Arquivos mensuais: Decembro 2017

AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (9)

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               Os de Uma.  Agresón.   Unha triste noite do mes de Outubro de 1904 em que a Providencia divina nos daba sentimentos, a noite escura, o vento soprava assombrossamente por vezes, eu polo día tinha ido á festa a San Lourenzo, na que rifavan unha toura, e houvo unha zaragata com Avelino, xá nombrado, e por culpa del tamém me metin eu, tinha vários a meu favor.  Despois fun a Guillade d’arriba ó seran, onde estaban os de Uma, dixeron que os acompanhase-mos ao serán d’abaixo, e de repente os de Uma a pelear…  esta mesma noite ó dormir implicou comigo o Spírito inmundo, eu sentia-me com as penas arriba ditas, e ademais levantei-me sentido unha dor no brazo dereito, mas o que me causou mais afliçón foi tirar polos pelos do brazo e arrincá-los pola raiz sem sentir nada, e um sonho aterrador.  Adivinha, primeira vez. No mesmo día vintinove saín a um viaxe polas nove e vinticinco, com a intençón de consultar…  Fún polo Pedroso até Fontán seguindo a Queimadelos, todo o dia botei arredor da casa, até que ela me viu casualmente, eran as quatro da tarde quando me dixo o seguinte:  Sai um cargo de almas que há que cumprir e parece que é um home que che aparece em sonhos,  teis o corazón aberto, fai-che falta uns evanxélios e tomar medicinas feitas na casa ou manda-las facer, um primeiro día pola cabeza, etc…  “son estas as palabras mais importantes que me dixo; no outro día xá estaba melhor.  O dous de Novembro de 1904 atopaba-me inchado, despois de me levantar encontrei-me com um cansaço, floxo de forzas, nervos, e todo estéril, polas duas da tarde, comim algo, assaltando-me logo unha diarreia e um sono espantoso;  O día sete de Novembro de 1904 pola manhan levantei-me da cama com unha pequena dor nas costelas, polas once e vintitrês do dia tinha-me passado, tiven mil sonhos malos, o oito assaltou-me unha grande dor de dentes, acto seguido atacou-me a cabeza, e fun-me deitar, alá pola alta noite vem o Spírito malo inquietar-me, ainda que non foi tanto como outras vezes, mas toda a noite estiven sonhando cousas malas, sonhos malos, de todos eles só me acorda o seguinte:  estava sonhando que a minha nái estava dentro do eido (xunto dos loureiros) chorando com unha tremenda dor de cabeza, sentada encima do mato, movendo-se e balanceando-se, e falava cousas que non me acordan, despertei e era muito cedo, voltei a dormir, e levantei-me polas oito da manhan, logo a minha nái dixo que non se podia levantar, mas por fim levantou-se polas 11,30 e alá foi cabar para o sítio onde eu sonhara com ela.

manuel calviño souto

AS FUNÇÓNS CEREBRAIS (41)

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               Em suma, Schopenhauer aceita a totalidade da teoria do conhecimento kantiana, com três modificaçóns substanciais:  Reduz as doce categorias a unha básica, o princípio de causalidade ou “princípio da razón suficiente”.  Assinala que, dada a correspondência simétrica entre suxeito e obxecto, que son duas faces da mesma moeda, espaço, tempo e causalidade están também no obxecto.  A matéria, enquanto termo da percepçón, é portadora dessas três estructuras.  Transforma o enquadramento ou a base das faculdades, Kant cinxe-se ás funçóns ou capacidades que componhem a “faculdade de conhecimento”, sem as associar a algo físico.  Pelo contrário, Schopenhauer refere-se a um organ muito concreto, o cérebro.  Este organ, com o apoio do sistema nervoso, transforma-se na sede da consciência, onde se organizam as representaçóns orixinadas pelo etendimento ou intelecto (que produz conhecimento intuitivo, percepçón sensível) e os conceitos produzidos pela razón (criadora do conhecimento abstracto).  As funçóns cerebrais ocupam o lugar das etéreas faculdades kantianas.  O conhecimento, compreendido como representaçón, passa a ser, em Schopenhauer, “um processo fisiolóxico muito complexo no cérebro de um animal” (MVR2, 214); este organ tem as suas funçóns próprias, tal como o estômago se encarrega da dixestón e o fígado da segregaçón da bílis.  Schopenhauer dá um cariz biolóxico, fisiolóxico e materialista á teoría do conhecimento, tan abstracta em Kant.  A faculdade do conhecimento, segundo Schopenhauer, está estructurada da seguinte forma; há um entendimento ou intelecto que percebe o mundo empiricamente, de um modo que o ser humano partilha com os animais.  O que o distingue deles é a capacidade de separar as percepçóns dos conceitos e de os combinar através do raciocínio.  Este segundo nível, da razón, é uha funçón cerebral exclusivamente humana e é a que permite cultivar a ciência e a filosofia.

joan solé

EM NOME DE GUILLADE (XXIII)

               Como indica Lisón Tolosana as aldeias na Galiza forman unha unidade xeográfica, social e cultural bem delimitadas.  Os vecinhos e vecinhas, eran perfeitos conhecedores da paisaxe e reconheciam qualquer accidente no terreno.  Os marcos de límites da aldeia convertem-se así nunha parte mais da paisaxe reconhecivel,  quase permanente quando nos escritos sobre os montes comunais se assinale “per suos terminos antiquos” ou  “desde tempo inmemorial” quando as testemunhas se expressan nos interrogatorios.  Os límites da aldeia como os do monte comúm van formar parte da paisaxe vivida polos vecinhos, convertem-se em fitos de referencia os marcos mas tamém os penedos, mâmoas, antas, muros ou corredoiras.  Xurdem na aldeia as linhas imaxinárias, tanto sexa entre marcos, penedos, mâmoas ou caseríos.  As augas vertentes sinalan a pertenza a unha aldeia ou outra, a linha recta entre marcos (em dereitura) transformam-se na unidade espacial de referencia entre os vecinhos.  Os elementos que conformarom os límites divisórios dos montes ou aldeias transformáron-se em referência da cultura popular ao solapar-se com espazos vencelhados ás lendas tradicionais (mâmoas, castros, caminhos), redefínem-se como unha parte do património intanxivel da comunidade.  Os conflíctos polos límites entre aldeias vecinhas tamém se incorporan á paisaxe mental da aldeia, cargando os marcos divisorios com unha ritualidade especial: cruces, letras, simbolos que son o resultado dos acordos entre dúas ou várias aldeias.

a irmandade circular

IMMANUEL KANT E O CONHECIMENTO (40)

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               Kant fez unha “revoluçón copernicana” na teoría do conhecimento.  Se Copérnico foi o responsável por a humanidade renunciar á visón xeocêntrica do firmamento e, em vez disso, colocar o Sol no centro e os planetas a xirarem á sua volta (modelo heliocêntrico), Kant substituiu a tradicional concepçón do conhecimento, em que o suxeito adapta a sua mente ao obxecto, por outra em que é o suxeito que determina, com as suas faculdades, o tipo de percepçón.  O suxeito passa a desempenhar um papel sumamente activo na construçón da percepçón.  Esta mudança de modelo cognitivo non implica modificaçóns no conteúdo das percepçóns, que continuam a ser as mesmas (da mesma forma que o modelo heliocêntrico copernicano non implicou modificaçóns na traxectória aparente do Sol, que non deixa de aparecer a nascente e desaparecer a poente), mas o novo modelo permite explicar muito mais cousas e transforma a concepçón que os homens têm do seu lugar no universo.  Entre as transformaçóns decisivas resultantes da revoluçón copernicana de Kant, há a destacar unha que é fundamental para Schopenhauer: o único conhecimento verdadeiro é o que se dá na experiência, na qual se obtém unha intuiçón sensível a partir do contacto entre o mundo e o conxunto sensibilidade-entendimento: tempo, espaço, categorias (recorde-se o que foi dito nas páxinas 62-65).  Tudo o que non se integre neste esquema carece de garantias. Segundo Kant, non é possível unha intuiçón intelectual (ou sexa, a razón non pode criar conhecimento sólido a partir de conceitos desvinculados da percepçón e da experiência).  Entre outras cousas, esta visón pon fim ás pretensóns da metafísica dogmática de construir unha ciência:  questóns últimas como a da existência de Deus e a da inmortalidade da alma, non podem ser tratadas no âmbito da fé.  Há unha segunda implicaçón decisiva, tanto para a filosofia em xeral como para a de Schopenhauer em concreto: a distinçón entre fenómeno e cousa em sí ou númeno.  A exposiçón deste binómio, fundamental na filosofia, fica reservada para a páxina seguinte.

joan solé

AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (8)

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               O día 16 de Xulho fun a Trancoso cobrar a primeira quincena do dito mes,  total o que ganhei, um traxe barato, unhas botinas, unha camisa, e trinta reais em dinheiro, um relóxio barato e nada mais.  O vinte de Septembro de 1904 fun pisar unha tinalha de uvas para a Senhora Benita da Sorda.  Luz desconocida.  Primeiras relacions com Avelino.  O  primeiro de Outubro de 1904 tinha-lhe inchado um olho á minha nái, mas eu fun ó serán nocturno, o dia dous estivem eu doente da cabeza, dos membros, e principalmente da barriga, e tinha um pesar comigo, unha tristeza enorme, e non sabia por que; nestes dias, via sempre debaixo da minha xanela unha lucinha no chan, como a dum bicho que lhe relumbra o cú, chamado “Luce-cú”, mas era mais grande e mais viva, facendo nascer sentimentos pois um pouco punha-se grande, pequena, alta, baixa, etc…   e quando unha pessoa se fixava, extinxia-se de todo.  O seis de Outubro fun escribir unha carta à Rosa do Roque, e vim o fermoso día de Outono todo claro, os raios do Sol abrasavan os membros do corpo humano.  Polas doze e meia deitei-me, e levantei-me muito pesado, e xunto da porta, deu-me unha dor de cabeza, o dia catorze fun a Ponte, e ó vir, vinhem com Avelino Carraceda e a sua nái (pepa) tomamos pan, peixe, vinho, etc…  e despois eu e Avelino fomos xuntos a um pote de aguardente, até que me emborrachei, ó passar o Pinheiral de Oliveira, vem unha cousa detrás de mim dando píos como um paxáro chamado “escribidor” ou “linhaceira”, etc…  seguiu-me até perto das casas, acompanhava-me a tristeza, penas, angustias, etc…  mas non sabia porque motivo, por uns poucos días, sonhei mil cousas, unhas malas e outras menos malas.

manuel calviño souto

 

O ENTENDIMENTO (39)

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               A segunda capacidade, segundo Kant, é o entendimento, definido como a faculdade de aplicar conceitos ás intuiçóns rexistadas na sensibilidade.  Os conceitos organizam os dados caóticos – as sensaçóns – que se precipitam no espaço e no tempo.  Son imprescindíveis para que as sensaçóns ganhem sentido.  Os conceitos son formas a priori do entendimento, isto é, son prévios á experiência.  Kant chama aos conceitos a priori “categorias”.  Para descrever estas categorias, Kant adoptou as conclusóns da lóxica aristotélica vixente no seu tempo.  Formulou doze categorias que se aplicam ao material bruto da sensibilidade para transformar as sensaçóns em percepçóns.  Schopenhauer aceita o modelo kantiano do entendimento como faculdade,  mas leva a cabo unha reduçón drástica das suas categorias.  Na realidade,condensa-as numa só; a lei da causalidade (ou, na sua linguaxem, o “princípio da razón suficiente”), segundo a qual nada é sem unha razón para que sexa.  Estabelece relaçóns de dependência entre os dados que se plasman na sensibilidade e dá-lhes sentido e coherência.  Na sua cooperaçón, sensibilidade e entendimento necessitam-se reciprocamente;  tal como diz Kant,  “os pensamentos sem conteúdo son vazios; as intuiçóns sem conceitos són cegas. (…)  O entendimento é incapaz de intuir e os sentidos son incapazes de pensar”.  É fundamental compreender que ambas as faculdades actuam em simultâneo.  Non é que primeiro se plasmem os dados sensoriais no ecrán da sensibilidade e depois os conceitos puros (ou categorias) do entendimento os organizem.  A verdade é que as percepçóns xá están categorizadas.  Em suma, Schopenhauer aceita a totalidade desta teoria do conhecimento kantiana, com três modificaçóns substanciais.

joan solé

DERIVA HISTÓRICA

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  ARQUEOLOXÍA  (O PETROGLÍFO DA PENELA)

               Este monumento, non está catalogado nos rexistos oficiais.  Foi encontrado por mim, quando, nunha das solitárias e acostumadas excursóns minhas, me atopava disfrutando da unión com a nai natureza.  Depois de escudrinhar sistematicamente toda a área, levei unha grata surpressa, deparei com um importante achado, um petroglífo de calado, que fora de maneira inmiserecorde partido em várias pezas bastante grandes, para murar unha das veigas da Penela.  Non parece encontrar-se no seu lugar orixinal, pelo que seria transportado em carros de boi desde o monte.  Há no mesmo sítio dous pedazos grandotes polo menos, postos de pé para pechar o lugar. Pensara daquela, levá-lo para o Centro Cultural de Guillade, a fim de que non se perda. Mas, como parece ser, que quem manda agora no mundo son os coches, e em vez de fazer um bonito xardím com unha fonte no meio, fixeron um aparcamento todo alcatroádo. O anteriormente referido tesouro histórico, ficou no seu lugar sagrado, lonxe das miradas dos cobiçosos bingueiros.  Alá, escondido no corazón do bosque, onde o forte ruído dos infernos sociais, non logra chegar.

a irmandade circular

MATERIALISMO, IDEALISMO, KANT (38)

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               Na sua teoría do conhecimento son apresentadas duas linhas que nunha primeira abordaxem, podem parecer heteroxéneas e até incompatíveis: o realismo e o idealismo.  Por um lado, Schopenhauer é – em comparaçon com os “idealistas” alemáns e os teólogos – um acérrimo “realista”: o que experimentamos é o que existe e o que existe é o que devemos observar.  O que torna especial o grande filósofo é a intensidade do seu olhar, da sua percepçón do real, mas non vê cousas diferentes das que aparecen ás restantes pessoas, non vê outros mundos, non é um vidente nem um místico.  Seguindo o admirado Kant, Schopenhauer afirma que o único conhecimento verdadeiro é o que se verifica na experiência possível e esta experiência é a que os sentidos nos proporcionam e em cuxa informaçón qualquer pessoa sensata confia.  Admite a materialidade do mundo como algo irrefutável:  existe a matéria e todo o tanxível e perceptível a intuiçón mostra-nos as coisas que se tocam e se veem.  Ao mesmo tempo, tudo o que percebemos é, pela sua própria definiçón, percepçón, representaçón (Vorstellung).  A primeira frase de “O Mundo” é precisamente “O mundo é a minha representaçón”.  A matéria sólida e forte é, enquanto percepçón minha, nada mais do que unha representaçón ou ideia minha, conteúdo da minha consciência: “nenhum obxecto sem suxeito”, como reza o aforismo.  O suxeito cognoscente (tanto o ser humano como todos os animais dotados de capacidade perceptiva) fundamenta a realidade do obxecto conhecido na sua representaçón ou percepçón.  Qualquer ser, obxecto ou facto que se rexista na minha consciência é a minha representaçón.  A gnosioloxía de Schopenhauer é idealista e estende a linha reflexiva do irlandês George Berkeley e de Immanuel Kant.  Mas é preciso ter algum cuidado com a atribuiçón de etiquetas a Schopenhauer, unha vez que a índole peculiar da sua filosofia non admite descripçóns fáceis.  Para começar, non xustifica o suxeito a partir do obxecto, nem o inverso, mas observa-os a ambos a partir dos dados fundamentais da percepçón.  Este é o facto orixinal e pressupón tanto o obxecto percibido (a realidade material) como o suxeito perceptor (a consciência que rexista os dados dos sentidos).  Ambos son correlatos um do outro, complicam-se ou pressuponhem-se:  non pode haver um sem o outro, nem percepçón sem qualquer um dos dous.

joan solé

AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (7)

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                Blasfémia.  O dia vinte de Maio de 1904 a minha nái foi á Cañiza, ainda que non andava bem, o vintidous eu fun ós ninhos e á tarde fun á festa a Cumiar, de noite a minha nái berregou comigo porque non fun botar a toura, polo que me fun deitar sem ceia, e por vinte minutos estivem chorando amargamente, tendo ó mesmo tempo pensamentos mortuários, nobres e amorosos.  Nesse dia a minha nái tinha unha veiga sem cabar, e como andava disgustado non quixem fazer a comida e dixem blasfémias contra Dios oito vezes, e outras tantas contra o demónio, etc…  O dous de Março 1904 fun a Trancoso pedir trabalho e dixerom-me que era cedo, o segundo dia fun ós montes de Cumiar e encontrei várias raparigas que me enrredaron até ás dez e meia.  Sonho –  O primeiro de Xunho de 1904, sonhei com um Abade que estava no meio d’unha Igrexa de maneira entreposta; o cinco de Xunho atopava-me com unha desconsolaçón, sentia no corazón unha pesadume unha tristeza e afliçón enorme que me parecia que as entranhas se me derretian como que destilaban agua fervendo que non podia parar; neste dia fun á festa do Corpus a Oliveira, ningunha rapariga quixo bailar comigo, excepto unha de Celeiros que vem de mala gana e ainda pra mais era velha.  Recordo de Peinador.  O sete de Xunho pola manhan fun a Trancoso pedir trabalho, e mandaron-me desfazer caixas para aproveitar as tábuas que serviram, non tendo quedado contente com este trabalho e despois de acabar o monton de caixas, passei (…) como non encontraba pousada vinha dormir a casa muitas vezes, ó chegar á casa encontraba água no pote, cinza nas cuncas, barro no forno e a artesa livre; mas nestes tempos como habia um cabrito e tinha cabras habia no louceiro unha cunca que parecia ter 40 dl e um xarro velho com leite e unha colher velha;  saia d’alá ás oito da noite, e chegaba ás once; tinha que sair ás três para estar ás cinco da manhán, mas tomei pousada permanecendo nela vinte dias, despois vinha á casa, mas faltava dias.  No dia doze de Xunho  vinhem á casa, estava unha escuridade horrenda, eu vinha moribundo cheio de fame.  Despedida de Peinador.  O sete de Septembro de 1904 saín de Peinador por minha vontade, tinha dormido várias vezes sobre a caldeira de Peinador, e unha vez dormin no meio daqueles vales e milhos.  O dezoito (…) fun cobrar o resto e se queria admitiam-me, cheguei a casa, a minha nái tinha feito um cabazo de sidra, comim unhas sopas e ó momento assaltou-me unha dor de cabeza, catarro, voz ronquenha e fun-me deitar.  Ah…  Ah…  como que queria imitar palabras mas non era capaz de falar, dunha maneira que dava medo, e era el demónio que falava por ela, fun xunto dela com unha luz acesa e logo começou a falar, e non vim nada, logo que apaguei a luz, deixou-se sentir unha cousa á que eu puxem interxeiçón – Cháááááá!  chá?, chá, chá,  repetida tantas vezes como as tenha a dita interxeiçón, isto cantaba xunto de nós, outras vezes cantaba mesmo ó ouvido, tendo o ouvido deitado sobre a almofada, fora da casa deixou-se sentir por duas ou três vezes unha voz assombrosa algo grossa como a voz dum papagaio pronunciando algunhas frases, mas só pola metade da palabra así   Que hac, en dé, que hacs. –  eu restreguei-me com um alho, logo o dito Spírito vem xunto de mim; eu queria-me levantar e o Spírito non me deixava que me tronzava a forza, eu enseguida enchendo-me de alento, e fazendo um esforzo, e largando um suspiro xunto com um hag!, dixem – ¡Xesus!  e o Spírito deixou-me mas de forma que non puidem ir trabalhar no dia seguinte; ás três da manhan peguei nun sono profundo, dormindo até ás dez, despertei non Católico, senon desfigurado, assustado, fraco de forças, sem ganas de falar, etc…  e así esquecin Peinador, etc…

manuel calviño souto

TEORIA DO CONHECIMENTO (37)

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    “O MUNDO É A MINHA REPRESENTAÇÓN”

      (PERCEPÇÓN, CONCEITO, ARGUMENTO)

               É da maior importância, para o que se segue, reter que Schopenhauer confere ao conhecimento intuitivo um lugar muito prioritário relativamente ao conceito abstracto e á argumentaçón fundamentada. Diz-nos que a grande filosofia surxe de unha visón pessoal do mundo, de unha disponibilidade para captar a estranha natureza da realidade.  Se non há percepçón pessoal, non há nada; sem unha visón autêntica, o máximo que se pode fazer é encher as páxinas com ideias ocas ou, no máximo, emprestadas, tomadas aos pensadores que, estes, sim, tiveram essa visón singular.  O conceito non é mais do que a abstraçón, no plano da razón, da percepçón orixinal; é o instrumento de trabalho do filósofo (non a matéria-prima),  permite armazenar o conhecimento intuitivo e transmiti-lo aos demais, através da linguaxem simbólica (sexa unha linguaxem natural formalizada, artístico-literária ou matemática), mas é unha pálida cópia da percepçón inicial.  “O pensar só tem relaçón directa com o intuir, mas o intuir tem-na com o ser em si do intuído”  (MRV2, 18) Schopenhauer dir-nos-á que o conceito está para a percepçón como um mosaico para unha pintura a óleo:  algo que talvez possa representar o mesmo, mas que está repleto de descontinuidades entre tessela e tessela (pedrinha e pedrinha) e carece da itensidade e da unidade pintada, ou intuiçón.   Á parte das suas funçóns de conservaçón e transmissón, o conceito non acrescenta nada á percepçón, aos dados fundamentais que proporciona a experiência directa do mundo.  Também non acrescenta nada á argumentaçón, que non terá mais valor que o da validade e qualidade das percepçóns das quais parte; toda a substância e o conteúdo son dados na orixem.  Decisiva, pois, é a intuiçón singular, concreta, inmediata.  Conceito e argumentaçón son indispensáveis em filosofia, mas ocupam o segundo lugar, tanto na ordem xerárquica de importância como na cronolóxica.  Segundo Schopenhauer, a maioria dos filósofos erra ao prescindir da experiência directa do mundo e ao pretender conhecer a realidade mediante conceitos.  Ao contrário deles, ele practica unha filosofia muito mais próxima da arte do que da ciência, da actividade intuitiva do que do sistema abstracto.  Por isso, quase sempre que expós unha ideia complexa necessitou expressá-la mediante unha imaxe poderosa que a transmitisse por via intuitiva.  Como a do mosaico e da pintura para ilustrar a diferença entre o conceito e a percepçón.

joan solé 

EM NOME DE GUILLADE (XXII)

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               A Aldeia de Guillade, parte dunha orixem territorial mais antiga do que a época baixomedieval.  A organizaçón do território eclesiástico e senhorial define-se habitualmente polos accidentes naturais (montes e rios) e fragmentam-se a partir do século XI e XII a medida que o espaço eclesiástico se organiza em base ás comunidades rurais em crescimento.  A edificaçón de novas igrexas, para dar solucçón ás necessidades relixiosas das comunidades agrárias (vencelhadas ás antigas “villae”) fomentará a apariçón dum território eclesiástico definido pola proximidade dos feligreses á sede parroquial e dos próprios limítes naturais.  Como sinala Sánchez Pardo:  “o obxectivo teórico da rede parroquial, é a cobertura mais eficaz possíbel dum território, atendendo concretamente ao reparto da poboaçón nel.”   Será deste xeito que poidamos comprender como um antigo território como o de Guillade se reduza em superfície, a partir dos séculos XI ou XII a medida que se vaian criando novas igrexas parroquiais e xurda a necessidade por parte da sede episcopal de marcar limítes entre as novas feligresías que estabam nascendo.  A distancia entre vecinhos e igrexa e os elementos próprios da paisaxe natural, rios e montes, definirám a nova identidade territorial.

a irmandade circular

O BUDA DE FRANKFURT (36)

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               O ser individual que foi Arthur Schopenhauer deixou de existir a 21 de septembro de 1860, víctima de unha pneumonia, com unha serenidade que non conheceu em vida.  Por ser verdadeira a sua doutrina metafísica, restituiu a sua singularidade ilusória áquela vontade universal que agora se manifesta, incessante, em quem isto escreve, em quem isto lê.  Um xornalista popularizou a alcunha de “Buda de Frankfurt”.  Pelo que xá sabemos, este epitécto pode ser válido para caracterizar parte do pensamento de Schopenhauer, mas non a sua vida.  Também non é rigorosa a classificaçón de pessimista se formos para lá da sua filosofia.  Schopenhauer soube tirar prazer da literatura e da arte (Nietzsche escreveu: “Pergunto-me, por acaso, se um negador de Deus e do Universo que toca flauta pode realmente chamar-se pessimista”), non se absteve do contacto com mulheres e teve o dom de amar a montanha.  Pôde levar a vida de filósofo que desexava, conhecer o pensamento dos grandes espíritos de todos os tempos e elaborar um sistema próprio.  Nunha nota privada, do tempo em que escrevia “O Mundo”, analisa-se:  “o resultado deste conhecimento é triste e aflixe, mas o estado de conhecimento, a adquisiçón de saber profundo, o acesso á verdade, son extraordinariamente aprazíveis e, embora pareça estranho, acrescentam unha parte de doçura á minha amargura.” 

joan solé

AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (6)

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               Aproximandose o três de Abril Páscua de Ressurreiçón, polas três da tarde, chegou o nosso amantíssimo Jesus em máns de “supercheros”, dando as misteriosas visitas, estava a minha nái convalescente e tinha unha peseta, e eu tinha outra, mas como nos facia falta, e também non chegaba non lhe puxo dinheiro á Crúz, eu sain para detrás da casa e non biquei a Crúz, mas puxem-me a escuitar a conversa, como non viron dinheiro saíron furiosos pola porta fora, entón foron ó Cotinho, e ó vir de volta com rosto carrancudo.  “Bem, sabes unha cousa; pois há que confessar-se e administrar-se, entendes, quanto mais antes-; Arre Corno! Dixo o Cura, Vilar, pagou trinta mil”.  Questóns embrigueiras.  O vintiseis de Abril de 1904, eu ainda andava descalzo, tinha uns zapatos velhos e dixo-me o zapateiro  Xavéco que mos gobernava e que aguardaria polo dinheiro, tan pronto gobernados, fixo-me pagalos no acto.  pedindo-me unha galinha a por ovos.  Eu roguei a Deus e ó demónio.  Pola alta noite, vem unha cousa p’orriba da casa dando pios como a rapinha e ó mesmo tempo imitando unha voz chorosa, aguda e rápida, e ás duas da noite continuava.  O dia doze de Maio de 1904 (Ascensón) levantei-me sem novidade, mas pensando na minha sorte;  a camisa que vestia era unha arruga; fretin duas sardinhas e depois de almorzar fun na direcçón de Fontan, encontrando vários pequenos e pequenas no caminho com os quais me divertin um pouco.   Profecia Realizada.  Nunha noite sonhei que andava dançando com unha rapariga chamada Maria Rosa do Irra, mais tarde fun a unha festa em Guillade; chamei unha a dançar e non quixo vir, chamei outra sem saber quem era, só despois vim que era a que fora sonhada,  noutras tivem mais sonhos que quedaron esquecidos;  sentia unha desconsolaçón imensa, unha pena interna; a minha nái queixava-se que lhe tinham inchado os pés, e tivem medo que morrera, ós poucos dias puxo-se pior, levantou-se polas dez da manhan e todo o dia estivo ó arredor do lume, acto seguido, voltan os seus lábios a dedicar-se ás pragas.

manuel calviño souto

DERIVA HISTÓRICA

XACIMENTO ARQUEOLÓXICO (A BOMBELA)

               Este é um xacimento, que non figura nos rexistros oficiais, e que soubemos dele graças á memória acumulada das xentes.  Eu pensava que ésta era a capela de Sta. Lianor, facendo derivado a Lianora de Marcos, mas resulta que a referida senhora, non era nativa de Mourigade, senón asturiana.  Mas, como a minha prodixiosa memória, xá começa a falhar, sei que lin possivelmente no Catástro de Ensenada, onde figura a tal capela de Sta. Lianor, hoxe em dia desaparecida.  Por outra parte, poderia ser a antiga igrexa de Uma, anterior á construcçón da actual, pois o terreno parece ser de Uma, no bairro do Carrascal, e tudo acaso provenha da cercania de ruínas romanas.  O caso é, que pouco se sabe ó certo, somente que na Bombela há restos de unha capela antiga, que forma parte do nosso passado oculto, sepultada baixo a terra dos tempos.

a irmandade circular

PARERGA E PARALIPOMENA (35)

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               Em 1851, publicou-se “Parerga e Paralipomena” (título em grego que significa “fragmentos e omissóns”), um extenso conxunto de textos de temas muito variados:  sobre tudo ética, mas também história da filosofía, críticas à universidade, valoraçóns literárias, reflexóns sobre a relixión e a imortalidade, o sexo e muitos outros assuntos.  Son, como anunciava o subtítulo, escritos filosóficos menores, se é que están dentro do âmbito da filosofia; em suma, como dizia o seu autor, era a sua “filosofia para o mundo”.  Son, antes de mais, reflexóns dispersas e sem ligaçón directa, escritas ao longo dos seis anos anteriores e compilados nesta ediçón.  O opúsculo mais longo deste livro variado é “Aforismo sobre a Sabedoria da Vida” (ou “Sobre a Arte de saber viver”),  um conxunto de reflexóns bastante pessimistas sobre o mundo e o modo de evoluir nele, unha “filosofia práctica” para sobreviver na sociedade moderna.  Bastante pessimistas, mas non tanto como a filosofia séria de “O Mundo”.  Em “Aforismos”, a negatividade aparece atenuada.  Há, por assim dizer, um fundo duplo:  demonstra-se que, apesar de tudo, é possível seguir em frente.  É o texto mais conhecido do autor e também o mais citado.  Em parte, este sucesso é lamentável na medida em que, non pertencendo ao corpo central da filosofia de Schopenhauer, os “Aforismos” eclipsaram a sua obra principal.  Non son verdadeiramente filosofia porque non formam um sistema coherente e articulado, faltando-lhes unha base metafísica.  Son unha série de comentários escritos por um autor intelixente e um observador atento, mas non por um pensador xenial.  É como se Mozart fosse conhecido pela “Pequena Serenata Nocturna”, que é bastante bonita mas unha insignificância ao lado das suas várias peças mais importantes; é como se Beethoven fosse conhecido por “Para Elisa”.  É precisamente devido ás suas debilidades que os “Aforismos” son mais fáceis de compreender e, por isso, son a sua obra mais popular.  “Parerga e Paralipomena” foi um éxito de vendas dos finais do século XIX.  Este sucesso de vendas arrastou-se aos livros anteriores, que foram reedictados a pedido de um público subitamente entusiásta.  Depois de unha vida de ostracismo sombrio, o filósofo ficou bastante agradado com a repentina fama e a afluência de visitantes, alguns de bastante lonxe de Frankfurt;  costumava dizer que “O Nilo chegou ao Cairo”.  No meio século após a sua morte foi um dos escritores mais conhecidos da Europa.

joan solé