Arquivos diarios: 07/07/2020

BERGSON (NADA DE MENOSPREZO, MAS TAMPOUCO DE CONDESCENDÊNCIA)

Tentemos agora enquadrar esta descoberta de xuventude no conxunto da obra de Bergson. Isto axudar-nos-á a entender que tipo de problemas enfrentou, as discussóns que manteve e o obxectivo dos seus libros. Pode ser que nada disto sexa decisivo no momento de determinar a ideia simples que tentou expressar (“só disse que o tempo é real e que non é espaço”, como respondeu a unha ouvinte que lhe pediu para resumir a sua filosofía), ideia que permaneceria, tal como ele escreveu em certa ocasión, extemporânea ou inactual, irredutíbel às circunstâncias históricas que o acompanharam. Mas à falta de unha rede capaz de capturá-la em voo, é instructivo, para começar a tomar-lhe as medidas, ver os “resultados” que produziu. A biografía de Bergson tem, logo de início, algo pouco frequente num filósofo. É a história de um home de sucesso, um “triunfador” sem paliativos. Permite compor um relato sóbrio, marcado pola correçón e polo formalismo, sem a teatralidade xenial de um Schopenhauer nem o encanto marxinal de um Nietzsche, mas, em todo o caso, mostra-se esclarecedor e apelativo, interligado com os grandes acontecimentos que marcaram o século XX e deixaram profundas e dolorosas feridas na história recente. Porque temos a vincada impressón, lendo a vida deste home, de que foi fácil fazer o que ele fez? Talvez sexa a aparência de normalidade que as suas acçóns e escritos denotam. Bergson sentia-se à vontade na vida pública, que entendia como um espaço de discussón severa e de cortesia nas formas. “Nada de menosprezo, mas nada de condescendência” : esse parecia ser o seu lema. Desde criança que se movia com a graciosidade de um bailarino polas melhores instituiçóns educativas da França do Segundo Império e da Terceira República, ascendendo através delas como se quase non lhe esixisse esforço, embora conservasse, em cada caso, um sentido de insatisfaçón que o levava a extravasar criticamente o material recebido.

ANTONIO DOPAZO GALLEGO