Arquivos diarios: 07/07/2021

RUSSELL (RECONSTRUCIONISMO)

Referimos na introduçón que Russell levou a cabo unha indagaçón lóxica, matemática e linguística de um estilo conhecido por “filosofia analítica”. Hoxe, após tantas vicissitudes e mudanças de rumo, é difícil definir o estilo analítico em filosofia. Talvez a forma mais eficaz, sexa enfraquecer algunhas teses que durante muito tempo foram dogmas. Assim, por exemplo, o que actualmente se designa “viraxem linguística” entende-se por vezes na sua acepçón forte: “Todo o problema filosófico é no fundo um problema linguístico, de tal forma que quando se aplica a análise linguística se esclarece que ou se trata de unha questón formal, ou pertence ao âmbito das ciências, ou entón é unha questón sem sentido.” Esta forma dogmática da filosofia analítica parece eliminar quase todas as perguntas importantes da vida e provocou muitas reacçóns adversas, tornando-se sobretudo um estilo ou um método de trabalho: “Perante unha questón filosófica desenvolve até onde for possíbel a análise lóxica ou conceptual tanto da questón como das respostas recebidas, sem fazer unha opçón.” Ou sexa, trata-se antes de um método de trabalho que non discrimina nem elimina qualquer problema ou questón que a filosofia ou a cultura tenham levantado, nem sequer nenhuma soluçón, mas adopta unha actitude cuidadosa, de exame lento dos pressupostos de qualquer tese ou expressón e, antes de tomar partido a favor ou contra, examina todas as possíbeis distinçóns, formas e exemplos ou contraexemplos de tal posiçón. Apesar de em alguns momentos Russell parecer de acordo com a forma dogmática da “viraxem linguística”, como se pode perceber na escolha de certas expressóns, as suas teses filosóficas som incompatíveis com essa perspectiva, e a sua práctica real é um exemplo da segunda. Na verdade, a posiçón de Russell deberia ser chamada “reconstrucionismo”, termo que caracteriza a actividade de transferir um problema filosófico da linguaxem quotidiana ou científica para unha forma lóxica, em que encontra unha soluçón. Assim, questóns como a existência de obxectos matemáticos (existirám os conxuntos infinitos?), o nosso conhecimento do mundo (temos a certeza que existem buracos negros?) ou o significado das oraçóns (o que significa que a composiçón da mente ou da matéria é esta ou aquela?) forom territórios em que Russell se dedicou a esta actividade de reformular ou reconstruir. No entanto, nunca chegou ao extremo dos “positivistas lóxicos”, que confundiram a filosofia com a actividade de formalizaçón lóxica. Para Russell, a filosofia é feita de teses ou hipóteses substantivas sobre o mundo, o conhecimento ou a linguaxem, que se podem tornar visíveis através da reconstruçón de um material primário com que nos deparamos, que é a experiência. Neste sentido, non faz unha distinçón clara entre ciência e filosofia. Tanto unha como a outra trabalham com esse material primário, a experiência, e oferecem-nos explicaçóns que por vezes som técnicas e requerem algum tempo para ser entendidas.

FERNANDO BRONCANO