Arquivos mensuais: Abril 2022

THOMAS S. KUHN (A CIÊNCIA NORMAL NON DISCUTE OS FUNDAMENTOS DA DISCIPLINA)

Em primeiro lugar, é preciso notar que um “paradigma”, sexa el qual for, é unha entidade conceptual indissociavelmente ligada a unha entidade social: o que Kuhn denomina unha “comunidade científica”. Um “paradigma” é algo partilhado polos membros de unha, e só unha, comunidade científica. Reciprocamente, unha comunidade científica é um grupo de pessoas que partilham um e apenas um “paradigma”. Como diriam os matemáticos, há unha “relaçón biunívoca” entre paradigmas e comunidades científicas. Perante unha leitura superficial do texto de Kuhn, pareceria até que os paradigmas seriam suficientes para “definir” as comunidades científicas, mas isso seria unha interpretaçón inadequada da concepçón kuhniana, como o próprio Kuhn deixou bem claro em “A Tensón Essencial” (1977). Com efeito, para Kuhn non se trata de definir os paradigmas através das comunidades científicas, nem o contrário. Os conceitos som loxicamente independentes, embora sexa um facto histórico que están sempre (ou quase sempre) intimamente associados. Enquanto os “paradigmas” debem ser identificados através de análises conceptuais (filosóficas, se quisermos), as comunidades científicas deberiam ser identificáveis, independentemente dos paradigmas que defendem, por métodos históricos e sociolóxicos. De qualquer modo, um período de ciência normal caracteriza-se polo facto de unha comunidade de cientistas, que trabalha num determinado âmbito, partilhar certos pressupostos, em xeral tácitos, de índole muito diversa (teóricos, experimentais, metodolóxicos, ideolóxicos e outros), que som precisamente os que lhes permitem “ir fazendo ciência”, digamos, no seu quotidiano. Estes elementos partilhados encontram-se, uns implícita outros explicitamente, nos canais usuais de ensino e transmissón das disciplinas (sobretudo nos manuais), e o xovem cientista que inicia a sua carreira adquire-os, regra xeral, no seu período de aprendizaxem. Na ciência normal, a tarefa quase exclusiva dos cientistas envolvidos consiste num tipo de actividade que Kuhn denomina “resoluçón de enigmas” (em inglês puzzle-solving). Esta tarefa consiste, “grosso modo”, em ir ampliando e aperfeiçoando a aplicaçón do aparelho teórico-conceptual à experiência e ao mesmo tempo (e como consequência disso), em ir axustando e polindo tal aparelho. Eis aqui alguns exemplos de tarefas típicas na investigaçón “normal”: precisar os valores numéricos de constantes xá conhecidas, determinar outras novas, encontrar formas específicas das leis xerais do paradigma, aplicar as leis xá disponíveis a novos fenómenos que a experiência revela. Para levar a cabo este trabalho é essencial que o cientista non questione os pressupostos básicos partilhados pola comunidade à qual pertence, pois som precisamente esses que guiam a sua investigaçón e lhe permitem alimentar esperanças de êxito. A ciência normal non discute os fundamentos da disciplina.

C. ULISES MOULINES

LITERATURA CASTELÁN (“LIBRO DE LA INFANCIA Y MUERTE DE JESÚS”)

Tambem chamado “Libre dels tres Reys d’Orient”. Este poema, conservado xunto com a “Vida de Santa María Egipciaca” num manuscrípto do Escorial, foi publicado por Don Pedro José Pidal em 1841. Consta de 242 versos agrupados em pareados. Vinha sendo titulado “Libre dels tres Reys d’0rient, a pesar de que apenas se ocupa da adoraçón dos Reis Magos, somente mencionada nuns versos do início; o seu asunto está constituido por diversos episódios da infância de Jesús, tomados em parte dos Evanxelhos apócrifos. (…) Ao regressar os reis ao Oriente sem dar conta a Herodes, este ordena degolar aos nenos recêm nascidos, e a Sagrada Família escapa para o Exípto, pasaxe que constituie a parte central do poema; durante a viáxe, a Sagrada Família é apressada por bandidos, um dos quais quere dar morte ao Neno, mas outro o salva e convida os fuxitivos a passar a noite na sua cova. O filho deste piadoso bandoleiro, doênte de lépra, cura-se ao banhar-se na mesma àgua de Jesús, e, andando o tempo, virá a ser Dimas, o “bom ladrón” que será crucificado à dereita de Cristo no Calvário, mentras que o filho do bandoleiro que quixo matar o menino, Gestas, será crucificado à sua esquerda. Ainda muito antes da sua publicaçón, vinha-se insistindo em que o “Libro de la infancia y muerte de Jesús”, procedía de um texto françês ou provençal; assim o afirmou Milá y Fontanals, e o repetíu Menéndez y Pelayo e, à sua zaga, todos quantos mencionam o poema até aos nossos dias. Afirmou-se assim mesmo, como proba, que o título está em catalán, e Pérez Bayer, o famoso erudicto do século XVIII, dixo (sem ter visto o poema, evidentemente) que estava composto em “Lemosín”. Tudo isto conducia a situar o “Libro de la infancia y muerte de Jesús” dentro da corrente xeral da influênça françêsa

J. L. ALBORG

KARL R. POPPER (O PROBLEMA DA INDUÇÓN)

Dissemos que para popper o cientista verdadeiramente honesto é aquele que procura falsificar, e non confirmar, as suas próprias leis e teorias. Terá de ser sempre esta a actitude ética fundamental da ciência. Como concepçón da investigaçón científica parece completamente contraintuitiva e, de facto, assim é. Afinal, o comum, tanto entre leigos como entre os próprios cientistas profissionais, é pensar que unha hipótese xeral ou unha teoria pode ser “confirmada” (ou verificada, como também se diz) polos factos descobertos. Assim por exemplo, é usual ler nos manuais de Astronomia que a descoberta do planeta Neptuno confirmou de forma “definitiva” a teoria da gravitaçón de Newton. Para Popper, isso non existe. O que essas decobertas positivas implicam é apenas o que denomina unha “corroboraçón” da hipótese ou teoria em questón. O termo “corroboraçón” tem um significado muito menos forte que “verificaçón” ou “confirmaçón”. Significa apenas que, de momento, a teoria se “salvou”, passou um primeiro exame. Mas o chumbo espreita sempre ao virar da esquina. A qualquer momento, perante a verificaçón de um novo facto, a teoria mais bem corroborada do mundo pode revelar-se simplesmente falsa. Nenhuma teoria ou lei xeral, se for verdadeiramente científica pode ser verificada, precisamente porque é unha afirmaçón de xeneralidade irrestricta sobre o universo, e qualquer número de casos positivos da lei, por maior que sexa, será sempre finito, e, portanto, insuficiente para garantir a sua veracidade fora de toda a dúvida. É este o lema fundamental da “falsificabilidade” popperiana. E isto significa que nunca teremos “xustificaçón” para acreditar na “veracidade” de unha teoria ou lei xeral, apesar de podermos ter xustificaçón para acreditar na sua “falsidade”, graças ao “modus tollens”. Porém, muitos autores antes de Popper, tanto filósofos como cientistas, defenderam que há um método para xustificar a nossa confiança nas leis xerais: o chamado “método inductivo” ou, simplesmente, “induçón”. Mas, muitos alegaram que o método característico das ciências empíricas, contrariamente à lóxica e à matemática, que som puramente deductivas, é precisamente a “induçón” como procedimento para inferir verdades xerais de um certo número de factos particulares. Este ponto de vista é tipicamente ilustrado por Francis Bacon, que pode ser considerado o ideólogo por excelência da ciência moderna que emerxe no século XVII: para el, a “induçón” representaba a chave máxica do verdadeiro conhecimento (xeral) sobre a natureza. E o próprio Newton, algunhas xeraçóns depois, assenta como unha das regras fundamentais da investigaçón científica o seguinte: “Na filosofia experimental (assim se chamaba entón o que hoxe denominámos física) debemos procurar proposiçóns que se infiram por induçón xeral a partir dos fenómenos de maneira exactamente verdadeira ou muito próxima da verdade, apesar de qualquer hipótese contrária que se possa imaxinar.”

C. ULISES MOULINES

LISBOA 2022

Continuo pensando que a melhor época para visitar Lisboa, é o famoso “Abril em Portugal”.

Iniciámos o nosso períplo gastronómico, pola famosa rexíon da Bairrada, e os seus “leitonzinhos”.

Este “Caldo de Galinha”, se nasceramos ensinados, debería ser o único prato que teríamos que tomar aquí, e voltar a repetir várias vezes mais.

O “Leitonzinho da Bairrada”, tinha bocado! Quando probei um bocado picante, a sospeita assaltou o meu espírito!

Nunca se debe um fiar, e menos de negociantes!

O “Café Nicola”, é o templo onde os nossos amigos, que sempre andan toureiros, venhem admirar as fermosas ninfas da cidade, xá desde os tempos de José María Barbosa du Bocage. ¿ Quêm és, de onde veis e para onde vais ? ! Sou o Bocage, venho do Nicola e vou para o outro mundo, se disparas a pistola !

O “Galito”, é a “Meca” da cozinha alentejana, apesar de ainda non ter logrado que faga unha “Sopa de Caramuxo”, nunca defrauda.

A “Sopa de Tomate com carne de Algidar”, estaba tán boa que até me esqueceu de tirar a fotografia.

“Costeletinhas de Borrego com Batata frita”, um abundante mimo.

A beleza arquitectónica, é unha constânte, nos passeios por Portugal.

Felipe II, e o San Vicente, acompanhado dos seus dous corvos, âmbos espanhois, deixarom a sua pegada na capital lisboeta. O San Vicente, muito a pesar dos portugueses é o patrón da cidade, e Felipe II, deixou unha das melhores vistas sobre a cidade.

O “Solar dos Presuntos”, este ano, esteve a um nível que rozou a perfeiçón! Eu, recomendo sempre, comer aquí ao meio dia, porque às noites costûma haber muita barafunda.

Unha “Touriga Nacional” bastânte económica, mas de unha excelênte qualidade, o qual confirma que, muitas vezes, o conhecimento vale mais que o dinheiro.

Unha sopa muito boa, como quase todas as feitas em Portugal.

Robalo (Lubina) grelhado, estaba planchado, non se podia pedir mais.

A “Feira da Ladra”, no campo de Santa Clara, é unha das visitas obrigadas, todas as Terças-Feiras há alegria e movimento.

Esta foi unha das escolas da minha vida, da qual guardo muitas recordaçóns na minha memória de elefante.

O “Avenida Palace”, é um dos grandes emblêmas da cidade, alí trabalharom muitas xentes de Guillade. É um lugar sumptuoso, e bom para tomar algo e conversar demoradamente, de vez em quando, sente-se o rumor de um comboio que parte como se fora um terramoto.

O “Tia Matilde”, é um dos restaurantes obrigatórios da cidade, mas, que depende do que vaias pedir fundamentalmente.

A “Canxa de pato” é algo incontornábel, ou sexa obrigatória.

As “Pataniscas de Bacalhau” deixabam muito que desexar. Non obstânte o “Arroz de Pato”, estaba mesmamênte espectacular!

Há que estar preparados, para o mundo moderno!

A Camara Municipal de Lisboa é arquitectónicamente muito bela, e a sua praça também o é, a pesar de terem aparecido unhas formigas de ferro, que non sei muito bem que pintan por alí.

Fermosa praça da zona do “Caixiné”. “¡Ài Chico, Chico, do Caixiné. Quêm te víu e quêm te vê!”

Os “Frangos do Bonjardim”, colheram daquéla unha fama que non mereciam, porque na realidade eram frangos de cidade. Mas, na actualidade a causa das “sançóns económicas” xá están algo careiros.

A “Versailles”, é unha das melhores pastelarias de Lisboa, ó discréto encanto de ser frequentada por senhoras burguesas, suma-se a qualidade dos productos.

O “Procópio”, renasce das suas cinzas, e continua alimentando “Revoluçoes” e conciliábulos nocturnos.

O “Xardím das Amoreiras”, conserva o seu aspecto arcaico d’outros tempos.

O “D’Bacalhau”, este ano, perdeu bastante encânto. Tranformou-se num lugar de batalha, e a qualidade da comida baixou muitos quilates.

A sopa era boa e abundante.

Os “Pasteis de Bacalhau”, eram bons.

Estou de acordo, em que “o melhor de tudo era o serviço”

A beleza da Arantes Pedroso e do Campo de Sant’Ana

“O Celeiro”, foi unha grande descoberta! Está muito bem situado, mesmo no centro da cidade, entre o Rossio e as Escadinhas do Carmo. É “Bio” e “Ecolóxico”.

Pode-se comer dunha maneira bastânte saudábel, a uns preços do terceiro mundo, o qual resulta ideal para xente nova, estudantes por exemplo.

A “Sopa de Agrioes” estaba deliciosa! O “Esparragado de Naviças” também. O sumo com menta, para beber, e a manga de sobremessa, tudo bastânte bom. A “Pescada com Agrioes”, era um pouco seca, mas parecia saudábel, e as “pataniscas” estabam algo duras, mas penso que atesouravam no seu cêrne poder alimentício.

A deusa exípcia do xardím do Torel, “Senhora, meu corazón trême quando vos vexo ao passar.”

A “Calçada do Combro”, é unha râmpa de lanzamento para a noite da cidade.

A “Benard”, é um lugar onde se pode descansar, tomar café ou qualquer refrixério, ou ainda comer algo.

O “British Bar”, é como o Tejo. “É sempre novo!”

O “Restaurante da Praia d’Adraga”, vale a pena o esforço de chegar. Toda a paisáxe verde e cheia de curvas, nos faz recordar a nossa Terra.

A “Sopa de Peixe”, é um monumento gastronómico!

As “Ameixoas”, non som abundantes, e as do ano passado eram diferêntes e muito melhores.

Dous sargos grelhados e uns chocos assados com a sua tinta, forom o colofón deste ano.

O “Convento-Palácio do Buçaco”, é um afamado monumento de Portugal, no qual o Papa doutros tempos, prohibíu a entrada das mulheres, pois a morna beleza do lugar, fazia com que os frádes se atiraram a elas cegamente.

Comemos no centro do Luso, num dos melhores restaurantes da vila.

A sopa era delicada, a carne do país, e o vinho da Quinta do Monte D’Oiro, de Bento dos Santos (um Shiraz, xá com côr de telha).

A IRMANDADE CIRCULAR COMUNAL

DESCARTES (A ENCRUZILHADA INTELECTUAL DO SÉCULO XVII)

Na época de Descartes, o sistema de pensamento dominante era unha mistura de doutrina cristán e filosofia antiga (maioritariamente a de Aristóteles), conhecido como “escolástica”. De implantaçón em todas as escolas e universidades cristáns, a escolástica foi unha tentativa de pôr os restos do saber pagán ao serviço de unha ordenaçón racional da revelaçón. A discussón e o raciocínio eram permitidos, mas circunscriptos à natureza do “Ser Supremo” e à forma como o mundo tinha sido criado (contudo, isso non estaba isento de perigos: eram frequentes as acusaçóns de heresia entre teólogos). Para entender o grau de sofisticaçón que esta filosofia alcançou há que recuar ao século XIII, quando Tomás de Aquino, um brilhante teólogo italiano, conseguiu pôr ao serviço do cristianismo a física e a metafísica de Aristóteles, a astronomia de Ptolomeu e a medicina de Galeno. Para resolver este quebra-cabeças, conhecido a partir de entón como “tomismo” e elevado a doutrina oficial da Igrexa, Tomás inspirou-se nas correntes de pensamento que na Grécia tardia (especialmente na Alexandria dos séculos III e IV da nossa era) fundiram os ensinamentos clássicos com as relixións orientais, incluindo o puxante cristianismo. O “tomismo” e a sua concepçón da “analoxia do ser”, segundo a qual todos os seres têm “semelhanças com o Ser Supremo”, apresentava-se como a doutrina filosófica perfeita para o cristianismo, pois era capaz de sustentar a existência de um vínculo cognoscível entre Deus e o Mundo (evitando assim cair no ateísmo), sem que com isso eliminasse a infinita distância entre ambos (evitando o “panteísmo” ou identificaçón de Deus com a natureza). A partir daqui, o cosmos era reflectido nas “Sumas” escolásticas (xigantescos volumes manuscriptos) como unha grande arquitectura de “árbores categoriais”, em cuxo topo se encontraba Deus (em relaçón ao qual se predicavam os “xéneros xeneralíssimos”) e em cuxa base residiam as “espécies ínfimas” (das quais brotavam os indivíduos). Ficava tudo assim integrado nunha grande estructura “arborescente” e “piramidal”.

ANTONIO DOPAZO GALLEGO

BONGA (CALULU DE PEIXE)

Barceló de Carvalho, nasceu a cinco de Septembro em Kapiri, na província do Bengo, em Angola. Tem nove irmáns e unha vida cheia de sucesso. A infância foi passada nos bairros pobres de Luanda, onde vive num âmbiente intimista de preservaçón das músicas tradicionais angolanas. Foi no bairro do Marçal que fundou o seu grupo “Kissueia” e afirmou o seu estilo que, mais tarde, o viria a tornar um dos mais populares e famosos cantores africanos. Mas Barceló sempre se sentiu atraído polo atletismo e, depois de ter ganho alguns títulos em Angola, foi convidado polo Sport Lisboa e Benfica. Veio para Portugal e atinxe por sete vezes o estatuto de campeón, batendo vários recordes. Non deixou de cantar e non esqueceu a sua terra. Axudou compatriotas que lutavam pola vida. Para estar a salvo de perseguiçóns políticas resolveu ir para a Holanda, onde lança o primeiro álbum “Angola 72” e passa a chamar-se Bonga. A partir daí, se por um lado se perdeu um grande atleta, a cultura africana ganhou um herói. Cantou África por todo o mundo, gravou mais de 32 álbuns, alguns de ouro e platina e os seus temas xá forom interpretados polos maiores nomes da música brasileira. Mas também na cozinha Bonga non abandona as tradiçóns. Gosta de comer e leva os seus amigos ao “Mae Preta”, onde é muito querido.

CALULU DE PEIXE

200 gramos de peixe fresco; 100 gramos de peixe seco; duas colheres de óleo de palma; 200 gramos de quiabos; 200 gramos de espináfres; unha cebola; dous tomates e sal.

Temperar o peixe com sal, levar ao lume xuntamente com a cebola, o tomate e o óleo de palma. Cobrir com àgua e deixar cozer o peixe. Por fim, xuntámos os espináfres farpados e os quiábos, e deixámos apurar.

BOLO DE BANANA

6 ovos; 100 gramos de azúcar; 50 gramos de farinha de trigo com fermento; 3 bananas grandes; 250 gramos de caramelo.

Untar a fôrma com o caramelo, dispôr a banana cortada às tiras no fundo. Misturar todos os elementos, e verter sobre a banana. Depois, cozer em forno previamente aquecido a 200 gráus, durante 30 minutos.

A COZINHA DOS FAMOSOS

GRAMSCI (O MARXISTA DAS SUPERESTRUCTURAS)

Sem dúvida, o pensamento político actualmente de esquerda, na medida (relactiva) em que ainda se liga ao marxismo, fá-lo através da figura de Gramsci. Isso é facilmente constatável abrindo simplesmente os xornais. O nome de Gramsci está hoxe na boca de todos os que advogam um proxecto político emancipatório ou, simplesmente, antineoliberal. A leitura de Gramsci esteve na base dos movimentos hispano-americanos a que se convencionou chamar “bolivarianos”, movimentos que, pense-se o que se pensar acerca deles, resulta difícil negar que conseguiram pôr travón aos axustes estructurais neoliberais que arruinarom o continente nos anos noventa. Também na Europa, Gramsci foi o autor de referência nos proxectos mais importântes de rexeneraçón da esquerda, como a criaçón do partido “Podemos” na Espanha ou do “Syriza” na Grécia. Porque é Gramsci tán importânte na actualidade? Gramsci foi chamado o “marxista das superestructuras”. É preciso referir que essa fórmula xá é muito heterodoxa na tradiçón marxista. No marxismo escolástico, era artigo de fé que o superestructural non tinha autonomia. Essa era, dizia-se, a tese mais básica do “materialismo histórico”. E, no entanto, isto non é de forma algunha assim tán claro como se quis fazer crer. A verdade é que, para apoiar esta tese, recorreu-se sempre ao mesmo texto de Marx, um parágrafo de 1859, inserido no Prefácio de unha obra inacabada. Citava-se incansabelmente esse texto de dez linhas porque, na verdade, non habia outro para citar. O marxismo transformou simplesmente nunha ríxida doutrina xeral o que em Marx era unha – sem dúvida importânte – observaçón introductória. Afirmava-se nesse texto que “non é a consciência que determina o ser social, mas sim o ser social que determina a consciência”. A partir daí, o marxismo concluiu que cada modo de produçón material determinava um universo “superestructural” à sua medida, de tal maneira que todo o ideolóxico, o cultural, o xurídico e, inclusive, o político era determinado por unha base económica à qual se chamou “infraestructura”. Na verdade, o texto em questón nem sequer estava bem traduzido. O esquema “superestructura-infraestructura”, convertido na pedra angular do “materialismo marxista”, é unha mala traduçón de unha metáfora alemán, que Marx utiliza num texto marxinal, em que “Überbau” (superestructura) designa mais a construçón ou o edifício que se ergue sobre os alicerces, nomeados aí como “Grundlage” (base), e como bem referiu Godelier, advertindo contra a concepçón do superestructural como unha realidade empobrecida e periférica, “vive-se na casa e non nos alicerces”, polo que outra traduçón de Marx teria podido muito bem dar cabo do sentido do nervo fundamental do suposto “materialismo histórico” (Godelier, L’idéel et le Matériel).

CARLOS FERNÁNDEZ LIRIA

A NOVELA POLÍTICA

Às vezes a diferênça entre o românce histórico e o político é quase imperceptíbel. No caso de “Lanza y sable” essa diferênça está marcada unicamente pola data na qual se desarrolham os acontecimentos, quase oitenta anos antes da data da publicaçón do libro. Muito diferênte resulta o caso de “Amalia” (1851-1855), do arxentino José Mármol (1817-1871). Ainda que hoxe este libro se acostûma a ler como novela histórica – refêre-se ao tempo sinistro da dictadura de Rosas – , de feito a acçón transcorre apenas uns anos antes da época em que foi escríta. Para Mármol, “Amalia” supunha tratar um assunto contemporâneo, um panfleto político contra Rosas. Mas, a proximidade do tempo narrativo e o tempo da escritura non dissimulam o feito de que a novela foi escríta nunha perspectiva histórica inmediata. O que lhe dá carácter político foi o furor com que Mármol escrebeu, quem, como Echeverría e Sarmiento, foi víctima das perseguiçóns de Juan Manuel de Rosas e sofreu o êxilo em Montevideo, onde continuou a sua tenaz actividade política marcadamente antirrosista. Desde o ponto de vista narrativo, “Amalia” é um românce da pior espécie e Mármol um poeta regular e péssimo narrador. A história dos amores da viuva “Amalia” com o xovem Bello, debe valorar-se como atroz; o que dá vida ao libro é o retrato de Rosas em acçón. A primeira vez que se apresenta, aparece nas suas funçóns de dictador, non só dictando a correspondência, senón submetendo a sua filha a unha humilhaçón, que equivale a violência sexual. As maquinaçóns de Rosas, mantenhem a novela viva e xustificam que se leia ainda hoxe. Mas, como novela política, “Amalia” tería de ceder a seu lugar a “Lanza y sable”, mais subtil, mais humorística no retracto de um dictador.

RBA EDITORES, S. A. – BARCELONA

ALTHUSSER (A ESTRUCTURA PROFUNDA DO CAPITALISMO)

O leitor tem neste texto de Marx unha ocasión insuperábel para entender o conceito mais problemático e talvez mais difícil da obra de Althusser: o conceito de “causalidade estructural”. As páxinas correspondentes publicadas em “Lire le Capital” forom em certas ocasións obxecto de zombaria polo seu carácter esotérico, encriptado pola xíria “estructuralista” entón sumamente na moda. No entanto, o texto de Marx que acabámos de citar permite aproximar-nos do conceito de estructura e comprehender porque Althusser lhe deu tanta importância, sem ambiguidades retóricas nem floreados académicos. Os operários do senhor Peel, deixarom de o ser, mal desembarcarom num continente com terras virgens suficientes para se transformarem em camponeses independentes. Colonizarom pedaços de terra, dedicarom-se a criar gando e tornar-se artesáns, e alguns que tiverom sorte nestes ofícios “tornaram-se inclusivamente, concorrentes dos seus ex-patróns no próprio mercado de trabalho assalariado”. “Imaxinem que atrocidade!” – comenta Marx – “O honesto capitalista importou ele próprio da Europa, com o seu próprio dinheiro, os seus próprios concorrentes, e em pessoa!” Todas as leis que em Inglaterra pareciam cumprir-se de forma elegante, com a espontaneidade e a beleza da natureza, deixavam de se cumprir, como que por encanto, nas colónias, ao desmoronar-se “a lei natural da oferta e da procura de trabalho”, unha lei “natural” que alguns, diz-nos Marx, sentiam xá a tentaçón de “encarrilar devidamente através da polícia”. Confrontados com este problema, pode dizer-se que non só Wakefield, mas também a clásse capitalista em xeral e o próprio Parlamento britânico, que se ocupou do assunto, perderam de unha só vez a confiança em que “as leis naturais do intercâmbio de mercadorias” constituíssem unha base suficiente para a edificaçón do capitalismo. Marx diz que o senhor Peel se tinha esquecido de “exportar as relaçóns de produçón inglesas”. Mas ainda non sabemos muito bem em que consistem e, em todo o caso, como poderiam ser “exportadas”?

CARLOS FERNÁNDEZ LIRIA