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DAVID HUME (O ARGUMENTO DO DESÍGNIO)

Primeira premissa: o mundo revela ordem, organizaçón e um completo axustamento de todas as suas partes. Segunda premissa: o mundo, embora num gráu muito superior, assemelha-se às produçóns dos seres humanos e, tal como estas, tem um propósito ou desígnio. Conclusón: existe um autor do mundo, e esse autor, embora com poderes muito maiores, proporcionais à obra que realizou, é semelhante aos seres humanos.

Neste argumento, a segunda premissa é de importância capital. E isto por duas razóns: 1º -ao estabelecer a semelhança entre obxectos naturais e artificiais faz do argumento um “argumento por analoxia”; e, graças a isso, 2º -permite afirmar que, tal como os artefactos, o mundo também tem desígnio. Non é de estranhar, por isso, que boa parte das críticas de Hume ao argumento sexam dirixidas contra esta segunda premissa. Mas, antes de avançarmos para estas críticas, vexamos um pouco melhor o que caracteriza os “argumentos por analoxia”. Os “argumentos por analoxia” som um dos tipos de argumentos inductivos e, por isso, nom podem demonstrar que a conclusón é verdadeira, mas apenas mostrar que é probábel que sexa verdadeira. Outra característica importânte dos argumentos por analoxia é que a sua força depende da informaçón disponíbel e, sobretudo, da relevância dessa informaçón para a conclusón que procura estabelecer. Vexamos melhor o que isto significa. (…) A força de um “argumento por analoxia” depende de várias condiçóns: 1º -o gráu de semelhança entre as propriedades partilhadas polas entidades comparadas (se a semelhança resulta elevada, a probabilidade de a conclusón ser verdadeira é elevada; se a semelhança é baixa, a probabilidade de a conclusón ser verdadeira será também baixa); 2º -a relevância das semelhanças para a conclusón a que se pretende chegar (se as propriedades comparadas som semelhantes e som relevantes para o que se pretende concluir, a analoxia é forte e a probabilidade da conclusón ser verdadeira também; mas se a analoxia non tem qualquer relaçón com o que se pretende concluir, a probabilidade de a conclusón ser verdadeira é baixa); 3º – o número das semelhanças relevantes (quanto maior o número de semelhanças relevantes para a conclusón mais forte é a analoxia); 4º – a natureza e gráu das diferênças (as diferênças podem enfraquecer ou fortalecer o argumento, consoante acentuem ou non a relevância das propriedades para a conclusón). Destas condiçóns, a semelhança entre as entidades comparadas é talvez a mais importânte. Non é de admirar, portanto, que algunhas das críticas ao “argumento do desígnio” se centrem neste aspecto e procurem mostrar que a analoxia é fraca. A crítica de Hume ao “argumento do desígnio” é muito diversificada. Dada a impossibilidade de, no espaço desta introduçón, apresentar – e ainda menos discutir – essa crítica em toda a sua riqueza e detalhe, limitamo-nos a esboçar os principais argumentos.

ÁLVARO NUNES E EDIÇOES 70

AS SECRETARIAS DA REPÚBLICA DE FLORENÇA

No tocante à política, a República de Florença organizava-se como um pequeno Estado cuxo território non chegava a abranxer toda a rexíon da Toscana actual (Siena era entón unha República independente). As instituiçóns florentinas eram do tipo democrático e baseavam-se num Grande Conselho (de uns mil membros com dereito a voto) que proclamava, por sufráxio popular, os cargos da “Signoria” (o governo executivo propriamente dito). Deste último, que era liderado polo “gonfaloneiro” ou “gonfaloniero”, dependiam as diversas “chancelarias” ou “secretarias” que, tal como os nossos ministérios actuais, se dividiam por áreas xurisdicionais. Nicolaus de Bernardo de Machiavelli nasceu a três de Maio de 1469. Era a época do Magnífico, tendo a sua infância e xuventude coincidido com o máximo esplendor da sua prezada cidade. Xá a sua família non tivo a mesma sorte, outrora abastada e agora a passar tempos difíceis, situaçón que o levou a escreber, muito tempo depois, que “nasci pobre e aprendi primeiro a sofrer do que a gozar”. O seu pai, de nome Bernardo, intimamente relacionado com os círculos do humanismo florentino, foi um modesto xurista com um profundo interesse polos pensadores clássicos. Apesar de deber dinheiro aos cofres públicos, non poupou esforços para proporcionar ao xovem Nicolaus unha das melhores formaçóns humanísticas do momento. Como prova, Bernardo Machiavelli trabalhou incansabelmente para um impressor, criando um índice toponímico polo qual recebeu, em troca, um exemplar por encadernar da “História de Roma”, de Tito Lívio. a grande obra que marcará profundamente o pequeno Nicolaus: “Tito Lívio nostro”, chamar-lhe-á familiarmente. Os primeiros anos e a adolescência do nosso protagonista foram dedicados à observaçón e ao estudo. Nicolaus foi o terceiro de quatro irmáns e o primeiro filho varón do casal. Naquela época, a residência familiar estaba situada no centro de Florença, nunha zona muito próxima do Ponte Vecchio. Florença, apesar de ser unha cidade relativamente pequena, era cenário de constantes lutas entre as diversas facçóns em que se dividia a sua populaçón: “guelfos” e “gibelinos”, “Neri” e “Bianchi”, banqueiros e comerciantes, classes altas (ottimati) e populares, estetas e devotos. Num contexto tán convulso, a corrupçón, as intrigas e as conspiraçóns estavam na ordem do dia. Um destes episódios da truculenta história das facçóns florentinas, do qual Machiavelli extraíu um dos seus primeiros ensinamentos em matéria política, é a conspiraçón dos Pazzi. Foram uns acontecimentos terríbeis, que o futuro secretário retratará em várias das suas obras e que despertaram em sí unha permanente desconfiança em todo o tipo de conxuraçón, desconfiança plenamente xustificada, como veremos mais adiante.

IGNACIO ITURRALDE BLANCO

GALLEIRA (21)

Nas marinhas, afirma o P. Sobreira: “som os castros de duas columbres (corpos), em todas as montanhas som de unha, em Sanles de quatro e mais, em Trasdeza de um coto e um curuto (cumbre) situados em baixo, contra a lei de todos os demais”. Tenha-se por exacta esta observaçón, mas só no essêncial se pode aceitar por completo. Nunha mesma rexíon, em frente uns dos outros, encontrá-mo-los de diferentes corpos. E non há que extranhar; a sua forma dependia da importância e extensón da fortificaçón, melhor ainda das condiçóns da colina na qual se construía. Por isso non pode assinalár-se a cabida das coroas, nem a altura do monumento. Grandes ou pequenos, de um ou mais corpos, estes monumentos venhem a ser unha colina natural ou artificial, a cuxa cûme se ascende por um caminho em espiral e em cima que aparece plana, puido emprazar-se unha poboaçón, ou aloxar-se certo número de combatentes. Chamase-lhe “Castros ou Crátos”, ainda que estes últimos poucas vezes e em algunhas comarcas “Croas” polas plataformas circulares em que terminam. O caminho que a estas últimas conduce é, como xá queda indicado, em forma de espiral, sem parapeto unhas vezes e à maneira de unha sinxéla rampa: outras, tenhem defendidos estes caminhos com muralhas ou parapetos de terra. A cima ou “Croa”, aparece polo xeral ao descoberto e em fartas ocasións circuído por um grosso muro de terra, alto e com declíve cara ó centro do Castro. Acreditasse que estes som os mais antigos, pois existem outros em que a muralha é de pedra, da altura de unha pica, afirma Castellá, descrebendo o Castro Lupário. O da Arreten (Padrón) conserva os restos da muralha, tería sído como de meio metro de grossor com argamassa. O denominado Castro Valente, que franqueia o río Ulla, antes de desembocar na ría de Cesures, resulta mais curioso ainda, ao atopar-se em ruínas o principal da sua fortificaçón. O que permanece em pé, está composto por pequenos bloques, algúns aproveitados sobre o terreno, que os oferece em abundância, e em ocasíons por “láxes” medianas postas de plano unhas sobre as outras, sem terra nem enlace algum; o qual leva a pensar se non sería cousa posterior. Ainda que farto maltratado polo tempo, que non permite sequér reconstruir a rampa por onde se ascendia, pode-se adivinhar, polo nome que alberga e pola extensón da sua “Croa” que terá perto de um quarto de légua, a importância que tivo que ter noutros tempos. O chán é desigual e em declíve para o Sudoeste, non presentando como outros menos curiosos, unha superfície por completo horizontal, mas em câmbio por toda a sua extensón encontram-se esparcidas grandes rochas naturais, algunhas com estanques, e assim mesmo unha fileira de pedras cravádas, como de um metro de alto, que se a miramos como um alinhamento, ou se non, podería ser arriscado, dar unha opinión sobre o seu destino, que significam naquelas solidóns? Non som estas circunstâncias as que lhe dán maior notoriedade, senón os extensos e desiguais restos do seu muro, no qual e de distância em distância, se abrem algunhas portas, unhas mais importântes que as outras, mas todas indicando o cuidado que se puxo em fortificalo convenientemente. Unha tán só apresenta as pedras trabalhadas; mas todas elas ao desmoronar-se, verterom sobre os campos os restos dos cubos que guarneciam a muralha, deixando aperceber que uns eram quadrangulares e outros redondos, estes últimos polo estilo, ainda que de pedra, dos que apresentam algunhas fortalezas da Gália. Os quadrados encontram-se todos na parte mais notábel da fortificaçón, e os redondos na que parece mais antiga.

MANUEL MURGUÍA

BERGSON (A CONVERSÓN ESPIRITUALISTA)

Félix Ravaisson, muito admirado por Bergson, assistíu a aulas de Schelling em Munique e levou para França parte desse impulso, revitalizando assim um espiritualismo adormecido. Ravaisson apadrinhou unha linha minoritária conhecida como “positivismo (ou realismo) espiritualista” que alcançaria o seu auge em Bergson, após passar pelos seus professores Lachelier e Boutroux. Face à soberba conveniente de outros espiritualistas, estes autores caracterizam-se por “manchar as máns” de ciência a fim de arrebatar ao “inimigo materialista” as suas armas. Lonxe de representar unha “queda” no nada, a matéria é usada polo espírito como um acelerador dos seus processos criadores. Mais: o verdadeiro emerxir do espírito no mundo só pode ser encontrado vendo de perto o mundo natural. No seu seio non se encontra xá a cega necessidade, mas a “continxência”, noçón que reivindicam como um facto orixinário e non como o resultado de unha complexidade mecânica. Ou se coloca a liberdade desde o princípio ou non a conseguiremos entender. Neste sentido, no seu “Do Hábito”, Ravaisson escrebeu que “do mecânico non se pode passar ao vivo por via de composiçón; é a vida que dará a chave do mundo inorgânico”. Além de ser filósofo, Ravaisson foi conservador no Museu do Louvre. Aí restaurou, entre outras, a Vénus de Milo e a Victória de Samotrácia, devolvendo-as às suas actitudes orixinais a partir de um punhado de ruínas. O factor decisivo para entender a conversón “espiritualista” do xovem Bergson, no entanto, é o enorme potencial que ele vê no “suplemento de alma” que passa para o corpo para dotar as suas acçóns de alcance e eficácia. A consciência é vista por sí como unha reserva de acçón virtual que se manifesta na vontade. Unha alma alargada non só “tem mais mundo”, como também chega mais lonxe e atinxe com mais força, porque o esforço é o espaço de comunhón e transferência entre o sentido e o valor, a ideia e o corpo, o espírito e a matéria. Daí nasce a noçón metafísica de “intensidade” que Bergson defenderá na sua tese de doutoramento.

ANTONIO DOPAZO GALLEGO

A TEORÍA DE TUDO (F – 54)

O processo de renormalizaçón fai intervir magnitudes infinitas positivas e negativas, que se anulam mutuamente, de maneira que tras unha contabilidade matemática muito cuidadosa, os valores infinitos positivos e negativos que surxem na teoría, quase se anulam entre sí, deixando um pequeno residuo correspondente aos valores finitos observados da massa e da carga. Essas manipulaçóns podem parecer o tipo de cousas que nos fán obter mala nota nos exámes de matemáticas na escola, e a renormalizaçón é, em efeito, matematicamente discutíbel. Unha consequência resulta de que os valores para a massa e a carga dos electróns obtidos mediante esse método podem ser qualquer número finito. Isto tem a ventaxa de que os físicos podem escolher os infinitos negativos de tal maneira que dem a soluçón correcta, mas, apresenta o inconveniente de que a massa e a carga do electrón non podem ser predecídas pola teoría. Mas, unha vez que fixamos a massa e a carga do electrón, de tal maneira, podemos utilizar a “QED” para efectuar muitas outras predicçóns bastantes precísas, , todas as quais concordam com grande exactitude com as observaçóns, de maneira que a renormalizaçón, é um dos ingredientes essênciais da “QED”. Um dos triûnfos iniciais da “QED”, por exemplo, foi a predicçón correcta do chamado “desprazamento de Lamb”, unha minúscula variaçón na enerxía de um dos estados do átomo de hidroxénio, descoberta em1947. O êxito da renormalizaçón na “QED”, impulsou vários intentos de buscar teorías quânticas de campos, que descubriram as outras três forzas da natureza. Mas a divisón das forças naturais em quatro clásses, resulta probabelmente artificial, unha mera consequência da nossa falta de comprehenssón. Polo tanto, a xente começou a buscar unha “Teoría de Tudo” que unificára os quatro tipos de força em unha só lei, que fora compatíbel com a teoría quântica. O qual sería o Santo Grial da física. Um indício de que a unificaçón é o caminho correcto vem da “teoría das interacçóns débeis”. A “teoría quântica de campos” que descrébe a interacçón débil por sí só, non pode ser renormalizada, é dizer, os seus infinitos non podem ser anulados restando outros infinitos, para dar um número finito para magnitudes como a massa e a carga. Non obstânte, em 1967, Abdus Salam e Steven Weinberg, independentemente o um do outro, propuxerom unha teoría em que o electromagnetismo quedaba unificado com as interacçóns débeis e encontrárom que essa unificaçón evitába a praga dos infinitos. A força unificada denomína-se “força electrodébil”. E esta teoría pudo ser renormalizada e descubríu três novas partículas, denominadas W+, W- e Zº. Em 1973, forom comprobadas polo “CERN” de Xinebra evidências da partícula “Zº”. Salam e Weinberg, receberom o prémio Nobel de fÍsica em 1979, ainda que as partículas “W e Z” non forom observadas directamente até 1983.

STEPHEN HAWKING E LEONARD MLODINOW

ROUSSEAU (CONFISSÓNS)

Um estilo que, por outro lado, non flui sem mais, mas que é o resultadp de um processo laborioso. Segundo nos diz no libro III das “Confissóns”, a sua dificuldade para escreber é extrema. As ideias fermentam até emocioná-lo, mas imerso em tal aturdimento é incapaz de escreber. Os seus manuscritos, pexados de riscos e borróns, confusos e indescifrábeis, testemunham o esforço que lhe custarom. Tinha de os transcreber quatro e até cinco vezes antes de os entregar à tipografía. Nunca conseguiu trabalhar de pluma na mán diante de unha mesa e de um papel. As ideias inesperadas e repentinas fluem durante as suas caminhadas, de noite na cama e durante as insómnias. Lamenta non ter levado o diário das suas viaxens. “Nunca pensei tanto, nem vivi tanto, nem fun tanto eu mesmo como nas que fixem só e a pé. A caminhada tem algo que anima e me aviva as ideias: quando estou quieto quase non consigo pensar”, lemos no libro IV das “Confissóns”. Xulga ter escrito as suas obras nos anos de declínio, polo qual aprecía muito mais aquelas que urdiu durante as viáxes, mas que nunca escrebeu. Naturalmente, nunca levava papel nem pluma. Tendo-o previsto, non lhe tería ocorrido nada. “As ideias vêm quando lhes apráz.” “Durante as minhas caminhadas” – lemos no libro IV das “Confissóns” – “podia submerxir-me caprichosamente no país das quimeras.” Para Rousseau, a natureza era o gabinete de trabalho intelectual. Dir-se-ia que Schopenhauer concorda com ele, quando compara o filosofar a unha excursón alpina. A filosofia sería como um elevado caminho alpino ao qual só se pode aceder seguindo unha escarpada e pedregosa senda pragada de penedos pontiagudos; “esta via de acesso é unha senda solitária, que se torna tanto mais intransitada conforme se ascende por ela. Lá em cima, no meio do ar puro da montanha, xá se consegue ver o sol, mesmo quando ainda reina a noite muito mais abaixo”, lemos no fragmento sexto dos seus “Escritos Inéditos de Juventude”. E as paisaxens suíças, tán caras a Rousseau, som também aproveitadas por Schopenhauer para se referir à empreitada de filosofar: “O verdadeiro filósofo procura sempre a luz e a clareza e esforça-se para ser como um lago suíço, capaz de xuntar unha grande profundidade a unha enorme clareza, que é precisamente, o que revela a sua profundidade”.

ROBERTO R. ARAMAYO

LITERATURA CLÁSSICA LATINA (A COMEDIA)

ANDRONICO E NEVIO

Volcacio Sedígito nem sequer menciona a Andronico na sua lista dos dez melhores (é dizer, mais divertidos) comediógrafos, mas asignaba a Nevio um terceiro lugar depois de Cecilio e Plauto, invertindo a sua ordem cronolóxica. Cicerón non consideraba as obras de Andronico dignas de unha segunda leitura e mais ainda na comedia que na traxédia, o seu destino foi sofrer comparaçóns invexosas por parte dos seus sucesores. Supunha-se logo que Plauto tinha tomado muito de Andronico, e existía a tradiçón de que Terencio citaba satíricamente um verso de Andronico, “lepus tute es: pulpamentum quaeris?” (És unha lebre: ¿estás tú buscando condimento?). Isto foi comparado com unha forma de expresón favorita de Plauto, na qual as adivinhanzas (mas non os epigramas como este) plantexam-se com unha identificaçón mais ou menos rara, seguida por unha explicaçón com conxunçón non copulativa ou causal. A influênça de Nevio sobre Plauto resulta muito mais clara polos títulos e estilos dos fragmentos. Se um dramaturgo arcaico é acreedor do mérito de ter estabelecido a forma e fixado a fala da comédia em Roma, é el. Alguns suxérem que Plauto trabalhou com el, ou revisou alguns dos seus argumentos. Títulos tais como: Lampadio, Stalagmus, Stigmatias e Technicus, referem-se a escravos com papeis principais; os títulos da Comédia Nova, rara vez se referem a um escravo e muito menos ainda polo seu nome. Parece que Nevio, non Plauto, sería o responsábel da promoçón do escrávo astucto na comédia romana. Por outra parte, obras chamadas: Testicularia, Apella, Triphallus/Tribacelus; implicam um enfoque mais obsceno do que podemos encontrar na Comédia Nova ou em Plauto. Nevio rebautizaba libremente as obras que adaptaba e xuntaba materiais que tinham alusóns itálicas ou ideias dramáticas suxerídas mais ou menos especificamente por outras obras gregas. Plauto seguíu a Nevio nestes pontos e podemos sacar a importante conclusón de que non invitarom aos seus públicos ou esperarom que estes se preocuparam com os orixinais, ou mediram as excelências em têrmos de fidelidade à letra ou ao espírito. As alusóns num fragmento a Preneste e à comédia romana, considerou-se que demonstravam que Nevio inventou a “togata” (obra de toga), ou temas domésticos itálicos; de feito inventou a “praetexta” (obra de pretexta), o xénero em que os temas romanos, antigos e modernos, apresentabam-se na forma e estilo da “fabula crepidata” (obra de crepida ou sandália), quando as representaçóns da traxédia grega se conhecerom em tempos posteriores. Non obstânte, resulta ao menos tán probábel que o “Ariolus” fora unha “fabula palliata” (obra de pallium ou manto) que representaba à Comédia Nova, e que Nevio xá exploraba a ambiguedade esêncial do xénero, como que estaba claro que os gregos na sua vida familiar falabam um verso latino entusiasta e rotundo para criar um ambiente greco-romano. Este é também um rasgo central da comédia plautina. Nevio tinha entre os escoliastas reputaçón de aberto politicamente. Afirmaba-se que tinha caído em desgraça diante dos Metelos, por telos nomeado em escêna num verso irónico, mas parece questionábel que outros fragmentos restântes estéxam relacionados com este asunto. As alusóns contemporâneas em Plauto som frustrantemente difíceis para o historiador. Non obstânte, sería erróneo considerar as suas obras como apolíticas em conxunto; simplesmente foi mais cuidadoso que Nevio. Supón-se que morreu no 184 a. C., deducíndo-se pola ausência de didascalias dactadas mais tarde. É possíbel que Plauto fora um dos que suscitou a atençón de Catón o Censor naquel ano de reforma moral. O “Poenulus” do 188/7 a. C., ainda que fora unha obra desmesurada, resulta notábel polas suas premisas liberais e cosmopolitas. O amante é cataginés de nascimento e etolio de adopçón; desta maneira representa ós dous estados mais detestados e nos que menos confiabam os romanos contemporâneos. Non obstânte, é retratado com simpatía, ainda que desigualmente, e non há sinais de xenofobia, a pesar de que a obra foi producída com seguridade durante a vida de Aníbal (morto o 183 a. C.). Resulta difícil imaxinar a um partidário de Catón, financiando como edil esta obra; o feito de que Plauto tenha empreendido a sua produçón com éxito, comfirma-nos a sua autoridade e a imparcialidade do seu público.

E. J. KENNEY E W. V. CLAUSEN (EDS.)

PLOTINO (CULTOS ORIENTAIS)

Naquela altura, a relixión persa era o zoroastrismo, culto oficial e milenar dos sassânidas que, como tudo o que vinha do Oriente, sempre tinha fascinado o xovem e carente de memória pobo grego. Plotino non era a excepçón. Na sua fase alexandrina, mostrou grande curiosidade por esse conxunto de saberes exóticos, embora non tenhamos conhecimento se, de facto, os estudou a fundo, unha vez que non chegou à Pérsia e muito menos à Índia; as alusóns à sabedoria exípcia das “Enéadas”, que incluiem unha breve reflexón sobre os hieróglifos, som bastante marxinais. Certo é que, paralelamente à sua atraçón polo que consideraba a “pureza” das relixións persa e indiana, Plotino entregou-se a unha crítica insistente e impiedosa das tentativas de vulgarizaçón dos cultos orientais que penetravam no Império cada vez com maior frequência. Assim, escrebeu um tratado “Contra os Gnósticos” (o ramo do cristianismo que lhe era mais familiar) e, posteriormente, xá em Roma, encarregaria os seus alumnos de fazer o mesmo com as doutrinas espúreas de Zoroastro que eram divulgadas em Alexandria. Assim, o mais sensato será concluir que, apesar das suas tentativas, Plotino non teve acesso real a nenhum outro saber além do clássico e das fusóns xudaico-alexandrinas que chegavam à grande urbe oriental. Por outro lado, isto é lóxico xá que as próprias relixións orientais eram cada vez menos “autênticas”, fruto de terem sido submetidas a um processo de readaptaçón e helenizaçón a partir da expansón asiática do Império Macedónio no século IV a. c. Talvez o melhor exemplo disso sexa a fusón entre o xudaísmo e o helenismo que acabou por dar lugar ao cristianismo.

ANTONIO DOPAZO GALLEGO

BREVE HISTÓRIA DE QUASE TUDO (4)

Parecia haber unha conspiraçón universal entre os autores de libros de estudo, no sentido de garantir que a matéria de que tratavam nunca chegasse demasiado perto de algo com um mínimo de interesse, e se mantivesse sempre a unha distância imensa do que fosse francamente interessante. Hoxe sei que há grande quantidade de escritores científicos a assinar a prosa mais lúcida e cautivante – Timothy Ferris, Richard Fortey e Tim Flannery som três exemplos que se me acordam de unha simples letra do alfabeto (para non falar no fantástico Richard Feynman, que xá non se encontra entre nós) – mas, infelizmente, nenhum deles era autor dos libros de estudo que me passarom polas máns. Os meus foram todos escritos por homes (eram sempre homes) com a curiosa noçón de que tudo se tornava claro desde que fosse expresso por unha fórmula, e a estranha crença de que os miúdos americanos achariam graça a um capítulo que terminasse com unha secçón de perguntas para tentar resolver em casa, quando tivessem tempo. E, por isso, crescim com a convicçón de que a ciência era unha matéria supremamente chata, embora sempre alimentasse a suspeita de que non tinha porque ser assim, mas de preferência tentava non pensar no assunto. E assim aconteceu durante bastante tempo. Depois, muito mais tarde – há perto de quatro ou cinco anos – estaba eu num avión sobrevoando o Pacífico, olhando distraidamente para um oceano banhado polo luar, quando pensei, com unha certa insistência desagradábel, que non sabia absoluctamente nada sobre o único planeta em que algunha vez ia viver. Non sabia, por exemplo, porque é que os oceanos eram salgados e os Grandes Lagos non. Non tinha a mais pequena ideia. Non sabia se os oceanos acumulavam sal ao longo dos tempos ou non, nem tán pouco se me deveria preocupar com os seus níveis de salinidade. (Tenho o maior prazer em anunciar ao leitor que, até aos finais da década de 1970, os cientistas tampouco sabiam responder a estas questóns. Portanto, nunca faziam muito alarido acerca delas.)

BILL BRYSON

ESPINOSA (O MÉTODO INTUITIVO-PARADOXAL)

Propomos aqui unha pequena experiência para mostrar, de forma evidente, o que Espinosa nos diz sobre a realidade e o ser humano. Trata-se de unha experiência paradoxal, xá que ilustra o pensamento mais racionalista, fundamentado nos conceitos mais abstractos, através do exame de unha experiência visual directa. Ou sexa, recorremos aos sentidos, aos dados sensoriais, para abordar um pensamento caracterizado, precisamente, por lhes negar validade filosófica. O obxectivo é “ver” intuitivamente, captar de imediato, o que Espinosa defende conceptualmente sobre a estructura e a base da realidade, o que, no seu caso, equivale a toda a realidade. É pouco provábel que o próprio Espinosa aprovasse este método como meio para apresentar as suas concepçóns. Non foi em ván, tal como xá referimos, que teve um trabalho enorme para construir um complexo sistema conceptual, um sistema metafísico omniabranxente que non derivava da realidade nem da experiência, pois era xerado matematicamente através de testes xeométricos. Porém, temos de estabelecer unha diferença básica neste ponto. Consideraremos aquí que o método xeométrico espinosista é expositivo ou demonstractivo, non é indagativo. Isto significa que o filósofo parte de unha visón inicial prévia à argumentaçón, e que esta argumentaçón é um meio para expor e transmitir essa visón, mas non a via para a criar. A visón do mundo e da existência está na orixem da filosofia de Espinosa. O momento da argumentaçón é posterior: é imprescindível, é essencial, mas posterior. De acordo com a concepçón de que a visón espinosista é prévia à sua “demonstraçón xeométrica”, é entón possíbel e lexítimo tentarmos aproximar-nos dela por unha via intuitiva, non argumentativa. Nos próximos capítulos, cinxir-nos-emos às suas ideias claramente expressas. Mas para quem quiser perceber de imediato o que Espinosa vai referir sobre o mundo, sobre a existência e sobre si próprio (tanto de Espinosa como do leitor), a seguinte experiência intuitiva poderá ser muito esclarecedora.

JOAN SOLÉ

O VINHO (3)

Neste terceiro artigo sobre o vinho, procuraremos andar em torno do conceito de “terroir”, ou sexa da personalidade distintíva que o terreno transmite aos caldos. Tendo em conta os progressos que se verificarom nos últimos anos no mundo da enoloxía, e que permitem na actualidade fabricar bons vinhos, inclúso vinhos extraordinários, em qualquer parte do planeta, isto, podería levar a que os vinhos tenderam a ser todos iguais. Ou polo menos a parecerem-se bastante todos eles, o qual sería, do ponto de vista comercial, unha autêntica catástrofe económica e non só. Os entendidos na matéria, afirmam que isto podería dar-se no campo dos vinhos medíocres, mas nunca nos grandes vinhos, que tenhem um nome e um apelido, ou sexa unha marca. Que, nem a regulaçón térmica, nem a mesa de selecçón, nem a prensa pneumática, poderiam arruinar a personalidade dos bons vinhos. A nocçón francesa de “terroir”, que era quase ignorada antâno, agora alcânça unha importância relevante, para diferênciar os grandes vinhos, que buscam a expressón singular do lugar de cultivo, procurando sacar todo o potêncial característico déstas terras. Non obstânte, as terras ricas non som forzosamente as que dam grandes vinhos. Os terrenos escolhidos, aliádos com unhas boas condiçóns climáticas, podem dar às vezes vinhos inigualábeis, como poderiam ser: um Margaux, um Latour, ou um Mouton, etc… Ungría, Itália e Espanha, tenhem muitos bons vinhos, inclúso algúns excepcionais. Grandes vinhos, vinhos diferentes, imáxes do seu próprio território, e da incríbel diversidade que constitui a riqueza do mundo.

LÉRIA CULTURAL

LEIBNIZ (PARIS VALE BEM… OUTRA FILOSOFIA)

Leibniz prolongará a sua estada em Paris por quase quatro anos, até Outubro de 1676. Tanto os seus biógrafos como os seus intérpretes están de acordo em sublinhar a importância deste período para o desenvolvimento científico e filosófico do autor. Nesta cidade, devorou os manuscriptos de Descartes e Pascal, e conheceu pessoalmente Antoine Arnauld, o bibliotecário real Pierre Carcay, Malebranche -com quem manterá unha significativa correspondência ao longo da sua vida- e diversos cientistas e matemáticos como Mariotte, Roberval, Tschirnhaus e, sobretudo, Huygens, que o axudou a aprofundar o conhecimento da matemática; xá na visita realizada por Leibniz a Huygens no Outono de 1672, este tinha recomendado a leitura das obras de Pascal, Fabri, a “Geometria de Descartes”, a “Arithmetica infinitorum de John Wallis” e o “Opus Geometricum” de Grégoire de Saint-Vincent, e tinha-lhe apresentado um problema matemático (que Huygens xá habia resolvido em 1665) para pôr à proba o xovem alemán: encontrar a suma da série infinita dos números triangulares recíprocos. Em Leipzig e Jena, Leibniz tinha estudado fundamentalmente aritmética (propriedades dos números e combinatória), mas conhecia bem as suas lacunas nos níveis superiores da matemática e da xeometria. Por isso, aprofundar o seu estudo era unha das suas prioridades. Proba do aproveitamento intensivo dos seus estudos parisienses foi a sua descoberta do “cálculo das diferênças e da quadratura aritmética”, ambos tán relevantes na polémica para estabelecer a prioridade na descoberta do “cálculo infinitesimal”, sem esquecer a construçón da máquina de calcular que Leibniz apresentou à Academia de Ciências de Paris para pedir a sua admissón. O artefacto de Leibniz podia multiplicar, dividir e calcular raízes quadradas, ultrapassava, por isso, a máquina aritmética de Pascal (a “pascalina”, que só podia sumar e subtrair). Leibniz gastou as suas poupanças na sua construçón.

CONCHA ROLDÁN

LITERATURA CLÁSSICA GREGA (SOLÓN)

Em Atenas, vecinha imediáta de Mégara e sua rival pola posessón de Salamina, os mesmos problemas sociais e económicos opunham-se à velha aristocracia, mas Atenas foi mais afortunada em quanto ao resultado político. Foi salvada dos piores excesos da “stasis” por um home de Estado cuxas reformas evitarom a guerra civil e que foi considerado pola democracia posterior como um dos seus precursores. Mas Solón também foi um poeta e os seus poemas presentam-se-nos xunto com um fenómeno extraordinário: um dirixente político utiliza a poesía como principal meio de comunicaçón para axitar, advertir, anunciar e defender a sua política. Como é habitual, a maioria da sua obra perdeu-se. Dióxenes Laercio conta-nos que os seu versos elexíacos sumabam um total de cinco mil e que também escrebeu yambos e épodos. Non se conserva rastro algum dos épodos, mas temos uns vinte versos tetrámetros trocaicos, mais ou menos quarenta e sete trímetros yámbicos, e douscentos dezanove dos cinco mil versos elexíacos. É um resto lamentabelmente pequeno; ainda assim resulta bastante para evocar unha personalidade inesquecíbel: um home de Estado e poeta que non só foi o primeiro ateniense que surxe da obscuridade histórica dos tempos sem escritura. “As vidas atenienses” de Plutarco começam com Teseo, o mítico fundador da unidade ática; o seguinte no tempo é Solón – a única personáxe histórica anterior ao século V de quem a tradiçón oral e os documentos históricos habíam conservado material suficiente para unha biografía -. Cilón, que levou a cabo o primeiro intento de fundar unha tiranía ateniense, e Dracón, que escrebeu as leis com sangre, som figuras históricas, mas para nós som pouco mais que nomes; os fragmentos de Solón proporcionam-nos destelhos de unha personáxe polifacéptica, e também o meio no qual vivíu – aquel século VI, que na literatura, arte e experimentaçón social sentou as bases da idade de ouro de Atenas. Foi conhecido polas épocas posteriores como “o lexislador”, e os oradores atenienses do século IV nunca se cansam de invocar a seu nome como critério de legalidade tradicional. Mas a sua carreira começou com um desafío ao espírito, senón à letra, da lei. Unha guerra non decisiva com Mégara (finais do século VII) pola posessón da ilha estratéxicamente vital de Salamina, tinha disgustado tanto aos atenienses que estes deixarom de lutar e decretarom a pena de morte para qualquera que falára ou escrebera a favor de renovar as hostilidades. Solón (finxindo demência e levando unha gorra de inválido na cabeza) chegou à ágora e declamou o seu poema elexíaco de cem versos “Salamina”, um chamamento para tomar a ilha a toda a custa. “Vinhem em pessoa, heraldo da encantadora Salamina”, começaba, “interpretando um canto, um modelo de verso, em lugar de um discurso”. O núcleo do seu canto era um reproche, unha expressón enérxica da ignomínia que levaría consigo abandonar Salamina. Se non a tomamos, continua afirmando num dos fragmentos, “nesse caso quixéra eu ser entón folegandrio ou sicinita em lugar de ateniense, mudando de patria. Porque em seguida ía correr este rumor entre a xente: “Ésse é um ateniense dos que abandonarom Salamina”.

P. E. EASTERLING E B. M. W. KNOX (EDS.)

GADAMER “PENSAR A SOMBRA DO SEU MESTRE”

Quem non conhecer Homero, non poderá entender nem sequer o termo “ápeiron” nos vestíxios do liibro de Anaximandro de Mileto; quem non fizer ideia das elexías de Sólon, perderá muitos matizes da personáxe platónica Sócrates; mas também quem non ler Heraclito non poderá realmente entender o significado do pitagorismo antigo. Inclusive suspeito que se entende melhor Aristóteles estudando quem o interpretou com a intermediaçón do Corán, do Primeiro Testamento ou de ambos os Testamentos, na Idade Média, do que se apenas se conhecer a evoluçón do pensamento filosófico grego até ao Liceu. Definitivamente, os discípulos de um filósofo, por mais díscolos que se proponham ser, non fazem senón pensar a sombra do seu mestre, isto é, tanto as conclusóns que ele non chegou a obter da sua própria doutrina, como os pressupostos a partir dos quais a concebeu e aqueles para os quais non conseguíu voltar totalmente a sua reflexón. Como disse mais acima, a rebeldia e a antítese, se non forem muito precavidas, ficam quase mortalmente dependentes daquilo contra o que se rebelam e querem negar. Na verdade, também eu, agora, som mais um efeito dentro da indefinidamente longa “história efeitual” de unha cada vez mais enmaranhada encruzilhada de tradiçóns que se sobreponhem mal ou bem. E o mesmo “crash of civilizations” de que non se pode deixar hoxe de falar (sobretudo para o exorcizar,) non é senón um axuste demasiado brusco de horizontes que confluem, que se fundem parcialmente e que, xustamente por isso, reaxem furiosos contra deixar-se unir. Um terceiro conceito capital é o do xogo, que abarca (em alemán e noutras línguas em xeral, e em Gadamer muito em particular) o nosso mesmo conceito, mas também o de performance, representaçón, actualizaçón. Gadamer depende, neste ponto, non apenas de Heidegger mas também de Roman Ingarden, aluno polaco de Husserl, que tinha publicado em 1931 (em alemán) um texto posteriormente bem conhecido: “A obra de arte literária. Unha investigaçón no território limítrofe entre ontoloxía, lóxica e teoría da literatura”. Resumindo, o problema que expón Ingarden e reexpón Gadamer é o de saber onde e como existe unha obra de arte (a vinculaçón com a literatura é prescindível; de facto, 30 anos depois, conseguíu Ingarden publicar unha “Ontoloxía da Obra de Arte” que tem como tema a música, a arquitectura e as artes plásticas). Será o “Quixote” um volume da biblioteca? Será o modelo universal de todos os volumes de todas as bibliotecas que dizem ter o seu Quixote? Está escrito em espanhol? Está pensado em espanhol? Porque também poderia acontecer que a sua existência primordial fosse a que habia na mente de Miguel de Cervantes. Non é, antes, verdade que o Quixote, como toda a obra de arte, apenas existe no xogo da leitura, no qual non está implicado unicamente o significado do texto, nem sequer também o seu ritmo linguístico, mas igualmente o leitor com o seu horizonte interpretativo?

MIGUEL GARCÍA-BARÓ

ESCRITORES HISPÂNOS (MARIANO AZUELA)

Azuela, Mariano (Lagos de Moreno, Jalisco, 1873 – 1952). Novelista mexicano. Estudou medicina e servíu como médico durante a Revoluçón Mexicana. Desiludido, escrebeu unha excelente novela sobre a luta iniciada em 1910, “Los de abajo” (El Paso, Texas, 1916), que o mesmo Azuela adaptou depois para ser representada. “Los cacíques” (1917) e “Las moscas” (1918), também desarrolham o tema revolucionário, mentras que a sátira “La luciérnaga” (Madrid, 1932) relata com simpatía a vida dos brancos pobres e dos indios de Ciudad de México. As suas primeiras novelas forom “María Luisa” (1907), “Los fracasados (1908), “Mala yerba” (1909), “Andrés Pérez, maderista” (1911) e “Sin amor” (1912). As últimas obras de Azuela forom de biografía novelesca: “Pedro Morena, el insurgente” (1935), “El camarada Pantoja” (1937), “San Gabriel de Valdivias” (1936), “Regina Landa” (1939), “Avanzada” (1940), “La nueva burguesía” (Buenos Aires, 1941), “La marchanta” (1944), “La mujer domada” (1946), a novela proletária “Sendas perdidas” (1949) e duas mais, publicadas póstumamente: la iracunda “Esa sangre” (1955) e a sátira “La maldición”, do mesmo ano. Azuela escrebeu crítica literaria em “Cien años de novela mexicana” (1947). As suas “Obras completas” aparecerom em três volûmes de 1958 a 1960. A través da sua obra Azuela mostra-se como um pessimista: as suas personáxes som a miúdo meros vehículos para expressar as suas próprias preocupaçóns. A sua penetraçón psicolóxica rara vez é consistente ou profunda, mas os argumentos que manéxa som elaborados e convincentes; o estilo é claro e preciso e a utilizaçón que fai da técnica naturalista, permíte-lhe mostrar o vasto panorama da “Revolución”através de unha série de incidentes diversos interrelacionados.

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