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Arquivo por autores: fontedopazo
AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (56)
Realidade. Desde que cheguei á Galiza foi admirábel a grande diferença que notei nos sonhos, pois em Portugal, sonhaba de unha maneira alucinante, que parecía que eu estaba realmente desperto, compenetrádo corpo e alma com a cousa sonhada, até tal ponto que a vida se retiraba do corpo e se concentraba na alma, que xamais tinha tido sonhos tan reais. Como quando morreu o ilustríssimo espiritísta Don Juan Vilar Val, cura que foi de ésta parróquia de Guillade y a notábel Sybilla de Ponte Dª Juana…, por alcurnia a (Corujera). O 6 de Xúlio de 1915, eu andaba dolente, da dor aguda nos quadrís (pag. 71), que todavía era insufríbel. Sonhos realizados. Tristeza. O día 15 de Xúlio de 1915, fún escreber unha carta e envitaron-me a comer, que acto seguido me recorda o sonho da (pag. 67) de Isolina e o seu pai. O 25 de Xúlio de 1915, non fún á fésta, por non ter roupa, nem saúde, etc… Neste día, tivem unha tristeza imensa, e á noite tivem a seguinte Visón, sonhei que estaba num sítio donde vía a porta da Igrexa de Guillade de léxos, e comigo estaba Isolina do Caetano e Carmela da Costa, que estaba com a cabeza no chán, como se fora mergulhar, mas Isolina estaba mais próxima, de pé, séria, corpo pequeno como na realidade. Tivem sobre ela uns pensamentos, que era pequena, e que era nova, e non lhe liguei afecçón ningunha, etc… e non se falou nada. Outra noite, sonhei que estaba brincando com ela no Portocelo. Os sonhos dos días um ó quinze de Agosto de 1915, uns por outros, todos se me esqueceron, ou pouco me recordaban. O mesmo día 15, apareceu-me um changlo na boca, lábio superior esquerdo.
manuel calviño souto
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MONTAIGNE (PIRRONIZANDO)
O resultado eticamente mais relevante de tal contranarraçón do cepticismo levará Montaigne à actitude intelectual de “pirronizar” também na direcçón do espaço-tempo da política, embora, por vezes, pareça ancorado na conservaçón do “statu quo”. Apesar do resultado céptico da Apoloxía de Raymond Sebond (II, 2: o capítulo mais longo, escrito por encomenda da rainha Margot, Margarita (de Valois) de Navarra, à qual Montaigne estava vinculado) revitalizado como unha espécie de “ultima ratio”, “o espaço do humanismo” – configurado nos Ensaios como “infinito em matéria”, “infinito em diversidade” – lexitima pluralismo e diversidade, abrindo-se em direcçón a novas perspectivas epistemolóxicas, mas sobretudo éticas e políticas non indiferentes às reflexóns contidas naquela pequena obra-prima da filosofía política, como foi definido o “Discurso da Servidón Voluntária” do amigo Étienne de La Boétie. A concepçón montaigniana do espaço infinito do humano atesta-se como espaço da lexítimaçón e da lexitimidade da alteridade como forma “in natura” – e como “conférence”, comunicaçón e conversaçón em direcçón ao outro. Nada é contranatura, mas tudo é antes, “in natura”, segundo a sua infinita potência, desconhecida para o homem. Se o ser humano, na sua essência, é palabra e discurso, a “comunicaçón e a relaçón com os outros” son a sua autêntica substância e o seu horizonte de sentido. A liçón do filósofo “non premeditada e fortuita” é cristalina: nunha época corrompida pelas guerras civis e externas e no tempo doente da “morte política”, ninguém se salva por si só. Segundo Montaigne, todos os elementos que ván na direcçón da necessidade do cepticismo tornam-se os mesmos que se movem na direcçón proposta, menos cumprida, mas passíbel de consecuçón, das “convicçóns de um céptico” (Tournon). De facto, estes mesmos elementos servem non apenas para confirmar ou reforçar as teses cépticas expostas, mas também para as retransformar num dispositivo teórico que unha vez preparado o terreno com as armas do próprio cepticismo no seu papel crítico, acaba de modo cárstico, para as transformar num novo horizonte de “convicçóns” e de possibilidades para o xénero humano.
nicola panichi
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ASTRONOMÍA (O MAR DE TÊTIS)
O MAR DE TÊTIS
Vamos falar aquí de algo, que a maioría das xentes, nunca ouvíu mentar. O Mar de Têtis, estaba situado onde está hoxe em día, a cordilheira dos Himalaias, así, que, imaxinem-se a catástrofe que tivo que dar-se para que o fundo do mar, se elevara a mais de oito mil metros de altura. Mas a India, que se encontraba perto de Madagáscar, enveredou por aí arriba, a lomos de unha pluma mantêlica monstruosa, que a espetou contra a placa asiática, provocando unha das maiores extinçóns massivas de vida no planeta Terra. Fái sessenta e cinco milhóns de anos, um oceano atravessava o antigo continente asiático “O Tètis”, estava cheio de vida, com monstruos marinhos, e muitos dinosaurios, com faunas e floras inimaxinábeis para nós. Daquéla, Turquía estaba debaixo da água, e existen hoxe em día na sua superfície, vestíxios de plantas ou plactón do mar, e restos das colisóns de rochas em chamas, e gás natural ou metano que aínda sái das profundidades. Ésta calamidade, que matou metade da fauna e da flora (entre eles, parece ser que os famosos Dinos), e que em certa maneira favoreceu a primacía dos mamíferos, despexando o caminho á expansón do home sobre a Terra. Mas, os perigos non paran, e agora sabemos que Austrália, que é muito mais grande que a India, navega para norte, com a intençón de empotrar-se contra a costa chinesa, seguindo a confluência em Eurásia, para a formaçón de um novo super-continente. Isto, son futuros que nos venhem em cima a todos, poucos o sabem, muitos o ignoran, mas há que tentar trabalhar, com a intençón de evitar o maior numero de mortes possíbel.
léria cultural
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NIETZSCHE ( O ANTICRISTO)
No seu regresso a Turím, e até ao final do ano, Nietzsche trabalha em vários manuscritos. O primeiro deles é “O Anticristo. Ensaio de unha Crítica ao Cristianismo”, um ataque de máxima acidez e virulência contra a relixión cristán. Pouco depois, no día do seu quadraxésimo quarto aniversário. Nietzsche começa a escrever a sua autobiografía: “Ecce Homo. Como se Chega a Ser o Que Se É.” (Em latím, ecce homo significa “aquí está o homem”, as palavras que Pôncio Pilatos pronunciou, quando apresentou Xesus Cristo, gravemente ferido, perante o povo.) No libro, realiza um percurso pela sua vida e obra em que, no entanto, se vislumbram as habituais fronteiras entre “vida” e “obra”. Em Dezembro, Nietzsche deixa acabadas as suas últimas obras: o poemário “Ditirambos a Dioniso” e o impiedoso panflecto “Nietzsche contra Wagner. Dossier de um Psicólogo”. A obsesón pelo compositor xá o tinha levado a escrever “O Caso Wagner. Um Problema para Músicos”. O seu ataque, recordemos, non é pessoal, nem tan pouco estéctico (nunca deixa de admirar a música wagneriana). Wagner está no seu ponto de mira, porque é um sintoma inequívoco dos tempos. Actua como unha lente de aumento que permite ver o problema que verdadeiramente obceca Nietzsche: a incapacidade da cultura moderna para curar os males da vida. A campanha final contra Wagner faz parte da missón a que Nietzsche consagra as suas últimas enerxías mentais: derrocar a ordém estabelecida da Modernidade a todos os níveis (político, moral, artístico, filosófico…). Essa vontade crescente de mudar o rumo da história do Occidente levá-lo-á a verdadeiros delírios de grandeza e será um dos sinais de alarme do seu deslizar rumo à loucura.
toni llácer
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LITERATURA (TOLSTOI)
león nikolaevich tolstoi
Nasceu o 9 de Septembro de 1828, e morreu o 20 de Novembro de 1910. Era natural do feudo de Lásnaia Poliana, rexión de Tula, e procedente de unha família da velha nobreza, filho do conde Nikolai Tolstoi e da princesa Maria Volkonskaia. Realizou os seus primeiros estudos na casa paterna, aínda que quedou orfán muito cedo, tendo que ser educado por unha tía. Ós dezaseis anos iniciou a carreira de filoloxía Árabe-ó-Turca, na universidade de Kazán, com miras a empreender a carreira diplomática, estudos que abandonaría três anos mais tarde e non reanudaría nunca mais. Assím, antes dos vinte anos, encontrou-se em Moscovo, levando unha vida “muito desordenada, sem trabalho, nem ocupaçóns, sem obxectivo”. Mas, como estava disposto a converter-se nunha pessoa útil, discorriu várias soluçóns dispares: ser um funcionário; ir para Sibéria; ou estudar música. Porém, ningúm destes propósitos o satisfacía, salvo, talvez, a singular ocurrencia de convertir-se em escritor. Finalmente decidiu partir para o Cáucaso com o seu irmán Nikolai. Foron dous anos de vida militar, compartidos entre as incursóns contra os montanheses e as francachelas. Non obstânte, o seu segredo literário seguía vivo: dedicava unha boa parte do tempo a escrever. Assím nasceu Infância, que apareceu em Septembro de 1852, na revista “Sovremennik”, de Nekrasov, o mesmo que tinha sido padrinho literário de Dostoievski. Infância conforma unha triloxía autobiográfica com Adolescência (1854) e Xuventude (1857). Tem unha personaxe central, Nicolenka Irtenev, que se identifica plenamente com Tolstoi; de igual maneira, as figuras secundárias tenhem o seu prototípo nas pessoas que rodearom o escritor na sua infância. Mas, trata-se de unha obra de criaçón literária. Despois de Dostoievski e de Turguéniev o romance realista chegou ó seu apoxéo na Russia de Léon Tolstoi, criador de unha das obras de ficçón mais importantes da literatura. Românces como “Guerra e Paz” e “Anna Karénina” desbordam de feito o marco da literatura nacional russa para situar-se no âmbito das grandes criaçóns universais. Mas Tolstoi, non foi unicamente um escritor xenial, senón também um pedagogo innovador e um reformador que tratou de dar respostas ós gráves problemas sociais do seu tempo, convertindo-se no apóstolo de unha relixíon ética e sem dogmas, bassada no amor universal, na austeridade e na solidariedade entre os homes.
rba editores, s. a. (barcelona)
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QUE NADA SE SABE (29)
Mas voltemos ó ponto em que nos tinhamos desviado, e, que o que acabo de dicer, saca em conclusón, que a ciência de todas as cousas é unha só. Pois cada vez que se fala de algunha cousa, a propósito déla há que tratar de outra, e a propósito désta há que facê-lo a sua vez de outra, e em terceiro lugar a causa de outra, de unha nova; assím iríamos até ó infinito, a non ser que nos detivéramos a meio caminho, o que non acontecerá sem detrimento da ciência. De ahí nasce aquela léi das ciências: “Non se trate de tudo, a propósito de cada unha das cousas”. Como virón, que a cada cousa se seguém todas, para evitar, non obstânte, que a sua ciência carece-se de fím, empenharom-se em sinalar “limítes”, limítes que, sem embargo, non podém respeitar (¿como ván respeitar uns limítes que a natureza non tolera?). De onde se segue que, é necessário repetir as mesmas cousas miles de vezes no mesmo libro, e inclúso em diversos libros, o que sería fácil demonstrar em qualquer autor, mas isto resultaría porlixo. ¿Acaso non repete “Aquel” na sua Física e na Metafísica tudo o que dixo nas Categorías? E o que dixo em tais libros, ¿non o repete constantemente em outros? E que prolixo é o nosso Galeno; custaría encontrar um só capítulo onde non leas “Aínda, que disto xá temos falado mais amplamente noutra parte, non virá mal reiterar brevemente o que atanhe ó nosso propósito” ou “Isto basta polo que respeita á presente questón, o resto o encontraremos em tal libro” ou, em definitiva, qualquer outra expresón semelhante. Isto mostra claramente, que para conhecer unha só cousa é assimmesmo necessário o conhecimento das outras, dado que também para a produçón, conservaçón ou destrucçón de unha é necessário o concurso de todas as demais, como o probaremos mais amplamente na obra “Examen Rerum”. O mesmo confirman igualmente os que empreendem unha discusón sobre qualquer cousa; pois se se proponhem probar que o home é um animal, están tán lonxe de consegui-lo que, mais bem ó contrário, passando de unha cousa a outra, por meio de siloxísmos, terminam por chegar ó céu, ou ó inferno, segundo os médios que utiliza o que proba, e segundo os que nega o outro. Em efeito: o que sobre isto nos ensina o inventor das demonstraçóns (aquilo de que através de proposiçóns intermédias há que chegar até ós primeiros princípios e entón deter-se aí) é unha ficçón como o son as outras cousas que se dixéron ó respeito, pois nem há tais meios certos, determinados e ordenados, polos que poidamos avanzar libremente, nem há princípios, nos que a mente poida deter-se tranquila e satisfeita. E, se teis alguns de tál índole, agradecería-mos que no-los transmitas. ¿Aguardas unha proba aínda mais concluínte da nossa ignorância?
francisco sánchez
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DERIVA HISTÓRICA (REBORDINHOS Nº 5)
XACIMENTO ARQUEOLÓXICO GA36O42018
REBORDINHOS Nº 5
Está adscrípto tipoloxicamente, como assentamento ao ar libre. A súa dataçón cultural, non está determinada, aínda que se pensa que será da Idade do Bronce. Rechán alongada, que vai dar ó Côto do Tromentêlo, situado na ladeira sul de unha altichaira. Xacimento prehistórico, descoberto graças a trabalhos florestais, presenta em superfície várias cerâmicas lisas pouco significativas desde o ponto de vista da sua adscripçón cultural. A cerâmica aparece dispersa, e non ocupa unha área muito extensa.
a irmandade circular
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AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (55)
Viáxe: Saída de Lisboa. O día 22 de Maio de 1915, fún á Rua do Xardím do Tabáco, comprar o bilhete, e seguín viáxe para o Porto, onde cheguei ás oito da manhán do día 24 no vapor Cysne, tivemos um temporal no mar, que atrasou um día e meio. O 25 de Maio de 1915, saín do Porto caminho de Valênça do Minho, com 13.000 réis no bolso. O día seguinte para Porriño a pé, alí saquei bilhete para Pontevedra, e ó chegar a Redondela, mudei de comboio e fún ter a Vigo. No meio do caminho, sentín um grande arrependimento e um vahído (vexa-se pág. 55 e 56, Susto). Desde Vigo, vinhem a pé cara a Pontareas, onde descansei, e á noite a minha pousada foi a campo. Logo, de pola manhán seguín viaxe para Mondariz, e dalí para Guillade. Encontrei mamá fartando-se de bater na sua cabeza, por chegar eu com os zapatos velhos rotos, roupa velha, camisa rota, e empenhado em dez duros. Da viaxe, excepto a enfermedade, etc. etc. etc… Ó passar por Pontareas, dixerón-me que facía um mês, que morre-ra a Sybilla (Carrujera). Claudio Souto Rodriguez (19 de Maio de 1915).
manuel calviño souto
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A TEORÍA “M” (F2)
Até á chegada da física moderna acostumaba-se a pensar que todo o conhecimento sobre o mundo podería ser obtido mediante abservaçón directa, e que as cousas son o que parecem, tal como as apercebemos através dos sentidos. Mas os éxitos espectaculares da física moderna, que está bassada em conceitos, como por exemplo os de Feynman, chocan com a experiência quotidiana, , e demonstraron que non funciona así. Portanto, a visón inxénua da realidade non é compatíbel com a física moderna. Para tratar com éstas paradoxas, adoptaremos unha posiçón que denominaremos “realismo dependente do modelo”, bassado na ideia de que os nossos cérebros interpretan os dactos que os órgans sensoriais lhe fornecem, elaborando um modelo do mundo. Quando o modelo explica satisfactoriamente os acontecimentos, tendemos a atribuir-lhe a el e aos elementos e conceitos que o integran, a qualidade de realidade ou verdade absolucta. Mas podería haber outras maneiras de construir um modelo da mesma situaçón física, empregando em cada unha délas conceitos e elementos fundamentais diferentes. Se duas de essas teorías ou modelos predicen com exactitude os mesmos acontecimentos, nom podemos dicer que non sexa mais real que a outra, e somos libres para utilizar o modelo que nos resulte mais conveniente. Na história da ciência temos ido descubrindo unha série de teorías ou modelos cada vez melhores, desde Platón á teoría clássica de Newton e ás modernas teorías quânticas. Resulta natural perguntar-se se ésta série chegará finalmente a um ponto definitívo, unha teoría última do universo que inclúia todas as forças e prediga cada unha das observaçóns que podamos facer ou se, polo contrário, continuaremos a descubrir teorías cada vez melhores, mas nunca unha teoría definitíva que xá non poida ser melhorada. Polo momento, carecemos de resposta a ésta pergunta, mas conhecemos unha candidacta a teoría última de tudo, se realmente existe tal teoría, denominada “Teoría M”. A teoría “M” é o único modelo que alberga todas as propriedades que cremos debería ter a teoría final, e é a teoría sobre a qual bassaremos a maior parte das reflexóns ulteriores.
stephen hawking e leonard mlodinow
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MONTAIGNE (OS ENSAIOS)
Único no panorama filosófico do outono do Resurximento. Montaigne lança, com a sua obra, um desfío póstumo ao pensamento crítico: a autêntica filosofía, a filosofía non escolástica, é arte de viver e processo de formaçón permanente da mente e da moral. O seu libro (os Ensaios), único no seu xénero, propón-se fazer sair o intelecto do sonho dogmático dos eternos menores, dos andarilhos do poder na sua complexa fenomenoloxía (que o bordalês diz odiar na sua forma activa e passiva), do universalismo “mau”, da condenaçón da alteridade nas suas múltiplas formas (selvaxens, hebreus, turcos…), “idola” que impedem o exercício da “peneira” do intelecto. Montaigne non podía ignorar que tinha construído unha máquina de guerra móvel contra o teatro das máscaras que ocultam a verdadeira face das cousas e non se cansava de reformulá-la como unha experiência que tinha de levar da noite do hábito para o día da liberdade, da opacidade tenebrosa da caverna platónica, evocada no capítulo “Do Costume” (1,23), para a luz. De qualquer forma, a experiência do suxeito abrirá a reflexón de Montaigne a unha espécie de abismo da reduplicaçón e da duplicidade de si mesmo (o eu é duplo em si mesmo, o eu de agora e o eu de depois son dous, sem saber qual é o melhor) e levá-lo-á, no último capítulo dos “Ensaios” (Da Experiência), a configurar o estudo e a análise crítica de si mesmo e da sua metafísica e da sua física (“Eu estudo-me … é a minha metafísica, é a minha física”: III. 13). Enquanto isso, a experiência do mundo será possível graças a unha nova forma filosófica que se esforça por penetrar e rasgar a crosta e a força da aparência de um mundo falaz e ilusório, abandonado à impotência de unha razón pretenciosa e “desmancha-prazeres” e de unha moral escolástica que se recusa ao movimento da vida, à sua capacidade de metamorfose. Ao pôr à prova, no capítulo “Filosofar é Aprender a Morrer” (1, 20), o princípio xenético, que consiste no esforço de retirar a máscara a palavras, pessoas e cousas, reforça a consciência da intrínseca temporalidade da existência, do nosso ser substancial: “O tempo abandona-me, sem ele nada se possui” (Do Governo da Própria Vontade: III, 10). A vida, vive-a aperfeiçoando a sua obra-prima: realizar plenamente a complexidade temporal e espacial do humano, submerxir-se na infinidade das suas formas, a vicissitude que deriva do centro propulsor da natureza, guia sábio e xusto.
nicola panichi
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AS COMÉDIAS
Saíron neste libro assuntos de comédias e de teatro e non há razón para que eu passe sobre este tema tán de puntinhas. A fím de contas, as comédias marcarón a minha infância e marcan hoxe a minha vida. Eran tamém um xogo. E até um acontecimento. De vez em quando, e facendo-o coincidir com certas féstas, chegavam os comediantes. Vinham em carros tirados por mulas; nuns, os sinxélos decorados, noutros as actrices e os actores, que non eran muitos, mais bem cousa de família e tinham que levar vários papeles. Para mím era especialmente excitante a sua presença, pois quedaban a dormir na casa e alí, amontoádos e como podían, ensaiában as suas funçóns que eu aprendía logo. Quando chegavam á taberna había zafarrancho xeral. Non había camas suficientes e dormir se arranxaba sacando os colchóns e xargóns nos porches, e nas glorietas. E todos tán contentes. Ó marchar-se, despois de vários dias de funcóns, davam-lhe ó meu pai algúm dinheiro em pago de hospedáxem. Pouco sería, pois pouco era o que recaudabam aquéles heróis dos caminhos e do escenário. A maior fonte de ingresos, mais que o preço das entradas, eran as rifas. Nos entreactos vendiam-se papeletas ó por maior sorteando unha garrafa de cognhac “Terry”, torrons se era natal ou algunhas bonecas de trápo, que lhe gostaban muito ás nenas. Estes eran os ganhos dos comediantes e deles lhe pagaban um pouco ós meus páis. Eu penso que á minha nái, mais que o estipêndio, o que mais lhe preocupaba era aprender cousas para quando ela dirixía os mozos do povo. E a mím também. Quando a minha nái me dava algúm papel nas comédias, eu procuraba imitar o que tinha visto e escuitado ós cómicos; mais o que facían nos ensaios que no escenário, que non sempre era igual. Ás vezes ensaiavam de unha maneira e actuavam de outra. E entón o xefe colhía uns cabreos de órdago. Na minha aldeia, non se decía interpretar, decía-se trabalhar: que bem trabalha fulano, que mal trabalha mengano. A minha nái unha vez deu-me um papel muito importante nunha comédia só de rapaceáda; foi o de Santo Tarsício Mártir, um neno clandestino entre os pagáns que desafiava o imperador e levava a comunhón ós cristáns, até que foi descoberto e morto. No escenário, os nenos que facían de romanos quase me matan de verdade. Eu começaba a obra com um discurso e acabava com unha oraçón e um lamento. Dos quais, non me acordo, mas do discurso aínda. Decía “o edícto infame de persecuçón contra os cristáns xá está fixado nos sítios do costume. ¡¡Oh Senhor, novas perseguiçóns, novas tribulaçóns para a Igrexa Santa!! Soltaba tudo de um tirón, sem matíces. Colhía carreira e xa non parava até ó final. Do repertório dos comediantes acordo-me que facían especialmente Santa Xenovéva de Brabante, O Soldado de Santo Marcial e A Paixón de Cristo. Santa Xenovéva, presa em um castelo guardado polo sinístro Golo; e Cristo morto na cruz. Marchaban os comediantes e alí quedava eu organizando os rapazes para imprevissíveis representaçóns e dando-lhe á matraca durante um més. Eu facía de Cristo na paixón e de Golo em Santa Xenovéva. No Soldado de Santo Marcial, xa non sei que facía, pois non recordo o argumento. Ou sexa, que era um actor completo. Marchavam os comediantes e alí quedava eu, o filho da Senhora Rosário e do Senhor Francisco, facendo comédias e sonhando. Um pouco melancólico, um pouco tríste, um pouco solitário. A chegada dos cómicos era bem melhor e mais esperado todo o ano na aldeia. Quando se ían, era como se houbera roto um sonho.
javier villán e david ouro
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NIETZSCHE (O CREPÚSCULO DOS ÍDOLOS)
1888 é um ano crucial, quer pela assombrosa fertilidade – produz cinco libros – como, sobretudo, porque é o último ano antes do seu declínio mental. Na primavera, Nietzsche viaxa de comboio com destino a Turim, cidade em que pensa instalar-se, como sempre, com a esperança de aliviar os seus achaques. Essa viaxem transforma-se num calvário. Despois de perder o comboio de ligaçón, e com ele também a sua bagaxém, acaba nunha pequena localidade chamada Sampierdarena. Está practicamente cego, non domina o italiano e têm o dinheiro á xusta. Nessa localidade, sofre um ataque de enxaquecas que o obriga a passar os dous días seguintes deitado na cama e ás escuras, com um sentimento de impotência que roça o insuportável. Quando, por fím, consegue chegar a turim, e após uns días de insónias. Nietzsche sofre unha metamorfose. Apaixona-se pola cidade, que o entusiasma em todos os aspectos. Aluga um quarto central, com unha vista excelente, em casa de unha agradável família que, além do mais, também tem um piano. Fisicamente começa a sentir-se melhor. O seu organismo parece fortalecer-se graças ás ríxidas rotinas que componhem o seu día a día. Madruga, toma ducha de água fría, cuida da sua alimentaçón e continua a dar passeios de várias horas, despois de cada refeiçón. Caminhar é fundamental para manter o vigor e a fluidez das suas ideias e afastar-se dos bolorentos pensadores alemáns que filosofam “em roupón de andar por casa”. Nietzsche pensa até em cuidar da sua imaxém, tantos anos descuidada, e renova o vestuário. O mau tempo em Turim leva-o a adiantar a tradicional estada de verán em Sils-Maria, onde se aloxa na mesma pensón de sempre. O seu velho amigo Deussen visitara-o no ano anterior e deixa-nos unha descripçón do humilde quarto do filósofo: livros, unha cama por fazer e unha secretária em que se amontoam manuscritos, obxectos de hixiéne, unha chávena de café e cascas de ovo. Nesse quarto, escreve o libro aforístico “O Crepúsculo dos Ídolos. Como Filosofar com o Martelo”. Mais unha vez, Nietzsche quer deixar bem claro, com o título e o subtítulo, quais son as suas intençóns: a obra é um manual de utilizaçón da filosofía como instrumento para estilhaçar os grandes ideais da nossa civilizaçón (o Bem, a Razón, a Verdade…). que adoramos como se fossem ídolos ou deuses ( o título é de facto um xogo de palabras em alemán, que remete para a ópera de Wagner O Crepúsculo dos Deuses).
toni llácer
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ASTRONOMÍA (ÁFRICA CARA Ó DESÁSTRE)
África caminha para o desástre, e non só nos aspectos humano e político, más também no destino xeolóxico. Os deuses dos infernos, non dormen! Eles trabalhan nas profundidades da Terra, escondidos dos nossos olhares, mas non conseguém enganar o nosso espírito de preocupaçón. O que se avecinha para o Continente Esmeraldo, nos tempos que venhém, leva consigo muita mortandade para a vida da fauna e da flora do planeta. Unha forza destructora, que non se pode parar, avança debaixo de África, e pode provocar as últimas das ruptúras de Panxeia. Unha “Super-Pluma Mantélica”, está situada por debaixo do Val do Rif, e podería levar á ruptura do Continente em duas ou mais partes, brecha ésta que se abriría ás aguas dos Oceanos. A tendência xeral do movimento, é para a formaçón de um “Super Continente” em torno de Eurásia, e com este obxectivo caminhan no tempo dos mundos. Unha das partes de África, vêm na direcçón de colisionar contra Europa, acabando com o Mar Mediterrâneo. Por outra vía, Austrália caminha para norte, na direcçón das costas de China. Nas quais, provocaría unha catástrofe similar á acontecida quando a India, que se encontrába perto de Madagáscar chocou contra a antiga costa de Ásia, aniquilando o “Mar de Têtis” e elevando as placas a mais de oito mil metros de altura. Parece ser, que ésta calamidade foi a que exterminou os famosos “Dinossáurios”, provocando unha das maiores extinçóns de vida acontecida no Planeta Terra. Mas, sobretudo, há que ter em conta, que estes processos, non se dessarrolhan instantaneamênte, senón que transcorren prolongadamente durante muitos milénios, mas que também é verdade que podém aparecer inesperadamente.
léria cultural
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QUE NADA SE SABE (28)
O mesmo mostrará o globo de vidro construido com admirábel inxénio polo ilustre Arquímedes de Siracusa. Nel, todas as esferas e planetas se movían, e eran vistos, da mesma maneira que na máquina da realidade, accionando-os todos simetricamente ó soprar através de certos canudos e conductos. Se alguém quixéra conhecer como se produce isto, ¿acaso sería necessário compreender perfeitamente a maquinária na sua totalidade, e nas suas partes, até na mais pequena, xunto com as funçóns de cada unha? Outro tanto há que pensar respeito deste nosso universo, pois ¿que encontrarás nél que non mova e non sexa movido, non câmbie e non sexa mudado, que non sufra unha déstas duas cousas ou ambas? Agora bem; quanto mais superem em número as cousas que no universo real existem e sucedem, ás que há no globo do Siracusano, tanto mais difícil é abarcar aquél na sua totalidade que este, e sem embargo non é menos necessário abarcá-lo a quem queira conhece-lo. Mira onde chegamos. Na realidade non existe (ou non existiría, caso de que puidera dar-se) mais que unha só ciência – non muitas – pola qual se conheceríam todas as cousas perfeitamente, dado que non se pode chegar a conhecer com perfeiçón unha délas sem todas as demais. As ciências que temos som vaidades, rapsódias, fragmentos de observaçóns, poucas e mal feitas, o resto som fantasías, invençóns, ficçóns, opinións. Polo que, non sem razón, decía “Aquel” que a sabedoría dos homes é necedade ante Deus.
francisco sánchez
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