Arquivo por autores: fontedopazo

PASCAL (A MORTE SERÁ A GRANDE CERTEZA)

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               Com apenas três anos de idade, Pascal e as suas irmáns perderam a nái.  A sombra deste triste e doloroso acontecimento marcou profundamente o carácter de toda a família e, em especial, o de Blaise.  Um encontro tán precoce e directo com a morte fê-lo ter sempre em mente que esta pode chegar a qualquer momento, e que o homem, por mais que tente negá-la ou escondê-la por detrás daquilo que o mundo lhe proporciona, non se pode esconder dela nem prevê-la.  Na filosofía de Pascal, a morte será a grande certeza, unha pedra de toque a partir da qual se deve xulgar tudo o resto.  Passado algum tempo, em 1631, a família mudou-se para París,  e um ano mais tarde começou a educaçón de Pascal, da qual se responsabilizou pessoalmente o pai, que non só era bom conhecedor das leis, mas também muito culto e bom matemático.  Sobre o método pedagóxico de Étienne sabemos que era orientado pola ideia de que a criança se devía deixar guiar pela sua curiosidade e que ela, e apenas ela, determinaría o conteúdo das aulas.  O jovem Blaise revelou desde o início unha notábel intelixência.  Aprendeu rapidamente e foi um grande autodidácta.  Com apenas 11 anos escreveu a sua primeira obra de carácter científico, Tratado sobre os Sons (Traité sur les sons), e aos 12, segundo conta a sua irmán nunha biografía que lhe dedicou, Vida de Monsieur Pascal, escrita pela irmán, Madame Périer (La Vie de Monsieur Pascal par sa Soeur, Madame Périer), deduziu por si próprio, sem sequer ter tido as aulas de matemática suficientes, até ao teorema trinta e dous do primeiro libro de Euclídes.  O pai, surpreendido e entusiasmado com tais proezas, decidiu que a educaçón do filho se centraría no estudo das ciências, embora sem esquecer outros saberes; por isso, ensinou-lhe também latím e grego desde o início.

gonzalo muñoz barallobre

AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (73)

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               Orixem do Cristianismo.  A Humanidade non sempre foi como actualmente a vêmos, xá se sabe com certidûme científica, que o home levou unha existência semelhante à dos animais.  A miséria física dos homes primitivos que vivian nas cavernas, despidos e errantes, sem mais abrigo que as covas feitas à mán, sem mais ferramentas que as pedras arrincadas do chán.  Arrastou durante muitos  séculos unha vida miserábel, até que à custa de lutas e esforzos infinitos a conseguiu modificar.  Os primeiros homes passabam a vida ó ar libre, recebendo as impresóns directas da Natureza: chúvia, vento, tempestades, furacóns, trevoádas, neve, relâmpagos, etc…  A apariçón e desapariçón regular do Sol, com a sua alternativa de luz e sombras, inspiraba sentimentos de alegría ou terror.  Vendo-o marchar sobre as suas cabezas, sem poder alcanzá-lo nem dominá-lo, críam-no animado como eles, e dotado de condiçóns superiores,  pelo que lhe implorabam para pedir a sua luz e o seu lume: chamabam-lhe o “brilhante” (em Sânscrito Dewa), do qual derivou  Deus.  Como traía com a sua luz a vida, classificarom-no de Bom, por oposiçón às tébras que eram malas.  Razoamênto, que volta a encontrar-se no Xúpiter Boníssimo dos gregos, e a Bona Dêa dos latinos, e o bom Deus dos modernos.     

manuel calviño souto

RAWLS (INFÂNCIA E XUVENTUDE)

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               Durante a infância e xuventude, Rawls forma o seu sentido de xustiza, observando como a nái defende os direitos das mulheres, mas também por sentir na pele como os afro-americanos son tratados na sua cidade natal.  Nas escolas habia segregaçón racial, e a amizade inter-racial non era bem vista na rua, o que trouxe certos problemas ao xovem Rawls quando ía à casa do seu amigo Ernest, um menino  afro-americano que vivia num dos subúrbios da cidade reservados à  populaçón negra.  Rawls pôde igualmente verificar em primeira mán o classismo associado à pobreza durante os veráns passados  a navegar na baía de Chesapeak, altura em que travou amizade com os meninos brancos pobres que trabalhavam à volta do porto.  Acima de tudo, Rawls sentia-se muito feliz, mas injustamente feliz por desfrutar dos priviléxios e das oportunidades que a sociedade negava a tantos outros.  Assim que concluiu a licenciatura em Princeton, em Febreiro de 1943, em plena Segunda Guerra Mundial, Rawls alistou-se no exército e foi destacado para a frente do Pacífico.  Passou ali dous anos, na Nova Guiné, Filipinas e, por fim, na ocupaçón do Xapón imediatamente depois do bombardeamento de Hiroxima. Por ter estudos universitários, Rawls foi incorporado nunha unidade de serviços de informaçón.  Integrado em equipas de sete ou oito homens, realizava tarefas de reconhecimento de posiçóns inimigas.  Participou pouco em combate, embora tenha sido condecorado pela sua perícia na utilizaçón do rádio.  Em certa ocasión, depois de perder o capacete, foi ferido na cabeça pela bala de um atirador furtivo.  Noutra ocasión, foi preso por se recusar a castigar um soldado que tinha insultado um tenente.  Após a guerra, recusou fazer carreira na instituçón militar, que consideraba muito “triste”.  Anos mais tarde, descreveu a sua passaxem pelo exército como “particularmente medíocre”, tendo em conta que um dos seus irmáns chegou a ser piloto na frente europeia e um herói de guerra.   A sua educaçón moral acabou de se formar nesse período bélico.  Três episódios da guerra marcaram a sua vida.  O primeiro foi ouvir dos pregadores protestantes que Deus benzia as balas americanas e  protexía os soldados do seu reximento das dos xaponeses.  Pensou que non se devía utilizar a relixión para mentir dessa maneira nem mesmo para levantar o ânimo das tropas.  Como bom filósofo, Rawls ficou indignado por se dar primazia ao consolo em detrimento da verdade.  O segundo incidente foi verificar que a sorte voltava a estar do seu lado enquanto a adversidade levava outros.  Um colega do exército chamado Deacon e ele tornaram-se amigos ao partilharem as tarefas de rádio e vixilância.  Um dia, o coronel no comando ordenou-lhes que um deles se dirixisse à enfermaria para dar sangue a um soldado ferido, enquanto o outro devia localizar as posiçóns xaponesas.  Mais unha vez, Rawls sobreviveu, pois o seu tipo de sangue era o único compatíbel.  O seu amigo Deacon non regressou da missón: fora morto por unha bomba.  O terceiro episódio foi conhecer o horror do Holocausto.  Rawls, que durante o curso tinha mostrado interesse por questóns teolóxicas, depois disso non conseguiu evitar pensar no seguinte:  porque é que Deus se ia preocupar em salvar a sua alma, a dos seus amigos ou a da sua família, se non era capaz de salvar os milhóns de xudeus de Hitler?  Isso acabou com a sua fé relixiosa.

ángel puyol

DO INDEX LIBRORUM PROHIBITORUM

 

 

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                E fún-me confesar, sabendo que iba a ser a última vez que o fixéra:  primeiro confesei-me de Camilo José Cela.  Mas, como “a laranxa é unha fruta de inverno”, non me tinha turbado em excesso, nem sequer algunhas luxúrias que tinham lugar no estáblo, acusei-me de “La Família de Pascual Duarte”, do “Viaje a la Alcárria” e de outros títulos que non tinha lido nunca, mas só ouvido falar deles.  Xá tinha o “Torquemada” aquel, castrador de libros, matéria suficiente para continuar falando que eu era um maldito copiador de Cela.  Parar-me aquí, houbera dado o triunfo ó inquisidor, e eu non quería que triunfara.  Assim que, seguím acusando-me de ter lido a Baroja, e o canalha dixo-me que se se trataba de Xudeus, Comunistas e demais ralea, que bem, que valía.  Mas eu non quería entrar em detalhes, ademais de só conhecer a Pío Baroja por unha antoloxía.  Igual que a Unamuno, que era a “bestanegra” do confesor.  E que Unamuno, había metido turbaçón na minha alma e semeado dúvidas na minha fé com: Agonía del Cristianismo e com Sentimiento Trájico de la Vida.  E, xá no disparador, até do “Índice” me acusei, o”Index Librorum Prohibitorum”, da Suprema Congregaçón do Santo Ofício, ediçón de 1948, que me tinha prestado o professor de Latím.  A este, o Índex Librorum Prohibitorum tinha-o sem cuidado.  deixáramo para que, através do Código de Dereito Canónico que vinha nél, e dunha “Instructio” dirixida ós Bispos, puidera discernir entre o “Latím Clássico” e o “Latím Xurídico” da Igrexa.  A Instructio da Congregaçón do Santo Ofício, a firmaba em 1927, um cardeal de inequívoco apelhido espanhol:  Merry del Val.  O Codex Iuris Canonici, decía o que podía ou non podía editar-se e a Instructio Sanctí Oficii, razoaba doutrinalmente os fundamentos das prohibiçóns.  Estes vinham a ser, mais ou menos, a defesa da fé, a condena da sexualidade e a prevençón da “líbido”.  De política especifica parecia-me que a Instrucçón de Merry del Val non falaba.  Mas deixaba à autoridade da Igrexa, cousas sobre as boas costumes, a obediência ó poder xusto, a ordem.  Segundo essas xeneralidades, qualquer doutrina; desde o Liberalismo, ó Comunismo, podía cair no Índex Librorum Prohibitorum.  Disto, non me lembro muito.  Do que sím me acordo é das palabras que mais se repetíam naquela Instructio ad Episcopos, comezando pelo título,  De Sensuali et de Sensuali-Mystico Genere:  Sensualitas, Fornicatio et omnis inmundictia, Lascivus, Turpidus, Obscenissima, Procaciter, Impudictia, Vitia Carnalia, Lenocinius, Effrenata Libido, Amoribus impudiciis.  Olho, pois, também com as trampas dos amores místicos.  Desde certo ponto de vista, era normal ésta insistênça nos temas da carne, pois era assunto que estaba ao alcance de todos.  Os libros de política e filosofía xá se prohibíam eles solos; pois únicamente os entendidos, os especialistas, e estes tinham bula.  O que importaba à Igrexa era a fé, de interpretaçón exclusíva e restrinxída, e a castidade de obrigado cumprimento.  Mediante estes dous factores domina-se e mantem-se unida a grey do Senhor.  Sem reparar na minha inocência, o padre espiritual dixo-me que aquelas leituras das que me acusei, eram tán atróces, que non podía dar-me a absolviçón.  E, entón, respondím humildemente: “Padre, que aínda non terminei”.  E, quase lhe deu um sopôncio.  Mas, tivo que resignar-se ó martírio, e eu a um finximento tán cruel que, me facía dano a mím mesmo.  Das leituras, passei à conducta moral.  Contei-lhe o da monxa capelana, mas, em grande.  Ou sexa, non aqueles limpíssimos roces de mán, senón pecados verdadeiros, tocamentos e manuseios, aínda que sem esaxerar;  convertía-me no “Grande Masturbador”, pobre de mím, víctima quase sempre de ensonhaçóns e poluiçóns involuntárias.  Mentras escutaba as minhas malignidades, o confesor tremía, sudaba e mudaba de cores: do rubicúndo da ira à lividez  da morte, do branco ó azul amoratado. Íba inventar algo, sobre as duas “querubins” do Rosário Sabatino, quando se levantou do confessionário, esgrimindo o crucifíxo, mirou-me como se fora satanás, e fuxíu desaforado prá sacristía.  Ou sexa, que ó padre confesor lhe tinha dado onde mais lhe doía:  na concupiscência e no descreimento.  Mas, eu era inocente, como pode comprobar-se.  Tratába-se de unha vinganza, que só um fanático como el era incapaz de descubrir.   

javier villán e david ouro

BERKELEY (DOS PRINCÍPIOS DO CONHECIMENTO À ÁGUA DE ALCATRÓN)

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               Berkeley é autor de unha obra non muito extensa, bem escrita, com títulos orixinais.  Aos 25 anos, em 1710, escreveu o Tratado sobre os Princípios do Conhecimento Humano, o livro que mais o identifíca.  Nele refuta o escepticismo, a idolatría, o fatalismo e, naturalmente, o ateísmo, a par de reconhecer o êxito da ciência e a necessidade de a relixión se apoiar nos seus pressupostos.  Antes do Tratado, Berkeley xá tinha publicado as obras Arithmetica e Miscellanea Mathematica (1707) e o Ensaio para unha Nova Teoria da Visón (1709), e redixido os Comentários Filosóficos (entre 1708 e 1709, embora só tivessem sido publicados em 1871).  Três Diálogos entre Hilas e Filonous (1713), onde enfrenta o materialismo e o imaterialismo através dessas personaxens, acaba por ser unha obra-prima em língua inglesa e unha adaptaçón, no sentido mais pedagóxico, das propostas que Berkeley realiza no Tratado.  Em 1721, surxe De Motu (Sobre o Movimento), um texto de filosofía natural cuxa finalidade era axustar algunhas contas com a teoría do seu admirado Newton ao rexeitar as propostas de espaço e tempo absoluctos, o que o aproximaría da física moderna.  Além do mais, nesse mesmo ano publicou o Essay on the Ruine of Great Britain (Ensaio para Prevenir a Ruína da Grán-Bretanha), no qual propunha unha série de soluçóns para combater a crise financeira de 1720, Em 1732, apareceu Alciphron ou o Filósofo Minucioso, a sua obra mais extensa e bela, na opinión do filósofo italiano Augusto Guzzo, sete diálogos escritos e situados nunha espécie de comuna em Rhode Island que evidenciam a sua inquietaçón pela constante deriva para a secularizaçón.  Em 1734, foi publicado O Analista, ou Um Discurso Dirixido a Um Matemático Infiel, a que se seguiu, em 1735, A Defence of Free-thinking in Mathematics (Defesa do Livre-Pensamento em Matemática).  Nestes textos matemáticos, Berkeley contesta dous dos grandes cientistas da época, Edmund Halley e Isaac Newton.  A sua derradeira obra, se exceptuamos os diários de viaxem por Itália, publicados postumamente em 1871, tem um título tan longo quanto surpreendente: Siris, Unha Cadeia de Reflexóns e Investigaçóns Filosóficas sobre as Virtudes da Água de Alcatrón, e Outros Distintos Temas Vinculados entre Si e que Surxem Uns dos Outros.  O libro, publicado em 1744, enaltece as virtudes da água de alcatrón, unha espécie de elixir que Berkeley xulgaba capaz de  combater qualquer tipo de doença.  O nosso autor começa muito xovem, non sem um certo atrevimento, com um Tratado sobre os Princípios do Conhecimento para terminar por reflectir sobre a água de alcatrón. Este traxecto, que vai da epistemoloxía à alquimía, demonstra perfeitamente a apaixonante variedade que se deu na vida de Berkeley.  Foi um estudioso da matemática, da filosofía, da lóxica e das humanidades clássicas, e foi professor de filosofía, teoloxía, hebraico e grego, viveu em Dublin e Londres, e viaxou por França, Itália e Estados Unidos;  paralelamente, como xá vimos, foi deán em Derry e bispo da pequena diocese de Cloyne, na Irlanda, Filantropo, polemista, missionário, conservador, humanista comprometido e valente, como convêm a alguém capaz de discutir o inquestionábel Newton.  E, fundamentalmente, um estudioso contumaz a quem agradava brincar com o significado greco-latino dos nomes das personaxens das suas obras, associados sempre a unha virtude ou característica.  Ele era um erudicto que se esforçava por partilhar a sua erudiçón, algo muito comum nos autores anglo-saxónicos.

luis alfonso iglesias huelga

GALEGOS LISBOANOS (DIOGO ALVES)

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               Diogo Alves, nace en 1810 en Santa Gertrude de Samos, en Lugo, un pobo de actualmente pouco máis dun milleiro de habitantes. Atribúenselle popularmente entre 70 e 100 asasinatos durante un período de aproximadamente tres anos, entre 1836 e 1839, aínda que as autoridades nunca conseguiron probar o número exacto.  Fillo de campesiños, cuns trece anos múdase a Portugal na procura dunha vida mellor, un camiño que tomaron moitos galegos durante o século XIX.  Establécese en Lisboa, onde comeza a traballar en casas de familias ricas da cidade coma mozo de cabalería e cocheiro.  Pese a que empeza sendo un traballador exemplar, pronto se converte en afeccionado ao viño e ás tabernas e a ter relación cos criminais da cidade, mentres vai perdendo calquera vínculo cos seus pais e a súa terra.  Perde un traballo tras outro, por causa dos seus malos hábitos, e adquire fama na cidade de irresponsable no que non se pode confiar. Tras un episodio agresivo co seu último empregador.  Diogo Alves perde calquera posibilidade de traballo coas familias ricas e os comerciantes da cidade.  Sen outra forma coa que gañar a vida, xunta a un grupo de criminais e monta unha cuadrilla de ladróns e asasinos que terminarían por sementar o pánico en toda Lisboa.  Di a historia popular de Lisboa que por esta época Diogo Alves namórase perdidamente de Gertrudes Maria, a dona dunha das tabernas e casa de fados de mala reputación que o criminal frecuentaba, nunha pequena rúa de nome Águas Boas.  Máis coñecida coma “A Parreirinha”, contan que esta muller, no seu anhelo de facerse máis rica, instigaba o galego a cometer estes crimes para poder vivir do roubado.  Pese a ser Diogo Alves quen cometera os roubos e asasinatos, nos folletos e xornais da época é ela quen aparece retratada coma a responsable das decisións do  galego.  O odio popular, en lugar de dirixirse ao asasino, recae na Parreirinha, que é presentada como unha amante malvada que utiliza as súas “armas de mulller” para manipulalo.  A sociedade portuguesa do momento, profundamente relixiosa e machista, non ve con bos ollos a Gertrudes Maria, separada do seu marido e con dous fillos, e as crónicas retrátana coma a principal culpable do cambio de vida de Diogo Alves.  Quen podería ter sido un ladrón ou un asasino calquera, pasa á historia non só polo exorbitante número de mortos que deixa tras de si, senón tamén polos seus estraños e orixinais métodos.  Diogo Alves comete a maioría dos seus crimes no acueduto das Águas Livres,  dende onde lanza as vítimas ao baleiro facéndoas pasar por suicidas. 

claudia vázquez

POPPER (AUTOBIOGRAFIA INTELECTUAL)

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               Na sua Autobiografia Intelectual, Popper afirma que, logo na sua mais tenra xuventude, o seu espírito sofreu o impacto de dous acontecimentos decisivos, que iriam configurar para o resto da sua vida os pilares do seu pensamento; o da filosofía da ciência e o da filosofía social e política.  Estes dous acontecimentos foram, por um lado, a publicaçón da Teoría da Relatividade de Einstein e, por outro, os gráves conflictos políticos produzidos no fim da Grande Guerra.  Nos próximos capítulos, centrar-nos-emos na sua importância no pensamento de Popper.  Aqui só referiremos com brevidade o que significaram na biografía intelectual do nosso autor. Relativamente ao primeiro destes acontecimentos, Popper conta-nos que o essencial da sua filosofía da ciência tornou-se-lhe claro para sempre quando teve conhecimento da descoberta da Teoría da Relatividade, e do que isso significava non só enquanto inovaçón científica, mas também como fonte de inspiraçón de unha metodoloxía xeral das ciências.  O segundo pilar do pensamento de Popper, a sua abordaxem social e política, foi inspirado pela experiência pessoal:  conta-nos ele que, aos doze anos, descobriu na biblioteca do pai os textos de Marx e se tornou um marxista entusiástico, para se transformar num antimarxista declarado aos 17 anos (e até ao final da sua vida), devido a outra experiência pessoal.  Nos meses que se seguiram à queda do Império Austro Húngaro, Viena viu-se diariamente axitada por confrontos violentos entre o governo e os movimentos radicais de esquerda, em especial comunistas, com que o xovem marxista Karl se identificava.  Os comunistas e os seus aliados, alentados pelo éxito da  Revoluçón Soviética um ano antes, xulgaram ter chegado o momento de impulsionar um processo semelhante na Áustria – a destruiçón da “ordem burguesa” e a implantaçón da “dictadura do proletariado” – e estavam dispostos a consegui-lo, se necessário fosse, através da violência e sem ter em consideraçón os sacrifícios humanos que isso pudesse envolver, inclusive nas suas próprias fileiras.  Presumia-se que a luta de classes e a promoçón do ideal socialista estavam acima de qualquer interesse individual. E foi assim que, num motim de rua em que os dirixentes comunistas incitarom de forma dissimulada o grupo de esquerdistas a que Popper pertência a enfrentarem-se desarmados à polícia, houve vários mortos, alguns deles amigos achegados de Popper; com este sacrifício, e perante tal inxustiça, previa-se unha insurreiçón xeral da classe operária de Viena, que  non chegou a acontecer.  Ésta traxédia deixou marcas profundas em Popper.  Compreendeu que nenhum programa político, nenhum ideal social, podia xustificar o sacrifício de pessoas de carne e osso.  Non é a classe social (ou qualquer outra entidade supraindividual, como o Estado) que está acima do indivíduo, pelo contrário, é o indivíduo que deve ter a primazia sobre a classe social ou qualquer outro conxunto.  O que o xovem Popper compreendeu com esses acontecimentos terríveis foi o risco envolvido em tentar reformar a sociedade através da violência.  Aquilo que rapidamente conduzirá ao fim das inxustiças sociais non é a “grande revoluçón”, mas unha política cauta e reformista de pequenos passos, o que Popper denominaria, muito mais tarde, como “enxenharia social”.  Ainda voltaremos às consequências teóricas que Popper retirou da sua experiência política pessoal.

c. ulises moulines

ÉMILE ZOLA (O NATURALISMO)

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               O Naturalismo como fenómeno literário conmoveu o mundo inteiro nas últimas décadas do século XIX,  e tivo um éxito e unha difusón popular extraordinários.  Nasceu como unha sistematizaçón da corrente realista francesa, que vai de Balzác ós Goncourt, passando por Flaubert, e aínda que o chefe désta escola, Émile Zola, esté muito por baixo dos seus mestres, talvez a sua mesma mentalidade simplificadora permite ter unha resonância que non tinham chegado a ter os escritores nos que el se inspiraba.  Zola non é um grande criador como Balzac, nem um grande artista como Flaubert, mas soubo forxar unha doutrina literária que deslumbrou como talvez non o tinham feito os grandes românces dos seus antecessores.  O naturalismo vêm a ser um realismo dogmatizado, com pretensóns de ciência, de verdade absolucta e definitiva que conduce a observaçón da realidade a uns extremos nos que o real fai-se teoría, sistema, tése.  Zola estaba convencido de que a sua maneira de entender a literatura era unha espécie de panaceia universal, um “non plus ultra” fundamentado no mais sólido terreno científico, esse engreimento, irmán das actitudes contemporâneas do positivismo, têm unha tonalidade entre inxénua e antipática, mas a importância histórica dos naturalistas é muito grande, mais que por legar á posteridade obras importantes, por ter explorado até ás últimas consequências toda unha óptica narrativa.  O pai do naturalismo, Émile Zola, nasceu em París em 1840, mas non viría a viver na capital até dezoito anos despois.  O seu pai, François Zola, era um enxenheiro italiano que estaba construindo um canal em Aix-en-Provence, e foi em Aix onde o futuro escritor passou a sua infância e adolescência.  O pai morreu quando el tinha sete anos, e para a família comezarón maus tempos e contínuos problemas económicos.  O pequeno, que sonhaba com a literatura e lia com paixón os poetas românticos – Lamartine, Hugo e Musset, son os seus ídolos -, impregna-se do âmbiente da campinha provenzal, que sempre recordaría com nostalxía, e traba íntima amizade com o filho de um banqueiro de Aix, Paul Cezanne, que também habería de ser famoso como um dos mais grandes pintores.  Em 1858 os Zola instalan-se em París, mas para o xovem Émile a adaptacón à sua nova vida resulta muito penosa, no coléxio rian-se do seu acento do sul e de um defeito de pronunciaçón que lhe facía transformar os esses em efes, era um provinciano pobre, torpe e desambientado.  Por duas veces fracasa no seu intento de aprobar a secundária e têm que comezar a trabalhar.  O primeiro emprego na Aduana resulta-lhe insuportábel e renuncía a el ao cabo de dous meses.  Seguem dous anos completos de bohêmia literária, vivendo nunha buhardilha, e alimentando-se quase exclusivamente de pan untado em azeite e alho.  Sustenhem-no a confiânça que têm em sí mesmo e unha enorme tenacidade, e non duvida que acabará sendo escritor.

r. b. a. editores, s. a. – barcelona

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RENÉ DESCARTES (INICIADOR DA FILOSOFÍA MODERNA “A REVOLUÇÓN EPISTEMOLÓXICA”)

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               Admitámo-lo:  Descartes transformou-se num cliché da mossa cultura.  Como costuma ser habitual nestes casos, isso tem vantaxens e inconvenientes.  Por um lado, é-lhe amplamente reconhecido algo valioso, que faz parte de nós e que nos define como filhos da modernidade.  Por outro lado, esse “algo” aparece inevitavelmente submerso pelas inúmeras mençóns e imaxens que o neutralizam até o fazerem perder a força orixinal com que irrompeu em pleno século XVII, um momento crucial para o desenvolvimento da história moderna.  Cada vez que aparece, o nome de Descartes costuma ser associado a unha mistura de dúvida vixilante perante os preconceitos adquiridos e de organizaçón metódica a respeito de uns sólidos eixos cartesianos, x e y, que  todos estudámos na escola, e que, segundo reza a lenda, ocorreram ao seu autor enquanto observava o voo dunha mosca e tentava localizá-la, tendo como referência o tecto e as paredes do seu quarto.  Estes estereótipos fazem pensar em alguém nascido para nos dar soluçóns como quem nos vende um trem de cozinha ou um remédio contra a ressaca.  O certo é que nenhum grande pensador ganha um lugar na história das ideias sem a decidida vontade de “procurar problemas”, e isso é especialmente certo no caso de Descartes.  No tempestuoso século em que lhe calhou viver, com meia Europa a querer matar a outra meia, em intermináveis guerras relixiosas, as ideias que introduziu non eram aínda evidentes e muito menos inofensivas.  Foi necessário unha grande audácia e unha resistência ao que ele considerava falso, para apresentá-las e defendê-las.  É precisamente esse elemento destrinçador que se perde na acepçón habitual do cartesianismo e que nem sequer é fácil de encontrar em muitas exposiçóns académicas, que frequentemente dan demasiadas cousas como garantidas.  Ora bem, mergulhar em Descartes esixe unha “escolha”.  É um acto de liberdade.  Como na popular cena do filme Matrix, trata-se de tomar um comprimido simbólico após o qual xa non poderemos pretender que nada tenha acontecido.  Escolher a rota das dificuldades na esperança de obter unha clareza superior que nos faça despertar do sono dogmático em que estávamos absortos: é esse o caminho da filosofía.  Especialmente da cartesiana.

antonio dopazo gallego

A POUSADA DO MOSTEIRO DE AMARES

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               Xá somente com ouvir este nome, um mal pensado, a causa dos românces de cabalaria, podería xulgar que é um lugar destinado a grandes amoríos ilícitos.  Distânte, tranquílo, silencioso, e escondido em Terras de Bouro.  Ademais, aínda porriba, com boa cama e excelênte mesa:

-Deliciosa Sopa de Agrións

-Arroz de Cabidela de Galo

-Vitela assada, acompanhada com arroz

-Surtido de Doces Conventuais (Abade de Priscos, Crema de Leite e Doce de Amêndoa)

               Fica aproximadamente a uns cem kilómetros de Guillade, e duas pessoas podêm bem comer, por perto doutros cem euros, e se querem dormir e fazer outras cousas, tamém podem.  Mas, non abusar!!  Pois, como todos sabemos, unha vida de vício e constântes excessos, nos levarám inevitábelmente à perdiçón da carne, e consequentemente da alma.   

léria cultural

LOUIS ALTHUSSER (1918 – 1990)

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               Nasceu em Argel, onde viveu até 1930.  Permaneceu cinco anos preso num campo de concentraçón nazí.  Estudou em París e foi catedráctico no Collége de France.  Em 1965, organizou um seminário que mudou a interpretaçón da obra de Marx (“Lire le Capital”) e publicou A Revoluçón Teórica de Marx, tornando-se um dos marxistas mais estudados do mundo.  Esteve em tratamento psiquiátrico, devido a depressón, durante toda a sua vida.  Em 1980, nunha crise maníaca, estrangulou a sua mulher.  Nos seus últimos anos de vida, escreveu unha autobiografia que foi traduzida com o título O Futuro é Muito Tempo.

carlos fernández liria

ANTONIO GRAMSCI (1891- 1937)

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               Viveu unha infáncia marcada pela pobreza e pela doença.  Militou no Partido Socialista Italiano e, xuntamente com Togliatti, em 1919 criou a revista Ordine Nuovo.  O desenvolvimento da Revoluçón Russa levou-o a fundar o Partido Comunista Italiano, sendo o seu representante em Moscovo.  A chegada de Mussolini ao poder obrigou-o ao exílio e á clandestinidade.  Regressou como deputado em 1924, protexido pela imunidade parlamentar, mas a ditadura fascista deteve-o em 1926.  Passou na prisón o resto dos seus dias, em condiçóns terríbeis e doente de tuberculose.  Aí escreveu os seus famosos Cadernos do Cárcere, a sua obra mais importante.  Faleceu por non ser transferido para o hospital de modo a receber os cuidados de que necessitava.

carlos fernández liria

UNHA TEORÍA EFECTIVA (F 11)

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               Como resulta tán impracticábel utilizar as léis físicas subxacentes para predecir o comportamento humano, adoptaremos o que se chama unha “teoría efectiva”.   Em física, unha teoría efectiva é um marco criádo para modelar algúns fenómenos observados, sem a necessidade de descreber com todo detalhe os processos subxacentes.  Por exemplo, non poderemos resolver exactamente as equaçóns que rexem a interacçón gravitatória de cada um dos átomos do corpo de unha pessoa com cada um dos átomos da Terra.  Mas a todos os efeitos prácticos, a força gravitatória entre unha pessoa e a Terra pode ser descripta em termos de unhas poucas magnitudes, como a massa total da pessoa, e a da Terra e o rádio da Terra.  Análogamente, non podemos resolver as equaçóns que rexem o comportamento dos átomos e moléculas complêxos, mas desarrolhamos unha teoría efectiva, denominada química, que proporciona unha explicaçón adequada de como os átomos e as moléculas se comportam nas reacçóns químicas, sem entrar em cada um dos detalhes das suas interaçóns.  No caso das pessoas, como non podemos resolver as equaçóns que determinam o nosso comportamento, podemos utilizar a teoría efectiva de que os individuos tenhem libre albedrío.  O estudo da nossa vontade e do comportamento que se segue dela, é a ciência da psicoloxía  A economía também é unha teoría efectiva, bassada na nocçón de libre albedrío, mas o suposto de que a xente evalúa as possíbeis formas de acçón alternativas e escolhe a melhor.  Dita teoría efeciva, só é moderadamente satisfactória na predicçón do comportamento, xá que, como todos sabemos, a miúdo as decisóns ou non som racionais ou están bassadas em análises deficientes das consequências da eleiçón.  Por isso, o mundo é unha confusón.

stephen hawking e leonard mlodinow

ARENDT (O COMO PENSAR)

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               A melancólica Hannah estudou no liceu e preparou-se para o exame de acesso à universidade.  Para tal, mudou-se para a Universidade de Berlim, com o obxectivo de aí estudar durante alguns semestres.  Em Berlim, ampliou os seus conhecimentos precoces de filosofía alemán, nunha altura em que xá tinha tomado unha decisón clara e firme sobre o seu futuro: estudaria Filosofía como disciplina principal e depois iria para a Universidade de Marburgo.  Porque escolheu esta cidade?  Devemos ter em conta que para os xovens da época era non só importante responder à pergunta “O que vou estudar?” (unha questón que, no caso de Arendt, estava clara desde o princípio), como a pergunta decisiva era, sobretudo, “Com quem vou estudar?”.  A filosofía alemán do início do século, nesse sentido, aparecia associada a pessoas, era unha filosofía ligada à figura de alguém encarado como um mestre.  Entre os pequenos grupos filosóficos da Alemanha dos anos de 1920 espalhava-se um rumor: ao mesmo tempo que a maior parte das universidades se abastecia de um corpo docente neoplatónico, neokantiano ou neo-hegeliano, com ensinamentos caducos e reduzido espírito crítico,  contava-se que em Marburgo había um brilhante professor de trinta e poucos anos que non ensinava “o que pensar”, mas “ensinava a pensar”, algo talvez non muito afastado das abordaxens pedagóxicas actuais, mas que nesse momento representava unha novidade absolucta, tanto pela forma como polo conteúdo dos seus ensinamentos.  Chamava-se Martin Heidegger.  As suas aulas eram consideradas fascinantes pelos alumnos, entre os quais se encontrava non só Hannah Arendt, como Herbert Marcuse, Hans Georg Gadamer, Hans Jonas ou Karl Löwith, os “filhos de Heidegger”, estudantes que, por sua vez, se tornaram vozes importantes na filosofía contemporânea.  Heidegger era um seductor nas aulas, segundo contavam todos os seus alumnos, incluindo os que depois se afastariam filosoficamente dele.  Enfeitiçava e fascinava a audiência.  Era o “pequeno mago de Messkirch” (a sua cidade natal), que atraía como abelhas os seus ávidos estudantes para unha rica e nova colmeia filosófica.  A própria Arendt descreve um certo sentimento de subxugaçón perante o xovem professor: “O pensamento voltou a viver, os tesouros culturais do passado, que se xulgabam mortos, son expressóns de forma que dizem coisas completamente diferentes das que se tinham suposto.  Há um mestre; talvez o pensar se possa aprender”.

cristina sánchez

AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (72)

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               É até certo ponto um equívoco ou faltar á verdade, dizer que a confiança nas artes máxicas é incompatíbel com a instrucçón, e que só aos feiticeiros convêm os tempos de ignorância e obscurantismo.  A corte e o século de Luis XIV foron dos mais brilhantes e luminosos, as artes e as ciências atinxiron um gráu de prestíxio elevadíssimo, e os gloriosos nomes de Bossuet, Fenelón, Raccine, Corneille, Pascal e outros, passaron à posteridade, e ainda hoxe non foron eclipsados.  Todavía, à par deles, brilhou em Versailles o cérebre Conde de San Germano, enígma vivo, também denominado o feiticeiro da corte, e que realmente era personaxem doctado de numerosos e profundos conhecimentos científicos, pois conseguíu facer-se acreditar, num meio considerado o mais ilustre e o mais sábio do século XVII.  Mais tarde, e doutra ordem, aparece o personáxe histórico José Balsamo, Conde de Cagliostro, que representou um papel notabilíssimo na Côrte de Luís XVI, e que se decía inmortal, polo poder do célebre “elixir da vida”.   Pois como se mira, a maxía, a feitiçaría e as ciências ocultas, entre as quais: predecir o futuro, fazer horóscopos, vaticínios, preparar filtros, deitar as sôrtes, as boas ventúras, inspirar amores e acabar com eles.   É unha ciência, ou unha arte, tán velha como o mundo, ou polo menos, como a humanidade, desde que há notícia escrita déla.  As maravilhas que todavía hoxe opéra, podêm considerar-se, frutos de unha arte que aínda non está  divulgada, mas, que alcançou noutros tempos quase toda a ciência humana.   Derivando da antiga maxía: a medicina moderna, a astronomía, as matemáticas, a química, e grande número de noçóns de física.  Non há razón plaussíbel para negar que  éssa ciência, hoxe menos influênte e preponderante, possua segredos de valor, que todavía non lhe foron arrincados e por isso repousam no mistério. 

manuel calviño souto