
Durante a sua estada, no verán de 1881, em Sils-Maria, Nietzsche terá unha autêntica “revelaçón”. Um pensamento que lhe permite romper a oposiçón entre o “devir” e o “ser” e que, além disso, proporciona um significado imanente à vida. Trata-se do “eterno retorno do mesmo”, a doutrina fundamental de Zaratustra. O mais abismal pensamento! Para introduzir-nos nesta ideia vamos recorrer à sua primeira formulaçón, que se encontra de novo em “A Gaia Ciência”, concretamente no fragmento intitulado “O maior peso”: O que aconteceria se certo dia ou certa noite um demónio entrasse furtivamente na tua solidón mais solitária e te dissesse: “Esta vida, tal como a vives agora e tal como a viveste, terás de vivê-la non só unha, mas incontáveis vezes, e nela nunca acontecerá nada de novo, mas que cada dor e cada prazer e cada pensamento e cada suspiro e cada cousa infinitamente pequena e grande da tua vida deberá retornar a ti, e tudo na mesma ordem e sucessón – e assim também esta aranha e este luar entre as árbores e também este instante e eu mesmo. O eterno relóxio de areia da existência dará a volta unha e outra vez – e tu com ela, minúsculo pó no pó!”? O eterno retorno apresenta-se como um exercício mental que consiste em imaxinar que todos os instantes que componhem a nossa vida ván retornar eternamente e de forma idêntica àquela em que se produziram. Tudo, absoluctamente tudo o que vivemos e temos vivido (“cada dor e cada prazer e cada pensamento e cada suspiro e cada cousa infinitamente pequena e grande”) se repetirá infinitas vezes e exactamente pola mesma ordem.
TONI LLÁCER