Arquivo por autores: fontedopazo

ALMODÔVAR

img_5754                    A paisagem mantém-se, com muita esteva.   Atravessando a povoaçao de Rosário a estrada começa a apresentar um belo tapete liso.   Ao Km 655,2 encontra-se a saída para as Minas de Neves Corvo, jazigo descoberto em1977 com mineral excepcional quer em qualidade quer em quantidade (cobre e zinco).   Há limite de velocidade, necessário por causa do gato pardo ou do gambuzino de três assobíos.   Pois que seja!   Também muitos vestígios de ocupaçao desde a Pré-história, que segundo muitos eruditos, aqui surgiu a primeira escrita no território do que é hoje a actual Europa Ocidental, chamada como Escrita do Sudoeste.

A. M. N.

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CASTRO VERDE

img_5751                    Depois seguem-se retas e mais retas e ao kilometro 631 entra-se no concelho de Castro Verde, que está situado no coraçao do chamado Campo Branco, por entre as planícies do Alentejo que encostan á serra do Caldeirao, embora a montanha só se sinta a sério com a entrada no concelho mais a sul, o de Almodôvar.   Com uma área de 567,2 Km2 e uma populaçao aproximada de 8000 habitantes, distribuída em cerca de uma vintena de localidades de pequena e média dimensao.   A paisagem é pouco acidentada, como maioria  mesmo muito plana, e uma altitude média a rondar os 200 metros.   Os solos sao pobres, por isso a agricultura é bastante limitada, tendo sido uma autêntica desgraça ecológica a campanha do trigo no tempo do Estado Novo.   Nao só porque a produçao era baixíssima, mas porque provocou a erosao da muito fina camada arável.   Para se ter uma ideia mais rigorosa, apenas 0,05% dos solos do concelho sao classe A, e mais do 80%, solos que apenas sao aconselhados para pastagens e montado de azinho e sobro.

A. M. N.

COMER EM ALJUSTREL

img_5755                    O Restaurante Fio D’Azeite, fica mesmo no centro da vila, no rés-do-chao do Hotel Villa Aljustrel.   e é uma referência gastronómica no concelho de Aljustrel.   Destaque para as migas á alentejana com a carne de alguidar ou a perna de javali estufada em vinho com castanhas e maça reineta.   Nos peixes, nao há que enganar com o polvo salteado em azeite e alho, acompanhado por meia desfeita de batatas e tomate.   Éstas mençoes sao reductoras, porque a oferta é bem mais  extensa, privilegiando sempre os productos da regiao, representando a riquíssima gastronomia alentejana, desde a entrada, até á sobremesa.   O pessoal de sala é competente e o chefe de sala pode aconselhá-lo bem.   A oferta é boa e pensada para casar com os sabores da terra.

A. M. N.

ODIVELAS

img_5750                    Até Almodôvar sao retas e estrada plana.   Depois até á entrada no Algarve, é a estrada das 365 curvas.   Um belíssimo troço para quem gosta de conduzir.   Chegamos a Odivelas, a sede da freguesia, necessário é subir porque a aldeia se desenvolve toda lá em cima, no alto do cabeço.   É terra pequena com uma particularidade que até pode ser novidade mundial:   os troncos das oito árvores da praça central, estao vestidas com trabalhos de tricot, creio que executadas pelas idosas do Centro de Dia. 

A. M. N.

OS ESCRAVOS DO TORRAO

img_5748                    Conta-se que foi na área da actual freguesia do Torrao, mais propriamente em Rio de Muinhos, lugar a sul da freguesia, o primeiro local em Portugal Continental onde foi utilizada mao-de-obra escrava, com negros vindos de entreposto da feitoria portuguesa do Senegal, corria o século XV.   A razao principal deste comércio de escravos para a zona foi a alta taxa de mortalidade verificada na zona pantanosa de Vale do Sado por causa das febres ou sezoes, que mais nao era do que o paludismo, nos campos onde a heranza árabe favorecia o plantio de arroz.   A introduçao nos rios de um pequeno peixe que comia os ovos e larvas dos mosquitos, e a utilizaçao em larga escala, de DDT (quimico que posteriormente  viria a ser prohíbido) disminuíram a incidência da malária em Portugal, que todos os anos ceifava dezenas de milhares de vidas.   Há quem diga que após tantos séculos ainda há traços desses antepassados negros que se foram cruzando com habitantes locais, visíveis em cabelos encrespados, nariz mais largo e pele mais escura.

 ” Quem quiser ver moças, da cor do carvao, vá dar um passeio até Sao Romao.”

A. M. N.

 

A JAULA DE AÇO

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                    O que me leva a revisitar o tema do carisma e a obra de Weber é o regresso do clássico confronto – que me parece evidente na política contemporânea – entre a razao burocrática e a razao política.   Na sua trilogia da legitimidade política, o sociólogo identifica três fontes: a tradiçao, a legal/racional e a carismática.   A tradiçao foi e é a fonte de legitimidade mais persistente do poder político.   Weber nao o esquece.   No entanto, parece evidente que a construçao do conceito de legitimidade carismática nao é usada fundamentalmente como  contraponto, senao como oposiçao, á racionalidade legal e burocrática que caracteriza o poder típico dos Estados modernos: “…  nas administraçoes de massas, é sempre um corpo estável de funcionários dotados de formaçao especializada que forma o núcleo do aparelho e cuja “disciplina” é uma condiçao absoluta de sucesso”.   No fundo, é como se estivesse a ver de longe o que o tempo atual nos trouxe: o regresso do velho e clássico combate entre duas forças.   De um lado, o poder impessoal dos aparelhos administrativos do Estado; do outro, a vida pública democrática, com o que ela tem de intransigentemente pessoal, quer na seleçao dos dirigentes, quer na sua responsabilizaçao.   No espírito do tempo, esta é, sem dúvida, uma questao política central.   O que se tem passado nestes anos de crise com o projeto europeu coloca-nos perante o tópico decisivo da legitimidade política exatamente nesta dicotomia: poder burocrático ou poder popular; saber técnico ou decisao política; ou ainda, para usar o dizer de Weber, político de profissao ou político de vocaçao.   No fundo, trata-se do regresso a um dos temas clássicos da filosofia política: democracia versus tecnocracia.   Quem deve governar?   Quem mais sabe ou quem o povo escolhe?   O primeiro sinal veio da Grécia e da heterodoxa proposta de Papandreou de convocar um referendo sobre o programa de ajuda ao seu país.   Pagaria tal heresia com a demissao.   Logo depois, quando o controverso primeiro-ministro Berlusconi, acusado de fragilizar a imagem do seu país junto dos mercados, foi substituído pelo senhor Mario Monti, antigo abridor de portas do banco Goldman Sachs, tudo ficou claro.   Afinal, os mercados limitavam-se a dizer aos políticos qual a margem de manobra disponível para o poder público, e aos povos qual o grau aceitável para a escolha democrática.   Tudo o que nao caiba neste espaço de “responsabilidade” é classificado como irrealista, ou melhor, como populista, termo preferido pela oligarquia tecnocrática para exprimir a sua desconfiança sobre seja o que for que possa agradar ao povo e deixar claro o seu desprezo por aqueles que nao param de chamar a atençao para a difícil situaçao em que fica o critério da legitimidade democrática com tal subordinaçao do político ao finançeiro.   É neste quadro que bem se compreende a desconfiança desses tais mercados sobre o carisma político individual, sempre suspeito de subversivo e iconoclasta e sempre tentado a levar demasiado a sério a vontade e o poder popular. A preferência vai para os homens de aparelho com “competência técnica” e responsabilidade.   A estes, Bourdieu traçou, sem condescendência, um perfil cruel:   “…  têm sucesso nao porque sejam os mais vulgares mas porque nao têm nada de extraordinário, nada para lá do aparelho, nada que os autorize a tomar liberdades para lá do aparelho, a fazer espertezas”.   Homens seguros, sim.   Sem o perigo da creatividade, da indeterminaçao e da insubmissao que o carisma sempre mantém por perto.   Na frente económica, ou mais propriamente financeira, as decisoes parecem ser tomadas por um governo de ninguém – ninguém a quem pedir contas, ninguém a quem responsabilizar.   Só quatro anos depois do início da chamada política de austeridade o Banco Central Europeu adota, finalmente, a política monetária expansionista que os Estados Unidos aplicaram desde  o início da crise.   O rasto de desolaçao económica e de desemprego fica como marca da intransigência alema.   A clivagem e o ressentimento norte-sul, centro-periferia nunca foram tao visíveis.   Qualquer referência á coesao e á convergência económica é vista como anacrónica e irrealista, apesar de figurar nos Tratados.   Para já nao falar no modelo social europeu, outrora motivo de orgulho e que, agora, parece ser encarado como a fonte de todos os males.   A impressao que fica é a de um projeto que, em vez de avançar passo a passo como gostávamos de dizer com orgulho, recua agora passo a passo.   No entanto, impoe-se perguntar: quem tomou estas decisoes?   Quem votou por elas?   E talvez mais importante: quem responsabilizar?   Na verdade, há muito que as principais questoes políticas foram sendo retiradas aos representantes do povo, aos eleitos, para serem entregues aos aparelhos técnicos de regulaçao – as chamadas “entidades administrativas independentes”.   O critério para tal proceder é provocatoriamente claro: deve subtrair-se ao domínio político, e até ao espaço público de debate, tudo o que é verdadeiramente importante.   É assim que a política monetária, o regime de concorrência, a regulaçao do mercado de capitais, a política energética, as telecomunicaçoes, e agora até a escolha de dirigentes da administraçao pública têm sido subtraídos á arena política da escolha democrática, para migrarem para o terreno da técnica e serem entregues aos aparelhos administrativos pretensamente independentes.   É de certa forma o ideal tecnocrático de uma governaçao sem política que regressa.   Para este caminho, muitos têm contribuído, á esquerda e á direita, dada a perversa popularidade de tal ideia: a ilusao de que, para qualquer questao política, há uma só resposta certa que só pode vir dos especialistas e cuja descoberta dependerá do esforço que pusermos em descobri-la.   A utopia da verdade tecnocrática foi criticada por muitos, mas talvez ninguém como Berlin tenha denunciado com mais ardor o enraizado  vício do raciocínio ocidental, exigindo que para todas “…as verdadeiras questoes haja uma resposta verdadeira e uma só, sendo todas as outras erradas, pois de outro modo nao seriam genuínas questoes”.   A profunda demagogia de esconder opçoes políticas atrás da razao técnica burocrática e do saber dos especialistas é tao antiga como enganadora e nao esconde a dificuldade em conviver com a ideia da pluralidade de respostas e de soluçoes.   A crítica dos dias de hoje ao chamado “pensamento único” pertence a esse debate tao antigo.   Acontece que a maior parte, se nao todas as decisoes que estao em causa, nada têm de técnico, mas envolvem, isso sim, escolhas e juízos sociais da maior importância que ganham em serem objeto de discussao racional no espaço público e em serem decididos com base em escolhas políticas claras.   A ideia da ausência de alternativa ou de um saber técnico dominante nada tem de novo e nada tem de inocente: “…enquanto espírito cristalizado, a máquina nao é neutra; a razao técnica é a razao social que em cada época domina”.   A fingida neutralidade nao esconde a desconfiança democrática: entregues ao saber técnico, afastam-se asstm das áreas importantes da governaçao as possibilidades de políticas “demagógicas”, próprias de quem representa a povo.   Mas, mais uma vez, perante quem respondem esses técnicos e especialistas?   A quem prestam contas?   Independência, dizem: nem crítica, nem censura, nem reprovaçao.   Poder sem rosto e sem controlo.   É difícil negar que o que está a acontecer é sinal claro de uma tendência para sobrepor os aparelhos “técnicos” das finanças mundiais á democracia, ou seja, á possibilidade de o povo escolher os seus dirigentes e exprimir a  preferência pelo caminho que deseja prosseguir.   A questao, uma vez mais, é essencialmente democrática: qual é, afinal, o papel do povo?   Como aceitar o papel de mero espetador da açao da nova oligarquia que comunica por press release, por avaliaçoes periódicas, e que, no fundo, entende que nao deve explicaçoes.   No final do seu livro sobre a ética protestante, e escorregando do seu próprio princípio de neutralidade axiológica, Weber nao resiste a exprimir os seus sentimentos, descrevendo de forma sombria o que pressente ser o futuro do mundo condicionado pelo capitalismo sem regras e pela impessoalidade burocrática.   Diz ele:  “O possante cosmos da ordem económica moderna, ligado ás condiçoes técnicas e económicas da produçao mecânica,  determina hoje com uma força irresistível obrigatória o estilo de vida de todos os indivíduos que nascem no seio desta maquinaria (…). Porventura essa prescriçao continuará até que o último quintal de carburante fóssil seja queimado.”   Mais á frente, num tom fatalista e desencantado de quem já nada espera, fala de destino inexorável, de novos profetas ou de petrificaçao mecânica.   Porventura ainda nao tinha visto nada.   Um século depois,  o sentimento dominante nas sociedades europeias é de uma total submissao a forças impessoais que nao conhecemos e com as quais nao se pode nem dialogar nem responsabilizar.   O mercado, a dívida, a finança, a crise e o desemprego impoem-se como um destino inevitável e impiedoso.   A célebre fórmula da “jaula de aço”, como símbolo da soberania popular esmagada pela fria e implacável burocracia financeira, prosseguindo, com pretensa superioridade técnica, o seu cálculo e o seu interesse, nunca pareceu, como hoje, tao apropriada e atual.   Se vem de longe, a luta entre a tecnocracia e a democracia está também longe de estar acabada.

JOSÉ SÓCRATES

ERIO

img_5747                    Para quem for mais distraído e nao reparar nas placas é capaz de atravessar do distrito de Évora para o distrito de Beja sem dar conta de que passou pelo distrito de Setúbal.   Creia que também aqui há razoes geológicas para esta ponta do distrito de Setúbal (concelho de Alcácer do Sal e freguesia do Torrao) se prolongar para o Leste, intrometendo-se entre os distritos de Évora e de Beja.   Geólogo amigo disse-nos que há realmente diferenças, porque enquanto os solos da freguesia de Alcáçovas, sao xisto-argilosos, os da freguesia do Torrao sao vermelhos calcários, enquanto imediatamente a sul, na freguesia de Odivelas, concelho de Ferreira do Alentejo, os solos sao vermelhos férricos.   Já tinhamos visto um caso semelhante, quando uma ponta do distrito de Santarém (concelho de Coruche, freguesia do Couço) entra pelo Alentejo  dentro, entre o distrito de Portalegre e o distrito de Évora, intrometendo-se entre os concelhos de Ponte de Sor e Mora.   A estrada é feita de longas retas, ladeadas de pastagens.   Azinheiras e sobreiros vao começando a rarear, aparecendo algum pinheiro manso e depois cada vez mais oliveiras até se tornar na árvore dominante durante alguns quilómetros.   Assinale-se que durante os  catorce quilómetros que medeiam entre a saída de Alcáçovas e a entrada no Torrao nao há uma única casa á beira da estrada. Torrao, vem de Torregem, que significa torre grande.   Na época islâmica, o nome era Hisn Turrus.   Parece que por volta do século V, a. C., na época da civilizaçao celta, o Torrao se chamava Erio.   Pois que seja.   Bernardino Ribeiro, autor de Menina e Moça, nasceu nesta vila no final do século XV.   

a. m. n.

DIFÍCIL É ESCOLHER

img_5727                    Manuel Azinheirinha, durante duas décadas trabalhou com os irmaos Fialho no seu conhecido restaurante de Évora.   Depois mudou-se para Santiago do Escoural onde abriu um restaurante de referência e que leva o seu nome.   A mulher complementa-o.   A sala é pequena nao levando mais do que 30 pessoas e a afluência aconselha que se faça marcaçao prévia.   O espaço é acolhedor, luminoso, com as paredes brancas e as toalhas e guardanapos de pano de uma alvura impecável.   Os petiscos de entrada sao uma tentaçao e os pratos restantes nao lhe ficam atrás.   Numa pequena amostra registamos os pezinhos de porco de coentrada, sopa de caçao, lebre de cabidela, javali estufado com puré de maça, perdiz estufada, bochechas de porco assadas no forno com migas de espargos.   Nas sobremesas, o doce de mel e nozes, encharcada ou manjar do príncipe.   Boa garrafeira com os alentejanos á cabeça.   Sobre tudo muito bem escolhidos.

A. M. N.

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FRANCISCO SIM SIM

img_5736                    Francisco Sim Sim Galvao, escrivao de Direito aposentado, serralheiro enquanto novo, combatente na guerra colonial, atleta federado de ténis de mesa aos 75 anos, avô de dois netos, aprendiz de organista e escritor iniciante, tudo epítectos com as suas próprias palavras.   Um girasol gigante á porta de uma pequena loja de presentes, brindes, linhas, brinquedos e outras bugigangas chamou-me á atençao e foi aí que conheci Francisco Sim Sim Galvao, que estava a tomar conta da loja da filha.   Contou-me milhentas histórias e foi por ele que soube que o apelido Sim Sim é o mais comum em Alcáçovas.   Vendeu-me um exemplar do romance de sua autoria Sexo e Realidades (Sinapis Editores, Lisboa), que el gentilmente nao se cansou de repetir tratar-se de pura ficçao, mas que cheira a autobiografia a léguas…

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ALCÁÇOVAS

img_5733                    Voltaram as grandes retas ladeadas por campos de seara.   Há sobreiros, mas poucos.   Junto a uma linha de água (nota-se mais pela existência de uma pequena ponte e pelo verde da vegetaçao do que pela água que lá se veja correr).   Uma placa anuncia a entrada na freguesia de Alcáçovas, que também marca a entrada no concelho de Viana do Alentejo.   Alcáçovas tornou-se famosa por causa de um seu producto artesanal, os chocalhos.   Segundo Mário Saa, na sua obra Vias Romanas da Lusitânia, Alcáçovas está situada sobre um antigo itinerário romano que ligava Ébora a Salacia (Alcácer do Sal) e nessa altura chamar-se-ia Castreleucos (Castelos Brancos).   Esta antiga povoaçao foi invadida pelos Mouros.   Nesse período a palavra (Alcáçova) foi uma das introduzidas pelos invasores (Al-Qasbah) uma arquitectura militar localizada numa cota mais alta.   Terá sido transformada em palácio por D. Dinis, que abrangia uma grande panorámica a norte da vila.   Em 1447, na Vila das Alcáçovas realizam-se os contractos nupciais da princesa Dª Isabel, com o Rei de Castela, D. Joao II, e em 1457, os esponsais da princesa Dª Beatriz, com o infante D. Fernando, duque de Viseu e filho do rei D. Duarte.   Destes casamentos, entre Dª Isabel de Avis que casou com o tal  Rei D. Joao II veio a nascer a grande Rainha Isabel a Católica, que terá um papel determinante em Espanha.  Por outro lado, a infante Dª Beatriz que casou com D. Fernando, duque de Viseu, veio a ser mae do Rei D. Manuel, de cgnome, o Venturoso.   O tratado de Alcáçovas, que além de formalizar o fim das hostilidades entre os dois reinos, em que Afonso V de Portugal desistia para sempre das suas pretensoes ao trono de Castela, num momento em que âmbos competiam pelo domínio do Oceano Atlântico, e das terras até entao descobertas na costa africana.

A. M. N.

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BROTAS

img_5728                    Os pinheiros mansos desapareceram por completo e os sobreiros dominam a paisagem.   Como é interesante esta mudança de panorama a cada meia dúzia de kilómetros, ás vezes ainda menor.   E chegamos a Brotas.   Aqui a minha referência é outro restaurante, O Poço, que faz belíssimos pratos de caça.   Esta freguesia, estende-se por uma pequena colina, como quase todas as terras desta regiao, claramente por uma questao de defesa.

A. M. N.

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REGUENGOS

img_5730                    Reguengo ou realengo (do latim tardio regalengu) era a qualificaçao jurisdicional que possuíam os lugares dependentes directamente da autoridade do rei, ou seja, terras cujo senhor era o próprio rei.   É uma figura típica do Antigo Regime em Portugal e Espanha, apesar de situaçoes semelhantes ocorrerem em toda a Europa Ocidental.   A extinçao dos reguengos (como de outras mordomías do regime absolutista para com os senhores da terra) deve-se sobretudo ás leis de Mouzinho da Silveira em 1834, com o triunfo dos Liberais.   Os reguengos pertenciam ao rei e para seu usufruto era necessário pagar-lhes direitos e foros.   Eram obtidos por presúria, leia-se a ocupaçao de um território deixado vago pela expulsao dos muçulmanos,  e com o tempo viram-se reduzidos devido a grandes doaçoes ao clero e á nobreza.

A. M. N.

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O RESTAURANTE AFONSO

img_5745                    O Restaurante Afonso, fundado por Afonso das Neves Mendes e pela sua mulher, Dª Bia.   Hoje com os seus filhos Afonso Manuel chefe de cozinha e Nicolau Mendes gerente, que irao continuar esta casa com a Gastronomia Alentejana no seu melhor.   Tendo ganho vários primeiros prémios, todos os anos participa na maior Mostra Gastronómica de Caça do País que se realiza em Mora.   Vale a pena perder-se pelos vários bacalhaus, pela açorda de perdiz, pela perdiz á Dª Bia, pelo pombo bravo ou pelas variadas maneiras de cozinhar a lebre, pelas migas de espargos bravos, ou pelas muitas entradas, frias e quentes.   Neste particular, atençao aos pezinhos de coentrada (que também podem ser servidos como prato principal).

A. M. N.

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A COZINHA ALENTEJANA

img_5735                    Será necessario escrever que estamos na regiao de Portugal, com a cozinha popular mais criativa?   É de todos sabido que a pobreza dos terrenos e das pessoas obrigou a muita imaginaçao para transformar em pratos apetitosos os poucos géneros básicos que as gentes possuíam.   O Alentejo foi uma terra de pao e é com pao que se fazem alguns pitéus insuperáveis as açordas (que pouco mais levam do que pao, alho, azeite, sal, água a ferver e ervas (coentros ou poejos).   Ou as beldroegas, erva humilde que se torna sublime numa sopa, acompanhada com queijo fresco.   E os espargos bravos, delicados e deliciosos.   Para os mais sortudos um prato de túberas com ovos é como entrar no paraíso.   Os pratos de verao, os gaspachos.   E as migas, os ensopados, tudo leva pao… e muitas ervas.   Nas carnes, o porco é o rei, mas também o borrego e a caça.   E os doces, com muitos ovos, muita amêndoa e muito açucar!

A. M. N.

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MORA

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                    A Guia de Portugal de Raúl Proença, ediçao da Biblioteca Nacional de 1927 (reeditada em fac-simile em 1988 pela Fundaçao Gulbenkian nao dedica mais do que meia dúzia de linhas a Mora e mesmo assim lá vem com parte de ditado popular “em Mora nem uma hora, omitindo a frase completa.”  “Em Mora nem uma hora, no Cabeçao nem um serao e em Pavia nem um dia”.   Com isto, ao que parece, se quis dizer que das trés vilas Pavia seria a menos pior”.   Pois talvez.   O nome tem ressonâncias italianas e também se diz que terá tido origem numa colónia de imigrantes lombardos, originários de Pavia, chefiada por um certo Roberto. a quem no final do século XIII terao sido dadas algumas benesses para se fixarem no que é  a mais antiga vila do actúal concelho de Mora.   Á medida que nos aproximamos de Mora as árvores começam a rarear e o montado da lugar a campos de cultivo onde crescem pastos, na primavera atapetados com umas plantas vermelhas que dao um colorido inacreditável á paisagem, com muitas ovelhas a pastar.   Mora é uma vila muito arrumadinha com uns arrabaldos muito simpáticos, com vivendas e quintais.   Uma típica vila alentejana com as casas caiadas de branco.   Também é verdade que se foi ao centro de Mora, qualquer rua lhe serve para voltar á estrada N2.

A. M. N.

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