Arquivos diarios: 08/08/2016

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AS ÚLTIMAS HAMADRÍADES

 

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A VINHA E A FIGUEIRA

          D. Bartolomé  Gordillo viu a luz por primeira vez em Buenos Aires alá polo mes de xaneiro de 1862.  Nunca esta metáfora inevitável nas biografias estivo mais xustificada que no presente caso, pois D. Bartolomé nasceu de día, no mes mais luminoso de Buenos Aires, e nunha casa como as daquel tempo, visitada constantemente polo sol: dez  habitacions corridas, com dous pátios, o último dos quais sombreado por unha vinha tradicional e, ó fundo, xunto com os granados e a frondosa magnólia, a figueira familiar.  ! A vinha e a figueira !  Como as fadas tutelares dos contos de nenos, tinhan-se inclinado sobre a sua cuna y murmurado, ó sopro da brisa vespertina, bençoes e promesas.  Para os páis -parexa romântica de cenhida levita e pomposo mirinhaque – aquela axitacion das folhas sobre a cabecita loura do seu primeiro filho non significou outra cousa senon que tinha começado a levantar-se vento.

          -Há que recolher a cuna -dixo o pái-, está a refrescar.

           -!Desidéria! -gritou a senhora, abandonando a mecedora.

          Veio a mulata e entre ambas levaron o pesado berce desde o qual o menino sorria para os pesados racimos xá com pintor.

          Desde aquela sua primeira saída ó patio, o pequeno Bartolomé tivo duas madrinhas ignoradas, duas divindades benévolas que velaron por el com misteriosa fidelidade.  De neno, os seus frutos fixeron-lhe conocer a inquietude do desexo, a dita efímera do goce.  De xovem, a sua sombra aliviou-lhe a cachola transtornada pela declinacion dos casos latinos e das miradas profundas das bellas portenhas.  De home…

OS FRUTOS PRODIXIOSOS

          …de home D. Bartolomé Gordillo non tivo mais apoio na sua existencia que  a sua vinha e a sua figueira.  Non quer dicer isto que, como os personaxens dos contos de Lucas Córdoba, tenha passado a sua vida á sombra d’unha e apoiado no tronco da outra, alimentando-se parsimoniosamente dos seus frutos, senon que graças ás suas brevas famosas e á perfeiçon dos seus dourados cachos, logrou a consideracion dos seus xefes, a simpatia dos seus vecinhos e a assiduidade de uns parentes lonxanos cuxos sentimentos familiares parecian agudizar-se com a entrada do outono.

          O cólera do 78 tinha-lhe arrebatado seus páis e orfao aos deçaseis anos sem outra companhia no seu velho caseiron que a de unha tia solteirona, começou a sua vida consciente, desprovisto de axuda, proteccion e conselho.  Tímido, humilde, vestido sempre pela sua tia á moda dos anos sessenta, o xovem Bartolomé Gordillo passou a sua primeira mocedade transportando cartas de recomendacion de uns personaxems a outros, sem alcanzar xamais o emprego prometido.  Até que um día, a velha solteirona tivo a xenial ideia de acompanhar a miléssima carta obtida com unha bandexa de brevas e, !oh prodigio!, o nomeamento apareceu á semana seguinte.

O SEGREDO DO ÉXITO

          Despois deste prodixioso resultado, D. Bartolomé Gordillo colgou para sempre a levita de rigor com que acompanhava á misa a sua tia e facia as suas inveteradas visitas de postulante, e vestiu, tamém para sempre, a chaquetinha de alpaca do empregado nacional.  Pero vestiu-a com certa seguridade, com a supersticiosa confianza nos seus figos.

          Quando chegava a estacion comezava a distribui-los por rigoroso ordem xerárquico.  Desde o ministro até ó seu superior inmediato, todos os funcionários da reparticion conheceron, unha vez por ano, o pracer de saborear as suas brevas roxas e azucaradas, as mais temperâns e doces de todo o “barrio del Alto”.  Quando non, eran os racimos dourados nos que vinha apressada a luz das tardes outonais.

          Deste diezmo anual non se falava nunca abertamente na oficina.  Somente, alá pelos fins do vrán, acostumava ocurrir que, inclinando-se sobre a mesa, o seu xefe pregunta-se:

          -¿E, Gordillo, como anda isso?

          -Pintando, D. Roque.

O ASÉDIO Ó SOLAR

          Á sombra da figueira D. Bartolomé foi cumprindo unha discreta carreira administractiva.  com o andar dos anos tinha ido quedando-se sem parentes nim amigos.  A tia solteirona morreu pouco despois do primeiro ascenso; os parentes foron “desaparecendo” e a descendencia desparramou-se; os velhos vecinhos, tras a intendencia de D. Torcuato, tinhan deixado as suas casas e, um detrás d’outro, mudáron-se para os novos bairros do norte.  D. Bartolomé, quedou como único testemunho do passado senhorial daquela rua na qual tinham morado os virreis, os xenerais da independencia e os ministros da Federacion.  Mas quando lhe preguntavan se vivia só replicava com perfeita sinceridade:

          -Non, tenho unha vinha e unha figueira.

          As duas hamadríades seguian influindo favorábelmente no destino burocrático e na consideracion do “velho Gordillo” e este lhes devolvia o favor com os seus cuidados assíduos e unha lealdade a toda proba

          Por elas recusou vender a casa todas as veces que lho propuxeron, que foron muitas.  Desde a presidencia de Juárez até a de Alvear, em todos os períodos de alza da propriedade, os comissionistas e especuladores intentaron vanamente convence-lo com o oferecimento de quantidades sempre crescentes; mas D. Bartolomé sorria e movia a cabeza.

          Foi así como o velho solar dos Gordillo quedou enclavado em pleno centro, como um resíduo esquécido de tempos ídos.  Ó transpor o seu umbral um retrocedia tres largos quartos de século.

AS ÚLTIMAS HAMADRÍADES

          Non podendo vence-lo de frente, o progresso foi-o cercando com astúcia.  Primeiro foi unha enorme casa de departamentos que, elevando-se pelos fundos, privou da primeira luz da manhan a sua pequena horta.  Esse ano as brevas foron mais pequenas e maduraron com retraso.  Despois, pelo costado do norte, elevado edificio de oficinas levantou as suas paredes lisas que assombraron o xardin e os dous pátios ó passar do meiodia.  Ésta vez a vinha secou e as brevas foron escasas.  Por último, no passeio d’enfrente medrou um grande cinematógrafo que lhe cortou a última luz do crepúsculo, ainda que, irónica compensacion, o inundava, pola noite com os refléxos roxizos dos anúncios luminosos.

          D. Bartolomé Gordillo foi secando-se xunto com a sua figueira.  O vrán passado desde unha das xanêlas altas da vecinha casa de departamentos, ainda se podia velo, sentado frente a ela, espiando com ansiedade os últimos signos de vida da sua árbore tutelar.  Os dous ancians morreron xuntos no final da estacion.

          Hoxe, o solar atopa-se abandonado e os orgulhosos edificios que o rodean ignoran que mataron -asfixiando-as como nunha mazmorra -as últimas hamadríades de Buenos Aires.

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