ORIXENS DA ESFERA PÚBLICA (OS SALÓNS PARISINOS DO SÉCULO XVIII)

Os salóns constituem um dos aspectos característicos do Iluminismo. Som o espaço de encontro das principais figuras francesas – Montesquieu, Fontanelle, Voltaire, D’Alambert, Diderot… -, mas também de outras personáxes relevantes – Hume, Rousseau, Walpole… -, que frequentabam o Paris setecentista. A filosofia deslocou-se: o debate xá non está nas universidades, depositárias de todo um saber determinado pola tradiçón e pola autoridade, mas tem lugar em qualquer sitio, no café, na rua, nos salóns… Os filósofos non pretendem criar grandes sistemas, mas discutir e polemizar, tendo a razón como instrumento, sobre qualquer tema. Também querem disfrutar. O salón ou o teatro som os lugares onde se reúnem. A maioria dos salóns, literários ou mundanos, eram xerídos por mulheres. Neste ambiente refinado cabiam a galanteria, a leitura, a frivolidade e a reflexón intelixente. Os “habitués” dos salóns circulavam entre eles. Das seis às oito da tarde com Julie Lespinasse, xantar com Madame du Deffand; às segundas com Madame Geoffrin, às terças com Madame Tencin… A conversa entre os assíduos, os filósofos e os letrados do Iluminismo, era constante. Criava-se, assim, unha indagaçón e um aprofundamento comuns. As mulheres cultas, aristocratas ou burguesas, oficiavam como anfitriáns. Qualquer dama que se prezasse fundava um salón. O seu papel era criar um clima de bem-estar mental e estimular o questionamento intelectual. A “salonière” era unha autoridade mediadora. Promove a tolerância e a ausência de preconceitos. No salón afirma-se a individualidade de cada um como contributo para o debate público e para a comunicaçón, face à rixidez protocolar da sociedade cortesán. Benedetta Craveri explica-o: “(…) o salón non é um lugar mundano de representaçón – por oposiçón à casa principesca em que os hóspedes distraem aos donos – mas de comunicaçón. O prestíxio de quem o preside non assenta em dominar os convidados, mas em garantir-lhes igualdade de direitos e liberdade de expressón. Os homes de letras non som xá utilizados em funçón da vida mundana, como um entretenimento subalterno; é antes a vida mundana a proporcionar-lhes o tecido conxuntivo necessário para confrontar e difundir as suas ideias” (Craveri, Siruela Madame du Deffand et son monde). Os salóns literários serán a referência concreta do nascimento da esfera pública. Esta zona crítica reclama para sí um público que empregue o “raciocínio” e que da tribuna, esixa ao poder a lexitimaçón das suas medidas perante a incipiente opinión pública. A emerxente imprensa será o vehículo desta novidade radical que desafiava os monarcas absoluctos.

MARÍA JOSÉ GUERRA PALMERO

LITERATURA CLÁSSICA GREGA (LÍRICA CORAL ARCAICA)

Desde Alcmán no século VII até Timoteo a princípios do IV, a lírica coral mantem-se como unha forma literária importante. Recitada por coros de cidadáns -homes, nenos, mulheres ou nenas-, assim como por corpos de professionais, estes poemas eram cantados por um coro de danzantes em festivais relixiosos públicos ou em importantes acontecimentos familiares, como casamentos ou funerais. Também celebram a vida cívica da polis os festivais na honra dos deuses, o canto coral tinha um papel importante de afirmaçón dos valores e da solidariedade da comunidade. A conecxón entre a música e os valores éticos, mantenhem-se com força durante os períodos arcaico e clássico. Como grande parte da poesía grega temperám, tem um aspecto mais público que pessoal, e o mesmo acontece com a sua expresón e orientaçón. Neste sentido difére da lírica monódica, que constitui muito mais a expresón da emoçón pessoal. As formas e subxéneros básicos da lírica coral xá están testemunhados em Homero e sem dúvida retrocedem até muito antes da evidência escrita. O “Escudo de Aquiles” na “Ilíada” descrebe um canto de casamento, um canto de colheita acompanhado de danças e unha elaborada representaçón de dança e canto a cargo de xóvens e doncelas em Cnosos. Na “Odisea”, o bardo Demódoco canta o famoso canto sobre o amor ilícito de Ares e Afrodita, mentras ao seu redor os xóvens feacios dançam ao seu ritmo. Estes pasáxes implicam unha íntima conexsón de música, dança e poesía na lírica coral. O lamento por Héctor na “Iliada”, Ilustra o “threnos” ou “endeixa” e também reflexa a sua estructura formal: um “cantor” (aoidos) “dirixe”; ele ou ela é seguido pola voz colectiva do coro, que se lhes xunta nunha espécie de estribilho. A frase formulária “respondendo com voz agradábel”, também pode indicar a divisón de este tipo de canto em estrofas. é dizer, em estâncias cuxa forma estabelecida, métrica e probabelmente coreográfica se repete com diferentes palabras. Só mais tarde, possibelmente com Estesícoro, a princípios do século VI, é desarrolhada a composiçón triádica. Trata-se de unha disposiçón em estâncias mais complexas, que se compón de unha estrofa, a antiestrofa correspondente a um epodo, este último com unha métrica relacionada mas lixeiramente diferente. Ademais do canto de casamento, a endeixa e o peán (canto na honra de Apolo), a lírica coral também incluie o canto de doncela (partheneion), o canto procesional (prosodion), o himno, o ditirambo (na honra de Dioniso). Um pouco mais tarde e com um carácter mais secular surxe o “enkomion” (canto de alabança aos homes, non aos deuses) e o “skolion” (canto popular entoádo em festíns e banquetes). A divisón entre a lírica coral e a monódica é conveniente, mas artificial, pois muitos poetas compuxerom cantos de ambos tipos. Alcmán, principalmente poeta coral, compuxo cantos de amor, algúns dos quais puiderom ser monódicos. Os monodistas Safo, Alceo e Anacreonte compuxérom obras corais: cantos de boda, himnos e partheneia. O elexíaco e yambógrafo Arquíloco puido compor ditirambos. Os numerosos festivais locais e relixiosos – as Carneas e Jacintias em Esparta, as Adrasteas em Sición, as Yoleas em Tebas, as Adonidias em Lesbos – proporcionabam as ocasións públicas para o canto coral. A lírica coral também tinha um importante papel nas grandes celebraçóns cosmopolitas, como as de Delfos ou Olimpia, ou ainda o festival de Delos na honra de Apolo Délio, graficamente descrípto no “Himno Homérico a Apolo”. Com a paixón dos gregos polos concursos, os poetas e os coros a miúdo competíam por prémios.

P. E. EASTERLING E B. M. W. KNOX (EDS.)

AURELIUS AGUSTINUS (BISPO DE HIPONA)

No ano seguinte ao seu baptismo, Santo Agostinho e os seus fiéis companheiros decidiram abandonar Milán e embarcar de regresso à sua Tagasta natal, onde Mónica xá non chegaria, tendo morrido em Óstia antes de entrar no barco que os deberia conduzir a África. Nos anos imediatamente posteriores à sua chegada, dar-se-ia unha série de acontecimentos cruciais que desencadearia unha nova reviravolta na vida do santo. Em apenas sete anos, desde 388 até 395, Santo Agostinho passou de um recém-baptizado a bispo de Hipona. Mas o destino que os imprescrutábeis desígnios do Senhor lhe tinham reservado estaba bem lonxe dos propósitos iniciais do Santo para o seu regresso. O futuro bispo voltou com a intençón de se dedicar à oraçón e à reflexón teolóxica, criando à sua volta unha pequena comunidade monástica de “servi Dei” (“servos de Deus”) dedicados exclusivamente à contemplaçón e à leitura das Escrituras. Mas unha figura com a sua formaçón e estatura intelectual non podia passar desapercebida à Igrexa católica da remota província africana, necessitada como estava de assegurar a sua posiçón frente aos múltiplos credos e seitas cristáns com que tinha de competir. Na disputa pola hexemonia espiritual, um orador enxenhoso, como Santo Agostinho, era um recurso que non se podia deixar escapar. Non é, por isso, de estranhar que cedo fosse desafiado por Valério, bispo de Hipona, para que se ordenasse sacerdote, concedendo-lhe a autorizaçón para pregar (algo absoluctamente incomum na Igrexa africana, onde a pregaçón era um priviléxio reservado, exclusivamente, aos bispos). A ordenaçón como sacerdote em 391 puxo fim a um proxecto de vida dirixida para o aperfeiçoamento interior e para a contemplaçón espiritual; a partir de entón, Santo Agostinho viu-se obrigado a mergulhar na vida quotidiana da sua comunidade e nas sangrentas disputas políticas e doutrinárias que a axitavam. A transiçón foi em parte facilitada pola morte, no ano anterior à sua ordenaçón, do seu querido amigo Nebrídio e do seu adorado filho Adeodato. Com essas mortes, Santo Agostinho perdeu dous pilares fundamentais da sua vida privada. Depois de quatro anos de trabalho pastoral em Hipona, em 396, com a morte de Valério, tornou-se o novo bispo da cidade. A partir da sua ordenaçón como bispo e até ao final dos seus dias, a actividade de Santo Agostinho tivo unha orientaçón eminentemente práctica, imposta polo seu papel como responsábel polo governo de unha diocese. No desempenho das suas funçóns, o bispo tivo a oportunidade de utilizar todo o repertório de recursos rectóricos e persuassivos que tinha guardado nos seus longos anos de formaçón como orador.

E. A. DAL MASCHIO

O PROBLEMA DA CASA DO “FRANCÊS”

Por esse país fora iremos encontrar este modelo mil vezes repetido. Aqui, no Alto Minho álacre e florido, resulta unha fantasia mais, unha lantexoula insólita num avental vianês. Mas elas, as casas dos emigrantes inçam xá o país inteiro. Esmaltam de garridice a austeridade honrada do Soajo, a penedia taciturna dos planaltos transmontamos, as gândaras verdes do país litoral. Nada escapou e a epidemia aumenta, ao mesmo tempo que sobe o clamor dos protestos, as recriminaçóns dos paisaxistas e aumentam as posturas das edilidades para tentar cohibir o que se considera unha perversón do bom estilo castiço de antano. que sumariamente se identifica com as pardieiras de granito, os telhados de quatro águas, a telha de meia-cana. É o problema da casa do “francês”, questón que anda tanto na moda que sinto a necessidade de, para meu próprio governo, passar algunhas ideias a limpo. Primeira ideia: cada um tem o direito essencial de fazer a sua casa conforme ao seu gosto, desde que com isso non ponha em risco a segurança de todos. Segunda ideia: gostos non se discutem. Terceira ideia: cada terra tem as casas que merece. E fico por aqui. Seria unha perda de tempo dizer que estamos a poluir a paisaxem, a falsificar a unidade estéctica dos quadros naturais, etc…, etc… porque tudo isso é evidente e as evidências non precisam de ser aclaradas, pois se notam imediatamente. Também non irei chorar sobre o leite derramado, a lamentar a facilidade com que o Português ganha o sabor da vasilha, a discretear sobre o que explica esta docilidade nacional perante a moda alheia, esta capacidade de trazer de França o telhado preto, de Marrocos a açoteia branca, da primeira revista que lê a arquitectura do tixolo, ou a do cimento, ou a da madeira dos bosques que xá non existem senon nas revistas. O que se passa é que nesta matéria de opçóns estécticas reflectem-se questóns mais profundas de interiorizaçón de valores culturais, e as posturas dos municípios non têm aí efeito algum. Na cultura xoga-se unha espécie de xogo da verdade, no qual a cultura mais forte fica sempre por cima. Estes emigrantes saíram das suas aldeias sem saberem nada, e quando voltam só sabem o que aprenderom por lá. Por isso – porque é unha valorizaçón, um enriquecimento, um ganho – fazem gala em o exibir. A casa de telhado de castanholas e xelosias envernizadas têm a mesma funçón afirmativa que o carro aspaventoso, ainda com a matrícula de orixem, ou o estropiamento voluntário da fala: o importante é que se vexa que vem de fora, que se esteve lá fora, com tudo o que isso representa de implícita promoción. E questóns destas non se resolvem com conversas sobre o património, nem com providências restrictivas: só o aumento da cultura e a interiorizaçón do arraigamento a pode axudar a solucionar.

JOSÉ HERMANO SARAIVA E JORGE BARROS (O TEMPO E A ALMA)

WITTGENSTEIN (NON SER ORIXINAL)

Wittgenstein incluiu Kraus nunha enigmática enumeraçón de dez nomes, onde figuravam dous outros membros da nossa lista de críticos modernos: Weininger e Loos. O que tem de especial essa relaçón? Isto: após afirmar nunca ter tido unha ideia orixinal, Wittgenstein, considerado um xénio, disse ter desenvolvido o seu trabalho de clarificaçón – e toda a sua filosofia non se propôm outra cousa que non sexa clarificar – a partir da influênça dos físicos Ludwig Boltzmann e Heinrich Hertz, do filósofo Arthur Schopenhauer, dos xá mencionados Frege, Russell, Kraus, Loos e Weininger, do historiador e filósofo Oswald Spengler e do economista Piero Sraffa. A que se debia a sua falta de orixinalidade? Segundo Wittgenstein, estaba directamente relacionada com a sua condiçón de xudeu. O que queria dizer? Baseaba-se na ideia de que o xudeo partia sempre do trabalho alheio. “Non produzirá” – dizia Wittgenstein – “nem a mais pequena flor, mas um desenho da flor.” No entanto, era capaz de entender o essencial das ideias alheias melhor do que o seu próprio autor e de desenvolver os aspectos ainda por explorar. Wittgenstein usou esta comparaçón para esclarecer que a grandeza da sua filosofia consistia em ter apreciado, nas ideias de outros, aspectos que eles mesmos tinham ignorado. Entender a natureza destas influênças resulta fundamental para abordar o pensamento de Wittgenstein e a isso se dedicam os dous capítulos seguintes. Voltemos a Kraus. Nos seus esforços para delimitar o âmbito do literário, vislumbra-se unha semente da preocupaçón polo conceito de limite que marcou toda a filosofia de Wittgenstein. Tentando, precisamente, estabelecer limites no uso da linguaxem, Wittgenstein fez seu o hábito krausiano de tomar a palabra do seu rival tal qual e “mostrar” o seu carácter moral através de aforismos e non de argumentaçóns. Tal como Kraus, Wittgenstein mostrou a inconsistência da gramática superficial da linguaxem (essa que non atende ao uso que se faz da palabra em questón e que se fica pela mera aparência, que trata indistintamente as palabras “tempo” e “mosca”, por exemplo, apesar das enormes diferênças entre afirmar “o tempo voa”, e “a mosca voa”! ), pondo-a em evidência, algo de que encontramos numerosos exemplos nas “Investigaçóns”. Do mesmo modo, nenhum deles concebia descontinuidade algunha entre o gramatical e o ético. Por isso, ambos coincidiam em que o estilo é o próprio home.

CARLA CARMONA

HETERODOXOS (1)

HEREXES LIBELÁTICOS: BASÍLIDES E MARCIAL

Durante a perseguiçón de Decio (antes do ano 254) coubo a triste sorte de inaugurar o catálogo dos “apóstatas” aos bispos Basílides de Astorga e Marcial de Mérida: caída muito ruidosa polas circunstâncias que a acompanharom. Cristianos pusilânimes e temerosos da perseguiçón, non duvidaron estes bispos pedir aos maxistrados xentís o que se chamaba um “libelo”, certificaçón ou patente, que os punha a coberto das perseguiçóns aos cristáns. Como se tivessem idolatrado. Mirabam os fieis com horror esta espécie de apostasía, ainda que arrincada pola forza das circunstâncias, aos reus de tal pecado chamabam “libelácticos”, para diferênciá-los dos que chegavam a adorar aos ídolos, e recebiam por ende o desonrroso nome de “sacrificados ou sacrifículos”. (…) Non se detiverom aqui Marcial e Basílides. O primeiro fixo actos públicos de paganismo, enterrando os seus filhos em lugares profanos, assistindo aos convites dos xentís e manchando-se com as suas abominaçóns, finalmente, renegando da fé ante o procurador “ducenário” da sua província. (…) As Igrexas de Astorga e Mérida acordarom a sua deposiçón, e reunidos os bispos comarcanos, “cum assensu plebis”, como era uso e costûme, elexirom como sucessores a Sabino y a Félix. (…) Mas, determinado Basílides a recobrar a sua cadeira, foi-se a Roma, onde com artifícios e falsas relaçóns conseguíu enganar o papa Estéfano I, que mandou restituir-lhe o seu bispado, por ser a deposiçón anticanónica. Esta foi a primeira apelaçón a Roma que encontramos na nossa história. (…) Metidas em tal conflicto, as Igrexas espanholas consultarom ao bispo de Cartago, San Cipriano, “lumbrera” da cristandade no século III. Entre Espanha e o que depois se chamou Mauritania Tingitana, as relaçóns eram fáceis e continuadas. (…) Consultou San Cipriano aos trinta e seis bispos de África, e foi decisón unánime que a deposiçón dos apóstatas era lexítima, sem que pudesse facer forza em contrario o rescripto pontificio, dado que estaba em vigor a constituiçón do papa San Cornelio, que non os admitía ao ministério sacerdotal. (…) Esta carta foi escrita no ano 254, imperando Valeriano, e é o único documento que temos sobre este asunto

MARCELINO MENENDEZ PELAYO

JANSENIUS (A DISPUTA ENTRE DOMINICANOS E XESUÍTAS, QUE XÁ VINHA DO CONCÍLIO DE TRENTO)

A obra de Jansenius tinha como pano de fundo a disputa que dominicanos e xesuítas tinham mantído no Concílio de Trento e que ainda continuava acesa. Os termos eram simples: os dominicanos defendiam a necessidade da “graça” para a salvaçón do home, enquanto os xesuítas alegavam que o home só precisava da sua liberdade para se salvar. O que estava em xogo era a interpretaçón do pecado orixinal. Os dominicanos apresentavam unha interpretaçón mais dramática: o home, após a sua queda, está corrompido, tal como todas as suas acçóns, e só através da “graça”, que é o dom divino, consegue alcançar a salvaçón. Polo contrário, os xesuítas interpretam-no de unha forma mais benévola: a queda verificou-se, mas o home, guiado polo exemplo de Cristo, consegue axir de tal maneira que chega por si próprio à sua salvaçón. No aspecto filosófico, esta disputa implicava a pergunta pola liberdade humana, xá que se optasse pola versón benévola do pecado orixinal determinava-se que o home podia escolher entre o bem e o mal no momento de axir, e que possuía a capacidade de conseguir a salvaçón (ou de cargar com a culpa) polos seus próprios meios. Polo contrário, se assumímos a versón dramática do pecado orixinal, estabelecia-se que a natureza orixinal do home, debido à culpa de Adán e Eva, tinha ficado corrompida e marcada por unha tendência para o mal, o que implicava que xá non era completamente libre para escolher entre o que está, ou non bem e que, portanto, precisava da axuda da “graça” divina para se tornar merecedor da salvaçón (e por outro lado, traspassava para as costas de Deus algo da culpa do pecado). Esta questón terá muita importância em reflexóns filosóficas posteriores. Com efeito, segundo a versón dramática do pecado orixinal o home é mau por natureza, enquanto, de acordo com a versón benévola, essa maldade non é inherente à Humanidade. Estas duas visóns do home marcaram dous rumos opostos da filosofia política: por um lado, aqueles que se situam sob o lema de que o home é um “lobo para o home”, ou sexa, mau por natureza, e, por outro, aqueles que defenderam o contrário. No primeiro grupo estám autores como Thomas Hobbes, que publicou em 1651 o seu famoso “Leviatán”, e no segundo grupo destacam-se Jean-Jacques Rousseau e Karl Marx. Como dizíamos, a obra de Jansenius, o seu “Augustinus”, tinha como pano de fundo a disputa entre dominicanos e xesuítas, e com ela tentava encerrar a polémica, demonstrando que a opinión dos dominicanos, a interpretaçón dramática do pecado orixinal, era a correcta.

GONZALO MUÑOZ BARALLOBRE

A TEORIA “M” (UNHA TEORIA MAIS FUNDAMENTAL) (FI-61)

Ademais da questón das dimensóns, a “teoria de cordas” adolecía de outra característica incómoda: parecía que había polo menos, cinco teorias diferentes e milhons de maneiras nas que as dimensóns adicionais podíam curvar-se, o qual conduce a unha multitude embaraçosa de possibilidades para os que abogavam que a “teoria de cordas” era a “teoria única” de tudo. Logo, por 1994, começou-se a descubrir dualidades -que diferentes teorias de cordas, e diferentes maneiras de curvar as dimensóns adicionais, som simplesmente maneiras diferentes de descreber os mesmos fenómenos em quatro dimensóns-, Ademais, descubriu-se que a “supergravidade” também está relacionada com as outras teorias dessa maneira. Os teóricos de cordas, estám convencidos agora de que as cinco diferentes teorias de cordas e a supergravidade, som simplesmente diferentes aproximaçóns a unha teoria mais fundamental, cada unha das quais resulta válida em situaçóns diferentes. A “teoria mais fundamental” é a denominada “teoria M”, como afirmamos antes. Ninguém parece saber que significa a “M”, mas pode ser “Mêstra”, “Milagrosa” ou “Misteriosa”. Parece participar das três possibilidades. Ainda estamos intentando descifrar a natureza da “teoria M”, mas pode que non sexa possíbel conseguílo. Podería ser que a tradicional expectativa dos físicos, de unha só teoria da natureza sexa inalcanzábel e que non exista unha formulaçón única.

STEPHEN HAWKING E LEONARD MLODINOW

RAWLS (ARBITRARIEDADES MORAIS)

No entanto, Rawls non entende o valor equitativo da liberdade política ao resto das liberdades, como lhe pediria um marxista convencido de que a liberdade se pode transformar em algo meramente formal se os meios materiais e económicos da sua utilizaçón real non estiverem garantidos. De que serve a liberdade de pensamento se non se dispón da informaçón e conhecimentos suficientes? De que serve a liberdade de movimentos se non se tem dinheiro para viaxar? De que serve qualquer tipo de liberdade individual se non nos podemos alimentar, vestir ou viver debaixo de um tecto em condiçóns dignas? Rawls confia no valor equitactivo das liberdades políticas e nos outros dous princípios de xustiça para non ter de colocar estas perguntas. Esses outros dous princípios de xustiça som: “a igualdade de oportunidades” e o “princípio de diferênça”. A “igualdade de oportunidades” tem um primeiro momento que é a “igualdade formal de oportunidades”, a corrida aberta aos talentos, com o obxectivo de prohibir por lei as “discriminaçóns moralmente arbitrárias”, ou sexa, aquelas que prexudicam a “igualdade moral das pessoas”, e cuxa definiçón consiste em que todos debem ter igual acesso legal às posiçóns sociais vantaxosas. No entanto, a “igualdade formal de oportunidades” non contempla o facto de as continxências sociais non se equipararem ao acesso a essas posiçóns dominantes, polo que se torna necessária unha “igualdade equitativa de oportunidades” que nivele ou compense as condiçóns sociais que determinam o acesso a essas posiçóns. A “igualdade formal” non impede que esse acesso “se vexa inxustamente influenciado por factores sociais e naturais que do ponto de vista moral, som muito “arbitrários”.

ÁNGEL PUYOL

ESCRITORES HISPÂNOS (JORGE LUIS BORGES)

BORGES, Jorge Luis (Buenos Aires, 1899). É um dos grandes contistas da literatura universal e um ensaista incomparábel. Os seus escritos influirom a muitos escritores mais alá das suas fronteiras e do seu continente. Borges é também um excelente poeta, mas o seu êxito como narrador com frequência fai esquecer os seus acertos neste outro xénero. O estilo da sua prosa une a brevidade com a elegancia em contos cuxa ambigüidade resulta absoluctamente orixinal. Passou a sua xuventude em Buenos Aires, mas dentro de um âmbiente muito influído pola cultura inglesa, de maneira que Borges aprendeu a lêr em inglês antes que em espanhol. A leitura de Robert Louis Stevenson foi unha das suas aficçóns daqueles anos, Estudou depois em Xinébra (1914-1918) e entón também viaxou por França, Alemanha e Maiorca. Residíu depois em Espanha, onde se xuntou ao grupo dos “ultraístas” e à revista “Ultra” em 1919. Introducíu este movimento na Arxentina a través de publicaçóns em revistas como “Prisma”, “Proa”, “Nosotros” e “Martín Fierro” e no seu primeiro libro, “Fervor de Buenos Aires” (1923). A primeira etapa de “Proa” abarcou de 1922 a 1923, até que o cofundador, Macedonio Fernández, renunciou. Borges iniciou a segunda etapa da revista (1924-1925) com Ricardo Güiraldes, Pablo Rojas Paz e Brandán Caraffa. Em 1925 Borges começou a colaborar no suplemento cultural do xornal “La Prensa”. De ahí iniciou as suas colaboraçóns em quase todos os diários e revistas importantes da Arxentina. Recordamos especialmente a sua colaboraçón na revista de Victoria Ocampo, “Sur”. A sua biografía é quase inexistente. A sua verdadeira vida está constituída polo crescimento das suas leituras e do seu desarrolho intelectual e criativo. Os únicos incidentes externos importantes que podemos mencionar foi o seu cese como director da Biblioteca Nacional por ordem de Juan Domingo Perón e a cegueira progressiva que padeceu desde fai muitos anos. Profundo estudoso dos sistemas de pensamento oriental e occidental, xamais caíu no “escepticismo”. É um home de cultura universal e enciclopédica e foi capaz de introducir subtilmente nos seus escritos paradoxas e metáforas que saca de diversas fontes. Pode afirmar-se que os seus ensaios e os seus contos constituem unha série de problemas literários e filosóficos, que introduce com brevidade e que resolve com gráça e elegância. Os seus ensaios som: “Inquisiciones” (1925), “El tamaño de mi esperanza” (1926), “El idioma de los argentinos” (1928), “Evaristo Carriego” (1930), “Discusión” (1932), “Las Kenningar” (1933), “Historia de la eternidad” (1936), “Nueva refutación del tiempo” (1947), “Aspectos de la literatura gauchesca” (Montevideo, 1950), “Antiguas literaturas germánicas” (em colaboraçón com Delia Ingenieros, México, 1951), “Otras inquisiciones” (1952), “El Martín Fierro” (com Margarita Guerrero, 1953), “Leopoldo Lugones” (1955, em colaboraçón com Betina Edelberg) e “Elogio de la sombra” (1969), que incluie histórias e poemas, entre outros. O primeiro libro de Borges foi um libro de poemas e ao longo da sua vida continuou cultivando este xénero. Os seus temas preferidos som sempre o tempo e o intemporal, a identidade e a âmbigüidade que entranha, a paradoxa e a natureza cíclica do conhecimento e da história. Depois de “Fervor de Buenos Aires” publicou “Luna de enfrente” (1925) e “Cuaderno de San Martín” (1929). Libros que despois rechazou por esaxeradamente “ultraístas”. Os asuntos dos seus primeiros poemas som com frequência “criollos” e rexionais. Neles pode-se notar o aspecto local de unha literatura que raramente o é na sua narrativa. A tendência metafísica de Borges está reflexada em “Antología personal” (1961), “Obra poética 1923-1967” (1967) e nos poemas incluidos no xá citado “Elogio de la sombra”. Mas o melhor de Borges som os seus contos: “Historia universal de la infamia” (1935 e logo incluida nas suas “Obras completas” em 1954), é a primeira obra do “realismo mágico” hispanoamericano, que atinxiría o seu clímax com Gabriel García Márquez. “El jardín de los senderos que se bifurcan” (1941), “Artificios” (1944), “Ficciones, 1935-1944” (1944); “El aleph” (1949), “La muerte y la brújula” (antoloxía que incorpora alguns contos novos), “El hacedor” (cuxa primeira edicçón está incluída em “Obras completas”, 1960), “Cuentos” (1968), “Elogio de la sombra” (1969), “El informe de Brodie” (1970), “El congreso” (1971) e “El libro de Arena” (1975). Borges admite a influênça na sua literatura de escritores como Chesterton e Lewis Carroll. O elemento lúdico levou-o a colaborar frequentemente com Adolfo Bioy Casares na elaboraçón de novelas policíacas baixo o pseudónimo de “H. Bustos Domecq”: “Seis problemas para don Isidro Parodi” (1942), “Dos fantasías memorables” (1946) e “Crónicas de Bustos Domecq” (1967). Como “B. Suárez Lynch” publicarom a obra “Un modelo para la muerte” em 1946. Borges compilou também varias antoloxías: “Antología clásica de la literatura argentina” (sem data, mas de 1937), em colaboraçón com Pedro Henríquez Ureña; “El compadrito: su destino, sus barrios, su música” (1947), em colaboraçón com Silvina Bullrich; “Cuentos breves y extraordinarios” (1953), com Bioy Casares; “Manual de zoología fantástica”, com Margarita Guerrero (1957); e “El matrero” (1970).

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (ABELARDO BONILLA)

BONILLA, Abelardo (Cartago, 1899). Ensaista, historiador literário e novelista costarricense. Publicou “El valle nublado” (1944), novela na que ataca discretamente a hipocresía e a corrupçón. Publicou também unha “Historia de la literatura costarricense” (1959, dous volûmes).

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (MARÍA LUISA BOMBAL)

BOMBAL, María Luisa (Viña del Mar, 1910-1980). Novelista chilena, que estudou filosofía na Sorbona. É autora de duas novelas, nas quais evita seguir as duas correntes convencionais da novelística do seu país: o “criollismo” e o “neorrealismo”: “La última niebla” (1935), reescrita pola autora em colaboraçón com o seu esposo para unha versón em fala inglesa publicada como “House of mist” (1947) e “La amortajada” (1938), descrípta por Jorge Luis Borges como um “libro de triste magia… de oculta organización eficaz”. “La última niebla” conta a historia de unha mulher casada carente de verdadeiro amor, através da utilizaçón da personáxe da néboa, símbolo e símil da mulher. Esta novela foi comparada com a obra de Hoffmann, de Virginia Woolf e, em alguns pontos, toca as obras de Barrios e de Halmar polo seu subxectivismo. A reediçón de 1944, contêm duas novelas curtas centradas também no amor frustrado. “La amortajada”, é a historia de um dadáver contada em primeira pessoa a través de “flashbacks”.

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (SARA BOLLO)

BOLLO, Sara (Montevideo, 1904). Poeta e crítica uruguaya. A sua poesía, em contraste com a convencional poesía herótica que acostumam escreber as hispanoamericanas, centra-se principalmente na sensibilidade espiritual. A sua obra teatral “Pola Salavarrieta” (estreada em 1944, publicada em 1945)é unha traxédia em verso situada na época de Bolívar, que tem como protagonista a unha heroína colombiana. A publicaçón da sua obra poética começou com os seus inmaduros “Diálogos de las luces perdidas” (1927) e “Nocturnos del fuego” (1931). Escrebeu poemas em prosa nas “Las voces ancladas” (1933). A sua voz poética começou a destacar em “Regreso” (1934), “Baladas del corazón cercano” (1935), “Ciprés de púrpura” (1944) e “Ariel prisionero, Ariel libertado” (1948), libros todos que servirom para elaborar a sua “Antología lírica”. Outros títulos mais recentes som “Espirituales” (1963), “Tierra y cielo” (1964) e “Diana transfigurada” (1964). Escrebeu também um manual de “Literatura uruguaya, 1807-1965” (1965, dous volûmes) e outros estudos menores, “Juana de Ibarbourou” (1935), os ensaios “Sobre José Enrique Rodó” (1951), “El modernismo en el Uruguay: ensayo estilístico” (1951) e “Delmira Augustini: espíritu de su obra” (1963).

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (VICENTE BOIX Y RICARTE)

BOIX Y RICARTE, Vicente (Játiva, 1813-1880). Autor teatral, historiador e poeta. Novelista melodramático que segue a tradiçón de Dumas. Escrebeu a medíocre e voluminosa “Historia de la ciudad y reino de Valencia”, pouco fiábel nos seus dactos (1845, três volûmes). As suas “Obras poéticas” aparecerom em dous volûmes, “Poesías históricas y caballerescas” (Valencia, 1850) e “Poesías líricas y dramáticas” (Valencia, 1851).

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ESCRITORES HISPÂNOS (JUAN NICOLÁS BÖHL DE FABER)

BÖHL DE FABER, Juan Nicolás (Hamburgo, 1770-1863). Hispanista alemán, home de negócios e crítico literário. Foi cónsul alemán em Cádiz. Converteu-se ao catolicismo. Foi o pai de Cecilia Böhl de Faber. Colaborou com alguns artígos publicados na prensa gaditana (1814) difundindo as ideias de Schlegel sobre a beleza dos românces espanhois e do chamado drama “irregular” do “Siglo de Oro”, que entón era despreçado. Estes artígos iniciarom unha disputa com Alcalá Galiano, que atacou a Böhl desde unha perspectiva neoclássica. José Joaquín de Mora apoiou a Alcalá e manipulou para impedir que novos artígos de Böhl apareceram na prensa. A querela convertíu-se em política: os liberais apoiabam as teorias francesas neoclássicas e os conservadores como Böhl, López Soler e Agustín Durán considerábam-se a sí mesmos como os defensores da tradiçón cristiana, identificando esta, de unha maneira errónea, com a visón dos românticos. Forzado a deixar de colaborar nos xornais, publicou três panfletos baixo o título de “Pasatiempos” (1818-1819), com o pseudónimo de “El Alcalde de Daganzos”, que mais tarde reeditou na forma de libro como “Vindicaciones de Calderoń, y del teatro antiguo español contra los afrancesados en literatura” (1820). A polémica, conhecida como “querella calderoniana”, foi ganha polos hispanófilos encabezados por Böhl de Faber, que foi elexído membro honorário da Real Academia. Böhl adiantou-se aos críticos actuais ó afirmar que os autos relixiosos de Calderón eram tán valiosos como as comédias. Como erudicto fixo duas importantes compilaçóns: “Floresta de rimas antiguas castellanas” (Hamburgo, 1825) e “Teatro anterior a Lope de Vega” (1832).

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