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Karl Marx nasceu a 5 de Maio de 1818, em Trier (Tréveris) e consegue o douctoramento a 15 de Abril de 1841, em Jena. Durante esses anos, três instituiçóns modelaram a sua alma – a família, a escola e a universidade – e três xéneros literários disputaram a forma de expressón e de relaçón com o mundo, a saber: o direito, a literatura e a filosofía. Ainda que non estivesse previsto, triunfou esta última. Marx nasceu nessa Renânia anexada pola Prússia, e incluída na Confederaçón Germânica, dividida entre o Antigo Rexime e a revoluçón, entre a submissón e a liberdade. Trier é unha belíssima cidade de orixe romana, talvez a mais antiga da Alemanha. Goethe visitou a cidade no século XVIII e encontrou-a fechada, cercada por dentro e por fora pola ordem feudal: “Por dentro, está comprimida, pressionada polos muros das igrexas, capelas, conventos, coléxios, os edifícios dos cavaleiros, e dos frades; por fora está rodeada, mais ainda. sitiada por abadias, instituçóns de caridade, mosteiros cartuxos”. Marx nasceu e cresceu nessa cidade aburguesada que, física e espiritualmente, ficava encerrada nas formas anacrónicas da velha ordem. Mas, nesses tempos de restauraçón, a Renânia constituía um espaço geopolítico onde brotava o espírito dos novos tempos. Os pais de Karl Marx, Heinrich e Henrietta, formavam unha típica família burguesa, bem colocada e considerada. O pai de Marx era unha pessoa culta e pensativa, exercía a profissón de advogado e contava com o reconhecimento e prestíxio social. Obviamente, aspirava a que Karl. o mais velho dos três filhos, seguisse a sua profissón. Aínda que mantivesse um intenso vínculo com o pai, a vontade deste condicionou pouco a sua vida. O mesmo non pode dizer-se de outra decisón, mais subtíl e silenciosa, com um significado simbólico forte, e cuxa marca invisível afectaría a sua actitude para com a sociedade e a vida desde os primeiros anos. Tanto Heinrich como Henrietta eram xudeus, de pais, avôs e trisavôs rabinos. Os seus antecessores tinham vivido ensimesmados na sua comunidade. Como os cristáns, que segundo Santo Agostinho levavam unha vida dupla, na “cidade de Deus” e na “cidade dos homes”, os xudeus também eram membros de duas cidades e, portanto, non tinham unha verdadeira cidadanía: as leis negavam-lha e a sua relixión impunha-lhes a subordinaçón da sua identidade civil à relixiosa. Pois bem, Heinrich Marx tinha rompido com essa tradiçón, profundamente arraigada na sua família, do xudeu estranxeiro na sua própria pátria, e optou por ser cidadán, relegando a relixión para a sua vida privada. Ilustrado por formaçón e disposiçón, viveu com entusiasmo a invasón napoleónica que supunha a aboliçón das mordomías por xenealoxía, classe, raça ou relixión, e que, como reconhecido cidadán, lhe permitía elexer e exercer libremente as suas profissóns e actividades e ter iguais direitos civis e políticos. O pai de Marx xá non era um xudeu renano, mas um cidadán renano xudeu.
josé manuel bermudo
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