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Arquivo por autores: fontedopazo
WITTGENSTEIN (NON SEPARAR FILOSOFÍA E ÉTICA)
Non é insignificante que Wittgenstein gostasse de se identificar com a pessoa que incendiou a Biblioteca de Alexandría. A veemência serena com que arremeteu na sua segunda fase contra as suas primeiras ideias filosóficas faz lembrar alguém que quisesse acabar com os fantasmas mais malignos, queimando-os nunha pira perpéctua. Esta faceta de pirómano também foi posta em práctica em relaçón à história da filosofía e às investigaçóns dos seus colegas de Cambridge e de outros locais. Tinha de pôr termo ao que a filosofía tinha feito até entón: a metafísica, que tantos espectros aparentemente profundos tinha enxendrado. Wittgenstein estaba disposto a ir com a sua tocha incendiária onde quer que fosse necessário e entendia essa tarefa como unha obrigaçón moral. Non debía haber separaçón entre filosofía e ética, e enquanto a ética non tinha outra maneira de expressón válida excepto o próprio comportamento, também non había divisón possíbel entre filosofía e vida. Sempre teve a certeza de que tería de encontrar unha soluçón comum para os quebra-cabeças filosóficos e para os seus problemas vitais. Esse remédio milagroso estaba no trabalho sobre a própria pessoa, na própria maneira de olhar. Só tinha de mudar de perspectiva para que os fantasmas lóxicos e existênciais se dissipassem. A um pensador com estas características todas as etiquetas lhe ficam aquém. Em filosofía costuma-se diferenciar duas formas diferentes de conceber a práxis filosófica, a analíctica e a continental: a primeira vinculada ao ambiente anglo-saxón e a segunda ao do continente europeu. A filósofa italiana Franca D’Agostini definiu-as respectivamente como unha filosofía “científica” que encontra os seus fundamentos na lóxica e nas ciências naturais e exactas, e unha filosofía humanista que xira em torno do conceito de história e entende a lóxica como a arte da palabra e non como um cálculo. Apesar de os analícticos terem tentado apropriar-se da filosofía de Wittgenstein, que floresceu em Cambridge impregnada de lóxica, unha boa parte das raízes da sua perspectiva é vienense e penetra em terrenos que, em princípio, parecem distantes da lóxica, como o da arte. Desta forma, a filosofía pós-moderna nomeou Wittgenstein como um dos seus mais excelsos representantes.
carla carmona
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AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (80)
ALMAS DO OUTRO MUNDO
Santo Lactâncio, Santo Basílio e Santo Ambrósio, eram da opinión de que a alma, a mais sublíme criaçón de Deus, non pode vagar neste mundo, senón dentro de um corpo vivo; morto o corpo, a alma como fluído invissíbel, baixa òs confins do inferno, ou eleva-se às rexións celestes, sempre segundo um merecimento. Santo Agostinho, escrebéu “Nec tamen in us fierii menten bestialen sed ractionalen humana, etc…” Mas, cré-se, que as almas pecadoras andan errantes e se metem noutros corpos vivos, até obterem o perdón de Deus, como afirmabam Plinio e outros sábios gregos. No tempo em que había fé e temor de Deus, estes feitos, eram muito frequêntes, e aparecíam às vezes pessoas doentes, que practicabam actos contra a sua vontade, tendo desmaios, atáques de nervos, rasgábam-se e practicabam mil disparates. Estes padecentes, que o povo afirmaba terem ò demónio no corpo, eram víctimas dos pecados alheios; pois dentro do seu corpo tinham outra alma ademais da sua, e esa alma que había de ser dum pecador conhecido, lhe causaba os maiores incómodos, mentras non conseguira a benevolência de Deus, para poder entrar no purgatório ou no paraíso. Nesses bons tempos había Conventus, e neles había frailes sábios, que com os seus exorcismos, faciam sair o Spírito errante do corpo onde tinha tomado abrigo, quedando a pessoa libre de tán cruel companhía. Hoxe, non se acredita sequera na existência da alma, e nos poucos conventos que quedam, está prohibído curar éstas enfermidades sobrenaturais. Por isso tanta xente sofre e morre, podendo ter-se salvado. Santo Athanásio afirma que as almas dos simples pecadores, non fán nem bem nem mal; mas as almas dos grandes criminais e dos malvados, son uns Spíritus malígnos, fán os seus sábados, e atacam com preferência as … non… deixando descansar, e atacan as bodegas estragando o vinho, molestando a xente e a todo animal vivo.
manuel calviño souto
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MONSIEUR PASCAL
O orgulhoso pai levou Pascal às reunións do teólogo e matemático Marin Mersenne para que adquirisse os conhecimentos que alí eram apresentados. E non eram poucos, xá que Mersenne foi um home do mundo, trocou correspondência com cientistas de toda Europa entre os quais se incluía o próprio Galileu Galilei, e recebeu na sua sala os melhores representantes da intelixência parisína. Entre os convidados das suas reunións, devemos destacar a presença do grande filósofo da época, René Descartes. Mersenne e Descartes conheceram-se no coléxio xesuíta de La Flèche e, desde entón, mantiveram unha boa amizade e partilharam inquietaçóns filosóficas. O xovem Pascal soube aprender com estas reunións e passou rapidamente de mero espectador a partícipe activo nos debates. Assim, com apenas 14 anos, atreveu-se a criticar o recém-publicado “Discurso do Método” de Descartes na sala de Mersenne, e embora o conteúdo dessa crítica non tenha chegado até nós, sabemos que a precocidade de Pascal surpreendeu os outros assistentes. Quando tinha 16 anos escrebeu o seu “Tratado Sobre as Cônicas” (Traité sur les Coniques). e pouco tempo depois expôs o seu “teorema do hexagrama místico ou pascaliano”. Em 1636, por iniciativa do cardeal Richelieu, entón primeiro-ministro de Luís XIII, A França envolveu-se na Guerra dos Trinta Anos. Os elevados custos do conflicto fizeram que os cofres do Estado françês ficassem sériamente comprometidos, o que afectou os rentistas da câmara municipal, que deixaram de receber o dinheiro que lhes correspondía. Para tentar resolver a situaçón, em1638, os rentistas organizaram unha reunión de protesto. Entre os escolhidos para transmitir o mal-estar pela situaçón estaba o pai de Pascal, Étienne. Quando o cardeal Richelieu recebeu a notícia das suas queixas, encarou-as como unha clara demonstraçón de antipatriotísmo e deu ordem para serem todos presos na Bastilha. Felizmente, Étienne deu-se rapidamente conta do perigo que corría e fuxíu de París para se esconder na casa de uns amigos na rexión de Auvergne. Ficou aí até que um curioso acontecimento protagonizado pola sua filha Jacqueline pôs fim à sua situaçón de foraxido. Jacqueline tinha começado a destacar-se nos meios cortesáns como xovem versificadora; estas qualidades fizeram com que em 1639 fosse escolhida para o papel principal de unha peça infantil que foi representada perante o cardeal Richelieu. Parece que o primeiro-ministro de Luís XIII ficou encantado com a representaçón da menina e quis dar-lhe os parabéns pessoalmente pelo seu bom trabalho, momento em que Jacqueline aproveitou para lhe pedir o indulto do pai. Richelieu, comovido pelo xesto, concedeu-lho e, uns meses depois, nomeou Étienne comissário para o imposto da Alta Normandia. Mas Richelieu, como bom estratega que era, non dava nada de mán beixada; sabía muito bem o que estaba a fazer, confíaba na reputaçón de Étienne e quería utilizá-la; por isso, pedíu-lhe, como pagamento pola sua liberdade e pola sua nomeaçón, que participasse na sangrenta repressón de um motim em Rouen sob as ordens do chanceler Séguier.
gonzalo MUÑOZ BARALLOBRE
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PARA VENEZUELA
HÁ MUITO TEMPO…
QUANDO EU ERA RAPAZ
(DIGAMOS, HÁ CINQUENTA ANOS)
HABIA XENTE GRANDE E INXÉNUA
QUE SE ASSUSTABA COM UNHA ZARAGATA DE RUA
OU COM UNHA BRABATA DE BÊBADOS
NUM BAR. E DIZIAM:
“DEUS MEU, QUE DIRÁN OS AMERICANOS”.
PARA ALGUNS,
SER IANQUI, NAQUELA ÉPOCA,
ERA COMO SER QUASE SAGRADO:
A EMENDA PLATT, A INTERVENÇÓN
ARMADA, OS COURAÇADOS.
ENTÓN NON SE PODÍA IMAXINAR
O QUE HOXE É O PÁN QUOTIDIANO:
O RAPTO DE UM CORONEL
XINGO AO XEITO VENEZUELANO,
OU DE QUATRO AXENTES PROVOCADORES,
COMO NA BOLÍVIA FIXERON OS NOSSOS IRMÁNS;
NEM OS DEFINITIVOS BARBUDOS DA SERRA, CLARO.
HÁ CINQUENTA ANOS
NA PRIMEIRA PÁXINA DOS XORNAIS, NADA MENOS,
VINHAM AS ÚLTIMAS NOTÍCIAS DO BEISEBOL,
VINDAS DE NOVA IORQUE.
CARAMBA! O CINCINNATI GANHOU AO PITTSBOURG,
E O ST. LOUIS AO DETROIT!
(COMPRE A BOLA MARCA “REICH”, QUE É A MELHOR).
JOHN, O BOXEUR,
ERA O NOSSO MODELO DE CAMPEÓN.
PARA AS CRIANZAS, O ÓLEO DE CASTOR FLETCHER
ERA O REMÉDIO INDICADO.
EM CASOS “REBELDES”
DE ENTERITE OU INDIXESTÓN.
UM XORNAL
MUITO MODERNO TINHA
UNHA PÁXINA DIÁRIA, EM INGLÊS, PARA OS IANQUIS:
“A CUBÁN-AMERICÁN PAPER WITH THE NEWS OF THE WORLD”.
“XORNAL CUBANO-AMERICANO
COM AS NOTÍCIAS DO MUNDO”.
NON HABIA COMO ZAPATOS WALK-OVER,
E PASTILHAS DO DR. ROSS.
O ZUMO DE ANANÁS
DEIXOU DE SÊ-LO:
A FRUIT JUICE COMPANY
CHAMOULHE “HUELSENCAMP”.
VIAXÁBAMOS POLA MUNSON LINE ATÉ MOBILA,
POLA SOUTHERN PACIFIC ATÉ NOVA ORLEANS,
PELA WARD LINE ATÉ NOVA IORQUE.
HABIA NICK CARTER E BUFFALO BILL.
HABIA A LEMBRANÇA IMEDIATA GORDURENTA ESFÉRICA DE MAGOON,
GANGSTER OBESO E GOVERNADOR,
ENTRE LADRÓNS, E LADRÓNS, LADRÓN.
HABIA O AMERICÁN CLUB.
HABIA O COMPOSTO VEXETAL DE LIDIA E. PINKHAM.
HABIA O MIRAMAR GARDEN
(TÁN FÁCIL QUE É DIZER JARDÍN EM ESPANHOL).
HABIA A CUBÁN COMPANY PARA VIAXAR DE COMBOIO.
HABIA A CUBÁN TELEPHONE.
HABIA UM TREMENDO EMBAIXADOR.
E ACIMA DE TUDO, CUIDADO,
OS AMERICANOS VÊM AÍ!
(OUTRAS PESSOAS QUE NON ERAM TÁN INXÉNUAS
COSTUMAVAM DIZER:
O QUÊ? VÊM AÍ?
MAS NÓN ESTÁN AQUÍ XÁ?)
DE TODAS AS MANEIRAS, ELES SIM ERAM GRANDES,
FORTES,
HONESTOS ATÉ MAIS NÓN PODER..
A NATA E A FLOR.
ERAM O NOSSO ESPELHO:
PARA QUE AS ELEIÇÓNS FOSSEM RÁPIDAS E SÊM DISCUSÓN;
PARA QUE AS CASAS TIVESSEM SEMPRE MUITOS ANDARES;
PARA QUE OS PRESIDENTES CUMPRISSEM COM A SUA OBRIGAÇÓN;
PARA QUE FUMÁSSEMOS CIGARROS DE TABACO VIRXÍNIA;
PARA QUE MASCÁSSEMOS CHEWING GUM;
PARA QUE OS BRANCOS NON SE MISTURASSEM COM OS PRETOS;
PARA QUE USASSEMOS CACHIMBOS EM FORMA DE PONTO DE INTERROGAÇÓN;
PARA QUE OS FUNCIONÁRIOS FOSSEM ENÉRXICOS E INFALÍVEIS;
PARA QUE NON REBENTÁSSE A REVOLUÇÓN;
PARA QUE PUDÉSSEMOS PUXAR A CORRENTE DO AUTOCLISMO COM UM PUXÓN ENÉRXICO.
MAS ACONTECEU
QUE UM DIA VIMO-NOS COMO AS CRIANÇAS QUE SE TORNAM HOMES,
E DESCOBREM QUE AQUELE TIO VENERÁBEL QUE AS SENTABA NO COLO,
ESTEVE PRESO POR FALSIFICADOR.
UM DIA SOUBEMOS O PIOR.
COMO E PORQUÊ
MATARAM LINCOLN NO SEU CAMAROTE MORTUÁRIO.
COMO E PORQUÊ
OS BANDIDOS LÁ SON DEPOIS SENADORES.
COMO E PORQUÊ
HÁ MUITOS POLÍCIAS QUE NÓN ESTÁN NA PRISÓN.
COMO E PORQUÊ
HÁ SEMPRE LÁGRIMAS NA PEDRA DOS ARRANHACÉUS.
COMO E PORQUÊ
TEXAS FOI SEPARADO E LEVADO DE UM SÓ GOLPE.
COMO E PORQUÊ
XÁ NÓN SON MEXICANOS O POMAR E A VINHA DA CALIFÓRNIA.
COMO E PORQUÊ
OS FUSILEIROS NAVAIS MATARAM A INFANTARÍA DE VERA CRUZ.
COMO E PORQUÊ
DESSALINES VIU ARREADA A SUA BANDEIRA EM TODOS OS MASTROS DE HAITI.
COMO E PORQUÊ
O NOSSO GRANDE XENERAL SANDINO FOI TRAÍDO E ASSASSINADO.
COMO E PORQUÊ
NOS ENCHERAM O AZÚCAR DE ESTERCO.
COMO E PORQUÊ
CEGAROM O SEU PRÓPRIO POVO, E LHE ARRINCAROM A LÍNGUA.
COMO E PORQUÊ
NON É FÁCIL QUE ESTE NOS VEXA E DIVULGUE A NOSSA SIMPLES VERDADE.
COMO E PORQUÊ
VIMOS DE MUITO ATRÁS, MUITO ATRÁS.
UM DIA SOUBEMOS TUDO ISTO.
A NOSSA MEMÓRIA GUARDA AS SUAS LEMBRANÇAS.
CRESCEMOS, SIMPLESMENTE.
CRESCEMOS, MAS NÓN ESQUECEMOS!
.
NICOLÁS GUILLÉN
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RAWLS (UNHA TEORÍA DA XUSTIÇA)
Doutorou-se em 1948. No ano seguinte, casou com a noiva, Mardy, com quem teve quatro filhos. Tal como a nái de Rawls, Mardy foi unha lutadora contra a discriminaçón das mulheres. Teve que ver com o facto de a sua família pagar os estudos aos seus irmáns enquanto ela teve de obter unha bolsa para poder ingressar na universidade. Foi unha magnífica pintora, tendo retratado Rawls em mais de unha ocasión. Após vários trabalhos preliminares como docente em diferentes instituiçóns, Rawls foi contractado pela Universidade de Harvard (Cambridge, Massachusetts), onde deu aulas desde 1962 até se ver obrigado a reformar-se, em 1995, despois de sofrer um derrame cerebral que o impediu de continuar a trabalhar. Os derrames continuaram até à sua morte, a 24 de Novembro de 2002, em Lexington. Durante os primeiros anos em Harvard, opôs-se à Guerra do Vietname, como muitos outros intelectuais da sua xeraçón. Estaba convencido de que a guerra só trazía benefícios para as elites económicas. Também se opôs enerxicamente ao facto de que, na práctica, os soldados fossem recrutados sobretudo entre os pobres, e a unha decisón do Departamento de Defesa que permitía que os estudantes da universidade ficassem excluídos do serviço militar obrigatório se tivessem um bom currículo académico. Pensou que era unha inxustiça, unha violaçón do princípio de igualdade cidadán, que os custos de unha acçón pública como a guerra non fossem divididos de forma igual entre todos os cidadáns igualmente capazes. Durante a Guerra do Vietname, Rawls, publica “Unha Teoría da Xustiça”, non sem antes ter vivido um novo episódio de boa sorte. Quando acabou de escreber a versón definitiva do manuscrito, precisamente quando ia levá-lo à gráfica, hoube um incêndio que quase a destruiu por completo. Isto é difícil de imaxinar nos nossos dias, mas Rawls escrebeu a sua primeira grande obra com unha máquina de escreber. Com a axuda da sorte (o fogo só chamuscou algunhas folhas) e da sua excelente memória, conseguiu recompor o texto que publicou em 1971, o libro de filosofía política do século XX mais lido na actualidade, apesar de se tractar de um texto técnico.
ángel puyol
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O REALISMO DEPENDENTE DO MODELO (F17)
Tradicionalmente, aos que non aceitam o “realismo” son chamados “antirrealistas”. Os antirrealistas diferencíam entre o conhecimento empírico e o conhecimento teórico. E sostenhem que as observaçóns e experimentos tenhem sentido, mas que as teorías non son mais que instrumentos úteis, que non encarnam verdades mais profundas que transcendam os fenómenos observados. Alguns antirrealistas quixerón inclúso restrinxir a ciência às cousas que podem ser observadas. Por ésta razón, muitos no século XIX, rexeitarom a ideia do átomo, a partir do argumento de que nunca poderíamos ver ningúm. George Berkeley (1685-1753) foi inclúso tán alá que, afirmou que non existe nada mais que a mente e as suas ideias. Quando um amigo fixo notar ó escritor e lexicógrafo inglês Samuel Johnson (1709-1784) que, possibelmente a afirmaçón de Berkeley non podía ser refutada, diz-se que Johnson respondeu subindo a unha grande pedra para, despois de dar-lhe a ésta unha patada, proclamar: “Refuto-o así”. Naturalmente, a dor que Johnson experimentou no seu pé, também era unha ideia da sua mente, de maneira que na realidade nón estaba refutando as ideias de Berkeley. Mas, essa reacçón ilustra o ponto de vista do filósofo David Hume (1711-1776), que escrebeu que a pesar de que non temos garantias racionais para crer nunha realidade obxectiva, e non nos queda outra opçón senón actuar como se dita realidade fora verdadeira. O “realismo dependente do modelo”, zanga todos estes debates e polémicas entre as escolas “realistas” e “antirrealistas”. Segundo o “realismo dependente do modelo”, carece de sentido perguntar se um modelo é real ou non; só têm sentido perguntar se concorda ou non com as observaçóns, como a imaxém do peixe e a nossa, non se pode afirmar que unha sexa mais real que a outra. Podemos usar o modelo que nos resulte mais conveniente na situaçón na que estexamos considerando. Por exemplo, se estivéramos no interior do aquário, a imaxem do peixe resultaría útil, mas para os observadores do exterior resultaría mais incómodo descreber os acontecimentos de unha galáxia lonxana, no marco de unha peixeira situada na Terra, especialmente porque o aquário desprazaría-se à medida que a Terra orbita ó redor do Sol e xira sobre o seu eixo. Faremos modelos em ciência, mas também na vida corrente. O “realismo dependente do modelo” aplica-se non só ós modelos científicos, senón também aos modelos mentais conscientes ou subconscientes, que todos criámos para interpretar e compreender o mundo quotidiano. Non há maneira de eliminar o observador – nós – da nossa percepçón do mundo, criáda polo nosso procesamento sensorial e pola maneira em que pensamos e razoámos. A nossa percepçón – e polo tanto as observaçóns sobre as quais se fundamentam as nossas teorías – non é directa, senón mais bem conformada por unha espécie de lente, a saber, a estructura interprectativa dos nossos cerébros humanos.
stephen hawking e leonard mlodinow
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BERKELEY (A REVOLUÇÓN GLORIOSA)
É indubitábel que, tal como na França do Iluminismo, o século XVIII tenha implicado um impressionante período de desenvolvimento cultural para a Grán-Bretanha, motivado em grande medida pelo novo contexto político que se abriu nas ilhas a partir da revoluçón de 1688. Por isso, ao referirmos o século XVIII, o Grande Século, como foi designado pelo historiador francês Jules Michelet, é necessário dizer que em Inglaterra essa centúria nasceu prematuramente, porventura com a revoluçón que inaugurou um novo período histórico. Tudo começou com um confronto entre a burguesía emerxente e a nobreza da velha guarda por causa da nova riqueza xerada pelo comércio e a expansón colonial. Ao longo do século XVII, a fortuna dos burgueses tinha aumentado em proporçón directa com a perda de rendimentos dos nobres proprietários de terras. O problema era real, na sua acepçón mais monárquica, xá que a Coroa non conseguia acompanhar o ritmo de enriquecimento da burguesía e temía, com razón, que isso se pudesse traduzir nunha irreversíbel perda de poder. O rei Carlos I optou por criar novos impostos e reforçar os xá existentes, além de esixir parte do lucro comercial que o Império britânico proporcionaba aos burgueses. O Parlamento negou-se a aplicá-los, alegando a falta de garantias para unha boa xestón dos novos impostos, mas a monarquia prosseguiu e ignorou a decisón parlamentar. A luta pelo poder transformou-se nunha guerra real a partir de 1642 e terminou com a decapitaçón do monarca em 1649, a expulsón dos nobres do Parlamento e a proclamaçón da República.
luis alfonso iglesias huelga
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DIOGO ALVES (E A PORCARÍA DA FRENOLOXÍA)
A história popular afirma que a cabeza foi levada alí (à Faculdade de Medicina de Lisboa), para estudar a posible causa da súa maldade. “A finais do século XIX, princípios do XX, houbo unha moda, a da Frenoloxía, que coincidiu co tempo de Diogo Alves. Desenvolveu a teoría de que diferentes configuracións da cabeza deberían corresponder a diferentes temperamentos e modos de comportamento”, explica António Ferreira. A Frenoloxía foi desenvolvida por Franz Joshep Gall, anatomista e fisiólogo alemán, que artellou a teoría de que cada habilidade tiña un lugar no cerebro. Gall pensaba que segundo que área do noso cerebro estivese máis desenvolvida, teríamos unha personalidade ou outra e que este desenvolvemento podería estudarse medindo o cranio para determinar como era cada persoa. António Ferreira conta que “esa arte, porque é máis arte que ciencia, medía a cabeza e vía a súa estructura para dicir que este era máis intelixente nisto ou naquilo. A unha altura foi até unha moda social. As persoas reuníanse en salóns de sociedade medíanse as cabezas unhas às outras e andaban a verse as configuracións das cabezas. Naturalmente despois se verificou que isto non tiña que ver con ciencia ningunha”. Contan as historias populares que un famoso doutor da cidade, José Lourenço da Luz Gomes, requiriu às autoridades que a cabeza fose enviada á Facultade de Medicina, onde el procedería a aplicar os seus coñecementos de Frenoloxía para atopar a raíz da súa maldade. Máis non hai proba ningunha de que este estudo se levase a cabo nin de que o cranio ou o cerebro fosen medicamente estudados. Segundo António Ferreira “a Frenoloxía coincide temporalmente, máis non hai relación de causa efeito co envío da cabeza de Diogo Alves á facultade de Medicina con intención de ser medida. Era só para ser recordado como o último caso de pena de morte en Portugal”. Pese a que os rexistros oficiais indican que máis criminais foron axustizados trás Diogo Alves, ele é simbolicamente considerado o último condenado á morte en Portugal. “Na altura considerouse que sería a última persoa en ser condenada a morte por orde dun tribunal por crime en Portugal. Máis tarde sóubose que houbo casos de persoas condenadas a morte pouco despois noutras zonas do país”. “Os crimes de Diogo Alves foron moi coñecidos no pais, infelizmente é un caso famoso e é por isso que o Ministerio de Xustiza resolve simbólicamente atribuir a cabeza de Diogo Alves á facultade de medicina de entón, no campo de Santa Ana”.
claudia vázquez
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THOMAS S. KUHN (DA FÍSICA À FILOSOPHÍA)
Thomas Samuel Kuhn nasceu a 18 de Xulho de 1922 em Cincinatti, estado do Ohio, nos Estados Unidos, nunha família xudaica non practicante. A maior parte da sua infância e adolescência foi passada nos estados de Nova Iorque, Pensilvânia e Connecticut, em diversas escolas. O adolescente Thomas sentía um grande respeito pelo pai, enxenheiro industrial, a quem frequentemente pedía que o aconselhasse. A nái trabalhaba como revisora nunha editora e tinha unha vasta cultura humanística. No ensino secundário, Thomas apercebeu-se de que as disciplinas que mais lhe interessabam, e em que obtinha as melhores notas, eram, de igual forma, Física e Matemática, apesar de nessa época também se ter começado a interessar pola filosofía, segundo parece por influência de um tio que era um admirador fervoroso de Espinosa e com quem costumaba conversar sobre temas especulativos. De qualquer forma, ao terminar o ensino secundário Kuhn non sabía se devía dedicar-se à Física ou à Matemática, e pediu opinión ao pai. Este aconselhou-o a estudar Física, porque no caso de non poder seguir unha carreira académica, polo menos tería boas possibilidades de encontrar trabalho fora da universidade. Assim, em 1940, o xovem Kuhn começou os seus estudos de Física na Universidade de Harvard (onde o pai também estudara), mas conseguiu que a Faculdade de Física aceitasse que ele obtivesse alguns créditos em Filosofía; assistiu a aulas sobre os grandes filósofos clássicos da Antiguidade e da Idade Moderna, mas o que o impressionou mais, a ponto de representar para ele unha espécie de revelaçón, foi Kant, unha influência que se mantería o resto da sua vida. Terminou a licenciatura em Física (bachelor, segundo a denominaçón norte-americana) em 1943, um ano antes do que era habitual. Durante os seus anos enquanto alumno de licenciatura, Kuhn contribuiu para a revista dos estudantes de Harvard, a Crimson. A grande maioria dos que participabam na revista vinham de Humanidades, mas o estudante de Física Thomas Kuhn conseguiu conquistar o seu respeito e admiraçón, e chegou até director. Ao mesmo tempo, convidaram-no para fazer parte de um clube de debates intelectuais chamado Signet Society, de que também chegou a ser presidente. Tudo isto lhe deu unha certa fama de “cientista aberto às humanidades”, o que habería de ser um factor positivo na configuraçón da sua carreira posterior.
c. ulises moulines
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ODE Ó PÁN
ODE Ó PÁN
PÁN,
COM FARINHA
ÁGUA
E FOGO
TE LEVANTAS.
ESPESSO E LEVE,
RECLINADO E REDODNDO
REPETES
O VENTRE
DA NÁI,
EQUINOCIAL
XERMINAÇÓN
TERRESTRE.
PÁN,
QUE É FÁCIL
E QUE PROFUNDO TU ÉS:
NO TABULEIRO BRANCO
NA PADARÍA
ESTENDEM-SE AS TUAS FILAS
COMO UTENSÍLIOS, PRATOS
OU PAPÉIS,
E DE SÚBITO A ONDA
DA VIDA,
A CONXUNÇÓN DO XERME
E DO FOGO,
CRESCES, CRESCES
DE SÚBITO COMO
CINTURA, BOCA, SEIOS,
COLINAS DA TERRA,
VIDAS,
SUBE O CALOR, INUNDA-TE
A PLENITUDE, O VENTO
DA FECUNDIDADE,
E ENTÓN
IMOBILIZA-SE A TUA COR DE OURO,
E QUANDO XÁ ESTÁN PRENHOS
OS TEUS VENTRES
A CICATRIZ ESCURA
DEIXOU SINAL DE FOGO
EM TODO O TEU DOURADO
SISTEMA DE HEMISFÉRIOS.
AGORA INTÁCTO,
ÉS
ACÇÓN DE HOMEM
MILAGRE REPETIDO, VONTADE DA VIDA.
O PÁN DE CADA BOCA
NON
TE IMPLORAREMOS,
NÓS, OS HOMENS,
NON SOMOS
MENDIGOS
DE VAGOS DEUSES
OU DE ANXOS OBSCUROS:
DO MAR E DA TERRA
FAREMOS PÁN,
PLANTAREMOS DE TRIGO
A TERRA E OS PLANETAS
O PÁN DE CADA BOCA
DE CADA HOMEM, EM CADA DIA
CHEGARÁ PORQUE FOMOS
SEMEÁ-LO
E FAZÊ-LO,
NON PARA UM HOMEM, MAS
PARA TODOS,
O PÁN, O PÁN
PARA TODOS OS POVOS
E COM ELE O QUE POSSUI
FORMA E SABOR DE PÁN
REPARTIREMOS:
A TERRA,
A BELEZA,
O AMOR,
TUDO ISSO
TEM SABOR DE PÁN,
FORMA DE PÁN,
XERMINAÇÓN DE FARINHA,
TUDO
NASCEU PARA SER COMPARTILHADO,
PARA SER ENTREGUE,
PARA SE MULTIPLICAR.
POR ISSO, PÁN
SE FOXES
DA CASA DO HOMEM,
SE TE ESCONDEM,
SE TE NEGAM,
SE O AVARENTO
TE PROSTITUI,
SE O RICO
TE ARMAZENA,
SE O TRIGO
NON PROCURA SULCO E TERRA,
PÁN,
NON REZAREMOS,
PÁN,
NON MENDIGAREMOS,
LUTAREMOS POR TI COM OUTROS HOMENS,
COM TODOS OS FAMINTOS,
POR TODOS OS RÍOS, POLO AR
IREMOS PROCURAR-TE,
A TERRA TODA REPARTIREMOS
PARA QUE TU XERMINES,
E CONNOSCO
AVANÇARÁ A TERRA:
A ÁGUA, O FOGO, O HOMEM
LUTARÁN XUNTO A NÓS.
IREMOS COROADOS
DE ESPIGAS, CONQUISTANDO
TERRA E PÁN PARA TODOS,
E ENTÓN,
TAMBÉM A VIDA
TERÁ FORMA DE PÁN,
SERÁ SIMPLES E PROFUNDA,
INUMERÁVEL E PURA.
TODOS OS SERES
TERÁN DIREITO
À TERRA E À VIDA,
E ASSIM SERÁ O PÁN DE MANHAM,
O PÁN DE CADA BOCA,
SAGRADO,
CONSAGRADO,
PORQUE SERÁ O PRODUCTO
DA MAIS LONGA E DURA
LUTA HUMANA.
NON TEM ASAS
A VICTÓRIA TERRESTRE:
TEM PÁN SOBRE OS SEUS OMBROS,
E VOA CORAXOSA
LIBERTANDO A TERRA
COMO UNHA PADEIRA
LEVADA POLO VENTO.
PABLO NERUDA
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AS TEORIAS DA RELACTIVIDADE
Embora sexa costume falar-se da teoría da relactividade em linguaxem popular, em rigor existem duas: a teoría especial (ou restricta) e a teoría xeral. Ambas se devem a Albert Einstein. A primeira foi formulada em 1905, a segunda entre 1915 e 1916. A “teoría especial” da relactividade foi concebida por Einstein para clarificar unha série de experiências e observaçóns, sobretudo no campo da óptica e da electrodinâmica, que eram inexplicáveis no marco da física clássica de cariz newtoniano. Para explicar estas observaçóns, Einstein introduziu na física unha série de inovaçóns teóricas revolucionárias que contradiziam alguns dos postulados mais básicos da mecânica newtoniana. Entre essas inovaçóns están as de que as medidas de espaço, de tempo e de massa dos corpos son relativas ao sistema de referência a partir do qual son feitas as observaçóns; que massa e enerxia son o mesmo; e que a velocidade da luz é unha constante universal, que non pode ser excedida por nenhum corpo em movimento. Estas inovaçóns teóricas desafiavam os postulados da física clássica, e mesmo os do senso comum, mas depressa o seu sucesso empírico se tornou claro, pelo que os físicos, de maneira xeral, se mostraram dispostos a aceitá-las. A “teoría xeral” da relactividade deu mais um passo em frente, ao defender a identificaçón entre espaço, tempo e matéria, e unha xeometría diferente da euclidiana (a que todos aprendemos na escola). Unha das consequências surpreendentes da teoría xeral da relatividade é que um raio de luz ao passar perto de um obxecto de grande massa (por exemplo, o Sol) é desviado da sua traxectória. Como ninguém acreditaba nésta consequência tán alheia ao que se sabía até entón do mundo físico, unha equipa de astrónomos dirixida por Arthur Eddington aproveitou um eclipse do Sol, que teve lugar em 1919, para averiguar no arquipélago de S. Tomé e Príncipe (ilha do Príncipe), com o fím de ver se realmente se produzía o efeito previsto por Einstein. E, de facto, confirmou que a previsón se verificava com unha exatitude espantosa: um raio de luz emitido por unha estrela lonxínqua desviava-se ao passar perto do Sol. Com isto a teoría newtoniana ficava ultrapassada de vez e, a teoría de Einstein era estabelecida firmemente. Parece ter sido ésta a descoberta que tanto impressionou o xovem Popper.
c. ulises moulines
(Aproveitamos este artigo, para recomendar o estudo de José María Rodríguez Calaza, “Quem foi o Pai da Relatividade?”, também publicado no Pomar)
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AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (79)
AS PEDRAS
O mesmo método foi aplicado ó culto das pedras. Os gregos comezárom pola litolatría. Antes de se dedicar à veneraçón das estátuas, que representábam os seus deuses, adorárom as pedras, cuxas formas misteriosas e xeométricas, oferecía a natureza; outras caídas do Céu, eram enviadas pelos Deuses. Despois de tentarem em ván, destruir éstas superstiçóns, tomarom o partido de incorporálas òs novos cultos. Apesar das variádas transformaçóns, as crênças antigas subsistírom baixo a forma de novas palabras, assím as virtudes terapêuticas atribuídas a pedras furadas, aínda non desapareceu do todo. Em Kerongalet (Finisterre) introducem-se os membros doentes nunha pedra-furada. No Jonne e em Drache (Jndre et Loire) um menhir ou pedra-furada, fái este ofício, etc… Por Santo Xoán e no Natal, som alumiádas por velas. No páramo do Santo Simeón (Orne) há um dolmém com pedras-furadas, por onde passam os enfermos para que curem. Existem pedras semelhantes no Morbiham, por cuxas aberturas se fán passar homes e animais doentes, a fím de obter a sua curaçón. É, este um pequeno resume histórico sacado do libro (Orixém do Cristianismo) por R. Calviño, baixo a direcçón das escolas laicas, polo Ilústre Ferrer Guardia. Barcelona, rua de Bailen nº 56, 1906.
manuel calviño Souto
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DESCARTES (METAFÍSICA ENVOLVIDA EM CIÊNCIA)
Descartes permite-nos ver com unha nitidez transparente que as noçóns científicas envolvem questóns filosóficas. Considerado sem discussón como um dos pais da ciência moderna (pelo menos no que diz respeito ao seu “método”). Descartes non deixa de insistir que, para construir solidamente o edifício da ciência, é necessário remontar aos princípios filosóficos sobre os quais aquele deverá apoiar-se. Se somos modernos a partir de Descartes é precisamente porque sabemos que a nossa ciência, da qual com razón nos sentimos orgulhosos, esixiu um reequacionamento filosófico importantíssimo. Unha “revoluçón epistemolóxica” que colocava o suxeito do conhecimento, e xá non a matéria ou Deus, no começo de todas as explicaçóns. Contrariamente ao que acontece com outros autores, que embarcam em ambiciosas aventuras dialécticas ou em grandiloquentes arquitecturas conceptuais, a filosofía cartesiana pode resumir-se de forma simples. Em traços largos, parte de unha questón epistemolóxica que nunca abandona: “o que me é possíbel saber com certeza?”, para depois, sobre a rota traçada, mudar o rumo para três questóns metafísicas: a constituiçón do universo que pretendo conhecer, a relaçón entre os seus diferentes domínios (“pensamento” e “extensón”) e se é necessário postular a existência de um ser perfeito. Estas três questóns, de carácter mais marcadamente “ontolóxico” (isto é, relativas à existência e à natureza do que é) foram discutidas em inumeráveis ocasións, mas o facto de partir do conhecimento (referido pelo célebre “cogito”, o Eu “penso” que está no centro de toda a reflexón) é para nós, enquanto modernos, algo irrenunciábel.
antonio dopazo gallego
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DO NATURALISMO AO DECADENTISMO
Sem dúvida é Joris Karl Huysmans, de oríxe holandés, quém melhor resume a crise do movimento naturalista, do que foi durante um tempo um dos mais ardorosos representantes. Huysmans nasceu em París no 1848, foi o escritor que no pleno augue do naturalismo, rompeu com a escola dunha maneira tán estrepitosa e agressiva, que a sua postura pareceu a de um desequilibrado. À suposta verdade definitiva de Zola, el opón um refinamento delirante no que “o sonho da realidade, reempraza a realidade mesma”. Poucos anos tiverón que transcorrer para que Huysmans fosse considerado como um profecta do decadentismo, que iría esquinar a Zola e ós seus. Depois de trabalhar num talher de enquadernadores, iniciou estudos de Direito que acabou abandonando, e desde 1868 vêmo-lo nunhas taréfas de aborrecida mediocridade como funcionário do Ministério do Interior. Esta vida monótona e cinzenta, repugnaba o seu temperamento emotivo, e os seus sonhos de evasón. Calhando em 1874, num volume de poemas em prossa, “A caixinha das Especiarías”. Mas, dous anos mais tarde Huysmans despega da órbita de Baudelaire, para entrar na de Zola, e publíca um românce de costûmes, à maneira naturalista, sobre os ambientes da prostituçón: Marta, História de unha Raméra (1876). Xá incorporado ó grupo dos seus novos amigos, publica várias obras mais, sempre com a obsessón da fealdade e a sordidez do mundo, que lhe dán náuseas, mas que exercem sobre el unha espécie de poder hipnótico: As Irmans Vatard é de 1879, o conto Com o Fardel ó Lombo, figura nas Veladas de Médan (1880), Água Abaixo é de 1882, etc. Non obstante, o seu desolado e malcheiroso naturalismo, que pode atribuir-se, mais que à convicçón, à desesperaçón, comeza a agretar-se, e em A Arte Moderna (1883), que contêm grandes elóxios das experiências impressionistas, xá se insinúa um câmbio na sua actitude. A rebeldía de Huysmans estála em O Revés que, tamém se traduce por Contra Natura (1884), breviário da literatura decadente, que era o mais oposto que podía imaxinar a Zola. O protagonista deste românce, Des Esseintes (cuxo modelo foi Robert de Montesquiou, quêm anos despois sería também modelo principalíssimo de Proust), enfastiádo da vida e da sociedade, conságra-se a unha existência alucinantemente artificial e exquisita. O dogma naturalista de tratar só o baixo e o vulgar, inverte-se aquí num audaz desafio que ía abrir as portas da nova estéctica de fím de século. Trás o escândalo, Zola intentou fazê-lo voltar ó redil da escola, mas em Alá Lonxe (1891) Huysmans insistía no seu novo rumo, fazendo unha extranha incursón no terreno da maxía negra. Os anos seguintes correspondem ó seu retiro à Trapa de Igny e a Em Caminho (1895), onde descrebe todo o processo da sua conversón ao catolicismo. O resto da sua obra estará exclusivamente dedicado a temas relixiosos – A Catedral (1898), etc… – e morrerá em 1907 de um cáncer na língua. A partir de O Revés há um novo Huysmans de prosa enxoiáda que descrebe situaçóns insólitas e prodixiosas, cada vez mais atraído polo espiritualismo da relixión, sem que tudo isto vaia em detrimento dum estilo enérxico e cheio de violência, que se congratúla com soluçóns expressivas, um pouco extravagantes e propensas ó retorcimento. E foi, como afirmou Breton, o inventor da expresón “humor negro”, muito característica deste pessimista transcendental, cuxo divórcio do naturalismo foi unha circunstância clamorosa que anunciába novos tempos.
r. b. a. editores, s. a. – barcelona
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