O ESPAÇO-TEMPO QUADRIDIMENSIONAL (F49)

Imaxinemos, por exemplo, que queremos ir de Nova York a Lisboa, duas cidades que estám na mesma latitude. Se a Terra fora chán, o caminho mais curto sería ir directamente para Este em linha recta. Se o fixéramos, chegaríamos a Lisboa trás recorrer aproximadamente 3.400 milhas. Mas debido à curvatura da Terra, há um caminho que parece curvado e polo tanto mais largo sobre um mapa plano, mas na realidade mais curto, pois pode-se chegar a Lisboa em aproximadamente em 3.2OO milhas se seguimos a rota do “círculo máximo”, que ruma primeiro cara ó noroeste, e despois xira gradualmente cara ó este e logo para sureste. A diferênça de distâncias entre âmbas rutas é debida à curvatura da Terra e constituie unha sinal de que a sua xeometría non é euclidiana. As rutas aéreas conhecem perfeitamente este fenómeno, e treinam os seus pilotos para seguir sempre os “círculos máximos”, sempre que isto sexa practicábel. Segundo as léis de Newton do movimento, os obxectos como por exemplo os mísseis ou planetas, despraçam-se em linha recta, salvo que actúe sobre eles unha força, por exemplo a gravidade. Mas a gravidade, na teoría de Einstein, non é unha força como as demais forças senon unha consequência de que a massa deforma o espaço-tempo e lhe confére unha certa curvatura. Na teoría de Einstein, os obxectos despraçam-se ó largo do mais parecido às linhas rectas de um espaço curvado, chamadas xeodésicas. As rectas som xeodésicas no espaço plano e os círculos máximos som xeodésicos na superfície da Terra. Em ausència de matéria, as xeodésicas no espaço-tempo quadridimensional correspondem a rectas no espaço tridimensional, mas em presênça de matéria que deforme o espaço-tempo, as traxectórias dos corpos no espaço tridimensional correspondente curvam-se de unha maneira que na teoría Newtoniana era explicada pola atracçón da gravidade. Quando o espaço-tempo non é plano, as traxectórias dos obxectos parecem estar curvadas, e producem a impressón de que todos eles estám actuando unha força. A teoría da relactividade xeral de Einstein reduce-se à relactividade especial em ausência de gravidade, e fai quase as mesmas predicçóns – ainda que non idénticas – que a teoría da gravitaçón de Newton em ambiente de gravitaçón débil do nosso sistema solar. De feito, se non se tivera em conta a relactividade xeral nos sistemas GPS de navegaçón por satélite, os erros na posiçón global se acumulariam a um ritmo de uns dez kilómetros por día. A autêntica importância da relactividade xeral non é a sua aplicaçón a dispositivos que nos guíem cara a novos restaurantes, senon que constituie um modelo do universo nuito diferente, que prevee novos efeitos como ondas gravitatórias e buracos negros. E, desta maneira, a relactividade xeral acabou transformando a física em xeometria.

STEPHEN HAWKING E LEONARD MLODINOW

DOCE DE ABÓBORA

DOCE DE ABÓBORA

Dous quilogramos de abóbora.

Um quilogramo de azucar.

O zumo e raspa de duas laranxas.

Um pau de canela em rama.

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Despois de fazer marmelada, até que o corpo non pida mais, metemola em tarrinhos de cristal. para passar um largo inverno de chuvas.

DESCARTES (O TEATRO DO MUNDO)

“Logo que a idade me permitiu libertar-me da obediência dos meus preceptores, terminei definitivamente o estudo das letras e, tendo-me resolvido a non procurar outra ciência além da que se encontrava em mim mesmo, ou no grande libro do mundo, empreguei o resto da xuventude a viaxar, a visitar côrtes e exércitos, a conviver com xentes de humores e condiçóns diversas, a recolher várias experiências, a experimentar-me eu próprio perante os encontros que a fortuna me propunha, e a fazer, por toda a parte, unha tal reflexón sobre as cousas que se me apresentavam, de forma a que pudesse obter algum proveito” (Discurso do Método, 1). As questóns acerca dos doze anos que se seguem à sua licenciatura centram-se em dois pontos: por um lado, Descartes aparece em todos os lugares críticos da Europa nos momentos precisos em que se decidem os acontecimentos que iniciam e orientam a Guerra dos Trinta Anos (1618-1648), que pôs frente a frente as grandes potências europeias, tendo o ódio relixioso como pano de fundo. Por outro lado, embora sexa verosímil o seu envolvimento neles “até ao tutano”, non consta qualquer alusón, escrita polo seu próprio punho. Nem unha única confissón aos seus amigos. Nem unha mísera crónica ou lamento sobre unha fase negra da história da Europa Central, na qual perto de cinco milhóns de pessoas, maioritariamente civis, perderom a vida. Para cúmulo, o filósofo indica em várias ocasións que o seu lema durante esses anos foi o “larvatus prodeo” latino (“avanço mascarado”), o que levou alguns estudosos recentes a suxerir a hipótese de Descartes ter sido um espía. Um axente duplo, pago durante doze anos, polos serviços de intelixência dos Áustrias, cuxa causa era assessorada directamente polos xesuítas. A hipótese non parece descabida. Os espións abundavam nunha época de intrigas palacianas e conspiraçóns a grande escala. Mesmo que apenas tivesse sido como observador ou informador, o xovem tinha o perfil requerido; culto, discreto, conhecedor do latim, apreciado nas altas esferas xesuíticas e necessitado de algum dinheiro para financiar o seu ocioso estilo de vida.

ANTONIO DOPAZO GALLEGO

ESCRITORES HISPÂNOS (GABRIEL ARESTI)

Aresti, Gabriel (Bilbao, 1933- 1975). Poeta vasco. Trabalhou durante muitos anos como contabilista, antes de dedicar-se à poesía. Aprendeu o vascuence xá adulto. À sua primeira etapa poética, simbolista, pertence o libro “Maldan behera” (Costa a baixo, 1960). Logo passou a cultivar a poesía política. “Harri eta herri” (Pedra e pobo, 1964), o seu melhor libro de poemas, está considerado como unha das obras que melhor reflexam a mentalidade e os problemas do povo vasco durante os últimos tempos do franquismo. Outros libros de poemas: “Euskal harria” (Pedra vasca, 1967), “Harrizco herri hau” (Este pobo de pedra, 1970). Escrebeu também a novela “Mundu munduam” (Em pleno mundo, 1965) e também várias obras de teatro, entre elas “Mugdaldeko herriam eginikako tobera” (Cencerrada na fronteira, 1961) e “Eta gure heriotzeko orduan” ( E, na hora da nossa morte, 1964). Como linguísta, tivo um papel decisivo na defesa do “Euskera batua”, o euskera comúm unificado, frente aos puristas seguidores de Sabino Arana. Traduziu Boccaccio para o euskera, ademais de a Joyce, Hikmet, Brecht e Weiss, entre outros autores.

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (BRAULIO ARENAS)

Arenas, Braulio (1913). Poeta surrealista chileno da xeraçón de 1938, cuxa obra contrasta com a do seu contemporâneo Nicanor Parra, polas suas extravagâncias verbais, as suas violentas imáxens poéticas e as suas buscadas incoherências. Os seus primeiros poemas e as suas ideias poéticas forom publicadas por primeira vez pola revista “Mandrágora” (1938-1941) e constituirom um ar refrescante para os poetas mais novos de Chile. Escrebeu “La casa fantasma” (1962), Ancud, Castro y Achao (1963) e “En el confín del alma” (1963).

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (JOAQUÍN ARDERÍUS FORTÚN)

Arderíus Fortún, Joaquín (Lorca, Murcia, 1890). Novelista e Xornalista. Começou a escreber com técnicas presurrealistas no seu libro de aforismos “Mis mendigos” (1915) e desarrolhou a moderna novelística anarquísta espanhola com “Así me fecundó Zaratustra” (1923); “Yo y tres mujeres” (1924), na qual combina o fetichismo femenino com os temores sexuais masculinos. “Ojo de brasa” (1925) combina um proceso de nihilísmo com um infanticídio gratuíto; “La duquesa de Nit” (1926) trata da decadência de unha família, provocada polas actitudes sexuais da duquesa; “Los príncipes iguales” e “El baño de la muerte” (ambas 1928); “Los amadores de Manqueses” y “Justo el Evangélico” (ambas 1929), esta última é unha paródia que se subtitúla “Novela de sarcasmo social y cristiano”, e “El comedor de la pensión venécia” (1930). Durante a República, o seu nihilismo deu passo a um interesse, algo sarcástico, polos problemas sociais. Em “Lumpemproletariado” (1931), um intelectual famínto e rebelde e unha mulher discutem sobre o dilema entre a pureza de consciência e a necessidade de buscar o imprescindíbel para o de cada dia. “Campesinos” (1931), obra cheia de vulgarismos, é unha exposiçón deliberadamente crua da vida da Espanha rural, na que o anarquismo de Arderíus, non poupa nem aos exploradores, nem aos explorados. “Crimen” (1933?) combina com acerto a novela policíaca e o panflecto socialista. A pesar de ser um escritor solitário, tivo influênça sobre outros escritores como José Díaz Fernández e Manuel D. Benavides.

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (CLEMENTINA ARDERIU)

Arderiu, Clementina (Barcelona, 1889-1976). Poeta catalán. Em 1916 casou-se com Carles Riba. Nesse mesmo ano publicou o seu primeiro libro de poemas, “Cançons i elegies”, ao qual seguirom “L’alta Llibertat” (1920), “Cant i paraules” (1936), “Sempre i ara” (1946), “És a dir” (1960) e “L’esperança encara” (1968). A sua poesía – muito alonxada do classicísmo propugnado por Riba – é a expresón do seu mundo quotidiano (em xeral, o poema está motivado por algúm acontecimento familiar, unha lembrança, etc…) e presenta unha grande sinxelêza técnica e unha delicada musicalidade.

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ESCRITORES HISPÂNOS (ISMAEL ENRIQUE ARCINIEGAS)

Arciniegas, Ismael Henrique (Curití, 1865- 1938). Poeta colombiano, diplomático e xornalista. Foi editor do “El Nuevo Tiempo”. Poeta prolífico desde a sua xuventude (entre as suas primeiras obras citaremos: “Em Colonia” e o seu libro romântico “Inmortalidad”, no qual se apreça a influênça de Bécquer). Terminou seguindo a moda dos parnasianos em poemas como “Códice antiguo” e “La balada del regreso”. El mesmo fixo a selecçón para a sua “Antología poética” (Quito, 1932), que recolhe desde “Poesías” (1897) e “Cien poesías” (1911). Também traduciu a muitos poétas françêses, entre eles a Hugo, Lamartine e Herédia.

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ESCRITORES HISPÂNOS (GERMÁN ARCINIEGAS)

Arciniegas, Guzmán (Bogotá, 1900). Diplomático colombiano e home de letras. Foi professor de socioloxia em Colombia, duas vezes ministro de Educaçón e embaixador do seu país em França. As suas contribuiçóns mais importantes para a literatura som antoloxías e vários ensaios xerais sobre a literatura hispanoamericana. Foi professor invitado de várias universidades norteamericanas. Obras: “Jiménez de Quesada” (1939), “Los alemanes em la conquista de América” (1941), “Este pueblo de América” (1945), “Biografía del Caribe” (1945). Editou: “The green continent: a comprehensive view of Latin America by its leading writers” (Nueva York, 1947), “The state of Latin América” (1953), “El continente de siete colores” (1965) e “Genio y figura de Jorge Isaacs” (Buenos Aires, 1967).

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ESCRITORES HISPÂNOS (MARGOT ARCE DE VÁZQUEZ)

Arce de Vázquez, Margot (Caguas, 1904). Crítica literária portorriquenha. Os seus melhores libros som: “Garcilaso de la Vega” (Madrid, 1930) e unha biografía crítica, “Gabriela Mistral: persona e poesía” (1958). Dedicou vários ensaios a poetas portorriquenhos como Tomás Blanco, Rubén del Rosario e Luis Palés Matos. Os seus ensaios sobre o seu país publicarom-se em “Impresiones” (1950). Foi unha das mais importantes colaboradoras da revista literária “Asomante” e também profesora da Universidade de Puerto Rico.

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ESCRITORES HISPÂNOS (AMBROSIO ARCE DE LOS REYES)

Arce de los Reyes, Ambrosio (Madrid, c. 1621-1661). Autor teatral e poeta. As suas comêdias, escritas num estilo similar ao de Lope de Vega, fixérom-se muito populares no seu tempo, especialmente “Cegar para ver mejor”, sobre a vida de santa Lúcia de Sicilia; “El hechizo de Sevilla”, sobre a escravidón e os resgates; “El Hércules de Hungría”, sobre as guerras húngaras contra os turcos, e “La mayor victoria de Constantino”.

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ESCRITORES HISPÂNOS (A ARCÁDIA AGUSTINIANA)

Arcádia Agustiniana. Grupo literário de Salamanca, que tomou este nome a causa do sacerdote agustino fray Diego Tadeo González, que adoptou o nome de “Delio”. O grupo sucedeu imediatamente ao Parnaso Salmantino. Os seus membros mais destacados, desta tertúlia forom Iglesias de la Casa (“Arcadio”), Juan Meléndez Valdés (“Batilo”), Fernández de Rojas (“Liseno”) e Juan Pablo Forner (“Amintas”). Jovellanos (“Jovino”) que influía o grupo desde Sevilla. Como o seu nome vêm a suxerir, a Arcádia estimulaba a poesía pastoril, na qual se incluía as “letrillas” e as “odas” ademais das “églogas” anacreónticas.

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ESCRITORES HISPÂNOS (A ARCÁDIA)

Arcádia. Área montanhosa do Peloponeso central, que se considera tradicionalmente como a morada do deus Pan. Como nesta zona, non se encontrabam poboados nem cidades, pronto se relacionou a Arcádia com o ideal pastoril de paz e harmonía da natureza. A primeira vez que se documentou a frase “et in Arcádia ego” foi nunha lenda escrita nunha pintura de Guercino (1590-1666), na que uns pastores encontram unha caveira. As palabras, que estám relacionadas com ela, querem decir “eu (a morte) estou na Arcádia”. As xeraçóns posteriores malentenderom a lenda e foi traducida por “eu também vivim na Arcádia”, que implica a ideia que “no passado encontrei a paz”. No nosso país, o tema da Arcádia está relacionado com a tradiçón pastoril, que se mostra por exemplo, nas “Égloga de Plácida y Victoriano” de Juan del Encina e na poesía de Garcilaso de la Vega. Na tradiçón em prosa pode-se encontrar em, desde o “Menosprecio de corte y alabanza de aldea” (1539) de Guevara, até chegar aos ensaios com tema rural de Azorín. A paz do lugar secular, era unha variante natural para voltar ao divino: a obra catalán Espill de la vida religiosa (1515) foi traducida com o título de “Tratado llamado el deseoso” e por outro nome, “Espejo de religiosos” (Sevilha, 1530). “Arcádia, prosas e versos” é unha novela pastoril em prosa, na qual se xuntam algúns versos, foi escrita por Lope de Vega a instâncias de António, duque de Alba, sendo publicada em 1598. Foi o volûmem sexto das “Obras sueltas” de Lope, sendo reimpréssas dez vezes até 1620. Acreditába-se que narraba experiências realmente vividas polo duque de Alba e a sua côrte. Muitos destes libros – como “El pastor de Fílida” (1582) de Gálvez de Montalvo – som novelas em clave. A Arcádia de Lope debe o seu título à de Sannazaro 1504, traducida ao Castelán em 1549, mas pertence mais ao estílo de “Los siete libros de la Diana” (1559?) de Montemayor. “Los cinco libros de la Diana enamorada” (1564) de Gil Polo e “La Galatea” de Cervantes (1585) som outros exemplos do xénero pastoril.

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O CONTEXTO ESTRUCTURALISTA

No seminário de Althusser, estaba assim em xogo um assunto muito importante. Assentavam-se as bases para separar a obra de Marx das filosofias da história, começando pola mais importante delas, a do próprio Hegel. É certo que a tradiçón marxista também distinguira Marx dessas filosofias, mas tinha-o feito com unha pretensón bastante patética: se Marx non era um filósofo, era por ser “algo mais” do que um filósofo, um cientista. A teoria da história de Marx tinha supostamente a peculiaridade de ser científica. Mas, no fundo, aceitava-se que a problemática era a mesma: unha ciência da história, unha teoria xeral do acontecer histórico. O seminário de Althusser mudou por completo esta situaçón, afastando Marx das filosofias da história e aproximando-o, por certo, daquilo a que na época se chamaba “estructuralismo”. O que era o estru cturalismo e o que significa a perspectiva estructuralista relactivamente à leitura de Marx? É difícil resumir aqui, em poucas páxinas, um tema tán complexo, mas vamos tentar proporcionar ao leitor algunhas ideias básicas. Foi Claude Lévi-Strauss, com a sua “Antropoloxia Estructural”, que, em 1958, deu o pontapé de saída do movimento estructuralista. Polo seu lado, explicaba que tinha tomado consciência de ser estructuralista ao travar amizade com o linguista Roman Jakobson e entrar assim em contacto com o universo da linguística herdeira de Ferdinand de Saussure. Antes de xulgar as implicaçóns filosóficas que deram orixem a todo o alvoroço “estructuralista” é preciso, de facto, entender claramente que o impulso orixinário proveio da pretensón de introduzir unha sensatez a que se pudesse chamar “científica” – ou mesmo “matemática” – no universo das ciências humanas ou, se se quiser, naquilo a que Althusser tinha chamado o “continente história” em contraposiçón ao domínio próprio das ciências naturais. E o facto do qual se partiu dificilmente pode ser posto em causa: só no terreno da linguística estructural, e em concreto da fonoloxia, as ciências humanas encontraram um caminho científico seguro. Pode explicitar-se facilmente o motivo; o obxecto de que se ocupa o linguista, ao contrário do que parece acontecer – polo menos à primeira vista – no resto do território das ciências humanas, non depende da consciência nem da vontade dos suxeitos sociais, neste caso implicados enquanto falantes. Ao falarmos, nom temos consciência das leis sintácticas e morfolóxicas da língua. A indagaçón científica, por isso, non introduz, neste caso, qualquer modificaçón assinalábel no obxecto estudado, que é, neste sentido, completamente independente do observador. Por outro lado, a linguística estructural tinha mostrado que as unidades linguísticas se definiam exclusivamente polas suas relaçóns com outras unidades do mesmo plano, de modo que podiam ser consideradas como um conxunto “sistemático”, “A língua é um sistema que apenas conhece a sua própria ordem”, tinha declarado Saussure: “Unha comparaçón com o xogo de xadrez fá-lo-á compreender melhor. Aqui é relactivamente fácil distinguir o que é externo daquilo que é interno: o facto de ter passado da Pérsia para a Europa é de ordem externa; é interno, polo contrário, tudo o que concerne ao sistema e às regras. Substituíram-se as peças de madeira por peças de marfim, a mudança é indiferente para o sistema; mas se se aumentar ou diminuir o número das peças, tal mudança afecta profundamente a “gramática” do xogo.” (Saussure, Curso de Linguística Xeral)

CARLOS FERNÁNDEZ LIRIA

AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (11O)

Opinións sobre os sonhos. Há quatro clásses de sonhos: o claro, o confuso, o suxerído, e o natural. Os antigos distinguíam cinco clásses de sonhos: sonho, visón, dráculo, ensonhaçón e apariçón. Ainda que o corpo durma o espírito vela (Hipocrates). O cérebro é o ponto onde están assentes as faculdades intelectuais, e por isso é a fonte dos sonhos. Este orgań quando goza de perfeita saúde enxêndra (se é lícito valer-se désta expresón) as ensonhaçóns, que dán marxém às imáxes e às sensaçóns recebidas durante a noite, ván afectar os nervos, o carácter e o temperamento. Por exemplo: Os Sanguíneos, costuman sonhar com féstas, diversóns, amoríos, ou xardíns. Os Biliosos, com zaragatas, combates, desgrácias etc… Os Flemáticos, com o mar, rios, navegaçóns, naufráxios, etc… Os Melancôlicos, com têbras, passeos nocturnos, fantásmas, mortes, etc… Os Temperamentos Mixtos como: Sanguíneo-Melancôlico, Sanguíneo-Flemâtico, Bilioso-Melancôlico, etc… Misturam nos seus sonhos o próprio de âmbos os temperamentos. Apreçabam muito os antigos a interpretaçón dos sonhos, e os sábios do Exípto valiam-se de tablilhas sagradas para descifrar os mesmos, ainda que non tiveram dados suficiêntes para adivinhar o futuro. Pois, unha das funçóns dos Magos, era precisamente a de explicar os sonhos. No Exípto, a casta sacerdotal estaba dividida em duas partes: Jannés e Membrés, isto é “Esplicador” e “Permutador” (o que efectuaba os prodíxios). Eles anotabam as suas interpretaçóns, descubrimentos e milágres, e unha inemterompida série de memórias, que formabam um “Corpus” de Ciência e de Doutrina, no qual os sacerdotes exípcios basabam os seus conhecimentos phísicos e morais; observando também baixo estes princípios o curso dos ástros, as inundaçóns do Nilo, ademais de outros fenómenos. A história ensína-nos, que o Faraó mandou reunir os Magos do Exípto, com o obxectivo de interpretar um sonho, cuxa glória foi obtída polo patriarca Jossé. Chama-se Sonho: quando baixo certa indirecta imáxem se manifésta a verdade. Visón: se retornado à vixília, lhe reaparece o mesmo que durante o sonho. Oráculo: à rebelaçón ou advertência recebida pola noite. Ensonhaçón: se o sonhado durante a noite, parece que se nos reproduze durante o dia. Apariçón: o que os gregos chamabam “Phantasma”, é ésta unha visón nocturna e quimérica, que costumam experimentar os infântes e os anciâns. Déstas cinco clásses de sonhos, as quatro primeiras tenhem algo de verídico, mas a última resulta enganosa.

MANUEL CALVIÑO SOUTO