Arquivos diarios: 10/10/2018

A ESCOLÁSTICA (MÉTODO E FORMALISMO)

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               Mais adiante faremos três escalas na filosofía escolástica: unha, ao seu início, com Pedro Abelardo (séculos XI-XII), um pensador singular com ares românticos pela sua aventura sentimental com Heloísa; outra, no seu período de maturidade, com o mais famoso teólogo católico, Tomás de Aquino (século XIII), e unha terceira com Guilherme de Ockham (século XIV), que com o seu criticismo lóxico e político encerra brilhantemente unha época.  Será melhor agora referir algunhas características comuns que sirvam de quadro xeral onde inserir um amplo elenco de pensadores e algunhas correntes de pensamento, non apenas distintas, mas também às vezes abertamente em confronto.  As ideias que  se seguem talvés non dem respostas a todas as perguntas que um leitor actual possa formular sobre a escolástica, mas creio que axudaram a compreendê-la melhor.  Antes de mais, convém considerar a escolástica na sua própria transformaçón, na sua pobreza teórica inicial, como historicamente sucedeu.  O cristianismo, non o esqueçamos, surxíu no Médio Oriente, em solo palestino, como unha corrente relixiosa separada do xudaísmo, isto é, como unha seita.  O grande pensador xudeu Maimónides non escondeu a seu desprezo por Cristo, que acusava de ser um falso Messias.  Apenas o contacto com a cultura grega no helenizado Exipto e a penetraçón na cidade-símbolo por antonomásia deste período, Alexandria, mudariam o rumo inicial do xudaísmo e mais tarde do cristianismo.  De facto, nessa cidade do delta do Nilo um grupo de xudeos traduziria a Bíblia para o grego comum helenístico, para o  dialecto “koiné”.  O cristianismo, que desde cedo aspirou a ser universal, “katholikós” em grego, ou sexa, “católico”, diferenciando-se assim do nacionalismo xudeu. Começou a difundir-se nessa rexión, e, por isso, os cristáns mais antigos do mundo son os coptos exípcios.  Estes primeiros seguidores do Nazareno non tardariam em passar para o continente europeu.  Atenas em primeiro lugar e depois para Roma, para fazer crescer o número dos seus adeptos através da respectiva língua desses pagáns (grego e latim) e usando no seu doutrinamento categorías e conceitos herdados da filosofía platónica e neoplatónica.  Após a queda do Império romano e da invasón dos povos bárbaros do norte, a Igrexa, embora dominadora ideolóxica e social, ficou imersa na ignorância xeral que a ocultaçón da cultura  clássica provocou.  Apenas alguns pobres restos sobreviveram ao naufráxio; as enciclopédias e os floriléxios dan testemunho disso mesmo.  Face a essas brisas pagáns ergueu-se o bloco dogmático da Bíblia cristàn, isto é, a Bíblia xudaica mais o Novo Testamento, e o conxunto teolóxico da patrística, em especial Santo Agostinho.  Pelo contrário, em filosofía, xuntamente com algunhas doutrinas estoicas procedentes de Séneca e outras eclécticas herdadas de Cícero, apenas se conservaram de Aristóteles dous ou três tratados lóxicos transmitidos por Boécio, assépticos do ponto de vista dogmático dado o seu conteúdo formal.  Dentro deste modesto legado, podem destacar-se os escritos de um padre grego, influente na teoloxía medieval, que deve ter vivido entre os séculos V e VI e cuxa identidade desconhecemos (essa é a razón pela qual, em alternativa, é denominado como Pseudo-Dionísio, Dionísio Areopagita ou Dionísio, o Místico).  Na sua síntese das doutrinas neoplatónicas e bíblicas, sublinha a transcendência divina e propugna por unha teoloxía negativa, xá que Deus é inefável.  Tendo isso em conta, compreende-se que a primeira escolástica se iniciasse quase na escuridón com um pensador como Xoán Escoto Eríxena, um irlandés do século IX incompreendido e condenado na sua época.  Xá dentro da ortodoxia, Santo Anselmo tentou racionalizar a fé através da aplicaçón da dialéctica.  O primeiro que rompeu com o método tradicional foi Pedro Abelardo na sua obra Pró e Contra (Sic et Non) cuxo contexto era teolóxico.  Tratava-se de unha colecçón de textos discordantes procedentes da Bíblia e da patrística sobre cento e cinquenta e oito questóns.  No fundo, parece unha resposta ao ensino rotineiro do seu mestre Anselmo de Laon. No prólogo, fixava claramente as suas pretensóns: “Através da dúvida, de facto, chegamos a investigar; e através da investigaçón alcançamos a verdade, Graças a um esforço máximo na procura da verdade, conseguir-se-á por fim a maturidade do leitor e unha maior agudeza mental.  A chave da sabedoria encontra-se para ele na pergunta permanente do leitor.  Surge assim unha nova hermenêutica no medievo.  As obras de al-Kindi, al-Farabi, Avicena, al-Ghazáli e Avempace que foram traduzidas para latim na Península Ibérica, especialmente em Toledo – xá para non falar de Averróis, omnipresente no ensino universitário desde o primeiro terço do século XIII -, están na orixem da escolástica desde o século XII e de unha maneira ostensiva na sua etapa de maturidade.  Como escreveu Xavier Zubiri depois de conhecer esta questón através de Miguel Asín Palacios, “as grandes correntes do pensamento filosófico-teolóxico do medievo cristán son, assim, a cristalizaçón das correntes do pensamento muçulmano”.  Mais recentemente, Alain de Libera, depois de recordar que os escolásticos se designavam a si mesmos como “latini” e se reconheciam como “arabi e philosophi” (como se vê, por exemplo, no conhecido Diálogo de Pedro Abelardo), insistiu na mesma ideia centrando a questón:  Se o problema da relaçón entre a filosofía e a relixión encontrou a sua primeira expressón no mundo arábico-muçulmano, “o modelo da “crise” ou do “drama da escolástica”, utilizado para pensar o específico da Idade Média latina, constata-se, na verdade, um modelo de importaçón.  Foi no mundo muçulmano que se realizou a primeira confrontaçón entre o helenismo e o monoteísmo ou, como se costuma dizer, entre a razón e a fé.”    

andrés martínez lorca

DE SUBVERSIONS E SOBRINHAS FERMOSAS

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               Isto dos ricos e dos pobres; Cristo tinha-o muito claro, mas os curas, despois, passarom-no polo mesmíssimo forro.  É a parte de Cristo que menos lhes interessa.  Decían que isso tinha o perigo de que a Xesuscristo o chamasen comunista, pior aínda; que alguns o colheram como bandeira e quixéram facer dos cristianos primitivos  uns roxos de muito cuidado.  E por aquí os curas non podíam passar.  Alguns curas rasos, sem graduaçón digamos, non tanto.  Mas de canónigo para arriba, até ó mesmíssimo papa, todos preferíam os ricos ós pobres.  Xusto o contrário de Cristo, que andaba entre rameras, analfabetos e mendigos.  A Igrexa predicaba muito e punha a Cristo como exemplo, e logo os seus ministros facíam tudo o contrário.  Se tratabam com rameras os curas non o séi, nem nunca quixem sabê-lo; com analfabetos, que remédio, mas sempre em plán de superioridade.  A non ser que foram analfabetos ricos, que os había verdadeiramente brutos.  Mas com os pobres, pobres, com os pobres de solemnidade, nada de nada.  Isso notába-se.  E o padre espiritual que, pesse a tudo, era o nosso pano de lágrimas, refutaba como tentaçón do Malígno, que pensaramos nessas cousas contradictórias.  E, afirmaba, declarando essa de que Deus escrebe recto por linhas tortas, e que o reino de Deus se manifesta de muitas maneiras.  ¡Leches!  Tinham resposta para tudo.  Era o fundo, a verdade verdadeira o que decían as boas xentes das aldeias: que unha cousa é predicar e outra dar trigo.  De todas maneiras había curas com dous “bemoles”.  Como um que estaba desterrado ó norte da província de Pallantia, na zona mineira que, na guerra, tinha sido socialista e inclúso comunista.  Este cura era párroco nalgúm dos povoados da montanha e, ás vezes, aparecia pola abadía.  Antes, tinha-se dedicado ó apostolado nas barriadas mais pobres da capital e alguém o denúnciou por difundir doutrinas contrárias a léi de Deus.  Estas non eran outras que, predicar a xustiza e a dignidade obreira.  E practicar o consolo e a caridade repartindo com os mais necessitados quase todo o dinheiro que caía nas suas máns.  O bispo chamou-o á ordem; mas el seguíu nos seus treze, defendendo que o verdadeiro reino de Cristo, era o que el predicaba, e non meter a Franco nos templos baixo pâlio.  Estas prédicas eran claramente subversivas e, se non chega a ser pola sua condiçón sacerdotal, non o salvava da cadeia nem Cristo.  O bispo optou discretamente por mandá-lo para a zona mineira, alí non representaba perigo de que corrompera a ninguém, pois supunha-se que todos estabam corrompidos.  Polo que saquei a conclusón; que este cura era amigo ou polo menos companheiro de curso de algúm dos professores e por isso, de vez em quando, visitaba a abadía.  Sentava-se a comer com eles e inclúso um día o deixaron dirixir a leitura no refeitório, com que se distraíam os nossos silencios manducatórios.  Elixíu a passaxe do Evanxelho antes citado, o do rico que non quixo deixar as suas riquezas para seguir a Cristo, e meteu-lhe “caña dura”.  E logo o famoso Sermón da Montanha e das Bemaventuranzas.  E xuntou cousas da sua colheita que estavam bastante bem traídas, muito melhor que os sermóns do padre espiritual.  E logo passeava pola explanada com o reitor tán amigabelmente.  O assunto do desterro de algúns curas a zonas inóspitas e deixadas da mán de Deus, non obedecía só a causas políticas.  Por entón, había párrocos que vivían com unha “irmán” ou unha “sobrinha” que lhes facía de criáda.  Todas as criádas tinham que ser irmáns ou sobrinhas.  E, quando os feligreses comezavam a suspeitar que detrás dessa parentela había outras cousas, o bispo mandava o suspeitoso a um lugar onde ninguém o conhecera.  Ó meu povoado chegou um día um cura bastante xovem que non tinha estudado no Seminário Conciliar de Pallantia e que vinha com unha sobrinha que era unha fermosura.  Non creio que fora mais bonita que a irmán capelana, pesse a tudo.  Andava sempre com blusas um pouco desabotoadas porriba, saías um pouco por baixo do xoelho e um véu branco de encaixe, quando arranxava o altar.  A todos parecía lindíssima.  Sorte que tinham estes sacerdotes de ter sobrinhas tán boas.  E cachondas, que decían feligreses que nunca se  confesabam, e era palabra de mal pensamento.  A ver; se chegan a confesar-se e lhe dín ó cura que chamaron cachonda á sua sobrinha, vai este e os excomulga.  A sobrinha das blusas com o botón louco, desapareceu um día. E os mesmos contumaces de sempre, dixerón que tinha ido parir na maternidade e que do filho ninguém da aldeia tinha a culpa. O párroco foi trasladado ó pouco tempo.  Ó melhor andava, aqueles días de bandoleiros, nalgúm povoado de montanha com outra sobrinha.  

javier villán e david ouro