
Aquí temos que parar repentinamente, para nos apercebermos que este arranque é radicalmente inovador na reflexón ética. Para começar, prescinde-se de qualquer critério exterior: nem deus, nem felicidade, nem desexo, nem emoçón, nem interesse, nem qualquer outra cousa; non há recurso nem isco exterior à razón que possam levá-la a axir. A única cousa que permite qualificar como moral unha acçón é que responda ao cumprimento do deber. Deste modo, Kant interioriza o essêncial da ética: situa o seu núcleo non na acçón e, ainda menos, nas consequências da acçón, mas nos motivos interiores que levam a agir. “Quando se trata do valor moral, o que importa non som as acçóns exteriores que se veem, mas os princípios internos da acçón, que non se veem”. Muitos discordarám de que as pessoas actuem por deber e situaram o motor das acçóns humanas nas paixóns e, mais ainda, nas pulsóns. Discordaram ainda mais se conhecerem os termos em que Kant descreve o deber, porque o instituíu opondo-o explicitamente a desexos, interesses e a qualquer outra circunstância empírica, isto é, obxectiva e situada na realidade. Xá foi dito que, para muitos, non existe unha faculdade do querer racional, autónoma e libre, mas que os nossos desexos brotam das paixóns; a única cousa que a razón pode fazer é decidir qual é a melhor linha de conducta quando o irracional xá nos levou a axir. Em suma, a razón, para além de determinar os meios mais adequados para alcançar os fins impostos polas paixóns, tende a xustificar (non a motivar) as nossas acçóns. Posso ser levado a axir polo desexo de ser respeitado, admirado ou amado, pola vontade de lucrar, polo afán de protagonismo, pola aspiraçón à glória literária, polo desexo de ser reconhecido como benfeitor da humanidade e por mil motores mais, mas non por princípios racionais.
JOAN SOLÉ