Arquivos diarios: 29/10/2021

VOLTAIRE (A MARQUESA DE CHÂTELET)

O que aconteceu com as suas “Cartas Filosóficas” leva-o a mudar-se para perto da fronteira e chega a um acordo com o marquês de Châtelet para se instalar no seu danificado Castelo de Cirey. Em contrapartida, Voltaire investirá muito dinheiro para torná-lo mais habitábel e deixá-lo ao seu gosto. Aí viverá vários anos na companhia da esposa do marquês sempre ausente, a senhora de Châtelet, nascida em 1706 com o nome de Gabrielle Émilie Le Tonnelier de Breteuil. Émilie era dona de unha considerábel fortuna e mostrava unha educaçón excepcional para unha mulher daquele tempo, xá que sabia latim, italiano e inglês, além de conhecer a literatura em todas essas línguas e de possuir amplos conhecimentos científicos, interessando-se particularmente por Newton. A marquesa de Châtelet non só era apaixonada por matemática, música e metafísica, mas, com apenas 15 anos, traduziu a “Eneida”, lia Horácio, Lucrécio e Cícero. Casara aos 19 anos e tinha três filhos, mas as prolongadas ausências do seu marido no exército fizeram com que tivesse unha vida independente. Traduziu os “Principia” de Newton e “A Fábula das Abelhas” (The Fable of the Bees) de Mandeville, onde se denuncia o mito dos paraísos frugais e virtuosos, mostrando que a ambiçón, o gosto polo conforto e polo luxo som motores da economia, xerando trabalho para os pobres. Unha tese que Rousseau discutiria no seu “Discurso sobre as Artes e as Ciências”: “O luxo pode ser necessário para dar pán aos pobres; mas se non houbesse luxo tampouco habería pobres”. Quando se conheceram, a marquesa de Châtelet, Émilie, tinha 27 anos e Voltaire mais oito. No início das suas “Memórias”, Voltaire diz-nos que em 1733 conheceu: “unha xovem senhora que pensava mais ou menos como eu e que tomou a decisón de passar vários anos no campo para cultivar o seu espírito lonxe do tumulto do mundo; era a mulher de França com mais disposiçón para todas as ciências. Raramente se xuntou tanta harmonia espiritual com tanto ardor por instruir-se; non gostaba menos do mundo e de todas as diversóns próprias da sua idade e sexo.” O aspecto daquela a quem Voltaire chamaba “belle Émilie” pode ser observado graças a um conhecido retrato em que aparece com um compasso na mán, entre libros e instrumentos de laboratório.

ROBERTO R. ARAMAYO

SOMBRAS NAZIS E PUTERÍO UNIVERSAL

O turismo em Canet, ainda que predominabam os Alemáns, non era tanto de países como idiomático. A fala hexemónica sim que era a alemán. E as holandesas que por alí andabam era em razón de que, por circunstâncias de cultura e de profisón. falabam alemán. Resultabam como enxertos extranhos num rebanho cutre e promiscuo. Vinham da própria Holanda, onde ocupabam postos em grandes empresas. Alternabam muito pouco com os outros turistas e non eram material “follable”; ao menos para empregados de mesa ou lavapratos, ainda que fossem empregados um pouco ilustrados como eu. Apontabam mais alto, no caso de que apuntaram a algo. Vinham em vehículos descapotábeis, solas ou com companhia; non aguantabam os atracóns de sol como as alemáns e, ao anoitecer, elegantes e desplicentes, punham rumo a outros lugares mais distinguidos que Canet. Ao princípio do turismo, ocurríam estes desaxustes xeográficos, por desconhecimento dos viaxeiros ou por pirataría das axências. Ao pouco tempo, as holandesas deixarom de vir. Polo menos a Canet. O turismo de Canet de Mar era de “perra-chica” e, pesse a tudo, estaba lonxe do alcance dos espanhois. O proletariado alemán que vinha por aquí tinha mais sentimento nacional que consciência de classe, do qual podía deducir-se que había também um proletariado nazi. Isto, podería parecer um “contradiós”, mas era a pura verdade. Como destas cousas o Villán, acreditaba saber muito mais do que eu, comentei-lho um dia e deu-me a razón. Ou non, xá non me recordo muito bem. As austríacas também eram outra classe à parte e distantes. Ibam de senhoritas ou de acompanhantes ocasionais e sem vínculos, isto vía-se às claras. Non eram obreiras ou empregadas, e tampouco vinham em autocarros, senón em descapotábeis como as holandesas: em “Volkswagens”. Seguro que habia outras marcas de carros; mas para mim todos eram Volkswagen, igual que todas as extranxeiras eram suecas. Os austríacos e as austríacas eram muitíssimo mais nazis que os alemáns. Naquela algarabía linguística do panxermanismo, ninguém quería falar de política. Mas, às vezes, entre torrentes de cervexa, saltaba unha opinión relâmpagueante como unha “Blitzkrieg”. Ao desgaire e como sem querer, quando escuitábas algúm xuízo desdenhoso contra Espanha, deslizabas unha pergunta tonta: “und Hitler ¿was?”. Se o interlocutor era partidário da esvástica, calába-se como um morto. Se era demócrata, refunfunhaba polo baixo “Hitler nicht gut”, (Hitler no bueno), e punha cara de ofendido. Era a proba política dos nove!

JAVIER VILLÁN E DAVID OURO