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ESCRITORES HISPÂNOS (AZORÍN)

Azorín (Monóvar, Alicante, 1873 – 1967). Pseudónimo de José Martínez Ruiz, quem num princípio utilizou o nome de “Cándido” em “La crítica literaria en España” (1893), despois firmou “Ahrimán” no seu libro de crítica satírica “Buscapiés” (1894) e finalmente quedou como “Azorín”, apelido muito comum na zona levantina espanhola, a partir da sua famosa triloxía. Foi novelista e ensaista. Estudou dereito em Valência, Granada e Salamanca. Começou por ser um anarquista sentimental como Unamuno, Baroja e Maetzu e acabou sendo conservador. Chegou a Madrid com a esperanza de se converter em xornalista, mas foi despedido do “El Imparcial” pola sua insistência em publicar sobre a hambruna e a inxustíza reinantes na Andalucía. Non obstânte, foi perdendo a fé na acçón política como o demonstra na triloxía que o fixo famoso, “La voluntad” (Barcelona, 1902), que trata da abulia extrema; “Antonio Azorín” (1903) e “Las confesiones de un pequeño filósofo” (1904) mostram as vivências extraídas de unha experiência espiritual. O seu fermoso libro sobre “El alma castellana (1899) foi recebido com entusiasmo por Menéndez y Pelayo e por Clarín, mas foi com a triloxía quando começou a coalhar o conceito de “generación del 98”, hoxe tam popular entre os críticos. Antonio Azorín é o nihilista característico, paradigmático da xeraçón. Empapado da melancolía de Schopenhauer. Só a fé pode devolver o optimismo, mas Antonio e o seu amigo Yuste non a tenhem. As três novelas carecem de unha extructura tradicional, pois o argumento é débil ou non existe, e estám construídas a partir de um forte elemento de disquisiçón filosófica intercalada com breves estampas da infância e da adolescência de Martínez Ruíz. Pronto renegou da sua obra novelística e mudou para o ensaio, o qual cultivou às vezes com erudicçón, mas mais frequêntemente com um estilo impresionista e cuidadosamente escrito. A sua descripçón dos estados de ánimo e dos lugares, normalmente casteláns, resulta precisa e, na opinión de Ramón Pérez de Ayala, o seu estilo é plástico, cheio de delicadeza, valores pictóricos e conteúdo espiritual; com beleza estilística, sobriedade e, ao mesmo tempo, influênças clássicas. O seu primeiro nihilismo acabou convertido despois, num elegante escepticismo à maneira de Horacio. Os seus ensaios encontram-se reunidos nos libros: “Los pueblos” (1905), “La ruta de don Quijote” (1906), “España: hombres y paisajes” (1909), “Lecturas españolas” (1913), “Castilla” (1912), “Clásicos y modernos” (1913), “Los valores literarios” (1913), “Al margen de los clásicos” (1915), “Rivas y Larra” (1916), “Un pueblecito” (1916), “El paisaje de España” (1917), “Los dos Luises (de León y de Granada) y otros ensayos” (1921), “Una hora de España” (1924), “Racine y Molière” (1924), “Escritores” (1956), e “De Valera a Miró” (1959). Em 1930 tratou de escreber teatro, mas fracasou. Os seus contos forom recolhidos num volûme publicado em 1956 como “Cuentos”. Os melhores tinham sido editados em 1929 baixo o título de “Blanco en azul”. Escrebeu mais duas novelas à parte das xá citadas “Félix Vargas” (1928) e “Superrealismo” (1929). Ambas publicadas despois com diferênte título: a primeira como “El caballero inactual” e a segunda como “El libro de Levante”.

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ESCRITORES HISPÂNOS (RESURRECCIÓN M.ª AZKUE Y ABERASTURI)

Azkue y Aberasturi, Resurrección M.ª (Lequeitio, Vizcaya, 1864 – 1951). Erudicto e linguista vasco. Filho do poeta Eusebio M.ª de Azkue. Sacerdote, aos vintiquatro anos ocupaba xá a cátedra de vasquênce do Instituto de Bilbao. Presidíu durante muitos anos a “Academia de la Lengua Vasca”. Publicou unha “Gramática euskara” (1891), um “Diccionario vasco-español- francés” (1905 – 1906) – o primeiro diccionário vasco que recolhe com rigor a fala popular, sem alterar nem inventar -, unha “Morfología vasca” (1923) e unha “Literatura popular del País Vasco” (1935 – 1947), assim como libros didácticos para o aprendizáxe do vasquênce.

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ESCRITORES HISPÂNOS (ENRIQUE AZCOAGA IBAS)

Azcoaga Ibas, Enrique (Madrid, 1912). Poeta e crítico de arte. O seu primeiro libro, “Línea y acento”, escrito em 1933, foi recomendado para o Premio Nacional de Literatura desse ano, mas continua inédito por desexo do autor. Editou a revista “Atlântida” e depois “La Hoja Literaria” em 1933 xunto com Arturo Serrano Plaja e Antonio Sánchez Barbudo em Buenos Aires, cidade na que radicou de 1951 a 1963. Dos seus muitos libros de poesía podemos citar os seguintes: “El canto cotidiano” (1943), “Cancionero de Sanborombón” (1960), âmbos publicados em Buenos Aires; “España es un sabor” (1964), “Del otro lado” (1968), “Olmeda” (Salamanca, 1970) e “Primera antología de poemas truncados” (Málaga, 1971). Escrebeu um útil “Panorama de la poesía moderna española” (Buenos Aires, 1953) e várias monografías sobre arte como “Los dibujos de Gregorio Prieto” (1948) e “La mejor pintura asturiana” (Buenos Aires, 1957). A sua novela “El empleado” (1949) é unha meticulosa descripçón do tédio que produce trabalhar nunha oficina.

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ESCRITORES HISPÂNOS (GUMERSINDO DE AZCÁRATE)

Azcárate, Gumersindo de (León, 1840 – 1917). Filho de Patricio de Azcárate (1800-1886), escrebeu vários libros filosóficos como: “Del materialismo y positivismo contemporáneos” (1870). Converteu-se num filósofo social e político, e em defensor do “Krausismo”, abonou-se às teorías utilitárias de Herbert Spencer. Estudou dereito na Universidade de Oviedo e durante muitos anos foi diputado a Côrtes como representante de León. Entre os seus trabalhos mais conhecidos están “Estudios económicos y sociales” (1876), “Estudios filosóficos y políticos” (1877), “La constitución inglesa y la política del continente” (1878), “Tratados de política” (1883), “El régimen parlamentário em la práctica” (1885) e unha interesante “Minuta de un testamento” (1876), que resume as suas ideias políticas. A sua posiçón liberal foi o branco das críticas dos sectores ultrarrelixiosos representados por Menéndez y Pelayo.

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ESCRITORES HISPÂNOS (MANUEL AZAÑA Y DÍAZ)

Azaña y Díaz, Manuel (Alcalá de Henares, 1880 – Montauban, 1940). Político e crítico literário. Foi director de “La Pluma” (1920 – 1923) e “España” (1923 – 1924), ministro de Guerra e xefe do goberno de 1931 a 1933, e presidente da República de 1936 a 1939. Escrebeu vários libros sobre Juan Valera, entre eles: “Vida de don Juan Valera” (1926); “La novela de Pepita Jiménez” (1928) e “Valera en Italia” (1929). Compilou os seus ensaios em dous libros: “Plumas y palabras” (1930) e “La invención del Quijote e otros ensaios” (1931). A sua novela “El jardín de los frailes”, é em parte autobiográfica, inspirada nas suas experiências da xuventude; foi publicada em 1926. Traducíu “The Bible in Spain” de Borrow. Depois da contenda civil escrebeu unhas “Memorias políticas y de guerra”.

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ESCRITORES HISPÂNOS (VITAL AZA)

Aza, Vital (Pola de Lena, Asturias, 1851 – 1912). Autor teatral. Despois de estudar e practicar a medicina começou a escreber sainetes, alguns em colaboraçón com Miguel Ramos Carrión. A sua primeira obra estreada: ¡Basta de matemáticas!, acolheu bastante êxito. Escrebeu mais de setenta obras. Em 1951 reeditárom-se as suas melhores pézas, entre as que podemos citar: “El sueño dorado” (1875) e “La rebotica” (1895).

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ESCRITORES HISPÂNOS (PERÁLVAREZ DE AYLLÓN)

Ayllón, Perálvarez de. Nada sabemos sobre este escritor, excepto que foi o autor de unha égloga dramática titulada “Comedia de Preteo y Tibaldo”, chamada “disputa y remedio de amor” que foi publicada em Toledo em 1553, despois de haber sido completada por Luis Hurtado de Toledo, o qual agregou 256 versos. Trata-se de um drama com ribetes satíricos, que narra os sofrimentos de amor, e os remédios para atenuá-los. Para o qual Ayllón se basa nos “Remedia amoris” de Ovidio, à vez que enaltece as qualidades das mulheres, às que Ayllón admira e defende contra obras que as vituperam como “El triunfo de las donas” de Juan Rodríguez de la Cámara. O texto foi reeditado em 1903 por Bonilla y San Martín.

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ESCRITORES HISPÂNOS (WENCESLAO AYGUALS DE IZCO)

Ayguals de Izco, Wenceslao (Vinaroz, Castellón, 1801 – 1873). Novelista cuxo êxito se basou fundamentalmente no sensacionalismo das suas estâmpas sobre a vida do baixo mundo espanhol. Influído por Eugenio Sue. As suas novelas publicarom-se, como era frequente, em entregas periódicas. Trata-se de obras furiosamente anticlericais. “María, o la hija de um jornalero” (1845 – 1846) é unha das suas novelas mais características. Dedicada a Sue, abunda nela a protesta ante as condiçóns sociais de alguns extractos. Por unha parte, nela encontra-se o xerme do que viria a ser o Naturalismo, mas, por outra, non tem a precisón histórica nem a compreensón cabal de feitos complexos que tem por exemplo, “El señor de Bembibre” (1844) de Enrique Gil y Carrasco, novela que capta e adapta ó estilo de Walter Scott às condiçóns existentes em Espanha. As novelas por entregas de Ayguals forom lídas com fruiçón, especialmente polas clásses traballadoras. Escrebeu também unha obra de teátro e um poema filosófico “El derecho y la fuerza” (1866). Ayguals fundou em Madrid a imprenta “Sociedad Literária”.

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ESCRITORES HISPÂNOS (FRANCISCO AYALA)

Ayala, Francisco (Granada, 1906). Novelista, contista e ensaísta. Estudou na Alemanha entre 1929 e 1930. Traducíu a Rilke e a Thomas Mann. Foi professor de Socioloxía e Ciências Políticas na Universidade de Madrid entre 1933 e 1936. Exiliou-se despois da guerra civil espanhola. Foi professor na Universidade de La Plata (Arxentina), onde ensinou socioloxía de 1939 a 1950; Alí fundou a revista “Realidad”. Em Puerto Rico fundou “La Torre”, revista muito conhecida. De Puerto Rico passou a Princeton, Nova York e Chicago. Ayala escrebeu a sua primeira novela “Tragicomedia de un hombre sin espíritu” (1925), em 1923, ano no qual estudou o primeiro curso na Universidade de Madrid. Outros trabalhos incipientes forom “Historia de un amanecer” (1926), “Medusa artificial” (1928) e “El boxeador y un ángel” (1929). O seu primeiro libro importânte foi “Cazador en el alba”, publicado primeiro na “Revista de Occidente” (1929), e que se publicou em forma de libro ao ano seguinte. Relata os pensamentos de um xinete despois da sua quéda. O estilo é limpo e Ayala leva a cabo um verdadeiro “tour de force” ao criar unha personáxe só a través de recordaçóns amorfas e sonhos vagos. “Los usurpadores” (Buenos Aires, 1949) está constituído por seis histórias, algunhas delas escrítas pouco despois da guerra civil espanhola, e expresam a “teoría de Ayala” sobre o poder, como desencadeante da desgráça. “La cabeza del cordero” (Buenos Aires, 1949, 2ª ed. com um novo conto: “La vida por la opinión”, 1962) mostra a preocupaçón de Ayala polo sucedido durante a guerra civil. Os seus libros também se aproximam á sátira, como em “Historia de macacos”, publicada na revista “Sur” em 1952 e como libro em Madrid, 1955; “Martes de perro” (Buenos Aires, 1962) son histórias negras e escépticas na corrente de um Torrente Ballester. “El as de bastos” (Buenos Aires, 1963), recolhe sete contos interesantes. “Mis páginas mejores” apareceu em 1965 e as suas “Obras narrativas completas” em 1969. Também publicou um largo “Tratado de sociología” (Buenos Aires, 1947) e numerosos ensaios sobre política, socioloxía e literatura: “El escritor en la sociedad de masas” (1955), “De este mundo y el otro” (1963) som mostras desta faceta importânte de Ayala. Em 1971 apareceu “El jardín de las delicias”.

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¡¡QUE NADA SE SABE!! (46)

Escuto o que afirman acerca destes casos; non obstânte, nem por isso conheço melhor o asunto. Também assim pensaba eu antes, mas non ficava com isto satisfeito o meu espírito, porque se algo houbera conhecido perfeitamente, non o tería negado, senón que, ao contrário, tería gritado de alegría cheio de entusiasmo, xá que nada mais venturoso podería ter-me acontecido. Agora, em câmbio, me atormenta unha contínua tristeza, pois desespero de poder saber algo perfeitamente. Por tanto, ou som eu o único que ignora absoluctamente tudo, ou também o som todos os demais conmigo. Acredito que âmbas cousas som verdade. Mas algo sabería eu, non obstânte, se os demais também o sabem, pois non é verossímil que só a mi a natureza tivéra sido de todo adversa. Mas eu non sei absoluctamente nada. Tú tampouco. Há nas cousas outros muitos motivos para a nossa ignorância, motivos cuxa enumeraçón neste lugar sería non só abundantes senón também inútil, posto que poderás vê-los em cada um dos tratados sobre elas, e eu mesmo os asinalarei sempre que se presente a ocasión de falar deles. Só citarei de momento um ou dous como os mais importantes. A variedade das cousas, a sua múltiple forma, figura, quantidade, as suas acçóns e usos tán numerosos e diversos, de tal maneira enrredam a nossa mente -ou, melhor, a distraiem-, que non se pode nem dizer nem pensar cousa algunha com seguridade sem que de outra parte se vexa asediáda e obrigada a abandonar a sua opinión, e assim, cambiándo-se de um sítio e de outro, nunca se afinca. Se chega a afirmar que a brancura (baste aducir um exemplo relativo às cores) é produzida polo calor, sería contradecída pola neve, e o xelo. Os xermanos; afirmam que é produzida polo frío, sendo contradecido pola cinza, a cal, o xéso e o osso, que som cousas calcinadas. Se afirmam que pola humidade, será contradecida por isto; se pola sequedade, por aquilo. Respeito da negrura, sobrevivem outras tantas dúvidas. ¿E quê poderias dizer das cores intermédias? ¿Quê proporçón de calor e frío lhes asignarás? Nem sequer os extremos parecem ter unha causa manifesta, como o frío para a neve ou o calor para a cinza, pois âmbas cousas som captadas polos sentidos.

FRANCISCO SÁNCHEZ

AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (114)

Eles transmitem a sua influênça ao nosso Spírito, e este incorporândo-se no nosso Cérebro, deposita ali as ideias recibidas. O home, desperta recordando-se de unha cousa que para el estaba oculta na noite dos tempos. Por meio do sonho, estes Spíritos manifestam-vos a ideia do benefício que vos querem fazer (influir-vos nunha cousa, ou retirar-vos). Quando vem que vós seguís ao contrário, entón eles suxestionam com ideias ou visóns, para que volteis, porque os seus desígnios se están frustrando. E como um Spírito non pode fazer duas cousas ao mesmo tempo, senón unha de cada vez, terá que haber por cada cousa um Spírito. E como há Spíritos “antipáticos”, que repélem aos contrários, é quando estes Spíritos, lamentando-se vos suxérem as ideias do benefício (ou malefício, se é um Spírito malo), que intentaram fazer-vos e, se non o fán, será porque non podem. Suxérem pensamentos, porque querem, tanto os Spíritos bpns como os malos, que sigais as ideias por eles suxerídas. Casos porque non se realizam os sonhos: 1º- Por descuido natural ou sobre-natural da pessoa que sonha. 2º- Por influênça de outros Spíritos, que neutralizam a acçón. 3º- Por obsessón ou posessón do mesmo corpo que sonha. 4º- Por mentiras dictas sobre o obxecto sonhado. 5º- Por enganos e desenganos das pessoas com quem tratamos. 6º- Por misérias físicas. 7º- Polo posto e caracter da pessoa que sonha. 8º- Por abatimento da alma (terrores, pânicos), da pessoa que sonha. 9º- Pola inconsciência ou fé perdida. 10º- Pola amabilidade e bondade da pessoa. 11º- Por efeito da alma pura e desinteresada.

MANUEL CALVIÑO SOUTO

HUSSERL (A ABSTENÇÓN FILOSÓFICA)

Agora que começámos a conhecer quem foi o filósofo Husserl, talvez interesse também ao leitor saber um pouco mais sobre a sua personalidade histórica e sobre a sua alma. A história de Husserl é sóbria. A data do seu nascimento é oito de Abril de 1859, em Prostejov, Morávia, entón parte do Império Austríaco. Durante várias xeraçóns, os xudeus Husserl estiveram radicados naquele lugar. Um amigo israelita e filósofo, pouco apreciador de Husserl, dixo-me unha vez que nele apenas via de xudeu a paixón, embora neste caso dedicada non à relixión ou à política, mas ao conhecimento. Ignoraba até que ponto o próprio Husserl vinculaba, nos seus apontamentos privados e nas suas cartas, estas facetas da existência dignamente apaixonada. Por outro lado, quem assistia às suas morosíssimas liçóns sobre a percepçón das cousas, o xuízo, a empatia ou a consciência do tempo, mudaba com muita frequência as suas posiçóns confessionais. Husserl dizia que isso o surpreendia, porque, na sua opinión, non tocava em nenhuma matéria que se pudesse relacionar directamente com essas tormentas espirituais, mas o facto é que unha xudia se tornava cristán, um protestante se declarava católico, um agnóstico deixava de o ser e um relixioso perdia a inxenuidade da sua crença. No entanto, non era a abstençón filosófica um movimento da alma mais profundo que unha mera mudança de grupo confessional? Quando Edmund Gustav Albrecht Husserl nasceu, o xudaísmo familiar estaba, efectivamente, muito dissipado. O seu pai, Abraham Adolf, possuía um próspero comércio de tecidos, e Edmund era o segundo dos seus quatro filhos. Non tinha grandes problemas para lhes proporcionar unha educaçón de qualidade, visando a perduraçón do negócio. De modo que Edmund, apesar de non ter interesse polos ensinamentos escolares (adormecia nas aulas de maneira bastante escandalosa) fixo os seus estudos secundários lonxe da casa: primeiro em Viena e depois em Olomouc, na actual República Checa, mas no “Gymnasium” alemán. Era grande leitor e só avançava muito, como alumno, em matemática. De facto, descobríu ainda muito novo um erro num aparelho óptico de precisón da marca Carl Zeiss, que quixo, por essa razón, conceder-lhe unha bolsa e dar-lhe emprego. Husserl preferíu estudar astronomia na Universidade de Leipzig. Naqueles tempos felizes, ninguém sabía muito bem que “curso” faziam os estudantes. Matriculavam-se no que a sua sede intelectual lhes dictava e, aos poucos, a satisfaçón relactiva desta sede ia delimitando o campo de interesses para a investigaçón ou para a carreira de professor. Cumpridos certos requisitos muito libres, que os universitários reuniam peregrinando polos países onde a fala comum lhes permitia prosseguir na sua personalíssima vocaçón, obtinham os seus graus em duras provas (o exame “Rigorosum” da sua tese e a sua dissertaçón de doutoramento, como máximo exemplo).

MIGUEL GARCÍA-BARÓ

O ROMANTISMO HISPÂNO

Enquanto se librabam as guerras de independência, a América hispâna todavía estaba procurando axustar-se às ensinanças da Ilustraçón e o neo-classicismo prevalecía ainda como modelo literário principal. O romantismo (que tinha aparecido na Europa nos últimos trinta anos do século XVIII) non haberia de afirmar-se no novo continente até finais dos anos trinta. Esta demora de mais de meio século, tivo enormes consequências. Em primeiro lugar, porque distorsionou decididamente a evoluçón da literatura hispanoamericana, e em segundo lugar, porque assegurou a prolongaçón, até quase finais do século XIX. A data oficial da chegada do romantismo à América hispâna considera-se 1832, quando o poeta arxentino Esteban Echeverría (1805 – 1851), despois de cinco anos de permanência em París e do seu retorno a Buenos Aires em 1830, publíca “Elvira, ó la novia del Plata”, colecçón de mala poesía romântica. Esta data, non tem em consideraçón, precisamente, os poetas pré-românticos e românticos que estabam activos no norte da América do Sul e em Cuba antes do retorno de Esteban Echeverría da França. Esses poetas (Andrés Bello, José Joaquín Olmedo, José María Heredia) tinham chegado ó romantismo polo caminho da poesía de fala inglêsa. Para os patriotas de Hispanoamérica, Inglaterra constituía, sem lugar a dúvida, unha referência modélica em múltiples sentidos. Para compensar a demora em ser introducído e aceitado na América, o romantismo habería de tardar em ir-se. Alguns poetas como o uruguayo Juan Zorrilla de San Martín (1855 – 1931), que publicou o poema indianista “Tabaré” em 1888, estabam compondo versos românticos quando na Europa e nos Estados Unidos, novos movimentos (realismo, naturalismo, paranasianismo, simbolismo, decadentismo, e demais tendências que estaba xerando a nova vanguarda estéctica) que xá tinham despraçado aos românticos. As classificaçóns ao uso na literatura europeia, tendem a obscurecer a orixinalidade de algunhas das soluçóns encontradas na América hispânica durante o século XIX. Ao buscar encaixar a produçón hispanoaméricana em moldes perfeitamente reconhecíbeis na Europa (a novela sentimental, a picaresca, a histórica), apagam-se precisamente aquelas características que aseguram a orixinalidade (algo inesperada) dos melhores productos da narrativa do século XIX. Unha das primeiras víctimas dessa alienaçón classificatória, foi a primeira novela publicada na América Hispâna: “El Periquillo sarniento” (1816), singular obra do escritor mexicano Joaquín Fernández de Lizardi (1776 – 1827) “El Periquillo sarniento” é unha novela picaresca, xénero que floreceu em Espanha mais de dous séculos antes. Tal anacronismo parecia invalidar o esforço de Lizardi. Non obstânte, as cousas non resultam tam simples. Por um lado, se bem é certo que a primeira novela picaresca, “El Lazarillo de Tormes, publica-se em 1555, polo outro lado, também é certo que se escrebem novelas picarescas em Europa até bem entrado o século XVIII, e que non faltam no XIX, notábeis exemplos da picaresca: “Les mystères de Paris”, de Eugène Sue, e “Oliver Twist”, de Charles Dickens, constituiem duas boas mostras da vitalidade de um xénero. Mas em vez de lamentar o anacronismo do “El Periquillo sarniento” em 1816, convém examiná-lo críticamente. Ampara-se o seu modelo narrativo no “El Lazarillo” (enquanto às sucessóns de amos e aventuras), e no “Guzmán de Alfarache”, de Mateo Alemán (em quanto à alternancia de aventura e sermón). Mas Lizardi era sobre tudo um reformista e para el novelar non significaba senón outra forma de escreber (ou descreber) a realidade contemporânea. A sua empressa intelectual mais ambiciosa, o xornal entitulado “El Pensador Mexicano” (1811 – 1812), representou um esforço claro para encauzar a nova acçón no caminho da reforma, que non o da revoluçón, e sem perder o contacto com o catolicismo. Ainda que Lizardi mantívo-se sempre em contra do poder excessivo da Igrexa e chegou a eloxiar òs masóns, o seu liberalismo non foi nunca ateo. Cabe recordar a sua defesa dos dereitos políticos das mulheres.

R B A EDITORES, S. A. – BARCELONA

HEGEL (THE EGOTISM OF IDEAS)

Quando falamos de egotismo, é necessário referirmos Hegel? O tom deste filósofo, especialmente nos seus escritos finais, estaba cheio de desprezo por tudo o que parecesse subxectivo: o ponto de vista do indivíduo, as suas opinións e desexos eram considerados irrelevantes, a non ser que tivessem estado em concordância com a marca providencial de acontecimentos e ideias no mundo com peso. Este realismo cheio de acritude era, no entanto, idealista no sentido em que a substância do mundo era concebida non como algo material mas conceptual, unha lei da lóxica que animava os fenómenos. O mundo era como um enigma ou a proclamaçón de um confuso oráculo; e a soluçón do “puzzle” residiria na romântica ideia da instabilidade ou contradiçón interna de cada finita forma de ser, instabilidade que a obrigaria a transformar-se nunha cousa diferente. A direçón deste movimento poderia ser compreendida em virtude de unha espécie de dialéctica vital ou de dramática necessidade inerente à nossa própria reflexón. Hegel era um solemne sofista: fazia do discurso a chave da realidade.

SANTAYANA, GEORGE (EGOTISM IN GERMAN PHILOSOPHY)

O FADO (A CAPACIDADE DE TRANSPOR FRONTEIRAS)

Em 2009, no ano em que se assinalam dez anos da partida de Amália para o eterno descanso, Carminho edita o seu álbum de estreia “Fado”, alcançando o galardón de ouro, fazendo também bastante frenesí na imprensa. Carminho é filha da fadista Teresa Siqueira. Correndo o fado na família e tendo percorrido o circuito fadista de casas de fado. Carminho transporta agora a tradiçón do fado na sua voz e dá os primeiros passos rumo a outras esferas… Em Xaneiro do 2011, estreou no cinema “Com que voz”, o documentário sobre a vida de Alain Oulman (1928-1990), compositor, editor literário, encenador e figura política. O documentário é realizado polo filho do compositor, Nicholas Oulman, tendo sido apresentado pola primeira vez em 2009 no DocLisboa, e vencendo o prémio para a melhor primeira obra. Considerado um compositor que inovou o fado de Lisboa e que musicou muitos poetas, engrandeceu a voz de Amália Rodrigues com a qual manteve unha longa parcería. “Alain Oulman passou polo mundo quase como um anxo, de tal forma as pessoas falam dele, afectuosa e carinhosamente”, afirmou o realizador. No espólio fadista fica um vasto e riquíssimo arquivo por descobrir, pouco a pouco muitos desses antigos fados ván chegando ao mercado em ediçóns como esta. Para muitos, o fado ficou-se nos anos 60. A evoluçón, o progresso e a mudança, som sempre desafios difíceis. Na entrada da segunda década do século XXI, o fado confirma a sua tendência global e atinxe um novo auge de popularidade, proba disso som as centenas de concertos que se realizam todos os anos no estranxeiro de artistas portugueses sob o desígnio do fado, assim como o aparecimento de cantores de outras nacionalidades a cantar a cançón portuguesa. Mesmo em tempos de crise e contrariamente a muitos outros xéneros, assiste-se a um elevado número de ediçóns fadistas, com maior ou menor qualidade, com mais ou menos sucesso. A verdade é que o fado continua com forte vitalidade e a despertar o interesse de um número cada vez maior de admiradores por todo o mundo. Nem todos os países se podem orgulhar de ter um xénero musical tán rico e com unha capacidade tán grande de transpor fronteiras.

FADO PORTUGAL