Arquivos diarios: 07/01/2023

HEIDEGGER (SER E TEMPO)

Por isso, há que ler as duas secçóns da parte escrita à luz do “non escrito”, mas no entanto anunciado: o que aí acontece non é a elevaçón de unha nova figura filosófica “o ser aí” que venha substituir ou compreender de outra maneira unha antiga figura – a subxectividade -, mas a desmontaxem (ou destruiçón), passo a passo, da própria ideia de figura filosófica (suxeito no sentido clássico), para deixar aparecer o próprio sentido do ser. Só assim se pode entender como a investigaçón do sentido do ser em xeral, que é o do sentido de cada cousa, tem de passar por unha análise existencial prévia do “ser-aí”. Poder-se-ía dizer que desta análise, resultará a destruiçón do próprio “ser-aí” descrito inicialmente como ente privilexiado, sem a qual non se pode fazer referência ao único principal, o ser. Por outras palabras, também se podería acrescentar que o “ser-aí” aparece como recurso hermenêutico com o fim de deslocar a questón do ser do seu papel central como substância ou subxectividade para a sua manifestaçón como fenómeno ou cousa, único assunto que se revela como autenticamente orixinal, embora disso xá non se possa fazer princípio, precisamente para non recair na consideraçón ontolóxica. “Ser e Tempo” também pode ser interpretada nesta direcçón, de forma simultânea, como unha destruiçón da subxectividade moderna e da ontoloxia em xeral; inclusivamente da própria ontoloxia fundamental, como condiçón para aceder ao ser de cada cousa. Tudo isto faz de “Ser e Tempo” unha obra orixinal e singular no horizonte contemporâneo, cuxo carácter revolucionário non consistirá em apresentar um novo conteúdo do termo “ser”, mas, sim, em modificar a forma de compreender a questón. Nesse sentido, Heidegger reitera o modo grego de proceder de Aristóteles e recupera, de forma crítica, o papel que duas obras fundamentais desempenham na filosofia moderna: a “Crítica da Razón Pura”, de Kant, e a “Fenomenoloxia do Espírito”, de Hegel, que têm um estreito parentesco com “Ser e Tempo”. Non deixa de ser curioso que as três obras tenham também unha vinculaçón essencial com o significado e o papel da negatividade, non só no sentido mais trivial de que, na obra de Kant, há unha destruiçón da metafísica clássica e, na de Hegel, do modo substantivo de compreender a subxectividade, mas no sentido de que, nas três se prepare e, no caso de Heidegger, se execute, um esvaziamento dos conteúdos da filosofia que, definitivamente, fará dela unha reflexón sem obxecto, e, por isso, poderosa, porque se pode referir a qualquer um deles sem nenhuma limitaçón – a ciência, a ética, a política, a história, a natureza – mas, ao mesmo tempo, absoluctamente vulnerábel, susceptíbel de desaparecer, se corresponder, ao mesmo tempo, a todos esses obxectos mencionados, a sua própria ciência e ontoloxía. De certa forma, o próprio Heidegger veio testemunhar essa perda da filosofia e, consequentemente, o seu final. “Ser e Tempo” tem que ver com tudo isso.

ARTURO LEYTE

¡¡OXALÁ VOS METAN UNHA DÚZIA!!

Em Bilbao, o Villán contou-me que repartía leite, desde as quatro da manhán, até às duas do meio dia ou mais, depende do dinheiro que necesitára. Deixar a Laboral para fazer-se leiteiro, tampouco parecía unha decisón afortunada ou brilhante. Trabalhaba em “Leche Ona”, onde todos eram de Burgos, de Palencia, de León, putos “maketos” todos! O dinheiro, puta miséria: unhas mil pesetas à semana. E isso à força de horas e horas; e de descargar pola tarde camións de pulpa para alimento das vacas. Isso sím, podías beber quanta leite quixéras; sempre se partíam garrafas e isso eram pérdas previssíbeis. Que fossem averiguar, se foram rotas ou se tinham roto, se había sído accidente ou intençón manifésta. Com leite, e uns bocatas que te afanábas nas tendas, ías tirando. Quase todos os tendeiros eram “paisanos”, igual que as empregadas da secçón de engarrafamento da central leiteira. O “paisanaxe” sempre estaba disposto a deitar unha mán. Tudo isto, que me tinha contádo o Villán, veio a conto daquel “marica” abacial da Academia de Preparaçión Múltiple que me dixéra “lo siento usted no es catalán”! Aquel “manflorita” imbecíl inicíou um discurso sobre a colonizaçón idiomática que exercíam os “charnegos”. Como se os “charnegos” fósemos um exército invasor, o qual era a primeira vez que o escutaba e non era comúm que se dixéra por entón. Agarrei unha cadeira, e atireilha à cabeça. Acabou-se o discurso! Houbo um tempo em que, cada vez que o Barça xogaba contra um equipo mesetário, ou de onde fosse, ainda que fora estranxeiro, rezaba para que lhe metessem unha dúzia: um por cada xogador, outro para o treinador e a Virxem renegrida, que chamam “Moreneta” e que seguro, tinha a culpa de tudo o que me ocurría em Catalunya. Toma colonizaçón! Ainda que esta peripécia do latim, fora anterior a outras ocupaçóns, mas vêm-me agora à memória a raíz do encontro com o Villán.

JAVIER VILLÁN E DAVID OURO