CILLÓNIZ, Antonio (Lima, 1944) Poeta peruano. A sua carreira universitária trouxo-o para Madrid, em donde trabalhou como arqueólogo, vendedor âmbulante e professor de literatura e línguas. Depois de algúns anos regresou a Perú. Os seus poemas som imaxinativos e com nervo, qualidades que comparte com a maioria dos poetas peruanos da sua xeraçón, reunídos na antoloxía de José Miguel Oviedo, “Estos 13” (Lima, 1973). Publicou “Verso vulgar” (Madrid, 1967); ”Después de caminar cierto tiempo hacia el Este” (1971), com o qual ganhou o Premio Poeta Joven del Perú em 1970; ”Donde va el tiempo cuando no sopla”; e “En busca de la hierba que crece bajo la sombra del árbol del paraíso”.
Carlos VIII impôs unha derrota vergonhosa a Florença, no seu caminho para Nápoles, e fê-lo unicamente com a ameaça das armas. Na sequência da dolorosa constataçón da fragilidade da sua pátria, corroborada no contacto posterior com várias cortes europeias, nasce unha convicçón patriótica em Machiavelli, que o acompanhará ao longo de toda a vida: só unha Itália unida será respeitada polas grandes potências internacionais. A exortaçón das páxinas finais de “O Príncipe” é precisamente esta: pede a outro príncipe Medici, ao filho do infortunado, que lidére um exército capaz de congregar os principados italianos sob unha mesma coroa, como tinham feito os Reis Católicos em Espanha. Na sequência desta revolta popular contra os Medici, arranca o primeiro interlúdio republicano. Foi restabelecido o poder do Grande Conselho, a instituiçón mais plural e democrática, e som escolhidos novos responsáveis para o governo da cidade. Produz-se entón unha dessas reacçóns que se imaxinam melhor se pensarmos num pêndulo. Neste caso, o instigador da reviravolta ideolóxica foi o carismático Girolamo Savonarola, um dominicano de tán ríxida moral e apocalípticos ideais que se propôs acabar com os anteriores excessos mundanos dos príncipes banqueiros. Depois de Florença ter passado por um dos momentos de maior esplendor artístico e cultural com o Magnífico, Savonarola tornou-se um vehemente defensor da austeridade e um exaltado profeta do cristianismo fundamentalista. Destacou-se pola sua capacidade de pregar às massas com inflamados sermóns do mais fanático fervor relixioso. Tais mensaxens de condenaçón e perdiçón espalharam-se como um rastilho de pólvora, non só entre os seus fiéis (os piagnoni, ou “choramingas”), como entre os restantes cidadáns florentinos. Os seus discursos inflamados deram asas às paixóns mais retrógradas, cuxo ponto alto foi a fogueira das vaidades que o prior dominicano ateou simbolicamente. Contudo, o radicalismo de Savonarola conduziu-o a enfrentar o papa, a quem criticaba abertamente por ser dissolucto e dado ós luxos. Esta situaçón levou a que o relixioso florentino, primeiro fosse excomungado e, depois, ficasse prohibido de pregar. O conflicto com o sumo pontífice agravou-se a tal ponto que o frade perdeu o favor da cidade e terminou os seus dias devorado polo fogo aniquilador dos grandes…
Para Aristóteles, lóxica e linguaxem mantém unha íntima relaçón. Se a linguaxem é constituída por signos com os quais expressamos (de forma falada ou escrita) o nosso pensamento, a lóxica permite-nos analisar determinados usos dessa linguaxem, mais concretamente os relacionados com a criaçón e a transmissón de conhecimento. Essa relaçón entre linguaxem, lóxica e pensamento é unha das grandes descobertas de Aristóteles, que defende que a lóxica non faz parte da filosofia, pois non é unha ciência como tal, mas é a ferramenta fundamental, o instrumento (organon, em grego), mediante o qual as ciências som possíbeis. Algo similar acontece com a linguaxem, pois tudo o que lhe diz respeito fica fora da ciência, mas sem linguaxem, num sentido lato do termo, non há ciência. Aristóteles parte de dois pressupostos básicos para a investigaçón e convém tê-los claros desde o princípio. O primeiro tem a ver com a causalidade dos axiomas a estudar, visto que tudo tem unha causa. As cousas non se xeram ou sucedem por acaso, qualquer cousa do mundo é o que é, e comporta-se como se comporta por algunha razón, ou sexa, porque existe no mundo algo distinto que é a sua causa. Do mesmo modo, tudo o que se move é movido por algo. De tudo isto deduz-se que conhecer algo, consiste em estabelecer as suas causas, os seus motores. Portanto, para conhecer o mundo será preciso determinar as relaçóns de causa e efeito que existem entre todas as cousas. Aristóteles desexa saber, e se saber algo consiste em determinar as suas causas, isso é o que ele perseguirá. Daí o seu interesse em criar um método que lhe permita descobrir a sequência de causas de todas as cousas. O segundo pressuposto tem a ver precisamente com a linguaxem e, de modo concreto, com a relaçón entre a linguaxem, o pensamento e a realidade. Apesar de, na linguaxem, se utilizarem diferentes formas segundo os acordos próprios da comunidade linguística, para Aristóteles é sempre unha expressón do pensamento e da realidade. Isto é, as palabras que se usam para designar unha cousa podem ser diferentes de acordo com as pessoas ou as comunidades linguísticas, mas os conteúdos mentais aos quais se referem essas palabras non o serán necessariamente. E non apenas isso. O pensamento também se serve da linguaxem, visto que, mediante os siloxismos, somos capazes de produzir novos conhecimentos a partir dos dados da experiência.
CEVALLOS, Pedro Fermín (Ambato, 1812-1893). Historiador e filólogo equatoriano. O seu “Resumen de la historia del Ecuador desde su origen hasta 1845 (2ª ed., 1886-1889, 6 volûmes), intenta superar a obra pioneira de Juan de Velasco. “Breve catálogo de errores en orden a la lengua y al lenguaje castellanos” (3ª ed., 1862) é a sua melhor aportaçón à filoloxía.
CÉSPEDES, Augusto (Cochabamba, 1904). Contista e novelista boliviano. Como Díaz Machicao, Céspedes lutou na guerra do Chaco, e escrebeu sobre ela nas vigorosas narraçóns incluídas em “Sangre de mestizos” (Santiago de Chile, 1936), que foi descripta como “novela vertebrada en crónicas de intenso realismo”. “Metal del diablo” (1946) é um ataque feróz à política do seu país, personificada no magnate e tirano Simón Iturri Patiño, que na novela leva o nome de “Zenón Omonte”. A sua obra mais importânte foi “El dictador suicida: quarenta anos de história de Bolívia” (Santiago de Chile, 1956), que abarca a carreira política de Germán Busch de 1900 a 1940. Os seus últimos libros forom “El presidente colgado” (1966) e “Trópico enamorado” (1968).
CERVANTES SAAVEDRA, Miguel de (Alcalá de Henares, 1547- Madrid, 1616). É um dos pilares da literatura universal. O seu pai foi Rodrigo de Cervantes, médico de escasos recursos, e a sua nai Dona Leonor de Cortina. Estudou as primeiras letras em Valladolid, depois parece que estudou com os Xesuitas em Sevilla, e que seguramente foi alumno de Juan López de Hoyos em Madrid. Em 1569 foi para Itália no séquito do cardeal Acquaviva. Enrrolou-se como soldado em 1570, e participou na famosa batalha de Lepanto, na qual foi ferido. O seu braço esquerdo quedou para sempre inutilizado. Passou seis meses num hospital da cidade de Messina. Depois participou nas campanhas de Corfú, Navarino e Túnez. Quando voltaba a Espanha em 1575, foi feito prisioneiro por piratas mouros e levádo para Argel. Forom encontradas cartas de recomendaçón de Juan de Austria dirixidas a importântes personáxes políticos espanhois. Polo qual, pensárom os captores que Cervantes tinha unha importância grande e foi esixído por el um elevado resgate, que só a meias pudo ser págo pela família do escritor. Depois de vários intentos de fuga, foi resgatado em 1580. Unha vez em Espanha, foi nomeádo recaudador de impostos para a Armada Invencíbel. Ao mesmo tempo que, ganhaba algúm dinheiro com os seus escritos, mas, viveu na pobreza toda a sua vida. Em 1584 casou com Catalina de Salazar y Palacios, mas, parece que non se entenderom muito bem. Esteve na gaiola duas vezes por fraude e dívidas. A partir de 1603 viveu em Valladolid, onde foi encarcerado depois de encontrar o cadáver de Gaspar de Ezpaleta na porta da sua casa. Separou-se da sua mulher. A partir de 1600, começou o seu período mais productivo depois de se estabelecer em Madrid, onde morreu o 23 de Abril de 1616, e foi enterrado no convento das Trinitárias. Poesía: Cervantes non está considerado um grande poeta, mas escrebeu algunhas obras interessantes neste xénero. “Viaje del Parnaso” (1614) com mais de três mil versos, distribuídos em oito cantos, está baseádo num poema com o mesmo título escrito por Cesare Caporali. Cervantes manexou o terceto com intelixência, e a obra resulta interessante, sobre tudo pela sua opinión sobre outros escritores noveis e contemporâneos. A miúdo emite xuízos irónicos. “Canto de Calíope”, sexto libro de “La Galatea”, que também abunda em opinións sobre outros autores. Consta de cento onze versos e é um documento sobre os gostos de Cervantes e sobre os autores da sua época. “La Epístola a Mateo Vázquez” foi escrita em Argel e dirixida ao secretário de Felipe II. É unha petiçón para ser resgatado escrita em tercetos. Atesoura um valor biográfico evidente, aínda que como documento literário non destaca. Por toda a sua obra están disseminados poemas escritos tanto nos metros tradicionais espanhois, como nos italianizantes: encontramos em “La Galatea” (oitavas reais, liras, tercetos), em “El Quixote” (românces e sonetos) e em “La Gitanilla” (românces), entre outras. Como poeta non foi apreçado até ao século XX, xá que a sua labor como prossista ensombrece aínda a sua melhor labor como poéta. Obras de teatro: Cervantes é o melhor autor teatral anterior a Lope de Vega. Foi espectador e autor teatral durante toda a sua vida. As suas primeiras obras som “El trato de Argel” imitado por Lope em “Los cautivos de Argel”, com um contído verdadeiramente autobiográfico. Cervantes incluíu-se a si mesmo na obra baixo o nome de Saavedra. Está escrito em versos lixeiros e descrebe as intrígas da vida dos bárbaros, desde o ponto de vista dos cautivos. “El cerco de Numancia”, é a melhor traxédia espanhola anterior a Lope. Esta obra foi precursora de “Fuenteovejuna”, xa que a comunidade enteira aparece como a principal protagonista do feito patriótico. A obra é extraordináriamente sobria e atractiva. As suas obras posteriores, reunidas em “Ocho comedias y ocho entremeses nuevos, nunca representados” (1615), están escritos totalmente em verso. As obras mais longas xá non están tán bem logradas como os entremeses, nos quais Cervantes se mostra um verdadeiro mêstre, tanto no desarrolho das situaçóns, como no manéxo das personáxes e no diálogo rápido, brilhante e humorístico. As oito obras som: “El gallardo español”, “Los baños de Argel” e “La gran sultana doña Catalina de Oviedo”, baseados nas suas vivências como cautivo, onde mostra a tensón entre mouros e cristáns; “La casa de los celos” e “El laberinto de amor”, de tipo caballeiresco, tán artificiosos na construçón de argumentos mistificadores, que som os menos interessantes de toda a sua obra teatral; a comédia de capa e espada “La entretenida”, interessante pola sua força e realismo; “El rufián dichoso”, comédia de santos sobre a conversón de Cristóbal de Lugo e Pedro de Urdemalas, fina comédia sobre um pícaro que se xunta a uns ciganos por amor dunha moça. Entremeses: están escritos em prossa e som dunha grande orixinalidade. Apresentam fragmentos da vida real com um diálogo lixeiro e matizado. Os entremeses escritos em verso, “La elección de los alcaldes de Daganzo” e “El rufián viudo”, ao parecer som anteriores. Entre os escritos em prosa citaremos: “El juez de los divorcios”, “El retablo de las maravillas” e “El vizcaíno fingido”. Mentras Calderón trata os mesmos temas com grande solemnidade, Cervantes mostra a sua universalidade ríndo-se simpaticamente das fraquezas humanas. Novelas: cronoloxicamente “Primera parte de La Galatea” (Alcalá, 1585), “El ingenioso hidalgo don Quixote de la Mancha” (primeira parte,1605), “Novelas ejemplares” (1613), “Segunda parte del ingenioso caballero don Quixote de la Mancha” (1615), e “Los trabajos de Persiles y Sigismunda, historia septentrional” (1617), publicada depois da morte do autor. “La Galatea” é a sua primeira obra de ficçón e foi publicada quando Cervantes tinha trinta e oito anos, aínda que a había escrito algúns anos antes. Descende da tradiçón literária da novela pastoril popularizada por Sannazaro. “La Galatea” resulta um esplêndido exemplo deste xénero hoxe tán esquecído do público leitor, ademais de ser unha leitura indispensábel na bibliografía cervantina. Nela encontramos grande quantidade de elementos que depois serán reelaborados por Cervantes nas obras posteriores. O estilo é homoxéneo. Isto surprehende um pouco a estas alturas da sua carreira. Queda muito das ideias neoplatónicas, que o autor recebeu do padre Fonseca e dos Diálogos de León Hebreo. Cervantes prometeu unha segunda parte da história que nunca chegou a escreber. “O Quixote” é a obra mais importânte das letras casteláns. A publicaçón da primeira parte tivo um êxito inmediato, e foi reimpresa cinco vezes. Logo, se fixérom traduçóns para inglês e para francês, e no século seguinte publicou-se em quase todos os idiomas. A popularidade desta grande novela, facilitou a adquisiçón de um público que aceitou muito bem as suas “Novelas ejemplares”, escritas na sua maioria entre 1600 e 1610, aínda que foram publicadas em 1613. Um modelo de narraçóns em diferentes xéneros: da novela ao estilo italiano, “Las dos doncellas”, “El amante liberal”, “La española inglesa”, “La señora Cornelia”; de estilo picaresco, “Rinconete y Cortadillo; de sátira, “El coloquio de los perros”, “El licenciado Vidriera”; realistas, “El celoso extremeño”, “La ilustre fregona”, “El casamiento engañoso”; de dupla identidade e anagnórisis, “La gitanilla”, “La fuerza de la sangre”. Em 1614, um tal Alonso Fernández de Avellaneda, publicou em Tarragona um “Segundo tomo del Ingenioso hidalgo don Quixote de la Mancha”, mentras Cervantes trabalhaba na sua própria “Segunda parte”, que apareceu em 1615 em Madrid. O resto da sua vida foi dedicado por Cervantes aos “Los trabajos de Persiles y Sigismunda” (1617), que logrou terminar pouco antes da sua morte, aínda que a começou a escreber em 1609. Ao parecer, a novela resente-se a causa da doença, pois o quarto e último libro contem únicamente 14 capítulos, mentras que o primeiro tinha 23, o segundo 22 e o terceiro 21. Muitas xeraçóns de leitores se perguntarom por qué razón Cervantes se puxo a escreber unha novela bizantina com a complicada trama que isto esixía, depois de haber escrito o Quixote. A maioria dos críticos acreditam, hoxe em dia, na teoría expressada por Américo Castro, que xustifica Cervantes afirmando que o desditado e menospreçado preferíu, ao fim dos seus dias, refuxiár-se num mundo fantástico (na última parte da Noruega, perto do polo Ártico) e criar personáxes com extraordinárias aventuras, em vez de enfrentar-se ao mundo realista de algunhas das suas novelas exemplares, ou à sabedoría das cousas deste mundo, que albergaba Sancho Panza. O propósito de Cervantes ao escreber esta obra, foi ilustrar a traxectória espiritual dos homes com os exemplos dos vícios e das virtudes para “enseñar y deleitar conjuntamente”. A posteridade xulgou o Persiles muito por debaixo do Quixote, aínda que segue sendo um românce interessante, sobre tudo para os amantes da literatura cervantina. Em algúm momento, as seguintes obras forom atribuídas à sua mán, mas, hoxe sábe-se que isto non é verdade: “Los mirones”, “Los habladores”, “El hospital de los podridos”, “La cárcel de Sevilla” e “Doña Justina y Calahorra” (entremeses). Refráns e românces vários: “El Diálogo entre Sillania y Selanio”. A novela exemplar “La tía fingida”. A comédia “La soberana Virgen de Guadalupe”; a cançón “A la elección del arzobispo de Toledo” e a carta “A don Diego de Astudillo Carrillo.
CERDÁ Y RICO, Francisco (Castalla, 1739 – 1800). Investigador alicantino e editor de textos medievais e do “Siglo de Oro”, como a “Crónica de Moncada” e os escritos de fray Luis de León, Sepúlveda, González de Salas e Cervantes de Salazar.
CEJADOR Y FRAUCA, Julio (Zaragoza, 1864 – 1927). Crítico literário, historiador e professor da Universidade de Madrid. As suas obras mais importântes som “Tesoro de la lengua castellana” (1908-1914) e a “Historia de la lengua y la literatura castellana” (1915-1920, 14 volûmes), mas também realizou unha grande quantidade de ediçóns de clássicos espanhois como Gracián, Mateo Alemán, Quevedo e o arcipreste de Hita. Os seus ensaios e novelas caíron num xusto esquecimento. Outros trabalhos seus forom “Fraseología y estilística castellana” (1921 – 1925, 4 volûmes), “La verdadera poesía popular castellana” (1921-1924) e dous trabalhos que se publicarom depois da sua morte, “Recuerdos de mi vida” (1927) e “Vocabulario medieval castellano, publicado em 1929.
CATALÀ, Víctor (1869 – 1966). Pseudónimo de Caterina Albert i Paradís, a escritora catalán mais famosa do primeiro terço do século XX. Escrebeu novelas realistas e contos da Costa Brava, assim como obras de teatro e poesía. A sua melhor novela é “Solitud” (1905). Do resto da sua obra podem-se citar “Drames rurals” (1902), “Caires Vius” (1907), “Ombrívoles” (1910), “Un film” (1926), “Viola mòlta” (1950) e “Jubileu” (1951).
Roma é a cidade “Loba”, “Caput Mundi” ou “Cittá quase-eterna”. O melhor sítio para viver, segundo afirmaba um gringo, mas recomendaba retirar antes todos os romanos. A lenda da fundaçón da cidade, resulta monstruosa para unha pessoa de bom gosto. Unha Vestal foi enterrada viva, e os seus dous filhos abandonados às feras. Na “História da Capital do Mundo”, os dous nenos forom criádos por unha loba maternal, melhor que muitos humanos, e um dos “enfants terríbles” nascidos neste âmbiente de violências, matou o outro em lutas polo poder, o bom e o mau, o belo e o feio, o agradábel e o funesto, unha cidade com duas caras. Unha explêndida e outra desordenada, ruidosa, contaminada e decadente. Roma non necessita recorrer a macábras exhibiçóns, porque tem tanto que ver e admirar, que fascina e cautiva. Os romanos, vivem e amam a vida com paixón, xesticulam constantemente, lançam acerados insultos e levam no seu sangue a arte de sacar proveito a tudo. A estéctica e a representaçón dramática, fán de cada italiano um Divo da Ópera ou do Belcanto, um actor, um poeta e um xénio em potência. James Joyce, afirmaba que os romanos, com tal de ganhar dinheiro, som capazes de ensinar aos turistas, prévio pago, até a mômia da sua avó. Um bom par de zapatos e pernas longas, esquecer o caos da circulaçón, a suxidade das ruas, os carteiristas, os transportes públicos, sempre dotados de um mixto de amor e contrastes. Esquecer os proberbiais maus gobernos, em Roma nada funciona, é como unha meretrix feliniana, maternal, abundante, carinhosa e possessiba.
Os romanos som muito supersticiosos, acreditam igual que os exípcios, que os gatos dán boa sorte e adoram-nos. Aparte disto, Roma está poboáda por fantasmas, espíritos, que deâmbulam polos lugares que habitárom, ou onde morrerom. O fantasma de Dona Olímpia, que muitos dos habitântes do bairro, aseguram habêla visto em noites de bebedeira. Também o phantasma de Lucrécia Borgia, terríbel dama devoradora de homes, non pola boca certamente, costûmaba aparecer xunto do pátio de San Damaso, onde tinha a censurábel manía de os atirar a unha cisterna. ¡¡Histórias de xente maluca!! A Roma clássica em torno ao Coliseo, o Foro, as Termas de Caracalla. Vila Borghesse, o Trastevere (é como um grande mercado), os xelados Fassi, unha das mais velhas casas, é tán fundamental como a mesma “La pasta”. A “Capela Sixtina”, a “Fontana de Trevi”, “Piazza del Popolo”, “Piazza de Spagna”. “La Dolce Vita”, a xente encontra-se na ceia, nunca no xantar, porque o madrugar senta mal. Sábe-se quando começa, mas, nunca quando termina, de feito, nunca acaba, sempre se apráza temporalmente o seu fím definitivo. Depende das ganas que haxa de falar.
A crítica, a comparaçón da realidade com o ideal, exporá as ilusórias autocompreensóns liberais pola mán de Hegel e de Marx. A esfera pública burguesa revela-se ideolóxica: “unha série de ficçóns, em que se articula a autocompreensón da consciência burguesa como opinión pública, penetra no sistema kantiano (…)”. O interesse comum revela-se como parcial, como unha mentira manipuladora. A aparência harmoniosa é enganadora, o conflicto social irrompe e acusa de hipócrita a boa consciência burguesa. O proprietário privado, o burguês, fica exposto ao cair a fachada do interesse xeral. Denuncia-se unha usurpaçón do universal. A intensa contradiçón que fractura a sociedade burguesa torna-se patente com o seu carácter divisivo e conflictuoso. No início, Hegel assinala o carácter da esfera pública como “meio de formaçón” mediante o qual se pode integrar o suxeito individual na obxectividade estatal. O bem do Estado situa-se acima do indivíduo. Porque como se pode constituir unha autoridade política racional com base nunha “sociedade anárquica e antagónica” como a capitalista? A obsessón hegeliana pola integraçón estatal deixará sem efeito a potência crítica da esfera pública. A ficçón da harmonia conseguida por aqueles que optam polo desdobramento entre o burguês e o cidadán é desafiada; a sociedade revela-se como o campo de batalha da concorrência económica. As suas tendências som desagregadoras e a razón de Estado propón-se como remédio, como encarnaçón do “interesse xeral”. Marx denuncia a opinión pública como falsa consciência: “máscara do interesse de classe burguês”. Ironiza sobre a “independência ideal” de unha opinión pública composta por proprietários privados, por capitalistas. A crítica marxista da economia política dinamita a ideia fictícia da esfera pública politicamente activa e denuncia o “autoengano” interesseiro. Troça da “autonomia” dos proprietários burgueses e destrói as ficçóns burguesas, xulgando-as polos seus próprios padróns: a práctica da exploraçón aniquila a igualdade de oportunidades e, portanto, elimina a ideia de que o acesso à publicidade (propriedade e instrucçón) sexa unha questón de sorte e resoluçón. A equiparaçón do home ao proprietário é posta em causa. Aniquila-se a identificaçón de opinión pública e razón. As relaçóns de domínio entre classes ficaram ao descoberto. Marx vai além da constataçón hegeliana do carácter anárquico da “sociedade civil” e localiza a contradiçón do sistema: a apropriaçón privada dos lucros através da exploraçón económica. Como solucçón propón concretizar-se unha sociedade igualitária através da socializaçón dos meios de produçón. O socialismo pode redefinir a esfera pública e o modelo de autonomia. Criaria a possibilidade de unha convivência informal e íntima entre os seres humanos e faria com que recuperassem o “próprio”: aquilo que lhes foi alienado polo capital, a autorrealizaçón através do trabalho. Habermas aceita o diagnóstico marxista, embora inicie um axuste de contas com o marxismo a partir do contexto histórico das crises do capitalismo tardio.
Hoxe em dia, resulta difícil compreender que um autor como Weininger tivesse tal influência em Wittgenstein. Mas o certo é que essa leitura de adolescência marcou profundamente tanto as suas experiências de vida como o seu pensamento filosófico. Por exemplo, a sombra de Weininger parece estar por trás de alguns comportamentos de Wittgenstein nas suas relaçóns amorosas em particular, explica a sua ideia da oposiçón entre amor e desexo sexual, os quais estariam, respectivamente, em relaçóns inversa e directamente proporcionais à proximidade física do ser amado. Desta forma, na obsessón de Wittgenstein em escreber unha autobiografía influiu o carácter superior que Weininger atribuía ao home que sentia a necessidade de escreber a história da sua vida de forma obxectiva, com o propósito de mostrar a sua essência tal como era, com a mais absolucta aceitaçón, sem renunciar ao mal. Em Cambridge, também consideravam complicado entender a simpatia de Wittgenstein face a Weininger, recomendando a leitura de “Sexo e Carácter” tanto a colegas como a estudantes. A. Moore disse que a grandeza de Weininger residia em non se estar de acordo com ele, afirmando que “grosso modo”, apesar de estar muitíssimo enganado, acrescentando o sinal da negaçón, o libro dizía unha importante verdade. Pondo entre parênteses os comentários de Weininger sobre a mulher, interpretando metaforicamente a polaridade que estabeleceu entre o masculino e o feminino e prestando atençón, por outro lado, ao que afirmava acerca do carácter psicolóxico do home, podemos compreender o que, da sua postura, pôde interessar a Wittgenstein. O home possuía a capacidade de escolher entre a consciência e a inconsciência, entre o bem e o mal. O ser “humano” tem o deber ético de escolher entre ambos os polos e quanto mais forte foi a sua aposta no primeiro, mais perto estará do mais elevado, do xénio, do cume da moralidade. Weininger fez da obtençón do xénio um imperativo categórico. Ou xénio ou morte. Como pensaba que non era capaz de superar as suas tendências sensuais, de ter unha vida espiritual plena e rigorosa, nunha mostra de coherência última entre filosofia e vida, suicidou-se. É impossíbel non nos lembrarmos dessa tremenda tessitura weiningeriana quando unha pessoa encontra nos diários pessoais de Wittgenstein afirmaçóns que evidenciam o profundo desprezo que, em certas ocasións, sentia por si próprio, em particular face àquilo a que ele chamava a sua indignidade moral. Vexamos esta entrada do diário que o acompanhou durante a Grande Guerra: “De vez em quando transformo-me num animal. Entón, non penso noutra cousa que non sexa comer, beber, dormir. Terríbel! E, entón, também sofro como um animal sem a possibilidade de um auxílio interior.”
Talvez alguns pensem que unha pessoa com grandes dotes naturais merece esses talentos e o carácter superior que possibilita o seu desenvolvimento (…) Este ponto de vista está claramente errado. Non merecemos o lugar que temos na distribuiçón dos dotes naturais, nem a nossa posiçón inicial na sociedade. É também problemático que mereçamos o carácter superior que nos permite fazer o esforço para cultivar as nossas capacidades, xá que tal carácter depende, em grande parte, de condiçóns familiares e sociais vantaxosas na infância (…). A ideia de mérito non se pode aplicar a estes casos. Assim sendo, os que têm unha maior vantaxem non podem dizer que merecem e, portanto, têm direito a um modelo de cooperaçón que lhes permita conseguir benefícios sem contribuir para o bem-estar dos outros.
Desta vez, os Deuses non nos forom favoráveis. Um temporal de ventos fortes, bramou durante toda a noite, teimando em levantar o telhado polos aires. Depois, também, a puntualidade espanhola logrou retrassar a viáxe duas horas mais. Apesar de tudo, a desconexón da vida do quotidiano resultou ser total. Dadas as circunstâncias da partída, as ganas de comer, aparecerom à altura de Aveiro, e non podíamos desperdizar a oportunidade de unha “Caldeirada de Enguías” na Praia da Torreira. Debído ao tempo desapacíbel, os melhores restaurantes estabam pechados, a causa do qual aplicámos a regra de “quem tem boca, vai a Roma”. Entramos num restaurante popular, bastânte concorrido polos “Últimos dos reformados” e xentes hispânas viaxeiras. As enguías non eram das melhores, nem das mais gordas, mas saímos satisfeitos e contentes, pela comida agradábel e saudábel (Sopa, Enguías e Manga laminada).
Entrámos em Lisboa pelo rio e deixámos o carro estacionado na “Terminal de Cruceiros” do Campo das Cebolas. E, baixo unha chuva quente, levámos as malas a pé, até ao largo de S. Domingos, centro de reunión da diáspora africana, para falar das cousas da terra. O largo estaba quase deserto, pois a chuva correu com todos eles. Tivem também a extranha sensaçón de que o centro da cidade era muito menos ruidoso que antes.
Essa mesma noite da chegada, sentim saudades da “Sopa de Pato”, do “Tia Matilde”, que estaba simplesmente divina. O “Tía Matilde”, é um bom restaurante, e non é demasiado caro, no qual se pode comer dunha maneira bastânte saudábel (Dupla Sopa de Pato, Pataniscas com arroz de grelos, Perdiz e Manga laminada):
Para ir ao “Tía Matilde”, aconselho tomar um taxi, porque a Rua da Beneficiência é um lugar complicado para quem non conhece. Fica perto da Fundaçao Gulbenkián, mas do outro lado da linha do comboio.
O dia seguinte, fomos tomar o pequeno almorço à “Confeitaria Nacional” da Praça da Figueira. Um lugar tradicional da Baixa Pombalina, cheia de história, encanto, e fabríco próprio.
O dia seguinte, sempre é dia de grandes passeios, lugares, recordaçóns passadas e xente amada que ficou para trás. E xá sabemos, como estas emoçóns abrem muito o apetite. Non sabemos bem como, mas fomos parar ao “Gambrinus”, que xá non é aquel doutros tempos, em que Gabino Gil levaba a comer a Torrente Ballester, mas, apesar de careiro non está mal de todo. Este restaurante sempre teve unha boa cozinha, mas, os tempos som complicados e um turismo de massas acaba por dar cabo de tudo. Désta vez comemos no balcón da entrada, mas, há pequenos detalhes que podem deitar a baixo um prestíxio de décadas:
Ésta sopa era boa, mas necessitaba ter o dobro do volûme, e ser servída nunha cunca em condiçóns, que non aumente a sensaçón de penúria.
Cataplana de marisco e peixe (garoupa), bastânte correcta. Manga lamináda e café de balóm.
O café, parece ser que non era certamente um “Malongo do Sul de Minas”.
De tarde, partímos para Sintra, para visitar o “Palácio da Regaleira”, a quinta do Monteiro dos Milhóns, um banqueiro doutros tempos. E logo de seguída o “Palácio dos Sete Áis”, onde a monarquía portuguesa se rendeu a Napoleón, e lamentábelmente depois, escapou para o Brasil escoltada polo inglês.
De noite, depois de muito buscar, para diante e para trás, tivémos que ir ao “Estoril Mandarim”. A verdade é que levaba anos querendo visitar este restaurante de mais de vinte anos de vida. É o lugar ideal para levar amântes e amigas. Fica no mesmo Casino do Estoril, enfrente dos xardíns, e o lugar é para cair as bragas.
A recepcionista é encantadora! Boa moça, alta, bonita (unha flor do loto), elegante e bem faláda. O local é desafogádo, pode-se falar sem incomodar os do lado, e temos cem pratos chinêses ao nosso dispor. É certo que a cozinha chinêsa é unha das duas melhores cozinhas do mundo, xunto com a francêsa, e bem merece um lugar deste caládo e beleza. É o lugar onde os orientais residentes em Portugal, celebram as suas cerimónias familiares.
Para a “Cozinha Chinêsa”, como para muitas outras cousas, reconheço a minha mais completa ignorância sobre a matéria. Habería que frequentar o local com mais constânça, e ir pedindo pratos diferêntes para saber o que é bom ou non, armado de unha paciência celestial. Ou fazer como nós, ir perguntando ao empregado de mesa, qual é o caminho a seguir:
Primeiro, foi unha sopa deliciosa (Won-Tun), que foi o melhor com diferênça que aquí comémos. Logo uns (Crepes à Cantonês) fritos, que non estabam nada mal. Depois, (Gambas salteadas) similáres às “al ajillo”. E, como prato principal (Pato assado à Pequim), o cuxo non me gostou demasiádo, mas, non obstânte, nos deu de comer a todos. A sobremessa foi (Tapioca com leite de coco), e (Barco de Banana).
A Laurinda, que foi um dos nossos descobrimentos recentes, era a cozinheira da “Flor do Carmo”, o restaurante que tinha o Albino da Rosária na esquina do Quartel do Carmo (famoso pelo quartelazo do 25 de Abril). Tem um restaurante modesto, mas muito limpo, e dado que os restaurantes bons que antes había em Lisboa, están em processo de extinçón, pensamos que ela era a soluçón para esta crise actual. Chamámo-la sempre dous dias antes, e pedímos-lhe que faga o que nós queremos:
Desta, foi, um “Caldo de Couve Lombarda”, muito tradicional e familiar. Um “Cherne com batatas no forno” e melón. Ameaçamos, seriamente com voltar um dia, como Pedro Homem de Melo, ainda que nos chamem traidores!
Um copo mediano de auga; trescentos gramos de fariña de trigo; unha culleradiña rasa de sal e dous ovos.
RECEITA:
Velaquí un producto directamente emparentado coas filloas, ás veces chamado freixó (como as próprias filloas) e feito a base de fariña de millo, auga e ovos. Mestúranse os ingredientes de xeito que se forme unha masa que irá á tixola exactamente igual que a masa das filloas. A diferencia estriba no grosor do producto, que lembra no seu aspecto a unha tortilla. Comvén deixar que se vaia facendo con pouco lume, dáselle a volta só unha vez e está lista en escasos minutos.
VARIANTES:
Hai quen prefire comelos con azucre ou mel por riba, mentres outros engádenlle anacos de touciño frito durante a coción. En moitos fogares facíase un prato de follados, amontoados uns sobre os outros, e servían de sustento varios días da semana, aproveitando deste xeito o tempo que habería que dedicar a cociñar para outras cousas. Así, cando a xente volvía de traballar a terra xa tiña a cea lista.
GALICIA PARA COMELA (VOLUME I) HÉRCULES DE EDICIONES S. A.