Arquivos diarios: 11/11/2019

PASCAL (HORROR VACUI)

O ano de 1647 non seria especialmente bom para Pascal, xá que a sua doença rara se agravou e teve de ir viver com a irmán Jacqueline para a sua casa de París. Descartes inteirou-se da chegada do xovem cientista à capital e decidiu visitá-lo para conversar com ele sobre os proxectos e as ideias dos dous. Pascal teve de recebê-lo na cama. Ignora-se quais foram os assuntos abordados, a única cousa que sabemos é que, após unhas horas de conversa, Descartes abandonou a casa com cara de poucos amigos. Anos depois, Pascal escreveu o seguinte sobre o autor do Discurso do Método: “Descartes, inútil e incerto”, e provavelmente xá tinha essa opinión sobre ele naquela época. Os dous filósofos ainda viveram outro episódio de confronto, desta vez em público e em torno do conceito de vazio. Galileu tinha feito experiências com bombas de água, as quais o levaram a confirmar a tese da física aristotélica segundo a qual a natureza tinha horror ao vazio, e, portanto, o vazio era impossíbel. Galileu interpretou nos seus trabalhos que quando se bombeia e desloca o ar a àgua enche imediatamente o espaço que este deixou, cumprindo assim o princípio do “horror vacui” que Aristóteles afirmaba. O problema é que, depois de várias experiências, verificou que só era possíbel bombear àgua até a unha altura de dez metros, algo que non fazia sentido se o medo do vazio da natureza fosse considerado correcto, pois nesse caso ter-se-ia de poder bombear àgua até qualquer altura. Perante este facto, vários dos seus contemporâneos começaram a procurar unha resposta. Estavam perante unha anomalia que punha em causa a física aristotélica que tinham aceitado até entón. Foi neste contexto que o seu discípulo Torricelli começou a fazer experiências para dar resposta a esta questón. Assim, em 1643, Torricelli mandou construir um tubo de vidro de cento e vinte centímetros de comprimento, fechado de um lado e aberto de outro, dentro do qual introduziu mercúrio. Quando preparou o tubo, fê-lo xirar ao mesmo tempo que o introduzia nunha fonte cheia de metal líquido e verificou que depois de a columna de mercúrio descer um pouco, até aos setenta e seis centímetros, parava. O espaço que ficava dentro do tubo era o primeiro vazio provocado de maneira controlada por um home dentro de um laboratório. Depois de vários dias a observar a altura da columna de mercúrio, verificou existirem variaçóns e determinou que estas se ficavam a deber às mudanças de pressón atmosférica. Por um lado, tinha inventado o primeiro barómetro e, por outro, tinha demostrado que o vazio era possíbel dentro da natureza, rexeitando assim o princípio de horror ao vazio. E se a bomba só podia levantar àgua até a unha altura de dez metros isso ficava a dever-se precisamente à pressón atmosférica, que é determinada, e non ao famoso “horror vacui”.

GONZALO MUÑOZ BARALLOBRE