Arquivo por autores: fontedopazo

O CONTEXTO ESTRUCTURALISTA

No seminário de Althusser, estaba assim em xogo um assunto muito importante. Assentavam-se as bases para separar a obra de Marx das filosofias da história, começando pola mais importante delas, a do próprio Hegel. É certo que a tradiçón marxista também distinguira Marx dessas filosofias, mas tinha-o feito com unha pretensón bastante patética: se Marx non era um filósofo, era por ser “algo mais” do que um filósofo, um cientista. A teoria da história de Marx tinha supostamente a peculiaridade de ser científica. Mas, no fundo, aceitava-se que a problemática era a mesma: unha ciência da história, unha teoria xeral do acontecer histórico. O seminário de Althusser mudou por completo esta situaçón, afastando Marx das filosofias da história e aproximando-o, por certo, daquilo a que na época se chamaba “estructuralismo”. O que era o estru cturalismo e o que significa a perspectiva estructuralista relactivamente à leitura de Marx? É difícil resumir aqui, em poucas páxinas, um tema tán complexo, mas vamos tentar proporcionar ao leitor algunhas ideias básicas. Foi Claude Lévi-Strauss, com a sua “Antropoloxia Estructural”, que, em 1958, deu o pontapé de saída do movimento estructuralista. Polo seu lado, explicaba que tinha tomado consciência de ser estructuralista ao travar amizade com o linguista Roman Jakobson e entrar assim em contacto com o universo da linguística herdeira de Ferdinand de Saussure. Antes de xulgar as implicaçóns filosóficas que deram orixem a todo o alvoroço “estructuralista” é preciso, de facto, entender claramente que o impulso orixinário proveio da pretensón de introduzir unha sensatez a que se pudesse chamar “científica” – ou mesmo “matemática” – no universo das ciências humanas ou, se se quiser, naquilo a que Althusser tinha chamado o “continente história” em contraposiçón ao domínio próprio das ciências naturais. E o facto do qual se partiu dificilmente pode ser posto em causa: só no terreno da linguística estructural, e em concreto da fonoloxia, as ciências humanas encontraram um caminho científico seguro. Pode explicitar-se facilmente o motivo; o obxecto de que se ocupa o linguista, ao contrário do que parece acontecer – polo menos à primeira vista – no resto do território das ciências humanas, non depende da consciência nem da vontade dos suxeitos sociais, neste caso implicados enquanto falantes. Ao falarmos, nom temos consciência das leis sintácticas e morfolóxicas da língua. A indagaçón científica, por isso, non introduz, neste caso, qualquer modificaçón assinalábel no obxecto estudado, que é, neste sentido, completamente independente do observador. Por outro lado, a linguística estructural tinha mostrado que as unidades linguísticas se definiam exclusivamente polas suas relaçóns com outras unidades do mesmo plano, de modo que podiam ser consideradas como um conxunto “sistemático”, “A língua é um sistema que apenas conhece a sua própria ordem”, tinha declarado Saussure: “Unha comparaçón com o xogo de xadrez fá-lo-á compreender melhor. Aqui é relactivamente fácil distinguir o que é externo daquilo que é interno: o facto de ter passado da Pérsia para a Europa é de ordem externa; é interno, polo contrário, tudo o que concerne ao sistema e às regras. Substituíram-se as peças de madeira por peças de marfim, a mudança é indiferente para o sistema; mas se se aumentar ou diminuir o número das peças, tal mudança afecta profundamente a “gramática” do xogo.” (Saussure, Curso de Linguística Xeral)

CARLOS FERNÁNDEZ LIRIA

AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (11O)

Opinións sobre os sonhos. Há quatro clásses de sonhos: o claro, o confuso, o suxerído, e o natural. Os antigos distinguíam cinco clásses de sonhos: sonho, visón, dráculo, ensonhaçón e apariçón. Ainda que o corpo durma o espírito vela (Hipocrates). O cérebro é o ponto onde están assentes as faculdades intelectuais, e por isso é a fonte dos sonhos. Este orgań quando goza de perfeita saúde enxêndra (se é lícito valer-se désta expresón) as ensonhaçóns, que dán marxém às imáxes e às sensaçóns recebidas durante a noite, ván afectar os nervos, o carácter e o temperamento. Por exemplo: Os Sanguíneos, costuman sonhar com féstas, diversóns, amoríos, ou xardíns. Os Biliosos, com zaragatas, combates, desgrácias etc… Os Flemáticos, com o mar, rios, navegaçóns, naufráxios, etc… Os Melancôlicos, com têbras, passeos nocturnos, fantásmas, mortes, etc… Os Temperamentos Mixtos como: Sanguíneo-Melancôlico, Sanguíneo-Flemâtico, Bilioso-Melancôlico, etc… Misturam nos seus sonhos o próprio de âmbos os temperamentos. Apreçabam muito os antigos a interpretaçón dos sonhos, e os sábios do Exípto valiam-se de tablilhas sagradas para descifrar os mesmos, ainda que non tiveram dados suficiêntes para adivinhar o futuro. Pois, unha das funçóns dos Magos, era precisamente a de explicar os sonhos. No Exípto, a casta sacerdotal estaba dividida em duas partes: Jannés e Membrés, isto é “Esplicador” e “Permutador” (o que efectuaba os prodíxios). Eles anotabam as suas interpretaçóns, descubrimentos e milágres, e unha inemterompida série de memórias, que formabam um “Corpus” de Ciência e de Doutrina, no qual os sacerdotes exípcios basabam os seus conhecimentos phísicos e morais; observando também baixo estes princípios o curso dos ástros, as inundaçóns do Nilo, ademais de outros fenómenos. A história ensína-nos, que o Faraó mandou reunir os Magos do Exípto, com o obxectivo de interpretar um sonho, cuxa glória foi obtída polo patriarca Jossé. Chama-se Sonho: quando baixo certa indirecta imáxem se manifésta a verdade. Visón: se retornado à vixília, lhe reaparece o mesmo que durante o sonho. Oráculo: à rebelaçón ou advertência recebida pola noite. Ensonhaçón: se o sonhado durante a noite, parece que se nos reproduze durante o dia. Apariçón: o que os gregos chamabam “Phantasma”, é ésta unha visón nocturna e quimérica, que costumam experimentar os infântes e os anciâns. Déstas cinco clásses de sonhos, as quatro primeiras tenhem algo de verídico, mas a última resulta enganosa.

MANUEL CALVIÑO SOUTO

ARENDT (CRÍTICA DA FACULDADE DO XUÍZO)

O pensar está relacionado com a acçón, ou é unha actividade que só se exerce nunha espécie de afastamento do mundo, no ideal de um filósofo isolado no seu pensamento e desvinculado do resto da humanidade? Quais som os efeitos políticos do pensar? E quais som as consequências da sua ausência no mundo em que vivemos? Muitas destas questóns tinham ficado no ar após as suas reflexóns sobre Eichmann e o mal, e o seu obxectivo era analisar se o que se designara por “a vida contemplativa” (própria do filósofo solitário) era também unha vida política, como parecia inferir tanto dos casos de Heidegger como de Sócrates, embora em sentido oposto. As perguntas passaram a ser como pensar e axuizar sobre o que está bem ou mal, sobre o xusto e o inxusto, até nas condiçóns mais adversas, por exemplo, através do isolamento dos indivíduos nas sociedades de massas ou sob o xugo opressor de um rexime totalitário. A questón da responsabilidade do indivíduo, do cidadán, para evitar o mal foi um dos temas importantes neste contexto. Pensar e axuizar non som, portanto, tarefa exclusiva dos filósofos, mas polo contrário, capacidades fundamentais da cidadania, unha cidadania que pensa, xulga e axe. Em contrapartida, a ausência de pensamento e de exercício do xuízo leva-nos a situaçóns de inibiçón moral perante o sofrimento alheio, e ao aparecimento do mal banal, sem motivos. As fontes das quais Arendt se alimentou nesse caminho foram, mais unha vez, a filosofia alemán, e mais concretamente a “Crítica da Faculdade do Xuízo”, de Kant, obra em que consideraba que podíamos encontrar unha explicaçón da capacidade de xulgar como faculdade política do cidadán, ou sexa, do indivíduo em sociedade que se desenvolve num mundo comum partilhado com outros. Arendt non acabou a terceira parte de “A Vida do Espírito”, dedicada à análise da faculdade do xuízo em Kant.

CRISTINA SÁNCHEZ

GRAN HOTEL DO BALNEÁRIO (MERCAR UNHAS RUINAS)

Mercaria vostede quatro pedras em ruina por 80 milhóns de pesetas só por têlas? A bom seguro que nón, por mais que diversos estamentos lhes oferecessem cartos, para que depois de mercadas puidéra arranxálas e convertílas, doutra volta, num Gran Hotel do Balneário? Vostede poderá non facelo, mas há xente que sim. Por exemplo, o senhor Xosé Castro, alcalde quase perpéctuo de Pontareas. Sábe-se que nunha visita do director xeral de actividades turísticas senhor Etxevarri (debe ser este o nome correcto, por mais que escrebo de memória), home do governo central, que vinha ver o que se podia fazer com o queimado estabelecimento, para recuperar a sua importância mundial. O senhor Castro andou ao quite (quite toureiro onde os haxa) e afirmou que o Concelho por el gobernado estaria disposto a pagar 75 milhóns de pesetas para recuperar a industria, sempre e quando o goberno central puxéra os cartos (dalgúm xeito) para restaurar o monumento, que está totalmente queimado. O senhor Etxevarri voltou para Madrid, no convencimento de pôr-se a trabalhar no assunto e aos poucos meses, muito poucos, xá non estaba no cargo (cousas da política). Mas, Castro tinha que seguir adiante com o proxecto. Estaba “empenhado”. E continuou, claro, mas vamos contar o que passou, que non som poucos os anos que demorou este assunto. A campana da igrexa a isso da unha da noite, mentras o povo todo disfrutaba dunha xantarada pagada polas àguas milagreiras, comezou com badaladas enérxicas, raibosas, rápidas a anunciar o que passaba. A essa hora, todo o mundo ficou surpreendido. ¿Que passa? Éra a pergunta. Daló, da banda debaixo, via-se sair um fumo mouro, presáxio de mal agoiro, foi o começo do fim da história. Todo o povo correu cara ao Gran Hotel, nenos, mulheres, homes, velhos, todos… todos com caldeiros na mán, que àgua sobraba. Aqueles minutos, forom suficiêntes para que algúns cairam na conta de que non habia nada que fazer: aquilo era a morte do Gran Hotel do Balneário. A escada, fermosa escada, única no mundo, fixo de tiro do lûme que começou polo faiado. De arriba para baixo, as madeiras nobres, castanho, carbalho, pinho-tea, iam sendo arrassadas; quadros dos melhores pintores, móveis antigos, artísticos, únicos; tapiçarias, cortinas, panos, prata, ouro… tudo quedou reducido a nada. No parque da entrada, todos os setecentos habitantes do Concelho, ou mais, ou menos. ¿Que mais dá? Gritabam, que habia que entrar e salvar algo que puidesse ser retirado do lûme antes que este chegara abaixo, à pranta da entrada. Alguns, entrarom, e salvarom algúm quadro (pensasse) e também um fermoso piano de cauda (o piano, supôm-se, que estará na casa dos donos, mas nunca mais se ouvíu falar dele). Caiam caldeiros d’agua, mas, para nada valiam. Os bombeiros de Pontareas, tardarom meia hora em chegar, estando a oito quilómetros de distância (pola estrada de Pías). Trinta minutos, que se houbéra unha bomba, que puidera sacar àgua do rio, o resultado sería bem diferênte. Botou três dias a arder, muxíca a muxíca no ar, até que só ficarom as pedras das paredes. Esqueleto, inmorredouro, do passado explêndor. Se o poeta americano falára de “explendor na herba”, em Mondariz habia “explendor na àgua”…

XOSE CURRAS (PUBLICADO NA PENEIRA ANO I – 1984)

¡¡QUE NADA SE SABE!! (42)

Entre o nascimento e a morte, quantos câmbios se producem? Inumerábeis! Nos viventes há contínua nutriçón, crescimento durante um certo tempo, permanência neste estado, e declíve; há xeraçón, diversidade de partos, transformaçón, mengua, aumento, aperfeiçoamento de costûmes, acçóns, obras diversas e muito a miúdo contrárias no mesmo indivíduo; em definitiva, non há quietude. E non resulta extranho que non se poida negar de todo (mas bem, talvéz sexa verdadeira) a opinión de algúns, segundo a qual non cabe afirmar de um home determinado que sexa el mesmo, antes e despois de haber transcurrido unha hora. Porque a identidade é tán indivissíbel que, se xuntas ou sacas um só ponto a qualquer cousa, xá non é de todo a mesma. Os accidentes pertencem ao conceito do indivíduo e, como mudam continuamente, resulta que também o indivíduo câmbia. Tú afirmas: sei que, mentras permaneza a mesma forma, o indivíduo seguirá sempre o mesmo (pois em virtude dela afirma-se de algo que é único) e que as menudências destes elementos non modificam a identidade. Mas eu afirmei que: à identidade non se lhe pode cambiar nada; de outro modo, non sería enteiramente a mesma cousa. Unha só forma determina unha só cousa. Tal vez a mesma forma informa sempre, mas non ao mesmo, pois no informado se dá um câmbio permanente, tal como sucede no meu corpo. Mas eu estou composto por ambos, principalmente pola alma e um pouco menos polo corpo; se muda qualquer deles, câmbio eu também, mas isto será tratado nuotra parte com maior amplitude e oportunidade.

FRANCISCO SÁNCHEZ

TABERNA (RAÍZ CRÍTICA-ETIMOLÓXICA- DESPIADADA)

Taberna, tabarrera, tabarra, tabelión, cabana, tenda (armazém de venda ó público), mesón, pousada, caupona, corraleja ou azeiteira. Quando, qualquer ovelha descarriada, ou xovenzuelo imbêrbe, ou talvéz corrichinho teimoso, entram para tabernear em tabânco, astilhaço, pechardino, ostería ou tabes (do latím: corrupçón, putrefaçón, consunçón). Tamém se afirma, que, certos instrumentos musicais: “amam a taberna, e sotar com velhacos”, ou sexa, que, som adequados para bailar com xente de baixa estola. Contubernium de vida, nunha mesma choza, onde a pulcritude (nón só física) deixa muito que desexar. Tudo cheira a vinho rançosso, e graças senón a mexo. Se alguém se quixer queixar? Que, resultou ferido por outro em choza comunal? O referido queixoso, terá de probar com testemunhas, os feitos. Cousa que, tendo em conta o talânte dos frequentadores, estamos lonxe de recomendar. Nestes casos, o melhor será “levantar o tabanque”, isto é “desopilar”, abandonando o lugar o quanto mais rápido melhor. E, tende sempre presente que: “O numero de tabernarum, infinitum est!”

Léria Cultural

NICOLAUS MACHIAVELLI (A FLORENÇA DO RESURXIMENTO)

A Itália renascentista era mais parecida com um tabuleiro de xadrez do que com o país em forma de bota que todos conhecemos. Um tabuleiro em que se disputa unha partida transcendental entre as duas potências continentais em contenda, as poderosas monarquias da França e da Espanha. Estes dous países, encontrabam-se em pleno processo de constituiçón, enquanto Estados nacionais. A Espanha, por exemplo, acabava de reconquistar os seus territórios ao domínio muçulmán, de unificar os diversos reinos sob o domínio dos Reis Católicos e de descobrir um Novo Mundo, que non souberom baptizar. O confronto em terras italianas, destes dous poderosos exércitos estranxeiros produzia-se, além do mais, com o beneplácito do papado que, a partir de Roma, mudaba regular e convenientemente de partido. A Península Itálica tinha-se tornado, assim, num difícil quebra-cabeças territorial (orixinado pola queda do Império Romano, cristalizado na Idade Média e que non se resolveria até finais do século XIX) em que se dirimiam as lutas de poder a nível europeu. Um tabuleiro com pequenas, mas suculentas, peças que os reis espanhóis e franceses disputaram ao longo de todo o Resurximento. Estas cobiçadas fichas eram nada mais que os pequenos Estados italianos, principados e repúblicas que se tinham organizado em redor das cidades, e que apresentabam unha certa semelhança com as “poleis” da antiga Grécia, por extensón territorial, identidade cultural e tipo de instituiçóns políticas. De entre estes Estados, os mais importantes foram Milán, Veneza, Roma, Nápoles e, claro, a Florença de Maquiavel. E a sua fraxilidade, aliada a unha prosperidade comercial sem precedentes, transformou-os num ambicionado “saco” para as ânsias expansionistas das mencionadas coroas estranxeiras. Como resultado, o equilíbrio de forças na Itália renascentista, foi sempre precário.

IGNACIO ITURRALDE BLANCO

FADO (O NOVO MILÉNIO)

É em 2001 que Katia Guerreiro inicia a sua carreira discográfica com Fado Maior. Dividindo a sua carreira entre a música e a Medicina, tem cantado vários poetas, em particular António Lobo Antunes, enquanto na música a sua principal referência é Amália. Durante a sua carreira tem feito unha aproximaçón ao Brasil, no que respeita ao repertório interpretado, tendo-lhe valido alguns duetos com Maria Bethânia ou Ney Matogrosso. Contando com seis rexistros fonográficos, Katia Guerreiro desloca-se frequentemente ao estranxeiro, atinxindo considerábel sucesso em França, cantando o seu fado de máns atrás das costas, unha característica que lhe assiste. O novo milénio fica também marcado logo de inicio com “Ó gente da minha terra”, incluido no 1º álbum Fado em Mim de Mariza, atinxindo quádrupla platina em Portugal. Curiosamente, a ediçón deste disco foi rexeitada por algunhas das principais editoras portuguesas, acabando por ser editado pola editora holandesaWorld Connection. Mariza teve unha vertixinosa ascensón, tendo-se tornado em poucos anos a artista portuguesa de maior sucesso no estranxeiro da sua xeraçón, arrecadando vários prémios importantes, tendo sido nomeada duas vezes para os Grammy latinos. Depois do fulgurante inicio, tem efectuado extensíssimas digressóns por todo o mundo, sendo a única portuguesa a integrar os concertos do Live8. É actualmente a fadista que mais discos vende e xá conta com 7 editados. A sua carreira tem sido marcada por algunhas participaçóns de relevo em palco ou em estúdio, entre as quais; Lenny Kravitz, Sting, Miguel Poveda, José Mercé, Ivan Lins, Concha Buika ou Carlos do Carmo. Possuidora de unha marcante voz e figura, o sucesso de Mariza é por vezes comparado polos média ao de Amália. É xusto dizer que nos seus dez anos de carreira, o seu traxecto é absoluctamente notábel e o seu nome marca definitivamente a história da música portuguesa no século XXI.

FADO PORTUGAL

BERGSON (UNHA NATUREZA COMPLEXA E OBSCURA)

Bergson doutora-se em 1888 com dous trabalhos. O primeiro é um brilhante estudo em latim sobre a física de Aristóteles, mais concretamente sobre a forma como este elude os paradoxos de Zenón para forxar a sua concepçón do lugar. Apesar da sua limitada difusón, meio século depois foi qualificado polo eminente historiador da filosofía Victor Goldschmidt como “unha das interpretaçóns mais comprehensivas que se consagraram a Aristóteles”. O segundo é a sua primeira grande obra publicada, o ambicioso “Ensaio sobre os Dados Imediatos da Consciência” (1889). Nele se propón, em primeiro lugar, refutar a puxante psicofísica alemán de Gustav Fechner, que pretendia medir os estados de consciência (especialmente as sensaçóns) atribuindo-lhes unha intensidade numérica. Bergson argumenta que, por mais que um estado interno se prolongue nunha expressón corpórea, permanece diferente dela e refractário ao número. Em segundo lugar, oferece unha profunda crítica, xá clássica, às teorías britânicas da escolha racional e reivindica a natureza complexa e obscura (mas non irracional) dos actos verdadeiramente libres, que se preparam durante muito tempo na nossa duraçón de consciência e que non som obxecto de um simples cálculo de interesses. Após o seu doutoramento, começa a trabalhar no conhecido liceu Henri-IV de Paris, onde lecionará até 1898. Como docente, Bergson caracteriza-se por desenvolver unha visón pessoal da pedagoxía. Farto de professores conformistas que contaxiávam de desânimo os melhores estudantes, tenta aplicar-se ao máximo em manter o rigor das explicaçóns. “O princípio do nosso sistema educativo é o de que é necessário tratar todos os estudantes e inclusive todo discípulo, como se houvesse nele matéria de mêstre.”

ANTONIO DOPAZO GALLEGO

LITERATURA CASTELÁN (16)

O DESCUBRIMENTO DAS “JARCHAS” ROMÂNCES

Até há poucos anos, as testemunhas dos historiadores árabes citados sobre o carácter da estrofa zejelesca e da inclusón nela de vozes ou frases românces populares tinham encontrado tán só unha solitária e mínima confirmaçón: o zéjel número 82 do Cancioneiro de Abén Guzmán, única colecçón de zéjeles manexábeis, no qual se encontra um verso enteiro românce, pertencente sem dúvida a unha “albada” mozárabe, “por onde vemos – afirma Menéndez Pidal – que o xénero literário da albada era popular entre os cristáns da Andalucia, meio século antes de que se escrebessem as primeiras albadas provençais hoxe conservadas, as quais pertencem a finais do século XII. A proba era importante, mas manifestamente escasa, e todos os esforços dos investigadores para ampliá-la tinham fracassado. Mas em 1948 o hebraísta S. M. Stern deu a conhecer unha sensacional descoberta: vinte moaxajas hebreas, imitadas em tudo das árabes, e provistas de versos finais em fala românce muito arcaica; estes versos finais, forom os que se denominarom “jarchas”. Pouco despois o mesmo Stern deu a conhecer unha moaxaja árabe com a sua correspondente “jarcha” romance. O mais antigo poeta daquelas moaxajas hebreas, Yósef el Escriba, pertênce à primeira metade do século XI; outros, como Mosé ben Ezra e Judá Ha-Leví, à segunda metade do século XI e começos do XII. Ao menos a composiçón de Yósef el Escriba supôm-se escríta antes de 1042. “Se fora assi – afirma Dámaso Alonso -, trataría-se non só do texto poético mais antigo -com muito- em romance espanhol (anterior um século à data atribuída por Pidal ao Poema do Cid), senon -também com muito- do mais antigo texto lírico da Romania e da Europa: enormemente anterior ao primeiro trovador provenzal, Guillermo de Poitiers”. Comprende-se, pois, o valor, verdadeiramente sensacional, do descubrimento destas moaxajas, que venhem a confirmar plenamente as teorías de Ribera, logo defendidas por Menéndez Pidal: “así – afirma este sábio investigador -, o estado latente da primitiva lírica peninsular, perdeu de golpe dous séculos”. Dous séculos que talvés podem ampliar-se mais. No referido comentário sobre o descubrimento de Stern, e ampliando ideias deste, Dámaso Alonso puntualiza o feito de que os versos das “jarchas” estabam tomados de poesías populares em românce, e que estes versos formabam a base métrica e musical sobre a que se construía a moaxaja. “Tudo fai pensar – afirma – que esta lírica das jarÿas foi o ponto de nascimento das “muwassahas” e non viceversa. Y vislumbram-se entón profundidades cronolóxicas, verdadeiramente alucinantes. Xuntando logo: “Digámos dunha véz: que o centro de atençón debe desprazar-se do zéjel para o vilhancico. Estes exemplos de vilhancicos mozárabes do século XII, postos ao lado de toda a tradiçón castelán tardía, probam perfeitamente que o núcleo lírico popular da tradiçón peninsular é unha breve e sinxéla estrofa: um vilhancico. Nel está a essência lírica intensificada: é el a matéria preciosa. Sobre el pode formar-se unha “muwassaha” ou um “zéjel” árabe no século XI ou XII, unha glosa zejelesca em castelán no século XIV ou no XV, ou unha nova glosa no XVII. El é precisamente o que dá unha prodixiosa unidade à poesía tradicional castelán.

J. L. ALBORG

ROUSSEAU (MÚSICA PARA A ENCICLOPÉDIA)

Até fazer quarenta anos, Rousseau considerou-se a si mesmo sobretudo músico e, de facto, a maior parte dos seus rendimentos deviam-se à sua actividade como copista de partituras musicais. A sua relaçón com a música non foi apenas afectiva, mas também intelectual. Costuma recordar-se a sua faceta de compositor, citando a ópera “O Adivinho da Aldeia” (1752), mas redixiu igualmente quase quatrocentos artigos sobre música para a Enciclopédia (1749) de Diderot, um “Dicionário de Música” (1764) e um “Proxecto de Novos Sinais para a Música” (1742), com que pensaba revolucionar a notaçón musical, simplificando-a através de algarismos. Non tinha dúvida de que seria aclamado, ao apresentar o seu proxecto de notaçón musical em París perante a Academia das Ciências, ao propor unha revoluçón neste âmbito, como indica no libro I das suas “Confissóns”. A decepçón foi enorme, ao comprobar o desdém com que unha comissón composta por um matemático, um químico e um astrónomo o xulgou. Semelhante fracasso levou-o a viaxar para Veneza, onde conheceu a música italiana e aproveitou, de algunha maneira, o seu código musical para descifrar a correspondência encriptada da embaixada francesa, da qual se fez passar por secretário, embora tenha sido contratado, mais unha vez, como simples lacaio. A história de Veneza parecia-lhe apaixonante e foi ali que concebeu o proxecto de redixir algum dia unha obra intitulada “Instituiçóns Políticas”, da qual só unha pequena parte viu a luz em “O Contracto Social”. Por outro lado, o vexame a que o embaixador francês o submeteu contribuiu, xuntamente com muitas outras experiências pessoais, para exacerbar a sua indignaçón face às inxustiças sociais.

ROBERTO R. ARAMAYO

OS PARADORES NACIONAIS

As orixes de Paradores remóntanse a 1910, cando o Goberno de España presidido por José Canalejas decidiu encargar ao marqués de la Vega-Inclán o proxecto de creación dunha estructura hostaleira, inexistente entón en España, em cuxos establecementos se dese hospedaxe aos excursionistas e viaxeiros, á vez que se mellorase a imaxe internacional do país. Ao ano seguinte creouse unha Comisaría Rexia de Turismo, á fronte desta entidade nomeouse ao propio marqués de la Vega-Inclán. O 9 de Outubro de 1928 e rei Alfonso XIII inaugurou o Parador de Turismo de Gredos, o primeiro da que logo sería, rede de Paradores de España. Co paso do tempo a marca “Paradores” consolidouse, converténdose nunha prestixiosa cadea de hoteis e restaurantes. Unha empresa pública que, preto dun século despois, constitúe todo un referente do turismo con recoñecemento tanto a nivel nacional como internacional. O pasado 25 de xuño a cadea hoteleira reabriu todos os seus hoteis e espazos gastronómicos, que permaneceron pechados desde o 15 de marzo pola pandemia do coronavirus. A cadea pública aproveitou os meses de peche para reforzar todos os seus protocolos de hixiene e seguridade. ¿Cantos establecementos ten a Rede de Paradores en Galicia? Galicia conta na actualidade cun total de 13 establecementos, incluíndo o Parador Costa da Morte, inaugurado en abril deste ano en Muxía. En Pontevedra (4). Tui, Baiona, Pontevedra e Cambados. Na provincia da Coruña (3). Muxía, Santiago e Ferrol. Na provincia de Lugo (3), Vilalba, Ribadeo e Monforte de Lemos. E, en Ourense (3), Monterrei, Verín, e Santo Estebo de Ribas de Síl. Por número de Paradores, Galicia é toda unha potencia a nivel nacional, tamén a nivel de ocupación? En Galicia contamos com dous dos 5 ou 6 Paradores que a nivel nacional están por encima en facturación e resultados. Un é o Hostal dos Reis Católicos de Santiago e outro é o Conde de Gondomar de Baiona.

J. G. BASTIDA (ARQUIVO E. BASAM)

PLOTINO (AMÓNIO SACAS)

A primeira notícia que temos da vida de Plotino é que, aos 28 anos, foi víctima de unha forte inquietaçón espiritual que o levou a abandonar as suas ocupaçóns e a casa de família, e rumar a Alexandria para ouvir os filósofos mais reputados de entón. Como muitos xovens, procuraba um fio conductor que lhe permitisse orientar-se racionalmente num mundo que percepcionaba sob a agressiva e desconcertante forma do absurdo. Este “impulso” pola filosofia, no entanto, non obteve unha satisfaçón imediata: as suas experiências como ouvinte non foram boas, e Plotino saía das aulas cabisbaixo e triste, mais confuso do que entraba. Ninguém era capaz de acalmar a sua axitaçón interior, que muitas vezes se traduzia em frustraçón e, inclusivamente, em mau xénio para alguém tán pacífico e amábel como ele. Conheceu as principais escolas de filosofia grega da época ( estoicismo, platonismo, aristotelismo, neopitagorismo), e, por outro lado, o pensamento relixioso (…) que, desde a chegada de Filón no século I, se tinha difundido na zona oriental do Império (…). No entanto, nenhunha dessas correntes o satisfez. Tivo de ser o platónico Amónio Sacas a mudar a sua sorte: “Este é quem eu procuraba!”. Com Amónio, Plotino gritou “terra à vista”. De resto, non foi o único: apesar de non dispormos dos seus textos (que devem ter sido escassos, se é que existiram), sabemos polos seus discípulos (Erénio, Orígenes e o próprio Plotino) que Amónio foi um mestre de importância superior, sem dúvida o grande iniciador intelectual do neoplatonismo. O pouco que sabemos do seu pensamento é que, após ter renegado do cristianismo a favor de estudo da filosofia grega, começou a fundir as doutrinas de Platón e Aristóteles. Quando Plotino o descubriu, andaba ocupado com problemas xá propriamente alexandrinos e non clássicos. Destas inquietudes resultou a sua teoría da “unión inconfundíbel”, segundo a qual a alma, embora sendo transcendente ao corpo, une-se intimamente com el, conservando, ao mesmo tempo, a sua integridade. Dito de outro modo, esta teoría era unha maneira de tornar compatíbel a diferença “de direito” alma-corpo

ANTONIO DOPAZO GALLEGO

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CORÍN TELLADO E OUTRAS VOLUPTUOSIDADES

O Villán salvou-se do desastre da “La Canonja” por algúm raro destino. Mas, ao fim, seguíu um caminho parecido ao que seguímos todos os réprobos. Tampouco sei quem lhe tinha metido na cabeza o gosto polas chorradas de Corín Tellado e por quê facía propaganda dêlas. Non podía dizer-se que eu fora um ilustrado, mas os meus conhecimentos sobre os clássicos, tinham-me vedado todo entusiásmo pola “mojigatería” coriniana, que com o simples nome, estaba dito tudo: Corrín. O meu sentido da decência prohíbia-me frequentar, tras unha primeira e morbosa curiosidade, a unha escritora cuxas descripçóns som intercambiábeis entre home e mulher. Heis aquí unha mostra de precisón ambivalente e múltiple: “sonrisa indefiníbel, non sobrepassaría os 27 anos”; e unha mostra de imprecisón incerta: “cabelo ruibo cinza, olhos entre pardos e azuis, vestindo desportivamente”. Ou ésta outra, de significado mais definido: “um pouco enxuto de rostro; non resultaba bonito, mas sim muito viril”. Conceitos antagónicos como precisón e imprecisón vinham a manifestar-se de idêntica maneira e a ter parecidos resultados: a nada. As novelas de Corín Tellado eram unha aberraçón moral e unha ameaça gramatical. Sorrisa indefiníbel, ¿que fai um escritor, se non sabe definir unha sonrisa? Há muitos narradores de fuste que non vám muito mais alá; mas unha cousa, non saca a outra. Com estes princípios e estes anxos custódios, non é de estranhar que o Villán, quando viu as suecas-alemáns em Canet de Mar, tivéra um sofôco. E que, naquel mundo de carnalidade primordial, andára um pouco descolocado. A moralidade empalagosa de Corín Tellado, tinha-lhe posto o ferro e prendába-se de conductas como ésta: “Nat nunca foi sua amante, as suas relaçóns tinham sido normais, porque el nunca se sobrepassou, respeitou-a demasiado e Nat, despois de cinco anos de namoro, nunca lhe tinha permitido sobrepassar-se”. Quando começou a sentir a comichón carnal, tratou de convencer-me da voluptuosidade que emanaba déstas castas mulheres de Corín; mas, a mim, isso parecíame ganas de enrredar as cousas. Eu, Sebastián Villegas Zapata, vía unha alemán ou unha austríaca, que para as minhas entendedeiras, vinham a ser iguais, e atirába-me de cabeza. Quanto mais directo e natural, melhor. Com boas maneiras, isso sím, ainda que sem complicar-me com líos freudianos que non conducíam a nada. A represóm moral era o aspecto vissíbel e imediáto da repressóm política. É ésta, mais que aquéla, a que acaba com a frescura dos corpos rebeldes. Em Canet de Mar a vida estaba em ebuliçón quase as 24 horas do día. E, quando as possibilidades acabábam alí, a turba ociosa e fornicadora, levaba as suas correrías mais para o norte, cara aos Pirineos.

JAVIER VILLÁN E DAVID OURO

ESPINOSA (AS PRETENSÓNS DO RACIONALISMO)

Paradoxo da inactualidade actual: O seu sistema e a sua linguáxem, que pareceriam irremediavelmente ancorados nunha etapa do pensamento terminada, continuam a atrair os contemporâneos. Non supera e, ao mesmo tempo supera “o teste de Hume-Kant”. É preciso explicar esta questón de forma breve (e mais extensamente noutra secçón do libro). Na Europa do século XVII, existiu unha corrente filosófica dominante, o racionalismo, que baseou toda a sua estructura em princípios conceptuais abstractos à maneira da matemática, uns conceitos que, segundo os pressupostos racionalistas, non requeriam a experiência do mundo real para confirmar a sua validade e fiabilidade, ou só a requeriam secundariamente. Estes conceitos, permitiriam atinxir um conhecimento incontestábel, correcto e necessário sobre o mundo e o seu sentido final. Espinosa pertence totalmente ao racionalismo e é, segundo muitos, a sua máxima expressón, o pensador que mais exclusivamente confiou tudo à razón. O escéptico escoçês David Hume rexeitou, de forma conclusiva, no século XVIII, as pretensóns do racionalismo, e, poucos anos depois, Immanuel Kant confirmou-as ao mostrar que non se podia obter nenhum conhecimento sólido sem o fundamentar na experiência e nos dados dos sentidos. Kant é decisivo na história do pensamento. Como um marco fundamental, estabelece um antes e um depois: o criticismo kantiano transforma em história do pensamento quase tudo o que há antes dele, que deixa de ser pensamento vivo e actual, útil para a vida, e fica reduzido a um episódio no desenvolvimento da filosofia. É preciso referir que o pior que pode acontecer a unha doutrina filosófica, quanto à sua credibilidade, é ter sido formulada antes de Kant. E aquilo que tem um pior resultado no exame crítico kantiano é a metafísica racionalista. Perante o que foi dito (que, de acordo com o referido, será devidamente exposto em próximas páxinas) poderíamos supor que Espinosa permaneceu como um simples e ultrapassado pensador racionalista do século XVII, com interesse apenas para os historiadores da disciplina, ou sexa, como unha relíquia ou um vestíxio arqueolóxico no vasto xazigo das ideias mortas. Isso non é verdade. Inspirou escritores e poetas. O espinosismo continuou aberto para pensadores rigorosamente filosóficos e de índole muito diversa. O muito britânico (no sentido de detentor do proverbial “common sense” e relutante aos voos metafísicos) Bertrand Russel escreber: “Espinosa é o mais nobre e o mais admirábel dos grandes filósofos. Intelectualmente, alguns podem tê-lo ultrapassado, mas quanto à ética ocupa o lugar mais elevado” (História da Filosofia Ocidental).

JOAN SOLÉ