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HANS-GEORG GADAMER (VIDA LONGA EM TEMPOS TERRÍVEIS)

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               Hans-Georg Gadamer nasceu a 11 de Febreiro de 1900.  Um biógrafo minucioso sublinha que fazía exactamente 250 anos nesse día  morrera Descartes, cuxa proposta, fundadora da Modernidade em filosofía, ia terminar a sua fase de vitalidade às máns da crítica deste recêm-chegado ao mundo.  Embora a cidade em que Gadamer nasceu tenha sido Marburgo – e que foi capital na sua formaçón universitária – , foi Breslau o lugar que marcou a sua infância.  O pai de Gadamer era investigador em química para aplicaçóns farmacêuticas, de modo que peregrinaba, com unha certa frequência, de universidade em universidade.  A infância non foi feliz o irmán mais velho sofría de epilépsia crónica, e, a longo prazo, teve um papel culpabilizante na vida do seu brilhante irmán mais novo; a nái morreu cedo, debilitada por partos malsucedidos e abortos; unha madrasta, desde os seus seis anos, non despertou no rapaz ecos afectivos especiais.  Hans-Georg esteve, em boa medida, encarregado do irmán doente, Willi, até que o pai decidiu o seu internamento num sanatório (dentro do qual, xá muito sozinho, sobreviveu até às penúrias do final da guerra, ou sexa, aínda perto de 30 anos).  O pai era muito autoritário e foi vendo com progressiva desaprobaçón como o filho se inclinaba para os estudos literários, que ele qualificaba como palabreado.  Non se trataba de unha opinión de pouco peso, vindo daquele entusiasta partidário de Bismarck que chegou a ser reitor da muito prestixiosa Universidade de Marburgo (que xá o era, por exemplo, quando o seu filho Hans-Georg aí se doutorou).  Apenas mais adiante pôde Gadamer pensar meio a sério que a sua vaga predisposiçón relixiosa (que se saiba, nunca actualizada nunha fé concreta ou na pertença real a unha igrexa, embora tenha sido baptizado e confirmado no cristianismo luterano) era herança da nái que non conheceu.  No que respeita aos deveres militares, que xá teriam podido alcançá-lo na Primeira Guerra Mundial, o xovem Gadamer viu-se dispensado por problemas de saúde.  Além disso,  sentiu fortemente, à volta do final daquela desgraça, a atraçón do círculo neorromântico do poeta esotérico Stefan George que definitivamente o afastou de algunha veleidade de proximidades ao nacionalismo paterno untraconservador.  Foi precisamente em 1918 que Gadamer se matriculou em filosofía alemán na Universidade de Breslau.  Acidentalmente, quando os seus professores o decepcionabam nésta matéria, assistiu a aulas sobre orientalística e filosofía.  Acabou por se deixar deslumbrar pela forma de neokantismo que em Breslau era fomentada pelo notábel escritor Richard Hönigswald (de orixem xudáica e, por sinal, condenado fulminantemente pelo relatório do reitor Heidegger, em Junho de 1933, ao ostracismo universitário).

miguel garcía-baró

¡ÁI AMIGOS, QUEM ME DERA, VIVER NO TEMPO PASSADO!

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                                    fado

               O vocábulo, é um substantivo masculino, do latím “fatum”, a mesma palabra que deu orixem a “Fada”.  Sinónimo de destino, sina, sorte, fortuna ou fatalidade.  O destino estabelece a ordem natural do universo, unha forza humanamente insuperábel.  É importante perceber este significado, para se entender esta cançón portuguesa.  Eu, dada a minha tendência para unha  heterodóxia, xá conxénita em mím.  Atrevido, como todos os ignorantes, teimo em suspeitar que este xénero musical, vêm de lonxe. Que vêm do “cérne” colectivo, da alma antérga de um povo de “trovadores” e de “bardos”.  “Na sua forma habitual é cantado por unha voz – a voz fadista – ; mas também pode ser cantado por mais vozes e “à porfía”, o que caracteriza o diálogo das desgarradas.  É acompanhado normalmente por guitarra portuguesa e viola de fado, podendo-o ser também por outros instrumentos como baixo, contrabaixo, piano, violoncelo, violino e até mesmo por orquestra.  Quanto à indumentária, a mulher fadista enverga ós ombros um “xaile” sobre um elegante vestido, enquanto o home traxa de fato.  Musicalmente, o fado assenta nunha estructura rítmica baseada em compassos de divisón binária.  A base harmónica é efectuada pela viola, utilizando os bordóns como acompanhamento de baixo na tónica e na quinta alternadamente, usando as restantes cordas como suporte harmónico. A guitarra portuguesa embora participe na harmonia tem um papel mais melódico de contra-canto, acompanhando a voz ou alternando com esta.  A voz, embora ritmicamente estexa suxeita ao suporte rítmico, tende a libertar-se, expandindo-se, por vezes libremente, com ênfase.  Os fados terminam na sua maioría em cadência perfeita, havendo algunhas excepçóns no Fado Menor que finaliza em suspensón.  A base rítmica e melódica do fado tradicional assenta na trindade do “Fado Menor”, “Fado Corrido” e “Fado Mouraria”.  O Fado Menor é triste e melancólico e tem unha toada lenta em xeito de balada, sendo um dos mais interpretados.  Apesar de ser composto em tons menores, diz-se ser o “maior dos fados”.  O Fado Corrido caracteriza-se por ser alegre, dançábel, ter um andamento rápido e ser composto em tom maior.  O Fado Mouraria é saudoso, cuxa composiçón também é em tom maior com um ritmo moderado.  Apartir de 1930, aparece o fado cançón, que se distingue por ter refrán, afastando-se da sua xénese e aproximando-se de outras músicas populares mais comerciais.  O fado tem a particularidade de poder ser cantado com poemas diferentes na mesma música e de ser cantado de forma diferente com o mesmo poema.  Fado é também o nome comúm atribuído à própria cançón, cuxos temas abordados non diferem muito dos orixinais: a saudade e o destino, o amor e o ciúme, a tristeza e o sofrimento, a traxédia e a desgraça, mas também pode ser irónico e divertido, tecendo críticas políticas e sociais.  Em suma, a poesia fadista reflecte as venturas e desventuras da história e do quotidiano do povo português.  Para além de Amália Rodrigues e Alfredo Marceneiro, as figuras de maior relevo son actualmente: Carlos do Carmo, Camané, Mariza e Ana Moura.  Habendo unha predisposiçón natural e um gosto especial por este xénero nas novas vozes que ván surxindo todos os anos.” 

Ái amigos, quem me dera,

Viver no tempo passado.

Em que a Maria Severa,

Era a rainha do Fado.

fado portugal

HUSSERL (A IDEIA DA FILOSOFÍA)

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               E agora, a “ideia da filosofía” (e até nos abstemos do respeito ou talvez do receio que o mero som desta palabra, puro grego, nos suscita à partida: xá disse, esqueçamos, por favor, tudo o que sabemos de filosofía – até o seu nome e o sabor do seu nome).  “A vida non se pode viver sem exame; non devo simplesmente ser o filho de meu pai; necessito acima de tudo verdade e bem, verdade sobre o bem; tería de me responsabilizar com absolucta radicalidade por cada unha das teses que, por admití-las, me fazem viver como vivo”. Mas é que além do mais a sociedade devería organizar-se com cidadáns que participem destes mesmos ideais e non como sempre parece ter sido.  Um filósofo pouco posterior a Husserl e que o apreciaba, mas que também escrevía muito bem e era poeta, espelhou esta situaçón global do ser humano em termos extraordinariamente úteis.  Gabriel Marcel, com efeito, tornaba explícita a diferença entre a filosofía e o que aínda non o é – embora se lhe pareça – propondo que mantenhamos bem separados os “problemas” dos “mistérios”.  Um “problema” é, como diz com precisón a palabra (puro grego também) um “obstáculo”.  A imaxem quase inevitábel da nossa vida é a de um traxecto, o mais recto possíbel, mas que costuma cruzar-se com escolhos, e tem entón de inventar algo para ultrapassar estes “problemas”: contorna-os, salta por cima deles, bombardeia-os…  E a vida passa, só que agora armazena um saber novo no seu repertório: tal problema soluciona-se desta ou daquela maneira.  Este prosseguir da vida na sua traxectória é encontrar no campo do “mundo” ou no oceano da “realidade” unha facilidade, um espaço aberto (que em grego se diz “poro”).  Mas também non se pode duvidar – outra certeza básica, pois entón – que há ocasións especialmente prementes ou aflictivas (passamos ao latim: “estreitas”), isto é, sem espaço para se sair, atravessando-as, contornando-as ou bombardeando-as.  Estes xá non son problemas, antes literalmente, “aporías”.  Como se fôssemos de cabeza contra a parede, sem poder deter o ímpeto da vida.  Parece que vamos morrer esmagados por esse obstáculo xigantesco.  Se calhar, damos voltas sobre nós próprios a fím de adiar em ván o choque.  Por sinal, Sócrates atribuiu a orixem vital da filosofía non a nenhuma “curiosidade” saudábel ou doentia, mas a um âmago de angústia, e na tentativa de os solucionar reside o princípio das ciências e das técnicas, primas da filosofía.

miguel garcía-baró

A GALLEIRA DE MAELOC

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                     A GALLEIRA DE MAELOC

                Alá, polos meiados do século quinto da nossa era, as hordas de bárbaros xermánicos, invadiron as terras do sul da ilha de Gran-Betranha.  E os Celtas Bretóns, viron-se na necessidade de buscar unha nova terra.  Muitos deriváron cara à Armórica (Gália), e os outros vinhéron estabelecer-se na costa septentrional da Galleira.  Trouxeron tudo o que podiam portar, gando, maneiras de viver, mas sobre todas as cousas a sua música.  Comandados pelo Druída Maeloc, aquí, nestas verdes terras, talmente as suas, atoparon o fogar de unha nova pátria, e nela permanecem xá para sempre.

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                              mensaxem

Vinde à terra do vinho, deuses novos!

Vinde, porque é de mosto

O sorriso dos deuses e dos povos

Quando a verdade lhes deslumbra o rosto.

 

Houve Olimpos onde houve mar e montes.

Onde a flor da amargura deu perfume.

Onde a concha da mao tirou das fontes

Uma frescura que sabia a lume.

 

Vinde, amados senhores da juventude!

Tendes aqui o louro da virtude,

A oliveira da paz e o lírio agreste…

 

E carvalhos, e velhos castanheiros,

A cuja sombra um dormitar celeste

Pode tomar os sonhos verdadeiros.

 

miguel torga

LEIBNIZ (ARTICULAR MATEMÁTICA COM DIREITO)

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               A reflexón levada a cabo no pequeno bosque de Rosenthal confrontou Leibniz com a realidade: tinha de aprofundar o estudo da matemática, que, como vimos, non era o forte da Universidade de Leipzig.  Por este motivo, durante o semestre de verán de 1663 pede transferência para a Universidade de Jena, onde dava aulas Erhardt Weigel, um matemático de renome, além de filósofo moral e do direito, que tentava dar resposta às contradiçóns dos escolásticos com demonstraçóns matemáticas nas suas aulas.  Weigel teve unha grande influência em Leibniz também com os seus escritos, nos quais, baseando-se no método demonstractivo de Euclides, empreendia unha reforma da filosofía e da ciência, propondo a reconciliaçón entre Aristóteles e os modernos como Bacon, Hobbes e Gassendi, sob a ideia de unha “scientia generalis (ciência xeral); é preciso destacar aqui que Weigel só se permitia fazer alguns comentários críticos sobre Descartes nas suas aulas, xá que este estaba proscrito das universidades alemáns – sobretudo das faculdades de teoloxía, tanto católicas como protestantes -, pelo que nenhum professor ousaba defender as ideias cartesianas em público sob pena de ser expulso da sua cátedra.  Isto fez com que surxissem sociedades mais ou menos secretas onde se podía discutir com liberdade as ideias filosóficas; era este o caso da Societas quaerentium, presidida por Weigel em Jena, que reunía semanalmente estudantes e professores.  A partir deste momento, Leibniz aprende a frequentar este tipo de associaçóns, nas quais era possíbel trocar verdadeiramente o saber, unha actividade que repetiria nas diversas cidades europeias que visitou ao longo da sua vida.

concha roldán

“SOPLÓN” E “GORRÓN”

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               A um artista que comezaba a ser famoso e que, por frequentar o “Molino Rojo” do Paralelo, acreditaba estár destinado à gloria de Toulouse Lautrec, aínda lhe adeudo cem pesetas; vinte machacantes do ano 60, que xa nunca poderéi devolver, porque non recordo nem o seu nome.   Ós anarquistas do Paralelo debo-lhes um sentido da vida, dívida mais impagadeira todavía.  E áqueles polícias chulangáns e corrompidos, debo-lhes a “manta de hostias” que me arrearom, quando descubriron que era amigo de anarquistas, e que andaba de “soplón”: de “gorra” e de “soplón”!  Ir de “gorra” era o de menos, porque tampouco eles pagabam e tinham “barra libre” em todos os “tugúrios” e todos os “garitos”, mas descubrir que era um “cantarra” sentou-lhes muito mal.  E moeron-me a paulazos, e graças que non me detiverom por “comunista”, que houbera sido pior.  No fundo, foi um detalhazo.  A vinganza, nunca me pareceu um sentimento nobre; mas a tunda foi tal que, quando descubrim que ó Mellado lhe tinham pegado um “sifilazo” incurábel, me alegrei de todo corazón.  As putas do Barrio Chino, pagadas por algúm mafioso cansado de extorsóns e “mordidas”, tinham-se confabulado para perder ó Mellado.  E encargarom à mais podre de todas, a “Veneno”, assí se chamaba, para que lhe pega-se o mal.  Quando o Mellado estaba borracho xa non miraba com quem se encamaba.  E, algunha vez a punta de pistola, tinha votado da cama dunha puta a outro cliente, que xa tinha pagado o “serviço”.  O Mellado, era um “poli” de “película”; chulería pura e matonismo legalizado: um autêntico “rei da noite” e “capitán de bandoleros”.  Com tanto desarranxo, raro que o mal non o houbera colhido antes,  Ao descubrir a infecçón, quixo matar a Veneno, dum tiro no conho; mas, para entón a Veneno, consciente das consequências do encargo cumprido, xa se tinha esfumado.  Entón, o Mellado quixo liquidar a todas as putas que tinha “traxinado”; e as outras tamém.  Non tivo tempo!  A Sífilis foi maligna e instantânea!  Enseguida tiveron que levá-lo ó hospital, secçón de incurábeis.  O mal foi, que xá vinha incubando fai tempo.  Enterrado com grandes honras, e feitas as loas fúnebres pelo mesmo xefe superior da polícia. 

javier villán e david ouro

HEGEL (UNHA SALGALHADA)

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               Um importante filósofo espanhol explicaba, com algunha ironia, o seu desconcerto quando, no início de uns estudos de filosofía tán brilhantes como iconoclastas, decidiu ler xuntamente com um companheiro a obra mais conhecida de Hegel, a Fenomenoloxía do Espírito.  Despois de algunhas horas de luta com a primeira páxina, tiveram de pedir axuda, xá non devido à dificuldade para seguir a argumentaçón, mas, sobretudo, para saber sobre o que o autor estaba a falar messas primeiras linhas da sua obra.  Hegel é certamente difícil, e o seu estilo, sem dúvida, pouco cartesiano.  No entanto, a maior dificuldade, quando lidamos com ele – e non apenas quando nos iniciamos na sua leitura – é unha inevitábel cisón interna.  Non se pode ler Hegel de unha maneira distanciada ou fría, como quem simplesmente desexa saber o que diz um autor, retardando até lá o xuízo sobre ele.  Sem unha disposiçón favorábel e, atrever-me-ia a dizer, entusiasta, os textos de Hegel (sobretudo o texto central chamado Ciência da Lóxica) son, na minha opinión, literalmente impossíveis de suportar.  Mas, ao mesmo tempo, a leitura vê-se constantemente perturbada por unha sombra de suspeita sobre a lexitimidade non apenas de algunhas das proposiçóns que o autor vai avançando, mas sobretudo do tortuoso caminho que nos conduz até elas.  No primeiro capítulo deste pequeno libro veremos que, nesta disposiçón ambivalente, a desconfianza acaba muitas vezes por se impor, de tal forma que alguns dos mais ilustres leitores de Hegel tornaram-se nos seus mais acérrimos críticos

víctor gómez PIN

A TEORÍA DA REALIDADE SIMULADA (F15)

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               Assím pois, que sistema se axusta melhor à realidade, o ptolemaico ou o copernicano?  Ainda que é bastante habitual que se diga que Copérnico demonstrou que Ptolomeo estaba enganado, isso non é verdade.  Tal como no caso da nossa visón e na dos peixinhos do aquário redondeado, podemos utilizar ambas visóns como modelo do universo, xá que as nossas observaçóns do firmamento podem ser explicadas, tanto se supomos que a Terra ou o Sol están em repouso.  Apesar, do seu papel nos debates filosóficos sobre a natureza do nosso universo, a ventaxa real do sistema copernicano é simplesmente que as equaçóns de movimento som muito mais simples, no sistema de referência em que o Sol está em repouso.  Um tipo diferente de realidade alternativa se presenta no filme de ciência ficçón “Matrix”, na que a espécie humana vive sem sabê-lo nunha realidade virtual criada por ordenadores intelixentes para manter-nos satisfeitos e em paz, mentras os ordenadores sorbem a sua enerxía bioeléctrica (sexa isso, o que sexa).  Mas talvés non sexa tán descabezado, porque muita xente prefere passar o seu tempo na “realidade simulada” de páxinas “Web” como “Second Life”.

stephen hawking y leonard mlodinow

XÓNIA (CIDADES DE MARINHEIROS)

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               Entre as formas de organizaçón das sociedades humanas, desempenharam um papel muito singular as hoxe chamadas cidades estado.  Nos nossos dias, algunhas delas têm um peso no sistema económico mundial e, como é bem sabido, em Itália foram matriz desse explendor científico, filosófico, técnico e artístico que evoca paradigmaticamente o nome de Florença.  Unha cidade-estado pode, como Veneza, ser o centro de um poder militar e político, em cuxo caso, de algunha maneira, é capital de um império, mas pode simplesmente estar libre de submissón a qualquer poder alheio, vinculando-se comercial e culturalmente a outras cidades e, inclusive, a poderes imperiais mais ou menos afastados.  A proximidade do mar obviamente facilita esse tipo de laços relativamente libres.  A rexión actualmente turca da Anatólia (Anatole em grego) foi, ao longo da história, lugar non apenas de instalaçón de múltiplas comunidades (árabes, xudeus, turcos, arménios…), mas também de ocupaçón militar por parte de impérios, desde o de Troia até ao octomano, passando pelo bizantino.  Mas, no século VI a. C., a zona sul occidental, as marxens e as ilhas desse brazo do Mediterrâneo que é o mar Exeu estavam salpicadas de pequenas cidades que constituíam poderes autónomos, configurados de forma republicana ou tirânica, por  vezes coligadas entre sí.  Mercaderes e marinheiros eram grupos sociais predominantes e a colaboraçón entre ambos fazia com que a rexión fosse o núcleo de um rico comércio com Grécia, a Itália meridional ou as populaçóns do sul do que sería hoxe a França, mas também com o Exípto e a Fenícia.  A parte central da costa, xunto às ilhas adxacentes, era designada como Xónia, por, desde finais da idade de Bronze, aí se terem instalado as tribos xónicas (aqueus expulsos da Acaia, no centro do Peloponeso), que falavam unha variedade dialectál do grego.  Unha das doze cidades que chegarom a coligar-se formando a chamada Liga Xónica era Mileto, na desembocadura do rio Meandro, vizinha de Éfeso, a Norte, e com a ilha de Samos equidistante entre ambas.  As cidades foram-se constituindo na chamada época arcaica a partir de pequenas populaçóns, num processo denominado “synoikismos”, isto é, comunidade de casas, “oikos” em grego.  A liga é, por sua vez, um processo comunitário chamado “koinon”, o mesmo termo (como veremos) usado por Heráclito para designar o discorrer normal, isto é, conforme àquilo a que ele chamaba “razón comum”.

víctor  gómez pin

A EXCEPCIONAL DISCOGRAFÍA

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          UM IMENSO SENTIDO DE LIBERDADE

               Há um pequeno filme com Maria Joao Pires (MJP), numa das páxinas do blogue do crítico britânico Norman Lebrecht. Son cinco minutos de conversa entre a pianista, “em vésperas” do seu afastamento dos palcos, e um xovem músico, em início de carreira. “Importante”, diz MJP, é a libertaçón de tudo o mais, “de todas as preocupaçóns e do ego”, antes de o processo criativo entrar em cena, porque é esse processo que importa, é a música, o respeito pelo compositor, a noçón de que “o compositor está lá, na obra em causa”. “É um processo ao longo da vida”, em que se aprende a non se importar com mais nada, um processo em que tudo e todos están envolvidos, que esixe atençón, concentraçón, amor polas pessoas. É o “mais difícil”, sobretudo em palco, mas também fora dele, porque cada artista, cada músico tem de se libertar do que non é essencial, para viver esse “processo criativo”.  Toda a carreira de MJP o testemunha. Há a concentraçón da pianista, sempre, sobre o essencial, sexa nos anos das grandes digressóns internacionais, ou na mais recente dedicaçón ao ensino.  E há a sua discografía como testemunha de (pelo menos unha parte) desse processo, das gravaçóns iniciais para a xaponesa Denon, aos Concertos de Beethoven, surxidos há poucos anos na independente Onyx Classics.

maria augusta gonçalves

RORTY (DO PLATONISMO AO HISTORICISMO)

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               Quando Rorty começou a considerar a ideia de se dedicar à filosofía, por volta de 1945, non foi por ter vivido algunha experiência crucial.  Foi rudo resultado de um processo gradual marcado pela desorientaçón.  Nasceu a 4 de outubro de 1931 em Nova Iorque, no seio de unha família de activistas políticos e intelectuais.  O pai, James Rorty, filho de um imigrante irlandês e de unha professora primária, foi escritor, poeta e xornalista; dirixíu a revista ilustrada de ideoloxía socialista The Masses, que foi levada a tribunal por se opor ao alistamento militar; e, em 1934, publicou Our Master’s Voice, unha análise do negócio da publicidade.  Em 1926, James Rorty deu a conhecer a colecçón de poemas Children of the Sun, que pela sua elaboraçón e liberdade surpreendeu os críticos, que non esperavam esse tipo de poesía de um militante político.  A nai de Rorty, Winifred Rauschenbusch, licenciou-se em socioloxía na Universidade de Chicago, onde teve aulas com o célebre e muito influente psicólogo social George Herbert Mead.  Era filha do teólogo Walter Rauschenbusch (1861-1918), figura de grande destaque do chamado Evangelho Social, um movimento progressista que surxíu em 1870 quando muitos protestantes liberais abandonaram o fundamentalismo bíblico e abrazaram ideais socialistas e modernizadores.  A nai de Rorty herdou esta consciência social e escreveu sobre problemas raciais, sobre o seu professor Robert Park (professor de socioloxía urbana de Chicago) e sobre Jane Addams, a grande socióloga e reformadora que em 1889 fundou a Hull House, um centro de acolhimento e formaçón para mulheres.  Unha tía-avó de Rorty tinha escrito um estudo sobre a escritora Mary Wollstonecraft, pioneira na defesa dos direitos das mulheres, pelo que, de certa forma, o feminismo também circulou pela família.  As suas duas tías tiveram vida política,unha como presidente de um centro de estudos artísticos progressistas e a outra como assessora da administraçón Roosevelt.  O ambiente na casa de Rorty durante os seus anos de formaçón foi sempre marcado pola política.  O pai tinha dirixido unha liga de grupos profissionais que apoiava candidatos comunistas, mas em 1932 cortou relaçóns com o Partido Comunista Americano. Três anos depois, o Daily Worker rotulou-o de trotskista e publicou unha caricatura sua em que surxe como unha foca amestrada pelo magnate do xornalismo William Randolph Hearst.  À medida que a família se foi distanciando do comunismo, começou a circular pela casa muito mais propaganda e xornais do Partido Socialista, do Partido Socialista do Trabalho e do Partido Socialista dos Trabalhadores, que o xovem Rorty também lia (PRA).  Aos sete anos, em 1938, Bucko (assim era chamado o pequeno Rorty) distribuiu sanduíches durante unha festa de Halloween.  Entre os convidados estavam o anarcossindicalista italiano Carlo Tresca (baleado anos despois nas ruas de Nova Iorque) e o xornalista Whittaker Chambers (que acabava de cortar relaçóns com o Partido Comunista e temía ser assassinado por Estaline); também assistiram John Dewey, o lendário filósofo, o seu discípulo Sidney Hook, o crítico literário Lionel Trilling e a escritora Suzanne La Follete.  Pela casa de Rorty também desfilaram políticos que tinham participado na Revolucçón Russa e fuxido para os Estados Unidos, como Jacob B. Hardman,  de orixem russa, que dirixíu a federaçón xudía do Partido Socialista da América do Norte e coordenou a área educativa de um sindicato (o Sindicato Geral de Trabalhadores Têxteis) com quêm os pais de Rorty trabalharam, que contava com muitos afiliados polacos.  Quando Trotsky foi assassinado em 1940, um dos seus secretários, John Frank, escondeu-se durante uns meses sob um nome falso na casa de campo dos Rorty.  Pelo facto de ter brincado ao colo de muitos antiestalinistas do círculo de Nova Iorque, non é de admirar que os visse como os bons da fita.

ramón del castillo

AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (77)

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               Os ademáns e ceremónias que acompanham às oraçóns, forom tomadas do paganismo e do budismo.  O Pater:  “Eu vos rogo e glorifico a vossa grandeza, Senhor dos Senhores, rei elevado sobre todos os réis;  Criador que dais às criaturas o sustento necessário de cada día.  Deus grande e forte, que sois desde o princípio; Deus misericordioso, liberal, cheio de caridade, que nutrídes, manténdes e conservais;  que o vosso reino permaneza sem câmbio.  Arrependo-me dos meus pecados; renuncío a todo mal pensamento, a toda mala palabra, a toda mala acçón”.   Confessón:  “Arrependo-me dos meus pecados, renuncío a eles;  renuncío a todo mal pensamento, palabra mala, e mala acçón.  Fago ésta confessón diante de vós, que sois puros.  ¡Oh Deus, tende piedade do meu corpo, da minha alma, neste mundo e no outro.”   Credo:  “¡Oh Deus, Xuíz grande, excelente, arrependo-me dos meus pecados; Acredito em Deus e na sua lei;  Acredito que a minha alma subirá ó Céu;  que o inferno se colmará à resurreiçón; que os demónios de Ahrimam serán aniquilados.”   Foron tomadas do mazdeísmo, e éstas à sua véz das doutrinas Védicas.  Continuando vivo o Olimpo pagán, non quedou mais remédio que reconhecer a existência de Deuses e Deusas, e de introducí-los no panteón Cristán.  Non obstânte, foron recibidos segundo os seus atributos, e a sua natureza, e também o seu carácter e destino diferente.  Uns, como Xúpiter, Marte, Xano, Diana, Neptuno, Minerva e Mercurio, foron qualificados de demónios, e mandados ó inferno.  Outros, considerados como benfeitores forom chamados Santos, e albergados no Céu.  No Século VII Santo Eloy, nunha instrucçón pastoral, anatematiza a invocaçón ós demónios como:  Neptuno, Diana, Minerva e ós Xénios.  Prohibe às mulheres, levar ó pescozo saquinhos, e invocar a Minerva e outros Spíritos malos.  No Século VI,  Santo Cray converssaba com o xénio das montanhas, e também com o das áugas, a quêm exorcizaba como a demónios.   Gregório de Tours, fai que Clotilde pergunte a Clóvis, a quêm ela quer convertir  ¿Que poidéron fazer Marte e Mercúrio?, pois o seu poder era mais unha arte máxica que um poder Divino.

manuel calviño souto

MONTAIGNE (O COXEAR DA RAZÓN)

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               Entre 1548 e 1550, Montaigne estuda direito na Universidade de Toulouse (muito provavelmente) e, depois, de 1551 a 1554, continua em París os cursos de literatura grega e latina, ensinados por Adrianus Turnebus (vraimentgermain para Justo Lípsio, “o homem mais douto que resta”).  Também assiste às licçóns de direito de Jean de Coras, professor da Boétie e xuíz no famoso processo Martín Guerre, um dos mais conhecidos e debatidos da segunda metade do século XVI (1560), ao qual Montaigne recorda ter assistido nos primeiros anos da xuventude, segundo atesta no capítulo Dos Coxos (III, 11).  Tratava-se de um processo por roubo de identidade, onde um tal de Arnauld du Tilh se fez passar, durante um longo período de tempo, por Martín Guerre, que tinha fuxido da sua povoaçón após ter sido acusado de ser um ladrón.  Tratou-se de unha espectacular diatribe xudicial com testemunhos declarados a favor de um ou do outro no meio de unha onda de emoçón colectiva.  O último acto da traxédia representada por Arnauld (o falso, embora num primeiro momento tenha sido reconhecido como o autêntico por toda a comunidade) e Martín (o verdadeiro), estava cheio de estranhezas e “prodíxios”.  Entre eles, destáca-se a memória hipertrófica de Arnauld (o pseudo-Martinus) que, durante o interrogatório, se lembra de todo o passado de Martín (a tal ponto que evoca o espectro da maxía: unha memória como aquela tinha de ser fruto de unha arte diabólica), enquanto o “verdadeiro” Martín parecia non se lembrar totalmente da sua história pessoal, de modo que, nas suas respostas no xulgamento, se esconde, frequentemente, atrás de um raivoso “non me lembro” ou um “non sei”.  O que desconcerta Montaigne non é a condenaçón da impostura, mas antes o facto de esta ser “tán maravilhosa”, tán cheia de “prodíxios”.  As acusaçóns enumeradas na sentença iam da “falsidade”, “substituiçón do nome e da pessoa”, ao “adultério”, “sequestro”, “sacriléxio”, “pláxio” e “roubo”.  As abundantes notas de Jean de Coras dán unha ideia precisa da desconcertante “estranheza da impostura monstruosa”, concebida a partir da surpreendente semelhanza física entre Arnauld e Martín, e também da desorientaçón da Corte perante a insistência na mentira (Du Tilh “mostra-se mais obstinado do que nunca”), para non falar da prodixiosa memória da qual se vangloriava o falso Martín, um duplo talvez mais perfeito do que o autêntico.  A referência da “sentença” ao efeito de maxía cumpre-se através de tal lonxitude de onda: “Fortis imaginatio generat casum” (unha forte imaxinaçón cría o caso).  Quem melhor do que Montaigne podía sabê-lo?  O tribunal encontrava-se “nunha grande perplexidade”.  Du Tilh nunca confessará o que os xuízes queriam ouvir (o exercício da arte máxica).  Enquanto a sentença faz apenas alusón à circunstância de que o “Martín que regressa”  tem unha perna de madeira, ou sexa, é coxo.  Du Tilh é condenado à fogueira: “enforcado e depois queimado”, com unha suposta “clareza luminosa”.  Coras e o Tribunal, em vez de dizerem “non percebo nada”, de acordo com o pesado dogmatismo da certeza, actitude intelectual e máscara do “coxear”, percebem tudo, “id est” “absolutamente nada”.  O Tribunal devería ter admitido a sua absolucta incerteza, declarar-se impotente e adiar a sentença.  No entanto, a razón dos xuízes, débil e coxa como qualquer razón humana, dita a condenaçón à morte.  E Montaigne servir-se-á deste caso emblemático no mesmo capítulo (III, 11), xustamente para condenar a pena de morte:  “Para matar as pessoas é necessária unha clareza luminosa e nítida como a luz do meio-día.  Unha clareza que a razón débil, coxa por excelência, non possui.

nicola panichi

INÉS

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No mar tanta tormenta e tanto dano,

Tantas vezes a morte apercibida;

Na terra tanta guerra, tanto engano,

Tanta necessidade aborrecida!

Onde pode acolher-se um fraco humano,

Onde terá segura a curta vida,

Que nao se arme e indigne o Céu sereno

Contra um bicho da terra tao pequeno?

 

Tu, só tu, puro Amor, com força crua,

Que os coraçoes humanos tanto obriga,

Deste causa à molesta morte sua,

Como se fora pérfida inimiga.

Se dizem, fero Amor, que a sede tua

Nem co lágrimas tristes se mitiga,

É porque queres, áspero e tirano,

Tuas aras banhar em sangre humano.

 

Estavas, linda Inés, posta em sossego

De teus anos colhendo doce fruto,

Naquele engano da alma, ledo e cego,

Que a Fortuna nao deixa durar muito,

Nos saudosos campos do Mondego,

De teus fermosos olhos nunca enxuto,

Aos montes ensinando e às ervinhas

O nome que no peito escrito tinhas.

 

Aconteceu da mísera e mesquinha

Que depois de morta foi Rainha.

 

luis de camoes

JOHN LOCKE (A VERDADE OBXECTIVA)

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               Se no início do século XXI, mais de trezentos anos após a sua morte, John Locke continua a ser um dos filósofos mais respeitados, non é por ter legado um sistema perfeito que continue a ser aceite total ou substancialmente. O papel que Locke atribuía à filosofía (non só à sua, mas também a toda a disciplina como campo de actividade humana) consistía em explicar e defender a verdade que, em seu entender, existia obxectivamente, para lá dos desexos e das inclinaçóns dos seres humanos, e que também se podia conhecer, pelo menos, em parte.  Poucos pensadores defendem hoxe unha concepçón tán firme da verdade e tán optimista do conhecimento e, destes poucos, aínda son menos os que acreditam que John Locke tenha atinxido por completo o seu obxectivo filosófico.  Os dois fundamentos sobre os quais assenta toda a sua doutrina, um Deus omnipotente e bondadoso e unha razón humana entendida como dom divino para chegar até ele, foram demasiado questionados nos três séculos de filosofía, desde Locke até aos dias de hoxe, para aceitarmos as suas ideias cegamente.  A crença em que essa verdade de tipo obxectivo, que o filósofo debe conhecer e mostrar aos seus semelhantes, possui um valor vinculativo e obrigatório acerca do modo como vivem os homens, choca frontalmente com alguns dos valores contemporâneos mais enraizados.  E, no entanto, o filósofo inglês, mantém-se como um pensador de referência.

sergi aguilar