
O mal radical. A ruptura antropolóxica que o totalitarismo expón ao tornar realidade nos campos esse “tudo é possíbel” é o que Arendt assinála como o aparecimento de um tipo de mal que reflecte essa violência extrema, em que “o impossíbel se tornou possíbel”, que denomina “mal radical”. Consequentemente, o horror non se encontra na ideoloxía nazi, ou num desexo de poder extremo, mas no facto de um rexíme político ter tornado possíbel que os indivíduos sexam supérfluos e portanto, substituíbeis uns polos outros. “O problema do mal será a questón fundamental da vida intelectual da Europa do pós-guerra”, declarava em 1945. Para ela, sem dúvida, assim foi: o mal reapareceria décadas depois na sua obra, com o xulgamento de Eichmann e a sua afirmaçón do “mal banal”. Porém, neste momento totalitário que estamos a analisar, o mal manifesta-se nunha omnipotência absolucta que impede a espontaneidade e a singularidade humanas, como vimos na análise dos campos de concentraçón. O “mal radical” aparece como um mal extremo, inconcebíbel. Kant usará a expressón “mal radical” para se referir a unha “má vontade perversa” como fonte desse mal. Contudo, para Arendt non há motivos “humanos” por detrás desse fenómeno, mas, polo contrário, o que esse mal radical manifesta é “unha tentativa organizada de erradicar o conceito de ser humano”. É um mal absolucto que, além disso, non é puníbel nem se pode perdoar, pois escapa aos parâmetros que usamos habitualmente para isso, quando tentamos explicá-lo através de motivaçóns malignas, do ódio ou simplesmente do desexo de poder. Non o podemos compreender, mas o que podemos fazer é tomar consciência dessas tendências presentes nas sociedades de massas contemporâneas que podem facilitar o aparecimento desse mal absolucto, dessa tentaçón de fazer dos indivíduos seres supérfluos e dispensábeis, algo que a História posterior à Segunda Guerra Mundial non deixou de nos mostrar. O isolamento dos indivíduos, o conformismo, a cumplicidade face à violência, a indiferença perante o público ou o desenraizamento imparábel de grandes grupos de populaçón, som questóns que Hannah Arendt detecta como o empedrado do caminho para o domínio total e contra o qual nos pôn em alerta, pois, como ela própria diz, “As soluçóns totalitárias podem muito bem sobreviver à queda dos rexímes totalitários sob a forma de fortes tentaçóns, que aparecerám onde pareça impossíbel aliviar a miséria política, social ou económica”.
CRISTINA SÁNCHEZ