
A sociedade de “A República” non é a única sociedade utópica que encontramos nos diálogos de Arístocles. De facto, existe outra civilizaçón mítica, muito mais famosa do que aquela, cuxa orixem remonta também ao filósofo grego, a “Atlântida”. A história deste misterioso reino do passado aparece em dous diálogos platónicos, o “Crítias” e o “Timeu”, e em âmbos os casos é a personaxem de Crítias que nos fala sobre ela. Segundo nos conta, a história foi narrada ao seu avô, o lendário Sólon, a quem, por sua vez, lha tinha explicado um sacerdote exípcio durante unha estadia naquele país. Há mais de nove mil anos (antes da época de Platón), incluso antes do “grande dilúvio”, que acabou por destruir tudo, había unha poderosa e florescente civilizaçón, cuxo centro era unha ilha situada por detrás das “Colunas de Hércules”, no mar que desde essa altura passou a ser denominado de Atlântico. O deus Posídon, senhor daqueles territórios, apaixonou-se por unha xovem da ilha, Clito, e com ela teve cinco pares de xémeos que se tornaram os dez reis da ilha (sendo o primoxénito um tipo de “primus inter pares”). Graças ao carácter idílico da ilha, que proporcionaba todos os recursos necessários, e à natureza semidivina dos seus povoadores, a civilizaçón que ali surxíu desenvolveu-se até se transformar num rico e potente Estado, que se expandíu governando “a muitas outras ilhas, bem como a partes do continente. Xá no que diz respeito ao lado de cá da passaxem, governavam a Líbia até ao Exípto e a Europa até à Tirrénia”. Porém, com o passar do tempo, as unións com muitos mortais fizeram com que na mistura acabasse por predominar o elemento humano. Os seus habitantes foram deixando de obedecer às leis dos antepassados e as costûmes foram corrompidas, abandonando-se a ântiga virtude. Pouco tempo depois de terem sído derrotados polos atenienses, que tinham tentado conquistar, a mítica civilizaçón desaparecería para sempre da história: “houbo terramotos e inundaçóns excessivas. E aconteceu que, durante um único dia e unha noite terríveis, todo o vosso exército (atenienses) foi devorado de unha só vez pola terra e a própria ilha de Atlântida se afundou no mar e desapareceu. Foi por isso que, actualmente, esse oceano se tornou inexplorábel e impossíbel de atravessar, debído aos espessos lodos de superfície, que a ilha depositou ao afundar-se” (Traduçón de M. José Figueiredo (2003) Lisboa –Instituto Piaget).
E. A. DAL MASCHIO