Arquivo por autores: fontedopazo

¡¡QUE NADA SE SABE!! (50)

¿Non é isto o que se propón na fábula “Aquel”? Nela, a grulha invita a raposa a comer e oferece-lhe unha redoma de cristal, com embocadura estreita, cheia de gachas. A raposa, trás arrimar a lingua e o morro, intentando com inútil esforzo, comer algo do alimento que vía, proporcionou vinganza á grulha, que antes tinha sufrido um engano semelhante a cargo da mesma raposa. De maneira similar enganou o outro aos páxaros, com unhas uvas pintadas; ao abalanzar-se sobre elas com o bico para comêlas, estrelábam-se contra a tábua. O outro, à sua vez, enganou a este com um lenço tán primorossamente pintado que parecía verdadeiro: quando este, xá enchido de orgulho como se tivéra vencido, se acercou ansioso por ver a pintura e deitou mán à tábua para apartar o véu com o qual acreditava que estava coberta, bateu contra ela. É assim como a natureza nos apresenta as cousas, para que as conheçamos. E isto afirmava “Aquel” em outro lugar: o nosso entendimento está com a natureza das cousas, na mesma relaçón que o morcego com a luz do sol. Xulga das cousas, mediante imáxes. ¿Pode, em consequência, ser correcto o xuízo? Isso sería aceptábel se obtivéramos dos sentidos imáxes de todas as cousas que desexamos saber. Mas, polo contrário, non as temos das cousas mais importantes. Só as têmos dos acidentes, que -segundo afirman- nada aportam à essência da cousa, sendo assim que a verdadeira ciência resulta désta, mentras que aquéles som os mais viles de todos os entes, tudo o demais se há de vislumbrar a partir deles. Assim pois, as cousas que, por sensíbeis, som toscas, deleznábeis (trata-se dos acidentes e dos compostos), de um modo ou de outro nos som conhecidas. Em câmbio, as espirituais, subtís e elevadas (a saber, as cousas celestes e os princípios dos compostos) non as conhecemos de ningunha maneira. Non obstânte, estas últimas som, pola sua natureza, mais cognoscíbeis, posto que som mais perfeitas, de maior entidade e mais simples, que som os três factores que enxendram o conhecimento perfeito. Mas som menos cognoscíbeis para nós, porque estám mais alonxadas dos sentidos. Com efeito: som-nos mais conhecidas as que están mais perto dos sentidos, e non por outra razón, senon porque o nosso melhor conhecimento depende dos sentidos. Pola sua natureza, non obstânte, som minimamente cognoscíbeis, xá que som imperfeitíssimas, non som quase nada. Mas o ente é o obxecto, o suxeito e o princípio de todo conhecimento, e incluso de todos os actos e movimentos.

FRANCISCO SÁNCHEZ

O ILHA (6)

CONTOS DE UMA PRIMEIRA JUVENTUDE ENLUTADA

PREFÁCIO

Fui parar ao CNA mais por confusao que por outra coisa. Estava num excelente coléxio. Era uma quinta cheia de oliveiras; cheia de espaço; de campos; aberta; o limite era um pequeno muro que nao tinha um metro de altura, que separava da quinta vizinha, com pista de velocidade de atletismo e caixa de saltos; com o melhor ginásio de Portugal, onde ia -muitas vezes- treinar a equipa de voleibol do Técnico. Onde vi treinar a selecçao checoslovaca de voleibol quando veio a Portugal. Tinhamos excelentes professores. O coléxio procurava os melhores e pagava-lhes consoante o seu valor. O elenco de professores de ginástica assustava: Joaquim Grangé; Nuno Barros e Mário Begonha. Todos ex-atletas de alto nível. Non saia do ginásio. Pertencia à equipa de voleibol; pertencia ao grupo de ginástica de Mesa Alema -fui o membro mais jovem a pertencer ao grupo-, tínhamos técnicas de atletismo com o professor Mário Begonha. E foi neste colégio que tive por primeira vez notícias do CNA. Júlio César, meu colega e amigo, natural da Guiné-Bissau, estivera um ano interno no CNA. Saíra espavorido depois de um enfrentamento com um colega mais idoso. A mae veio para Lisboa e ele também. O refeitório era um espaço pulcro e a comida era boa. Os pavilhoes que albergavam as aulas eram espaçosos, novos e luminosos. Era um centro cuidado e tratado ao milimetro. O director do Liceu, naquela época, e depois, ao falecimento dos seus pais, foi uma figura muito influente no Ensino em Portugal. Faleceu repentinamente, há dois anos aproximadamente; chamava-se: Doutor Federico Valsassina; Matemático. Encontrava-me bem; gostava de ir ao colégio. Mas, a minha actividade física afogava a minha actividade tipicamente escolar; entao, a minha família, assessorou-se, maldita a hora, e foi aconselhada na direcçao de Tomar. A vantagem, disseram, residia no isolamento e portanto -forçosamente- teria maior concentraçáo no estudo… Em Tomar nao tive uma coisa, nem outra. Nao tive nada para além de amigos -mesmo que nunca mais os encontre- que estarao eternamente na minha memória e no meu coraçao.

JOSÉ LUÍS MONTERO

“AMIZADE” NO DICIONÁRIO FILOSÓFICO

Desde a antiguidade, fala-se do tempo da amizade: e desde entón sabemos que é muito pouco concorrido. Sabemos também que a amizade non se impón, tal como o amor e o apreço non se imponhem. “Ama o teu próximo” significa “dá-lhe” o teu apoio. Mas isto non quer dizer que usufruas do prazer da sua conversa se ela for aborrecida, nem que lhe confies os teus segredos se for linguarudo, nem que lhe emprestes dinheiro se for esbanjador. A “Amizade” é o casamento da alma, mas esse casamento está suxeito a divórcio. É um contracto tácito realizado entre duas pessoas sensíveis e virtuosas: digo “sensíveis”, porque um solitário pode non ser mau e viver sem conhecer a amizade; digo “virtuoso”, porque os perversos só têm cúmplices, os voluptuosos, companheiros de deboche, os comerciantes, associados, a xeneralidade dos homes ociosos, relaçóns superficiais, os príncipes, cortesáns; só os homes virtuosos tenhem amigos.

DO ARTIGO “AMIZADE” NO “DICIONÁRIO FILOSÓFICO”

PASSEIOS PARA UNHA TARDE DE SÁBADO (DE MONZÓN A VIANA)

Se o meu sangue nao me engana,

como engana a fantasia.

Habemos de ir a Viana,

ó meu amor de algum dia.

Um demorado passeio, agreste, através dos verdes campos das terras do Alto-Minho, a Galiza do lado dereito do rio. Vamos, recreando-nos na paisaxem, na toponímia tam familiar dos lugares. Até chegar aos arcos do val do rio Vez. Este é um velho caminho de muitas décadas atrás, agora xá tem outro nome o “Costa do Vez”, xá non se chama “O Grelo”, mas, continua sendo um dos melhores restaurantes para comer nestas terras.

Para começar, o melhor é quase sempre unha sopa de verduras.

A pescada, xá era pescada antes de ser pescada. Mas é um dos pratos que sempre senta bem no estômago.

Depois, para bons comedores, o prato estrela desta casa, o “Bacalhau à Lagareiro” com “Batatas à Murro”.

E “Abade de Priscos”. Ámem!

Jesus, meu Deus !!

O mundo está do revês!

Você, fala espanhol,

e nós falámos português!!!

Resultaba um caso curioso, e bastante habitual, que os empregados de mesa em Portugal, sempre che faláram em castelán. E, ainda que tu lhes fales em português, e que lhe pidas por favor, que entre nós sobra o castelán, resulta inútil, eles non podem evitá.lo! Ao princípio, poderíamos pensar que os portugueses mostram unha absolucta ignorância respeito aos asuntos dos seus vizinhos do lado. Ao ponto de confundir galegos com casteláns, e o “Galaico-Português” com a “Lusofônia”. Mas, logo, começei a desconfiar. ¿¿Será, que eles sentem vergonha de nós?? Razóns, non lhe faltam!! Reconheço, que o nosso comportamento, nunca foi exemplar! (Senón, vexamos a Manuel da Canle, que, durante as duas viáxes que fixo a Lisboa, acabou as duas no hospital. A última, no Hospital do Desterro, onde lhe mandarom dar um banho. Mas, o que realmente non sabem os Portugueses, é que, ao envergonhar-se dos galegos, están envergonhando-se de sí mesmos, da sua velha história, da civilizaçón do “Noroeste Atlântico”, que vem da idade do bronze, e sobre todas as cousas de unha fala em comum.

A IRMANDADE CIRCULAR COMUNAL

HEIDEGGER (A AVENTURA ONTOLÓXICA)

Aqui todo o edifício filosófico de “Ser e Tempo” desabaria se, por um momento, se pensasse que partimos metodoloxicamente do “home”, porque nesse caso se estaria a subentender um significado. Trata-se precisamente do contrário: na procura de um ente que tivesse unha relaçón com o ser (procurado, recordemos, como ponto de partida em prol do sentido do ser próprio da cousa), aproximar-se do humano, non no significado “home”, mas em “nós próprios”, ou sexa, num indiferênciado qualquer cuxo ser se caracteriza por ter unha relaçón com o ser, ou sexa, por compreender o ser. O que se está a realçar aqui é de unha importância metodolóxica muito relevante, porque, do mesmo modo que a investigaçón alterou profundamente noçóns como as de substância ou suxeito, non poderia deixar que agora entrassem pola porta de trás com outro nome; polo menos, non o poderá permitir antes de caracterizar em que consiste “ser-aí”, que ontoloxicamente é “anterior” ao significado “home” que, como tal, só interessará à antropoloxia ou à psicoloxia, mas non à ontoloxia. Mas, entón, esse referido “antes” non é mais do que a célebre “diferênça ontolóxica”, para a qual non há conceito nem significado, porque o que a caracteriza é simplesmente que “é-aí”. Ainda assim, non se pode esquecer que o obxectivo último da investigaçón se definiu como a procura do sentido do ser em xeral. Como, de qualquer forma, o ser só tem lugar como “ser-aí”, o primeiro obxectivo será encontrar o sentido do próprio “ser-aí”. Para orientar previamente o leitor, chegou o momento de dizer que Heidegger reconhecerá esse primeiro sentido como temporalidade, a partir da qual haberia de procurar o sentido do ser em xeral no tempo. Aqui começa a aventura ontolóxica.

ARTURO LEYTE

AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (118)

UM SONHO

Afirmando: ¡¡Cuidado, que non se saiba nada!! ¡¡Non digas nada!! ¡¡Disto non se dí nada!! Perguntei-lhe, se queria que rezá-se por ela? -Non dixo que sí, nem que non! Ao parecer, fixo um ademán com o rostro e com o corpo, logo despertei, eram as quatro e trinta e cinco da manhám do dia onze. Voltei a dormir até às oito da manhám, que me veio despertar o peixeiro de Mouriscados (Castanheira). Despois de tanto tempo sem sonhar com a minha difunta tia Maria, o dia sete de Xulho de 1942, sonhei que estaba eu em Matamá, colhendo ramos de cereixas, que estabam cargadinhas, encarnadas e belindas, que era unha maravilha. Acto seguido, vexo vir pola carretera unha mulher, com um saco às costas, eu non a conhecia, mas, ao chegar à Verea Velha, apartou cara a Matamá e vexo que entra dentro do monte (foi entón quando a conhecí). Ah! É a minha tia que foi à casa e non me encontrou. Despois, vinha pola Verea Velha abaixo e eu saín-lhe na Porteira, deu-me um anáco de pán, quase meia bróa. Adiante um pouco, caminho de Oliveira, vexo estar a Sra. María da Tesa sentada. -Eu dixem-lhe: vou buscar unhas poucas de cereixas. Fún com o pán na mán, pensando dá-lo a guardar, até que passei uns caminhos, que se me forom representando cada vez mais desconhecidos, onde vexo vir unha luz muito forte e, ouvia falar xente, que de primeira semelhabam conhecidas, dei meia volta para trás e fuxím! Logo, despertei, tinha muitas aspiraçóns de sentido, tal como pensar que as veigas xá non eram minhas. ¡¡Como non?? A cerdeira xá non existía!! Se fora escreber todos os pensamentos e visóns, que me deu este sonho, habería material para toda a noite, e para encher um libro enteiro. O dia oito, polas cinco da tarde, montou-se um barulho por culpa de unha galinha, entre a Guicha e a Pelitrona.

MANUEL CALVIÑO SOUTO

O CORPUS ARISTOTELICUM

LÓXICA

O Corpus poderia ser dividido em cinco grandes partes: “Lóxica” – Apesar de Aristóteles considerar que a lóxica non fazia parte da filosofia como tal, era um instrumento necessário para lhe acceder. Daí o nome de “Organon” (instrumento) polo qual se conhece o conxunto dos seus tratados de lóxica. O primeiro destes escritos é “Categorias”, onde Aristóteles estuda os elementos , mais simples da lóxica, os termos mediante os quais se formam as proposiçóns. Nele expón os dez modos de predicar que mais tarde identificar-se-iam com os modos do ser. Seguem-se “Sobre a Interpretaçón”, onde fala das proposiçóns e dos enunciados; os dous “Analíticos” (Primeiro e Segundo), que constituem o corpo central da lóxica aristotélica e onde se analisam, respectivamente, o siloxismo considerado de maneira formal (sem entrar no seu conteúdo) e as demonstraçóns científicas (siloxismos que, além de formalmente correctos, som verdadeiros, e, portanto, produzem ciência); os “Tópicos”, onde explica os recursos dialécticos para superar as dificuldades lóxicas, ao argumentar com premissas fundadas em opinións, e as “Refutaçóns Sofísticas”, onde se tratam as falácias lóxicas ou sofismas.

FÍSICA OU FILOSOFIA NATURAL

Sob o nome xeral de “Filosofia Natural” ou “Física” englobam-se os textos dedicados ao estudo da natureza (Physis). A esta ciência pertencem os oito libros da “Física” propriamente dita, na qual analisa a mudança ou o movimento. Também “Sobre o Céu”, que inclui a cosmoloxia aristotélica, e “Sobre a Xeraçón e a Corrupçón”, apesar de provavelmente corresponderem ao segundo período cronolóxico desta etapa; “Meteorolóxicos”, sobre os fenómenos do céu; “Sobre a Alma”, que é o tratado aristotélico sobre psicoloxia; “Parva Naturalia”, um conxunto de pequenos tratados sobre os sentidos, a memória, o sono ou a duraçón da vida, e unha lista de tratados sobre temas que hoxe incluiríamos na bioloxia: “História dos Animais”, “Partes dos Animais”, “Movimento dos Animais”, “Progressón dos Animais”, “Sobre a Geraçón dos Animais”.

P. RUIZ TRUJILLO

OU SEXA, QUE RACÍSTAS, RACISTAS, OS ALEMÁNS NON ERAM!

Muito de vez em quando, ademais de emigrantes chinesas, vinham nas expediçóns algunha negra ou mulata ou ainda algunha mestiza tirando a turca. Os demais turistas non tinham grandes dificuldades em aceitá-las bem, e nem lhe cuspíam nem as insultabam. Ou sexa, que racistas, o que se dí racistas, , os alemáns non eram. Estas singularidades migratórias eram trabalhadoras que cotizabam para o Estado alemán e que tinham ganho o dereito a unhas férias baixo o sol espanhol. A mim parecía-me que os seus acompanhantes lhes pagabam as férias e traíam-nas para trevelhar, pola sua rareza e exotismo, que rompía a monotonía quotidiana. Para gozar com as alemáns, salvo os matrimónios, xá as tinham no seu país a diário. Sair com unha mulata, unha negra ou unha chinêsa em Munich, por exemplo, non tería sido exemplar; mas em férias, as razas malditas som outra cousa. A mulata, a negra, a turca e a chinêsa ou xaponesa, tinham-se montado de parexa fixa. À turca, unha tarde que andaba eu como levantado, tirei-lhe os “tejos” e chamou-me “Zigeuner”, ou sexa, cigano. ¡¡”Coño”!!, dixem para mim, e dei marcha atrás. Vinha com um fabricante de chocolates, que a tinha muito vixiáda. Olho!, dixem para mim, tem cuidado, que esta gaxa é unha racista. E era turca. A mulata era delicadíssima e tán refinada de modais que, quando sonreía, a carnosidade dos seus labios africanos convertía-se em finíssima linha. Vinha com um saxofonista louro e barbudo, todo o dia bêbado e mais quando tocaba o saxofóne. Non sei quando satisfaría as necessidades sexuais da mulata, mas ésta mostrába-lhe unha fidelidade perruna; conducta exemplar de razas inferiores que non entendem as razas superiores, a aria sem ir mais lonxe. Somente por respeito a um alcohólico, polo menos mentras estaba aquí, ninguém tratou de seducir esta mulata: nem os colombianos, nem os “La Banda”, nem eu, nem o Villán, mais disposto para o exótico e obscuro que para aventuras normais.

JAVIER VILLÁN E DAVID OURO

JACQUES DERRIDA (A DESCONSTRUCÓN)

A DESCONSTRUÇÓN E AS ESTRUCTURAS POLÍTICO-INSTITUCIONAIS

Aquilo a que chamamos desconstruçón non é um conxunto técnico de procedimentos discursivos, constitui menos ainda as regras de um novo método hermenêutico que trabalharia em arquivos ou enunciados, ao abrigo de unha instituiçón dada e estável; constitui, mais exactamente, unha tomada de posiçón, no trabalho, com base nas estructuras político-institucionais que formam e regulam a nossa actividade e as nossas competências. Precisamente porque non diz respeito apenas aos conteúdos de sentido, a desconstruçón non pode ser apagada desta problemática político-institucional e requer unha nova proposta sobre a responsabilidade, unha proposta que non confia xá necessariamente nos códigos herdados do político e do ético. Isso faz com que possa parecer demasiado política para alguns, enquanto para aqueles que non reconhecem o político, a non ser com a axuda de painéis de sinalizaçón de antes da guerra, lhes aparece como demolidora. A desconstruçón non se limita nem a unha reforma metodolóxica sustentadora da organizaçón dada, nem inversamente a unha paródia de destruiçón irresponsável ou irresponsabilizante que teria como efeito mais seguro deixar tudo como está e consolidar as forças imobilistas da Universidade.

JACQUES DERRIDA, “A FILOSOFIA COMO INSTITUIÇÓN”, 1984.

O ILHA (5)

CONTOS DE UMA PRIMEIRA JUVENTUDE ENLUTADA

A MINHA HISTÓRIA CNA

O MOSTRENGO

Eram as festas de Maio. O colégio parecia que respirava liberdade. Um colega finalista dizia e dizia no cenário “sketches” que demoliam o dia-a-dia do colégio. A sala aplaudia com entusiasmo. Era o dia do nosso grito; era o dia da nossa vingança perante tanta e tanta barbárie e bifes de cabedal com arroz encharcado. Nesse dia, o herói non era um forcado, nem o que mais soco dava, nem o mais cruel com a colher de pau: era um “actor”. Repassou desde a falta de água quente às ironias daquela vida sem ironia. Era feliz; sentia-se bem porque naquele cenário dissera-se o que pensava e sentia e porque a vida naqueles dias era outra. Fomos à tourada. Parece-me que comemos melhor. Os prefeitos non chateavam muito (além do Pinto que andava a marrar atrás dos fugitivos). E fomos ao baile. Andei de um lado para o outro na companhia do Hélder Pataias, do Casquinha e de mais colegas. Éramos felizes. Mas, maldita a hora, lembrei-me de unha moça que me fazia corar e separei-me do grupo para tentar sentir o seu perfume durante um pé de dança. Sabia onde estava. Fui, rodeando, até onde se encontrava a moça. Era bonita; coradinha; loira; sorriso tímido. Faltava-me pouco para a poder convidar para dançar quando fez apariçón um dos grandes “sádicos” do colégio: o Dete-Dete. O homem que facia culto à força bruta; o homem que era capaz de desfazer um ponteiro nas costas de um adolescente de primeira idade. Aproximou-se acompanhado pelo Catarino; amigos desde os tempos de Coimbra. -Olha o Montero !!! Exclamou bamboleando e rindo para o seu amigo. Mostrava sinais de ter bebido bastante mais do que suportava. Estava bêbado. -Anda cá! Apontando-me com o dedo enquanto via para o Catarino. O Dete-Dete, além de bêbado, parecia que também podia ser normal. Engano meu… Virando-se para o Catarino e falando com a brutalidade da sua condiçón e da bebida e mais que bebida, meio exclamou: -Pá: este Montero é muito mau…. Fiquei lívido. Aquele cilindro físico com cabeça rapada, mais unha vez, impusera a sua brutalidade. Senti que me estragara a noite e as festas. O Catarino, rapidamente, pegou nele e levou-o para unha esquina enquanto lhe sussurrava: -Nao digas isso. Também é meu aluno. Fiquei parado. Demorei-me. Vi a moça a olhar-me de esguelha. Non tinha espírito para sentir o seu perfume. Dei meia volta e regressei ao grupo de amigos. Nunca dancei com ela.

JOSÉ LUÍS MONTERO

MICHEL FOUCAULT (“COEFICIENTE DE ESTRANHEZA”)

Com a publicaçón de “As Palabras e as Cousas” começa Foucault unha época de mudança, na qual irá intervir em inúmeros debates e entrevistas, responder a questionários, aclarar mal-entendidos. Em poucos meses, Foucault acabará por cortar com esta dinâmica, pedindo entón unha transferência por três anos para a Universidade da Tunísia, de onde segue de lonxe a controvérsia e onde será surpreendido polas revoltas do Maio do 68. Usou esse tempo para prosseguir unha nova reflexón sobre os pressupostos do seu próprio trabalho, tentando articular, como regras de um método, os diferentes procedimentos e precauçóns que colocou em práctica nos seus três trabalhos anteriores, agora considerados xá como exercícios do “método arqueolóxico”. O libro em que Foucault está entón a trabalhar chamar-se-á “A Arqueoloxía do Saber”, entendendo por “arqueoloxía” a interrogaçón do arquivo. E chama arquivo à “massa de todas as cousas que se disseram numa cultura, que foram preservadas, valorizadas, reutilizadas, repetidas e transformadas. Toda essa massa verbal que foi fabricada polos homes, que foi utilizada nas suas técnicas e instituiçóns e que está entrelaçada com a sua existência e história”. Assim, o termo que antes caracterizava a sua maneira de trabalhar passou a definir agora um campo de trabalho. E o que procuramos neste texto é precisamente descrever esse campo. Desta vez, non será suportado por qualquer relato histórico, concentrar-se-á principalmente em ordenar problemas e propor regras de procedimento. A sua reflexón apresenta assim um nível de sistematicidade e de xeneralidade ausente nas suas obras anteriores. E unha das consequências mais imediatas é que vai permitir-lhe axustar a sua distância tanto a respeito da “análise estructural” como do estructuralismo em xeral. Porque esta massa verbal non é abordada do ponto de vista da linguaxem, non é questionado qual é o seu sistema linguístico, o olhar é axustado segundo outro plano. O que importa dessa massa verbal non é que cumpra unha determinada possibilidade da linguaxem, mas que tenha sido efectivamente dita. E a pergunta dirixir-se-á entón às condiçóns históricas que permitiram que se dissesse o que foi dito e que, no entanto, non permitiram que se dissessem outras cousas, que também era possíbel dizer. Foucault resumirá assim este campo, tecido com a existência e com a história (entrevista concedida a J. M. Palmier, 1969): “O arquivo apresenta-se entón como unha espécie de grande práctica dos discursos, práctica que tem as suas regras, as suas condiçóns, o seu funcionamento e os seus efeitos. Os problemas colocados pola análise desta práctica som os seguintes: (1) Quais som os diferentes tipos particulares de práctica discursiva que podem ser encontrados num determinado momento? (2) Quais som as relaçóns que podem ser estabelecidas entre estas diferentes prácticas? (3) Que relaçóns mantém com as prácticas non discursivas, por exemplo políticas, sociais, económicas? (4) De que transformaçóns som susceptíveis estas prácticas?”. Mas para que estas questóns possam começar a abrir-se será necessário antes libertar-se de um obstáculo maior: debem ser colocados entre parênteses dous postulados ou pressupostos: o que pressupón que a história é um processo contínuo; e o que pressupón que a consciência humana é o suxeito orixinário de todo o conhecimento e de toda a práctica. Foucault entenderá que som duas faces de um mesmo sistema de pensamento, o próprio humanismo. Investigar a massa verbal do arquivo fora da obrigaçón de ler a sua história como algo contínuo implica entón colocar em práctica um “coeficiente de estranheza”, um afastamento da própria história, que deixa entón de ser a história de ninguém para se transformar na massa do dito. A partir daí, toda a atençón se concentrará nas disrupçóns, nas diferenças, nos acontecimentos e nas ordens que som desenhadas a partir deles, nessa massa do dito. E o que aparecerá entón é unha infinidade de nexos que antes eram imperceptíbeis, porque non podiam ser atribuídos a nenhum suxeito, a nenhuma “intençón” humana.

MIGUEL MOREY

LITERATURA HISPÂNA (LA APUESTA ÉPICA)

Desde esta perspectiva, o mais épico dos româncistas históricos da América Hispâna foi o uruguayo Eduardo Acevedo Díaz (1851- 1921), que desarrolhou em quatro novelas um tríptico das lutas da sua patria por escapar ao poder espanhol, arxentino e português, para cair víctima das suas próprias guerras civis. Como em Galván, a biografía de Acevedo Díaz explica muitos dos accidentes da sua carreira de novelista histórico. Xá em 1870 participa na revoluçón de Timoteo Aparicio contra o goberno do Partido Colorado e tem o seu primeiro encontro directo com a vida gaucha. A sua participaçón na revoluçón de 1875 haberá de determinar o seu subseguinte exílo para Buenos Aires, a partir de 1884. Nesse complexo e conflictivo contexto político de revoluçóns, assoadas e guerras civis, Acevedo Díaz concebe e escrebe na Arxentina as primeiras novelas do ciclo. Ainda que elas se refêrem só à luta pola independência, xa se trazan alí os fundamentos da guerra civil. A primeira novela, “Ismael” (1888), talvez sexa a melhor. Situada no momento em que estála a guerra da independência, segue a xá consagrada fôrmula de Scott mas com unha simplicidade de trama que recorda o prototipo homérico lonxano. O gaucho Ismael luta com um espanhol pola posessón de Felisa e pola patria. O tráxico final anúncia as guerras por vir. Em duas novelas, “Nativa” (1890) e “Grito de gloria” (1893), que constituiem na realidade unha, Acevedo Díaz estuda a epopeia da libertaçón do poder português. Unha vez mais, a fórmula do românce funciona para definir o destino do protagonista, Luis María Berón, dividido entre duas irmáns, como a patria dividida entre dous conquistadores. A última novela do ciclo, “Lanza y sable” (1914), demorou-se muito polas alternativas da vida política de Acevedo Díaz, que regressou ao Uruguay para conhecer novos triunfos e unha humilhante retirada para o exílo.

RBA EDITORES, S. A. – BARCELONA

A MORTE DE SÓCRATES

Non podemos acabar (metaforicamente) com Sócrates sem dedicar unhas linhas a explicar como os atenienses acabaram (materialmente) com ele. Sócrates morreu no ano 399 a. C., após ser condenado à morte num processo em que era acusado de “non só de non reconhecer os deuses que a cidade reconhece, mas ainda de introduzir outras novas divindades; e também é culpado de corromper os xovens. A pena é a morte”. A acusaçón esteve a cargo de Meleto, um poeta tráxico, de Ânito, um político da recentemente restaurada democracia, e de Lícon, um obscuro orador. Subsistem poucas dúvidas de que as acusaçóns eram um simples pretexto que escondia outras motivaçóns, sendo a principal delas a de se livrarem de unha personaxem cuxa sabedoria, espírito crítico e, sobretudo, dignidade moral o convertiam em testemunha incómoda para os poderosos. Unha vida inteira dedicada a dialogar e a aplicar a maiêutica com o intuito de desmascarar o erro e evidenciar a vacuidade da sabedoria, bem como a arrogância dos poderosos, tinha acabado por lhe granxear non poucos e perigosos inimigos. Como el próprio se definiu no seu discurso de defesa durante o processo, tinha axido como um moscardo cuxo aguilhón eram as perguntas inconvenientes e o seu afán de verdade à cidade adormecida ou, diríamos nós de forma mais informal, como unha melga da qual era melhor livrar-se. Após a enunciaçón das acusaçóns, o acusado tinha direito à defesa antes de o xúri, constituído por 500 cidadáns escolhidos ao acaso, emitir um primeiro veredicto. Em caso de condenaçón, o acusado podía reconhecer a culpabilidade e propor unha pena diferente da solicitada pola acusaçón; nesse caso, levava-se a cabo unha segunda votaçón, dessa feita para decidir entre a pena proposta polo acusado e a proposta polos acusadores. Na primeira votaçón, Sócrates foi condenado por unha estreita marxem de votos, polo que os discípulos tentaram convencê-lo a reconhecer a culpabilidade e a propor como pena o desterro, que o xúri certamente aceitaria. No entanto, e alardeando o desprezo pola morte e pola inxustiça que manifestara noutras ocasións ao longo da vida. Sócrates non só negou o recurso a unha saída desonrosa, como, num acto de provocaçón, chegou a propor como pena que a cidade o sustentasse com todas as mordomias no Pritaneu (edifício público, sede do poder executivo). Escusado será dizer que o resultado da segunda votaçón voltou a ser negativo, mas desta vez por unha diferênça sensivelmente maior. A execuçón foi adiada um mês, pois non podia efectuar-se até regressar a Atenas o “navio sagrado” de Delos, unha procissón marítima com que se comemorava a mítica libertaçón da cidade por Teseu e o fim do tributo de sete rapazes e sete donzelas imposto por Minos. Durante esse tempo, os discípulos (unha boa parte deles xovens de famílias abastadas) propuseram-lhe organizar unha fuga, possibilidade que o filósofo voltou a rexeitar. Assim, entre o desespero e o pranto dos seus seguidores, inxeriu a cicuta em execuçón da sentença e esperou a chegada da morte enquanto conversava. Sócrates non sai de cena sem antes nos deixar unha maravilhosa reflexón: “Pois, se me matardes, sendo eu como sou, fareis mais mal a vós próprios do que a mim. Nem Meleto nem Ânito podem fazer-me algum mal: non acredito que a lei divina consista que um homem melhor possa ser maltratado por outro pior. Poderiam talvez matar-me, banir-me ou privar-me de direitos, pensando como outros que som estas cousas grandes males. Mas eu non penso assim. O que penso é que quem o fizer está a fazer a si próprio muito pior, por tentar matar inxustamente um home inocente”.

E. A. DAL MASCHIO

ROBERTO MERA COVAS (HOMENÁXEM A ALEJANDRO VIANA) (4)

En Madrid, dirixentes políticos e militares galegos crean as Milicias Galegas, Viana comparte comité directivo cos tamén deputados Suárez Picallo, Castelao e Martínez Risco, e cos xenerais Bedía e Juan José Pla. As Milicias Galegas están formadas por uns mil voluntarios galegos, a gran maioría segadores de orixe campesiña e sen filiaçón política, que traballan nos campos de Castela. Recrutados nunha oficina situada sobre o Bar Chicote da Gran Vía, e integrados xa no Exército Popular, saen a mediados de setembro dende o seu cuartel xeral, nun antigo seminario madrileño, cara á fronte de Seseña e Toledo. (…) En novembro, a presenza das tropas sublevadas ás portas de Madrid e o asedio da cidade fan temer a súa inminente caída, o que precipita a saída cara a Valencia do Goberno republicano e das Cortes. Unhas 250.000 persoas abandonan a capital española xunto a 10.000 cadros do Museo do Prado e medio millón de libros da Biblioteca Nacional. O ouro do Banco de España xa fora trasladado antes por Negrín e o seu director xeral do Tesouro, Méndez Aspe, a Cartagena e de alí á Unión Soviética. Ao tempo que o Goberno sae de Madrid, entran as Brigadas Internacionais, quen, coa súa decisiva intervención na resistencia da cidade, impidem unha caída que semellaba inevitábel. En Valencia, Alejandro Viana alóxase no Hotel Inglés. Alí tamén se hospedan máis deputados, o Goberno republicano e militares. O edificio atópase nunha zona perigosa. Unha igrexa, situada nos arredores, e reconvertida en depósito de municións, é obxectivo das bombas da aviación franquista que, en ocasións, caen preto do hotel. Aos bombardeos aéreos súmanse os da Armada, cuxos obuses se senten pasar de noite sobre o edificio. O son das sirenas anunciando a inminencia dun ataque dá paso á fuxida espavorecida dos hóspedes cara ao refuxio situado nunha pequena praza próxima. A pesar da guerra, na capital levantina a vida segue o seu curso. O punto de encontro dos galegos é o Café Vodka. Alí nace Solidariedade Galega Antifascista, impulsada por socialistas republicanos e galeguistas e liderada por Castelao e o mestre de Mondariz Luís Soto. A súa finalidade é atender e acoller os galegos que logran evadirse dos territorios ocupados polos golpistas e que chegan á zona baixo control republicano. Viana é nomeado membro do seu Secretariado, que comparte cos seus amigos Luciano Vidán e Laureano Poza Juncal, varios deputados e os alcaldes das vilas de Muros, Noia e A Pobra do Caramiñal.

ROBERTO MERA COVAS

BERTRAND RUSSELL (MUDAR O MUNDO)

Bertrand Russel é unha das figuras que definem a era dos grandes intelectuais que tentaram explicar e ocasionalmente mudar o mundo do século XX. O libro sobre os escritos russellianos que Kenneth Blackwel e Harry Ruja publicaram em 1990 inclui mais de duas mil entradas, entre libros e artigos, a que o seu biógrafo Ray Monk acrescenta unhas quarenta mil cartas, artigos, conferências e intervençóns radiofónicas que non foram publicadas durante a vida do autor. Recebeu o Prémio Nobel da Literatura pola sua contribuiçón para o pensamento, mas também pola escrita ensaística. Num tempo em que tantos ensaístas se encostam a um xargón complicado, sentimos por vezes a falta do esforço de Russel por deixar transparecer as ideias sem as forçar. Foi preso duas vezes, o que Jorge VI teve de mencionar ao condecorá-lo com a Ordem de Mérito, a mais alta do Reino Unido; por se opor à Guerra Mundial e, muito mais tarde, por se manifestar contra a enerxia nuclear. É inclassificábel no espectro da direita/esquerda. O seu primeiro libro publicado, como xá assinalámos, foi sobre a social-democracia alemán, nunha altura em que era dirixida polo maior partido marxista do mundo, muito antes da ruptura entre sociais-democratas e comunistas. Celebrou a Revoluçón Russa, mas depressa se tornou um dos seus grandes críticos. A pesar de os seus textos liberais e anticomunistas lhe terem granxeado o favor do lado occidental da Guerra Fria e de o seu sionismo poder associá-lo a unha certa forma contemporânea do pensamento conservador, o seu activismo antinuclear, anti-imperialista e contra a intervençón norte-americana no Vietname situam-no no lado radical do século XX. Os seus inúmeros textos e a sua actitude antipuritana deixam antever a revoluçón da vida quotidiana que o século passado impulsionou, em especial a transformaçón dos costumes da década de sesenta. Educaçón liberal, feminismo da igualdade e vida sexual libre foram constantes nas suas reivindicaçóns. O seu compromisso activo nos campos da política e da vida quotidiana afastaram-no da vida académica tranquila e isolada. Foi um “freelancer” do pensamento e da acçón e embarcou na vida nada segura do conferencista aflicto com as contas por pagar. A sua vida foi frugal e anunciou também as críticas ao consumismo que se estenderiam até depois da sua morte.

FERNANDO BRONCANO