Arquivo por autores: fontedopazo

DA MINHA FUGA E DAS VIRTUDES SANTAS DA CAPELANA

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               Passei uns quantos dias como alma em pena e solitária, sem atreverme a tomar definitivamente a decisón que me atormentaba e que, no fundo do meu corazón, xá estaba tomada: deixar o Seminário.  Mas ¿onde ir?  O antigo padre espiritual, o de Lebanza, veio na minha axuda com, reflexóns paternais e de amor em Cristo e na Virxem;  nada conseguíu.  Dixo-me que  sor Azucena tinha sido trasladada a outro Seminário de non sei que diócese e que era um modelo de virtude.  Isto pareceu-me unha subtíl indirecta e unha comprobaçón de que algo tinham suspeitado dos nossos xogos, aínda que non me repreenderam.  Do qual se deducía que, pesse a tudo eram humanos e pode que tolerantes.  Quedei com aquel bom home em que consultaría com el a última determinaçón.  Tamém o professor de Literatura quería deitarme unha mán.  Notaba-se à légua, que algo, ou muitas cousas à vez, me estábam torturando; el percibía-o e eu calaba.  Fora a confesón vingativa, sobre todos os asuntos, o que me deixou mal sabor de boca e incómoda a consciência.  Como estábamos a primeiros de Decembro e era a fésta da Inmaculada, mandou-nos de composiçón literária, um trabalho sobre a virxindade de María.  Eu fixem um soneto que todavía recordo.  Decía así:

Río de néctar que entre hielos nace,

frágil nube de espumas en la altura

y corderilla inmaculada y pura

que nieves bebe y azucenas pace.

desperezar en lechos de blancura,

cascada luminosa de hermosura

que el cieno arrastra y veloz deshace.

Modelo en el que copia la belleza;

eso eres tú, más blanca que la espuma

que corona las olas encrespadas.

Tan pura eres sin par, tan alabada,

que a no ser el Señor pureza suma

serías menoscabo a su pureza.

               Os tercetos tinham dous versos em asonante; mas esta transgresón non lhe importou ó professor de Literatura e puxo-me um dez.  E animou-me a que lhe contara tudo o que estaba passando, sem omitir nada e que el me axudaría, na permanência na vocaçón, de várias maneiras.  Primeiro, intercedendo ante o reitor para que non se consumara a expulsón e segundo; oferecendo-se a ser o meu guía e conselheiro, non só literário, senón também espiritual e moral.  Também me recordou, como de passada e sem intençón, que sor Azucena estaba noutra comunidade  e era um modelo, quase santo, de virtudes.  O qual em vez de consolar-me, me enfureceu.  Mas, tinha-lhe tomado confianza a aquel home sábio e contei-lhe o riferráfe da minha confisón esaxerada e vingativa.  Tal qual e ponto por ponto.  Nem aprobou, nem desaprobou.  Só me dixo: “Se te parece, escuiteite em confisón, vale!” Dixem que sí, e absolveu-me.  Como se fora um colega que te perdoa unha trastada.  Non voltei a falar com el em profundidade, pois quando decidín marchar-me, fixem-no da noite para a manhán.  Chegou o meu pai para deixar-me a muda semanal e dixém: “Vou-me para casa, xá está preparada a maleta”.   Meu pai nada dixo, mas escaparom-se-lhe duas lágrimas.  Suponho que todo o mundo episcopal e cardenalício se lhe esfumaba, aínda que essas cousas a el lhe tinham sem cuidado; o mais grave e preocupante é que, diante de mím, o meu pai só vía o vacío e a nada. Nem mais, nem menos.  Alí concluía um brilhante e turbulento currículum de seminarista.  Quedabam poucos días para o Natal e o ambiente era alegre.  Cheio de neves e panxolinhas.  Mas, a minha alma estaba negra como boca-de-lobo.  Ninguém acudíu a despedir-me; nem professores, nem companheiros.  Nem sequer o professor de Literatura que debeu darme por perdido sem remédio.  Tampouco eu. me despedín de ninguém.  Estaba claro que todos tinhamos um desexo irreprimíbel de perdernos de vista.  Mal podería hoxe descreber a sensaçón liberadora que experimentei ó pisar a rua.  Mas suponho que, como tantas vezes me passou, foi unha percepçón equivocada.  Inclúso contrária. Entrei no Seminário crendo atopar a paz e a seguridade da alma; e encontrei a controvérsia e a guerra.  Saín convencido de ter conquistado a liberdade; e encontrei a incertidume e as dúvidas.  Non lograba vislumbrar um futuro.  Nunca existiu um futuro.  E temo que nunca o haberá.  Sinxelamente, porque o futuro non existe.

               Colmenar Viejo, 10 de Agosto do 2000

javier villán e david ouro 

 

KANT (VIDA DO REVOLUCIONÁRIO TRANQUILO)

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               As biografías de Kant começam por dizer que a vida do filósofo foi tranquila e organizada, estábel e estructurada por hábitos férreos mas algo monótona e aborrecida.  Admitamos, para começar, que, em xeral, as vidas dos filósofos non costuman oferecer material para espectáculos musicais e que nem o mais xenial argumentista de Hollywood podería fazer da vida de Kant um “biopic” minimamente comercial.  Podería, sim, ser fascinante um bom filme que (como O Último Ano em Marienbad, de Alain Resnais, ou A Barreira Invisíbel, de Terrence Malick) fosse capaz de trazer à superfície fílmica os mecanismos internos dos processos mentais.  Aqui encontraríamos o grande Kant: um home que se consagrou ao pensamento como tarefa libremente autoimposta, e que rexeitou tudo o que pudesse representar um obstáculo no cumprimento desse dever.  Os grandes acontecimentos da sua vida foram de ordem intelectual; as suas paixóns, de ordem política.  Criou a concepçón moderna do conhecimento e unha perspectiva moral baseada no valor da humanidade expressa no seu entusiasmo pelas revoluçóns americana e francesa.  A esse empenho teórico e moral devemos unha das mais fructíferas e destacadas obras da filosofía occidental.

joan solé

¿QUE É A REALIDADE? (F13)

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               Fai alguns anos o Concelho de Monza, em Italia, prohibíu que os proprietários de animais domésticos tenham peixinhos de cores em  aquários redondeados.  O promotor desta medida xustificou-se dicendo que era cruel ter a um peixe dentro dum recipiente com paredes curvas, porque, ó mirar para fora, tería unha imaxe distorsionada da realidade.  Mas ¿como sabemos que nós temos unha visón verdadeira, non distorsionada, da realidade?  ¿Non podería ser que nós mesmos estivéramos no interior de unha espécie de aquário curvado e a nossa visón da realidade estivera distorsionada por unha enorme lente?  A visón da realidade dos peixes é diferente da nossa, mas ¿podemos assegurar que é menos real?  A visón dos peixes non é como a nossa mas, aínda assím, poderíam formular léis ciêntificas que descreberam o movimento dos obxectos que observan no exterior da sua peixeira.  Por exemplo, a causa da distorsón, os obxectos que se moveram libremente, e que nós observaríamos nunha traxectória rectilínea, seríam observados polos peixes como movendo-se em traxectória curvada.  Non obstânte, os peixes poderíam formular léis científicas que sempre se cumpriríam no seu sistema de referência distorsionado e que lhes permitiríam fazer prediçóns sobre o movimento futuro dos obxectos fora do aquário.  As suas léis seríam mais complicadas que as formuladas no nosso sistema de referência, mas a simplicidade é unha questón de gosto.  Se os peixinhos formularam tal teoría, deberíamos admitir que tenhem unha imaxe válida da realidade.

stephen hawking e leonard mlodinow

A ESCOLÁSTICA (PENSAR É UM OFÍCIO)

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               Nunhas esclarecedoras notas sobre a escolástica, M. D. Chenu referiu alguns dos seus traços característicos que nos serán úteis.  Primeiro, a surpreendente forma literária, aquilo a que ele chama acertadamente “a impersonalidade desoladora do estilo”, e que notamos ao observar a estructura do raciocínio, a fragmentaçón de textos, a monotonía das fórmulas e os procedimentos constantes de divisón, subdivisón e distinçón.  Constacta este feito inegável: “É verdade que o estilo, exterior e interior, da escolástica sacrifica tudo em prol de um tecnicismo cuxa austeridade a despoxa dos recursos da arte”.  Mas isso non pode ocultar estas duas realidades, unha histórica (“a extrema variedade de homes e xeraçóns”) e outra de tipo cultural (para os escolásticos, “pensar é um ‘ofício’ cuxas leis son fixadas minuciosamente”).  Num plano sociolóxico, Chenu acrescenta estas explicaçóns:  os escolásticos son professores com as suas características, qualidades e limites, e os escolásticos son dialécticos, formados no domínio da gramática e da lóxica.  Baseados nas “autoridades” comentam e debatem, mas com o olhar posto no avanço do estado da questón, no aperfeiçoamento das doutrinas recebidas.  “Xamais alcançaremos a verdade se nos contentarmos com o xá encontrado.  Os que escreveram antes de nós non son nossos senhores, mas nossos guias”, escreveu o franciscano Gilbert de Tournai.  Com a rexeiçón de toda a autoridade terminará a escolástica.

andrés martínez lorca

AS BODAS DO SÉCULO (OU O REDOURAR DOS BRASÓNS)

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               Entre muitas outras cousas, trouxo a “belle époque” a França, a moda da proliferaçón das bodas desiguais, entre aristócratas e ricas herdeiras norteamericanas.  Tratába-se polo xeral, de xente de alcurnia, distinguidos e orgulhosos da sua sangre, mas absoluctamente arruinados.  O célebre Boni de Castellane (1867-1932), político nacionalista, aristócrata, “dandy” supremo, foi protagonista do que se adxectivou, por vez primeira, a “boda do século” – corría todavía o século XIX – .  Foi a primeira das bodas de ricas herdeiras norteamericanas com aristócratas franceses.  A esposa, Ann Gold, tinha escassos atractivos físicos, mas aportou unha dote de 12 milhóns de dólares.  O divorcio pronunciou-se o 14 de Decembro de 1906, e Boni, que tinha pedido unha pensón alimentícia de 150.000 francos ouro anuais (Ann Gold, tinha unha renda de um milhón e meio), viu-se defraudado na sua inaudícta pretensón.  Boni de Castellane – que logo contaría a sua experiência num libro: “Comment J’ai Découvert L’Amerique” – tinha derrotado faustuosamente todo o dinheiro que caíra nas suas máns.  Rompeu o fogo, como costumamos dizer, dos matrimónios com ricas herdeiras: o que se chamou, sem metáfora,”redourar os brasóns”.  Calcula-se que na “belle époque” entraron em França por este singular procedimento uns 60 milhóns de dólares ouro.  E, como curiosidade, listamos algunhas déstas bodas sinaladas e as suas dotes:

               -Duque Charles-Maurice de Talleyrand-Perigord, com “miss” Adela Sampson: sete milhóns de dólares.

               -Marquês de Breteuil, com “miss” Litta Garner: quatro milhóns de dólares.

               -Duque de Choiseul, com “miss” Forbes: um milhón de dólares.

               -Duque Jean-Elie-Octave Decazes, com “miss” Isabel Singer: dous milhóns de dólares.

               -Conde de Pourtalès, com “miss” Isabelle Andrews: oitocentos mil dólares.

               -Barón de la Vrielière, com “miss” Amie Cutting: quinhentos cinquenta mil dólares.

               -Duque de Rochefoucauld, com “miss” Matie Mitchel: trescentos mil dólares.

               -Barón de Lepelletier D’Auney, com “miss” Berda: trescentos mil dólares.

               -Conde de Laugier-Villars, com “miss” Carols-Livingstone: oitocentos mil dólares.

história y vida

 

INTRODUÇÓN CONCEITUAL E HISTÓRICA DA FILOSOFÍA HELENÍSTICA

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               Qualquer pessoa com unha fraca e vaga ideia da história e da cultura gregas tende a considerar o pensamento do período helenístico como o declínio de um grande esplendor, o crepúsculo de um dia glorioso para o espírito humano.  Este período – compreendido entre a morte de Alexandre Magno, em 323 a. C., e a batalha de Ácio, em 31 a.C., na qual Octávio derrotou Cleópatra e Marco António, anexando o Exipto ao Império Romano – tardou muito em receber a atençón que hoxe em dia nos merece.  Porém, durante séculos foi digna dela, non só nos meios cultos extra-académicos, como até entre os melhores e mais brilhantes investigadores helenistas, nunha fase de ressaca ou, porventura, de abandono, xulgou-se que depois de a filosofía ter atinxido o seu auge especulativo com o pensamento idealista de Platón (c, 427-347 a.C.), a conxectura histórica e talvez um certo cansaço de espírito nos tivessem levado do ímpeto optimista e confiante do conhecimento do mundo exterior (Ideias e mundo) a unha viraxem do indivíduo sobre si próprio.  Esta é, mais ou menos, a noçón superficial que costuma prevalecer sobre as escolas filosóficas mais representativas do período helenístico:  a cínica, a epicurista, a estoica e a excéptica.  Segundo esta concepçón, a filosofía, que atinxira esforçadamente o auge do conhecimento com os seus dous pensadores mais ilustres, acabaría por se despenhar pela ribanceira oposta com essas escolas mais humildes.  Existe algunha verdade nesta percepçón, porque mesmo os lugares-comuns costumam ter algo de verdade.  Se considerarmos a filosofía como unha actividade puramente teórica, centrada num conhecimento desinteressado das ideias e da realidade, como unha vontade de descoberta sempre submetida a um método rigoroso, à imaxem da ciência, mas dirixida à última essência da realidade, as escolas helenísticas representam, efectivamente, algunha decadência substancial no que diz respeito aos pensamentos platónico e aristotélico.  Estes apontam para a plenitude da razón teórica na sua actividade cognitiva, e mesmo quando esses dous enormes sistemas procuravam fins mais prácticos ou  ético-políticos, o seu voo epistemolóxico era tán alto, longo e confiante como o de unha águia imperial que, com as suas grandes asas estendidas, observa, a seu bel-prazer, tudo aquilo que se inclui dentro dos limites do seu vasto horizonte.  No aspecto teórico,  nem os estoicos nem os epicuristas voaram tán alto, nem viram tán lonxe.  Non construíram grandes sistemas interpretativos da realidade; até Epicuro se servíu de um xá existente, que lhe pareceu adequado, para explicar a essência do mundo.  Non há dúvida que, no tocante à criatividade intelectual e voo teórico, os helenísticos ficam muito aquém do nível superior de Platón e Aristóteles.  Poder-se-ia comparar esse voo da águia imperial a outro bem mais humilde, o do chapím-azul ou do pintassilgo, que pousam de galho em galho e non precisam de se elevar a grandes alturas para satisfazer as suas necessidades.  O xénio especulativo de Platón e o rigor científico universal de Aristóteles atinxem, para quê negá-lo, pontos elevadíssimos na atmosfera do saber.  Apenas unha ou outra “avis rara” terá conseguido voar tán alto ao longo dos séculos.  Para entender a relevância das escolas helenísticas, deve adoptar-se o ponto de vista correcto, perceber aquilo que motivava a sua actividade intelectual.  O que as estimulava non era um espírito especulativo ou teórico, mas o impulso da vontade de conhecer.  O que procuravam e desexavam saber era apenas o necessário para satisfazer aquilo que experimentavam como unha necessidade premente:  ter unha vida feliz de acordo com a natureza humana.

j. a. cardona

ZOLA (UNHA DESMESURA LITERÁRIA)

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               A “A Taberna”, tinha seguido um relativo fracaso,  Unha Páxina de Amor (1877), que decepcionou aos seus leitores, ávidos xá das emoçóns fortes;  non obstânte, em seguida se desquitou com Nana (1880), escandalosa história de unha cortesán, que tivo um éxito clamoroso.  Port-Bouille, do ano 1882, é unha abrumadora galeria de mediocridades pequeno-burguesas.  O Paraíso das Damas (1883), têm como protagonista a um dos grandes-armazéns.  E A Alegría de Viver (1884) é xá o tomo duodécimo de Os Rougon-Macquart.  Xerminal (1885), levanta bruscamente o ton, um pouco monótono e mecânico das últimas obras, é unha narraçón patética e vibrante da vida dos mineiros e das suas lutas sociais, misturando de certo modo o reportaxem com o românce e alcanzando verdadeiras alturas de carácter épico: Xerminal, apesar de todos os seus defeitos de tosquedade e de falta de matices, segue sendo unha das cûmes da sua produçón, com grandiosos movimentos de massas que respondem muito bem ó talento colosalísta do escritor.  A Obra, de 1886, é um dos títulos mais curiosos de Zola, quem explora o mundo da arte non sem agudas intuiçóns que mostram um aspecto pouco conhecido da sua personalidade; anedocticamente, o românce trouxo consigo a ruptura definitiva com Cézanne, quem se reconheceu no protagonista do libro.  No ano seguinte publica A Terra, sobre os camponêses, orixem de violentíssimas polémicas, xá que vários dos seus discípulos protestaron publicamente no chamado “manifesto dos cinco”, contra o que denominabam “literatura pútrida”, rompendo toda  vinculaçón com o mêstre.  Zola, contra vento e mareia, seguíu adiante, alternando românces de assunto mais subtíl e delicado, como O Sonho (1888), com outras tipicamente naturalistas, como A Besta Humana (1890), um drama de ciúmes que têm como pano de fundo as locomotoras e as estaçóns de ferrocarril, como afirmou um comentarista moderno, “um críme pasional, num universo industrial”.  Em 1888, aos quarenta e oito anos, o escritor conhece a xovem Jeanne Rozerot, de vinte, iniciando-se entre eles unha longa relaçón amorosa.  Jeanne Rozerot daria-lhe dous filhos, que madame Zola reconhecería pouco tempo despois da morte do marido.

rba editores, s. a. – barcelona

HABERMAS (A ESCOLA DE FRANKFURT)

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               Construir a República Federal da Alemanha como unha democracía forte contra a ordem anterior foi unha obsessón para a xeraçón de 58.  A Constituiçón de Bona de 1949 foi vista como um novo começo com o obxectivo de resguardar as liberdades individuais face a um Estado que se tornara totalitário.  Non obstante, Habermas vai ter de saldar contas com a xeraçón anterior.  Terá de conxurar a influência de Martin Heidegger, pelo lado filosófico, e a de Carl Schmitt, pelo lado xurídico-político, como teórico do autoritarismo estatal, ambos comprometidos com o nazismo que, subrepticiamente, vai continuar a ter influência – a desnazificaçón nas universidades non será suficientemente enérxica – e vai dar asas a um neoconservadorismo, a um pensamento contra o Iluminismo e contra a Modernidade que o nosso autor identifica como inimigo da democracia.  A sua “besta negra”, cada vez mais mencionada nos seus últimos escritos, será precisamente, Schmitt, o teórico que lexitimará o nacional-socialismo e que, apesar de ser afastado durante a desnazificaçón, continuará a ter peso, através dos seus discípulos, no domínio do direito alemán.  Habermas estuda filosofía em Gotinga e Bona.  A sua tese de doutoramento centra-se no pensamento de Schelling.  Prossegue os estudos, em filosofía e socioloxía, no Instituto de Investigaçón Social vinculado à Escola de Frankfurt.  Aí, entra em contacto com Max Horkheimer e Theodor Adorno.  Nos anos 60 e 70, é professor nas universidades de Heidelberg e Frankfurt.  Em 1971, é nomeado director do Instituto Max Planck, em Starnberg.  Termina a sua docência na Universidade de Frankfurt, da qual se retira em 1994.  Ao longo da sua carreira académica recebeu todos os prémios e reconhecimentos possíveis, tanto na Alemanha como internacionalmente.

maría josé guerra palmero

AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (74)

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               O primeiro culto dos humanos foi o do Sol.  Este culto natural e racional, posto que se corresponde com a realidade das cousas, formou a base de quase todas as relixións.  Até entón, os homes comíam os alimentos tal como os daba a natureza.  Muitos séculos mais tarde, foi inventado o fogo, com o frote de dous pedazos de madeira em forma de crúz, invento tán maravilhoso e sinxélo.  Que foi a orixém da industria e das artes, e da civilizaçón.  Com el, prepara a cocçón dos alimentos, durante a noite espanta as féras, os fríos, e fabrica as ferramentas e as louzas, as armas para conquistar o mundo; a este descubrimento, pode asegurar-se que debe a sua salvaçón.  Para a humanidade, houbo um invento, de tamanha importância, que, profunda e permanentemente a impresionou durante séculos, e que venerou como um mistério, o sinal da “Crúz”.  Durante muitos séculos se fixo o lume désta forma, que naqueles tempos se chamaba “Suwastika”, e que representarón baixo muitas formas, segundo as diferentes naçóns:

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               Logo, surxiron as guerras e as lutas, e por último inventaron a figura do Sol com a Suwastika no centro. Três mil anos antes da nossa era, había homes que ó mesmo tempo, eram Philósofos, Sacerdotes, e Sábios, os quais presentíron por assím dizer, o fenómeno da acumulaçón do calor solar nas prantas (ó cabo de um tempo, a ciência habería de por de manifesto este fenómeno), estabelecendo que o fogo non era mais que o desprendimento a certa temperatura, e baixo o efeito do ar, do calor solar, acumulado nas prantas em estado potêncial.  O Sol, sustenta a vida dos animais, directamente através dos seus raios, e indirectamente polos alimentos que absorbem, cuxa combustón se efectua pelo aire que respiram.  Segue-se disto que  o Sol, é a “Pedra de Fogo”.  Que o fogo é consubstâncial a el, e que é enxendrado polo sopro do aire.  Por último, o fogo provém do “Pai Eterno” (Sol).  Savistri, volta ó Céu, em forma de fumo (invissíbel).  Tal é a explicaçón do carácter da acçón de cada um destes elementos.  O Sol, Fogo, Aire.  Personificados, baixo os nomes imaxinários de Sawistri, Vayu, Agní.

manuel calviño souto 

NIETZSCHE (DEUS MORREU)

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               A contundente afirmaçón “Deus morreu” (que em alemán é aínda mais contundente: Gott ist tot) é decerto o lema mais reconhecível da filosofía nietzschiana.  Mas o que significa na verdade essa expressón?  Repetiu-se tantas vezes que nos parece quase unha evidência, unha frase inofensiva.  Muito pelo contrário, Nietzsche concebe a morte de Deus como um problema xigantesco.  “Deus morreu” – nas nossas consciências.  Trata-se de unha maneira parabólica de afirmar que “a fé no Deus cristán transformou-se em algo incrível” para os europeus do seu tempo.  Durante o século XIX, o avanço das cosmovisóns contrárias à relixión (darwinismo, cientificismo, socialismo, etc…) provocou unha perda crescente de fé em todas as camadas da sociedade.  O “slogan” nietzschiano non era novidade nenhuma no ambiente intelectual da época.  No entanto, Nietzsche insiste em que ao proclamar a morte de Deus non está simplesmente a constatar o ateísmo imperante, mas que pretende que tomemos consciência de um acontecimento tremendo.  A formulaçón mais completa da morte de Deus encontra-se na célebre passaxem intitulada “O louco”, incluída no seu libro A Gaia Ciência.  Diz assim:  “Non ouviram falar desse louco que acendeu unha lanterna, na claridade do meio-dia, e correu pela praça gritando sem cessar: “Procuro Deus!  Procuro Deus!” ?  Como ali estavam reunidos muitos que non acreditavam em Deus, os seus gritos provocaram grandes risos.  (…)  O louco saltou para o meio deles e atravessou-os com o olhar.  “Aonde foi Deus?” – exclamou -, “vou dizer-vos.  Matámo-lo. Vós e eu.  Todos nós somos os seus assassinos.  Mas como  puidémos fazer isto?  Como pudemos esvaziar o mar?  Quem nos deu a goma para apagar o horizonte?  O que fizemos para desprender a terra do  seu sol?  Para onde se move agora?  Para onde iremos nós?  Lonxe de todos os sóis?  Non caímos continuamente?  Para a frente, para trás, para os lados, para todas as partes?  Ainda há um acima e um abaixo?  Non erramos através de um nada infinito?  (…) A grandeza deste acto non é demasiado grande para nós?  Non teremos de transformar-nos em deuses para parecermos dignos dela?  Nunca hoube um facto tán grande e quem nascer depois de nós fará parte, por causa deste facto, de unha história mais elevada que todas as histórias que hoube até agora”.  Aqui o louco calou-se e voltou a olhar para os seus ouvintes.  Também eles se calaram e olharam para ele, confusos.  Finalmente, atirou a sua lanterna ao chán, que se estilhaçou em mil pedaços e se apagou.  “Cheguei demasiado cedo – disse entón -, aínda non é o meu tempo.  Este enorme acontecimento aínda está a caminho e non chegou até aos ouvidos dos homes.”  

toni llácer

ACUEDUTO DAS ÁGUAS LIVRES (DIOGO ALVES)

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               Sobre o lisboeta Val de Álcantara érguese o acueduto das Águas Livres, construído entre os séculos XVIII e XIX.  Ideado para distribuir a auga entre as distintas áreas da cidade, pasa a ser escenario dun dos máis coñecidos episodios criminais do país ao redor dos anos 1836 e 1839.  Amais de permitir a canalización de auga para as zonas máis alonxadas do centro antigo da cidade, o acueduto contaba cun paseo peonil que facilitaba a comunicación entre distintas áreas de Lisboa.  É aqui onde Diogo Alves leva a cabo a maior parte dos seus asasinatos, segundo as historias por idea de “A Parreirinha”.  Agochado nalgún dos moitos recunchos do acueduto, o ladrón esperaba a que pasase unha vítima solitaria, normalmente mulleres novas de boa familia ou comerciantes que voltaban de facer negocios na cidade.  Tras sorprendelos, roubaba todo o de valor que levaban con eles e lanzábaos dende un dos arcos principais do acueduto, duns 65 metros de alto, simulando que a persoa saltara voluntariamente.  O profesor doutor António José Gonçalves Ferreira, catedrático de Anatomía na faculdade de Medicina de Lisboa, apunta que “se atopaban corpos baixo o acueduto, normalmente de mulleres, que sufriran un importante traumatismo debido a unha forte caída.  Durante un tempo pensouse que era unha vaga de suicidios, até que se descubriu que unha cuadrilla de asaltantes estaba a actuar na zona”.  Cando as autoridades, alarmadas polo número de aparentes suicidios, comezan a indagar a posible causa, dánse conta do que está a suceder no acueduto.  Deciden pechar o paso polo camiño peonil e prohibir o paso de transeúntes, pondo fin á estratexia do grupo de delincuentes liderado por Diogo Alves, que se ven obrigados a buscar outra maneira de seguir cometendo os seus crimes.  O acueduto deixa de funcionar como principal fonte de auga para a cidade cara os anos sesenta.  Actualmente está considerado Monumento Nacional de Portugal e o museo ofrece paseos guiados por el.  Poucos meses despois do peche do acueduto, varios dos membros da cuadrilla, incluído Diogo Alves, son atrapados polas autoridades tras o asalto á casa dun coñecido médico lisboeta no que matan á súa familia.  A xustiza condénaos a morrer na forca no patíbulo da cidade, en Cais do Tojo, Pese a que as institucións non conseguen probar todos os asasinatos que se lle atribúen, o criminal xa conta con certa fama entre os lisboetas, que acoden en multitude a ver a execución.  Unha vez morto, a cabeza de Diogo Alves é separada do seu corpo e levada á facultade de Medicina de Lisboa onde descansa até agora conservada nun tarro de formol.

claudia vázquez

LUDWIG WITTGENSTEIN (O DUPLO COPÉRNICO DA FILOSOFÍA)

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               Ludwig Wittgenstein revolucionou a história do pensamento em duas ocasións.  Por isso se distinguem claramente duas fases na sua filosofía: a que corresponde à teoría figurativa do significado e a que xira à volta da máxima “o significado de unha palabra está no uso”.  A primeira fase corresponde ao Tractatus loxico-philosophicus, a única obra de filosofía que publicou em vida.  A teoría figurativa do significado estabelece unha correspondência entre a forma da linguaxem e a forma do mundo que a lóxica sería capaz de pôr em evidência, de “mostrar”, graças às suas proposiçóns tautolóxicas, que nada dizem sobre o mundo, mas que o imaxinam.  A honestidade do seu trabalho filosófico foi tal que, na sua segunda fase, non hesitou no momento de deitar por terra a dita correspondência, que muitos aínda veneravam e que ele mesmo tinha entendido como ponto final da filosofía.  O fruto mais grandioso da sua segunda fase é constituído pelas Investigaçóns Filosóficas a segunda obra da sua vida, na qual trabalhou durante um total de vinte anos e que apenas sería publicada dous anos após a sua morte (em 1951).  Nessa obra desmontou a ideia de que o significado de unha palabra era algo imutável que a acompanhava sempre.  O significado de unha palabra estaría no uso que dela se faz num determinado contexto linguístico (e em que de unha mesma palabra se podíam fazer diversas utilizaçóns).  Excêntrico por natureza e por própria imposiçón moral, definiu as bases das duas obras no meio de unha solidón tán desexada como sofrida dum fiorde norueguês.

carla carmona

POLÉMICA ENTRE BARBEIROS E CIRURXIÓNS

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               Saltemos os séculos para situarnos no París medieval.  O rótulo e o pregón conservam-se como únicos suportes do que todavía non tinha o nome de “publicidade”, mas sim o de “anúncio”.  Incrustados na pedra, em chapa metálica recortada, em ferro forxado, e colgados dum poste, ou bem pintados sobre madeira ou sobre porcelana esmaltada e aplicados nas montras, os termos dos rótulos que adornabam as casas dos comerciantes e dos artesanos apresentábam unha variedade infinita.  O caldeiro de estanho e o candeeiro, as balanças e a escudilha, a cesta e o espelho, as parrilhas e o fol, a chave e o morteiro, as tisouras e a garlopa, o mazo e a machada, a copa e o barril, contabam-se entre os obxectos mais representativos nestes rótulos medievais,  Cada um deles designaba um  ramo  dos comércios particulares.  No século XV, non había menos de três mil em París;  tán só na rua de Saint-Denis se contabam quatrocentos…  Na sua “História da Publicidade”, Philippe Schuer recorda que os rótulos dos barbeiros “forom obxecto de prolongada polémica, xá que as ordenanzas de Carlos VI (1383) e de Carlos VII (1444) transmitiam ós barbeiros unha parte das atribuiçóns dos cirurxións:  três recipientes roxos (para as sangrías) anhadidas às bacías profissionáis.  Depois de numerosos processos decidiu-se que os cirurxións tinham direito a unhas bacías de cobre com très caixas (de ungüento) e os barbeiros a bacías de estanho com três recipientes para as sangrías.

pierre-albert lambert

SANTO AGOSTINHO (NISI CREDIDERITIS, NON INTELLIGETIS)

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               “Se non acreditais, non compreendereis”  Esta frase, traduçón libre de um versículo do libro de Isaías (que nunha interpretaçón alternativa reza “nisi credideritis, non permanebetis”, “se non credes, non subsistireis”), sintetiza o espírito que impregna todo o pensamento cristán durante a Idade Média.  E, relativamente a este libro, constitui também o pressuposto sobre o qual se desenvolve o pensamento de Santo Agostinho, o bispo de Hipona, que se tornaría, com Paulo, nunha das duas personalidades mais determinantes na evoluçón do cristianismo nas suas orixens (e non só).  Nascido na província romana de Numídia, na fase final do império, Santo Agostinho representa unha figura peculiar na história das ideias, non só pelo alcance e repercusón que o seu pensamento acabou por ter, mas também pelas condiçòns em que o desenvolveu.  A partir da sua remota diocese norte-africana, afastado, portanto, dos efervescentes centros culturais da época, este antigo professor de retórica e seguidor do maniqueísmo, trouxo à luz, depois da sua conversón ao cristianismo, unha monumental produçón teolóxica e doutrinal que está na base de alguns dos esquemas conceptuais que moldaram, decisivamente, a cultura occidental até aos nossos días.  No entanto, as potencialidades e limitaçóns desta obra só podem ser cabalmente ponderadas se nunca se perder de vista a máxima com que abrimos este capítulo e à qual o próprio Santo Agostinho aludiu em numerosos escritos.  Por conseguinte, torna-se necessário determo-nos nela, por  alguns momentos, de forma a estarmos em condiçóns de entender o pensamento do bispo.  O primeiro aspecto que nos chama a atençón na frase é que parece inverter a ordem que habitualmente consideramos normal na sequência do raciocínio: a partir dos diversos argumentos,  dados e provas disponíbeis, colocamos em xogo a nossa razón para chegar a unha ou outra conclusón.  Neste caso non, neste caso primeiro vem a verdade e depois a compreensón intelectual.  Esta forma de proceder, que à luz da argumentaçón racional acusaríamos de ilexítima, assume um verdadeiro sentido lóxico se tomarmos a perspectiva do crente (e non há dúvida de que Santo Agostinho o era).  Tanto uns como outros, crentes e non crentes, concordaremos em que conhecer significa alcançar a verdade e que afirmar o falso significa incorrer num erro, na ignorância.  Até aqui, estaríamos todos de acordo.  A diferença substancial está em que, para o crente, xá estamos na posse da verdade (que nos foi revelada nas Escrituras), pelo que o papel da razón non pode ser o de descobri-la (e muito menos de refutá-la!).  Em poucas palabras, para o cristán, a argumentaçón racional non é um caminho para a verdade, mas um caminho a partir dela.

e. a. dal maschio

¿SON ÚNICAS AS LÉIS QUE DETERMINAM O UNIVERSO? (F12)

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               A terceira pergunta aborda a questón de se as léis que determinam o comportamento do universo e dos humanos son únicas.  Se a resposta à primeira pergunta é que Deus criou as léis, entón esta terceira questón formula-se como ¿ Tivo Deus unha diversidade de opçóns para escolhe-las?  Tanto Aristóteles como Platón acreditarom, como Descartes e posteriormente Einstein, que os princípios da natureza existem por “necessidade”, é decir, porque son as únicas léis que tenhem consistência lóxica.  Debido à sua crença na orixem lóxica das léis da natureza.  Aristóteles e os seus seguidores sostiverom que era possíbel “deducir” ditas léis, sem prestar demasiada atençón a como a natureza se comportaba realmente.  Isso, e o ênfase no “porque” os obxectos seguem leís,  mais, que nas léis específicas que seguem,  conducíu-os a léis basicamente qualitativas que a miúdo eram erróneas e que, em qualquer caso, non resultarom ser demasiado úteis, aínda que dominarom o pensamento científico durante muitos séculos.  Só muito mais tarde, xente como Galileo se atrevéu a desafiar a autoridade de Aristóteles e a observar o que a natureza realmente facía, mais do que a pura “razón” decía que debería fazer.  Este libro está enraizado no conceito do “determinismo científico”, que implica que a resposta à segunda pergunta é que non há milágres, ou excepçóns às léis da natureza.  Sem embargo, voltaremos a tratar de novo em profundidade as perguntas um e três.  As questóns de como surxiram as léis e por qué som as únicas possíbeis.  Mas antes, no capítulo seguinte, dedicaremo-nos à questón do que é o que descrebem as léis da natureza.  A maioría dos científicos diríam que som reflêxos matemáticos dunha realidade exterior que existe independentemente do observador que a contempla.  Mas à medida que vamos examinando a nossa maneira de observar ó nosso redor e de formar conceitos sobre el, surxe a pergunta de ¿temos realmente razóns para acreditar que existe unha realidade obxectiva?

stephen hawking e leonard mlodinow