Arquivo por autores: fontedopazo

BERGSON (A METAFÍSICA DA EVOLUÇÓN)

.

               A vida é o domínio “misto” da existência no qual entram em contacto espírito e matéria.  A partir daquí, ela é esforço, e o esforzo, inseparábel do tempo, introduz novidade no universo (alguém consegue, por exemplo, saber qual será o índice ou inclusivamente o título definitivo de um libro antes de o ter escrito?).  Evolucionista convicto, Bergson tentará mostrar ao longo da sua obra que a evoluçón da vida, com toda a diversidade de espécies, responde à tentativa de unha força espiritual para inserir entre as ríxidas cadeias da matéria – como se de um explosivo se tratasse -, a maior soma possíbel de novidade.  “A vida é precisamente a liberdade inserindo-se na necessidade e transformando-a em seu proveito”.  Qual é o obxectivo desta tentativa do impulso vital?  Non é evidente.  Ou, mais propriamente, non podería sê-lo de antemán.  Trata-se de superar o obstáculo, de abrir caminho para o outro lado, de inundar de diferença a repetiçón.  Recorde-se que Nietzsche tinha escrito algo parecido relativamente à “vontade de poder”:  os fortes procuram, acima de tudo, “distinguir-se”.  Em Bergson, o espírito é o domínio da “pura diferença”.  Mas, sendo todo “virtualidade”, falta-lhe ainda eficácia ou “actualidade”:  por isso, a consciência mantém-se tenazmente ligada a um corpo.  Visto deste modo, o impulso é unha árdua negociaçón com a matéria cuxa finalidade é ludibriá-la.  Como tantos outros pensadores do nosso tempo, Bergson xulga que xá non podemos renunciar a Darwin.  No entanto, a ciência só nos oferece o aspecto material do processo evoluctivo, que é o que interessa à nossa intelixência.  Xuntamente a esta última, Bergson situa a intuiçón.  Valendo-se desta nova funçón do espírito, encarregada non de renunciar ao raciocínio, mas de pensar de outro modo, a filosofía deverá pôr-se à altura dos tempos e fornecer unha verdadeira “metafísica da evoluçón”.  

antonio dopazo gallego

COMO UMA FLOR DE PLÁSTICO NA MONTRA DE UM TALHO

.

Comodista hesitante,

protexido das cabeleiras

e cliente frequente dos feriados nacionais,

acredita nos encontros fortuitos

assim como um relógio estragado

acredita aproximar-se de uma hora astral.

Estes hábitos podem até ser tolerados

em contos naturalistas

e reality showers.

Nós, aqui, little stranger,

degolamos pardais e fardas de porcelana.

Cobramos interesses à alegria

e vendemos suites com piscina na lua.

A batalha é nossa,

já alugámos as trincheiras,

mas custa tanto tirar os pijamas.

golgona anghel

(Como uma Flor de Plástico na Montra de um Talho, 2013)

CELA DESCOMULGADO E FEDERICO DE URRUTIA VENERADO

.

               Aquel ano, por causa do traslado de Lebanza a San Zoilo, os concursos literários tardaron em outorgar-se e a entrega de prémios retrasou-se até meados de Novembro. Era um acto de rutina e sem sorpressas, pois sempre ganhábamos os mesmos.  Mas aquél ano houbo gresca.  O professor de Literatura quería darme o prémio de narrativa e o padre espiritual quería-mo sacar, porque afirmaba ter influências de Camilo José Cela, que era unha mala besta blasfema.  Ninguém, e eu tampouco, tinha lido a Camilo José Cela.  Ó contrário do colega que ganhou o prémio de poesía, que este sí había lido a António Machado e o seu poema era tudo polvorentas encinas, vieiros solitários, páramos ermos, esquilóns e tolveiras levantadas por rebanhos de ovelhas ó atardecer, aínda que isto último e as campanadas do ânxelus mais bem parecíam de Juan Ramón Jiménez.  Non dixem nada, aínda que me quedou um rencor ó tál padre espiritual e algúm día, se tinha tempo, iba-mas pagar.  Entre o lote de libros que dabam como prémio, vinha um da colecçón Crisol, miniatura libresca em papel bíblia, que foi a biblioteca de nuitos da minha xeraçón.  Traía as mais famosas obras de Eduardo Marquina: En Flandres se ha puesto el sol e Las Hijas del Cid.  A referência habitual do professor de Literatura, aparte do O Cantar, O Romancero e o poema de Manuel Machado “polvo, sudor e ferro el Cid cabalga”, era Eduardo Marquina.  A do padre espiritual, em câmbio, era Federico de Urrutia.  Federico de Urrutia, falanxista, vestía o Cid e as suas mesnadas de camisa azul.  A Hidra roxa, à que había que combater, vinha a ser como os mouros de antáno; outra Reconquista.  Advertência frequente por entón era:  “Vendrán los rojos y violarán a vuestras mujeres”.   O padre espiritual calába-se como unha puta, que quem habíam violado e matado as mulheres na guerra, foram os morancos de Regulares e que os mesmos mandos militares de Franco tiveron que por ordem e castigá-los inclúso com fusilamentos.  De non ser polo falanguismo do padre espiritual, nem sequer teríamos sabído quem era Federico de Urrutia, pois non vinha nos nossos libros de literatura, cuxo autor era Guillermo Díaz Plaja.  Ou sexa, que um respeito.  Mas a este sacerdote, encantaba Federico de Urrutia.  E traía libros de leitura de outros coléxios e institutos onde vinha um poema ridículo titulado “Castilla en Armas”.  Tudo isto tinha que pranteár-lho um día, ó confesor intrometido que admiraba a Federico de Urrutia e tinha querido sacarme o prémio de narrativa.  Gostaba de Federico de Urrutia porque, em “Castilla en Armas”, presentaba as náis e as noivas à sombra das espadanhas rezando polos homes que iban à guerra, “vestida de azul a alma”.  Escuitei-o um día que el estaba a falar com uns frailes de hábito branco, marístas debíam de ser, ou algo así, que lhe propunham dar unhas classes particulares ós seus alumnos deficiêntes.  A mim, parecía-me que o padre espiritual quería sacar-lhe o lugar ó professor de Literatura.  Duas veces chamou “lucero” o tál Urrutia esse ó Cid.  Por muito que diga despois que o “lucero” é de ferro, non deixa de ser unha mariconada.  Ou, polo menos, unha cursilería: “el Cid – lucero de hierro – por el cielo cabalga”; “el Cid – lucero de hierro – por el cielo azul cabalga”.  E por último o remate final: “el Cid con camisa azul por el cielo cabalgaba”.  Xá nos avisaba o professor de Literatura que nas “Las Hijas del Cid”, había muito de invençón e de licênzas poéticas e dramáticas.  Mas tudo estaba bem traído, pois humanizaba a figura do herói, desenganado ó fim da razón de Estado,  segundo enigmática expresón do professor;  que sería isso da razón de Estado?  E era, ó parecer, aguantar todas as faenas que o “Rey de Castilla y León”, nunca lhe tinha perdoádo ter tomado xuramento em Santa Gádea. Isso de ter feito confesar ó Rei que non tivera culpa na morte do seu irmán, se quería o seu vasaláxe, era muito grave.  E afirmar que coitélos “cachicornos” lhe arrancaram o corazón se mentía, era aínda pior.  Porque o coitélo “cachicorno” era trasto de viláns e non arma de cabaleiros.  Lin “Las Hijas del Cid” de um tirón, até que cheguei à páxina 108 e, alí faltaba unha folha arrincada por piadosa mán criminal.  Tratei de remediar com imaxinaçón a feitoría da censura. 

javier villán e david ouro

ROUSSEAU (FOI A POLÍTICA QUE FEZ O HOMEM TAL COMO É)

.

               O presente livro admite várias formas de leitura. Pode ser lido linearmente, mas também permite que o iniciemos por qualquer um dos seus capítulos.  As caixas de texto contêm citaçóns de Rousseau ou de outros autores que resumem a ideia do capítulo em questón, o glossário foi pensado, tal como as secçóns de bibliografía básica e cronoloxía, para quem quiser dedicar mais tempo a familiarizar-se com o “cidadán de Genebra”, cuxo pensamento non pode afigurar-se mais actual nestes tempos que exigem rever as regras do xogo democrático e definir novas políticas, tarefas para as quais pode dar xeito conhecer os seus avatares na modernidade.  Como disse Voltaire, referindo-se à época em que Rousseau viveu e dirixindo-se a Frederico II da Prússia, a palabra “político” significava orixinalmente “cidadán”, ao passo que hoxe chega a significar em muitos casos “embusteiro de cidadáns”.  Conviría, unha vez mais, voltar a revestir a política do seu sentido orixinal, o de estar ao serviço do povo para xerír os assuntos públicos em benefício do interesse xeral.  As reflexóns de Rousseau poderíam ter unha certa utilidade nessa misón.  Daí o subtítulo do presente libro: E a política fez o homem (tal como é).  Porque se alguém reparou que a política e os seus governantes modelam decisivamente os povos, esse alguém foi Rousseau, firme partidário, entre outras medidas, de penalizar as grandes fortunas, por acreditar que a coesón social passava por favorecer unha classe média, e, assim, erradicar simultaneamente a indixência e a opulência.  Ninguém devería ser tán rico a ponto de poder comprar outros, nem tán pobre a ponto de cair na tentaçón de se vender, diz-nos em O Contracto Social.  Nos nossos dias, Thomas Piketty, um afamado economista françês que rexeitou a Lexión de Honra para mostrar a sua discordância com a política governamental do seu país,  autor de O Capital no Século XXI e especialista em desigualdade da riqueza e redistribuiçón dos rendimentos a partir de unha aproximaçón estadística e histórica, mostra-se partidário de implementar um “imposto mundial sobre a riqueza” e unha série de impostos progressivos a fim de evitar o que denomina “um capitalismo patrimonial”, e de encomendar esse control às instituiçóns políticas.  Todas estas ideias apresentam notáveis laivos rousseaunianos.

roberto r. aramayo

OS RUFIÁNS

.

               Unha vergonha pública, eram os rufiáns, que usabam da ganância das suas coimas.  Quem as tinham em casas de trato, e decíam que tinham a coima no cerco, ou a vaca na devessa.  Había quem dispunha de mais de unha.  Assím o aponta Cervantes no “El Rufián Dichoso”:

El tener en la debesa

Dos vacas e a veces tres…

               Assím mesmo o refrán que Cervantes pon em boca de Sancho:  “Cada puta hila, y comamos” era um dictado rufianesco, pois fiar tinha o significado que os leitores suponhem.  O rufián, podía ser agressivo e, habitualmente eram as mulheres farto massoquistas.  Assím, num românce de Jerónimo de Cárcer, dí unha delas a quem o seu galán puxo as carnes como amapola: 

El galán que pega, amiga,

Antes obliga que agrávia;

Que el rato que abofetea

Trae a una nujer en palmas.

               O mundo do burdel e do xogo, e aínda o do críme se confundíam.  E advirte-se em toda a obra satírica de Quevedo.  Curiosa é a costume de que unha ramera poida librar a um condenado à morte, se quando o levavam ó suplício se oferecía para casar-se com el.  O que aparece em numerosos românces, sonetos, continhos e reflexóns morais.  Nalgúns autores, tenhem-no por costûme francesa, porque o certo é que xá Montaigne alude a isto nos seus “Ensaios”.  Mas, certos gráves tratadistas duvidam, por outra parte, non se rastreou, que eu saiba, ningunha léi escrita que abone ésta costûme.  Um viaxeiro alemán, Conrado Von Bemelberg, afirma  que no que mais se dilapidaba na Espanha do Século d’Ouro, excluíndo o que se derrotaba em vestidos, mulheres e cabalos, era nos xogos de azar.  Testemunha, que os xogos de cartas e os de dados, eram elementos que non faltabam nunca nos burdeis e isto explica fácilmente que estes foram asílo e guarida de toda sorte de maldades e delitos.  Até aquí, estas breves notas sobre o xogo no Século d’Ouro.  Non xulgamos necessário advertir, que neste caso somente apresentamos o revés da sociedade espanhola.  E quixéramos acabar este pequeno ensaio fazendo nossa a frase de um hispanista Ludwig Pfandl, que afirmaba na sua “Introduçón ao Século de Ouro”:  “Espanha foi sempre um país de contrástes, sobra luz, idealismo e realismo.  Se por unha parte a relixiossidade se manifestaba com um ímpetu e vehemência cordial e sem precedentes, por outra parte a moralidade pública, era um reflexo das paixóns e a innata predisposiçón à facilidade para dar ouvidos à sangre impectuosa…”

ramon fernandez pickford

PLOTINO (A SEGUNDA NAVEGAÇÓN)

.

               Enquanto culminaçón do espírito helenístico, a filosofía de Plotino pode ser definida como unha “segunda navegaçón” do pensamento grego, desta vez introspectiva ou psicolóxica.  A alma (em grego psyche), protagonista desta nova aventura, é a viaxante eterna entre três mundos: o sensíbel (do qual parte), o intelixível (ao qual se dirixe) e o supraintelixíbel (que só poderá alcançar excepcionalmente através de um êxtase místico).  O início desta travessia é inspirado por um amor nobremente entendido que funciona como unha saudade: a recordaçón “recuperada” de unha realidade transcendente perdida, de unha velha pátria mais antiga que Ítaca, porque é mais antiga que o tempo.  É unha pátria ideal e eterna, a Ítaca intelixíbel.  No entanto, esta non marca o final da viaxem, mas apenas a sua primeira escala.  A partir desta pátria verdadeira, Ulisses aínda deverá dar mais um passo, possivelmente o passo mais difícil de toda a filosofía grega, até “à casa do pai”. É assim que Plotino se refere habitualmente à meta suprema do seu sistema filosófico, o Uno ou Bem, princípio superior ao ser e ao intelecto, que enxendrou tudo o real e para além do qual xá nada existe.  Toda a filosofía de Plotino está sintetizada nas suas últimas palabras: “elevar o que de divino há em nós em direcçón ao que de divino há no universo”.  O tema central non é novo nem orixinal, pois xá desde o começo do “platonismo” (iniciado pelos sucessores de Platón na Academía) a fuga da alma do mundo sensíbel e a sua ascensón ao intelixíbel era um assunto que fora mobilizando o interesse dos intérpretes dos Diálogos.  Esta “fuga”, no entanto, adquire em Plotino unha profundidade e unha expressón literária que superam fortemente os seus antecessores e o tornam unha referência, consciente ou inconsciente, de toda a filosofía que equacione a difícil questón do vínculo da alma individual com o seu princípio criador (isto é, com Deus).  Por isso, em Plotino temos a oportunidade de aprender acerca dos pensadores que o precederam (como Platón e Aristóteles, que ele violenta para os obrigar a dizerem cousas que non quixeram dizer) e dos que lhe sucederam (como é o caso da teoloxía cristán e boa parte das metafísicas modernas – Leibniz, Schelling, Bergson -, ás quais se antecipa, deixando-nos ver as tensóns irresolúbeis que pulsam no seu interior).     

antonio dopazo gallego

O “LIBRE ALBEDRÍO” (F 10)

.

               Como vivimos e interactuamos com os outros obxectos do Universo, o “determinismo científico” debe cumprir-se também para as pessoas.  Muitos, non obstânte, aínda acreditam que o determinismo científico rexe os processos físicos, e fán unha excepçón para o comportamento humano, xá que acreditam que tenhem “libre albedrío”.  Descartes, por exemplo, para preservar a ideia de libre albedrío, afirmou que a mente humana era unha cousa diferente do mundo físico e que non seguía as suas léis.  Na sua interpretaçón, as pessoas consistiam em dous ingredientes: corpo e alma.  Os corpos non son mais que máquinas ordinárias, mas a alma, non estaba suxeita ás léis científicas.  Descartes estaba muito interessado na anatomía e na fisioloxía, e considerou que um organo diminuto no centro do cérebro, chamado glândula pineal, era a sede princípal da alma.  A dita glândula, acreditaba el, era o lugar onde se formabam todos os nossos pensamentos, a fonte da nossa libre vontade.  ¿ Teremos libre albedrío?  Se o temos, ¿Em que momento da árbore da evoluçón se desarrolhou?  ¿Teram libre albedrío as algas verdes ou as bactérias, ou o seu comportamento é automático, dentro do reino das léis científicas?  ¿Son somente os seres multicelulares os que tenhem libre albedrío, ou está reservado para os mamíferos?  Podemos pensar que um chimpanzé está exercendo o seu libre albedrío quando decide descascar unha banana ou um gato quando arranha um sofá com as unhas, mas ¿ que sucede quando o vêrme denominado “Cacnorhabdytis elegans”, unha criatura muito sinxéla, que consta tán só de 959 células – e que probabelmente nunca pense para sí – “Outra vez, essa insípida bactéria para xantar?”  Mas, aínda así. talvez, também tenha preferências definidas pola comida e, ou bem se resignará a unha comida pouco atractiva, ou irá forraxear para buscar algo melhor, segundo a sua recente experiência.  ¿É isto o exercício do “libre albedrío”?

stephen hawking e leonard mlodinow

HUSSERL (FENOMENOLOXÍA)

.

               Eu sempre assumi que sabía o suficiente sobre a vida para a ir vivendo mais ou menos ao estilo dos meus pais, um pouco corrixido pelo que a minha xeraçón traz de novo.  A história avança sempre.  Um filho poderá ser quase como o seu pai, mas nunca viverá totalmente como ele, novas taréfas, novas aspiraçóns colectivas, novas descobertas técnicas.  Mas, que sei na realidade do conxunto da vida?  Algunha vez pensei verdadeiramente e, por mim próprio, prescindindo do que desde sempre me foi dito, e mesmo, da pequena experiência pessoal que xulgo ter acumulado a este respeito, sobre como devo viver e com que metas?  Unha verdade inquestionábel é que disponho de um tempo limitado; outra, que a vida é irreversível, que nada se repete, que o que foi possíbel onte, xá o non é hoxe e non o será manhán; outra, que non me sinto no paraíso, embora também non me sinta directamente no inferno; outra aínda, que estou desassossegado, que sei que está nas minhas máns, polo menos unha boa parte do que vai ser de mím.  Há aínda mais verdades das quais non posso duvidar, da mesma maneira que non posso duvidar de que agora vivo e reflícto e tenho dúvidas, problemas, obscuridades e certezas, desexos e aversóns.  Algunhas déstas outras verdades de primeira ordem son, antes de mais, que certas pessoas son muito importantes para mim – logo, portanto, também, de passagem, os fracassos possíbeis nas minhas relaçóns com elas – e que non vexo com nenhuma clareza o que me enchería totalmente de felicidade. 

miguel García-baró

LITERATURA (ZOLA E A SUA ÉPOCA)

.

               Zola viveu a sua xuventude no mundo do Segundo Império.  O Império Napoleónico, repetia-se em farsa, em comédia de xénero, que ocultaba a realidade sórdida do mundo do capitalismo em expansón, lanzado no delírio da carreira colonial.  É o mundo da grande acumulaçón e da exploraçón primitiva, das xornadas de mais de doze horas, e do trabalho infantil.  As barricadas da insurreiçón popular do 48 tinham servido só para que entraram uns quantos mais no banquete do poder.  O presidente da República, disolve a Assambleia e proclama-se Imperador, imitando ó seu tío, Napoleón Bonaparte.  O povo de París, volta ás barricadas.  Mas o Segundo Império, tarda muito em caír.  O rexíme autoritário, apoiado no grande capital e no exército, asseguram o desarrolho económico, fomentando as obras públicas, e permitindo a expansón colonial.  Defende-se bem o prestíxio da França.  É a época das grandes empressas exteriores, em que o capital françês construía o Canal de Suez no Exípto, e comezaba a construçón do de Panamá.  É o período das Exposiçóns Universais, da expansón do ferrocarril e da consolidaçón da Revoluçón Industrial.  França afirma a sua posiçón em África, e pretende conquistar México, através de um Imperador Títere, que acabaría fusilado polas tropas de Juárez.  E, aínda que aquí fracasa, consolida o Império em Indochina.  Mas o sonho Imperial, acorralado pola oposiçón, aspira a unir o país, lanzando-o nunha grande empresa guerreira, contra unha suposta ameaça prussiana.  E o Imperador, cái xunto com os seus soldados, baixo a bota implacábel de Bismarck, em Sedán. Trás esta derrota, o povo de París, aproveita para um “goberno de defesa nacional”.  Proclama-se a Segunda Républica e organiza-se unha guerra nacional, com civís armados.  Mas a resistência civíl, é derrotada.  París, rende-se, e França têm que firmar unha paz humilhante, na que perde parte do seu território e resígna-se à ocupaçón militar.  O povo de París, volta a resistir, e o goberno que firmou a paz, têm que fuxir.  A Revoluçón popular, ocupa outra vez as ruas e fai-se com o poder.  O Manifesto de Abril, proclama um proxecto de Estado, constituido por unha federaçón de Comunas Libres e Autónomas.  Mas, trás este manifesto, chega a represón de Maio (a “Semana Sangrenta”).  Despois de um período de transiçón na que se logra a retirada das forzas alemáns de ocupaçón, proclama-se a Terceira República, que foi atravessando períodos de consolidaçón e impulsando unha potente política de expansón colonialista.  Esta relativa tranquilidade interior quedaría truncada por um proceso xudicial, que conmoveu a todo o país, e que practicamente o polarizou: o célebre caso “Dreyfus” no que Émile Zola tivo unha participaçón destacada e decissiva.  O 22 de Decembro de 1894, tivo lugar em París o xuízo ó capitán Dreyfus, de ascendência xudía, acusado de alta traiçón.  Um engano, e um exacerbado patriotismo de filiaçón antisemita, puxeron na picota a um inocente.  Ó caso non faltavam os ingredientes mais folhetinescos.  Um inocente é inculpado e enviado à fortaleza da Ilha do Diábo.  O verdadeiro culpado, o comandante Esterhazy, que tinha passado documentaçón secreta a outra potência extranxeira, quedaba absolto.  Ó princípio, Zola tinha acreditado na culpabilidade de Dreyfus, mas pouco a pouco, foi descubrindo unha obscura trama de intereses.  Estudou o caso com o mesmo procedimento que usaba nos seus românces naturalistas, analizou, revisou, comparou.  E, chegou à conclusón que o capítan era inocente.  Publicou um primeiro artigo no “Le Figaro” o 25 de Novembro.  Dous meses mais tarde, quando o falso inocente foi absolvido, Zola dirixiu-se à máxima instância do país, o xefe do Estado, num longo artigo: Carta a M. Félix Faure, Presidente da República.  O entón director de “L’Aurore”, o famoso “tigre” Clemenceau, publicou-o com o título que habería de ser famoso: ¡¡Eu acuso!!  

r b a editores, s. a. – BARCELONA

LEIBNIZ (UNIVERSIDADE DE LEIPZIG)

.

               Em 1661, Leibniz entra na Universidade de Leipzig para assistir às aulas de filosofía dadas por Jakob Thomasius, em especial sobre Aristóteles, e frequentar a introduçón a Euclides dada por Johann Kühn, xuntamente com o estudo da poesía grega e latina.  Aprendeu muito com o filósofo, mas lamentou em toda a sua vida a confusón das aulas de matemática com Kühn, lamentava non ter conseguido passar a sua xuventude em París como Pascal, mas, para encontrar os grandes matemáticos da época em París, terá de esperar alguns anos.  Jakob Thomasius – pai do também filósofo Christian Thomasius -, que tinha sido o fundador do estudo científico da história da filosofía na Alemanha e um incipiente defensor da igualdade das mulheres, nunha época em que lhes estaba vedado qualquer acesso ao desempenho de tarefas na vida pública e ao mundo intelectual, teve unha notável influência no seu discípulo, que, por sua vez, trocaría correspondência com as mulheres mais erudictas do seu tempo, como lady Conway, lady Masham ou Madeleine de Scudéry; por outro lado, orientou a sua dissertaçón para obter o título de bacharel e chamou-lhe Disputa Metafísica sobre o Princípio de Individuaçón (Disputatio metaphysica de principio individui).  Em 1673, Leibniz defendeu e publicou este ensaio, que será fundamental para o desenvolvimento posterior da sua metafísica; nele xá se encontra a orixém da monadoloxía e do princípio dos indiscerníveis.  Parece que foi pouco depois de terminar o bacharelato que os escritos dos modernos vieram parar às suas máns e o fizeram duvidar das formas substâncias, obrigando-o a abandonar paulatinamente a filosofía escolástica em prol da nova física, a mecânica cartesiana.  Como recordará nunha carta a Nicolas-François Rémond, quase no fim da sua vida, tinha reflectido profundamente sobre isto enquanto passeava por um pequeno bosque nos arredores de Leipzig, conhecido como Rosenthal, e este episódio mudaría, durante unha época, a sua orientaçón intelectual.

concha roldán

AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (71)

.

               Nas Chrônicas de España vêm a narrativa dos Sortiléxios, ordenados pola célebre concubina de Pedro o Crú, María Padilha, para impedir que a rainha desse á luz, estando com as dores de parto.  A História de todas as naçóns, rexistra outros factos de idêntica natureza, quer dicer, que afirma o poder da maxía.  Foi na Grécia, onde as mulheres, segundo a história, se dedicaron ás artes maxícas.  Notábeis forom as célebres “Pitonisas”, conhecidas polos nomes das terras ou das rexións onde se labrabam os seus mistérios, sendo citadas por Heráclito e outros escritores gregos.  A Sibyla de Cumas, unha das mais notábeis, a de Delphos, a da Ilha de Samos, a de Eritrea. etc…  Da forma como os escritores as reférem, podê-se supor que todas estas sacerdotisas, non passavam de unha figura arcáica, xá que para que o que contam as Chrônicas, fosse verdade, a famosa Pytia, necessáriamente tería que ter vivído durante séculos.  O que se debe ter por mais certo, é que, em cada unha daquelas cidades, había unha sacerdotisa notábel polos seus sortiléxios e, por feitos atribuídos à maxía.  Na História da maxía, figuram outros singulares, que ela non refutou, nos seus rexistros. Entre eles, um dos mais notábeis foi o sábio Mérlin, filho de unha sacerdotisa Gaulesa, que logrou salvar a vida, atribuíndo a sua fecundaçón ós Deuses ( porque a pérda da virxindade entre os Druídas, era sempre punída com a morte das Druidêssas profanadas).  O filho dos Deuses, representou um papel importante na invasón da Caledônia polos Saxóns, chamando o povo ó combate com os seus cânticos exaltados, que lhe déron unha celebridade e um prestíxio, invocando a protecçón dos Spíritos Celestes.  

manuel calviño souto

PITÁGORAS (PRÓLOGO)

.

               Começo por evocar um relato, provavelmente conhecido do leitor.  Conta Cícero nas suas Tusculanae Disputationes que, tendo Pitágoras chegado à cidade de Fliunte, na Argólida, rexión do Peloponeso, teve ocasión de conversar sobre diversas questóns com o governante local Leonte, ou León, segundo as traduçóns, que, estupefacto perante o saber  do seu interlocutor, acabou por lhe perguntar indirectamente qual era o seu ofício.  O viaxante tería respondido que non era especialista em nada em particular, mas era “filósofo”.  Aparentemente o termo filósofo era desconhecido para o interlocutor de Pitágoras, pelo que  este o ilustrou com unha alegoría.  Nos xogos olímpicos, ou simplesmente nas animadas feiras das cidades gregas, há pessoas que obtêm proveito a comprar ou a vender mercadorias, outros expôem a sua destreza corporal, pondo-a à proba em competiçóns e, finalmente, uns terceiros, aos quais Pitágoras atribui o comportamento mais digno de consideraçón, non procuram proveito a competir ou a negociar, mas limitam-se a observar uns e outros, atentos ao que acontece e á forma como acontece.  Pois bem, tería concluído o viaxante, tal como nas feiras, também na vida é um comportamento mais digno de elóxio ser observador desinteressado do decorrer das cousas do que ter unha actividade ou ofício determinado por interesses prácticos.  Cícero pón, por sua vez, este episódio na boca de unha autoridade, o filósofo Heraclides Pôntico, que tería frequentado Aristóteles, mas também o herdeiro de Platón na Academía, Espeusipo.  Da lendária figura de Pitágoras diz-se que foi um grande matemático a cuxa escola se atribuem audázes hipóteses em astronomía ou em música, assim como a teoría do movimento da Terra em redor de um “fogo central” (non o Sol), ou as relaçóns aritméticas que alicerçam a escala musical.  Mas, para além disso, nesse diálogo com o governador de Fliunte, Pitágoras tería sido o primeiro a usar o qualificativo de “filósofo”, aplicando-o, como vimos, a si mesmo.  A precisón de que carece de ofício concreto, feita pelo viaxante em resposta a Leonte, traz de imediato á mente esta ousada afirmaçón de Aristóteles (Metafísica A, I, 982 a 8-10):  “Consideramos, em primeiro lugar, que o filósofo conheça todas as cousas, tanto quanto isso sexa possíbel, mas non, que ele tenha ciência de cada cousa individualmente considerada.” 

víctor gómez pin

DO SANTO ROSÁRIO E DAS FILHAS DE MARÍA

.

               Ainda assím, a pesar de estar desmediádo, com unha parte no mundo e a outra no inferno, no 5º ano encargaron-me a responsabilidade de dirixír o Rosário dos sábados, de cara ós feligreses.  Tivo que ser porque lía e entoaba muito bem.  A igrexa do velho coléxio dos xesuítas, a onde se tinha trasladado o Seminário desde as montanhas de Lebanza, estaba aberto ós fieis.  Era capela privada e templo colectivo.  Unha gráde aberta separaba o presbitério, onde se axoelhabam os seminarista, da nave central onde se axoelhabam os fieis.  E na fila divisória da gráde, había um púlpito para os sermóns e préces.  Eu continuaba como capelán, só que mais trabalhoso, pois aquilo, como xá se dixo, ademais de capela era parróquia e,  das mais concurridas e ricas.  Descubrím por azar, cousa que nunca me perdo-ou o confessor, aínda que sim o professor de Literatura, unha novela de Pérez de Ayala: A. M. D. G. Deus, que sacriléxio contra os Xesuítas.  E parecía desarrolhar-se alí, em San Zoilo. Ó confessor só o procuraba, na medida em que os xesuítas eram também Igrexa, e o seu descrédito redundaba no descrédito de todo o corpo místico, que assím se chamaba à totalidade da Igrexa. Mas ós xesuítas non lhes tinha ningunha simpatía.  De este confessor e padre espiritual, que era novo, comezaba a estar até ós mesmos colhóns: non era como o outro, o de Lebanza, que era  como mais paternal.  Pese a tudo, dirixím o Rosário dos sábados e o templo estaba abarrotado.  Em especial as Filhas de María, que era unha espécie de cofradía da Virxém.  As Filhas de María eram o que comúnmente se chamaba unhas beatas.  Mas entre elas incrustabam-se algunhas xóvens que, ó segundo sábado, me recordaron sem remédio á monxa capelana.  Había duas que se axoelhabam, invariabelmente, no segundo banco, muito perto do púlpito.  Pode parecer unha bobáda, mas chamaba-me à atençón que unha fosse morena e retínta e a outra loura e dourada como unha patêna.  As duas, segúndo o padre espiritual, eram imaxens vivas do pecado.  Bom.  Pois a mím, desde o púlpito, vestido com roquete e seguramente sacrílego na minha alma, parecíam-me o único maravilhoso de unha igrexa fría e fea, num povoado abundante em románico e enclave importante da velha ruta xacobeia.  Alí nasceram os Infântes de Carrión, nobres felóns que ultraxaram as filhas do Cid, Dona Elvira e Dona Sol.  Isto era o que decíam as lendas, orientadas a exaltar as virtudes de Rodrigo Diaz de Bibar.  Perto do Seminário había um lugar onde tinha estado o palenque do “xuízo de Deus”, entre os Infântes e os cabaleiros que sostinham a honra do Cid.  O Cid era tema de fortes resonâncias políticas mais que literárias.  Xá non era o Cantar de Mio Cid, peza fundacional da língua e da poesía castelhanas, era o símbolo em sí; Castela facedora da grandeza da Espanha.  Um “xuízo de Deus”, iba caír um día sobre mím, pois dirixía o Rosário sabatino, com um olho posto na loura, e o outro na morena.  Com frequência se me iba o santo ó céu, mais atento ó fervor das nenas, que á minha própria unçón.  Parecía impossíbel tanto recolhimento em tán grandes fermosuras.  E aínda que nunca soubem o seu nome.  As ensonhaçóns que com elas tivem substituirom logo o recordo da irmán Azucena. Comprobar tamanha capacidade de olvido aflixíu-me.  Había entón polos Campos Góticos e na Terra de Campos, a ideia de que a Fermosura, e mais se se facía obstentacón dela, podía ser motivo de escândalo.  Toda mulher era culpábel.  Cousa extranha estes rigores com as mulheres, se toda a arquitectura do catolicismo se baseaba no culto a María, virxém e nái simultaneamente.  Éste era o meolho: a virxindade.  Mas a continuidade do xénero humano é a maternidade, com o qual o estandarte do virgo perdía sentido.  Era inclúso contrário ós desígnios de Deus, que tinha ordenado: “crescei e multiplicai-vos.”  O enigma resolvía-se considerando muito importântes as mulheres, aínda que no campo do divino, de inferior xerarquía social que as virxens.  Para todos os efeitos, era igual estar casadas que solteiras, se as relaçóns com os homes non estabam dirixidas a procrear.  As que non procreabam e tampouco guardabam abstinência, nada: cero.  Por isso a castidade era o estado perfeito.  Só que com esse estado perfeito, o home, ou sexa, a obra cume de Deus, iría pró caralho.  Non había, pois, mais remédio que passar polo aro e, reconhecer que o mundo era possíbel graças ás guarradas que homes e nulheres facíam.  Por conseguinte, era explicábel a necessidade de meter doutrina a tudo isto, pois polo buraco da procreaçón se podíam infiltrar furacáns de luxúria e de prazeres.  Poucos sistemas políticos, ou ningúm; poucas construçóns ideolóxicas están tán subtilmente trabados como as doutrinas da Igrexa.

javier villán e david ouro

RORTY (VOLTAR AO PRAGMATISMO?)

.

               O problema non acabava aí.  Tal como outros pensadores da sua xeraçón, promoveu a restauraçón de um movimento intelectual norte-americano que desde a Guerra Fría tinha passado para segundo plano, o pragmatismo.  Quando Rorty começou a comentar ideias e lemas desta tradiçón intelectual, a campanha neopragmatista xá estava em andamento.  Todavía, assim que Rorty começóu a participar nela, a sua defesa dessa tradiçón foi considerada unha traiçón, de modo que a causa pragmatista acabou dividida em sí própria.  John Dewey, o fundador do pragmatismo xuntamente com Charles Sanders Peirce e William James, tinha sido um intelectual da envergadura de Bertrand Russell, com muitas facetas e grandes aspiraçóns, com afán teórico e repercusón práctica.  E esperáva-se muito da sua resurreiçón. Dewey – diziam muitas vozes – non tinha sido “só” um educador, um psicólogo social, um politólogo, um polemista, um cronista ou um historiador, mas também um pensador com unha terminoloxía profunda e especial e unha autoridade semelhante à de um grande pensador europeu.  A sua reanimaçón podía inspirar unha nova filosofía, entendida como visón total e non como unha mera técnica pericial ao estilo analíctico.  No entanto, Rorty acrescentava a sua nota dissonante ao acordo nacional e proclamava, sem rodeios, que xá tinha passado a época dos grandes pensadores, tal como tinha acabado o mundo das grandes ideoloxías e da História. O mundo tinha-se complicado enormemente, e se os filósofos podíam continuar a ser úteis, non era desenhando grandes visóns teóricas nem  adoptando o papel de figuras exemplares ou de líderes morais.  Dewey dissera muito sobre o passado e o futuro das democrácias, contudo, non fazía sentido evocá-lo como um grande teórico, mas apenas – julgava Rorty – como um imaxinativo cronista da sociedade pós-ilustrada e como um crente no seu país, entendido como unha experiência e non como um Destino ou unha Excepçón.  O conflícto de interpretaçóns estava servido, porque os lemas do pragmatismo eram extremamente vagos.  Os velhos pragmáticos tinham dito cousas como: a funçón da mente non é reflectir de forma passiva a ordem do universo, mas desenvencilhar-se engenhosamente com as cousas, entendendo “cousas” na acepçón comum da palabra (precisamente a que os gregos atribuíam a prágmata: assuntos entre máns, problemas, tarefas, planos).  Também afirmaram que, as ideias abstractas têm significado se forem traduzidas em acçóns, e que a ciência é unha empressa falível, experimental e criativa.  Todos estes lemas poderiam associar-se a unha teoría do conhecimento pragmatista da mesma forma que outros lemas, também vagos, poderíam associar-se a unha teoría política pragmatista; por exemplo, que a democrácia non consiste apenas em deliberar nem em chegar a acordo, mas em fazer essas cousas em certas condiçóns, num determinado clima de diálogo e com certas disposiçóns aprendidas, ou que a política non é possíbel sem educaçón e, a educaçón non é possíbel sem política (dialéctica?), ou que os problemas sociais requerem um tipo de investigaçóns que non depende apenas de especialistas.

ramón del castillo

O DETERMINISMO CIENTÍFICO (F 9)

.

               ¿Há milagres, ou excepçóns às léis?  As opinións sobre esta pergunta, sempre estiveron drásticamente divididas.  Platón e Aristóteles, os escritores gregos antigos mais influintes, mantiveron que non podía haber excepçóns às léis.  Mas, adoptando o ponto de vista Bíblico, Deus criou as léis, mas pode-se-lhe rogar, mediante plegárias, que faga excepçóns – para curar um doente terminal, por fím inmediatamente às sequías, ou fazer que o “croquet” volte a ser um desporto olímpico – .  Opondo-se ó ponto de vista de Descartes, quase todos os pensadores cristáns mantiverom que Deus debe ser capaz de suspender as léis para fazer milágres.  Incluso Newton acreditou, em milágres deste tipo: acreditou que as órbitas dos planetas seguramente eran inestábeis, a causa da atracçón gravitatória entre planetas produciría nas suas órbitas perturbaçóns que cresceríam com o tempo, com o resultado de que os planetas ou bem cairiam para o Sol, ou bem seríam expulsos do sistema solar.  Deus debía, pois, estar reiniciando as órbitas, acreditaba el, ou “dando corda ó relóxio celeste”, sem o qual este se pararía.  Non obstânte, Pierre-Simón, marquês de Laplace (1749 – 1827), conhecido habitualmente como Laplace, arguíu que as perturbaçóns deberiam ser periódicas, é dicer, marcadas por ciclos repetidos, em lugar de serem acumulativas.  O sistema solar polo tanto se estabilizaría a sí mesmo, e non habería necessidade de intervençón divina, para explicar por qué sobreviveu até ó día de hoxe.  É a Laplace a quem se costuma atribuir a primeira formulaçón precisa do “determinismo científico”:  dado o estado do universo num instante determinado, um conxunto completo de léis determina completamente tanto o futuro como o passado.  Isto excluiría a possibilidade dos milágres, ou um papel activo de Deus.  O determinismo científico que Laplace formulou é a resposta dos científicos modernos á segunda pergunta.  É, de feito, a base de toda a ciência moderna, e um princípio que desempenha um papel importante ó largo do libro.  Unha léi científica non é tal, se só se cumpre quando algúm ser sobrenatural decide non intervir.  Com referência a ésta questón, dí-se que Napoleón perguntou a Laplace, que papel desempenhaba Deus, e que Laplace respondeu:  “Senhor, non necessitei essa hipótese”.  Como vivemos e interacionamos com outros obxectos do universo, o determinismo científico debe cumprir-se também para as pessoas.  Muitos, sem embargo, aínda que aceitem que o determinismo científico rixe os processos físicos, fán unha excepçón para  o comportamento humano, xá que acreditam que existe o “libre albedrío”.

stephen hawking e leonard mlodinow