Arquivos mensuais: Xaneiro 2018

AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (15)

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               Calamidades. Sufráxio.  O día 16 de Decembro de 1905,  assistiron todas as pessoas devotas á Santa Misa que se celebrou em sufráxio do meu tío (que em paz descanse), a minha nái assistíu, chegando de Matamá onde eu andava com a toura, e despois foi a Oliveira, chegando polas 6 da tarde chorando de tal maneira que tivem que ir por ela, perguntei-lhe que passava, e dixo que a sua irmán se tinha metido nela, despois de passados 15 minutos deixou de chorar, xa só se queixava da cabeza, eu tamém todo o día tinha andado aturdido da cabeza como se me quixera dar um síncope e queixas do corazón, etc…   Ofertórium.  O día 14 de Decembro de 1905 Domingo, a minha nái foi ó  ofertório do meu tío (q. e. p. d.), eu tinha quedado na casa, acto continuado chegou Avelino Carraceda, xogamos um partido e despois marchamos.  O día 18 de Decembro de 1905, sentín unha forte dor no xoelho da perna esquerda por via dum carbunclo, que reventou derramando aproximadamente meio quartilho de sangre, eu xamáis tinha visto carbunclo semelhante.  A minha nái e o adivinho.  O día 20 de Decembro a minha nái foi a Ponte pagar o consumo e de passo foi xunto ó adivinho.  De noite, vem o Spírito inquietarme, o meu corpo xa estava muito tomado pola bruxaría, que muitas vezes quando despertava moviase-me o corpo, quedando a cabeza quieta sem sentido e sem movimento, e non conseguia senon a forza de sacudir o corpo; nestes días passei muita fame.  Paporrubio.  O día 23 de Decembro de 1905 a minha nái fora a Ponte, e eu fún a dentro do eido cortar unhas polas de maceira e colhim unha postura mala ó respirar, e pareceu-me que se me introducíu aire num bacío, resultando unha grande dor por alguns días no referido sítio, e quando tossía a dor era insufríveĺ. Nesse día tivem unha surpresa porque, facía mais de trinta días, que todos os días entrava um paporrubio pola ventana até ó meio da casa e várias vezes saía pola porta; hoxe neste dia, o estou vendo sobre a porta e despois poussar no chan da casa.

manuel calviño souto

SCHOPENHAUER FACE AO PANTEÍSMO (53)

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               Os panteístas xá tinham concebido um princípio imanente unificador do mundo, um substracto comum a tudo.  Tinham achado unha divindade no mundo, non transcendente a ele, que era o seu sentido, a garantia da sua bondade.  Este panteísmo era optimista e racionalista: existia unha ordem, um sentido, o bem.  O panteísmo sustenta o que indica a etimoloxia do seu próprio nome:  tudo é Deus, o mundo é divino.  Schopenhauer partilha com o panteísmo percepçóns básicas como a de um princípio do mundo inerente a este, e non transcendente, a visón de unha essência comum a tudo.  Mas recusa-o porque non percebe no mundo motivos para esse optimismo racionalista.  Há nele demasiado sofrimento, demasiada rivalidade, demasiada maldade.  Parece-lhe inmoral pensar que este mundo de sofrimento é bom, que é o que deve ser.  O mundo está muito mais perto do péssimo, se fosse pior non poderia existir, do que do óptimo;  por isso é mais moral e xustifica-se mais ser pessimista do que optimista.  Além disso, considera que o panteísmo é inconsistente no seu método; parte de conceitos abstractos e da ideia de Deus, de algo desconhecido para explicar algo conhecido, o mundo;  ele, pelo contrário insere-se na interioridade mais íntima do ser concreto para achar, de modo intuitivo e directo (sem conceitos), a forza motora de tudo, e parte de algo conhecido (a vontade)  para explicar o desconhecido.

joan solé

DERIVA HISTÓRICA

marcorevoltadous

       O MUINHO DE BARCA DA BELLA VISTA

               Forma parte do nosso património arqueolóxico, este muinho de barca, destinado a moer possívelmente bellotas, que era unha das bases alimentárias mais comuns da nossa terra.  Pois é, xá o arqueólogo, aconselhou procurá-lo, e depois pedir autorizaçón ás respectivas autoridades para o seu traslado ó Centro Cultural (Centro Bingueiro), onde supostamênte estaría a salvo.  Havia que reunir as xentes do comúm, e fazer unha batida sistemática a fim de localizá-lo.  Mas a “Sagrada Preguiça”, a virtude mais benêbola e indulxênte com o sofrimento humano, acabou por adiar ad infinitum este negócio, para futuros tempos de mais prosperidade.  Penso, que guardo, no fundo do meu previlexiado cerebelo, a localizaçón exacta, a meio do caminho dum povoado mineiro da idade do bronze.

a irmandade circular

GOTAS DE MERCÚRIO (52)

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               O que se submete ao princípio da razón suficiente, manifestando-se no espaço e no tempo, son os fenómenos.  Estas determinaçóns fazem com que o mundo se apresente ao suxeito como representaçón.  Espaço e tempo (que existem no suxeito e na matéria enquanto conteúdo da consciência)  constituem o “princípio de individuaçón”: produzem a existência fenoménica da multiplicidade de seres individuais.  Este princípio non actua no outro lado do espelho, o da cousa em si, que non precisa de determinaçóns (regras, límites), e é unitária.  A estructura do princípio de individuaçón confirma-nos, no plano conceptual, o que xá dissemos e que sabíamos intuitivamente:  non pode existir relaçón de causalidade entre a cousa em si e os fenómenos; a vontade, que non está submetida á causalidade (princípio da razón suficiente),  non pode ser a causa das cousas e dos factos que experimentamos no plano empírico, que, estes sim, estan submetidos á causalidade.  Na experiência directa do corpo, descobriu-se que a vontade non está, como causa, nem antes nem fora das acçóns fenoménicas: está nelas enquanto aspecto numénico, como cousa em si.  Entender esta inclusón, esta falta de exterioridade e de causalidade, é fundamental para a compreensón da vontade em si e a sua relaçón com o particular fenoménico.  A pergunta continua a ser como se manifesta ou obxectiva essa vontade ou coisa em si no fenómeno percebido.  Schopenhauer indica que son dous aspectos do mesmo, um dos quais podemos entender empiricamente e o outro non.  O fenómeno que entra na representaçón por efeito do princípio de individuaçón (inserçón no espaço e no tempo) é a obxectivaçón ou manifestaçón da vontade.  Esta é, basicamente, toda a explicaçón que Schopenhauer nos dá a esse respeito.  Visualizemos:  há unha grande bola de mercúrio essencial que é a vontade e múltiplas gotas que se desprendem dela e que se mantêm independentes durante algum tempo até serem reabsorvidas.  A grande bola de mercúrio é a vontade, o em si, o númeno, Brahma.  As gotas son os fenómenos, o particular; son este can, este homem, esta rosa e esta rocha, este desexo, a força da gravidade, o magnetismo.  Estava xunto ao reservatório de mercúrio do aparelho pneumático e com unha colher de ferro extraía algunhas gotas, lançava-as ao ar e recolhia-as com a colher.  Se non as apanhasse as gotas voltavam a cair no reservatório e a única cousa que se perdia era a forma momentânea.  Por isso, era-me bastante indiferente conseguir ou non conseguir apanhá-las.  É assim que se comporta a “natura naturans”, ou sexa, a essência interior de todas as cousas, como a vida e a morte dos indivíduos. (P2,686)

JOAN SOLÉ

AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (14)

CONVENTOTRES

               Ponte despedida molestado.  O 27 de Septembro de 1905, estando eu em Ponte vem o Spírito inquietarme, e pola manhán quedei dormido,  tendo a pousadeira que despertar-me xa passavam dez minutos da hora, de maneira que o Mestre berregou comigo e tomando-me de mala fé, achacava que non tinha ferramenta, etc…  No día 29 de Septembro de 1905 quedaba destituido, entón vinhem prá casa, e o dia 3 de Outubro de 1905 (terça feira) estando eu assomado á xanela, puxem-me a pensar fixando os meus pensamentos, notei que estava atolondrado da cabeza, dor, catarro pulmonar e latidos no peito, nervios;  a minha ideia era ir buscar trabalho a Salvaterra, Vigo, etc… (ou así um sítio lonxano).  O 4 de Outubro de 1905 pensava ir para Portugal, e acto seguido fún a Matamá xunto da minha nái, decir-lhe que iva a Ponte, e nesse mesmo instante começou a vomitar e a decir que morria, e o viaxe quedou em nada, despois assaltou-me a mim cólicos de barriga, e ningunha vontade de comer, com dor de cabeza, etc…

manuel calviño souto

 

A FORÇA DA VONTADE (51)

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               A vontade é um impulso cego e universal que só quer. Non tem consciência nem conhecimento, é um puro ímpeto.  Non tem fundamento algum, porque é o facto básico, o que non precisa de qualquer outro facto anterior, posterior, inferior ou interior.  Non obedece a regras nem leis, porque é unha força arrebatadora universal.  Non tem outra finalidade além da satisfaçón do querer pulsional ou, dito de outro modo, só se quer a si mesma e á sua sobrevivência ou conservaçón.  A vontade é, no singular e no todo, unha força cega sem conhecimento, um querer “que non sabe o que quer, simplesmente quer, precisamente porque é vontade e non outra cousa”.  O suxeito individual engana-se em cada momento da sua vida, acreditando que quer algo concreto.  O certo e essencial é que quer, quer sempre.  O obxecto concreto do seu querer em todos os instantes non é mais do que a ocasión circunstancial do seu querer essencial.  A vontade non pode ser conhecida, porque, como cousa em si, númeno, Brahma, non  se submete ao princípio da razón espaciotemporal, non entra na nossa experiência possível, na representaçón.  Só se podem ter vislumbres dela (recorde-se o dito nas páxinas 81-82), intuiçóns, mas os conceitos abstractos son incapazes de a abarcar.  Esta substância ontolóxica, este “ens realissimum” (ser mais real) choca com todas as concepçóns metafísicas da filosofia occidental que desde a antiguidade grega, tinham concebido unha ordem xeral racional e harmoniosa garantida por unha intelixência benevolente (logos ou Deus), que seria possível conhecer através do correcto exercício da razón humana.  A estas concepçóns optimistas, Schopenhauer opon unha força bruta caótica, indeterminada e irracional, como fundamento da existência.  A cousa em si, o númeno, o fundo da realidade, a essência do universo, é um querer insaciável, pura vontade de viver.  A vontade é indeterminada e una, encontra-se fora das determinaçóns que estructuram o mundo fenoménico da representaçón; espaço, tempo e causalidade.  Como non passa polos filtros do fenómeno, non se quebra a sua unidade essencial enquanto cousa em si, permanece fora da multiplicidade e da pluralidade, “Ela mesma é una”.  A pergunta inevitável é; como se expressa a vontade unitária e compacta na multiplicidade de indivíduos e factos que saturam o mundo?  A vontade é tudo e os seres individuais son singulares, parciais.  A vontade como cousa em si, “a parte metafísica do mundo”, é diferente, fora do fenoménico. Como se manifesta no mundo como representaçón?

joan solé

AGRADECIMENTOS A TODOS OS VOLUNTÁRIOS QUE TRABALHARON NO MONTE COMUNAL DE GUILLADE

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               Agradecemos a todas aquelas xentes solidárias, que o día dezaseis de Decembro do ano dous mil dezasete, trabalharon em comúm, lado a lado, na defensa da nái Natureza, para o bem das xentes do comúm, e pola livre e prazenteira disposiçón das nossas vidas.   Pois o mundo, perderia muito do seu sentido, sem o disfrute da Natureza e da companhía mútua de todos.  Non obstânte, queremos também aquí alertar, para um despregue indiscriminado da xenerosidade, que nos puidera transmutar em “monxas do liberalismo”.   Com um saúdo fraternal, das xentes do comúm de Guillade, e a bonânza tutelar de todas as nossas Amadríades

                                       ¡¡SAUDE!!

A IRMANDADE CIRCULAR

AS UPANISSADES (ISTO ÉS TU) (50)

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               Schopenhauer descobriu o pensamento hindu (como se disse na biografía, graças ao orientalista Friedrich Majer) no final de 1813, quando o principal e até o secundário da sua filosofia estava xá formado, embora ainda non escrito:  só tinha concluído “A Raiz Quádrupla do Princípio de Razón Suficiente”.  Espantou-o a similitude daquele saber oculto ancestral com a visón da essência do mundo, bem como as profundas aprendizagens que tinha obtido dos seus mestres, Kant e Platón.  Impressionou-o ter atinxido, partindo do seio da mais estricta filosofia occidental, conclusóns quase idênticas ás do hinduismo, que depois encontraria também no budismo.  Schopenhauer foi um dos grandes introductores do pensamento oriental na Europa.  As Upanissades, conxunto de diálogos em sânscrito que Schopenhauer leu traduzidos para latim, son debates iniciáticos entre um mestre e os seus discípulos a respeito das grandes questóns da filosofia oculta, contida nos livros sagrados, Os Vedas.  Nestes diálogos, falava-se da natureza profunda da realidade, ou essência do mundo, e evidencia-se o carácter ilusório de todo o manifesto, da aparente pluralidade dos seres. A “doutrina do véu de Maya” revela a irrealidade substancial do mundo, que se assemelha a um sonho, a um engano dos sentidos.  Maya é o véu da ilusón que envolve a consciência humana e lhe cria unha sensaçón de multiplicidade e diversidade no que, em verdade, é unidade idêntica.  Quem desexar conhecer a realidade terá de penetrar ou rasgar o véu de Maya para superar a ilusón sensível.  Com a consciência empírica e as ciências non se rasga o véu de Maya, permanece-se no terreno fenoménico, non se entra na essência da realidade.  É preciso outro tipo de conhecimento.  O véu de Maya equivale ao mundo fenoménico e á representaçón, enquanto a realidade verdadeira (“Brahma”, em sânscrito), oculta atrás do véu, equivale à cousa em si ou númeno.  Segundo Schopenhauer, Brahma, como cousa em si, é a vontade.  A fórmula em sânscrito “Tat Twan asi”, que significa “isto és tu”, repete-se ao largo das Upanissades, como um mantra, para que os discípulos recordem a identidade essencial de tudo, incluindo o seu próprio ser.  O individualismo, o egoísmo, a vaidade, a invexa, o ódio; todas estas paixóns daninhas están fora de lugar, porque surxem de um erro inicial sobre a natureza essencial da realidade.  Desaparecem quando se penetra no véu de Maya.

jOAN SOLÉ

AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (13)

CONVENTO

                Cousas invisíveis.  Conmunitaten.  A minha nái foi à Cañiza, e toda a manhán a passei na cozinha, ás cinco da manhán assomei-me à xanela, para ver as fermosas estrelas correndo de unha parte para a outra; e vexo enseguida unha luz na Ferreira, como parecendo ser xente com unha fachuqueira, até sentín ruído, como a queimar cascas de pinheiro, despois como a cortar milho, etc…  A luz sempre no mesmo sítio, despois de quinze minutos começan a separar-se unhas lucinhas muito pequenas da grande; unhas brancas, outras azuis, cardenas, roxas; unhas dirixiam-se ó norte outras ó poênte, oeste, leste, outras ó céu e outras parecia que se metian nas profundidades da terra, separabam-se vagarosamente e à distancia de três a quatro quartas da luz grande desaparecian, até que desapareceu tudo.  Consulta.  O día 25 de Agosto de 1905 fún a queimadelos (Adivinha), o 15 de Septembro de 1905, restregei-me com um alho ó deitarme, toda a noite andiven em convulsóns e sonhos malos, pois tivera que me levantar polas 10,20.  O 18 de Septembro de 1905 ó deitarme restregara-me com um alho e o Spírito inmundo inquietando-me com sonhos malos, mas non me molestou muito a consequência do alho, mas faciame vários inconvenientes, tais eran, quedar dormido até ás dez ou doze, levantar-me espantado, sem forças, impedido da minha sorte, etc…  Mala Sorte.  O dia 24 de Septembro, regressei a Guillade, escribín unha carta e pissei unha tinálha de uvas – P, comim figos e bebim vinho, e estaba inchado, mas non me fixeron mal, só que pola noite, vem o Spírito inquietarme, e logo, puxo-se sobre o telhado na figura de um cachorro que partiu unha telha, minha nái levantou-se e começou a rifar com el, pola manhán ainda que tarde partín para Ponte.

manuel calviño souto