Arquivos diarios: 02/02/2021

DESCARTES (O TEATRO DO MUNDO)

“Logo que a idade me permitiu libertar-me da obediência dos meus preceptores, terminei definitivamente o estudo das letras e, tendo-me resolvido a non procurar outra ciência além da que se encontrava em mim mesmo, ou no grande libro do mundo, empreguei o resto da xuventude a viaxar, a visitar côrtes e exércitos, a conviver com xentes de humores e condiçóns diversas, a recolher várias experiências, a experimentar-me eu próprio perante os encontros que a fortuna me propunha, e a fazer, por toda a parte, unha tal reflexón sobre as cousas que se me apresentavam, de forma a que pudesse obter algum proveito” (Discurso do Método, 1). As questóns acerca dos doze anos que se seguem à sua licenciatura centram-se em dois pontos: por um lado, Descartes aparece em todos os lugares críticos da Europa nos momentos precisos em que se decidem os acontecimentos que iniciam e orientam a Guerra dos Trinta Anos (1618-1648), que pôs frente a frente as grandes potências europeias, tendo o ódio relixioso como pano de fundo. Por outro lado, embora sexa verosímil o seu envolvimento neles “até ao tutano”, non consta qualquer alusón, escrita polo seu próprio punho. Nem unha única confissón aos seus amigos. Nem unha mísera crónica ou lamento sobre unha fase negra da história da Europa Central, na qual perto de cinco milhóns de pessoas, maioritariamente civis, perderom a vida. Para cúmulo, o filósofo indica em várias ocasións que o seu lema durante esses anos foi o “larvatus prodeo” latino (“avanço mascarado”), o que levou alguns estudosos recentes a suxerir a hipótese de Descartes ter sido um espía. Um axente duplo, pago durante doze anos, polos serviços de intelixência dos Áustrias, cuxa causa era assessorada directamente polos xesuítas. A hipótese non parece descabida. Os espións abundavam nunha época de intrigas palacianas e conspiraçóns a grande escala. Mesmo que apenas tivesse sido como observador ou informador, o xovem tinha o perfil requerido; culto, discreto, conhecedor do latim, apreciado nas altas esferas xesuíticas e necessitado de algum dinheiro para financiar o seu ocioso estilo de vida.

ANTONIO DOPAZO GALLEGO

ESCRITORES HISPÂNOS (GABRIEL ARESTI)

Aresti, Gabriel (Bilbao, 1933- 1975). Poeta vasco. Trabalhou durante muitos anos como contabilista, antes de dedicar-se à poesía. Aprendeu o vascuence xá adulto. À sua primeira etapa poética, simbolista, pertence o libro “Maldan behera” (Costa a baixo, 1960). Logo passou a cultivar a poesía política. “Harri eta herri” (Pedra e pobo, 1964), o seu melhor libro de poemas, está considerado como unha das obras que melhor reflexam a mentalidade e os problemas do povo vasco durante os últimos tempos do franquismo. Outros libros de poemas: “Euskal harria” (Pedra vasca, 1967), “Harrizco herri hau” (Este pobo de pedra, 1970). Escrebeu também a novela “Mundu munduam” (Em pleno mundo, 1965) e também várias obras de teatro, entre elas “Mugdaldeko herriam eginikako tobera” (Cencerrada na fronteira, 1961) e “Eta gure heriotzeko orduan” ( E, na hora da nossa morte, 1964). Como linguísta, tivo um papel decisivo na defesa do “Euskera batua”, o euskera comúm unificado, frente aos puristas seguidores de Sabino Arana. Traduziu Boccaccio para o euskera, ademais de a Joyce, Hikmet, Brecht e Weiss, entre outros autores.

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