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Sobre da auga da fonte
que alixeiran mariposiñas e candileiras
elevo a voz do teu corpo que descansa
¡Qué fermoso ver a fala da xente
entre os sons escondidos da vida!
¡Qué alto gusto ver cómo entenden
as folliñas o noso sentir
ao se moveren nas pólas!
Elevo o teu soño por riba das herbas
e bebe un cagote o seu medrar
Falades de xuíciño e unha tesoura
anda con prudencia
Tendes que ver correr a auga
para sabervos amigos
¡Ouvide a auga fértil e compañeira,
calade pra respirar fondo!
francisco candeira
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Com a dissoluçao do Parlamento pelo rei em 1629, tiveram início os onze anos da tirania de Carlos I, durante os quais se sucederam diversas perseguiçoes religiosas. Em 1640, o rei viu-se obrigado a convocar de novo o Parlamento com o objectivo de conseguir mais financiamento para as suas operaçoes bélicas, mas os representantes que se reuniram tanto no Parlamento Curto (pois durou três semanas) como no Longo (que durou até 166O, embora tivesse sido destituído em 1648 e dissolvido infructuosamente por Cromwell em 1653) estiveram mais preocupados com limitar o poder do monarca e ressarcir-se dos anteriores prejuízos que ele lhes causara. Perante estes primeiros indícios de que a disputa podia desembocar num confronto bélico, Hobbes foi um dos primeiros a abandonar a ilha em busca de refúgio, algo de que se vangloriava, como está patente na sua autobiografia. Quando “a guerra assoma o seu rosto”, Hobbes foge horrorizado. Assim, primeiro na Escócia (1639) depois na Irlanda (1641) e, por fim, em Inglaterra (1642), desencadeia-se a guerra. Quando as hostilidades tiveram início em solo inglês, depois de o seu país fervilhar “em questoes relativas aos direitos do poder e á obediência que devem os súbditos” (De Cive, prefácio), um grande número de exilados realistas seguiu os passos do nosso protagonista e uma numerosa colónia inglesa instalou-se na capital francesa. Em Paris, a penúria obrigou-o a aceitar trabalhos de retribuiçao incerta. Paradoxalmente, isso levou-o a servir um escalao nobiliário hierarquicamente acima daquele a que estava acostumado. Foi entao preceptor de matemática de um muito jovem príncipe de Gales, um emprego que lhe ocupava muitas horas e nem sempre lhe foi pago com pontualidade. Como expressou o futuro rei Carlos II, se bem que por outras palabras, Hobbes era o tipo mais esquisito que alguma vez lhe apareceu. Nao obstante, o carinho que se originou naquela sala parisiense foi sincero, e embora passados anos lhe tivesse sido prohibida a entrada na corte por Edward Hyde, conde de Clarendon (um dos muitos amigos de Hobbes que se sentiram traídos pela publicaçao de “Leviata”, o rei sempre se preocupou com Hobbes, aquele professor particular, tao alto como peculiar, a quem deu a alcunha de Urso. Quando foi restaurada a monarquia em Inglaterra, Carlos II Atribuiu-lhe uma pensao vitalícia, embora pareça nunca ter chegado a recebê-la, ou por esquecimento do monarca, ou por ter sido bloqueada por algum inimigo do filósofo.
ignacio iturralde blanco
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O salgueiro enorme tumbado no prado
coas raíces á mostra.
Eu quero mirar prá fonte,
ferirme nas espiñas das silvas que lamentam.
Eu quero facer un niño
nas súas pólas dormidas.
francisco candeira
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Vou, mecanizado e duro (como diz o poeta) na dirección de Monzon, para tomar um pequeno almoço habitualmente tardio. O Escondidinho é o café desde o qual se pode admirar longamente unha das praças mais bonitas “do mundo”. Apesar de xá ter padecido algo a modernidade, segue mantendo o seu espírito no lugar. Na cabeceira do lado esquerdo, há dous deuses pagans que non podem deixar de ser reverênciados, o pái Minho gozando a beleza eterna da sua xuventude, e unha árbore sagrada quase-eterna, rodeada de barreiras e cartéis informativos. Está doente, coitada! Mas penso que o remédio non é o certo. Pois o que ela necessita é o calor daquela multidon que se coloca ó abrigo da sua sombra nas festas do vrán, para evitar um sol inclemente e despiadado. E non estes ferros e cementos que a rodean por todas as partes, até matala. No lado da dereita, um sacristán de pau, pede eternamente limosna, para unhs pobres que nunca xamais findan, e há até quem tenha a suprema maldade de xulgá-los necesários. Xá várias veces pensei (teóricamente) rouba-lo, e leva-lo para Guilhade, onde estaria na glória. Quase dormidos, pela beatitude da raxeira, vamos de longada pola tarde fora, sem présas, sem destinos, sem presupostos. Um refresco, na antiga casa do “Velho de Moscoso”, tamém conhecida como “Breixoeira”. Pola velha estrada nacional, ainda cheia de fontes nas suas vermas, circulamos com demasiada lentitude, procurando apreixar a araxe e a paisaxe circundante, num percorrido de trinta kilómetros cara ós Arcos do Val do Rio Vez. Coa mesma pacífica intención seguimos para Ponte da Barca, um remanso de beleza e tranquilidade, dignos de Don Simon (o estaxirita). Albergábamos a larpeira esperanza de comer no restaurante “O Muinho”, mas non temos tido sorte com os “comes e bebes” últimamente (ou a qualidade baixou algo, ou nós nos tornamos demasiado esixentes). Estava pechado, em pleno més de Xunho, para reformas! Visto o panorama, que é lindo, Nota-se que, ou o home se cansou de dar de comer a mangantes, ou o seu forte non son os turistas. Paciência! Como dí graciosamente um filho dum amigo meu, imitando o pái. A Ponte de Lima, sítio que non recomendamos a Don Simon, porque aquí sí que há xentes, estava tudo abarrotado, pois era festa local, e para cúmulo de males, ainda porriba cantava a grande fadista Carminho. Despois dum agradável passeio, perguntamos, como é habitual em nós, “onde se pode comer aquí, como um príncipe?” As pessoas decentes, rian-se de tan disparatado propósito, isso era noutros tempos, agora todos comemos igual! (sorte que non estava com nós Don Ortega e Gasset, pois poderia alí mesmo confirmar a sua teoría sobre a “Rebelión das Massas”, e os efeitos perniciosos da mesma). Bom paciência!! Se unha táctica, non funciona, há que fabricar outra melhor. Entón, decidimos mudar a pergunta! Onde come aquí Fernando Mêndes? Pois, parece ser, non é seguro, que comia alí mesmo. Cozinha falsamente caseira, e certamente rexional. Caldo de Galinha, e um Cabrito que parecia marinado em zorza ou roxoes. Pois sinceramente, xá que franco non podo, non estava mal. Amén!!!
léria cultural

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O valor das cousas que teñen un lume
escondido. Os homes que miran
o cenit e o horizonte chorando de ledicia.
Miro pola fiestra as almas que me queren.
Canta un melro, canta.
¡Qué gracioso ouvir uns pasos que falan
cando a pel sinte tristura!
francisco candeira
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O pano de fundo no continente era a Guerra dos Trinta Anos (1618-1648), que opunha soberanos católicos, como os Habsburgo da Austria e de Espanha, a luteranos e calvinistas. O epicentro deste conflicto estava em terras alemâs, mas a guerra acabaria por afectar directa ou indirectamente muitos outros países, como a Dinamarca, a Suécia, a Holanda, a França, a Rússia, o império turco ou os mencionados estados italianos. A guerra foi motivada por conflictos de interesses religiosos, embora em breve estes fossem substituídos por outros de carácter político e se tenham formado blocos que agrupavam naçoes de diversos credos. Este clima bélico, como se de uma tempestade se tratasse, ia-se aproximando também das Ilhas Britânicas. Devido ao envolvimento da Inglaterra, no conflicto e ao seu financiamento (o Parlamento negou-se a conceder fundos, o que levou o rei Carlos I a cobrar impostos sem a sua aprovaçao e a encarcerar todos aqueles que se recusassem a pagá-los), a Camara dos Comuns conseguiu por fim que em 1628, o rei aceitasse a Petiçao de Direitos (Petition of Rights), uma limitaçao do poder real em forma de uma série de garantias invioláveis dos súbditos. Porém, um ano depois, o rei reagiu e mostrou-se tao intransigente como o pai ao encerrar a porta do Parlamento, que foi fechada literalmente com correntes e cadeados e se manteve assim durante onze anos. Criaram-se entao dois partidos: os favoráveis ao poder real e os defensores da soberania dos súbditos. As disputas entre eles diziam respeito ao dever de reconhecimento do direito divino dos reis, ás atribuiçoes do Parlamento, á tolerância religiosa e a questoes muito mais prosaicas, mas de peso, como a cobrança de impostos. Pouco a pouco Hobbes foi intervindo na vida pública devido á estreita relaçao que mantinha com os seus patronos. Naquela época, além disso, publicou as suas primeiras páginas, por exemplo, a introduçao á sua traduçao da “História da Guerra do Peloponeso” de Tucídides. (…) No entanto, o efeito de Tucídides sobre Hobbes foi o contrário do que os amigos venezianos teriam desejado, pois reforçou ainda mais as suas convicçoes monárquicas. É certo que, no programa do humanismo, Hobbes nunca foi seduzido pelo republicanismo clássico, motivo pelo qual atacará tanto a democracia como o seu ideal de liberdade. Em meados da década de 1630, outro ramo da família Cavendish reclamou os seus serviços. Neste caso, tratava-se do conde de Newcastle, cavaleiro e general (chegaria a ser um dos mais destacados na guerra civil que estava a ponto de rebentar), que o incluiu na sua folha de pagamentos. Esta circunstância foi definitiva para que Hobbes ampliasse as suas inquietaçoes intelectuais, deixando de lado a vertente mais humanista que o ocupara até entao. O conde e o irmao estavam a trabalhar em assuntos eminentemente militares, pelo que pediram ao novo conselheiro, como se de Leonardo da Vinci se tratasse, que os ajudasse a melhorar a sua tecnologia bélica. Foi a partir desse pedido que Hobbes deixou de ser unicamente um homem de letras para se tornar também um cientista. Deste modo, começou a ocupar-se de questoes prácticas, como a óptica, a dinâmica aplicada á balística ou a equitaçao -a este assunto dedicará um opúsculo nunca publicado, de valor residual. Durante esse período vao-se cristalizando em Hobbes uma série de influências que, até ao momento, tinham aparecido de forma dispersa. Tomou, sobretudo, consciência da importância do método na ciência moderna, do poder da deduçao e da melhoria da qualidade de vida que pressupoe a sua aplicaçao práctica. A partir de entao dedicar-se-ia por completo a colaborar, na medida das suas possibilidades, no desenvolvimento das diversas discíplinas. Especialmente esclarecedor foi o estudo da obra de Galileu Galilei, dedicada também á dinâmica, e que estabeleceu os fundamentos da física clássica (anterior a Newton).
ignacio iturralde blanco
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O lume no forno
e o fumo que sobe como néboa.
Os azulexos con paisaxes brancas
sobre a terra escura.
Os que foxen pra esconderse dos pozos.
Aquel que esconde as mans pra fuxir do odio.
¡Son un neno a mirar pró corazón
deitado nun regueiriño!
francisco candeira
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Se imos ao Atlas Linguístico Galego, vemos que o Condado se atopa dentro do bloque dialectal occidental e máis concretamente na área pontevedresa. Son ben coñecidas as características fonéticas e morfolóxicas da nosa zona: plural en -ns dos nomes rematados en -n (camións, cans); existencia de gheada (ghato); seseo parcial (lus, rapas), terminación -án para masculino e feminino (meu irmán, miña irmán; mañán, mazán, ran), ditongo -ui- en muito, truita; formas verbais como foches, colleches, din. Como vemos, algunhas destas formas afástanse do estándar ou variedade normativa (a RAG recomenda miña irmá, mañá, mazá, ra, moito, troita, fuches, colliches e dei) e outras, non. Secomasí, gustaríanos facer referencia aquí a outra serie de formas lingüísticas perfectamente normativas que ás veces pasan máis desapercibidas pero que se atopan moi vivas en concellos como Ponteareas, sobre todo cando nos fixamos no galego daquelas persoas das que temos moito que aprender, os nosos maiores. Velaquí algúns deses elementos idiomáticos (sintácticos, léxicos, pragmáticos) que deberiamos potenciar no noso galego, xa que lle dan personalidade á nosa lingua: 1. Cando formulamos unha pregunta das chamadas “polarizadas” (é dicir, das de resposta si/non) e agardamos que nos confirmen o que pensamos, temos á nosa disposición un conxunto moi ricaz de posibilidades (entre outras: Non si ou Non+Repetición do verbo ou adverbio se agardamos resposta afirmativa, e non non cando o que esperamos é unha resposta negativa). Vexamos algúns exemplos: Vas alá, non sí? / Non vas alá, non non? (pronunciado: nonón) / Hai leite na neveira, non hai? / Está na casa, non está? / Xa chegou, non xa? / As cousas teñen que pensarse ben antes de facelas. Non é, Uxía? / Va que non sabias iso? É dicir, evitemos nestes contextos o uso da forma verdade, que tan alleo ao galego resulta. 2. Outra forma interesante do Condado e de todo o centro e sur da provincia de Pontevedra, usada polo tanto nunha das zonas máis poboadas de Galiza, é a perífrase verbal Querer+Participio: As árbores queren regadas, Iso quería feito, Ese chan quere fregado, etc. Trátase dun xeito de expresar necesidade ou obriga, o mesmo ca se dicimos Hai que regar as árbores, Hai que facer iso, Hai que fregar o chan. O que se fixo foi situar o obxecto na primeira posición da oración (porque diso é do que primeiro se quere falar) e ademais convertelo en suxeito (de maneira que nos queda a orde máis normal na nosa lingua: suxeito+predicado). Estamos diante dun curiosísimo complexo verbal que o catedrático da Universidade de Vigo Xosé Henrique Costas puxo recentemente en relación con outra semellante existente en sardo. 3. Vexamos agora algúns procedementos para expresión de dúbida. Imaxinemos que nos preguntan: Vas ir a Xinzo? Pois ben, se queremos expresar “probabilidade”, podemos responder. Hei de ir ou Quen sabe vaia. E para indicar pura “posibilidade”: Ao mellor, vou – Se cadra, vou – Se acaso, vou. Na nosa zona, a forma Quizais non a atopamos na fala viva, e moito menos Talvez, forma esta última que nos parece allea ao galego. 4. No tocante ao nivel léxico, poderiamos citar centos de palabras, mais debido á falta de espazo, imos simplemente pór de relevo unhas poucas verbas ben documentadas na nosa zona que estaría ben que reivindicásemos como falantes: -Entón?, como fórmula de saúdo. Lembro de pequeno que cada vez que ía visitar a meus avós a Xinzo, eles para saudar nunca usaban a expresión Ola ou Que tal, senón Entón (que pronunciaban: antón). -Faladeiro e Adozado como adxectivos: unha persoa faladeira é aquela que fala con todos, sociable; e cando dicimos de alguén que é adozado, facemos referencia a que é moi agradable e agarimoso (lembremos que en galego existe tamén o verbo adozar, que significa botar doce á comida e, por extensión, suavizar algunha situación). -Incomodarse, Anoxarse, Bater, Broucar, Revirarse, verbos moi frecuentes na nosa zona que entrarían dentro do eido semántico para describir conflitos entre persoas. Coidamos que incomodarse é a forma máis tradicional de expresar o que en castelán se denomina “enfadarse” (Non te incomodes. Estou incomodado contigo); un sinónimo é anoxarse (Non te anoxes, que non o dixen por mal). Bater é utilizar a violencia física contra alguén (en castelán: pegar): Non lle batas, Bateume. É a forma máis común e xeral e podemos dicir que posúe un significado máis amplo ca o de broucar ou mallar, que fan referencia a un bater máis violento ao implicar adoito a utilización dun pau: Broucáronlle ben. Se nos fixamos noutros exemplos documentados no Condado: Brouquei a cabeza contra o moble. Non brouques a porta (é dicir, non a peches con forza), podemos fixarnos que equivale ao verbo castelán “golpear”, que nós non temos necesidade de empregar. Por último, revirarse, verbo sempre pronominal: Hai que revirarse aos novos e non aos vellos. Eu douche unha labazada agora a ti e ti revíraste; podes mesmo chegar á violencia física e irme áos fuciños). Nos nosos falantes máis fiables nunca escoitamos o verbo “rebelarse”. -Preto (con e pechado), adxectivo que fai referencia a unha persoa negra de pel / Preto (con e aberto). adverbio: que non está lonxe. Os bos falantes de Ponteareas distinguen perfectamente este par de palabras dende o punto de vista fonético. -Outras voces: larear “conversar, falar con ánimo de pasar o tempo (Estiven a larear un pouco con Xan). Arrombar “pór en orde, arranxar” (Vou arrombar o cuarto), “solucionar algo” (A cousa quedaba arrombada). Careco “sen pelo” (Unha persoa careca). Trabar: en castelán, morder (Traboume un can. Traboulle un can. Ese can traba? Trabei a lingua). Devalar “diminuír a lúa de tamaño” (Ao devalar a lúa). Fustalla “recipiente onde se garda o viño” (Estiven a lavar as fustallas). Estar á raxeira “estar ao sol, gozando del”. Escantar “xurar” (Escántate! Escántome!). Escantamento “xuramento” (Mira que fixen un escantamento. Cobiza “ganas de traballar” (se houbese máis cobiza e menos preguiza outro galo nos cantaria. Así que poño a comida na mesa, pégalle a cobiza). E para rematar, algúns vocábulos que polo de agora só se describiron na nosa zona e que ben poderiamos exportar a outras zonas de Galiza, se é que non existen xa. Como di o lingüista Juan Carlos Moreno Cabrera, no seu fermoso libro La dignidad e igualdad de las lenguas, cando unha palabra ou a acepción dunha palabra non figura no dicionário, é un defeito do dicionário, non da palabra: Esquifar: “delatar” (Non me esquifes. Xa me esquifaches, eh? Non che dixen que non lle comentases nada?). Temos toda a familia léxica: esquifón “persoa que esquifa, delator” (É un esquifón), e esquifa “acción de esquifar” (Houbo unha esquifa). Negrar: “manchar, ensuciar” (Negrouse todo. Vaste negrar). e negro: “manchado” (A camisa está negra. Estás todo negro). Aneguir “agochar, ocultar” (Estás aneguido. Faste o aneguido, vén falar coa xente! E se tivera un querido aneguido no aseo?). Xoldra, que equivale ao castelán “hojaldre”: Eu quero mellor a xoldra (referido a unha rosquilla). Entroutar: “organizar as tarefas”. (-Mañá tes que facer aquilo, -Non, agora xa teño todo entroutado. Xa teño as cousas todas entroutadas). Estas e moitas outras expresións poderiamos seguir debullando para caracterizar a lingua galega do Condado, as cales demostran que para atoparmos cun galego fiable, libre da influencia do castelán, non fai falta irmos a zonas illadas do nosso país. Algúns destes recursos expresivos foron analizados e documentados por primeira vez en diversos traballos que publicamos non hai demasiado tempo, e o que iso indica é que, dadas as especiais circunstancias de marxinación que a nosa lingua sufriu ao longo da história, a descrición da totalidade das formas existentes na lingua galega era e segue a ser un capítulo aínda non pechado da linguística galega.
delio garcía represas
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Mirai a ónde viñen parar hoxe
A Mondariz
Un día máis en Mondariz Balneario
Canta un moucho
Xa sabedes cómo cantan os mouchos
Dígovos que estou a mirar o ceo
da noite polas fiestras
do Gran Hotel derruído
O ceo que baixa ao chan
pra beixar os fentos
entre as paredes baleiras
Acordeime do moucho
que canta en Lisboa,
no xardín do Centro Galego,
porque a lúa que miro agora,
difuminada, borrosa, esvaída,
derretida, nebulosa, querendo
alongarse e espallarse a cabalo das nubes
parece pedirme que a leve
a onde a miña lembranza queira
Ela, a lúa, sabe tamén
que eu veño de contemplar o río
e que todos os ríos sonoros á noite
semellan unha fervenza negra, solitaria.
francisco candeira
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Hobbes transformou-se naquilo que os franceses chamaram um “conducteur d’un Seigneur”. Atravessou o mar, levando pela mao o seu pupilo e amigo William, para descobrirem juntos um mundo que até entao só tinham explorado nos livros. Essa viagem iniciática durou cinco anos. De todos os lugares que visitaram, Veneza foi a cidade que lhes causou uma impressao mais profunda. Era o último bastiao republicano na fragmentada Itália pós-renascentista, pois a maioria dos estados tinha sucumbido ao domínio espanhol, depois de França ter sido derrotada. Cavendish e Hobbes entraram em contacto com a classe dirigente veneziana, sobretudo com o religioso Paolo Sarpi, membro do Tribunal dos Dez e excelente defensor da república perante o papado. A luta de resistência face ao papa travava-se também no campo das ideias, sobretudo por manter a autonomia de Veneza em questoes religiosas perante o papa PauloV, muito inclinado para o lado espanhol. Por esse motivo, os venezianos estavam sinceramente interessados nos ensaios de dois humanistas cujas propostas julgavam poder ajudá-los na sua causa contra a intromissao do pontífice: um contemporâneo, o inglês Francis Bacon, e o renascentista francês Michel de Montaigne. Este último, como os cépticos clássicos, promovia o questionamento dos preceitos morais, a suspensao de todas as crenças (epochê) com o objectivo de alcançar a serenidade e a imperturbabilidade (ataráxia) e, como os estoicos e o renascentista Justus Lipsius, a ausência de qualquer tipo de alteraçao de índole emocional (apatheia). De qualquer modo, Montaigne punha um límite a este tipo de neoestoicismo e isolamento céptico: “a conservaçao da própria pessoa”, dado que defendia ser obrigaçao do homem sábio manter a sua integridade física, um ponto que se liga também ás ideias do céptico Carnéades. Hobbes, por seu lado, dará um paso em frente até transformar esse princípio de autoconservaçao em direito natural inalienável, o axioma fundacional sobre o qual baseia uma nova moral. Por outro lado, Bacon, contra o que opinava Montaigne, defendia o envolvimento político dos cidadaos, bem como a aplicaçao práctica das ciências para melhorar a sua vida.
ignacio iturralde blanco
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O veciño cando adolescente
apretando entre as mans ourizos arregañados,
agora pervagando antergo por riba do tellado
e a baixar pra dicir de herbas e essencias:
“a folla da nogueira é boa prás úlceras
e hai que collela agora e póla a ferver”
Os amigos que axudaban no eido, que xa se foron,
mais enxertaron e plantaron roseiras.
Os homes barís, tal habelencia acabou…
O compañeiro que ergueu a casa, tan ben,
neste intre na casa de todos,
qué amigos nos leva a vida, a morte!
Outros podaron, deron sulfate, cavaron:
este, aquel, as mulleres.
¡Ouh, qué cousas boas
ten a alma da labranza!
¡E qué cousas ten o tempo da Terra!
¡O tempo é unha man,
unha manchea de terra, traballo e versos
a ir e vir pola escaleira de Xacobo!
francisco candeira
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Despois das duas primeiras teorías sobre a orixem do nome de Guillade, chega a nós unha terceira vía desta vez polo caminho da história “As orixes desta parroquia vencellaríase a un propietario, “Williahathu” – “Viliati”, un xefe xermánico posuidor dun amplo latifundio na Alta Idade Media na marxe norte do rio Uma. A familia, magnates ou ricohomes, irían desmembrando o territorio desde o século XI con diferentes doazóns aos principais poderes eclesiásticos da rexión: a Catedral de Tui e o mosteiro de Melón. No século X comprobamos a fundación dunha igrexa en Guillade baixo a advocación de Santa Leocadia. No ano 963 un numeroso grupo de persoas, herdeiros do antigo propietario, contribuirán con diferentes bens no territorio para establecer unha casa e basílica, adicada a Santa Leocadia. Os nomes de orixe xermánica dos doantes sinalan eses vencellos coa antiga posesión agrícola, que se irá disolvendo coas diferentes doazóns que se practicarán nos séculos XI e XII. Restos da igrexa de Santa Leocadia, así como a súa pía bautismal, serian atopados polo equipo arqueolóxico do Baixo Miño e expostos os datos por Martínez Tamuxe. A tipoloxía da pía de bautismo, cunha banda sogueada ao seu redor, encadraría coa época da doazón (século X), do mesmo xeito que algúns dos restos atopados que sinalaría unha ocupación do lugar breve. Neste senso sinalar, como xa o fan Romaní e Otero no seu traballo, que Santa Leocadia non se trataría dun mosteiro, como nun principio se conxeturou, senón unha igrexa que atendía a un núcleo rural que esmorecerá probablemente nos comenzos do século XI. A igrexa de San Miguel de Guillade (Viliati), sería doada por Hermosenda Menéndez ao bispo tudense Auderico no ano 1074, o que sinala a antigüidade da parroquia pero tamén como a súa orixe se ligou a unha poderosa familia nobre na rexión miñota. En 1156 no reparto de bens entre bispo e cabildo, o bispo tiña a posesión da metade da igrexa de Guillade. Varios documentos do mosteiro de Melón, sinalan as diferentes doazóns que se fan no territorio de Guillade, como a de 1223 por Fernando, Maior e Rodrigo Petri, do lugar de Palaciis (Pazos). Este lugar de Pazos evidencia a fragmentación das velhas propiedades dos magnates altomedievais e tamén como o topónimo mostra o núcleo do territorio e residencia dos antigos latifundistas, nas inmediacións da mesma igrexa parroquial. En 1205 o rei Alfonso VIII de León concedería o realengo de Guillade a Suero Díaz; o señorío de Guillade pasará a mans da nobreza que acabará integrando a parroquia co paso dos séculos no condado de Salvaterra. Tal e como acontece coa igrexa de Santa Leocadia, a posesión dos documentos de doazón en mans de Santa Maria de Melón mostra como estas posesións acabarían formando parte do poder económico do mosteiro cisterciense, mentres que a igrexa parroquial quedaria en pertenza dos bispos tudenses. Deste xeito temos as separacións habituais entre señorío, bens e xurisdicción eclesiástica nunha mesma parroquia que provoca numerosas confusións e pleitos durante o Antigo Réxime. É importante entender o proceso de formación da parroquia, cos seus límites, toda vez que esta vaise producindo entre os séculos XI e XII, ata o seu proceso de maduración definitiva. O crecemento económico e demográfico que empurran á roturación de novas terras neste período, vai crear unha nova organización eclesiástica para dotar a eses núcleos de poboación emerxente do auxílio espiritual apropiado. Neste senso, San Miguel de Guillade ofrece unha información extraordinaria sobre o proceso de formación das parroquias baixomedievais. Desde un latifundio (villae), o territorio de Guillade vai desmembrándose ata acadar os límites formados con outras parroquias que crecerán ao seu redor (Cumiar, Mouriscados, Vilacoba, Uma, Celeiros e Santiago de Oliveira) desde o século XII”.
léria cultural
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Pregúntolle ao veciño Xeneroso
pola fonte vella
e dime que inda non cansou.
Da fonte nova de Pazos
vou á fonte vella,
alá no cachafundo,
e adiviñoa tras os vimbios
e máis a broza de silvas.
Escondida e viva está
como a infancia nosa
no barrio
cando non se botara a perder
o riso de fuxir á chamada das nais.
Escondida e sonora anda
como toda a infancia,
como aquela en que, ocultos,
rubiamos castiros
pra sacarlle solfeo a botes e cacharros…
¡Ouh, Eido da Sorna, ouh lugares
da nenez agora con cerco
de silvas
e de uvas de can hoxe como onte
embriagados!
francisco candeira
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Naquela época ter criados da mais alta erudiçao era bastante conveniente. Num tempo em que se valorizava a qualidade dos textos, a retórica e as ideias, considerava-se apropriado ter a soldo pensadores capaces de compor uma apologia em alexandrinos, um discurso para ser pronunciado no Parlamento ou simplesmente capaces de recitar com elegância Virgílio, em latim, á hora do chá. A aristocracia britânica seguia, assim os passos de outros reputados mecenas do saber, entre eles os Medici, de Florença, muito embora, ao contrário daqueles, os ingleses incorporassem os sábios no seu serviço doméstico pessoal. Corria o ano de 1608, Hobbes tinha-se graduado em Oxford, revelando dotes excepcionais no uso da linguagem, e, por recomendaçao do director do Magdalen Hall, entrou ao serviço de uma das famílias mais ricas de Inglaterra os Cavendish do Devonshire. “Embora eu proprio fosse um adolescente, nomearam-me tutor de outro adolescente, pois continuava submetido á autoridade paterna. Servi-o satisfactoriamente durante vinte anos, e nao foi tanto meu senhor como meu amigo. Foi a etapa mais doce da minha vida e ainda sonho gratamente com ela”. Enquanto foi preceptor de William Cavendish, o futuro segundo conde do Devonshire, pôde continuar a sua própria formaçao, ainda que de forma muito mais autodidacta. Passou dois anos a ler romances e depois dedicou-se ao estudo da história de Inglaterra, de Roma, de Grécia, fase durante a qual devorou com especial prazer Tucídides, que viria a traduzir para inglês. “Foi ele que me ensinou até que ponto é inepta a democracia, e que mais juízo tem um único homem que uma assembleia inteira”. A sua situaçao profissional permitiu-lhe também conhecer os cientistas, políticos e pensadores mais destacados da época, bem como ter accesso ás principais obras que iam publicando. Outros grandes cérebros contemporáneos de Hobbes também serviram patronos aristocráticos; por exemplo, John Locke exerceu como médico pessoal e secretário, e o jurista John Selden também serviu um conde, e tornar-se-ia, com os anos, grande amigo do filósofo de Malmesbury. Est vida tranquila, protegida, permitia-lhe desfrutar dos luxos próprios da classe aristocrática. No entanto, também acarretava alguns inconvenientes. O mais evidente era a impossibilidade de usufruir de uma vida sentimental: pelo que sabemos dele, nao casou nem se lhe conhece descendência. Considerava, talvez por essa condiçao, que a estupidez provém “do apetite de prazeres sensuais ou da carne” (A Natureza Humana, X) e que “os seus deleites se veem compensados com o tédio” (De Homine, XI).
IGNACIO ITURRALDE BLANCO
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A Mai mándame atrancar
a porta do canastro
e eu aproveito pra reparar
nas noces e avelás do ano pasado.
Achégase a Mai e nomea
a serda que se mira
a través do saco roto
-¿Serda?- pergunto dúas veces
-Si, serda; si, serda- responde
como cabreada por non saber eu
o que ela coñece demasiado ben:
– Serda prós colchóns, do rabo
de cabalos e bois!
Comprendín que reprochara
a miña ignorancia.
Quen non comprendeu, quen se puxo
de mal humor foi o meu veciño onte
cando lle propuxen irmos unha noite
con focos e candís arrincar
os marcos do monte da aldea
pra lle remendar unha casiña
bonita pró poeta máis pobre
da tribo, na ladeira dun monte,
abrigada de ventos, pra vixiar
carballos e piñeiros, pra que ninguén
queime a alma verde do ar
que nos fai respirar a solidón sonora.
O veciño frunciu o ceño
sen saber que eu llo dixera
medio en serio medio en broma.
¡Moito poden as pedras, amiguiños!
francisco candeira
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