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HEIDEGGER (O SER E O TEMPO)

“Ser e Tempo” esconde duas obras a proxectada e a realmente escrita, que ficou incompleta. A primeira encontra-se formulada de modo integral na “introduçón” à obra, texto que tem em si mesmo autonomia própria, pois antecipa o alcance completo da investigaçón. A segunda, o texto escrito, publicado sob o conhecido título, sofreu um equívoco decisivo: identificar-se de forma exclusiva com o proxecto xeral da própria ontoloxia fundamental, como se fosse o seu único conteúdo. A própria interrupçón da obra ao chegar a certo ponto tem que ver com esta disparidade. Inicialmente proxectada em duas partes – 1ª A analítica ontolóxica do “ser-aí” e 2ª A destruiçón da história da ontoloxía -, cada unha dividida em três secçóns, o trecho escrito da obra só chegou até ao final da segunda secçón da primeira parte. Ficou assim por redixir essa terceira secçón e a segunda parte completa (vexa-se o plano do tratado, na páxina 51). O escrito coincide essencialmente com aquilo a que a recepçón chamou “analítica existencial”. Se se insiste neste ponto é porque é crucial para a comprehensón prévia da obra. O leitor terá de ser advertido sobre onde se vai meter: num texto inacabado, cuxo proxecto, no entanto, foi plenamente descrito. Assim, se o escrito for lido à luz do proxecto, como se faz no nosso libro, o resultado será diferente de ser lido como se o trecho escrito (“analítica existêncial”) coincidisse com a obra completa (“ontoloxía fundamental”). A queston é tán decisiva que ainda precisa de um esclarecimento posterior: as duas partes, a “analítica” e a “destruiçón”, non som duas partes sucessivas e complementares do desenvolvimento da obra, mas sim duas “tarefas” estructurais desta. De facto, só por motivos de exposiçón tem de vir unha antes da outra, porque do ponto de vista do proxecto isso seria irrelevante: a destruiçón poderia preceder a análise. Na verdade, se se ler bem, é precisamente isso que está a acontecer, mesmo que non o sexa expressamente a questón da destruiçón também se executa na parte escrita: a própria análise do “ser-aí” concluirá com a sua própria desmontaxem como ente, revelando que, na verdade, non era assim e que, consequentemente, non pode representar a figura do suxeito do conhecimento ou qualquer outra que se pretendesse validar como princípio filosófico. Assim, a tarefa analítica escrita é xá o início da destruiçón da ontoloxía. A análise existêncial do “ser-aí”, tema da primeira secçón da primeira parte, será apenas um ponto de partida da investigaçón e non o conteúdo positivo de unha suposta nova ontoloxia.

ARTURO LEYTE

O FRACASO DA ACADEMIA DE “LIGUE”

Em vista dos maus resultados que se obtinham desde o princípio, suxerím um Método que poderia chamar-se “obxectivismo afectivo” e que podía emparentar-se, muito de lonxe, com o Método de Stanislawsky. Em definitiva, o “ligue” e a seducçón tenhem bastânte de teatro, de actuaçón. ¿Ou non? Ao Roberto pareceu-llhe chinês. E quando lho expliquei, foi ainda pior. O do Método estaba muito claro, ainda que non se percebía nada. Tratába-se de activar a memória emocional e isso podía voltar “majara” à xente, sobre tudo pola afinidade de sentimentos parecidos em circunstâncias dispares. Ou sexa, para fazer verossímil o actuado habia que penetrar a realidade presente basando-se em sensaçóns vividas anteriormente. Na teoría pode que o Método fora enrrevessado, mas na práctica resultaba bastânte asequíbel. O melhor foi que, como primeira providência, introducíu-se a obrigaçón de contar com mulheres para as classes. Isto facilitaba certa naturalidade nas relaçóns e nos exercícios. A capacidade para transmitir ao corpo enteiro a enerxía concentrada num só ponto, base do referido Método, ficava muito reforzada. Por exemplo, mirábas a unha turista e a unha parte de teu corpo, ou sexa, o cérebro quería traxiná-la; pois essa enerxía habia que transmití-la a todo o organismo para non dar o “gatilhazo”. Isto da transmissón, ou sexa, a organicidade, tinha-o aprehendido eu na Escola de Actores que habíam aberto em Barcelona Fernando Espona e Julio Coll; por aquel tempo, este Método era unha doutrina muito novidosa e revolucionária. A mim chamába-me muito a farândula; mas logo advertí, ou me advertírom Coll e Espona, que carecía de virtudes para a comédia e também para o drama. Ou sexa, que, ó pior, tinha razón don Nicomedes, o director de teatro da Laboral, e non era tan bom actor como as raparigas e eu mesmo pensaba. Um dia na Escola de Coll facíamos um exercício sobre unha despedida de solteiro e, conforme nos “achispábamos”, puxem-me a inventar recordaçóns que non vinham a conto e que ademais non eram verdadeiras. Facía-o com a intençón de mostrar o meu desconsolo ao noivo, mas aquilo non era memória emocional nem nada que se parecê-se. E expulsarom-me do grupo, pois da minha desafortunada actuaçón deducíu-se que, nem sequer estaba convidado à “boda”. Desconhezo se os actores espanhois, instintivos por natureza, que se metíam nestes berenxenais do Método, percebíam mais do que eu, e lhe sacarom proveito.

JAVIER VILLÁN E DAVID OURO

O CORPUS ARISTOTELICUM (II)

FILOSOFIA PRIMEIRA OU METAFÍSICA

Incluiem-se, nesta parte do “Corpus”, os catorze libros da obra magna de Aristóteles, “Metafísica”, que trata o ser enquanto ser e examina em que consiste, bem como a possibilidade de unha ciência para o conhecer. Estes libros non constituiem um conxunto homoxéneo. De facto, o próprio Jaeger, ao propor a classificaçón das obras aristotélicas, afirmava: “É absoluctamente inadmissíbel tratar os elementos combinados no “Corpus Metaphysicum” como se constituíssem unha unidade e tomar, para fins de comparaçón, o termo médio alcançado, digamos assim, por esses elementos inteiramente heteroxéneos”.

ÉTICA E POLÍTICA

Integram esta parte as obras dedicadas à chamada “filosofia práctica”. Por um lado, as obras éticas: a “Ética a Nicómaco”, um dos textos fundamentais da história da ética, bem como a “Magna Moralia” e a “Ética a Eudemo”, apesar de estas duas últimas se considerarem obras menores, das quais, inclusive, há quem discuta a sua autoria. A segunda secçón deste bloco consiste na “Política”, na qual se estuda a organizaçón social e o governo da cidade de um ponto de vista empírico, e a “Constituiçón de Atenas”, a única que se conserva da colecçón de 158 constituiçóns que se atribuírom a Aristóteles com fins “enciclopédicos”.

ESTÉCTICA

Incluiem-se nesta parte os textos dedicados às chamadas ciências “poiéticas” ou productivas. Consta, basicamente, de duas obras dedicadas ao estudo das formas literárias e artísticas de um modo xeral: “Retórica”, ou a arte de convencer com a palabra, e “Poética”, da qual só se conserva unha pequena parte e na qual se considera a obra de arte como imitaçón da natureza.

É possíbel que alguns destes textos non tivessem sido escriptos directamente por Aristóteles, especialmente os mais enciclopédicos, como a “História dos Animais”; sería difícil imaxinar essa possibilidade, dada a extensón da obra. O que parece claro é que as que non foram escriptas polo filósofo, foram pensadas e dirixidas ou, no mínimo, supervisionadas por ele, de modo que non resulta tán inexacto atribuir-lhe a respectiva autoria. Quanto ao estilo, non há dúvida de que muitos leitores xulgarám que os textos de Aristóteles som secos e demasiado concisos. Unha consideraçón inegábel. Sendo certo que podemos atribuir-lhe a criaçón de muitos termos filosóficos, non o é menos que os seus escriptos apresentam escasso atractivo literário, sobretudo se comparados com o estilo ornamentado dos diálogos platónicos. Alguns críticos pensam que, se os escriptos aristotélicos estám pouco trabalhados no aspecto literário é porque, entre os fragmentos compilados por Andronico, escasseavam os textos exotéricos que tinham tornado Aristóteles tán popular, mais espirituais e frequentemente escriptos baixo a forma de diálogos, e, por outro lado, abundam os textos esotéricos que, como foi comentado, non se destinavam à leitura, sendo apenas apontamentos para as liçóns dadas oralmente no Liceu. Há, inclusive, quem recorde que estilistas tán esixentes como Cícero e Quintiliano eloxiaram a fluidez do seu estilo (o primeiro comparou-o a “um rio de ouro”) e o recurso aos mitos e à retórica para expor as suas ideias. Por isso, quanto ao estilo, cabe conceder a Aristóteles, polo menos, o benefício da dúvida.

P. RUIZ TRUJILLO

AGRARISMO E OBREIRISMO NO CONDADO (4)

A campaña electoral veu marcada por un crecente triunfalismo a medida que se comprobaba a forza propia e a debilidade conservadora. Destacan as denúncias públicas verbo de determinados párrocos que facían activa campaña en favor dos conservadores; tal era, polo que parece, o caso dos párrocos de Guláns, Xinzo, Areas, Fontenla e Bugarín ós que se denunciaba ante o Bispo de Tui coma “desdeñables agentes electoreros al servicio del caciquismo” e se lles acusaba, entre outras cousas, de adicarse a visitar “todas y cada una de las moradas de sus feligreses, solicitando autoritariamente el voto” e “dando a sus prédicas dominicales -carentes, por cierto, de todo dulzor evangélico- un giro marcadamente político” etc… A enorme profusión de “slogans” arengando ó voto agrario-socialista, as denuncias do caciquismo, das “partidas de la porra”, e da pouca entidade moral, personal, etc… dos rivais, resúmese na frase final do manifesto difundido na derradeira semana de campaña: “Ciudadanos: sois pequeños porque estais de rodillas. ¡Levantaos! A loita mais espectacular produciuse no concello de Ponteareas por tratarse este do centro orixinário do “feudo” tradicional do bugallalismo. Alí contan con dereito a voto 3.266 persoas, repartidas en 4 distritos electorais cun total de 15 mesas. O máis importante era o primeiro distrito, composto por 11 parroquias, entre elas Ponteareas, con 1.408 electores que escollian a 9 concellais. Tratábase, para a coaliçión, de controlar a pureza do proceso eleitoral para o que, segundo eles pregonaban, tódolos medios eran válidos. Contaron para isto cunhas 400 personas que dende as 5 da mañá escomenzaron a chegar á sección. Ó mando do control de cada mesa situábanse os homes mais caracterizados: En Ponteareas, Emilio Garra; en Angoares, Benito Casasnovas; en Areas, González Fresco; en Arnoso, Francisco Mosquera; en Prado, Vidales Tomé, etc… Malia algúns tiras e afrouxas, o día transcurríu con relativa normalidade. Ao fin da xornada os resultados eran ben craros: votaron 1.708 electores o que supuña o 52,50 por cento. Para os agrario-socialistas foron 1.150 votos (67%). Para os bugallistas, 557 votos (32,7%). A primeira páxina de El Tea manifestaba a emoción desmedida: “Puenteareas Liberado” Amado Garra outra vez expresaba o sentimento xeral: “Lo que hay que saber, lo que hay que proclamar muy alto, es que un pueblo célebre en España por su caciquismo intolerable, ha cumplido con su deber, dando la nota grave de la rebeldía que anidaba en su alma y exteriorizó a un tiempo, el más grande de toda España”. En Ponteareas conseguíanse 17 dos 20 concellais.

PUBLICADO EM “A PENEIRA” (ANO I – 1984)

JACQUES DERRIDA (O MONOLINGUISMO DO OUTRO)

O Monolinguismo do outro, 1996; polo modo de encarar o acontecimento intraduzíbel, ou polo modo de arroxar-se a capacidade de traduzir para a actualidade um “corpus” de saber de maneira transparente, sem restos – como pretende o saber universitário. Até acabar, por fim, por se manifestar a implicaçón profunda da noçón em questón, neste caso a de traduçón, com toda a práctica desconstructiva. Assim, declara (em entrevista à “Revista Postdata”, San Juan de Porto Rico, 2000): “Sempre evitei definir a desconstruçón. Às vezes, digo que é o impossíbel e às vezes que é mais de unha língua. Isto é aceitar que non haxa um monolinguismo, que non haxa somente unha língua, aceitar a língua do outro, aceitar de todas as maneiras a traduçón ainda que tenha resistência à traduçón, unha traduçón que non sexa transparente, unha traduçón com restos. Acho que onde quer se tome em conta a multiplicidade irreductíbel dos idiomas ou das falas há um efeito de desconstruçón. Isso incomoda a xerarquía, a estructura dominante, incomoda pura e simplesmente a estructura. Acho que um texto com vocaçón desconstructiva é um texto escrito em vários idiomas”. Esta capacidade de contaminaçón propaga-se rapidamente do domínio discursivo ao institucional. Derrida sempre se mostrou irritado com que se circunscreva a desconstruçón como práctica textual, como unha forma de análise de texto e nada mais. A partir da sua crítica à fenomenoloxía deberia ter ficado claro que a sua impugnaçón non afectava (apenas) a fenomenoloxía, mas também o “logos” em xeral, a metafísica do “logos”. E enquanto as identidades culturais se autodefinirem através do exercício do logocentrismo, sustentando-se sobre a metafísica do “logos”, serán susceptíbeis de desconstruçón, tanto as suas proclamaçóns doutrinais como os pressupostos que guiam as suas prácticas. Um exemplo claro da versatilidade dos domínios a que a desconstruçón é aplicábel é-nos dada pelos “Estudos Culturais”, que têm encontrado na sua práctica um dos traços que lhe som próprios. E isso até ao ponto de, na sua deriva radical, a caracterizaçón dos “Estudos Culturais” parecer feita à sua medida, ao defender um modo de analisar os fenómenos sociais que atenta na produçón e difusón de significados nas sociedades, concedendo unha atençón especial aos grupos minoritários ou discriminados, e envolvendo a crítica e a acçón política.

MIGUEL MOREY

GALLEIRA (26)

A maior parte destes monumentos apresentam vissíbeis vestíxios das suas muralhas e fortificaçóns, como também as indubitáveis pegadas das xentes que sucessivamente os ocuparom. Admiram-se em muitos deles, ademais dos carbalhos que non conseguirom desterrar, os velhos túmulos que testemunham a vetustés do Castro que os abriga, e afirman quem forom os seus mais ocupantes. O herói celta enterraba-se no lugar no qual caía em combate. Assim como se encontra a tumba, assim também as suas armas. O arado levanta a miúdo na terra que renova, “celts” de bronce em “Castro de Rei” (Lugo); unha espada com a sua vainha, no de “Viveiro”; torques e outros obxectos mais que curiosos em tantos que sería longo enumerar. Tampouco faltam neles abundantes restos de cerâmica, desde os mais rudimentários até aos mais perfeitos. Em “Castro Angeris” (Corunha) descubriu-se um grande prato de barro secado ao sol; no de “Mourente” (Pontevedra) tixolos, o mesmo que em “Arreten”, perto de Padrón; no de “Lestrove”, o xá referido tubo de conduçón de aguas; e por último em “Babela” (terra de Lemos), notábeis restos de obras de alfareiros. Ademais de tudo isto pudéra recordar-se, para terminar, a estátua do guerreiro de “Castro de Rubiás”, a pedra de moer cereais do de “Vares”, a pedra de avalar do de “Cuadramon”, os sepulcros dos tempos médios no de “Portomouro” e assim mesmo moedas, machados de pedra pulimentada, lanças de cobre, etc… Se tudo isto xunto non indica a vida civil do Castro, non sabemos xá que poida significá-lo. Os Castros albergam a sua coroa, o seu mouro, a sua dama encantada, escrebe Faraldo. Mas ¡que pena que assim como consignou o feito, non tivesse recolhido algunha dessas lendas! ¡Que grande colheita delas no seu tempo! No nosso Folk-lore esta classe de contos e tradiçóns están chamados a um grande êxito, pois ilustravam debidamente, non cabe duvidá-lo, xá a mitoloxia galega, xá a história destes mesmos monumentos e quanto a eles se refére, baixo as diversas fases que acabamos de estudá-los. O dia que se lógre reuní-los, verémo-lo de unha maneira indubitável.

MANUEL MURGUÍA

FOUCAULT (UM CERTO SABER DA LOUCURA)

“O termo “arqueoloxía” quer designar non precisamente unha disciplina, mas um domínio de investigaçón, que sería o seguinte: Numa sociedade, os conhecimentos, as ideias filosóficas, as opinións de cada dia, e também as instituiçóns, as prácticas comerciais e policiais, os costûmes, tudo remete para um certo saber implícito próprio desta sociedade. Este saber é profundamente diferente dos conhecimentos que se encontram nos libros científicos, nas teorias filosóficas ou nas xustificaçóns relixiosas, mas é o que torna possíbel o surximento num dado momento de unha teoria, opinión ou práctica. Assim, para que se abrissem no final do século XVII os grandes centros de internamento em toda a Europa, foi preciso um certo saber da loucura, enquanto contrária à non loucura, da ordem e da desordem, e é este saber que tenho pretendido interrogar, como condiçón de possibilidade dos conhecimentos, instituiçóns e prácticas. Este estilo de investigaçón tem para min o seguinte interesse: permite que se evite todo o problema da anterioridade da teoria em relaçón à práctica e vice-versa… De facto, trato num mesmo plano e segundo os seus isomorfismos, as prácticas, as instituiçóns e as teorias, e procuro o saber comum que as tornou possíveis, a capa do saber constituinte e histórico.”

Michel Foucault, entrevista concedida a R. Bellour, 1966.

LITERATURA CLÁSSICA LATINA (OS AUTORES TRÁXICOS)

Varrón databa no 240 a. C. a primeira produçón de Andronico, e a primeira de Nevio, que sería com seguridade unha traxédia, no 235 a. C. Outra tradiçón era que “a musa”, xá fora tráxica ou épica, “chegou” a Roma durante a Segunda Guerra Púnica (223-202 a. C. ; Porcio Licinio); um terceiro afirma que foi depois da Segunda Guerra Púnica quando os romanos se convertirom à traxédia. Estas duas últimas opinións parecem seguir a cronoloxia errónea proposta polo erudicto e tráxico Accio na sua Didascalica, de que Andronico era mais novo que Nevio; o terceiro incluso a ignora e considera a Ennio (203-169 a. C.) como o primeiro tráxico romano autêntico. Sexa qual for a verdade sobre Andronico, as obras de Plauto presuponhem claramente de vários modos que a traxédia, era de feito um xénero popular e bem desarrolhado antes do final das guerras púnicas. A obra dos pioneiros, talvés especialmente de Nevio, fosse crucial para estabelecer a forma, o estilo e a esfera emocional da traxédia. Os títulos de Andronico e Nevio evidenciam o interesse polo ciclo troiano e as fortunas das heroínas dolentes. A saga dos Argonautas e as partes do ciclo tebano referidas a Dionisos e as Bacantes também forom usadas. Edipo em câmbio é unha figura curiosamente rara na traxédia romana. É sabido que Andronico utilizou a Sófocles (Ajax Mastigóforo e Hermiona ), mentras que Nevio pode ter usado orixinais de carácter tán diferente como o Licurgo de Esquilo e Ifixenia em Táuride de Eurípides. Esquecerom.se incluso os nomes dos rivais e imitadores menores de Ennio. Foi el quem fixo da composiçón da traxédia unha actividade muito respeitável para a diversón de cabaleiros que non dependiam do teatro. Entre estes destacarom o seu sobrinho o pintor Pacuvio (sobre o 154 a. C.) e Accio (que escrebeu aproximadamente entre o 145 e o 100 a. C.) e quase monopolizarom a atençón das xeraçóns seguintes. Ennio tinha particular interesse por Eurípides, a pesar de estar lonxe da fidelidade ao verdadeiro espírito do autor. Pacuvio, cuxa obra era pequena, servíu-se dos tráxicos atenienses clássicos e também dos imitadores de Eurípides. Há quase tantos títulos de obras de Accio como dos outros três xuntos. Como Pacuvio, era ecléctico na eleiçón dos seus modelos. No seu caso, como veremos, prantéxa-se a questón de se non escrebeu ás vezes traxédias “da nada”, exactamente como podería fazê-lo um contemporâneo grego; explorando os aspectos pouco conhecidos e a continuaçón das famosas histórias de Troya, Tebas e os Argonautas, o poeta-filólogo conheceria e estudaría non só as versóns dos mêstres e outras, senón também as observaçóns dos comentaristas, e podía tomar cousas (incluso de um latino) como Afranio na “togata” contemporânea. A última obra conhecida de Accio foi um Tereo do 104 a. C. e na década do 90 a. C. seguíam-se escrebendo traxédias novas, ao parecer para a sua representaçón escénica. Durante a vida de Cicerón habia reposiçóns, como na comédia, do que entón se considerava como os clássicos, de Pacuvio, Accio e Ennio ante âmplos públicos que podiam interpretar alguns passaxes com referência à política do momento. A profissón de actor prometia ganhar o prestíxio social do qual gozaba em Grécia; os oradores admirabam, protexiam e aprendiam de grandes actores como Esopo e Roscio. É probábel que o escreber unha traxédia se tivéra convertido num exercício literário xá com anterioridade ao ano 100 a. C. Os três autores romanos clássicos liam-se em época de Cicerón e probabelmente figurabam no programa escolar. Quinto Cicerón escrebeu várias traxédias, incluidas quatro que despachou em dezasseis dias de liçênça, mentras servía no exército na campanha das Galias no 54 a. C.

E. J. KENNEY E W. V. CLAUSEN (EDS.)

PLATÓN (OS DIÁLOGOS)

Ao contrário de Sócrates, Platón transmitiu por escrito as suas ideias filosóficas nunha série de obras. Sobre isso non restam dúvidas. Questón mais bicuda é saber quantas e quais, pois sabemos que están todas as que som, mas non se sabe se som todas as que están. Devemos a compilaçón mais antiga dos escritos platónicos a um tal Trasilo, ao que parece, um astrólogo do imperador Tibério que, no século I d. C., reuniu as diversas obras do filósofo em nove tetraloxias, o que com unha mera multiplicaçón nos dá um total de 36 textos nos quais non falta nenhuma obra de Platón referida por autores antigos posteriores. Logo, provavelmente están todas as que som. Porêm, subsistem dúvidas sobre a autenticidade de algunhas delas: para sermos mais exactos, das 36 obras incluídas na compilaçón de Trasilo só cinco nunca forom obxecto de controvérsia. Se afinarmos um pouco mais, existe um amplo consenso em considerar como indiscutivelmente autênticas 24 das obras transmitidas, existindo dúvidas sobre seis delas (Alcibíades e Íon, Menéxeno, Hípias Maior, Epinómis, e as Cartas), muito embora normalmente sexam aceites como autênticas, e outras seis costumam ser rexeitadas como apócrifas (Alcibíades II, Hiparca, Amantes ou Rivais, Téages, Clitofonte e Minos). Em qualquer caso, o que realmente sabemos é que as obras que chegarom até nós foram as que Platón escreveu pensando no “grande público”, isto é, aquelas que tinham unha finalidade divulgadora e expositiva do seu pensamento. É precisamente o caso contrário do que sucedeu com Aristóteles, de quem non nos chegou nenhuma das obras que escreveu para divulgaçón do pensamento (conhecidas como “obras exotéricas”), ao passo que dispomos dos “apontamentos” ou “manuais” nos quais inscrevia o conteúdo das liçóns ministradas polo estaxirita no Liceu. Provavelmente esse carácter de obras para o público xeral é o que explica outras das características peculiares da produçón filosófica de Platón. Com efeito, e ao contrário do que foi usual entre a maioria dos pensadores ao longo da história, Platón non se serve do tractado ou do ensaio para a exposiçón do seu pensamento, antes recorre para isso a unha forma dramatizada: o diálogo. À excepçón das “Leis” e das “Cartas”, todas as restantes obras do filósofo consistem nunha espécie de peças teatrais, nas quais se ván esmiuçando as doutrinas filosóficas através do diálogo entre as personáxes, com Sócrates como protagonista habitual e indiscutível. Todavia, a verdade é que a designaçón de “diálogo” se afigura algo xenerosa, sobretudo à medida que avançamos polas obras da maturidade do filósofo: é conservada a forma (personáxes que interaxem através de unha série de perguntas e respostas), mas perde-se o espírito do autêntico diálogo, pois em non poucas ocasións os interlocutores non passam de meros comparsas que assentem à exposiçón doutrinal de Sócrates.

E. A. DAL MASCHIO

POETAS DA TERRA (ALFONSO PEXEGUEIRO)

A ILLA DAS MULLERES LOUCAS

Nalgún lugar do océano, alá por onde o sol agacha, hai unha terra marabillosa que algúns chaman a Illa de Avalón. E a Illa das Maceiras. Nela hai árbores que dan froitos durante todo o ano, e a doenza e a morte son descoñecidas. Esta é a Illa de beleza, da harmonía, da cor e da riqueza. E os seus habitantes son só mulleres.

Dunha lenda celta

ah…, fogar invisible, por ti cantan os desterrados.

De Círculos de Auga

movíanse simplemente coma flores

“espellos”, chamábanlles

.

e a area rubia como o sangue do réptil

horrible e infectada

(ou o sol)

como o medo

.

¿virás? como a noite

.

¿quen era entón así? -ninguén

.

foi o día da morte

cando a razón era coma ti

un espectro sexual

dando voltas e virando

xentil louco

.

OH COMO A BESTA QUE NON ESTÁ VIVA VIVE NA PEDRA

RUSSELL (AQUILO POLO QUAL VIVI)

Três paixóns, simples, mas avassaladoras, governaram a minha vida: a ânsia de amor, a busca de conhecimento e unha insuportábel compaixón polo sofrimento da humanidade. Estas três paixóns, como grandes vendavais, levarom-me daqui para ali, por unha rota inconstânte num profundo oceano de angústia, muitas vezes até à beira do desespero. Comecei por procurar o amor, primeiro porque leva ao êxtase, um êxtase tal que amiúde teria sacrificado o resto da minha existência a unhas horas desta alegria. Procurei-o, em segundo lugar, porque alivia a solidón, essa terríbel solidón em que unha consciência trémula se aproxima da beira do mundo para observar o frio e insondábel abismo sem vida. Procurei-o, por fim, porque vi na unión do amor, nunha miniatura mística, a prefiguraçón do céu que santos e poetas imaxináram. Era isto que procurava e, apesar de poder parecer demasiado bom para a vida humana, foi isto que – por fim – encontrei. Com igual paixón procurei o conhecimento. Desexei entender o coraçón dos homes. Desexei saber por que razón as estrelas brilham e procurei apreender o poder pitagórico em virtude do qual o número domina o fluxo. Algunha cousa consegui, embora non muito. O amor e o conhecimento, na medida em que ambos eram possíbeis, transportavam-me até ao céu. Mas a compaixón fazia-me sempre voltar à terra. No meu coraçón ressoa o eco dos gritos de dor. Crianças esfomeadas, víctimas torturadas por opressores, idosos desvalidos, carga odiosa para os seus filhos, e todo um mundo de solidón, pobreza e dor tornam-se unha paródia do que deberia ser a existência humana. Desexo ardentemente aliviar o mal, mas non consigo, e eu próprio também sofro. Foi esta a minha vida. Achei-a digna de ser vivida, e com gosto voltaria a vivê-la se me fosse dada essa oportunidade.

FERNANDO BRONCANO

A COZINHA DOS FAMOSOS (FILIPA VACONDEUS)

Filipa Vacondeus começou a sua vida profissional na gastronomia há perto de 35 anos, mas desde a mais tenra idade se interessou pola cozinha caseira. Começou por trabalhar noutras áreas, chegou a ser hospedeira da TAP, assessora do presidente da Junta de Turismo da Costa do Sol, abríu unha axência de viaxens e foi secretária da administraçón da primeira fábrica de montaxem de automóveis em Setúbal. Abríu um restaurante em Alfama e quando este fechou, foi aconselhada a fazer críticas gastronómicas em semanários e revistas. Em 1981, apresentou unha série de programas de “Culinária na RTP, que se prolongaram por onze anos. Finalmente, para além do seu próprio restaurante o “Cota d’Armas”, dirixiu mais dous, sendo um deles a “Casa do Leao”, no Castelo de Sao Jorge.

BOLO DE FRUTOS

Comprar duas placas de massa folhada (pode ser conxelada) e deixem-na à temperatura ambiente. Preparar e lavar as frutas. Misturem a farinha com o azúcar, deitem o leite a pouco e pouco e levar ao lume a ferver uns dous a três minutos. Desfazer as xemas d’ovo nunha tixéla e xuntem-nas ao leite quente a pouco e pouco mexendo sempre. Levar ao lume muito brando, para engrossar mas sem deixar ferver para non talhar. Estender a massa sobre unha superfície polvilhada de farinha e cortar dous rectângulos iguais. Colocar num tabuleiro de ir ao forno e cozer em forno pré-aquecido a 200º, até a massa crescer e alourar. Retirem do forno, barrar um dos rectângulos com o creme, cortar algúns morangos em rodelas e introduzam-nos no creme. Xuntem mais frutas se gostarem e cubram com o outro rectângulo de massa. Polvilhar com azúcar pasteleiro, colocar nunha travessa e enfeitar com frutos a gosto.

A COZINHA DOS FAMOSOS

MARX (A CRÍTICA MATERIAL)

A fuga do mundo é a única maneira de o ser humano enfrentar, a partir da sua impotência, um mundo insuportábel; proxectar para fora a esperança, a xustiça, a paz. É a maneira humana alienada de resistir às suas condiçóns deshumanas de vida. Descobertas a sua orixem e a sua funçón, a crítica à relixión tem de ser crítica da sociedade que a xera, crítica das condiçóns que a fazem inevitábel. E essa crítica tem de desvelar também as formas profanas de alienaçón, que leva ao axuste de contas com a filosofia do direito: “A crítica do céu transforma-se assim em crítica da terra, a crítica da relixión em crítica do direito, a crítica da teoloxia em crítica da política”. A nova clarificaçón do conceito de libertaçón coloca a filosofia perante unha tarefa nova: a transformaçón material do mundo. Era especialista na crítica teórica à emancipaçón e movia-se com facilidade nesses palcos da relixión e do direito, mas tem de se rever e de se renovar para participar na nova tarefa da “crítica material” que tem de realizar na sociedade civil. A “crítica teórica”, tán desenvolvida na Alemanha, non tem servido para a tirar do anacronismo. A “filosofia do direito” tem sido impotênte, ficou obsolecta e, começa Marx a suspeitar, tem sido cúmplice. A luta emancipadora xá non pode ser meramente “crítica”, xeradora de consciência, mas “práctica”, transformadora das condiçóns que impedem de elevar a realidade ao conceito. A filosofia tem de assumir a sua nova tarefa, que non é a de dizer aos homes como devem viver e por que cousas têm de lutar; non se trata de lhes prescrever um destino e assinalar-lhes o caminho do paraíso: “Do que se trata é de non deixar aos alemáns nem um momento de resignaçón ou de ilusón perante si próprios. Há que tornar a opressón real ainda mais pesada, acrescentando-lhe a consciência dessa opressón; a ignomínia é mais ignominiosa, tornando-a pública. (…) Há que ensinar o povo a ter medo de si mesmo, para que ganhe coraxem”. Marx compreendeu, por fim, que na Alemanha o confronto non é contra a ordem feudal para instaurar o estado liberal burguês; isso equivaleria a tirá-la do anacronismo incorporando ainda o passado. A história queimou essa etapa e impôs outra tarefa: o repto xá era a superaçón do estado burguês e da ordem capitalista. E, assim, diz com ironia: “O moderno “ancien régime” xá non é mais que o comediante de unha ordem universal cuxos verdadeiros heróis morreram”.

JOSÉ MANUEL BERMUDO

LITERATURA CASTELÁN (VIDA DE SANTA MARÍA EXIPCÍACA)

A “Vida de Santa María Egipciaca”. Este poema de 1.451 versos, escrito probabelmente nos começos do século XIII e conservado, no mesmo manuscripto escurialense que o “Libro de la infancia y muerte de Jesús”, relata a lenda da famosa pecadora do Exípto, que depois de unha vida disipada, converte-se, quando os ánxos lhe barram a entrada no templo. O poema tem belos pasaxes, como a descrípçón da pecadora na sua xuventude e na sua velhice, a maldiçón dos seus pais, o encontro com o anacoreta Gozimás, a viáxe de María a Xerusalém, a sua purificaçón no río Xordán, a penitência no deserto durante longos anos e a sua morte exemplar. Manuel Alvar, que estudou o proceso de formaçón e desarrolho de esta vida lexendária, supón que o arzobispo de Xerusalém, Sofronio, morto em 638, fora o autor da primeira biografía de Santa María Egipciaca, composta non com o propósito de enaltecer à pecadora arrependida, senon para demostrar que os maiores rigores do rexíme claustral, podiam ainda ser superados polas renunciaçóns de unha mulher. As versóns multiplicarom-se desde a sua fonte oriental e houbo narraçóns em latím, grego e falas românces, ademais de poemas também latinos e românces. Na composiçón da lenda participarom os mais extranhos elementos, e María Egipciaca foi prudentemente excluída pola igrexa da lista dos santos. Mas a sua vida converteu-se em arquetipo de arrependidas e non só conservou por longo tempo a sua eficácia exemplar entre as xentes, senon que acabou por inspirar a poetas, pintores e escultores até ao dia de hoxe; para a plástica barroca foi tema predilecto.

J. L. ALBORG

AL-FARABI (RECONSTRUIR O PENSAMENTO DE ARISTÓTELES)

Graças às traduçóns árabes do grego, al-Farabi pisou terra-firme quando reconstruiu o pensamento de Aristóteles. Non se tratava xá de resumos em segunda mán ou de sínteses ecléticas, mas de um trabalho minucioso sobre os seus escritos. Essa base textual, unida ao seu próprio talento, fez com que a sua assimilaçón do aristotelismo criasse raízes no pensamento islâmico e perdurasse no tempo, inclusive no Ocidente cristán. Comprovemos isto nunha panorâmica da sua filosofia. Em primeiro lugar, na “lóxica”, ciência instrumental para Aristóteles como método do raciocínio demonstractivo. O obxectivo da lóxica, começa por dizer al-Farabi no “Catálogo das Ciências”, consiste em guiar-nos polo caminho da verdade, proporcionar-nos as regras que nos preservem do erro e conseguir a certeza através do siloxismo e da induçón. Aquilo sobre o qual a lóxica dá regras “som as ideias ou intelixíveis, enquanto têm relaçón semântica ou significativa com as palabras, e as palabras enquanto significam as ideias”. A “lóxica” e a “gramática” som duas artes análogas. “Todas as leis que a ciência da gramática nos dá relativamente às palabras som análogas às que a ciência da lóxica nos dá relativamente às ideias.” Mas distinguem-se entre si porque “a gramática dá somente as regras próprias e privativas das palabras de um determinado povo, enquanto a lóxica dá as regras comuns e xerais para as palabras de todos os povos”. Isso non quer dizer que non existam noçóns comuns às línguas de todos os povos, mas os gramáticos estudam-nas naquilo que têm de específico na sua própria língua, non no que é comum ou xenérico. No processo deductivo ocupa um lugar principal o “siloxismo”, que é um argumento em que, unha vez estabelecidas certas cousas, delas resulta algo diferente; obtém-se assim unha conclusón a partir de duas premissas. Na classificaçón al-farabiana, observamos como novidade a introduçón dos siloxismos rectóricos e poéticos. isso debe-se ao facto de os árabes terem acrescentado aos seis libros do “Organon” (conxunto de tratados lóxicos) outras duas obras aristotélicas, “Rectórica” e “Poética”. Estes som os tipos de siloxismo que oferece: “Apodíctico”: proporciona um conhecimento certo. “Polémico”: neste som usadas afirmaçóns de comum aceitaçón com o propósito de vencer o debate. As suas conclusóns som meramente prováveis. “Sofístico”: através de unha habilidade técnica tenta enganar-se e induzir em erro. As suas conclusóns som falaciosas. “Retórico”: aqui procura-se persuadir o outro, e embora existam diversos graus de persuasón, non se pode conseguir com este a certeza ou a elevada probabilidade. “Poético”: pretende provocar a representaçón imaxinativa de um modo de ser ou qualidade de unha cousa. Non conduz à certeza nem à opinión, mas leva à acçón através de unha suxestón imaxinativa. Na investigaçón da verdade, a lóxica facilita-nos de antemán o caminho que temos de seguir, ou sexa, o método, e adverte-nos de tudo aquilo que pode conduzir-nos ao erro. O único fim que se propón em sentido estricto é a demonstraçón científica; quem se contenta com meras opinións non necessita dela.

ANDRÉS MARTÍNEZ LORCA