Arquivos diarios: 10/10/2021

KANT (A ORDEM ESPARTANA)

O esboço moral que emerxe das biografias mais reputadas a respeito de Kant tem como traço distintivo a seriedade moral e a obediência estrícta ao princípio do deber, princípio esse que constitui o centro dos seus escritos éticos. Entendeu a vida como unha oportunidade para realizar unha contribuiçón substancial para o pensamento universal e, nesse sentido, aproveitou-a ao máximo: a ordem espartana que impôs aos seus dias responde à sua esixência no trabalho. Non debe inferir-se daí que fosse antissocial; como se viu, foi sociábel, amábel e xeneroso na convivência com os demais. Todas as testemunhas coincidem em que foi sincero e leal na amizade, cortês e respeituoso com os simples conhecidos. Em relixión, non foi um crente ortodoxo ou dado à oraçón, nem practicante, nem certamente teve o menor vestíxio de epiritualidade mística, mas acreditou num Deus adaptado à sua moral e à sua relixión racionalista, os filtros através dos quais o sentiu. Em política, foi republicano e partidário dos ideais das revoluçóns francesa e americana, processos históricos de primeira magnitude que acontecerom durante a sua vida, bem como de qualquer ordem que favorecesse a emancipaçón da razón humana; mas rexeitou qualquer tipo de violência (é seu o tratado “A Paz Perpéctua). Como filho do seu tempo, aceitava unha monarquia limitada e xamais tería aprobado os versos da “Marselhesa”: “Que um sangre impuro banhe os nossos cháns!” Acreditaba, com optimismo, que os exércitos seriam abolidos. Defensor do movimento iluminista, instou a humanidade a assumir consciência e responsabilidade morais; em “Resposta à Pergunta: Que é o Iluminismo?” deixou expresso para sempre o seu legado: Iluminismo é a saída do home da sua menoridade, de que ele próprio é culpado. A menoridade é a incapacidade de se servir do entendimento, sem a orientaçón de outrem. Tal menoridade é por culpa própria, se a causa non residir na carência de entendimento, mas na falta de decisón e de coraxem em se servir de si mesmo, sem a guia de outrem. “Sapere aude!” Tem a coraxem de te servires do teu próprio entendimento! Eis aqui a palabra de ordem do Iluminismo.

JOAN SOLÉ