Arquivos diarios: 16/03/2022

LEIBNIZ (PARÍS)

Em Outubro de 1675, Leibniz solicitou a sua entrada na Academia de Ciências de Paris – presidida por Huygens – depois da morte de Gilles de Roberval, inimigo declarado de Descartes e conhecido polos seus trabalhos na quadratura das superfícies e no “método dos indivisíveis” (que também inventou independentemente do seu contemporâneo italiano, Bonaventura Cavalieri). Ao mesmo tempo, oferecia os seus serviços ao ministro Colbert. Queria a todo o custo encontrar um meio de subsistência que lhe permitisse prolongar a sua estadia na capital francesa, mas a administraçón parisina demonstrava unha certa intolerância relixiosa e non era muito propensa a atribuir cargos a intelectuais que non fossem católicos; portanto, perante a rexeiçón de entrar na Academia de Ciências e de obter qualquer cargo remunerado na Corte, Leibniz ver-se-á obrigado a aceitar, em Xaneiro de 1676, a oferta do duque de Hanôver para trabalhar nessa cidade como conselheiro e bibliotecário. Xoán Frederico tinha feito esta oferta a Leibniz muitas vezes durante a sua estadía em París, pois via nele um diplomata útil na sua política de conciliaçón relixiosa, mas Leibniz faria o possíbel para adiar a sua presença em Hanôver até meados de Dezembro de 1676. Outro dos encontros fructíferos em chán parisino foi com Nicolas Malebranche, a quem Leibniz conheceu à marxem do círculo da Academia. Além de ser um matemático reconhecido, Malebranche, que acabava de publicar a sua “Da Procura da Verdade” (De la Recherche de la Vérité), era nesse momento o filósofo cartesiano mais importânte, com duas contribuiçóns fundamentais para a filosofia de Descartes: a “teoria das causas ocasionais”, como unha tentativa de resolver os problemas criados polo dualismo cartesiano, e “o desenvolvimento da matéria subtil cartesiana” como sendo constítuída por pequenos vórtices elásticos, o que lhe permitia dar unha explicaçón plausíbel sobre os fenómenos da luz e do calor. As primeiras conversas entre Leibniz e Malebranche debruçarom-se sobre a doutrina cartesiana da extensón como essência da matéria, mas a correspondência com Malebranche (da qual se conservam oito cartas entre 1674 e 1711) ocupará rexistos mais âmplos, referindo-se também à dinâmica e á teodiceia, orixinais de Leibniz.

CONCHA ROLDÁN

LITERATURA CLÁSSICA GREGA (HIPONACTE)

Probabelmente o que garantizou a supervivênça do libro de Teognis a través da era bizantina, forom as referências aprobatórias de Platón e Aristóteles sobre o poeta como moralista. Esta marca protectora non foi ou non púido ser adxudicada à obra de Hiponacte de Éfeso; ainda que sendo favorito dos poetas e erudíctos alexandrinos (que, ao parecer, despreçárom completamente a Teognis), só se conserva fragmentáriamente. O seu tôm insultânte e o non edificânte da sua matéria temática, apenas podiam esperar ganhar a aprobaçón dos padres cristáns, mas tampouco agradabam ao imperador Xuliano, o último representante agressivo do paganismo. Queria que os seus sacerdotes “se abstivéram non só de actos impuros e lascívos, senón também de discursos e leituras do mesmo carácter… Ningúm iniciado debería ler a Arquíloco, Hiponacte ou qualquer dos autores que escrebem o mesmo tipo de cousas…”. O feito de que o dialecto Xónico e o vocabulário políglota do poeta resultaram pouco adecuados para um sistema educativo que insistía na pureza ática, é unha razón mais, para que os textos de Hiponacte, aparte dos que recentemente se encontrarom em papiros, sexa unha miserábel colecçón de fragmentos, ningúm dos quais comtêm mais de seis versos consecutivos completos e muitos somênte unha curta fórmula ou unha só palabra. As nossas fontes mencionam dous “libros”; trata-se probabelmente dos libros da edicçón alexandrina. Se acaso, eram algo parecido aos “Iamboi” de Calímaco, que no seu poema introductório acompanha a Hiponacte de volta do Hades, para que dê aos “literati” alexandrinos unha obra do seu espírito, o contído estaba composto de poemas separados, sobre unha variedade de temas e toda unha âmpla gama de metros. Os fragmentos están formados por trímetros yámbicos, tetrámetros trocaicos, hexámetros e unha combinaçón de trímetro yámbico e um verso dactílico mais curto. A maioría dos poetas do período arcaico, à marxem da sua procedência e do xénero que trabalharom, estabam submetidos a unha forte influênça da tradiçón épica Xónica e especialmente do seu principal representânte, Homero.

P. E. EASTERLING E B. M. W. KNOX (EDS.)