Arquivos diarios: 08/08/2018

FILOSOFÍA MEDIEVAL (UNHA IDADE NON TAN ESCURA)

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               No imaxinário europeu, a Idade Média representou antes de mais unha época sombría de pobreza, ignorância e servidón. Unha mostra desse atraso colectivo é dada pela lenda dos terrores do ano 1000, quando as pessoas, fustigadas pela fame e pelas guerras, xulgavam que a ameaça apocalíptica se ia cumprir e, com ela, o fim do mundo (o filósofo José Ortega y Gasset dedicou a sua tese de doutoramento a este tema).  No entanto, a realidade histórica, que vamos reconstruindo graças aos estudos dos medievalistas, dista muito dessa pintura negra.  Devem distinguir-se, em primeiro lugar, diferentes períodos dentro da Idade Média. Após a queda do Império Romano do Occidente, provocada pelas tropas bárbaras no início do século V, começa a constituir-se unha série de reinos, na sua maioría de orixem xermânica, como os visigodos.  O maior desastre que esta invasón acarretou do ponto de vista cultural foi a ruptura com o mundo greco-romano e o esquecimento do seu legado filosófico e científico.  Depois surxíu o Império Carolínxio (séculos VIII-IX), e com ele chegou unha modesta recuperaçón do saber antigo através do ensino das artes liberais e da difusón de compilaçóns (enciclopédias, compêndios e floriléxios) Chamados Alta Idade Média a este primeiro período que culmina no século X.  O desenvolvimento urbano, o surximento das universidades e o florescimento da filosofía escolástica caracterizam a Baixa Idade Média (séculos XI-XIII).  A crise histórica desta época manifesta-se no século XIV, inclusive no pensamento; encerra-se assim o medievo.  O sistema político que caracterizou a Idade Média desde o século X foi o feudalismo.  Em que consistía?  Após a descomposiçón da autoridade monárquica, a defesa militar passou para as mans de príncipes e nobres que dominavam pequenos territórios.  Criou-se desta forma unha relaçón de dependência xirídica entre o senhor e o vassalo, e apareceu o feudo como unidade de produçón baseada na exploraçón do trabalho dos servos, isto é, os camponeses pobres.  Na representaçón ideolóxica desta sociedade constituem-se três ordens: a dos eclesiásticos, a dos guerreiros e a dos trabalhadores, encarregados de sustentar os dois primeiros.  Os priviléxios fiscais, os dízimos e as esmolas, incluindo as doaçóns de terras, levaram a Igrexa a unha posiçón social de priviléxio. Como escreveu o historiador Georges Duby, “esta enorme transferência de bens imóveis (…) pode ser considerado o movimento mais importante entre aqueles que influíram na economia europeia daquele tempo”.  Devemos ao filósofo aleman G. W. F. Hegel unha crítica severa do feudalismo, em que, com a descomposiçón do Estado, vê surxir um dereito baseado na inxustiça. 

andrés martínez lorca