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O FADO (A CAPACIDADE DE TRANSPOR FRONTEIRAS)

Em 2009, no ano em que se assinalam dez anos da partida de Amália para o eterno descanso, Carminho edita o seu álbum de estreia “Fado”, alcançando o galardón de ouro, fazendo também bastante frenesí na imprensa. Carminho é filha da fadista Teresa Siqueira. Correndo o fado na família e tendo percorrido o circuito fadista de casas de fado. Carminho transporta agora a tradiçón do fado na sua voz e dá os primeiros passos rumo a outras esferas… Em Xaneiro do 2011, estreou no cinema “Com que voz”, o documentário sobre a vida de Alain Oulman (1928-1990), compositor, editor literário, encenador e figura política. O documentário é realizado polo filho do compositor, Nicholas Oulman, tendo sido apresentado pola primeira vez em 2009 no DocLisboa, e vencendo o prémio para a melhor primeira obra. Considerado um compositor que inovou o fado de Lisboa e que musicou muitos poetas, engrandeceu a voz de Amália Rodrigues com a qual manteve unha longa parcería. “Alain Oulman passou polo mundo quase como um anxo, de tal forma as pessoas falam dele, afectuosa e carinhosamente”, afirmou o realizador. No espólio fadista fica um vasto e riquíssimo arquivo por descobrir, pouco a pouco muitos desses antigos fados ván chegando ao mercado em ediçóns como esta. Para muitos, o fado ficou-se nos anos 60. A evoluçón, o progresso e a mudança, som sempre desafios difíceis. Na entrada da segunda década do século XXI, o fado confirma a sua tendência global e atinxe um novo auge de popularidade, proba disso som as centenas de concertos que se realizam todos os anos no estranxeiro de artistas portugueses sob o desígnio do fado, assim como o aparecimento de cantores de outras nacionalidades a cantar a cançón portuguesa. Mesmo em tempos de crise e contrariamente a muitos outros xéneros, assiste-se a um elevado número de ediçóns fadistas, com maior ou menor qualidade, com mais ou menos sucesso. A verdade é que o fado continua com forte vitalidade e a despertar o interesse de um número cada vez maior de admiradores por todo o mundo. Nem todos os países se podem orgulhar de ter um xénero musical tán rico e com unha capacidade tán grande de transpor fronteiras.

FADO PORTUGAL

A CAUSA MATERIAL

“Os que por primeiro filosofaram, na sua maioria, pensarom que os princípios de todas as cousas fossem exclusivamente materiais. De facto, eles afirmam que aquilo de que todos os seres estám constituídos e aquilo de que orixináriamente derivam como o que por último se dissolvem, é elemento e princípio dos seres, na medida em que é unha realidade que permanece idêntica mesmo na mudança das suas afecçóns. (…) Tales, iniciador desse tipo de filosofia, diz que o princípio é a água (por isso afirma também que a terra fluctua sobre a água), certamente tirando esta convicçón da constataçón de que o alimento de todas as cousas é húmido, e da constataçón de que até o calor se xera do húmido e vive no húmido (…) Non se pode considerar Hípon entre os primeiros que filosofaram, dada a inconsistência do seu pensamento. Anaxímenes e Dióxenes, ao contrário, mais do que a água, considerarom como orixinário o ar e, entre os corpos simples, consideraram-no como o princípio por excelência, enquanto Hípaso de Metaponto e Heraclito de Éfeso considerarom como princípio o fogo. Por sua vez. Empédocles afirmou como princípio os quatro corpos simples, acrescentando um quarto aos três acima mencionados, a saber a terra. (…) Anaxágoras de Clazomenes, anterior a Empédocles (…), afirma que os princípios som infinitos. (…) Com base nesses raciocínios, poder-se-ia acreditar que existia unha causa única: a chamada “causa material”.”

ARISTÓTELES (METAFÍSICA)

LITERATURA CASTELÁN (DISPUTA DEL ALMA Y EL CUERPO)

A “Disputa del alma y del cuerpo”. Esta composiçón debe de pertencer ós últimos anos do século XII, ou primeiros do XIII. Foi encontrada no Archivo Histórico Nacional, num pergaminho procedente do mosteiro de Oña de 1201, e publicada e estudada por Menéndez Pidal. Consta de 37 versos agrupados em pareados, e está inspirada no poema françês “Débat du Corps et de L’Ame”, versón à sua vez de outro poema latino, “Rixa animae et corporis”. O seu tema consiste na discusón que mantenhem o corpo e a alma de um difunto, atribuíndo-se recíprocamente a culpa dos seus pecados. Adquiríu difusón em todas as literaturas europeias, e na castelán persistíu baixo diferêntes versóns: nos começos da escola alegoricodantesca, finais do século XIV, reaparece com o título de “Revelación de un ermitaño”; tem influênça na “Farsa racional del libre albedrío” na qual se representa a batalha que existe entre o espírito e a carne; e penetra até à época de Calderón, que a utiliza num dos seus “autos sacramentais”, da primeira época, entitulado “El pleito matrimonial del Cuerpo y el Alma”.

JUAN LUIS ALBORG

RORTY (O PROBLEMA DA COMPREENSÓN)

Na realidade, o que mudou a linha de pensamento de Rorty foi a descoberta de Wittgenstein. As “Investigaçóns Filosóficas” tinham-no surpreendido, entre outras cousas, porque nelas a filosofia testemunhava os seus próprios autoenganos e ineficácia. A filosofia analítica decidia quais eram os problemas da filosofia, mas lendo Wittgenstein podia chegar-se à conclusón de que muitos desses problemas non se deviam reformular, mas sim esquecer. O problema non era como considerar os problemas de outra forma, mas se a ideia de que “considerar algo” é a única forma de fazer filosofia: “Se se tentar afirmar teses em filosofia” – afirmou Wittgenstein nas suas Investigaçóns Filosóficas – “nunca será possíbel debatê-las, pois cada um estaria de acordo com as suas”. Quando Rorty completa a sua retrospectiva da viraxem analítica non chega a adquirir um método; sai mais convencido de algo que para el xá resultaba claro quando via discutir outros tipos de filósofos: na verdade, non se ganham discussóns, quando muito ou passamos para a linguaxem do contrário ou assimilamos o contrário em nós próprios. Isto também é possíbel entender ao levantar um pouco a cabeça de cada debate e contemplar os estilos de debate de forma mais panorâmica. As próprias desavenças entre a filosofia analítica e o que acabou por se chamar filosofia continental também pareceram a Rorty fruto de diferênças muito profundas que tornavam os diálogos circulares. Para alguns, travava-se a luta das luzes da ciência contra a noite escura da especulaçón, ou a sensatez ou cordura do senso comum contra os desvarios linguísticos. Os positivistas que Rorty leu na sua xuventude prosseguiram na conquista da “seriedade e da neutralidade”. Desde a época do pós-guerra tinham-se tornado guardiáns da razón face a metafísicos europeus como Heidegger e a pragmáticos norte-americanos como Dewey. E a filosofia da linguaxem ordinária de finais dos anos cinquenta continuava empenhada em dar credibilidade à sua serenidade, perícia e solvência face ao estílo literário da filosofia europeia. Russell tinha defendido a pureza de um conhecimento obtido a partir de unha perspectiva impossíbel, quase divina. Em contrapartida, os filósofos da linguaxem ordinária reclamavam a sensatez da vida comum à face da terra. Mas todos eles se arrogavam o cuidado da razón. Porque os filósofos se entendem tán pouco uns aos outros? Porque dán tantas voltas para tornar a chegar a premissas xerais que permanecem ocultas? Durante os seus anos de formaçón Rorty sempre se fez essa pergunta a si próprio, mas em vez de se interrogar sobre quem detém a verdade ou que critério poderiam aceitar ambos os lados para decidirem, xá em 1961 começou a fazer outra pergunta que non tinha a ver apenas com o mundo da filosofia, mas com a vida em xeral: “como se consegue manter a comunicaçón?” Visto assim, os desacordos filosóficos sobre o que é argumentar poderiam ser usados para algo mais do que para se tornar um filósofo especializado. Mas que formas alternativas tinha Rorty para entender o problema da “compreensón”?

RAMÓN DEL CASTILLO

EM NOME DE GUILLADE (AS LUTAS CONTRA O DEBAIXO DE SAN MIGUEL)

Seguem os atrancos às Xuntas de Montes. Repítese unha vez mais a “curiosa” política do noso Concello coas Xuntas de Montes. Esta vez tócalle o turno à de Arcos. Os veciños pretendían arranxar o turreiro da Capela cos restos da pedra dunha canteira do Comunal que está alquilada. O “inquilino” prestábase a levar gratuitamente o morrillo. Enterado o Sr. Alcalde mándalle un oficio no que lle prohibe facer obras sen licencia municipal. ¡Que chiste! Hai veciños que están arranxando aceras e camiños co permiso verbal do Sr. Castro. Outros, neste caso os que lle fan frente para que non lles manexe os cartos dos piñeiros, non poden botar unha pouca de terra no turreiro que é para favorecer a tódolos veciños. Xa D. Quixote dixo aquello de: “cousas verédes amigo Sancho”.

. Escrito

Reproducimos o escrito da Alcaldía, para que sirva de testemuña permanente de como se goberna neste Axuntamento: Ponteareas, 2-11-1984. – Sr. Don Francisco Ambrosio Novas. -PORRIÑO. -Muy Sr. mío: Teniendo conocimiento esta Alcaldía de que Vd. realiza trabajos en la parroquia de Arcos de este Municipio, empleando maquinaria de su propiedad cuyas obras carecen de la oportuna licencia Municipal, por la presente le requiero para que se abstenga de realizar obras en esa o en cualquiera de las parroquias de este término Municipal, que no estén debidamente autorizadas por la corporación. Lo que participo para su conocimiento y efectos. El Alcalde. – Fdo. José Castro Alvarez.

PUBLICADO NA PENEIRA (ANO I – 1984)

DAVID HUME (DIÁLOGOS SOBRE A RELIXIÓN NATURAL)

O “argumento do desígnio” é, tal como o “argumento cosmolóxico”. um argumento baseado no mundo físico. Mas, ao contrário do “argumento cosmolóxico”, non procura inferir a existência de Deus da existência do mundo e da supósta necessidade de este, como tudo o mais, ter unha causa. Procura antes provar a existência de Deus a partir da ordem e do desígnio que o mundo revela. Além disso, o argumento do desígnio é um argumento a posteriori, isto é, um argumento cuxas premissas som estabelecidas com base na experiência. Por este motivo, pode apenas aspirar a mostrar que a existência de Deus tem um gráu elevado de probabilidade. É costume distinguir duas versóns do argumento do desígnio. consoante o argumento ponha ênfase na ordem do mundo ou na adequaçón dos obxectos aos fins. Á primeira versón do argumento chama-se “nomolóxica”, da palabra grega “nomos”, que significa norma ou lei; à segunda chama-se “teleolóxica”, da palabra grega “telos”, que significa fim ou propósito. Assim, o argumento do desígnio pode ser unha tentativa de probar a existência de Deus a partir da ordem do mundo, caso em que estaremos perante a versón nomolóxica do argumento, ou a partir da existência de um propósito ou fim, sexa no mundo como um todo, sexa nunha clásse de seres do mundo, como os organismos vivos, caso em que se faz apelo à versón teleolóxica do argumento( ). Hume oscila, por vezes, entre unha e outra versón, mas, na maior parte dos casos, non faz qualquer distinçón emtre ambas e é até frequente as duas versóns surxirem xuntas. A apresentaçón que Cleantes faz do argumento na Parte II dos Diálogos é, xustamente famosa: “Olhai o mundo em redor. Contemplai-o no todo e em cada unha das suas partes. Verificareis que é apenas unha grande máquina, subdividida num número infinito de máquinas menores, que admitem novas subdivisóns num gráu que ultrapassa o que os sentidos e as faculdades humanas podem investigar e explicar. Todas estas diversas máquinas, e mesmo as suas partes mais pequenas, están axustadas unhas às outras com unha precisón que fascina todos aqueles que xá as contemplaram. Por toda a natureza, a extraordinária adaptaçón dos meios aos fins assemelha-se exactamente, embora as exceda em muito, às produçóns da invençón, desígnio, pensamento, sabedoria e intelixência humanas. Por consequência, unha vez que os efeitos som semelhantes, somos levados a inferir, por todas as regras da analoxía, que as causas também som semelhantes e que o Autor da natureza é um pouco similar à mente humana, embora dotado de faculdades muito mais vastas, proporcionais à grandeza da obra que executou. Por este argumento “a posteriori” e apenas por este argumento, provamos ao mesmo tempo a existência de unha Deidade e a sua semelhança com unha mente e unha intelixência humanas. (Diálogos, II, 28). Nesta passaxem, a partir da semelhança entre os artefactos, isto é, os obxectos produzidos polos seres humanos, e os obxectos naturais, Cleantes procura estabelecer a semelhança da causa do universo com os seres humanos.

ÁLVARO NUNES (JULHO 2005)

GALLEIRA (20)

Tratando-se de povoaçóns das alturas, forzoso é falar dos “Castros” esses especiais monumentos. Na realidade, aquelas primitivas cidades, asentábam-se todas elas em grandes castros, cuxo destino dá bem a entender o nome com que as recorda a tradiçón. Desde a Cinânia portuguesa até à galega Armeá, à qual, como queda dito, chamou castro o Padre Sarmiento, todas o som. Ao mesmo tempo fortaleza e cidade, presentam-se ao nosso arbítrio baixo todos os aspectos na que a cidade antiga pode ser considerada, isto é, como templo, como morada do xefe e por tanto como tribunal e lugar de asambleia. O seu destino relixioso o proclamam os castros Nemeño e de Rebón; o xurídico, o de Faramello, conhecido também por castro Lupario, nome que denota residência real; como lugar de asambleia o de Santa Susana (Santiago); como fortificaçón o aspecto e disposiçón de todos eles. É pois o monumento mais curioso que a idade antiga nos legou. Se queremos dar unha ideia destes monumentos com as mais breves palabras possíbeis, bastará dicer que o “castro” é o “oppidum” dos galos. Varíam na forma, ainda que non tanto como na extensón, e por conseguinte na importância; mas, no fundo som o mesmo, isto é, unha colina mais ou menos acentuada, que se aproveita e dispón para a defesa de um pequeno território. Dentro de um murado recinto pode abrigar unha pequena povoaçón. Com grande verdade, afirma o vulgo que os castros se vem uns aos outros. Assim é. Nunca se encontra um só, mas sí os necessários para formar unha linha circular de primitivas fortificaçóns que guardam unha cidade ou um val, unha rexión dada. Enlazam-se os uns aos outros e correspondem-se, continuando polas estribaçóns das montanhas, como os vales que se sucedem ao longo do país galego. Talmente, unha serpe de inumerábeis aneis, que se estênde e enrosca indefinidamente. O mesmo Castro é como unha espiral que vai do chán o cûme, dando as suas, duas, três ou mais voltas ó redor da colina.

MANUEL MURGUÍA

MONTAIGNE (VIAXEM A ITÁLIA)

O ano de 1580 é também o da “voyage en Italie”, da qual Montaigne fará um escrupuloso e pintoresco relato socio-antropolóxico no seu Diário. A quatro de Septembro, xuntamente com um bom grupo (Bertrand de Montaigne – o mais novo dos seus irmáns -, Charles d’Estissac, Bertrand de Calezelis – senhor de Frayche, seu cunhado e marido da sua irmán Marie – , e o senhor Du Hautoy), inicia a sua viaxem a Itália, passando pola Suíça e pola Alemanha. De 15 a 17 de Novembro, em Ferrara, visita Tasso, internado no hospital de Sant’Anna (aquela sabedoria e clareza tán luminosa ao ponto de cegar e se transformar em loucura, como rexistrará no regresso da viáxe). Vivacidade letal, apreensón nervosa da rexíon que deixa sem razón, exercício da alma que deixa sem alma. Montaigne conhece a teoría dos humores, a tese que afirma que os melancólicos som homes de xénio. Cita Platón (os melancólicos som mais dispostos para a ciência e mais excelentes e têm maior propensón para a loucura); teria podido citar também Aristóteles. Unha força e unha ductibilidade que atropelam os “homes de xénio”. Sente mais desprezo do que compaixón ao ver Tasso sobreviver a si próprio, non se reconhecer nas suas obras que, nas suas costas, mas sob os seus olhos, tinham sido publicadas “incorrectas e disformes”. Em Ferrara, cidade que parece a Montaigne escassamente povoada, visita também o túmulo de Ariosto e faz indirectamente alusón a ele, ao evocar a morte na indixência de Lílio Gregório Giraldi, de quem possuía um exemplar do “De deis gentium”, e de Sebastian Castellion. O argumento é evocado num contexto totalmente político em “Um Defeito dos Nossos Governos”, capítulo no qual Montaigne introduz unha interessante história paterna. O seu pai, “home de enxenho muito apurado por ter tido apenas a axuda da experiência e do temperamento”, tinha-lhe revelado um proxecto seu de carácter político-social, pois queria instituir nas cidades um lugar determinado ao qual pudesse recorrer quem necessitasse de algo: quero vender pérolas, procuro pérolas à venda, mas também buscas mais essenciais de trabalho e disponibilidade para fazer unha obra. Um meio para “avisar-se reciprocamente”, e, portanto, útil para as relaçóns públicas: “em qualquer momento, de facto, há situaçóns que se procuram reciprocamente e se non se encontram, deixam os homes nunha extrema necessidade”. A 30 de Novembro, chega a Roma: no dia de Natal, assiste à missa pontificia de San Pedro e, a 29 de Decembro, Gregório XIII recebe-o em audiência, como testemunha o “Diário”. A celeridade do encontro entre Montaigne e o papa fixo avançar a hipótese de unha motivaçón político-diplomática para a orixem da viáxe.

NICOLA PANICHI

¡¡ÁI, MISÉRIAS, MISÉRIAS!!

Os anarcos, non pisabam a Bodega Bohémia, por considerála a inmundícia de unha sociedade corrupta. “A arpía da Concha Piquer, tinha-se cargado a Miguel de Molina”, afirmabam. “Para quedar-se só”, remataba o caixista. E eu colhía uns cabreos lexendários porque adoraba a Concha Piquer. E a continuo adorando. “Esa zorra amiga de Serrano Súñer”, insistía o impressor. “A zorra será a tua irmán”, replicaba eu. Acredito que comecei a interesarme polos asuntos da política, porque esta xente sabía muitas cousas, que os demais ignorábamos. Tinham perdido a guerra, mas restába-lhes a sabedoría. Eu duvidába de que tán alto preço e sacrifício, tiveram merecido a pena. Aquel home bom, miope e sábio, tinha unha irmán que era unha santa. E non por falta de beleza e de sensibilidade, senón por convicçón: unha santa anarquista, que tinha dedicado a sua vida à causa e à que eu, por despeito, chamaba zorra. Decía-lhe eu ao velho, Felipe Padierna, o caixista, a tua irmán vai quedar para vestir santos. O de vestir santos, sacábao de quício (era a minha vinganza polos seus agrávios feitos à Piquer). Ademais da nostalxía e da solidón, os espanhois sofrián de outros males na Alemanha. Contába-mo, unha noite um austríaco borracho e impotente, Adolf Polster, que tinha sido das SS. Polster tinha boa memória e mala consciência. Traxinába em negócios de subcontrata para subempressas: perros xudeus, perros turcos, perros gregps; sem papeis, sem dereitos, sem nada. Essa mercadoría humana era a mais rentábel. Perguntei-lhe polos perros espanhois? Respondeu-me que, em linhas xerais, todos os espanhois chegabam com os papeis arranxados e com dereitos e que para o seu negócio, isso non era conveniente. “Eu colho-os só para malas “chapuzas”, duro “arbeiten” mas bom, com horas extras, mais dinheiro: cobram, calan, “sehr gut”. Adolf Polster era um “hijoputa”, “negrero” que, encima, vinha divertir-se a Espanha. Non era o único responsábel, pois suponho que tería os seus capatazes, os seus políticos untados com marcos cobertos de suor e de miséria proletária. Herr Polster, forrado de dinheiro, era um miserábel que non sabía como gastálo; senón, que facía naquel hotelucho? Misturado com o que começábamos a chamar “turismo de alpargata”. Por dinheiro, a seu sitio estaba mais arriba, nos luxos da Costa Brava; por mentalidade e educaçón, era um mais entre os proletas.

JAVIER VILLÁN E DAVID OURO

LOCKE (A ECLOSÓN DA BURGUESIA)

A guerra civil britânica de 1642 foi unha amostra das convulsóns que fustigariam os governos da Europa e que acabariam por dar orixem aos Estados modernos. Locke tinha dez anos quando começou o conflícto, apesar de a sua formaçón non ter sido afectada polo confronto bélico graças aos contactos que o seu pai urdíu no grupo vencedor. A família de Locke ficaria desde o início do lado do parlamento: o seu pai alistou-se para lutar e foi nomeado capitán de unha das milícias por Alexander Popham, fervoroso parlamentarista e home influênte na rexión; como vimos no capítulo introductório, este posicionamento do pai facilitaria, acabada a guerra, o acesso de John Locke às instituiçóns de ensino mais conceituadas do país. O conflícto puxo frente a frente o rei absoluctista Carlos I de Inglaterra e os defensores do parlamento britânico. Como xá fixéra o seu pai, Carlos I prescindia do parlamento à vontade, anuláva-o durante longos períodos, até que lhe voltára a interessar convocá-lo. As maiores disputas entre o rei e o parlamento surxiram por causa do dinheiro. O monarca pretendia usar os impostos para reforzar a marinha e pagar as campanhas bélicas que mantinha abertas contra a Holanda e a Espanha, enquanto o parlamento se opunha a isso. Certo é que obtivera algunhas victórias, como aquela que, com a axuda da França, propiciou a libertaçón da Flandres da coroa espanhola em 1643, mas também fracassou em muitas outras contendas. De modo que os latifundiários e os novos burgueses, que constituíam o parlamento e eram quem contribuía com o dinheiro, mostravam-se reticentes a gastá-lo em empressas com escassas possibilidades de sucesso. Carlos I, autoritário e pouco paciente, estaba convencido de que o seu estatuto emanaba directamente da divindade, e non ia permitir que um grupo de súbditos se opuxéram às suas ordens. O seu desprezo polos conselhos dos parlamentares e a sua mala xestón provocarom um grande mal-estar, que acabou por derivar nunha guerra civil em que cada inglês escolheu o seu bando, segundo os seus interesses e crenças. O norte e o Oeste do país optaram por apoiar o rei de forma xeneralizada, enquanto no Sul e no Leste se concentraram os defensores do parlamento. Instalou-se um conflícto em que a emerxente burguesia pôs em xeque a velha aristocrácia.

SERGI AGUILAR

PASSEIOS PARA UNHA TARDE DE SÁBADO (VILA DO CONDE)

Fomos de longada, alá polas once da manhán, de um dia marrulheiro que por fim acabou despegando sobre a tardinha. Caminho das praias de Lavra e de Vila do Conde, para comer e conversar demoradamente. O dia estaba de nevoeiro, e também bastante ventoso, non obstante a temperatura era agradábel para passear pola praia. Visitamos a praza do lugar, para “fisgonear” por ali as viandas que logo comeríamos no restaurante de primeira linha de praia, para disfrutar as vistas do mar sem fundo, e tomar um pouco de sol, que boa falta nos fái.

O restaurante estaba cheio de xente popular, misturada com os inimigos espanhois (que por esta vez, non eram ruidosos, e incluso falabam galaico-português) e bastantes reproductoras françêsas de muito boa aparência, ademais de pelengrinos que iban de xoelhos a Compostela para logo enforcar-se nas portas da catedral, dando assim unha liçón de humildade sem igual.

Cpmp bpns conhecedores, pedimos unha sopa de peixe, pois sabiamos que seguramente sería o melhor que ibamos a comer ali. As ameixoas, non é que foram realmente malas, nem que estiveram mal cocinhadas, mas a verdade diga-se, resultabam bastante vulgares. Depois, comemos unhas sardinhas assadas nas brasas como entrante, que estabam bastante bem. E para rematar, foi um rodavalho assado nas brasas, mas desafortunadamente, graças à minha impertinência crónica, acabamos sabendo que era de viveiro, o qual nos deixou bastânte decepcionados. Mas, para a proxima xá sabemos que há que pedir unha lubina grande, que saía das medidas setandard dos viveiros.

Seguidamente, e para fazer a dixestón, démos unha volta a pé pola areia, para deitar unha olhada sobre as “maruxainas” do lugar, o tempo seguía ventoso, polo qual partimos cara ó centro de Vila do Conde.

A entrada na cidade, baixo a presênça do imponente paço condal, sobre a que era antigamente a principal via de acçeso, resulta espectacular de verdade. Esta imáxe, permaneceu grabada na minha memória desde a infância. Logo de tomar uns chás de cidreira à sombra, como verdadeiros lords do século XXI, entramos no bpnito mercado municipal.

Há que dar unha volta pola fermosa vila,

Também, para as almas que necessitem orientaçón, tenhem aquí esta torre defensíba adosada a unha igrexa, formando um soberbo conxunto.

Mas, sobre tudo, unha obra monumental, o aqueducto de Vila do Conde, que acredito sexa o mais grande do país.

LÉRIA CULTURAL

VOLTAIRE (TEATRO SOBRE A ROMA ANTIGA APROVEITADO POLOS REVOLUCIONÁRIOS)

Durante a sua estada em Inglaterra, escrebeu “Bruto”, personaxem que non se refere ao assassino de César, mas ao seu antepassado e principal artífice da revoluçón patrícia, que derrubou a monarquía para converter Roma nunha república, e non hesitou em executar os seus dous filhos, que tinham fomentado unha conspiraçón para devolver o trono a Tarquínio, “Quando Tarquínio acabou com o contracto que o ligava ao seu povo, perdeu toda a sua lexitimidade, restituíndo-nos os nossos xuramentos ao trair o seu.” Daí a fazer de Voltaire um precursor de Robespierre era um passo. “Bruto” non é um apelo à revoluçón, mas um diálogo filosófico. No século XVIII, a palabra república designaba um rexíme constitucional e non unha forma concreta de governo, tal como Rousseau destaca em “O Contracto Social”: “Chamo república a todo o Estado rexido por leis, sob qualquer forma de administraçón; todo o governo lexítimo é republicano”. Contudo, “Bruto” será representada em Novembro de 1792, durante o processo contra Luís XVI e, depois, na véspera da sua execuçón, pois os xacobinos queriam xustificar o seu rexicídio. O outro Bruto, o de “também tu, meu filho”, aparece na sua peça “A Morte de César”, a qual se inspira em Shakespeare, embora na versón voltairiana “Brutus” sexa realmente filho de César, debido a um casamento secreto com Servília, irmán de Catón, que o educou, o que permite duplicar a traxédia política num conflícto psicolóxico, xá que Bruto queda muito afectado ao saber que César era seu pai. Voltaire também se inspirará em Shakespeare, desta vez em Otelo, ao escreber “Zaira”. Depois de terem aparecido, no ano anterior, nunha versón inglesa, em 1734 som publicadas as suas “Cartas Filosóficas”, também conhecidas baixo o título de “Cartas Inglesas”, que o Parlamento de Paris censurará por “inspirarem a mais perigosa libertinaxem para a relixión e para a ordem da sociedade civil”. Um contrariado Voltaire escreberá ao seu amigo Argental esta impressón sobre tal censura: “A verdade é que, xá que gritam tanto por estas condenadas cartas, nem imaxinais como me apetecia ter dito ainda mais cousas”. Naquela época. Grimm publica na sua “Correspondência Literária (Correspondence Littéraire) esta descripçón de Voltaire: Coloca na sua acçón todo o fogo que encontraram nas suas obras. É como unha chispa que vai e vem, e que vos deslumbra, faiscante. Sensíbel e afectuoso, voluptuoso sem paixón, non persevera em nada por decisón própria e interessa-se por tudo. É preciso unha cabeza muito clara para abordar, como ele faz, todas as matérias. Voltaire empenha-se em ser um home excepcional e, sem dúvida, consegue sê-lo.

ROBERTO R. ARAMAYO

LITERATURA LATINA (A PROFISSÓN TEATRAL EM ROMA)

Non houbo teatros permanentes em Roma até ó 55 a. C.; os planos que forom postos em marcha sobre o ano 179 e o 174 a. C. abandonarom-se. A tradiçón romana tinha sido sempre que os actores foram às festas, non as festas aos actores. Os escenários eram pré-fabricados de madeira, probabelmente como os representados nos vasos do Sul de Itália, eram levantados em diferêntes lugares de festas. Estas e outras parafernálias resultabam próprias dos “impresari” de actores como T. Publilio Pelión, associado com Plauto por longo período, e L. Ambivio Turpión, que producía, actuaba e administraba para Terencio e Cecilio. Existe a crênça persistente de que o teatro romano no seu período primitivo era a esfera do obscuro e estaba aflixido pola pobreza. Isto resulta questionábel. Em qualquer caso Pelión e Turpión chegarom a obstentar nomes de aristocrática resonância, eram homes de peso, familiarizados com a élite política polo seu trato constante com eles, os futuros pretores e cónsules. Ambivio presenta-se a sí mesmo em prólogos de Terencio (da década do 160 a. C.) non só como um grande actor, orgulhoso da sua arte, senón também como patrocinador artístico que podía permitir-se apoiar unha obra impopular e reivindicá-la. Habia muito dinheiro em Roma nos anos que se seguirom às guerras púnicas, e do Oriente, e Pelión e Turpión pertenciam à clásse de homes que se fixérom ricos, facendo contractos oficiais com os ediles. Cara à década de 170 dessarrolhou-se unha notábel “temporada social”. As féstas relixiosas estabam precedidas por um número de dias dedicados às diversóns, financiadas e organizadas polos ediles. Carreiras (ludi circenses) e representaçóns (ludi scaenici) podiam estar acompanhadas por eventos “concomitantes”, por exemplo sesóns de luta ou carreiras com cordas. A temporada abría-se com os “ludi Megalenses” (Megalesia) (primeiros de Abril); seguíam os “ludi Cereais” (finais de Abril); Florais (princípios de Maio); Apollinares (meados de Xulho); Romani (metade de Septembro) e Plebeii (princípios de Novembro), de maneira que em teoría iam desde a Primavera ao Outono. Mas, na práctica, debido a que na década de 190 se deixou de intercalar bienalmente, o calendário non acompanhaba em absolucto o passo das estaçóns (quase quatro messes de diferênça, na época do apoxeo de Plauto; um erro reducíu a só dous messes e meio em tempos de Terencio). Assím, nos anos 180 as Megalesia acabarom caíndo a meádos do inverno e os “ludi Plebeii” no apoxeo do vrán. As féstas tinham sído instituídas unha a unha, sendo com muito as mais antigas os “ludi Romani”. O período de crescimento mais importânte foi do 230 ao 190 a. C., anos de grande tensón e ansiedade, quando o Senado consideraba ditos entretenimentos, um modo útil de substentaçóm da moralidade pública. O drama beneficiou-se em grande maneira, e cara à década do 180, é probábel que Plauto e Ennio tiveram ó redor de quatorze dias para a produçón, menos que o tempo disponíbel em Atenas para as competiçóns dramáticas. Isto non era tudo, habia produçóns ocasionais em xogos votívos ou funerários, pagadas por cidadáns particulares. Se fora observado um defeito no ritual, toda a fésta, com representaçóns e tudo, tinha que ser repetida, até que as cousas saíram perfeitas.

E. J. KENNEY E W. V. CLAUSEN (EDS.)

HEIDEGGER (ONTICAMENTE)

Mais do que unha alternativa, o que rexe a investigaçón completa de “Ser e Tempo”, e de todo o Heidegger que vem depois, por mais voltas e armadilhas que apresente, é a pergunta elemental “como aparece unha cousa”, pois pode ser que nesse “como” resida o seu “qué”, o seu ser. À luz desta perspectiva, a obra completa de Heidegger ganha unha coherência para além dos seus desvios e desvarios. Porque o facto de que das cousas se faça agora questón a partir do sentido do ser está relacionado com o facto de as cousas se encontrarem perdidas num todo indiferente (a sua consideraçón como entes) que impede de as considerar a partir de si próprias, ou sexa, a partir da sua própria manifestaçón. As cousas aparecem só como entes, ou segundo a xíria de Heidegger, “onticamente”. A investigaçón partirá desta situaçón das cousas, todas elas igualadas no cenário desse todo, para ir em busca do seu sentido, que nunca poderá ser um conteúdo, ou sexa, que ao mesmo tempo nunca poderá aparecer como unha cousa ou como um ente. Nesse contexto, volta a ecoar aquele lema que caracterizou a fenomenoloxía de Husserl: “as próprias cousas!”, que em Heidegger se traduzirá como: “o próprio sentido!”.

ARTURO LEYTE

GLÓRIA ÓS 2000 ARTIGOS DO POMAR

Celebramos, ao som dos cascos da cabalaria Makknoviste, estes dous mil memorábeis artigos, do nosso heroico Pomar de Epicuro. E com eles, entramos num novo mundo, que parece non augurar nada de bom, para o futuro da humanidade. Parece ser, que esta xentinha, non nos vai traer nem tranquilidade nem abundância. Tudo o contrário! As desigualdades ván em aumento, e com elas, virám os conflíctos e as inxustíças. Adivinha-se, um estado mais autoritário, que intenta meter-se nos mais escondidos recovecos das nossas vidas. Caminhamos cara a unha sociedade espectral, em que o virtual acaba passando por real, e as multidóns desfilam confinadas, nas rutas dos hospitais ciêntíficos. Non digo, que non estexam emfermos! Claro que o están! Mas, a sua doença resulta doutra natureza muito mais gráve que esta do covicioso. Non há que deixar-se esmagar assim, tán facilmente, pois está claro que logo, xá non quereram dar marcha atrás, e renúnciar aos priviléxios adquiridos. Um saúdo, xusto e igualitário para quase todos.

A IRMANDADE CIRCULAR COMUNAL