ESCRITORES HISPÂNOS (ENRIQUE AZCOAGA IBAS)

Azcoaga Ibas, Enrique (Madrid, 1912). Poeta e crítico de arte. O seu primeiro libro, “Línea y acento”, escrito em 1933, foi recomendado para o Premio Nacional de Literatura desse ano, mas continua inédito por desexo do autor. Editou a revista “Atlântida” e depois “La Hoja Literaria” em 1933 xunto com Arturo Serrano Plaja e Antonio Sánchez Barbudo em Buenos Aires, cidade na que radicou de 1951 a 1963. Dos seus muitos libros de poesía podemos citar os seguintes: “El canto cotidiano” (1943), “Cancionero de Sanborombón” (1960), âmbos publicados em Buenos Aires; “España es un sabor” (1964), “Del otro lado” (1968), “Olmeda” (Salamanca, 1970) e “Primera antología de poemas truncados” (Málaga, 1971). Escrebeu um útil “Panorama de la poesía moderna española” (Buenos Aires, 1953) e várias monografías sobre arte como “Los dibujos de Gregorio Prieto” (1948) e “La mejor pintura asturiana” (Buenos Aires, 1957). A sua novela “El empleado” (1949) é unha meticulosa descripçón do tédio que produce trabalhar nunha oficina.

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ESCRITORES HISPÂNOS (GUMERSINDO DE AZCÁRATE)

Azcárate, Gumersindo de (León, 1840 – 1917). Filho de Patricio de Azcárate (1800-1886), escrebeu vários libros filosóficos como: “Del materialismo y positivismo contemporáneos” (1870). Converteu-se num filósofo social e político, e em defensor do “Krausismo”, abonou-se às teorías utilitárias de Herbert Spencer. Estudou dereito na Universidade de Oviedo e durante muitos anos foi diputado a Côrtes como representante de León. Entre os seus trabalhos mais conhecidos están “Estudios económicos y sociales” (1876), “Estudios filosóficos y políticos” (1877), “La constitución inglesa y la política del continente” (1878), “Tratados de política” (1883), “El régimen parlamentário em la práctica” (1885) e unha interesante “Minuta de un testamento” (1876), que resume as suas ideias políticas. A sua posiçón liberal foi o branco das críticas dos sectores ultrarrelixiosos representados por Menéndez y Pelayo.

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ESCRITORES HISPÂNOS (MANUEL AZAÑA Y DÍAZ)

Azaña y Díaz, Manuel (Alcalá de Henares, 1880 – Montauban, 1940). Político e crítico literário. Foi director de “La Pluma” (1920 – 1923) e “España” (1923 – 1924), ministro de Guerra e xefe do goberno de 1931 a 1933, e presidente da República de 1936 a 1939. Escrebeu vários libros sobre Juan Valera, entre eles: “Vida de don Juan Valera” (1926); “La novela de Pepita Jiménez” (1928) e “Valera en Italia” (1929). Compilou os seus ensaios em dous libros: “Plumas y palabras” (1930) e “La invención del Quijote e otros ensaios” (1931). A sua novela “El jardín de los frailes”, é em parte autobiográfica, inspirada nas suas experiências da xuventude; foi publicada em 1926. Traducíu “The Bible in Spain” de Borrow. Depois da contenda civil escrebeu unhas “Memorias políticas y de guerra”.

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ESCRITORES HISPÂNOS (VITAL AZA)

Aza, Vital (Pola de Lena, Asturias, 1851 – 1912). Autor teatral. Despois de estudar e practicar a medicina começou a escreber sainetes, alguns em colaboraçón com Miguel Ramos Carrión. A sua primeira obra estreada: ¡Basta de matemáticas!, acolheu bastante êxito. Escrebeu mais de setenta obras. Em 1951 reeditárom-se as suas melhores pézas, entre as que podemos citar: “El sueño dorado” (1875) e “La rebotica” (1895).

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ESCRITORES HISPÂNOS (PERÁLVAREZ DE AYLLÓN)

Ayllón, Perálvarez de. Nada sabemos sobre este escritor, excepto que foi o autor de unha égloga dramática titulada “Comedia de Preteo y Tibaldo”, chamada “disputa y remedio de amor” que foi publicada em Toledo em 1553, despois de haber sido completada por Luis Hurtado de Toledo, o qual agregou 256 versos. Trata-se de um drama com ribetes satíricos, que narra os sofrimentos de amor, e os remédios para atenuá-los. Para o qual Ayllón se basa nos “Remedia amoris” de Ovidio, à vez que enaltece as qualidades das mulheres, às que Ayllón admira e defende contra obras que as vituperam como “El triunfo de las donas” de Juan Rodríguez de la Cámara. O texto foi reeditado em 1903 por Bonilla y San Martín.

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ESCRITORES HISPÂNOS (WENCESLAO AYGUALS DE IZCO)

Ayguals de Izco, Wenceslao (Vinaroz, Castellón, 1801 – 1873). Novelista cuxo êxito se basou fundamentalmente no sensacionalismo das suas estâmpas sobre a vida do baixo mundo espanhol. Influído por Eugenio Sue. As suas novelas publicarom-se, como era frequente, em entregas periódicas. Trata-se de obras furiosamente anticlericais. “María, o la hija de um jornalero” (1845 – 1846) é unha das suas novelas mais características. Dedicada a Sue, abunda nela a protesta ante as condiçóns sociais de alguns extractos. Por unha parte, nela encontra-se o xerme do que viria a ser o Naturalismo, mas, por outra, non tem a precisón histórica nem a compreensón cabal de feitos complexos que tem por exemplo, “El señor de Bembibre” (1844) de Enrique Gil y Carrasco, novela que capta e adapta ó estilo de Walter Scott às condiçóns existentes em Espanha. As novelas por entregas de Ayguals forom lídas com fruiçón, especialmente polas clásses traballadoras. Escrebeu também unha obra de teátro e um poema filosófico “El derecho y la fuerza” (1866). Ayguals fundou em Madrid a imprenta “Sociedad Literária”.

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ESCRITORES HISPÂNOS (FRANCISCO AYALA)

Ayala, Francisco (Granada, 1906). Novelista, contista e ensaísta. Estudou na Alemanha entre 1929 e 1930. Traducíu a Rilke e a Thomas Mann. Foi professor de Socioloxía e Ciências Políticas na Universidade de Madrid entre 1933 e 1936. Exiliou-se despois da guerra civil espanhola. Foi professor na Universidade de La Plata (Arxentina), onde ensinou socioloxía de 1939 a 1950; Alí fundou a revista “Realidad”. Em Puerto Rico fundou “La Torre”, revista muito conhecida. De Puerto Rico passou a Princeton, Nova York e Chicago. Ayala escrebeu a sua primeira novela “Tragicomedia de un hombre sin espíritu” (1925), em 1923, ano no qual estudou o primeiro curso na Universidade de Madrid. Outros trabalhos incipientes forom “Historia de un amanecer” (1926), “Medusa artificial” (1928) e “El boxeador y un ángel” (1929). O seu primeiro libro importânte foi “Cazador en el alba”, publicado primeiro na “Revista de Occidente” (1929), e que se publicou em forma de libro ao ano seguinte. Relata os pensamentos de um xinete despois da sua quéda. O estilo é limpo e Ayala leva a cabo um verdadeiro “tour de force” ao criar unha personáxe só a través de recordaçóns amorfas e sonhos vagos. “Los usurpadores” (Buenos Aires, 1949) está constituído por seis histórias, algunhas delas escrítas pouco despois da guerra civil espanhola, e expresam a “teoría de Ayala” sobre o poder, como desencadeante da desgráça. “La cabeza del cordero” (Buenos Aires, 1949, 2ª ed. com um novo conto: “La vida por la opinión”, 1962) mostra a preocupaçón de Ayala polo sucedido durante a guerra civil. Os seus libros também se aproximam á sátira, como em “Historia de macacos”, publicada na revista “Sur” em 1952 e como libro em Madrid, 1955; “Martes de perro” (Buenos Aires, 1962) son histórias negras e escépticas na corrente de um Torrente Ballester. “El as de bastos” (Buenos Aires, 1963), recolhe sete contos interesantes. “Mis páginas mejores” apareceu em 1965 e as suas “Obras narrativas completas” em 1969. Também publicou um largo “Tratado de sociología” (Buenos Aires, 1947) e numerosos ensaios sobre política, socioloxía e literatura: “El escritor en la sociedad de masas” (1955), “De este mundo y el otro” (1963) som mostras desta faceta importânte de Ayala. Em 1971 apareceu “El jardín de las delicias”.

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¡¡QUE NADA SE SABE!! (46)

Escuto o que afirman acerca destes casos; non obstânte, nem por isso conheço melhor o asunto. Também assim pensaba eu antes, mas non ficava com isto satisfeito o meu espírito, porque se algo houbera conhecido perfeitamente, non o tería negado, senón que, ao contrário, tería gritado de alegría cheio de entusiasmo, xá que nada mais venturoso podería ter-me acontecido. Agora, em câmbio, me atormenta unha contínua tristeza, pois desespero de poder saber algo perfeitamente. Por tanto, ou som eu o único que ignora absoluctamente tudo, ou também o som todos os demais conmigo. Acredito que âmbas cousas som verdade. Mas algo sabería eu, non obstânte, se os demais também o sabem, pois non é verossímil que só a mi a natureza tivéra sido de todo adversa. Mas eu non sei absoluctamente nada. Tú tampouco. Há nas cousas outros muitos motivos para a nossa ignorância, motivos cuxa enumeraçón neste lugar sería non só abundantes senón também inútil, posto que poderás vê-los em cada um dos tratados sobre elas, e eu mesmo os asinalarei sempre que se presente a ocasión de falar deles. Só citarei de momento um ou dous como os mais importantes. A variedade das cousas, a sua múltiple forma, figura, quantidade, as suas acçóns e usos tán numerosos e diversos, de tal maneira enrredam a nossa mente -ou, melhor, a distraiem-, que non se pode nem dizer nem pensar cousa algunha com seguridade sem que de outra parte se vexa asediáda e obrigada a abandonar a sua opinión, e assim, cambiándo-se de um sítio e de outro, nunca se afinca. Se chega a afirmar que a brancura (baste aducir um exemplo relativo às cores) é produzida polo calor, sería contradecída pola neve, e o xelo. Os xermanos; afirmam que é produzida polo frío, sendo contradecido pola cinza, a cal, o xéso e o osso, que som cousas calcinadas. Se afirmam que pola humidade, será contradecida por isto; se pola sequedade, por aquilo. Respeito da negrura, sobrevivem outras tantas dúvidas. ¿E quê poderias dizer das cores intermédias? ¿Quê proporçón de calor e frío lhes asignarás? Nem sequer os extremos parecem ter unha causa manifesta, como o frío para a neve ou o calor para a cinza, pois âmbas cousas som captadas polos sentidos.

FRANCISCO SÁNCHEZ

AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (114)

Eles transmitem a sua influênça ao nosso Spírito, e este incorporândo-se no nosso Cérebro, deposita ali as ideias recibidas. O home, desperta recordando-se de unha cousa que para el estaba oculta na noite dos tempos. Por meio do sonho, estes Spíritos manifestam-vos a ideia do benefício que vos querem fazer (influir-vos nunha cousa, ou retirar-vos). Quando vem que vós seguís ao contrário, entón eles suxestionam com ideias ou visóns, para que volteis, porque os seus desígnios se están frustrando. E como um Spírito non pode fazer duas cousas ao mesmo tempo, senón unha de cada vez, terá que haber por cada cousa um Spírito. E como há Spíritos “antipáticos”, que repélem aos contrários, é quando estes Spíritos, lamentando-se vos suxérem as ideias do benefício (ou malefício, se é um Spírito malo), que intentaram fazer-vos e, se non o fán, será porque non podem. Suxérem pensamentos, porque querem, tanto os Spíritos bpns como os malos, que sigais as ideias por eles suxerídas. Casos porque non se realizam os sonhos: 1º- Por descuido natural ou sobre-natural da pessoa que sonha. 2º- Por influênça de outros Spíritos, que neutralizam a acçón. 3º- Por obsessón ou posessón do mesmo corpo que sonha. 4º- Por mentiras dictas sobre o obxecto sonhado. 5º- Por enganos e desenganos das pessoas com quem tratamos. 6º- Por misérias físicas. 7º- Polo posto e caracter da pessoa que sonha. 8º- Por abatimento da alma (terrores, pânicos), da pessoa que sonha. 9º- Pola inconsciência ou fé perdida. 10º- Pola amabilidade e bondade da pessoa. 11º- Por efeito da alma pura e desinteresada.

MANUEL CALVIÑO SOUTO

HUSSERL (A ABSTENÇÓN FILOSÓFICA)

Agora que começámos a conhecer quem foi o filósofo Husserl, talvez interesse também ao leitor saber um pouco mais sobre a sua personalidade histórica e sobre a sua alma. A história de Husserl é sóbria. A data do seu nascimento é oito de Abril de 1859, em Prostejov, Morávia, entón parte do Império Austríaco. Durante várias xeraçóns, os xudeus Husserl estiveram radicados naquele lugar. Um amigo israelita e filósofo, pouco apreciador de Husserl, dixo-me unha vez que nele apenas via de xudeu a paixón, embora neste caso dedicada non à relixión ou à política, mas ao conhecimento. Ignoraba até que ponto o próprio Husserl vinculaba, nos seus apontamentos privados e nas suas cartas, estas facetas da existência dignamente apaixonada. Por outro lado, quem assistia às suas morosíssimas liçóns sobre a percepçón das cousas, o xuízo, a empatia ou a consciência do tempo, mudaba com muita frequência as suas posiçóns confessionais. Husserl dizia que isso o surpreendia, porque, na sua opinión, non tocava em nenhuma matéria que se pudesse relacionar directamente com essas tormentas espirituais, mas o facto é que unha xudia se tornava cristán, um protestante se declarava católico, um agnóstico deixava de o ser e um relixioso perdia a inxenuidade da sua crença. No entanto, non era a abstençón filosófica um movimento da alma mais profundo que unha mera mudança de grupo confessional? Quando Edmund Gustav Albrecht Husserl nasceu, o xudaísmo familiar estaba, efectivamente, muito dissipado. O seu pai, Abraham Adolf, possuía um próspero comércio de tecidos, e Edmund era o segundo dos seus quatro filhos. Non tinha grandes problemas para lhes proporcionar unha educaçón de qualidade, visando a perduraçón do negócio. De modo que Edmund, apesar de non ter interesse polos ensinamentos escolares (adormecia nas aulas de maneira bastante escandalosa) fixo os seus estudos secundários lonxe da casa: primeiro em Viena e depois em Olomouc, na actual República Checa, mas no “Gymnasium” alemán. Era grande leitor e só avançava muito, como alumno, em matemática. De facto, descobríu ainda muito novo um erro num aparelho óptico de precisón da marca Carl Zeiss, que quixo, por essa razón, conceder-lhe unha bolsa e dar-lhe emprego. Husserl preferíu estudar astronomia na Universidade de Leipzig. Naqueles tempos felizes, ninguém sabía muito bem que “curso” faziam os estudantes. Matriculavam-se no que a sua sede intelectual lhes dictava e, aos poucos, a satisfaçón relactiva desta sede ia delimitando o campo de interesses para a investigaçón ou para a carreira de professor. Cumpridos certos requisitos muito libres, que os universitários reuniam peregrinando polos países onde a fala comum lhes permitia prosseguir na sua personalíssima vocaçón, obtinham os seus graus em duras provas (o exame “Rigorosum” da sua tese e a sua dissertaçón de doutoramento, como máximo exemplo).

MIGUEL GARCÍA-BARÓ

O ROMANTISMO HISPÂNO

Enquanto se librabam as guerras de independência, a América hispâna todavía estaba procurando axustar-se às ensinanças da Ilustraçón e o neo-classicismo prevalecía ainda como modelo literário principal. O romantismo (que tinha aparecido na Europa nos últimos trinta anos do século XVIII) non haberia de afirmar-se no novo continente até finais dos anos trinta. Esta demora de mais de meio século, tivo enormes consequências. Em primeiro lugar, porque distorsionou decididamente a evoluçón da literatura hispanoamericana, e em segundo lugar, porque assegurou a prolongaçón, até quase finais do século XIX. A data oficial da chegada do romantismo à América hispâna considera-se 1832, quando o poeta arxentino Esteban Echeverría (1805 – 1851), despois de cinco anos de permanência em París e do seu retorno a Buenos Aires em 1830, publíca “Elvira, ó la novia del Plata”, colecçón de mala poesía romântica. Esta data, non tem em consideraçón, precisamente, os poetas pré-românticos e românticos que estabam activos no norte da América do Sul e em Cuba antes do retorno de Esteban Echeverría da França. Esses poetas (Andrés Bello, José Joaquín Olmedo, José María Heredia) tinham chegado ó romantismo polo caminho da poesía de fala inglêsa. Para os patriotas de Hispanoamérica, Inglaterra constituía, sem lugar a dúvida, unha referência modélica em múltiples sentidos. Para compensar a demora em ser introducído e aceitado na América, o romantismo habería de tardar em ir-se. Alguns poetas como o uruguayo Juan Zorrilla de San Martín (1855 – 1931), que publicou o poema indianista “Tabaré” em 1888, estabam compondo versos românticos quando na Europa e nos Estados Unidos, novos movimentos (realismo, naturalismo, paranasianismo, simbolismo, decadentismo, e demais tendências que estaba xerando a nova vanguarda estéctica) que xá tinham despraçado aos românticos. As classificaçóns ao uso na literatura europeia, tendem a obscurecer a orixinalidade de algunhas das soluçóns encontradas na América hispânica durante o século XIX. Ao buscar encaixar a produçón hispanoaméricana em moldes perfeitamente reconhecíbeis na Europa (a novela sentimental, a picaresca, a histórica), apagam-se precisamente aquelas características que aseguram a orixinalidade (algo inesperada) dos melhores productos da narrativa do século XIX. Unha das primeiras víctimas dessa alienaçón classificatória, foi a primeira novela publicada na América Hispâna: “El Periquillo sarniento” (1816), singular obra do escritor mexicano Joaquín Fernández de Lizardi (1776 – 1827) “El Periquillo sarniento” é unha novela picaresca, xénero que floreceu em Espanha mais de dous séculos antes. Tal anacronismo parecia invalidar o esforço de Lizardi. Non obstânte, as cousas non resultam tam simples. Por um lado, se bem é certo que a primeira novela picaresca, “El Lazarillo de Tormes, publica-se em 1555, polo outro lado, também é certo que se escrebem novelas picarescas em Europa até bem entrado o século XVIII, e que non faltam no XIX, notábeis exemplos da picaresca: “Les mystères de Paris”, de Eugène Sue, e “Oliver Twist”, de Charles Dickens, constituiem duas boas mostras da vitalidade de um xénero. Mas em vez de lamentar o anacronismo do “El Periquillo sarniento” em 1816, convém examiná-lo críticamente. Ampara-se o seu modelo narrativo no “El Lazarillo” (enquanto às sucessóns de amos e aventuras), e no “Guzmán de Alfarache”, de Mateo Alemán (em quanto à alternancia de aventura e sermón). Mas Lizardi era sobre tudo um reformista e para el novelar non significaba senón outra forma de escreber (ou descreber) a realidade contemporânea. A sua empressa intelectual mais ambiciosa, o xornal entitulado “El Pensador Mexicano” (1811 – 1812), representou um esforço claro para encauzar a nova acçón no caminho da reforma, que non o da revoluçón, e sem perder o contacto com o catolicismo. Ainda que Lizardi mantívo-se sempre em contra do poder excessivo da Igrexa e chegou a eloxiar òs masóns, o seu liberalismo non foi nunca ateo. Cabe recordar a sua defesa dos dereitos políticos das mulheres.

R B A EDITORES, S. A. – BARCELONA

HEGEL (THE EGOTISM OF IDEAS)

Quando falamos de egotismo, é necessário referirmos Hegel? O tom deste filósofo, especialmente nos seus escritos finais, estaba cheio de desprezo por tudo o que parecesse subxectivo: o ponto de vista do indivíduo, as suas opinións e desexos eram considerados irrelevantes, a non ser que tivessem estado em concordância com a marca providencial de acontecimentos e ideias no mundo com peso. Este realismo cheio de acritude era, no entanto, idealista no sentido em que a substância do mundo era concebida non como algo material mas conceptual, unha lei da lóxica que animava os fenómenos. O mundo era como um enigma ou a proclamaçón de um confuso oráculo; e a soluçón do “puzzle” residiria na romântica ideia da instabilidade ou contradiçón interna de cada finita forma de ser, instabilidade que a obrigaria a transformar-se nunha cousa diferente. A direçón deste movimento poderia ser compreendida em virtude de unha espécie de dialéctica vital ou de dramática necessidade inerente à nossa própria reflexón. Hegel era um solemne sofista: fazia do discurso a chave da realidade.

SANTAYANA, GEORGE (EGOTISM IN GERMAN PHILOSOPHY)

O FADO (A CAPACIDADE DE TRANSPOR FRONTEIRAS)

Em 2009, no ano em que se assinalam dez anos da partida de Amália para o eterno descanso, Carminho edita o seu álbum de estreia “Fado”, alcançando o galardón de ouro, fazendo também bastante frenesí na imprensa. Carminho é filha da fadista Teresa Siqueira. Correndo o fado na família e tendo percorrido o circuito fadista de casas de fado. Carminho transporta agora a tradiçón do fado na sua voz e dá os primeiros passos rumo a outras esferas… Em Xaneiro do 2011, estreou no cinema “Com que voz”, o documentário sobre a vida de Alain Oulman (1928-1990), compositor, editor literário, encenador e figura política. O documentário é realizado polo filho do compositor, Nicholas Oulman, tendo sido apresentado pola primeira vez em 2009 no DocLisboa, e vencendo o prémio para a melhor primeira obra. Considerado um compositor que inovou o fado de Lisboa e que musicou muitos poetas, engrandeceu a voz de Amália Rodrigues com a qual manteve unha longa parcería. “Alain Oulman passou polo mundo quase como um anxo, de tal forma as pessoas falam dele, afectuosa e carinhosamente”, afirmou o realizador. No espólio fadista fica um vasto e riquíssimo arquivo por descobrir, pouco a pouco muitos desses antigos fados ván chegando ao mercado em ediçóns como esta. Para muitos, o fado ficou-se nos anos 60. A evoluçón, o progresso e a mudança, som sempre desafios difíceis. Na entrada da segunda década do século XXI, o fado confirma a sua tendência global e atinxe um novo auge de popularidade, proba disso som as centenas de concertos que se realizam todos os anos no estranxeiro de artistas portugueses sob o desígnio do fado, assim como o aparecimento de cantores de outras nacionalidades a cantar a cançón portuguesa. Mesmo em tempos de crise e contrariamente a muitos outros xéneros, assiste-se a um elevado número de ediçóns fadistas, com maior ou menor qualidade, com mais ou menos sucesso. A verdade é que o fado continua com forte vitalidade e a despertar o interesse de um número cada vez maior de admiradores por todo o mundo. Nem todos os países se podem orgulhar de ter um xénero musical tán rico e com unha capacidade tán grande de transpor fronteiras.

FADO PORTUGAL

A CAUSA MATERIAL

“Os que por primeiro filosofaram, na sua maioria, pensarom que os princípios de todas as cousas fossem exclusivamente materiais. De facto, eles afirmam que aquilo de que todos os seres estám constituídos e aquilo de que orixináriamente derivam como o que por último se dissolvem, é elemento e princípio dos seres, na medida em que é unha realidade que permanece idêntica mesmo na mudança das suas afecçóns. (…) Tales, iniciador desse tipo de filosofia, diz que o princípio é a água (por isso afirma também que a terra fluctua sobre a água), certamente tirando esta convicçón da constataçón de que o alimento de todas as cousas é húmido, e da constataçón de que até o calor se xera do húmido e vive no húmido (…) Non se pode considerar Hípon entre os primeiros que filosofaram, dada a inconsistência do seu pensamento. Anaxímenes e Dióxenes, ao contrário, mais do que a água, considerarom como orixinário o ar e, entre os corpos simples, consideraram-no como o princípio por excelência, enquanto Hípaso de Metaponto e Heraclito de Éfeso considerarom como princípio o fogo. Por sua vez. Empédocles afirmou como princípio os quatro corpos simples, acrescentando um quarto aos três acima mencionados, a saber a terra. (…) Anaxágoras de Clazomenes, anterior a Empédocles (…), afirma que os princípios som infinitos. (…) Com base nesses raciocínios, poder-se-ia acreditar que existia unha causa única: a chamada “causa material”.”

ARISTÓTELES (METAFÍSICA)

LITERATURA CASTELÁN (DISPUTA DEL ALMA Y EL CUERPO)

A “Disputa del alma y del cuerpo”. Esta composiçón debe de pertencer ós últimos anos do século XII, ou primeiros do XIII. Foi encontrada no Archivo Histórico Nacional, num pergaminho procedente do mosteiro de Oña de 1201, e publicada e estudada por Menéndez Pidal. Consta de 37 versos agrupados em pareados, e está inspirada no poema françês “Débat du Corps et de L’Ame”, versón à sua vez de outro poema latino, “Rixa animae et corporis”. O seu tema consiste na discusón que mantenhem o corpo e a alma de um difunto, atribuíndo-se recíprocamente a culpa dos seus pecados. Adquiríu difusón em todas as literaturas europeias, e na castelán persistíu baixo diferêntes versóns: nos começos da escola alegoricodantesca, finais do século XIV, reaparece com o título de “Revelación de un ermitaño”; tem influênça na “Farsa racional del libre albedrío” na qual se representa a batalha que existe entre o espírito e a carne; e penetra até à época de Calderón, que a utiliza num dos seus “autos sacramentais”, da primeira época, entitulado “El pleito matrimonial del Cuerpo y el Alma”.

JUAN LUIS ALBORG