MONTAIGNE (NENHUMA PRISÓN ME ACOLHEU…)

O cargo que Henrique III lhe tinha outorgado foi renovado por mais dous anos (1583-1585), apesar da oposiçón dos extremistas católicos. O seu novo mandato representará mil perigos, entre psicodramas e escândalos políticos. Entretanto, a trinta de Dezembro de 1580, tinha assumido efectivamente a primeira incumbência. A duraçón do primeiro mandato coincide com a revisón da sua primeira obra. Em 1582, também com Millanges, publica a segunda ediçón dos “Ensaios”, com acrescentos e correçóns. No mesmo ano, começam os preparativos para a construçón do maior farol da Europa do seu tempo, o farol de Cardouan, situado no início do estuário da Gironda. A 31 de Agosto de 1583, enviará unha carta de reclamaçón a Henrique III sobre a situaçón da cidade. A carta, coraxosa e com um tom muito libre, foi assinada em Bordéus, no Conselho dos xurados. Montaigne é o seu primeiro assinante. Impostos inxustos, necessidades do pobo descuidadas, venalidade da xustiça, pobreza e mendicidade som os temas de unha autêntica declaraçón de princípios. Em 1584, desloca-se a Mont-de-Marsan para falar com o rei de Navarra, que a 19 de Dezembro visita o castelo, onde nunca tinha estado, e onde permanece dous dias, sem mais serventes além dos próprios do castelo, como atesta a nota manuscrita que deixa em Beuther, o seu “Livre de raison”. Montaigne non esconde a sua satisfaçón: “et dormit dans mon lit”. No ano seguinte, conduz as negociaçóns entre Du Plessis-Mornay (conselheiro de Henrique de Navarra) e o mariscal Matignon, lugar-tenente xeral do rei. Em Xunho, estala a peste em Bordéus e expande-se por todo o Périgord. Para evitar o contáxio, é obrigado a abandonar o castelo e peregrinar com a sua família sem ser acolhido em nenhuma casa amiga (de Septembro de 1586 a Março de 1587), com cavalos e um carro. Talvez na sua mente lhe recordasse a “peste de Atenas”, evocada polo seu admirado Lucrécio nas últimas páxinas de “Sobre a Natureza das Cousas”. Em “Da Fisionomia”, descreve-a plasticamente como “condenaçón universal e inevitábel”, catástrofe em que alguns ainda sáns xá cavam a sua cova, outros se colocam nela ainda vivos e, no momento da morte, atiram, eles sozinhos, a terra em cima de si… Mas será instado a cumprir as suas funçóns, depois do verosímil pagamento de unha xenerosa quantia de 250 escudos (750 libras, e non as 400 que cobra, anualmente, de honorários como maxistrado) por parte de Catarina de Medici, que, enquanto solicitava ao tesoureiro que se ocupasse da provisao (pelo menos para um cavalo e roupa decente…), reclamava a presença de Montaigne para que a axudasse no proxecto de intercessón política entre Henrique III e Henrique de Navarra.

NICOLA PANICHI

HETERODOXOS (2) (ERROS COM RESPEITO À ENCARNAÇÓN DO VERBO)

De certa “falsa decretal”, atribuída ao papa San Eutiquiano e dirixida ao bispo Juan e a outros prelados andaluces, parece deducir-se que algúns herexes, tinham semeádo pola Bética erros acerca da encarnaçón do Filho de Deus. A decretal está dactada no consulado de Aureliano e Tito Annonio Marcelino, que corresponde ao 276 da era cristán; mas resulta ser apócrifa, como tal reconhecida, e non será obxecto de fé. O feito da herexía pode, non obstânte, ser certo, polo que mais adiante veremos retonhar, mais de unha heterodoxia sobre o mesmo assunto.

MARCELINO MENENDEZ PELAYO

RORTY (A CIÊNCIA, COMO QUALQUER INSTITUIÇÓN, TEM UNHA IDEOLOXIA)

Por seu lado, Feyerabend xulgaba que a história também contradizia a ideia racionalista de que o método científico é algo invariábel, um mecanismo feito de princípios fixos, infalíbeis e obrigatórios. Polo contrário, a história tinha avançado muitas vezes precisamente por ir contra as regras, ou por saltá-las. O único princípio que parece servir ao progresso da ciência é simples: vale qualquer cousa que a axude a progredir. O princípio de proliferaçón de teorias, mesmo se elas forem inconsistentes com os factos ou non parecerem apoiadas por eles, também fez progredir a ciência. Nem sequer o facto de unha teoria non ser refutábel non é um critério para a descartar. O racionalismo -chegou a afirmar Feyerabend- é unha forma secularizada da crença no poder da palabra de Deus. Deveria haber unha separaçón entre Estado e ciência tal como há unha separaçón entre Igrexa e Estado. A ciência, como qualquer instituiçón, tem unha ideoloxia e reclama um poder que vai mais além das suas conquistas. Portanto, é deber de unha democracia mantê-la sob controlo. Em “A Filosofia e o Espelho da Natureza”, Rorty teve muito presentes as ideias de Feyerabend, mas non as relacionou com o horizonte social e político que emerxiu em trabalhos imediatamente posteriores, como “Método, ciência e esperança sociais”, ou mais ainda em “Solidariedade ou obxectividade?” e “A ciência como solidariedade”. Embora Rorty tenha posto obxecçóns a Feyerabend por continuar a falar do relativismo (um termo que para Rorty só criaba mais confusón), em “Solidariedade ou obxectividade?” (1985) afirmou que Feyerabend tinha razón ao defender que, se non abandonarmos a própria ideia de investigaçón (por contraste com a de proliferaçón). “nunca nos livraremos dos motivos que antigamente levaram a acreditar na existência dos deuses. Defender um ponto de converxência parece apenas unha forma de nos contar que se um Deus inexistente existisse estaria satisfeito connosco. Mas se algunha vez pudéssemos estar satisfeitos unicamente com o desexo de solidariedade, deixando de lado, sem mais, o desexo de obxectividade, entón conceberíamos o progresso humano como aquilo que torna possíbel que os seres humanos façam cousas e sexam pessoas mais interessantes, e non como aquilo que conduz a um lugar que, de algum modo e de antemán, xá tinha sido destinado à humanidade.”

RAMÓN DEL CASTILLO

O TEMPO E A ALMA (O INVESTIMENTO SELVAXEM)

Um outro aspecto que non é menos grave nem mais fácil: o da dissipaçón de valores que o investimento selvaxem representa. Esta xente gasta os melhores anos da sua vida para prover um futuro com unha vida melhor. As economias som-lhes todas absorvidas pelos fornecedores dos chalés de chapéu preto e da quinquilharia que os recheia. ¿Quantas centenas de milhóns de contos leva um luxo barato, para o qual as instâncias responsáveis non prevêem nem oferecem qualquer alternativa? Estes oito quilómetros até Melgaço som ainda estrada serrana para fazer sem pressas, em que vamos deixando à mán esquerda encostas de pinhais sobre tufos de fentos húmidos, à direita a descida profunda e larga para o rio. Unha aldeia, lugar do Vau, recorda o tempo anterior às pontes, e, nunha paisaxem deslumbrante, contempla lá no fundo um vau do rio. A aldeia seguinte, Portela do Couto, combina duas palabras cuxo dramatismo desbotou com a força do tempo: portela, passaxem estreita entre os montes; couto, lugar de refúxio de homiziados. A portela marcava o lugar onde, na ânsia ou fuga, se sentiam libres: mas representava também a fronteira da reclusón, o lugar onde termina o priviléxio da impunidade. Melgaço gozou dessa regalia que procurava atrair moradores em lugares de vida difícil. O lugar tinha unha ermida a Santa Bárbara, padroeira contra as trovoadas; a capela está num adro no alto de um pequeno monte que é um miradouro de grande horizonte. A gravidade granítica do humilde santuário está a ser afogada pelos xardíns de moradias novas e alegres, que xá quase devorarom o cabeço onde se implanta o Santuário. Unha Senhora da Paz, bisonha e tosca, empoleirada nunha guarita de cimento, assiste impotente ao desastre. Logo a seguir, a marcar a chegada a Melgaço, está a Senhora da Orada, com o seu grande pórtico românico a olhar o vale, como um regaço acolhedor. Orada, é unha palabra perdida que significa oraçón. Debia ser ali que os homiziados, cansados de andar a monte, entravam a agradecer a deus tê-los trazido a terra de segurança. O templo é simples mas emocionante pelo enquadramento na paisaxem e pela funçón que o nome evoca. As arquivoltas do portal unem-se xá nunha discreta oxiva, o que significa que o românico estaba a acabar e o gótico se anunciava no horizonte. É talvez obra do tempo de Sancho I, xá depois da passaxem de Almançor que se sabe que atravessou o Minho por um destes vaus, e que arrasou todos os sinais de culto cristán nas terras que flaxelou.

JOSÉ HERMANO SARAIVA E JORGE BARROS (O TEMPO E A ALMA)

TALES DE MILETO (O DIA SE FARÁ NOITE)

Volvemos agora ao relato que situa Tales no Exípto, como aluno brilhante de matemática, até ao ponto de provocar a estupefacçón dos seus mestres ao calcular a altura da pirâmide. Dizia-se que Tales non utilizou directamente o teorema que leva o seu nome, mas sim a aplicaçón do mesmo ao caso particular dos triângulos. Os historiadores da matemática referem que Tales non ofereceu unha demonstraçón do dito teorema, ou polo menos isso non se conhece, polo que a primeira que temos devemo-la a Euclides. Além da mediçón da altura da pirâmide, muitas outras façanhas forom atribuídas a Tales no campo da matemática. A mais famosa tem um forte carácter literário, pois trata-se da previsón de que “o dia se fará noite”, cuxa verificaçón num agónico conflicto contribuirá, precisamente, para que se procure unha soluçón. Foi, polo menos, assim que Heródoto relata o eclipse do Sol que teve lugar em 585 a. C.. O seu conhecimento sobre as regularidades das órbitas celestes tinha permitido a Tales fazer previsóns como esta, limitando-se a prolongar as efectuadas na Babilónia e no Exípto. Foi obxecto de discussón o gráu de precisón de Tales a respeito do dia e da hora do eclipse, tendo-se inclusive conxecturado que apenas pôde prever o ano, pois prever um eclipse solar esixe poderosos meios xeométricos e trigonométricos dos quais a ciência só dispôs anos mais tarde. Mas independentemente do grau de conhecimento e do gráu de acuidade nos seus cálculos, a actitude, a disposiçón de espírito de Tales difere da dos seus predecessores num ponto importante: a observada regularidade nas órbitas que permitiu prever a ocultaçón do Sol non constitui um facto isolado, expressón de unha casuística confluência ou da intervençón dos deuses ou outras potências ignotas. Se chegámos a conhecer nesta ocasión é porque, como vimos, em xeral se admite que “o mundo é cognoscíbel”.

VÍCTOR GÓMEZ PIN

NAO SENLLEIRA

¡Quen dera ser nao senelleira

naquel mar non presentido

das xa mergulladas terras!

Sen ceo, sen astros, sen vento

sempre á toa polas ondas

deitado no esquecimento.

nin andar nin desandar,

nin ter outro coido acedo

que leixarse ir polo mar…

¡Quen dera ser nao senlleira!

Sen fito -estrela nin porto-

ser eu a propia ribeira!!

¡Quen dera…!

FERMÍN BOUZA BREI (1932)

0 PARLAMENTO BRITÂNICO

O nascimento e desenvolvimento do parlamento britânico, deu-se a consequência das mudanças sociais que tiveram lugar em Inglaterra. O denominado “pai de todos os parlamentos”, porque em maior ou menor gráu foi reconhecido como exemplo a seguir. Começou a ser forxado no século XI, quando o sistema feudal inglês se estructurou na “Curia Regis”. A “Curia Regis” foi unha espécie de conselho assessor que, sob o domínio do rei, reunía unha representaçón da nobreza e dos altos cargos eclesiásticos, que eram os grupos mais influentes do país, e xeríam a maior parte das terras e das riquezas. As funçóns desse embrión parlamentar estabam ligadas à aprovaçón dos orçamentos reais e à xestón das despesas nacionais. Pouco a pouco, o nível de representatividade desse Grande Conselho foi aumentando e integrou proprietários libres de vários condados e representantes das florescentes cidades medievais. Xá em 1295, no parlamento encontramos representantes de outros sectores sociais: baróns, cavaleiros, prelados e burgueses. De forma gradual, foram-se integrando os grupos sociais que estavam a ganhar notoriedade. Vemos, pois, que a criaçón do parlamento non se debeu a unha rebelión popular, mas antes a um processo histórico paralelo à evoluçón da sociedade inglesa. Os nobres e a nova burguesia uniram-se para defender os seus interesses, e evitar que o rei tivesse um controlo absolucto sobre as suas finanças. O monarca, por seu lado, tinha de consentir, pois precisava do dinheiro deles para manter as suas campanhas. Em 1341, os parlamentares começaram a reunir-se na localizaçón actual de Westminster. O parlamento dividiu-se em duas câmaras: os nobres e o clero formabam a “Càmara dos Lordes”, e a burguesia e a nobreza rural constituíram a nova “Câmara dos Comuns”. Fica assim patente a crescente influência que as classes mercantis da urbe foram adquirindo xuntamente com os proprietários. Temos, portanto, o monarca e duas câmaras de representantes, cuxa relaçón non estaba isenta de tensóns. O poder real costumaba predominar sobre a soberania do parlamento, que acatava as ordens do rei. No entanto, perante as tendências absoluctistas da dinastia dos Stuart no século XVII, o conflicto intensificou-se e conduziu à guerra civil de 1642, entre parlamentaristas e realistas. Foi preciso esperar pola “Revoluçón Gloriosa” de 1688, que orixinou a coroaçón de Guilherme de Orange, para que o parlamento se estabelece-se como unha entidade política com maior independência dos mandatos reais. A “Declaraçón de Direitos” (1689) e o “Decreto de Estabelecimento” (1701) delimitarom o poder do monarca e reforçarom a soberania parlamentar por que advogaba Locke nos seus escritos. A constituiçón do parlamento inglês, um processo histórico a que Locke deu cobertura teórica, non respondeu ao anseio de nenhum home em particular, mas antes ao avançar dos tempos, que conduciram ao auxe de unha burguesia renovada, apoiada num novo mercantilismo.

SERGI AGUILAR

OS DIFERENTES UNIVERSOS (FI-62)

Podería ser que para descrever o universo, tenhamos que empregar variadas teorías diferentes, em situaçóns diferentes. Cada teoría podería ter a sua própria versón da realidade, mas segundo o “realismo dependente do modelo”, isso só sería aceitábel se as prediçóns das teorías concordáram nos dominios em que estas se solapam, é dizer, em que ambas podem ser aplicadas. Tanto se a “teoría M” existe como unha formulaçón única ou como unha rede de teorías, conhecemos algunhas das suas propriedades. Em primeiro lugar, o “espaço-tempo” da “teoría M” tem once dimensóns em lugar de dez. Os “teóricos de cordas” xá tinham suspeitado desde fai tempo, que a prediçón de dez dimensóns debería de ser corrixida, e trabalhos recentes demonstrarom que efectivamente unha dimensón tinha sído deixada de lado. Ademais, a “teoría M” pode conter non só cordas vibrantes, senón também partículas puntuais, membranas bidimensionais, burbulhas tridimensionais e outros obxectos que resultam mais difíceis de repressentar e que ocupam todavía mais dimensóns espaciais, até nove. Som chamados “p-branas” (onde “p” vai desde cero a nove). ¿E que poderíamos dizer sobre o enorme número de maneiras de curvar as dimensóns pequenas? Na “teoría M” as dimensóns espaciais adicionais que formam o espaço interno non podem ser curvadas de maneira arbitrária, xá que as matemáticas da teoría restrinxem as maneiras possíbeis de fazê-lo. A forma exacta do espaço interno determina os valores das constantes físicas, como a carga do electrón, e a natureza das interaçóns entre as partículas elementais; em outras palabras, determina as leis aparentes da natureza. Dizêmos “aparentes” porque nos referímos a leis que observamos no nosso universo – as leis das quatro forças e os parámetros como as massas e as cargas que caracterizam as partículas elementais – , mas as leis mais fundamentais som as da “teoría M”. Polo tanto, as leis da “teoría M” permitem “diferentes universos”.

STEPHEN HAWKING E LEONARD MLODINOW

VOLTAIRE (O PATRIARCA DE FERNEY-VOLTAIRE)

A sua produçón literária continuava a ser frenética. Aparece a primeira ediçón do seu “Ensaio sobre os Costumes” e, mais tarde, a “História da Rússia sob Pedro, o Grande” (Histoire de la Russie sous Pierre le Grand). É visitado por todo o tipo de personalidades, como o famoso historiador britânico Edward Gibbon, autor do “Declínio e Queda do Império Romano”, ou o célebre aventureiro veneziano Giacomo Casanova. Mas Voltaire continua a reinventar-se a si próprio e no final da vida fica conhecido como “o patriarca de Ferney”, aldeia para a qual se muda. Tal é a sua marca que esta localidade se chama actualmente Ferney-Voltaire. Como naquele tempo, continua a pertencer a França, mas está mesmo ao lado da Suíça, o qual para Voltaire podía ser muito conveniente, em funçón das represálias políticas ou eclesiásticas que os seus manifestos pudessem suscitar, repetindo-se, assim, a estratéxia xeopolítica de “Les Délices”. Aos 64 anos afirma non esperar viver muito mais, sente-se velho e combalido. A falta de dentes dá-lhe um aspecto cadavérico, mas restam-lhe ainda duas décadas para viver, que som decisivas para a sua obra e para a sua influência entre os seus coetâneos e para a posteridade. Depois de destruir as ruínas de um velho castelo, decide construir unha mansóm de acordo com o seu gosto e com espaços necessários. Além das visitas e dos sessenta criados de que precisava para manter a propriedade, há unha populaçón mais ou menos estábel composta pola sua sobrinha, um novo secretário, um copista, um xesuíta com quem xoga ao xadrez, um músico e a esposa do mesmo, a xovem Marie-Françoise Corneille, descendente do célebre dramaturgo, a quem Voltaire quase adoptou: dedicava-se à sua educaçón e ía com ela à missa todos os Domingos, para acalar aqueles que publicaram que a xovem estaba nas máns de Satanás. De facto, Voltaire reconstróie a igrexa parroquial de Ferney, decorando-a com unha inscripçón que diz “Deo erixit Voltaire”, ou sexa “Voltaire ergueu-a para Deus”, para deixar constância que um bom deísta non precisa de intermediários na sua comunicaçón com a divindade. As igrexas costumam dedicar-se aos santos, mas ele prefere dedicá-la ao Senhor e non aos lacaios.

ROBERTO R. ARAMAYO

ESCRITORES HISPÂNOS (CARLOS BOYL VIVES DE CANESMAS)

BOYL VIVES DE CANESMAS, Carlos (Valencia, 1577-1617). Autor teatral do círculo de Lope de Vega. Conheceu ao “Fénix de los Ingenios” em Valencia, mas é um dos autores valencianos de menor interese desta escola, que também incluie a Guillén de Castro, Gaspar de Aguilar, Tárrega e Ricardo del Turia. Unha obra sua verdadeiramente valiosa é “El marido asegurado”, publicada na “Segunda parte de laureados poetas valencianos” (1616). A obra entronca com fontes italianas e com “El curioso impertinente” de Cervantes. O argumento conta a história do rei Segismundo de Nápoles, quem proba o amor e a lealdade da sua prometida Menandra de Sicilia, que xá tinha estádo comprometida com o duque Norandino. As probas a que submete a Menandra, trocando de identidade com Manfredo -o favorito- som superadas pola mulher. Finalmente, a irmán Fulgencia, casa com Manfredo. Boyl foi membro da “Academia de los Nocturnos”, na qual utilizaba o nome de “Recelo”. A sua poesía está reunida em “Silva de los versos y loas de Lisandro” (Valencia, 1600). Morreu assassinado por um desconhecido, quando passeaba xunto da catedral de Valencia.

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (CARLOS BOUSOÑO)

BOUSOÑO. Carlos (Boal, Asturias, 1923). Poeta e crítico. Foi professor nos Estados Unidos e na Universidad de Madrid. O seu libro “Subida al amor” (1945) trata do amor reprimido, da relixión e da Espanha. “Primavera de muerte” (1946) trata do amor e da morte. Seguirom-se outras obras nas que o mundo dos sentidos está cada vez mais presente: “Hacia otra luz” (1951), que xunta “En vez de sueño” aos dous libros anteriores; “Noche del sentido” (1957); “Poesías completas” (1960); “Invasión de la realidad” (1962); “Oda a la ceniza” (1967) e “Las monedas contra la losa” (1973). Os dous últimos ganharom o Premio Crítica em 1968 e 1974, respectivamente. Bousoño opôm-se com a sua obra poética à corrente lacónica e epigramática que se dá em Espanha nesse momento. Escrebeu também como crítico trabalhos notábeis de grande sensibilidade e penetraçón: “La poesía de Vicente Aleixandre” (1950); “Seis calas en la expresión literaria española” (1951), em colaboraçón com Dámaso Alonso; “Teoría de la expresión poética” (1952), na qual busca encontrar unha base científica para o estudo da poesía; “Introducción a ensayo de la teoría de la visión” (1979) e unha antoloxía preparada por el, “Selección de mis versos” (1980).

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (RAÚL BOTELHO GOSÁLVEZ)

BOTELHO GOSÁLVEZ, Raúl (La Paz, 1917). Contista e novelista boliviano. As narraçóns da sua “Borrachera verde” (1938) podem comparar-se, a pesar da sua brevidade, com a violência de José Eustacio Rivera em “La vorágine. Coca: motivos del Yunga paceño” (1941) é um românce que mistura o modernismo com o realismo socialista. “Altiplano” (Buenos Aires, 1945) é seguramente a sua melhor obra: nela chocam duas famílias que vivem perto do lago Titicaca, os Huancas e os Condoris. Trata-se de unha obra muito similar a “El mundo es ancho y ajeno” de Ciro Alegría. “Vale un Potosí” (1949) é um libro de contos que segue o estilo de Valle Inclán. Segue-se “Tierra chúcara” (1957) e “El Tata Limachi” (1967), novela à qual se agrega um conto sobre a corrupçón do idealismo de um cura, nunha solitária parróquia de unha aldeia indíxena. “Los toros salvajes y otros relatos” (1965) combina o humor, a fantasía e o realismo máxico. Também publicou um libro de ensaios, “Vendimia del viento” (1967), cuxo tema predominante é a necessidade da xustiça social.

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (MIGUEL BOTELHO DE CARVALHO)

BOTELHO DE CARVALHO, Miguel (faleceu em 1622). Poeta português que escrebeu a maior parte da sua obra em castelán excepto “La Filis” (1641), poema em oito estâncias, que começa em um previssíbel estilo pastoril, mas que vai ganhando interese à medida que o poeta narra a sua própria vida e aventuras. As suas obras mais importantes som “La fábula de Píramo y Tisbe” (Madrid, 1621), “Prosas y versos del Pastor de Clenarda” (Madrid, 1622) e “Rimas varias y tragicomedia del Mártir de Etiopía” (Ruán, 1646).

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (JOAN BOSCÀ ALMUGAVER)

BOSCÀ ALMUGAVER, Joan (Barcelona, 1487?-1542). Poeta e traductor. Foi tutor do xovem don Fernando, futuro duque de Alba. A pesar de que passou a maior parte da sua vida em círculos da corte, os seus melhores temas tratam da vida doméstica, e do amor da sua mulher e filhos, dos prazeres mais sinxélos do lar e da vida honesta do burguês. Conheceu e travou amizade com Garcilaso de la Vega na corte de Carlos V, e esta amizade resultou decissiva para a introduçón dos novos metros italianos na literatura espanhola. Em 1526, o embaixador veneciano Andrea Navagero convidou a Boscà a escreber no metro italiano. Boscà, que estaba familiarizado com o endecassílabo provençal a través da sua orixe catalán, mostrou aos seus compatriotas este novo metro. Escrebeu em oitavas reais, tercetos e probou o soneto. Aconselhou a Garcilaso a probá-lo também, e a causa disto renovou totalmente o panorama lírico espanhol. A poesía de Boscà alcança em muitos momentos unha grande maestría, mas resulta difuso, inconsistente: tende também a trivializar ou a ser excessivamente pesado. Boscà começou a reunir os seus poemas, mas morreu antes de vê-los publicados; a sua viúva Ana Girón de Rebolledo, a quem tinha dirixido os seus mais belos poemas, encargou-se de reunílos e publicálos como “Las obras de Boscán y algunas de Garcilaso de la Vega repartidas en cuatro libros” (Barcelona, 1543). O primeiro libro contem a poesía mais temperám de Boscà, escrita em metros tradicionais espanhois; o segundo reúne os seus versos ao estilo italiano; o terceiro, a “Epístola a Mendoza”, em tercetos, a alegórica “Octava rima”, que começa bem mas ao alargarse a 85 oitavas, perde a força que tenhem as cinquenta orixinais de Bembo que lhe servem de modelo, e o poema em 2.793 versos brancos, “Leandro”, baseado no “Hero y Leandro” de Museo; o quarto libro contem a obra de Garcilaso, muito superior à de Boscà. O libro foi um êxito e conheceu numerosas reediçóns. Durante bastante tempo (até 1570), a obra de ambos poetas continuou reeditando-se tal como a tinha proxectado a viúva de Boscà. A partir dessa dacta, non obstânte, a obra de Garcilaso sobreviveu, mentras que os poemas de Boscà ficárom um tanto esquecidos, e forom suprimidos em posteriores edicçóns. A primeira edicçón da obra é também importante desde o ponto de vista bibliográfico, pois marca a transiçón entre os tipos góticos e os romanos na Espanha do século XVI. Boscà traducíu “El cortesano” de Castiglione, atendendo a unha petiçón de Garcilaso.

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ESCRITORES HISPÂNOS (GEORGE BORROW)

BORROW, George (1803-1881). Autor inglês de “Lavengro” (1851) e “The Romany rye” (1857). Foi axente em Espanha da “British and Foreign Bible Society” de 1835 a 1840, durante o período da guerra carlista de 1833-1839. Foi também corresponsal do Times em Espanha. Os seus trabalhos sobre este país som unha mistura de realidade e fantasía: “The Zincali, or an account of the gypsies in Spain” (1841), sobre os ciganos espanhois, e “The Bible in Spain” (1843), libro que foi traducído para castelán por Manuel Azaña.

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