
Descartes non foi o primeiro nem o único pensador a servir-se da dúvida como instrumento filosófico. Na antiguidade, a escola céptica elevou a suspensón do xuízo (epochê) e a indiferença (ataraxia) a aspiraçóns últimas da filosofia. Evidentemente, a dúvida cartesiana desmarcar-se-á muito cedo da céptica: ele fai dela um uso sistemático e focalizado, empregando-a como recurso ou ponto de impulsón para estabelecer as suas teses, e nunca como unha aspiraçón em si mesma. Xá no início da Idade Média, Santo Agostinho serviu-se exemplarmente da dúvida para afirmar contra os cépticos que podemos duvidar de tudo, menos daquilo de que duvidamos (Do Libre Arbítrio), algo que começa a parecer-se à formulaçón cartesiana e é referendado por formulaçóns similares ao “cogito” em outras partes da sua obra (“Se me engano, existo”, diz em A Cidade de Deus). A dúvida era um tema católico onde se punha em evidência o libre exercício da vontade intelectual, xuntamente com os seus limites, interligando assim a liberdade com algunhas certezas “tranquilizadoras”, mas non tinha nem a radicalidade nem a carga epistemolóxica que terá no Discurso do Método. Mais apelativo é o caso de dous contemporâneos franceses de Descartes: o teólogo Pierre Charron e o político Jean de Silhon. O primeiro escreveu que a afirmaçón “Non sei nada” era unha verdade “mais instruída e segura, mais nobre e xenerosa do que todo o conhecimento e a certeza”, pois deixava a alma preparada para que Deus “grave nela a verdade” (citado na xá referida obra de A. C. Grayling). O segundo, por seu lado, fazia notar que “non é possíbel que um home que tenha a capacidade, que partilha com muitos, de olhar para dentro de si e xulgar que existe, se engane neste xuízo e non exista” (ibidem). Antes de acusar Descartes de pláxio, convém ver que a dúvida era um apoio valioso nunha época em que nem a filosofia nem a relixión serviam para deter o confronto entre os homes e na qual se tornava urxente, portanto, partir de zero.
ANTONIO DOPAZO GALLEGO