Arquivos diarios: 11/12/2019

HEIDEGGER (O SER COMO VERBO)

Contudo, ao falarmos do suxeito e do predicado, fundamental para a questón do ser, ainda nem sequer vislumbrámos a questón da diferença entre o verbo e o substantivo gramaticais. O substantivo impede algo que, desde logo, o verbo permite e que constitui a sua característica funçón gramatical: expressar o tempo. Posso dizer, de facto, que “choveu”, “choverá” ou “chove”, sentidos que som estranhos ao substantivo “chuva”. Para começar, isso inclinar-nos-ia a dar maior protagonismo ao ser como verbo, embora, certamente, desse modo, estivéssemos a encobrir dous aspectos decisivos, se bem que com um diferente matiz: o primeiro, supor que “verdadeiramente” o verbo diz o tempo; o segundo, supor que o substantivo non o pressupón em nenhum sentido. Na verdade, os dous aspectos som o mesmo e encobrem a questón do ser, embora também se pudesse dizer que esse encobrimento foi aquilo que constituiu precisamente a disciplina chamada “ontoloxia” na tradiçón, que significaria algo como “teoria” ou “tematizaçón” do ser. Heidegger veio denunciar de forma explícita esse encobrimento ligado à ontoloxia, até ao extremo de se constituir no ponto de partida da sua filosofia: despir o pressuposto dos dous subentendidos sobre o tempo relativos ao verbo e ao substantivo. Em suma, porque se supón que o verbo expressa o tempo, enquanto essa possibilidade parece vedada ao substantivo? E se, no fundo, nenhum dos dous elementos gramaticais, precisamente por serem gramaticais – e a gramática vem sempre depois do ser -, pudesse dizer o tempo? E se a gramática fosse a condiçón dessa impossibilidade, tal como o é da igualaçón dos dous termos referidos mais acima, suxeito e predicado? Em boa verdade, graças ao verbo, expressa-se o tempo. Mas diz-se? Para nós, que xá somos modernos, como o foi Heidegger, essa distinçón entre “expressar” e “dizer” só tem valor retórico, porque, para nós, a linguaxem tem que ver com a expressón e com a comunicaçón, mas certamente xá non com o dizer, polo menos de forma decisiva. Porque, também, non se mencionou xá que “dizer” era reconhecer unha estructura que dispón algo que vem primeiro e algo que se lhe segue, um antes e um depois que non som intercambiáveis? Continua a fazer sentido para nós essa ordem ou xá se tornou indiferente, de maneira que qualquer termo pode ocupar indistintamente qualquer unha das posiçóns? Por outro lado, o verbo expressa os tempos verbais, mas, como é óbvio, non o tempo. O verbo, de facto, é um recurso para que apareça o que permanentemente se esconde, o tempo, do qual apenas temos o conceito. Na verdade, esta limitaçón é extensível a todas as cousas, que aparecem de forma recorrente na linguaxem, por assim dizer, suplantadas polas palabras. O fundamental da questón non consiste, em todo o caso, nessa questón óbvia, que caracteriza o nosso pensamento como moderno, mas em que, segundo a expressón verbal, o passado, o futuro e o presente, na verdade, só falam em presente, precisamente, porque “exponhem” no mesmo enunciado e ao “mesmo tempo”. e com a mesma caracterizaçón e tom, o que é radicalmente diferente: futuro, presente e passado. Podemos falar do que non foi e do que foi com a mesma indiferença com que falamos do que é ou será, exactamente porque falamos disso igualando-o. Seria preciso perguntar se no verbo, que constitui a funçón gramatical para se referir ao tempo, non se sepulta, para sempre, o tempo.

ARTURO LEYTE