RAWLS (PENSAM QUE OS TALENTOSOS, VÁN POR-SE A TRABALHAR, APENAS POR GANHAR MAIS?)

Trata-se de unha questón em que Rawls non é suficientemente convincente. Como é evidente, non se pode obrigar os mais talentosos a trabalhar polo bem da sociedade. Isso sería equivalente a escravizar as pessoas, e o primeiro princípio da xustiça prohíbe-o de forma expressa. Por outro lado, Rawls pensa que trabalhar é relativamente desagradábel, que non se realiza apenas por dedicaçón, ,mas sobretudo por necessidade ou por algum incentivo especial. Mas porque é que ganhar mais do que os outros é o melhor incentivo para pôr os mais talentosos a trabalhar? Rawls pensa ser sensato usar o desexo humano de sobressair socialmente, de ter mais do que os outros (e non só de ter mais), para que todos sexam beneficiados (especialmente os que tiveram menos sorte na lotaría social e natural), pelo menos em termos absoluctos. O preço dessa melhoría é a desigualdade – unha desigualdade que, por beneficiar os que están em desvantaxem, Rawls xulga que acaba por ser xusta (no entanto, veremos mais à frente que há unha certa incoherência neste ponto). Neste sentido, os membros da posiçón orixinal, ocultos sob o “véu de ignorância”, só podem acordar os seguintes princípios de xustiça: 1º- Todas as pessoas som iguais quanto a esixirem um modelo adequado de direitos e liberdades iguais, modelo que é compatíbel com o próprio modelo para todos; nesse modelo garante-se o valor equitativo das liberdades políticas iguais, e apenas dessas liberdades. 2º- As desigualdades sociais e económicas têm de satisfazer duas condiçóns: primeiro, debem estar ligadas a posiçóns e cargos abertos a todos em condiçóns de igualdade equitativa de oportunidades; segundo, debem promover o maior benefício para os membros menos favorecidos da sociedade (princípio de diferença). Os dous princípios de xustiça, ou três se dividirmos o segundo princípio em dous, están organizados por ordem de prioridade. Isto significa que, enquanto o primeiro princípio non for satisfeito, non se pode satisfazer o segundo ou, o que é o mesmo, que as políticas a favor da igualdade de oportunidades non podem violar as liberdades individuais afirmadas no primeiro princípio. Acontece o mesmo com as duas partes do segundo princípio: a redistribuiçón da riqueza non debe afectar a igualdade de oportunidades. A prioridade xustifíca-se porque Rawls pensa que non se pode trocar as liberdades básicas por vantaxens económicas e sociais. Por exemplo, non se debe comprar votos nem se debe consentir na servidón em troca de unha melhoría económica.

ÁNGEL PUYOL

UNHA TEORÍA QUÂNTICA DA GRAVIDADE (F-57)

Como as teorías da “Gran unificaçón” (GUT) non som corroborábeis por evidencias observacionais a maioría dos físicos adoptou unha teoría “ad hoc” denominada o “modelo estándar”, que consiste na teoría unificada das forzas electrodébeis e na cromodinámica quântica como teoría das forzas fortes. Mas no “modelo estándar” as forzas electrodébeis e fortes actúan por separado e non están unificadas. O “modelo estándar” acomulou muitos êxitos e concorda com todas as evidências observacionais até à data, mas é em último têrmo insatisfactório porque, ademais de non unificar as forzas electrodébeis e fortes, non incluie a gravidade. Ainda que se revelárom as dificuldades de fundir as forzas fortes com as electrodébeis, ditos problemas non som nada em comparaçón com a dificuldade de unificar a gravitaçón com as outras três forças, ou incluso de formular unha teoría quântica autoconsistênte da gravidade. A Razón pola qual criar unha “teoría quântica da gravidade” resulta tán difícil, está relacionada com o “princípio de incertidûme de Heisenberg”, que explicámos no capítulo III. Ainda que non sexa óbvio vê-lo, resulta que com respeito ao dito princípio o valor de um campo e da sua taxa de câmbio temporal desempenham o mesmo papel que a posiçón e a velocidade de unha partícula. É dizer, quanto maior é a precisón com que se consegue determinar um, menor será a precisón com que se pode determinar o outro. Unha consequência importânte disto é que non existe o espaço vacío. Isto é así porque espaço vacío signifíca que o valor de um campo é exactamente cero e que a taxa de câmbio do campo sería também exactamente cero (se non fora así, o espaço non permanecería vacío). Como o princípio de incertidûme non permite que os valores do campo e da sua taxa temporal de câmbio tenham valores exactos simultâneamente, o espaço nunca está vacío. Pode dar-se um estado de mínima enerxía, denominádo o “vacío”, mas dito estado está suxeito ao que chamamos “fluctuaçóns do vacío quântico”, que consistem em partículas e campos que aparecem e desaparecem da existência.

STEPHEN HAWKING E LEONARD MLODINOW

ILUMINISMO (CRISTIANISMO SEM MISTÉRIOS)

Mas antes era preciso derrubar alguns muros e para tal contribuíram os iluministas ingleses, pensadores non tán secundários como podem dar a entender os manuais de história da filosofía. Entre outros, John Toland (1670-1722) foi unha referência do deísmo inglês com a sua obra “Christianity not Mysterious” (Cristianismo sem Mistérios). Nela segue os passos de Locke no empenho de conciliar razón e fé; chega inclusive a afirmar que no Evanxelho non há nada de contrário à razón. Também convém destacar Samuel Clarke (1675-1729), que, inspirando-se em Newton, publicou em 1705 “Demonstraçón do Ser e os Atributos de Deus”, na qual advoga a liberdade de Deus para se mover e determinar, bem como a liberdade do homem; o ser humano é libre e os ensinamentos morais do cristianismo som completamente racionais. Com a publicaçón em 1730 da obra o “Cristianismo, tán Velho como a Criaçón”, Matthew Tindal (1656-1733) incide no processo racionalizador do facto relixioso: a revelaçón non é importânte porque Deus se revela à razón do home a partir da natureza humana criada por ele; basta obedecer à lei natural e racional. Outro defensor do deísmo, o notável discípulo de Locke, Anthony Collins (1676-1729), deu um passo de xigante na defesa da emancipaçón da razón com relaçón aos dogmas da Igrexa, que Berkeley tentará refutar. No seu “Discurso sobre o Pensamento Libre”, publicado em 1713 (no mesmo ano em que Berkeley publica “Três Diálogos entre Hilas e Filonous”), Collins sustenta que se Deus nos esixe conhecer algunhas verdades, e se o conhecimento dessas verdades é útil para a sociedade, temos o direito de pensar com liberdade. Pensar por nós próprios é unha forma de nos defendermos das artimanhas do maligno e de aperfeiçoarmos as distintas ciências, o que nos axuda a conseguir a nossa própria perfeiçón. Na opinión de Collins, há unha série de ideias absurdas e contrárias à razón que permanecem incrustadas na Igrexa cristán, como o poder dos sacerdotes para salvar e condenar ou a absurda adoraçón das imaxens. E houve muitos mais pensadores influêntes neste processo emancipador, como o bispo Joseph Butler (1692-1752), para quem as leis da natureza e as leis divinas non som diferêntes, o que estabelece um elo evidente entre o home e Deus, entre o natural e o divino. Berkeley também fai parte do Iluminismo. É estranho que um bispo, teólogo e empirista favorábel à relixión adquira o estatuto de iluminista, mas a verdade é que participou na confiança na razón e no progresso da ciência, e defendeu o saber e a cultura. Mas sempre nunha perspectiva vincadamente teísta.

LUIS ALFONSO IGLESIAS HUELGA

O VINHO (6)

OS VINHOS TINTOS

Os vinhos tintos, podem ser elaborados para beber xovens ou para madurar durante décadas e ir melhorando pouco a pouco. Um vinho para madurar, non oferece grande prazer se o bebemos novo. Há que colocar cada um dentro do seu tempo. Por isso, o vinho sendo a droga oficial dos países mediterrâneos, nos quais é bebido abundantemente, também necessita um elevado gráu de cultura e refinamento para saber disfrutar dos seus prazeres escondidos. Podemos classificá-los em seis patamares: 1) Os “rosados”, disfrutam-se frescos, e distinguem-se sobre tudo, polo maior ou menor gráu de doçura: Oeil de Perdrix (Suíça), Redoma Douro (Portugal), Bardolino Chiaretto (Itália), Anjou (France). 2) “Lixeiros, afrutados, non envelhecidos” nestes pode usar-se as uvas das variedades, Garnacha, Gamay, Cabernet Franc e o nosso Espadeiro: Beaujolais (France), Barbera (Itália), Chinon (France), Dolcetto (Itália), Grignolino (Itália). 3) “Vinhos de Meio Corpo”, configuram a maior parte dos vinhos de boa qualidade e de qualidade média: Bairrada (Portugal), Bordeaux (France), Bourgogne (France), Chianti (Itália), Montepulciano d’Abruzzo (Itália), Rioja e Ribera del Duero (Espanha), Rosso Conero e Rosso Piceno (Itália), Valtellina (Itália), Vino da Tavola (Itália), Côtes-du-Rhône (France). 4) “Concentrados, Intensos”, os vinhos concentrados e intensos, som tânicos de aromas intensos, e a maioría deles envelhecem bem: Bourgogne Premier Cru e Grand Cru (France), Cabernet-Sauvignon (América), Cahors (France), Cornas, Côte-Rôtie, Crozes-Hermitage (France), Dao, Douro (Portugal), Madiran (France), Nebbiolo, Pomino (Itália), Ribera del Duero (Espanha), Barbaresco, Barolo (Itália), Rioja de pagos (Espanha), Châteauneuf-du-Pape (France), Cirò (Itália), Collioure (France), Priorato (Catalunha). 5) “Vinhos de Guarda”, grandes colheitas famosas, o seu sabor de novos, resulta muito diferente de quando están no seu tempo de consumo: Bordeaux Cru Classé (France), Bourgogne Premier cru e Grand Cru (France), Cabernet-Sauvignon (América), Graves (France), Pessac-Léognan (France), Priorato (Catalunha), Rioja Reserva e Gran Reserva (Espanha), Vino da tavola (do melhor), Hermitage (Rhône), Vino Nobile di Montepulciano (Toscana). 6) “vinhos especiais”, som intensos e xeralmente doces, feitos com uva “passita”, “Reciottos”, ou “liquorosos”: Sagrantino di Montefalco (Itália), Amarone della Valpolicella (Itália), Commandaria (Chipre), Mavrodaphne (Grécia), Vin Santo (Itália), Recioto della Valpolicella (Itália).

LÉRIA CULTURAL

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O QUE SIGNIFICA PARADIGMA?

A palabra paradigma vem dos termos gregos “para”, que significa “próximo” ou “aproximado”, e “deigma”, que significa “mostra”. Resulta, dessa forma, um exemplo ou um caso de algo que serve de modelo a casos semelhantes, ou sexa, trata-se de um exemplo-tipo ou típico. Assim, a título de exemplo, é comun dizer-se que Maria Callas é um paradigma de cantora de ópera, ou que é unha cantora de ópera paradigmática, ou que Romeu e Julieta som um paradigma de amantes apaixonados, ou, enfim (o exemplo preferido do próprio Kuhn), que “amo-amas-amat-amamus-amatis-amant” é um paradigma da conxugaçón dos verbos latinos ( e, por isso, é o primeiro exemplo que os estudantes de latim costumam aprender). À pergunta “O que caracteriza unha excelente cantora de ópera?”, em vez de respondermos com unha definiçón sensata, podemos limitar-nos a dizer: “Repara como a Maria Callas actuava.” Perante a pergunta sobre o que é característico dos amantes apaixonados, basta recordar o exemplo de Romeu e Julieta. O aluno que tenta conxugar correctamente um verbo latino com que se depara pola primeira vez pode recorrer ao modelo da conxugaçón do verbo “amare”. No caso das ciências, exemplos de paradigmas nesse sentido seria a órbita de Marte para a teoria Kepleriana dos planetas ou as famosas ervilhas do xardím de Mendel para a xenética clássica.

C. ULISES MOULINES

GEORGES BRASSENS

GEORGES BRASSENS (Sète, 1921 – Saint-Gély-du-Fesc, 1981). Cantante e poeta françês. Procedente de unha humilde família operária, trasladou-se para París em 1939, trás realizar estudos elementais, trabalhou na factoría Renault. De ideoloxía libertária, militou na resistência francesa tras a ocupaçón alemán de París durante a Segunda Guerra Mundial. Colaborou na publicaçón clandestina “Le Libertaire”, e em 1942 publicou o seu primeiro libro de poemas. Admirado polo resto dos autores e intérpretes europeos, os seus temas forom obxecto de versóns em múltiples ocasións.

LA MAUVAISE RÉPUTATION

Au village, sans prétention,

J’ai mauvaise réputation;

Que je m’ démène ou que je reste coi,

Je passe pour je-ne-sais-quoi.

Je ne fais pourtant de tort à persone,

En suivant mon ch’ min de petit bonhomme;

Mais les braves gens n’aiment pas que

L’on suive une autre route qu’eux…

Non, les braves gens n’aiment pas que

L’on suive une autre route qu’eux…

Tout le monde médit de moi,

Sauf les muets, ça va de soi.

.

Le jour du Quatorze Juillet,

Je reste dans mon lit douillet;

La musique qui marche au pas,

Cela ne me regarde pas.

Je ne fais pourtant de tort à personne,

En n’écoutant pas le clairon qui sonne;

Mais les braves gens n’aiment pas que

L’on suive une autre route qu’eux…

Non, les braves gens n’aiment pas que

L’on suive une autre route qu’eux…

Tout le monde me montre au doigt

Sauf les manchots, ça va de soi.

.

Quand j’croise un voleur malchanceux

Poursuivi par un cul-terreux,

J’ lance la patte et, pourquoi le taire,

Le cul-terreux se retruve par terre.

Je ne fais pourtant de tort à personne,

En laissant courir les voleurs de pommes;

Mais les braves gens n’aiment pas que

L’on suive une autre route qu’eux…

Non, les braves gens n’aiment pas que

L’on suive une autre route qu’eux…

Tout le monde se rue sur moi,

Sauf les culs-d’-jatte, ça va de soi.

.

Pas besoin d’être Jérémie

Pour deviner l’ sort qui m’est promis:

S’ils truvent une corde à leur goût,

Ils me la passeront au cou.

Je ne fais pourtant de tort à personne,

En suivant les chemins qui n’ mènent pas à Rome;

Mais les braves gens n’aiment pas que

L’on suive une autre route qu’eux…

Non, les braves gens n’aiment pas que

L’on suive une autre route qu’eux…

Tout l’ monde viendra me voir pendu,

Sauf les aveugles, bien entendu.

GEORGES BRASSENS

KARL R. POPPER (O RACIONALISMO CRÍTICO)

Depreende-se da argumentaçón popperiana unha visón muito peculiar da natureza da investigaçón científica, unha visón que quase poderíamos qualificar como “tráxica”. De facto, o bom cientista é aquele que tenta formular teorias com a maior xeneralidade possíbel, teorias que expliquem um aspecto de factos o mais vasto possíbel, tendo sempre presente que, apesar dos êxitos conseguidos, em qualquer momento, perante a constataçón de um novo facto recalcitrante, essas teorias podem cair por terra. Non se trata apenas de o cientista deber ter em consideraçón essa possibilidade, mas de, se for realmente um bom cientista, se for um cientista realmente honesto, deber esforçar-se precisamente por encontrar esse facto recalcitrante que refute a sua própria teoria, ou a dos seus colegas ou professores. Isto é unha instância do que Popper denomina a “actitude crítica”, um aspecto do que, em termos mais xerais, é a sua própria concepçón filosófica, o “racionalismo crítico”: devemos sempre tentar ser críticos, e em especial autocríticos, com as nossas crenças assumidas, inclusive aquelas que nos som mais caras ou que nos parecem mais bem fundadas. É a única actitude racional possíbel.

C. ULISES MOULINES

¡¡YOGURTH CREMOSO PARA TODA A SEMANA!!

Com um litro de leite ecolóxico e dous yogurths ecolóxicos Xanceda (natural-natural), podemos disfrutar dum yogurth cremoso e delicioso durante toda a semana. Unha maneira, mais económica e quase-independênte, ademais de excelente aspécto. Primeiro, aquecemos o leite até alcanzar a temperatura de 90º centígrados, apagamos o lume e deixá-mos arrefecer até aos 40º centígrados (non sobrepassar as temperaturas oferecidas pois poderíamos matar as bactérias necesárias para o procésso), e os yogurths non ficaríam bem coalhados). Quando a temperatura baixar a 40º, deitamos meio litro de leite em cada têrmo, acompanhados de um yogurth em cada um deles e remexemos enerxicamente com unha culher. Pechá-mos os termos, e deixá-mos repousar na cozinha durante seis horas, logo guardamos no frigorífico. Xá está! Quando necessário for, colhemos yogurth para unha cunca e guardamos o resto, pechando o têrmo e deixando no frígo.

EIRA COMUNAL

ENCRUZILHADA INTELECTUAL DO SÉCULO XVII

O tempo velho xá passou, estamos perante unha nova época (…). Porque o que dizem os velhos libros xá non é suficiente, pois onde a fé reinou durante mil anos agora reina a dúvida. O mundo inteiro diz: sim, isso está nos libros, mas deixem-nos agora olhar para nós mesmos. Aquela que fora a verdade mais festexada, hoxe é interrogada; o que nunca foi dúvida hoxe é posto em questón. (B. Brecht, “Galileu”)

Enquanto a Europa central se afundava na guerra, França disfrutava de unha década de tolerância favorecida por obra do defunto Henrique IV. As diferênças relixiosas passavam para segundo plano, especialmente em París, onde Descartes viveu a “época libertina”, caracterizada por um auxe sem precedentes de novas ideias alheias ao dogma eclesiástico. Esta onda de progressismo teve a sua orixem em 1619, quando um professor de filosofia e medicina chamado Vanini foi queimado, acusado de ser ateu e homossexual. Um grande sector da populaçón francesa se rebelou contra os métodos da censura eclesiástica e transformou Vanini no símbolo de unha abertura intelectual que ía além dos esquemas de “Reforma versus Contrarreforma”. No entanto, como costuma ser habitual quando um paradígma ideolóxico entra em crise, em todo este ambiente crescia um grande ecletismo. A vontade de mudar ía muito além da concepçón clara de unha alternativa. Para entender melhor o caos em que se tinha tornado a Europa culta na qual Descartes fez irromper as suas ideias, convém abrir um parêntese e introduzir em cena as duas grandes cosmovisóns da época.

ANTONIO DOPAZO GALLEGO

ROBERTO MERA COVAS (HOMENAXEM A ALEJANDRO VIANA) (2)

O ARREPÍO DA MORTE

18 de xullo de 1936. Tras meses de conspiración, a trama encabezada polo xeneral Mola perpetra un golpe de Estado contra o Goberno da II República Española, pero o levantamento militar fracasa ao atoparse cunha inesperada resistencia. Unha longa guerra dá comezo. Ao deputado republicano Alejandro Viana Esperón a insurrección sorpréndeo en Madrid. Na véspera participara no acto oficial de entrega ao presidente da República, Manuel Azaña, do proxecto de Estatuto de Autonomía de Galicia recén aprobado en referendo. Esa mesma noite, mentres se precipita a rebelión militar en África, os presidentes das deputacións galegas, alcaldes de varias cidades e outros deputados regresan en tren a Galicia. Alí, moitos deles, coma o alcalde de Vigo, Martínez Garrido, ou o de Santiago, Anxel Casal, atopan a súa morte a mans dos sublevados. Alejandro Viana e os seus amigos tamén deputados Bibiano Fernández Osorio-Tafall, Alfonso Daniel Rodríguez Castelao e Ramón Suárez Picallo quedan en Madrid e salvan a súa vida. Cando estoura a guerra, Viana, aos seus 59 anos, atesoura xa un intenso periplo vital no profesional e no político. Nado en 1877 na pequena vila galega de Ponteareas, no seo dunha humilde familia, abrírase camiño por si mesmo na puxante cidade de Vigo de finais do século XIX, até converterse nun relevante persoeiro do empresariado, da política e da sociedade viguesa: industrial da conserva e da exportación de ovos en Galicia e Portugal, dirixente do Partido Republicano Vigués, home forte do goberno municipal do alcalde Gregorio Espino na década dos anos vinte, cofundador do xornal “El Pueblo Gallego e do Ateneo da cidade, directivo do Círculo Mercantil ou presidente de Tranvías de Vigo. As súas relacións familiares e sociais tiñan sólidos alicerces: casara con Josefina Dotras Fábregas, de familia catalá con longa tradición empresarial na salgadura e a conserva, con quen non chegara a ter fillos, pero compartira o reto de acoller e coidar dende cativos seis sobriños desamparados. Viana, ademais, tecera durante décadas unha rede de estreitas relaçións con personaxes sobranceiros no ámbito intelectual, político e económico de Galicia e Portugal. O seu compromiso democrático e republicano levárao a ser o anfitrión do expresidente da República Portuguesa, Bernardino Machado, no seu exilio galego, e a incorporarse na II República ao partido de Manuel Azaña, Izquierda Republicana. Viana preside a súa agrupación provincial en Pontevedra, fai parte da candidatura da Frente Popular nesa provincia nas eleccións de febreiro de 1936, é o candidato máis votado na súa cidade de adopción e acada a acta de deputado nas Cortes Españolas. Aquela noite do 17 de xullo nada lle facía presaxiar que esa vida plena e intensa puidese truncarse de forma brusca e que os seus plans de futuro, a súa posición e estatus, as súas relacións familiares e sociais ou o seu vencello co seu país e coa súa cidade se fosen derrubar de súpeto dando paso á traxedia e ao drama. Viana visitara a súa familia en Vigo o 28 de xuño de 1936 para votar a favor do Estatuto de Autonomía. Nunca máis volverá pisar a súa terra e o seu fogar.

ROBERTO MERA COVAS

O EÎDOS-CAPITAL

Citemos o texto de Marx: “O grande mérito de Edward Gibbon Wakefield non é ter descoberto algo novo acerca das colónias, mas ter descoberto nas colónias a verdade acerca das relaçóns capitalistas da metrópole. (…) Em primeiro lugar, Wakefield descobriu nas colónias que a propriedade de dinheiro, de meios de subsistência, máquinas e outros meios de produçón non confere a um home a condiçón de capitalista, se lhe faltar o complemento: o assalariado, o outro home forçado a vender-se voluntariamente a si mesmo. Descobriu que o capital non é unha cousa, mas unha “relaçón social” mediada por cousas. O senhor Peel – relata-nos Wakefield em tom lastimoso – levou consigo de Inglaterra para o rio Swan, na Nova Holanda, meios de subsistência e de produçón por um valor de 50.000 libras. O senhor Peel era tán precavido que transferiu também 3.000 pessoas pertencentes à classe operária: homes, mulheres e crianças. Quando chegaram ao destino, no entanto, “o senhor Peel ficou sem um servente que lhe fixéra a cama ou que lhe trouxéra àgua do rio”. Pobre senhor Peel, que tinha previsto tudo, menos a exportaçón das relaçóns de produçón inglesas para o rio Swan”! Unha história muito interessante e instructiva, de facto. Um empreendedor capitalista, o senhor Peel, tinha decidido montar unha empresa nas distantes terras coloniais. Muito intelixente e precavido como era, sem dúvida, procurou organizar bem a sua bagaxem. Para montar unha empresa é necessário dinheiro e meios de produçón. Ora, também som necessários trabalhadores, e eis onde Peel mostrou ser muito precavido: decidiu levar trabalhadores ingleses de confiança, 3.000 operários que aceitaram, libremente e de igual para igual, assinar um vantaxoso contracto laboral. O episódio seguinte de tán prometedora história situa-nos no Parlamento britânico, onde non se para de reflectir sobre o porquê de tán inesperados resultados. O senhor Wakefield pergunta-se, entre intrigado e indignado, sobre o enigma do desastre em que a aventura de Peel tinha desembocado. O senhor Peel tinha metido num barco “a suma das partes” do capital. Mas, como vamos ver, esquecera-se de um pormenor: nada mais nada menos, “aquilo que fai o capital ser capital”, o que, de facto, Platón teria chamado o “eîdos-capital”. Em todo o caso, algo mais do que a “suma das suas partes”, isso a que vamos chamar, de facto, a “estructura”.

CARLOS FERNÁNDEZ LIRIA

ESCRITORES HISPÂNOS (EDUARDO BARRIOS HUDWALCKER)

BARRIOS HUDWALCKER, Eduardo (Valparaíso, 1884-1963). Româncista e dramaturgo chileno. Despois da morte do seu pai em 1889 passou a Lima. Logo de dez anos voltou ao seu país e ingresou na Academia Militar de Santiago, onde foi licenciado em 1902. Regressou a Lima e empreendeu unha fracasada expediçón aos Andes orientais em busca de caucho. Depois de um breve período na zona do Canal de Panamá, trabalhou de 1904-1908 na oficina de unha companhía cuprífera no norte de Chile, onde publicou “Del natural” (Iquique, 1907), a sua primeira novela. Foi secretário, reporteiro, empregado da Biblioteca Nacional, e em 1927 superintendente xeral de bibliotecas, museos e arquivos. Foi ministro de Educación durante o período 1927-1928 até a caída do dictador Ibáñez, ao qual Barrios apoiaba, e mais tarde voltou a ser ministro. Em 1937-1943 foi administrador de unha finca no valle central de Chile. Alí conheceu a personáxe que lhe avería de servir como modelo, para escreber a sua melhor novela “Gran señor y rajadiablos” (1948), situada no século XIX; o libro resulta ambicioso em quanto ao tácito repudio de um naturalismo anterior. Algum crítico assinalou que o seu valor reside na ideia filosófica que expresa. Outras obras suas de importância som os contos. Em “El niño que enloqueció de amor” (1915), a novela urbana “Un perdido” (1918) e a curiosa novela “El hermano asno”, na qual enfrenta a dous franciscanos, o um consciente das tentaçóns da carne, que intenta superar, e o outro, considerado um santo polos seus feligreses, inconsciente das necessidades do seu corpo que, ao final da novela, acaba por cair nas tentaçóns sem o menor control. Outras obras de Barrios de tipo menor som: “Páginas de un pobre diablo” (1923), “Y la vida sigue…” (1925), ademais da novela “Los hombres del hombre” (1950). Barrios escrebeu também obras de teatro: “Mercaderes en el templo” escenificou-se em 1911, mas non foi recolhida nas suas “Obras completas” (1962, dous volûmes) nem no “Teatro escogido” (1947); “Lo que niega la vida” (1913) foi posta em escena em 1914 e “Vivir” em 1916. Nas suas primeiras obras primou a emoçón em perxuíço da razón, mas nas últimas expressou a necessidade de unha autodisciplina para evitar o desbordamento das emoçóns.

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ESCRITORES HISPÂNOS (MIGUEL DE BARRIOS)

BARRIOS, Miguel de (Montilla, 1635-1701). Xudeo espanhol de ascendência portuguesa. Poeta. Servíu na armada espanhola sendo converso, mas, quando se estabeleceu nos Países Baixos retornou para o xudaísmo e adoptou o seu nome orixinal, Daniel Levi. Foi um admirador de Góngora, a quem intentaba “alcanzar y aun sobrepasar”, Barrios escrebeu muito e non demasiado bem, xá que o seu gosto estéctico deixaba que desexar. As suas obras publicadas som: “Flor de Apolo” (Bruxélas, 1665), editada de novo baixo o nome de “Las poesías famosas y comedias (Amberes, 1679), “Coro de las musas” (Bruxélas, 1672), “El sol de la vida” (Amberes, 1679), “Bello monte de Helicona” (Bruxélas, 1686) e “Estrellas de Jacob sobre flores de lis” (Amsterdam, 1686). As suas obras de teatro som espectaculares: nunha delas levam-se a cabo oito duelos, e noutra, doze. “Pedir favor al contrario” e “El canto junto al encanto” som as menos malas.

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ESCRITORES HISPÂNOS (JERÓNIMO DE BARRIONUEVO)

BARRIONUEVO, Jerónimo de (Granada, 1587-1671). Poeta e escritor de epístolas. Estudou em Alcalá e em Salamanca. Passou algum tempo com o marquês de Santa Cruz na Italia e logo retirou-se como dignidade para a catedral de Sigüenza. Isto permitíu-lhe escreber ao deán de Zaragoza unha série de epístolas sobre a vida dos seus contemporâneos e sobre as costûmes de Madrid que hoxe tenhem a maior importância como fontes de conhecimento da época. Estas cartas están datadas do primeiro de Agosto de 1654 ao vintiquatro de Xulho de 1658 e forom editadas a finais do século passado com um estudio biográfico e notas por A. Paz y Meliá (“Colección de Escritores Castellanos”, 1892-1893, quatro volûmes). Quase como um artígo de costûmes, as cartas non somente tratam temas políticos, senón detalhes de crímes cometidos na Villa, obras de teatro, festas, moda e anedóctas várias. Barrionuevo escrebeu novecentos poemas, um entremês chamado “El berraco de Río Salido” e cinco peças teatrais: “La venganza del hermano y valiente Barrionuevo”, “El laberinto de amor y Panadera de Madrid”, “El retrato que es mejor: santa librada” “El judas de Fuentes” e “La hora que está más bien”.

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ESCRITORES HISPÂNOS (FRAY LOPE BARRIENTOS)

BARRIENTOS, fray Lope (1382-1469). Bispo de Segovia e confesor de Juan II. O rei ordenou-lhe queimar a biblioteca do suposto mago e astrónomo Enrique de Villena. Barrientos dixo haber cumprido a missón, mas desconfía-se que ao menos salvou alguns libros, que depois utilizou para escreber um tratado de adivinhaçón por ordem do rei, libro que nunca chegou a publicar-se. J. de M. Carriazo atribuíu-lhe a autoría da “Refundición de la Crónica del Halconero.

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