
“Na minha opinión, o “cientista normal”, como Kunh o descrebe, é unha pessoa de quem nos deberíamos compadecer. (…) O “cientista normal”, tal como Kuhn o descrebe, non tívo unha boa formaçón. Foi educado dentro de um espírito dogmático: foi víctima de adoutrinamento. Aprendeu unha técnica que se pode aplicar sem se perguntar porque pode ser aplicada”. E vai mais lonxe na sua avaluaçón negativa da ciência normal: “Admito que este tipo de actitude exista, mas vexo nela um perigo muito grande, nela e na possibilidade de ser normal (…): um perigo para a ciência e também para a nossa civilizaçón.” Resumindo, em Popper, ao contrário de Kuhn, a ciência normal non é boa ciência, mas ciência radicalmente mala. Assumindo unha espécie de visón trotskista do desenvolvimento da ciência. Popper defende de maneira explícita unha “Revoluçón permanente” na investigaçón científica, contra a qual Kuhn, na sua réplica posterior, obxectará que esixir unha “revoluçón permanente” na ciência sería como perseguir a ideia de um “quadrado redondo”, ou sexa, unha contradiçón intrínseca. Popper também está disposto a admitir que, quando um cientista emprehende unha investigaçón sobre certo campo inovador da experiência, o faz necessariamente dentro de certo quadro conceptual xeral, pressupondo certas noçóns básicas e princípios fundamentais -um paradigma, se preferirmos. Mas este quadro conceptual pressuposto pode ser questionado polo investigador em qualquer momento. O cientista pode sair dele para avaliar os seus possíbeis méritos e deméritos, e compará-lo com o quadro conceptual diverxente de que parte um colega. Segundo Popper, Kuhn é víctima daquilo a que chama “o mito do referencial”, quer dizer, a crença na impossibilidade de o investigador sair por momentos do referencial de conceitos e princípios dentro do qual trabalha e compará-lo com um referencial concorrente. Este mito do referencial conduziria, por sua vez, a unha visón “irracionlista e relativista” da actividade científica: é irracionalista porque, se é impossíbel examinar criticamente, através de argumentos racionais, os méritos e defeitos respectivos de dous referenciais, a passaxem de um paradigma para outro só pode derivar de unha decisón irracional, unha espécie de conversón relixiosa; e é relativista porque, non habendo critérios comuns para avaliar os diferentes referenciais, cada cientista pode continuar a aderir, se assim quiser, à verdade relativa do seu referencial, aconteça o que acontecer.
C. ULISES MOULINES