ARENDT (A EXPANSÓN DO IMPERIALISMO)

“Se pudesse, apoderar-me-ia dos planetas”, afirmava o britânico Cecil Rhodes no final do século XIX, citado por Hannah Arendt. O imperialismo é, sem dúvida, o elemento em que a autora observa unha espécie de “laboratório” do xenocídio posterior. O elemento fundamental do imperialismo – que Arendt diferencia do nacionalismo – é a “expansón pola expansón”, ou sexa, um novo tipo de política virada para o domínio de novos territórios e povoaçóns, guiada polo interesse económico insaciábel da burguesia capitalista. As prácticas políticas da expansón imperialista em África xá lexitimavam os traços que apareceriam de forma mais vissíbel no totalitarismo: uso da violência sobre grandes grupos de xente, desumanizaçón do outro, superfluidade e eliminaçón física da populaçón “que sobra”, e papel relevante da burocrácia administractiva nos massacres. Assim, Arendt recorda-nos que a criaçón de campos de extermínio non foi ideia orixinal dos nazís, pois xá se verificára na “Guerra dos Bóeres”, em África. Neste sentido, as experiências políticas da colonizaçón de África xá estavam impregnadas de consequências políticas nefastas: em primeiro lugar, o encontro com povos diferentes realiza-se em condiçóns de exploraçón, através da violência cria-se um grupo desumanizado e despoxado de direitos e, em segundo lugar, quebra-se o princípio moderno de universalidade da lei, por um grande número de pessoas non serem reconhecidas como cidadáns, e por serem criádos diferêntes tipos de suxeitos xurídicos. As “matanças administractivas” – termo utilizado por Arendt para destacar a implicaçón da maquinária burocrática colonial na violência em massa – forom utilizadas como meio de pacificaçón: o extermínio dos hotentotes polos bóeres ou os massacres de Leopoldo II no Congo, normalizaram o extermínio como instrumento político. Ao mesmo tempo, os nativos também eram utilizados como matéria-prima da economia imperialista. Assim, non há qualquer rasto de humanidade nunha populaçón sobre a qual xá non se reconhece o travón moral do reconhecimento do humano, mas, polo contrário, é tratada como um conxunto de criaturas sub-humanas, como animais ou propriedade. Consequentemente, o caminho para a destruiçón posterior de outros grandes grupos de xentes estaba trilhado e aplanado.

CRISTINA SÁNCHEZ

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