HABERMAS (XÉNESE, APOXEU E DECLÍNIO DO ESPAÇO PÚBLICO BURGUÊS)

Habermas, como dizíamos, proporciona-nos um “relato”, unha narraçón da xénese, apoxeu e declínio do espaço público burguês que decorre paralelamente ao surximento do ideal moderno da autonomia pessoal. A distinçón moderna entre esfera pública e esfera privada estabelece os limites entre a moral e a ética, entre o xusto, o correcto e o bom, o que está relacionado com a felicidade. Habermas practica socioloxía histórica para nos detalhar como se xeram os ideais modernos da autonomia ligados à emerxência do indivíduo. Se Rousseau é o filósofo moderno da democracia e da autonomia pública, Kant será o referente erudicto para a autonomia privada. Na esfera privada burguesa, a família aparece como o lugar da emancipaçón psicolóxica dos indivíduos. É, diz-nos Habermas, a instituiçón-chave dos processos através dos quais adquirimos xuízo, capacidade crítica e capacidade deliberativa. Sem educaçón, sem ilustraçón, non há possibilidade de aceder à autonomia. Habermas examina a autocompreensón ilusória da família como lugar da “Humanität” – da liberdade, da comunidade afectiva e da instruçón. A privacidade, o rodeado pelos muros do lar burguês, fica assim definida como um espaço de soberania individual a salvo da inxerência política. A chave deste relato é liberal: blindar-se face às interferências do poder estatal. Os critérios de admissón no exclusivo clube democrático (recordemos a época da democracia censitária) ván ser muito restrictivos. Habermas está consciente do que se chamou universalismo substitucionalista, que entende a parte masculina burguesa como a totalidade do humano – e exclui as mulheres, todas elas, e os homes das classes trabalhadoras. A esfera pública literária – a leitura de românces, a educaçón, o prazer estéctico – surxe como o embrión do qual nascerá a esfera pública política. A partir deste novo âmbito político esixir-se-á ao poder que se lexitime perante a funçón crítica da opinión pública emerxente: A burguesia será o suporte do novo público que, por fim, minará o explendor da cultura aristocrática ao reduzir o protagonismo da côrte e ao deslocar o centro de gravidade social para a cidade. Os salóns literários serán a referência concreta do nascimento da esfera pública. Esta zona crítica reclama para si um público que empregue o “raciocínio” e que, da tribuna, esixa ao poder a lexitimaçón das suas medidas perante a incipiente opinión pública. A emerxente imprensa será o vehículo desta novidade radical que desafia os monarcas absoluctos.

MARÍA JOSÉ GUERRA PALMERO

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