ESCRITORES HISPÂNOS (ALFREDO BRYCE ECHENIQUE)

BRYCE ECHENIQUE, Alfredo (1939). Novelista peruano e contista que reside em Europa desde 1964. “Um mundo para Julius” (1971) é unha descripçón apaixonante da caída de unha poderosa família limenha, feita com unha técnica que recorda a do “Ulises” de Joyce. No libro de contos “La felicidad, ja, ja” (1974), a narraçón é feita a partir do ponto de vista das personáxes, prescindindo totalmente do autor/narrador omniscente. Em 1978 publicou a novela cómica “Tantas veces Pedro”; “Todos los cuentos” (1979) e a novela “La vida exagerada de Martín Romaña” (1982).

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (MARTA BRUNET)

BRUNET, Marta (Chillán, 1901-1967). Contista e româncista chilena que começou a escreber baixo a influênça de Zola. A sua carreira diplomática levou-a a Buenos Aires, onde entrou em contacto com o grupo de escritores da revista “Sur” e, particularmente, com Eduardo Mallea. Este feito levou-a a experimentar unha aproximaçón novelística mais subtil e psicolóxica. Em ambos períodos da sua narrativa as personáxes som mulheres. Os homes som meras presenças secundárias que nunca alcanzam um desarrolho dentro da trama. Do seu primeiro período podem-se destacar: “Montaña adentro” (1923), o libro de contos “Florisondo” (1925), as novelas “Bestia dañina” (1926) e “María Rosa, flor del Quillén” (1929) e o libro de contos “Reloj de sol” (1930). O seu segundo período resulta completamente diferênte e começa com os contos de “Aguas abajo” (1930), onde abandona parcialmente “o criollismo” para tratar um estilo mais internacional, com maior técnica e mais elaboraçón formal e com temas como o conflícto entre a ilusón e a realidade e o eterno problema da frustraçón da mulher. “Humo hacia el sur” (1946) é um românce no que as ideias conservadoras se enfrentam às progressistas e perdem. “La mampara” (1946), novela curta, tracta de unha mulher resentida que é incapaz de levar a cabo os seus desexos; “María Nadie” (1957) intenta conciliar os dous estilos da autora: o criolho, narrado na primeira parte do libro, e a descripcón de problemas sexuais e da cidade na segunda; a protagonista está deliberadamente difuminada, e recorda alguns tratamentos de figuras femeninas das novelas de Virgínia Woolf. Em “Amasijo” (1962) narra a história de um homosexual estreitamente ligado a unha nai opresiva e esixente. O xovem acaba suicidando-se. As suas “Obras completas” publicárom-se em 1963 e unha “Antología de cuentos”, em 1962.

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (MARIANO BRULL)

BRULL, Mariano (1891-2956). Poeta cubano, que se dedicou à diplomacia. Traducíu o “Cementerio marino” de Valéry ao castelán. Considerou que o modernismo era decadente e publicou um primeiro libro com poemas de tipo tradicional, “La casa del silencio” (1916). A influênça da poesía pura de Enrique González Martínez e de Juan Ramón Jiménez percebe-se nos seus “Poemas en menguante” (París, 1928). Foi um poeta que basou a sua técnica na metáfora e utilizou a miúdo imaxens e asociaçóns fonéticas proximas às do “dadaísmo”. Os últimos libros som “Canto redondo” (1934), “Solo en rosa” (1941), “Tiempo en pena” (1950) e “Nada más que…” (1954).

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ESCRITORES HISPÂNOS (JOAN BROSSA CUERVO)

BROSSA CUERVO, Joan (Barcelona, 1919) Poeta catalán editor da revista “Algol” e um dos membros principais do grupo “Dau al Set”. O seu libro mais importante é “Poesia rasa” (Barcelona, 1970), no qual incluíu vários centos de poemas escritos entre 1943 e 1959, muitos deles publicados anteriormente em “Em va fer Joan Brossa” (1951), “Poemes civils” (1961) e “El saltamartí” (1969). É um dos poetas mais importantes da sua xeraçón. Brossa mantém certas afinidades com Foix e os surrealistas franceses. Entre os seus últimos libros podemos citar “Cappare” (1973) e “La barba del cranc” (1974). As suas obras teatrais forom consideradas, inxustamente, menores frente aos seus poemas; non obstânte algunhas delas representam unha aportaçón interesante ao teatro do absurdo: “La jugada”, “La xarxa”, “Or i sal”, “El bell lloc”, “Gran guinyol” e “Aquí al bosc”. Em “Teatre complet” (vol. I, Barcelona, 1973) reúne a maioria das obras escritas entre 1945 e 1954. Em 1976 publica “Novella y Poemes visuals”.

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ESCRITORES HISPÂNOS (LIBORIO E. BRIEBA)

BRIEBA, Liborio E. (1841-1897). Autor de novelas históricas de nacionalidade chilena, cuxas series de românces de aventuras baseadas na guerra da Independência, están na linha de Dumas pai, a pesar de que as nomeara baixo o pomposo título de “Episodios nacionales”. Maestro da primeira ensinança, conferíu às suas exitosas obras um fervor moralizador e patriótico. A melhor das suas novelas foi “Los Talaveras” (1871) xunto com “El capitán San Bruno, o el escarmiento de los Talaveras” (1875). O seu estilo é pobre e o seu tratamento das tramas, superficial e panfletário.

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ESCRITORES HISPÂNOS (MANUEL BRETÓN DE LOS HERREROS)

BRETÓN DE LOS HERREROS, Manuel (Quel, Logroño, 1796-1873). Autor teatral e poeta, chegou a ser secretário da Real Academia. Tinha sído elexído membro de número em 1837. Foi director da Biblioteca Nacional de Madrid. Durante a sua xuventude, Bretón ingresou no exército, como voluntário; servíu de 1812 a 1822. Durante este lápso perdeu um olho, talvés nunha trifulca. Escrebeu mais de duzentas obras teatrais, das quais cinquenta eram orixinais suas e o resto traducçóns e adaptaçóns. O seu primeiro período criativo chega até 1831 e está assinalado polo costumbrismo que herdou de Fernández de Moratín filho. Larra e outros criticarom agudamente a sua falta de orixinalidade e da repetiçón constânte de personáxes “tipo”. Ferído no seu orgulho, escrebeu unha obra na qual Larra é parodiádo: “Me voy de Madrid”. Non obstânte, ainda que el acreditára no contrário, a acusaçón de monotonía e falta de orixinalidade era verdadeira, inclúso nas obras compostas durante o seu segundo período, que começa em 1831 com o êxito de “Marcela o ¿cuál de los tres?”, em que unha moça vivaz debe elexir entre três pretendentes igualmente desagradábeis e acaba afastando os três. O tema repítese em “Un tercero en discordia”, onde a heroína Luciana tem que escolher entre três pretendentes, um ciumento, outro complacente e o terceiro sinxélo e sincero, que é o que recebe o prémio. O argumento é dunha simplicidade extrema. O interesse que despertarom estas obras orixina-se na malintencionada, mas non amargada, visón que dá o autor das classes médias, asinalando as suas fraquezas, como fixo Ramón de la Cruz com as classes trabalhadoras nos seus “Sainetes”. Bretón moraliza, mas menos abertamente que o seu mêstre Moratín, desarrolhando um estilo que Eugenio de Ochoa chama “bretoniano” em obras como “Muérete y verás” (1837), na qual ataca o romantismo, ou “A Madrid me vuelvo”, na que ridiculariza a visón romântica do campo como paraíso. Das suas traducçóns há que salvar a de “Mithridate” e a “Andrómaque” de Racine, algunhas obras de Seribe, a “Iphigénie en Tauride” de Guimond de la Touche e “Les enfants d’Eduard de Casimir Delavigne. Adaptou obras clássicas do teatro espanhol do “Siglo de Oro” como “Con quien vengo, vengo” de Calderón, “Las paredes oyen”, de Ruiz de Alarcón e “Los Tellos de Meneses” de Lope de Vega. Entre os seus ensaios destacamos “Elena” (1834), o mais interesante dos escrítos sobre teatro romântico, para o qual estaba negado, tanto por tradiçón como por inclinaçón pessoal. Outros ensaios interesantes som “Don Fernando el Emplazado”, sobre os Carbajales, e “Vellido Dolfos”, que trata do cerco de Zamora. A sua poesía está relacionada com as “letrillas y anacreónticas” de Juan Meléndez Valdés e as suas “Poesías” (1831), incluiam também versos cómicos e satíricos. Foi muito popular no seu tempo. Valera chamoulle “o príncipe dos nossos poetas cómicos”

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ESCRITORES HISPÂNOS (ROBERTO BRENES MESEN)

BRENES MESEN, Roberto (San José, 1874-1947). Poeta e filólogo costarricense. Foi um dos mais importantes poetas modernistas de Costa Rica. Abriu o caminho para lograr unha nova simplicidade e pureza da forma poética, assím como unha maior liberdade no ritmo e na rima. Os seus melhores libros som “En el silencio” (1907), “Voces del ángelus” (1916), “Pastorales y jacintos” (1917), “Los dioses vuelven” (1928), “En busca del Grial” (Madrid, 1935), “Poemas de amor y de muerte” (1943) e “Rasur, o semana de esplendor” (1946). Entre os seus estudos están incluídos “Gramática histórica y lógica de la lengua castellana” (1905) e dous libros que datam da época em que pertenceu a unha sociedade teosófica, “Metafísica de la materia” (1917) e “El misticismo como instrumento de investgación de la verdad” (1921).

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ESCRITORES HISPÂNOS (GERALD BRENAN)

BRENAN, Gerald (Malta, 1894). Viaxeiro inglês, escritor de libros de viáxes e historiador literário que viveu em Espanha desde 1920. Em 1950 publicou “The face of Spain” (Londres), libro ao que seguíu “South of Granada” (Londres,1957), sem dúvida o seu melhor libro. Escrebeu também um libro sobre literatura espanhola, “The literature of Spanish people” (Cambridge, 1951), publicado em castelán baixo o título “História de la literatura española” (Losada, 1958; 1984). “The Spanish Labyrinth” (1943) é um comentário político sobre a situaçón espanhola, que ainda serve de guía aos estudosos. Tem também um estudo sobre San Juan de la Cruz, “St. John of the Cross: his life and poetry” (Cambridge, 1972).

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ESCRITORES HISPÂNOS (SALVADOR BRAU)

BRAU, Salvador (Cabo Rojo, 1842 – 1912). Ensaista e autor teatral portorriquenho. Foi um xornalista muito prolífico. Publicou os seus artígos mais breves em “Ecos de la batalla” (1886) e os mais longos e substânciais em “La campesina” (1866), “Las clases jornaleras” (1882), “La herencia devota” (1886) e “La danza” (1887). Publicou um medíocre libro de versos: “Hojas caídas” (1909). Os seus românces suscitarom muito pouco interesse; “La Pecadora” (1881) resulta ser o melhor deles. Os seus escritos de tipo histórico, tenhem importância: “Puerto Rico y su história” (1894), “Historia de Puerto Rico” (1904) e “La colonización de Puerto Rico” (1930). Como autor teatral alcanzou um êxito imediato e duradouro. As suas obras, todas de três actos e escritas em verso, som “Héroe y mártir” (1870), baseada na revolta dos “comuneros” de Castela em 1520; “De la superficie al fondo” (1874), comédia sobre um casamenteiro e a sua filha; “La vuelta al hogar” (1877), história de pirataría e amor no Puerto Rico do século XIX; “Los horrores del triunfo” (1887), drama patriótico sobre as “Vísperas sicilianas”.

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ESCRITORES HISPÂNOS (CÉSAR BRAÑAS)

BRAÑAS, César (Antigua, 1900). Poeta, novelista e crítico literário guatemalteco. Publicou o seu primeiro libro, “Sor Candelaria: leyenda lírica”, aos dezaseis anos. Entre 1918 e 1939 publicou sete títulos. Fundou em 1922 o xornal “El Imparcial” com a colaboraçón de Alejandro Córdoba e Carlos Gándara Durán. A maioría dos escritores guatemaltecos de certa importância colaborarom neste diário. O seu primeiro libro de versos, “Antigua” (1921), é unha homenáxe à sua cidade natal, mas em “Viento negro” (1938) escrebeu um dos libros mais fermosos da sua xeraçón. Trata-se dunha elexía em dez cantos dedicada ao seu pai. “El lecho de Procusto” (1943) é unha colecçón de sonetos. As suas novelas de tipo costrumbrista som “Tú no sirves” e “La vida enferma”.

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ESCRITORES HISPÂNOS (CARMEN BRANNON)

BRANNON, Carmen (Armenia, Sonsonate, 1899). Poeta salvadorenha de pai irlandês e nai criolha. Está considerada unha das escritoras mais grandes de Centroamérica. “Estrellas en el pozo” (1934) deixa sentir um eco de González Martínez. A influênça de García Lorca percebe-se nos seus “Romances de norte u sur” (1946). Nos seus “Sonetos” (1947) e especialmente em “Donde llegan los pasos” (1953) encontra-se xá a sua autêntica voz poética, libre das influênças alheias, intelixente e com aptitudes para lograr a metáfora exacta. Escrebeu duas obras autobiográficas, “Tierra de infancia” (1958), em prosa, e “Fábula de una verdad” (1959), em verso.

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¡¡ QUE NADA SE SABE !! (55)

Há, finalmente, muitas cousas que, em parte, chegan a el a través dos sentidos e, em parte, som produzidas por el. De ningún modo pode ser captada polos sentidos a natureza do cán ou do imán, pois chega ao espírito a través dos sentidos revestida de cor, tamanho e figura. O espírito despoxa-a dos accidentes: examina o que queda, dá-lhe voltas e compára-o, para acabar fabricando-se, dentro das suas possibilidades, unha certa natureza comúm. Esses filósofos pretendem meter-me na cabeza que há intelixências nos ceus. Escuto o que dizem, mas non o entendo, por mais que me invento algunha ficçón que me axude a compreendê-lo. O ar percêbo-o de unha maneira ou outra mediante o tacto, mas na realidade non conta com ningunha imaxem na minha mente, a non ser a que eu me tinha inventado de um certo corpo quase incorpóreo, um non sei que. Da mesma maneira penso o vacío. Compreendo o infinito deixando sempre o fim fora da compreensón, mas vêxo-me obrigado a detêr-me em plena meditaçón do infinito, ao pensar que o infinito é aquilo que, por mais que indefinidamente xunte e imaxine indefinidamente, nunca alcanzarei a delimitar mediante a aprehensón; assím fabrico-me unha espécie certamente acabada, ainda que ningúm dos seus dois extremos esté terminado nem acabado, senón quase incompleto, no sentido de que nem están terminados nem poderám está-lo, xá que se lhe podem xuntar durante a eternidade infinitas partes por ambos extremos. ¿Qué vamos fazer? Resulta triste a nossa condiçón: a plena luz andamos a cegas. A miúdo pensei na luz, e sempre a deixei sem acabar de pensar, nem de conhecê-la nem de compreendê-la. O mesmo acontece se nos dedicamos a contemplar a “vontade”, o entendimento e outras cousas que non se percebem polos sentidos. Certamente estou seguro de que agora penso o que escrebo, de que quero escrebê-lo, de que desexo que sexa verdade e que tú o aprobes, por mais que isto último non me preocupa demasiado. Mas quando me esforço em considerar que sexa este pensamento, este querer, este desexar, este non preocupar-se, em verdade que o pensamento falha, frustra-se a “vontade”, acrésce o desexo, aumenta a preocupaçón. Non vexo nada que poida captar ou aprehender. Neste aspecto, realmente o conhecimento que do externo se tem polos sentidos supera ao que sem eles se logra do interno, pois no primeiro o entendimento tem algo que captar, a saber, a Figura de um home. de unha pedra, de unha árbore, figura que sacou dos sentidos, e lhe parece compreender ao home mediante unha imaxem del. Em cambio, no conhecimento que se tem do interno, non encontra nada que poida compreender; anda de um lado para outro, a tentas como os cegos, intentando quedar-se com algo. E non pode fazer mais.

FRANCISCO SÁNCHEZ

GALIZA DE CONTO (O AMO TOLO QUE BUSCABA CRIADO)

Unha vez era un amo que buscaba criado, i en fin, chegoulle un criado novo. A primeira cousa que lle mandou foi que collese o pau de ferro e que lle tirase coa esquina da casa. O criado novo quedou asombrado de tal mandato, e contestoulle: -Siñor, iso non o fago, que así tírolle coa casa. -Ti non sirves pra ser meu criado -dixolle o amo; e despachouno. O criado marchou e contoulle o caso a un irmau que tiña. Iste díxolle: -¡Ah, parvo!, ¿por que non habías de facer o que che mandaba? E decidiuse il a servir a semellante amo. O primeiro que lle mandou foi o que lle había mandado ao seu irmau, a saber: coller o pau de ferro e tirar coa esquina da casa. -¡Ai, home, que fixeches! -Vosté mandoume, meu amo. Boeno; agora mándoche buscar un carro de leña ben direita -díxolle o amo. Marchou o criado co carro, cortou os castiñeiros novos que tiña prantados pra un souto, e cargou ben o carro. -¡Ai, home, que fixeches! -Vosté mandoume, meu amo. -Agora -mandoulle o amo- vas a buscar un carro de leña ben torta. Marchou o criado co carro á ribeira, e cortoulle todas as cepas e parras que tiña nas viñas, hastra cargar ben o carro. -¡Ai, home, que fixeches! – dixolle o amo. -Vosté mandoume, meu amo. O amo pensou: “este criado acaba conmigo. Vou acabar eu con il”. Mandouno para unha casa sola que tiña nun monte da súa propiedá, e que estaba habitado por un ogro, i en donde lle morreran outros criados. Ao chegar, o criado ouservou que, efectivamente, estaba a casa habitada por un ogro, e que nunha habitación estaban mortos os dous criados que mandara o amo pra quedarse alí. Aquil ogro destinoulle un cuarto para dormir, que estaba ao lado donde estaban mortos os outros. O criado novo deitouse a dormir, pero levantouse enseguida, e colocou um morto no sitio donde o mandara deitar o ogro, colocándose il, en cambio, no sitio do morto. De noite, chegou o ogro cunha barra de ferro e deulle un tremendo golpe ao morto, pensando que era o vivo. Pola mañá levantouse o criado: ¡Boenos días! -¿E non oíches un golpe de noite? -¡Boh! ¡Unha patada dunha pulga! Regresou xunto do amo sano e salvo. Decidido o amo a acabar co criado, mandouno con porcos pra unha lama de bulleiro e sitio fangoso, pra que quedasen enterrados no fango il e mais os porcos. Pero o criado non se meteu na lama, i os porcos vendeunos aos tratantes que iban pra feira, coa condición de que lles habían de cortar o rabo a todos os porcos. Despois cravou os rabos na lama, e foi avisar ao seu amo que estaban os porcos estacados na lama, e que había que levantalos e desenterralos. Foi o amo a ver e creeuno. Mandoulle buscar aixadas á casa, pra quitar os porcos da lama. Entón o criado díxolle ao amo que era tan listo como el. Os cartos dos porcos eran xustamente os que lle debía, e fixera o modo de salvarse e de cobrarse. Despediuse e marchouse.

HÉRCULES DE EDICIONES – GALICIA DE CONTO. CENTRO DE ESTUDIOS FINGOY, 1972 (2ª ED.). CONTOS POPULARES DA PROVINCIA DE LUGO, ED. GALAXIA, VIGO.

DESCARTES (A TRAMA CONSPIRATIVA)

Esta rexeiçón da autoridade ficou amplamente comprobada no Renascimento, um grande movimento cultural paralelo à Reforma que, ao longo dos séculos XV e XVI, veio constatar a quebra da arquitectura do pensamento medieval. Se a Reforma foi a fenda no muro, o Renascimento foi a avalanche que inundou e afundou a catedral gótica. De certa forma, os autores renascentistas tomarom a teoria tomista da analoxia e levaram-na ao extremo: o mundo inteiro aparecia atravessado por vínculos de semelhança, ou “amor divino”, que faziam dele um xigantesco “Libro Sagrado” e que tinham permanecido até entón silenciados pola falsa autoridade. As sóbrias árbores categoriais explodiram nunha trepadeira na qual tudo se relacionava potencialmente com tudo, segundo as plásticas regras da conveniência, da emulaçón, da analoxia ou da simpatia. Proliferaram entón os compêndios de “mirabilia”: augúrios, profecias, monstros, milágres ou prodíxios que, enquanto excepçóns à norma, estilhaçávam a categorizaçón tomista dos seres e anunciavam unha Nova Aliança entre o divino e o humano. Xá non era necessário atender às poeirentas definiçóns dos filósofos: era como se Deus (agora, frequentemente, “a Natureza”) se manifestasse directamente em cada cousa aos olhos adequados. Para ler este novo e xigantesco “Libro do Mundo” forom resgatadas as velhas concepçóns esotéricas do saber, como o “Corpus Hermeticum”, a maxia, a astroloxia e a alquimia, sempre dispostas a descobrir novas e inesperadas relaçóns entre os factos mais díspares e a recombinar os elementos para dar lugar a misturas mais puras (como o ouro procurado polos alquimistas). Cada obxecto do mundo aparecia como um rosto enigmático, prestes a ser descifrado, e a única proba de erro era o isolamento, a incapacidade de relacionar algo com a trama conspirativa que o vinculava com o Todo. Assim, o ser humano obtinha directamente da natureza a potência universal da divindade: ele era, na verdade, como o “índice” dessa grande Enciclopédia, pois tinha-lhe sido outorgado acesso a todos os seus conteúdos. Como defendeu Michel Foucault em “As Palabras e as Cousas”, o pensamento renascentista, com o seu retorno a unha espécie de “paganismo iluminista”, tendia a eliminar a diferença entre ver e ler, entre a cousa e a palabra, de um modo similar à forma como o antigo dinamismo eliminava a diferença entre a matéria e as intençóns que se proxectavam sobre ela (sendo plausível, consequentemente, rezar para atrair a chuva ou interpretar um relâmpago como um augúrio favorábel à nossa causa, para dar dous exemplos simples). Nesta perspectiva, entende-se a devoçón dos “humanistas” do século XV pola filoloxia e pola erudiçón: ao descrever os factos do mundo, era o próprio mundo que se rexistava no libro. Por isso, o filólogo, o compilador de curiosidades, significados e palabras, era também unha espécie de “mago” capaz de encontrar (e, inclusive, refazer) o vínculo oculto entre todas as cousas com o seu “abracadabra”. Deste modo, à medida que esta concepçón transbordante da Natureza se foi propagando (enfrentando com frequência as purgas do Tribunal da Inquisiçón, que via nela um intolerábel crescimento do ateísmo e do paganismo), foi-se tornando mais palpábel que o esotérico e o “oculto” funcionavam mais como um símbolo de rexeiçón da autoridade e um anúncio do novo mundo (isto é, como unha “ficçón” provisória) do que como um sistema de pensamento apto para esse novo mundo (de facto, o esotérico, mal perdia a sua condiçón de “clandestinidade” e era submetido a um escrutínio “público”, era facilmente ridicularizado polos teólogos católicos). Apesar de tudo, o Renascimento é também a época em que se produz a configuraçón dos Estados Modernos ou o nascimento do mercado capitalista e das novas classes sociais: as cidades europeias estavam a mudar a grande velocidade, rumo a modelos individualistas que xá pouco tinham que ver com os antigos impérios e com as monarquias feudais. Entre as classes emerxentes e profissóns liberais, a simpatia polo esotérico era mais um modo de aglutinar o anticlericalismo do que de oferecer a alternativa consistente ao “velho”, que o novo mundo esixía.

ANTONIO DOPAZO GALLEGO

AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (123)

Árbores,herbas e prantas, que em aquesto sitio estais. Tán altos, verdes e tantas, do meu mal non vos folgais.

Escuitáde as minhas santas queixas:

A minha dor non é alboroto, ainda que mais terríbel sexa. Pois, por pagáros escote, aquí chorou Don Quixote!

Ausencias de Dulcinea:

¿Quem menoscaba meus bens?

Os desdéns!

¿Quem aumenta meus dolos?

Os ciúmes!

¿Quem proba a minha paciência?

A ausência!

Deste modo, na minha dolência, ningum remédio se afiança. Pois, me mantém a esperanza: ¡¡Desdéns, Ciúmes e Ausências!!

MANUEL CALVIÑO SOUTO