Arquivos diarios: 06/06/2020

GALLEIRA (10)

Um descubrimento fortuíto, e por desgráça perdido para a ciência e para Galiza, vem a dizer-nos que até nos lugares em que faltam as lembrânzas romanas e que é nula a tradiçón, há motivo, às veces, para pensar que existíu alí e durante longo tempo o home primitivo. A amenidade do lugar a que nos referimos e a sua proximidade ao mar, brindaba ós seus habitantes unha estaçón previlexiáda. Dous rios desembocam nos dous ângulos da extensa e tranquila enseada. Montes e colinas cerram o espaço e deixam como ailhado aquel pequeno mundo. O mais probábel é que levantassem as suas vivendas nas bocas de ambos os rios e nas suas marxens mais propícias, pois ofertabam muitas conveniências que non era prudente desdenhar. Nas alturas e nos campos dos arredores abundam os túmulos; na outra banda vê-se todavía um alinhamento? ou um paso sobre o pântano? dando-se o feito significativo de que nas idades médias, as torres, cuxos restos se conservam ainda, defendiam e alumiabam unha costa à qual o descobrimento do “kjoekkenmoedding” a que nos referimos e outros mais curiosos monumentos, devolvem a sua perdida importância. Ó sair de Villagarcía, marchando na direçón de Cambados e a escasa distância do Convento das Agustinas daquela vila, encontrou-se non fái muito anos, num terreno de aluvión, um grande depósito de conchas, entre as quais se vían misturados ossos de animais, constituíndo o conxunto um verdadeiro “kjoekkenmoedding” ou sexa, restos de cozinha. Cobertos com unha capa de terra e seixos (apenas os trabalhadores começarom a atacar a brecha e encher as carretas, quando apareceu o depósito, no qual dominabam as conchas de ostras, e lhe seguíam em importância as de berberechos e mexilhóns). A cada momento apareciam ossos que polas suas dimensóns puiderom desde logo pertencer a grandes paquidermos extíntos, e também se atoparom restos de cerâmica. Por último, a presença de um cráneo humano vem a completar a importância, verdadeiramente excepcional, para nós, do depósito a que nos referimos. A pessoa que tivo a sorte de observá-lo, e que por certo non é de todo alheia a esta clásse de conhecimentos, assegurou-nos, que os ossos estabam uns perforados e afundidos como para extraer a médula e outros apresentabam riscos lonxitudinais e sinais evidentes de terem sido raspados com grosseiros úteis de pedra. Chamou-lhe também à atençón a ausência de todo xénero de instrumentos de silex e muito em especial a de carbóns, por mais que seguindo a exploraçón à que lhe brindabam as circunstâncias atopá-se estes últimos noutros xacimentos cercanos, ao que parece non de tanto interése como o de que nos ocupamos, mas sím importântes também, baixo o ponto de vista arqueolóxico. Este “kjoekkenmoedding”, formaba unha franxa non muito extensa, mas de espessor desigual por presentar-se em declíve. Na sua parte superior o corte tinha seis metros e na base um metro

MANUEL MURGUÍA