón e ao estudo. Nicolaus foi o terceiro de quatro irmáns e o primeiro filho varón do casal. Naquela época, a residência familiar estaba situada no centro de Florença, nunha zona muito próxima do Ponte Vecchio. Florença, apesar de ser unha cidade relativamente pequena, era cenário de constantes lutas entre as diversas facçóns em que se dividia a sua populaçón: “guelfos” e “gibelinos”, “Neri” e “Bianchi”, banqueiros e comerciantes, classes altas (ottimati) e populares, estetas e devotos. Num contexto tán convulso, a corrupçón, as intrigas e as conspiraçóns estavam na ordem do dia. Um destes episódios da truculenta história das facçóns florentinas, do qual Machiavelli extraíu um dos seus primeiros ensinamentos em matéria política, é a conspiraçón dos Pazzi. Foram uns acontecimentos terríbeis, que o futuro secretário retratará em várias das suas obras e que despertaram em sí unha permanente desconfiança em todo o tipo de conxuraçón, desconfiança plenamente xustificada, como veremos mais adiante.
IGNACIO ITURRALDE BLANCO